{"id":71194,"date":"2026-01-20T18:59:21","date_gmt":"2026-01-20T21:59:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ia-a-china-tem-outro-projeto\/"},"modified":"2026-01-20T18:59:21","modified_gmt":"2026-01-20T21:59:21","slug":"ia-a-china-tem-outro-projeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ia-a-china-tem-outro-projeto\/","title":{"rendered":"IA: A China tem outro projeto"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Como qualquer observador dos temas digitais est\u00e1 cansado de saber, a intelig\u00eancia artificial deixou de ser apenas uma tecnologia disruptiva para se tornar o epicentro de uma disputa geopol\u00edtica e geoecon\u00f4mica que redefine as rela\u00e7\u00f5es de poder no s\u00e9culo XXI. Enquanto o mundo observa e os Estados Unidos tentam manter sua lideran\u00e7a, a China executa silenciosamente uma das mais ambiciosas estrat\u00e9gias nacionais da hist\u00f3ria recente: transformar-se na l\u00edder mundial de IA at\u00e9 2030. Mas o que exatamente o pa\u00eds asi\u00e1tico busca com essa corrida tecnol\u00f3gica? Como veremos, a resposta vai muito al\u00e9m de inova\u00e7\u00e3o ou competitividade.<\/p>\n<p>Durante duas d\u00e9cadas ap\u00f3s a crise financeira asi\u00e1tica de 1997, a economia global prosperou com base numa sinergia simples: os Estados Unidos dominavam o software, a China fabricava o hardware. Essa complementaridade beneficiou ambos enormemente e impulsionou o crescimento mundial. A partir do primeiro governo Trump, Washington come\u00e7ou a usar a domin\u00e2ncia de suas empresas em software para conter a ascens\u00e3o chinesa, for\u00e7ando a China a desenvolver substitutos pr\u00f3prios. Com escala, talento e recursos financeiros, o pa\u00eds asi\u00e1tico tem todas as condi\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar seus objetivos de autonomia tecnol\u00f3gica. Paradoxalmente, essa press\u00e3o americana est\u00e1 motivando a China a impedir justamente a emerg\u00eancia de domin\u00e2ncia de sistemas ou plataformas em novas tecnologias como a IA por parte das empresas de tecnologia dos EUA \u2014 exatamente o que os investidores ocidentais esperavam conquistar.<\/p>\n<p><strong>Transforma\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica de Estado<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/14-1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/14-1-1.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em 2017, o governo chin\u00eas lan\u00e7ou o documento estrat\u00e9gico \u201cNew Generation Artificial Intelligence Development Plan\u201d (AIDP), que estabeleceu marcos ambiciosos e cronologicamente precisos. Em 2020, a ideia principal seria alcan\u00e7ar paridade tecnol\u00f3gica com os l\u00edderes globais em IA, tornando a intelig\u00eancia artificial um novo motor de crescimento econ\u00f4mico para a China. At\u00e9 o ano passado, a meta era <strong>a<\/strong>tingir lideran\u00e7a mundial em \u00e1reas selecionadas de IA, gerando 400 bilh\u00f5es de yuans em ind\u00fastria central e 5 trilh\u00f5es de yuans em setores relacionados, estabelecendo sistemas iniciais de governan\u00e7a e seguran\u00e7a. Para 2030, o objetivo principal: <strong>t<\/strong>ornar-se o principal centro global de inova\u00e7\u00e3o em IA com ind\u00fastria central de 1 trilh\u00e3o de yuans e ind\u00fastrias relacionadas de 10 trilh\u00f5es de yuans, ocupando os segmentos dominantes da tecnologia e consolidando a China como l\u00edder absoluto mundial.<\/p>\n<p>Mesmo h\u00e1 quase uma d\u00e9cada e ainda sem a presen\u00e7a avassaladora da IA generativa, n\u00e3o se tratava de ret\u00f3rica pol\u00edtica vazia. Alibaba, um dos principais grupos tecnol\u00f3gicos do pa\u00eds, reservou 380 bilh\u00f5es de yuans, ou 54 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, para capacidade de computa\u00e7\u00e3o e infraestruturas de IA apenas em 2024. Segundo o Bank of America, o investimento total da China em IA foi estimado entre 600\u2013700 bilh\u00f5es de yuans (US$ 84\u201398 bilh\u00f5es) para 2025. O investimento maci\u00e7o, que envolve v\u00e1rias gigantes nacionais, reflete uma coordena\u00e7\u00e3o entre governo e setor privado raramente vista em outras economias, onde empresas como Alibaba, ByteDance, Tencent e Huawei alinham suas estrat\u00e9gias corporativas aos objetivos nacionais.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da competitividade econ\u00f4mica, a China enxerga a IA como um catalisador de mudan\u00e7as estruturais profundas. O Conselho de Estado formalizou em agosto de 2025 uma estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o intensiva da intelig\u00eancia artificial em todos os setores da sociedade e da economia, com o objetivo de reconfigurar os modos de produ\u00e7\u00e3o e de vida. Essa vis\u00e3o transformadora est\u00e1 explicitamente ligada ao projeto pol\u00edtico chin\u00eas. A implementa\u00e7\u00e3o massiva de IA \u00e9 vista como parte da evolu\u00e7\u00e3o do \u201csocialismo com caracter\u00edsticas chinesas\u201d para uma nova etapa, onde a colabora\u00e7\u00e3o entre humanos e m\u00e1quinas redefine as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas sobre ter a melhor tecnologia, mas sobre moldar como essa tecnologia reorganiza a sociedade. E tudo isso vem sendo alinhado com sua pol\u00edtica para economia de dados, base de qualquer estrat\u00e9gia de desenvolvimento em IA. O ativo foi al\u00e7ado a fator de produ\u00e7\u00e3o, ao lado de capital, trabalho, terra e equipamentos.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da IA para a lideran\u00e7a chinesa fica evidente na an\u00e1lise das sess\u00f5es de estudo do Politburo em 2025 feita por Fred Gao, de <em>Inside China<\/em>. Em fevereiro, a primeira sess\u00e3o do ano integrou a \u201cseguran\u00e7a da IA\u201d dentro da estrutura de seguran\u00e7a nacional hol\u00edstica, sinalizando que tecnologias emergentes n\u00e3o s\u00e3o vistas apenas como oportunidades econ\u00f4micas, mas como quest\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica que exigem governan\u00e7a preventiva.<\/p>\n<p>A segunda sess\u00e3o, realizada em 25 de abril, dedicou-se inteiramente ao desenvolvimento e regula\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial. O professor Zheng Nanning, da Universidade de Xi\u2019an Jiaotong, apresentou aos membros do Politburo uma vis\u00e3o que equilibra inova\u00e7\u00e3o com controle. A sess\u00e3o revelou tr\u00eas diretrizes fundamentais que estruturam a estrat\u00e9gia chinesa:<\/p>\n<p>\u00b7 <strong>Autossufici\u00eancia tecnol\u00f3gica<\/strong>: Identificaram-se lacunas cr\u00edticas em teorias fundamentais e tecnologias centrais, especialmente em chips de alta performance e software b\u00e1sico. O objetivo declarado \u00e9 construir um sistema aut\u00f4nomo, control\u00e1vel e colaborativo de hardware e software para IA. Esta n\u00e3o \u00e9 apenas ret\u00f3rica nacionalista \u2014 \u00e9 uma resposta direta \u00e0s san\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas ocidentais.<\/p>\n<p>\u00b7 <strong>Desenvolvimento orientado por aplica\u00e7\u00f5es<\/strong>: Enquanto se busca autonomia tecnol\u00f3gica, a \u00eanfase est\u00e1 em resultados pr\u00e1ticos imediatos. A China quer aproveitar suas vantagens em recursos de dados, sistemas industriais, cen\u00e1rios de aplica\u00e7\u00e3o e potencial de mercado. A estrat\u00e9gia prev\u00ea um sistema de inova\u00e7\u00e3o colaborativa liderado por empresas, integrando ind\u00fastria, academia, pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENETA-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENETA-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/VENETA-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00b7 <strong>Governan\u00e7a de riscos em ciclo completo<\/strong>: As palavras-chave \u201cben\u00e9fica, segura e equitativa\u201d e \u201csegura, confi\u00e1vel e control\u00e1vel\u201d aparecem repetidamente. O documento enfatiza monitoramento t\u00e9cnico, alertas de risco e sistemas de resposta emergencial. A IA deve ser desenvolvida, mas sob estrito controle estatal.<\/p>\n<p>Esta abordagem dual \u2014 buscar simultaneamente avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e manter controle r\u00edgido \u2014 caracteriza o modelo chin\u00eas de desenvolvimento de IA. \u00c9 uma corrida pela lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica que jamais perde de vista o imperativo do controle pol\u00edtico e social.<\/p>\n<p><strong>Pragmatismo versus concentra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais marcantes da abordagem chinesa \u00e9 sua orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Enquanto os EUA exploram conceitos como intelig\u00eancia artificial geral e superintelig\u00eancia artificial, procurando responder a quest\u00f5es de grande alcance, incluindo a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser humano, a China adota uma postura diferente. O foco chin\u00eas est\u00e1 na aplica\u00e7\u00e3o imediata da IA em cen\u00e1rios reais para criar valor econ\u00f4mico e aumentar a efici\u00eancia industrial. Isso significa integrar intelig\u00eancia artificial em sistemas de diagn\u00f3stico m\u00e9dico, ve\u00edculos aut\u00f4nomos, plataformas educacionais, sistemas de vigil\u00e2ncia e, principalmente, em processos produtivos que possam reduzir custos e aumentar a competitividade global da ind\u00fastria chinesa.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a filos\u00f3fica revela muito sobre as prioridades de cada pot\u00eancia. Artigo de Andy Xieilustra bem esta distin\u00e7\u00e3o. Enquanto o Vale do Sil\u00edcio, como apoio de Washington, busca criar sistemas cada vez mais poderosos e generalizados, concentrando os principais investimentos em suas campe\u00e3s nacionais com alta capacidade de alavancagem, a China quer aplica\u00e7\u00f5es que resolvam problemas concretos agora, gerando retorno imediato para a sociedade e a economia.<\/p>\n<p>Neste sentido, a aposta chinesa em plataformas de c\u00f3digo aberto n\u00e3o \u00e9 apenas uma estrat\u00e9gia de mercado, mas uma manobra geopol\u00edtica calculada para evitar que sistemas propriet\u00e1rios se transformem em pontos de estrangulamento. Enquanto os Estados Unidos investem trilh\u00f5es esperando criar novos monop\u00f3lios lucrativos ao estilo Microsoft, Google ou Meta, a China est\u00e1 deliberadamente impedindo que esse cen\u00e1rio se concretize. Empresas como DeepSeek, Moonshot AI, Zhipu AI e MiniMax disponibilizam suas tecnologias gratuitamente ou a custos muito baixos, buscando conquistar participa\u00e7\u00e3o de mercado atrav\u00e9s do volume de usu\u00e1rios e da constru\u00e7\u00e3o de ecossistemas, em vez de receitas diretas imediatas.<\/p>\n<p>A consultoria Gartner estimava investimentos globais em IA em 1,5 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2025, ultrapassando 2 trilh\u00f5es ao final do novo ano. As empresas que investem esses montantes esperam atingir poder monopol\u00edstico num mercado potencialmente gigantesco, apostando que o princ\u00edpio \u201co vencedor leva tudo\u201d funcionar\u00e1 como em ondas tecnol\u00f3gicas anteriores.<\/p>\n<p>Mas a realidade est\u00e1 tomando outro rumo. Os modelos chineses de c\u00f3digo aberto j\u00e1 det\u00eam cerca de 30% do mercado global de IA. A previs\u00e3o \u00e9 que no horizonte pr\u00f3ximo superem seus competidores americanos tanto em participa\u00e7\u00e3o de mercado quanto em velocidade de aquisi\u00e7\u00e3o de novos usu\u00e1rios. Mesmo que os modelos de c\u00f3digo aberto n\u00e3o sejam tecnicamente superiores aos propriet\u00e1rios, poder\u00e3o vencer os advers\u00e1rios simplesmente por serem suficientemente bons para realizar o trabalho \u2014 e por oferecerem controle aos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esta din\u00e2mica amea\u00e7a destruir os sonhos de lucros trilion\u00e1rios que motivam os investimentos atuais em IA dos investidores de Wall Street. A bolha financeira pode estar prestes a estourar n\u00e3o por falha tecnol\u00f3gica, mas pela impossibilidade de monetiza\u00e7\u00e3o monopol\u00edstica num cen\u00e1rio dominado por alternativas abertas e gratuitas calcadas em outros tipos de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica industrial e propriedade intelectual<\/strong><\/p>\n<p>Para justificar o avan\u00e7o chin\u00eas sem admitir as pr\u00f3prias falhas estrat\u00e9gicas, o Ocidente construiu uma narrativa conveniente: a China progride porque n\u00e3o respeita a propriedade intelectual. Este \u201cconto chin\u00eas\u201d serve como desculpa moral, transformando um problema complexo de pol\u00edtica industrial em uma f\u00e1bula simples com um \u00fanico vil\u00e3o.<\/p>\n<p>A realidade, por\u00e9m, \u00e9 bem diferente. Desde 2014, a China estabeleceu tribunais especializados em propriedade intelectual, integrados num sistema judicial cada vez mais sofisticado. O pa\u00eds tornou-se um dos principais motores do crescimento mundial de solicita\u00e7\u00f5es de patentes, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Um pa\u00eds que despreza a propriedade intelectual n\u00e3o investe nessa escala em registros, lit\u00edgios e aparato institucional.<\/p>\n<p>O que existe, na verdade, \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o seletiva e estrat\u00e9gica da propriedade intelectual. Ela funciona como um interruptor: aplica-se com rigor quando conv\u00e9m estabilizar um mercado ou proteger campe\u00f5es nacionais, e toleram-se zonas cinzentas quando o objetivo \u00e9 acelerar a difus\u00e3o tecnol\u00f3gica e o aprendizado coletivo. Esta flexibilidade pragm\u00e1tica \u00e9 o que o Ocidente interpreta erroneamente como aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como nos mostra Enrique Dans, o que realmente impulsiona o progresso chin\u00eas n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 PI, mas uma pol\u00edtica industrial massiva, expl\u00edcita e sustentada no tempo. O programa \u201cMade in China 2025\u201d n\u00e3o foi apenas um slogan, mas uma mobiliza\u00e7\u00e3o coordenada de capital, permiss\u00f5es, ativos imobili\u00e1rios e incentivos para setores considerados priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>O setor de ve\u00edculos el\u00e9tricos exemplifica esse modelo. Com mais de 30 fabricantes, a China n\u00e3o lidera porque \u201ccopia sem consequ\u00eancias\u201d, mas porque durante anos empurrou financiamento, infraestrutura, demanda p\u00fablica e competi\u00e7\u00e3o interna at\u00e9 transformar o mercado numa corrida por execu\u00e7\u00e3o de projetos. Dezenas de fabricantes competindo com margens m\u00ednimas aceleraram o aprendizado, a redu\u00e7\u00e3o de custos e o controle da cadeia de suprimentos. O mesmo padr\u00e3o se observa na energia solar, onde o pa\u00eds domina a fabrica\u00e7\u00e3o global ap\u00f3s financiar massivamente a capacidade produtiva, aceitando sobrecapacidade e guerras de pre\u00e7os como parte consciente do processo.<\/p>\n<p>Esta \u201cdistor\u00e7\u00e3o\u201d que o Ocidente critica \u00e9, na realidade, um efeito buscado de forma deliberada. \u00c9 imposs\u00edvel competir contra quem transformou inefici\u00eancias aparentes em vantagens competitivas reais. O caso da DeepSeek ilustra perfeitamente essa capacidade de inova\u00e7\u00e3o sob press\u00e3o. O modelo R1, lan\u00e7ado no in\u00edcio de 2025, alcan\u00e7ou desempenho compar\u00e1vel aos melhores sistemas ocidentais utilizando hardware menos avan\u00e7ado e a uma fra\u00e7\u00e3o do custo. Essa efici\u00eancia n\u00e3o veio de componentes superiores, mas de otimiza\u00e7\u00e3o de software e arquitetura mais inteligente.<\/p>\n<p><strong>Defesa e a parte sens\u00edvel da estrat\u00e9gia<\/strong><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o militar da intelig\u00eancia artificial representa talvez o aspecto mais cr\u00edtico \u2014 e menos transparente \u2014 da estrat\u00e9gia chinesa. O Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (ELP) v\u00ea a IA como central na pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o nos assuntos militares, capaz de transformar fundamentalmente as m\u00e9tricas de poder militar. An\u00e1lises de contratos militares do ELPrevelam sete \u00e1reas priorit\u00e1rias de investimento: ve\u00edculos inteligentes e aut\u00f4nomos, intelig\u00eancia e reconhecimento, manuten\u00e7\u00e3o preditiva e log\u00edstica, guerra de informa\u00e7\u00e3o e eletr\u00f4nica, simula\u00e7\u00e3o e treinamento, comando e controle, e reconhecimento autom\u00e1tico de alvos. O foco principal est\u00e1 em sistemas n\u00e3o tripulados inteligentes, que devem revolucionar as formas tradicionais de combate.<\/p>\n<p>Em 2025, a China revelou progressos significativos. Durante desfile militar, sistemas de guerra eletr\u00f4nica alimentados por IA demonstraram capacidade de desconectar redes inimigas e fornecer contramedidas a\u00e9reas e espaciais. A fabricante estatal Norinco apresentou o ve\u00edculo militar P60, capaz de realizar opera\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas de apoio ao combate a 50 km\/h,alimentado pelo modelo DeepSeek. Sistemas de artilharia com assist\u00eancia de IA foram testados para melhorar precis\u00e3o e aloca\u00e7\u00e3o de muni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de fus\u00e3o militar-civil permite que avan\u00e7os civis alimentem aplica\u00e7\u00f5es militares. Empresas como a U-Tenet desenvolveram modelos de IA especificamente militares: Tianji (um \u201cc\u00e9rebro de decis\u00e3o\u201d baseado em nuvem para planejamento operacional), Tianwang (reposit\u00f3rio de intelig\u00eancia em tempo real) e Tianjian (sistema integrado de intelig\u00eancia de campo de batalha). Segundo dados da empresa de consultoria ifenxi, esses sistemas foram constru\u00eddos com mais de um milh\u00e3o de documentos de alta qualidade e 300 terabytes de imagens militares.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o mais delicada \u2014 e potencialmente perigosa \u2014 neste campo \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o da IA em sistemas de comando e controle nuclear (NC3). Em novembro de 2024, Xi Jinping e Joe Biden concordaram que a decis\u00e3o de usar armas nucleares deve permanecer sob controle humano, n\u00e3o sendo delegada \u00e0 intelig\u00eancia artificial. Mas a realidade \u00e9 mais complexa que esse compromisso sugere.<\/p>\n<p>A China mant\u00e9m oficialmente uma pol\u00edtica declarat\u00f3ria de \u201cno-first-use\u201d nuclear desde 1964. Contudo, o Departamento de Defesa dos EUA afirma que o pa\u00eds est\u00e1 construindo diversos sensores de alerta precoce baseados no espa\u00e7o e na terra, projetados para detectar lan\u00e7amentos nucleares e fornecer op\u00e7\u00e3o de postura de lan\u00e7amento sob alerta, permitindo retalia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida antes que uma arma nuclear detone. Em 2024, a China aprimorou sistemas espaciais de alerta precoce capazes de detectar um m\u00edssil bal\u00edstico intercontinental em 90 segundos e alertar um centro de comando em tr\u00eas a quatro minutos.<\/p>\n<p>Especialistas chineses reconhecem que comandantes podem ser sobrecarregados pela quantidade massiva de informa\u00e7\u00f5es sobre a\u00e7\u00f5es advers\u00e1rias, impedindo decis\u00f5es r\u00e1pidas e informadas. A IA surge como solu\u00e7\u00e3o para processar dados de alerta precoce, mas essa integra\u00e7\u00e3o cria riscos significativos. Modelos avan\u00e7ados de IA podem \u201calucinar\u201d dados falsos \u2014 no contexto nuclear, isso poderia significar detectar falsamente um ataque iminente. A natureza de \u201ccaixa-preta\u201d da IA profunda dificulta compreender o processo interno que leva a determinada sa\u00edda, tornando verifica\u00e7\u00f5es e redund\u00e2ncias essenciais.<\/p>\n<p>Analistas chineses tamb\u00e9m identificam amea\u00e7as \u00e0 estabilidade estrat\u00e9gica. A IA preditiva \u00e9 capaz de aprimorar capacidades de contrafor\u00e7a e fornecer vantagens ofensivas que ameacem capacidades retaliat\u00f3rias advers\u00e1rias. Tecnologias de IA e sensoriamento remoto podem permitir ve\u00edculos submarinos n\u00e3o tripulados aut\u00f4nomos para detectar, rastrear e atacar submarinos de m\u00edsseis bal\u00edsticos, reduzindo sua capacidade de sobreviv\u00eancia. Essas din\u00e2micas criam corridas armamentistas e pressionam por sistemas de dissuas\u00e3o estrat\u00e9gica mais robustos, desencadeando contramedidas chinesas para melhorar mobilidade e capacidade de penetra\u00e7\u00e3o de suas for\u00e7as nucleares.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se a China usar\u00e1 IA para gerenciar armas nucleares, mas a profundidade com que a tecnologia ser\u00e1 integrada nos sistemas que informam, recomendam e facilitam decis\u00f5es nucleares, mantendo nominalmente humanos \u201cno circuito\u201d de decis\u00e3o final. E, sem ingenuidade, entender que empresas como Palantir e Anduril podem estar fazendo o mesmo em seus contratos com o Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p><strong>Autonomia tecnol\u00f3gica e soberania digital<\/strong><\/p>\n<p>Com estas demandas postas, um dos objetivos centrais da estrat\u00e9gia chinesa \u00e9 reduzir a depend\u00eancia de tecnologias estrangeiras com solu\u00e7\u00f5es de engenhosidade. At\u00e9 2026, o pa\u00eds pretende triplicar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de chips de IA, desenvolvendo tamb\u00e9m nanochips e ferramentas industriais de automa\u00e7\u00e3o inteligente. A Huawei, por exemplo, planeja lan\u00e7ar um sistema altamente competitivo ao longo deste ano, completamente independente de componentes americanos.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2025, analisa Markus Sandelin, a Reuters revelou que a China completou um prot\u00f3tipo operacional de litografia EUV (ultravioleta extremo) numa instala\u00e7\u00e3o de alta seguran\u00e7a em Shenzhen \u2014 n\u00e3o atrav\u00e9s de engenharia reversa de m\u00e1quinas ASML capturadas, mas recrutando os humanos que sabiam constru\u00ed-las. O ex-cientista da ASML Lin Nan, que liderou a tecnologia de fonte de luz EUV na Holanda de 2015 a 2021, registou oito patentes EUV em dezoito meses sob nova identidade no Instituto de \u00d3ptica de Xangai. Os b\u00f4nus de contrata\u00e7\u00e3o variaram entre US$ 420 mil e US$ 700 mil, al\u00e9m de subs\u00eddios habitacionais e documentos de identidade. A m\u00e1quina ocupa um andar inteiro de f\u00e1brica, funciona com efici\u00eancia de convers\u00e3o de 3,42%, e embora ainda n\u00e3o tenha produzido chips funcionais \u2014 meta prevista para 2028\u20132030 \u2014 ela existe, comprimindo o cronograma previsto de 2035\u20132040 para aproximadamente uma d\u00e9cada antes.<\/p>\n<p>Este caso exemplifica um erro estrutural fundamental da estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a tecnol\u00f3gica ocidental: a suposi\u00e7\u00e3o de que o conhecimento vive nas m\u00e1quinas, n\u00e3o nas pessoas. Enquanto os controles de exporta\u00e7\u00e3o bloquearam a venda de sistemas EUV da ASML \u00e0 China, a opera\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00e3o de talentos chinesa funcionou \u00e0s claras porque artefatos nunca s\u00e3o o ativo real \u2014 s\u00e3o apenas recibos do conhecimento que existe nas mentes humanas.<\/p>\n<p>O Ocidente garantiu aproximadamente seis anos de vantagem temporal, mas desperdi\u00e7ou esse tempo com autocongratula\u00e7\u00e3o sobre os controles, consolida\u00e7\u00e3o de depend\u00eancias existentes e concentra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua em Taiwan, assumindo que a lacuna nunca se fecharia. A li\u00e7\u00e3o se repete agora com a Ucr\u00e2nia, cujos engenheiros desenvolveram os sistemas de defesa mais avan\u00e7ados em testes reais de combate \u2014 conhecimento que a China est\u00e1 posicionada para extrair da mesma forma, enquanto o Ocidente oferece apoio m\u00ednimo vi\u00e1vel em vez de investimento estrat\u00e9gico no talento que representa valor insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p>Essa busca por autonomia vai al\u00e9m da seguran\u00e7a econ\u00f4mica; trata-se de soberania digital. A China n\u00e3o quer depender de tecnologias que possam ser usadas como instrumentos de press\u00e3o geopol\u00edtica por advers\u00e1rios. O controle sobre a cadeia de produ\u00e7\u00e3o de IA, desde os chips at\u00e9 as aplica\u00e7\u00f5es finais, garante liberdade de a\u00e7\u00e3o em um mundo cada vez mais polarizado.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso,um dos aspectos mais impressionantes da estrat\u00e9gia chinesa \u00e9 como o pa\u00eds tem contornado as san\u00e7\u00f5es americanas que limitam o acesso a chips de IA de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Os fornecedores chineses optaram por uma abordagem baseada no uso de um maior n\u00famero de chips, em vez de recorrer \u00e0s GPUs de alta performande como as da Nvidia. Estrat\u00e9gia que fez Trump recentemente revisar sua pol\u00edtica e permitir que a principal fabricante dos EUA continuasse a fornecer estes componentes cr\u00edticos a empresas chinesas.<\/p>\n<p><strong>Lideran\u00e7a no Sul Global e governan\u00e7a multilateral<\/strong><\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia chinesa tamb\u00e9m tem uma dimens\u00e3o internacional importante. Na World AI Conference de 2025, Pequim apresentou um plano de 13 pontos para a governan\u00e7a global do chamado <em>AI+<\/em>, destacando a colabora\u00e7\u00e3o internacional e o papel do Estado na cria\u00e7\u00e3o de normas. At\u00e9 2027, a meta \u00e9 que novas infraestruturas, tecnologias e servi\u00e7os baseados em IA estejam presentes em 70% da economia real chinesa, atingindo mais de 90% at\u00e9 2030. Recentemente, fez algo similar em termos de coopera\u00e7\u00e3o internacional com seu policy paper de coopera\u00e7\u00e3o com Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>Diferentemente dos Estados Unidos, que promovem exporta\u00e7\u00e3o de tecnologia principalmente para aliados estrat\u00e9gicos, a China se posiciona como parceira dos pa\u00edses do Sul Global, oferecendo transfer\u00eancia de tecnologia com menor condicionamento pol\u00edtico. Essa abordagem busca construir influ\u00eancia global atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o em IA, posicionando a China como l\u00edder do multilateralismo tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Uma corrida que apenas come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o sino-americana em IA est\u00e1 longe do final. Essa disputa deve continuar a alternar entre fases de forte valoriza\u00e7\u00e3o do mercado e momentos de corre\u00e7\u00e3o, refletindo tanto o ritmo do investimento como as incertezas tecnol\u00f3gicas, econ\u00f4micas e geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>E o que a China quer com IA, afinal? Quer lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica, autonomia estrat\u00e9gica, transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, reorganiza\u00e7\u00e3o social e influ\u00eancia global. Quer redefinir as rela\u00e7\u00f5es de poder no s\u00e9culo XXI atrav\u00e9s do dom\u00ednio da tecnologia que promete ser uma das mais transformadoras desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. E diferentemente de muitas declara\u00e7\u00f5es de inten\u00e7\u00e3o, a China apresenta n\u00e3o apenas ambi\u00e7\u00e3o, mas execu\u00e7\u00e3o coordenada, investimento maci\u00e7o e resultados concretos que j\u00e1 a colocam como rival direto dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia mais dif\u00edcil de admitir \u00e9 que o Ocidente confiou demasiadamente que o mercado, por si s\u00f3, seria suficiente para sustentar a lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica e industrial. Essa etapa terminou. Os Estados Unidos assumiram isso com o CHIPS and Science Act e a mobiliza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de recursos p\u00fablicos para reconstruir capacidade em semicondutores e controlar as exporta\u00e7\u00f5es destes componentes. A Uni\u00e3o Europeia tenta avan\u00e7ar, com mais fric\u00e7\u00e3o interna, atrav\u00e9s do Net-Zero Industry Act.<\/p>\n<p>Para o Brasil, a pergunta n\u00e3o \u00e9 se devemos copiar o modelo chin\u00eas. A quest\u00e3o real \u00e9 se estamos dispostos a admitir que, sem pol\u00edtica industrial coordenada, sem estrat\u00e9gia de escalabilidade e sem reconhecer que a velocidade tamb\u00e9m importa, n\u00e3o h\u00e1 constru\u00e7\u00e3o de soberania tecnol\u00f3gica poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a grande vantagem chinesa: a capacidade de seguir estrat\u00e9gias plenamente intencionadas e marcadas a longo prazo. Continuar negando essa realidade n\u00e3o nos torna mais virtuosos, nem mais liberais, nem mais competitivos. Torna-nos apenas menos relevantes no cen\u00e1rio tecnol\u00f3gico global que est\u00e1 sendo redesenhado neste exato momento.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Empreg\u00e1-la para transformar a economia e as rela\u00e7\u00f5es sociais. Apostar em c\u00f3digos abertos, e no comando p\u00fablico. Quebrar monop\u00f3lios. Exame da estrat\u00e9gia chinesa, a partir de seus documentos<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/ia-china-tem-outro-projeto\/\">IA: A China tem outro projeto<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71195,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[597,5511,14627,23210,33820,10547,23238,5602,1312,33821,33822,6219,33823,1228,33824,33825,33826,5605,33827,5493,33828,33829],"tags":[],"class_list":["post-71194","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-big-techs","category-capa","category-captura-de-dados","category-codigo-aberto","category-controle-de-dados","category-disputas-tecnologicas","category-economia-de-dados","category-eua-x-china","category-geopolitica","category-geopolitica-e-ia","category-gml","category-ia","category-ia-na-china","category-inteligencia-artificial","category-inteligencia-artificial-na-china","category-llm","category-monopolios-tecnologicos","category-projeto-chines","category-projeto-chines-em-ia","category-tecnologia-em-disputa","category-tecnologia-na-china","category-ti-na-china"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}