{"id":71354,"date":"2026-01-21T18:45:03","date_gmt":"2026-01-21T21:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/critica-a-politica-economica-da-miseria\/"},"modified":"2026-01-21T18:45:03","modified_gmt":"2026-01-21T21:45:03","slug":"critica-a-politica-economica-da-miseria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/critica-a-politica-economica-da-miseria\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica da mis\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"532\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-21-at-18-41-52-Em-um-ano-renda-dos-mais-pobres-caiu-9-Epoca-Negocios-Economia.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-21-at-18-41-52-Em-um-ano-renda-dos-mais-pobres-caiu-9-Epoca-Negocios-Economia.png 770w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-21-at-18-41-52-Em-um-ano-renda-dos-mais-pobres-caiu-9-Epoca-Negocios-Economia-300x207.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-21-at-18-41-52-Em-um-ano-renda-dos-mais-pobres-caiu-9-Epoca-Negocios-Economia-768x531.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 alguns meses, Arm\u00ednio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil, prop\u00f4s o congelamento do sal\u00e1rio-m\u00ednimo por seis anos como f\u00f3rmula para melhorar as contas da Previd\u00eancia Social. Na \u00faltima semana do ano, o jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em> defendeu a mesma ideia. Entendimento, com tintas mais fortes ou mais fracas, \u00e9, infelizmente, bastante consensual nos governos que se sucedem.<\/p>\n<p>Em 25 de junho de 2025, o governo federal decidiu extinguir a concess\u00e3o de Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) para milh\u00f5es de brasileiros. Para isso, serviu-se de um artif\u00edcio.\u00a0 O Decreto 12.534 estabeleceu que, no c\u00e1lculo que define a concess\u00e3o ou n\u00e3o do benef\u00edcio, passar\u00e3o a ser considerados os valores recebidos por meio do Bolsa-Fam\u00edlia. Essa mudan\u00e7a tornar\u00e1 ineleg\u00edveis para o BPC milhares de fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade, especialmente aquelas com crian\u00e7as portadoras de defici\u00eancia. Isso porque, para receber o BPC, a renda familiar deve estar limitada a \u00bc do sal\u00e1rio-m\u00ednimo por membro da fam\u00edlia. Em uma fam\u00edlia t\u00edpica com quatro membros e renda de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, a inclus\u00e3o do valor do Bolsa Fam\u00edlia no c\u00e1lculo ultrapassar\u00e1, excluindo em consequ\u00eancia a concess\u00e3o do BPC. Como praticamente todas as fam\u00edlias nessa configura\u00e7\u00e3o recebem o Bolsa Fam\u00edlia, essa inelegibilidade produz um risco universal de perda de renda em fam\u00edlias com crian\u00e7as portadoras de defici\u00eancia, dentre as mais pobres.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Decreto n\u00ba 12.534, o Minist\u00e9rio da Fazenda conseguiu aprovar no Congresso um aumento a menor na corre\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio-m\u00ednimo, com teto equivalente a infla\u00e7\u00e3o mais\u00a0 2,5%, quando a economia tiver crescido. Se, por hip\u00f3tese, a economia crescer 8%, o aumento real do sal\u00e1rio-m\u00ednimo se manter\u00e1 limitado a 2,5%.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica, balizada pelo arcabou\u00e7o fiscal, pretende impedir o endividamento p\u00fablico em cima da renda dos mais pobres e, se n\u00e3o na intensidade, mas no esp\u00edrito assume a mesma l\u00f3gica assumida por Arm\u00ednio Fraga e pelo Estad\u00e3o de que as \u201cdespesas\u201d p\u00fablicas em renda de sobreviv\u00eancia produzem d\u00e9ficit p\u00fablico e infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-7.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-7.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/2.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 claro que o governo Lula tamb\u00e9m vem tentando obter recursos (para atender aos ditames do Arcabou\u00e7o Fiscal) taxando os mais ricos, embora nesse caso sem a mesma for\u00e7a\u00a0 no Congresso e na m\u00eddia que o Minist\u00e9rio da Fazenda facilmente obteve para reduzir os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o a menor do Sal\u00e1rio M\u00ednimo agora oficiais no Brasil e infelizmente fartamente consensuais \u00e0 esquerda e \u00e0 direita.<\/p>\n<p>O que interessa aqui, no entanto, \u00e9 o fato de que, de forma acintosa ou discreta, h\u00e1 um consenso ostensivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o da renda desses mais pobres no card\u00e1pio dos cortes or\u00e7ament\u00e1rios, havendo diferen\u00e7as na intensidade da aplica\u00e7\u00e3o das medidas que v\u00e3o do congelamento (<strong>parte da direita<\/strong>) \u00e0 corre\u00e7\u00e3o a menor do sal\u00e1rio-m\u00ednimo e a ca\u00e7a ao BPC (<strong>parte da esquerda<\/strong>).<\/p>\n<p>Se esse consenso indiscutivelmente existe hoje, poderia existir outro atrav\u00e9s do qual as for\u00e7as pol\u00edticas envolvidas com a governan\u00e7a pudessem enxergar a inocuidade ou a desnecessidade de cortes em cima da renda de sobreviv\u00eancia? Com que limites? Em cima de que crit\u00e9rios?<\/p>\n<p>\u00c9 um bom questionamento porque se campos opostos podem concordar com o princ\u00edpio de enxugar, mais ou menos a renda de sobreviv\u00eancia dos mais pobres, por que n\u00e3o poderiam concordar com uma ideia menos perversa?<\/p>\n<p>Esse consenso positivo, ali\u00e1s, tamb\u00e9m n\u00e3o seria novidade. Ele foi e vem sendo a t\u00f4nica nos pa\u00edses da Europa do Norte, o que vem produzindo ali bem-estar social e renda elevada como pol\u00edtica de Estado em sucessivos governos conservadores e progressistas.<\/p>\n<p>Em que se fundamentou esse consenso? Duas ideias tiveram import\u00e2ncia nos c\u00edrculos acad\u00eamicos, entre os economistas e nos governos:<\/p>\n<ol>\n<li>a do impacto fiscal l\u00edquido das pol\u00edticas p\u00fablicas e<\/li>\n<li>a dos multiplicadores fiscais<\/li>\n<\/ol>\n<h3><strong>Impacto Fiscal L\u00edquido<\/strong><\/h3>\n<p>O impacto fiscal l\u00edquido refere-se ao efeito resultante de uma pol\u00edtica p\u00fablica sobre as finan\u00e7as governamentais, calculado pela diferen\u00e7a entre o investimento inicial e os retornos tribut\u00e1rios gerados atrav\u00e9s do efeito multiplicador na economia.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo a Nordic Economic Policy Review 2024[1], este conceito considera que investimentos p\u00fablicos, especialmente transfer\u00eancias diretas \u00e0s fam\u00edlias, geram ciclos virtuosos de renda que retornam aos cofres p\u00fablicos via impostos sobre consumo, renda e atividade empresarial, resultando em multiplicadores fiscais que podem atingir 1,3 ou mais nos pa\u00edses com menor desigualdade de renda.<\/p>\n<p>Esta abordagem, amplamente aplicada pelos pa\u00edses n\u00f3rdicos, permite distinguir entre o custo nominal de uma pol\u00edtica (valor desembolsado) e seu custo real (valor l\u00edquido ap\u00f3s considerar os retornos tribut\u00e1rios), transformando a perspectiva tradicional de \u201cgasto p\u00fablico\u201d em \u201cinvestimento social\u201d com retorno fiscal mensur\u00e1vel.<\/p>\n<h3><strong>Multiplicadores fiscais<\/strong><\/h3>\n<p>Vejamos o que dizem os autores Maria Isabel Busato e Norberto Montani Martins sobre os \u201cMultiplicadores fiscais no Brasil\u201d em artigo que publicaram em 2024 na Revista de Economia Contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>O multiplicador fiscal \u00e9 uma maneira de medir o impacto, de curto e m\u00e9dio prazos, da varia\u00e7\u00e3o nos gastos e\/ou nos impostos sobre o Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>A estima\u00e7\u00e3o dos multiplicadores para diferentes tipos de gastos traz ganhos importantes para a an\u00e1lise, uma vez que permite qualificar o debate acerca do melhor desenho da pol\u00edtica fiscal. As estimativas s\u00e3o constru\u00eddas a partir da seguinte divis\u00e3o dos gastos p\u00fablicos: (i) pessoal, que compreende a soma da remunera\u00e7\u00e3o dos empregados com os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios do funcionalismo; (ii) benef\u00edcios sociais, que \u00e9 a soma dos benef\u00edcios de assist\u00eancia social e previdenci\u00e1rios (exclusive de servidores); (iii) ativos fixos (investimentos p\u00fablicos); (iv) subs\u00eddios (incluindo os parafiscais, como o caso do Bndes); e (v) outras despesas.<\/p>\n<p>As respostas do PIB por categoria de gastos tamb\u00e9m mostram resultados interessantes: as despesas de investimento e de benef\u00edcios sociais t\u00eam impactos mais relevantes e mais persistentes do que as respostas das despesas com pessoal e das demais despesas. Notadamente, o multiplicador das despesas em ativos fixos alcan\u00e7a um pico de 1,68 e um valor acumulado de 6,84 em recess\u00f5es, enquanto as despesas com benef\u00edcios sociais chegam a um pico de 1,51, mas com efeitos muito persistentes, registrando um acumulado de 8,03 (em 48 meses)\u2026[2].<\/p>\n<p>O uso desses conceitos permite enxergar com mais transpar\u00eancia o que pode ser entendido como gasto ou como investimento p\u00fablico, e onde \u00e9 mais ou menos rent\u00e1vel cortar (por retornar menos aos cofres p\u00fablicos) o que, obviamente, faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Como se trata de conhecimento econ\u00f4mico e cont\u00e1bil, transparente, audit\u00e1vel e fundamentado em evid\u00eancias, poderia ter o cond\u00e3o de produzir consenso numa seara crucial em que o Brasil, lamentavelmente, ainda est\u00e1 muito atrasado: a da amplia\u00e7\u00e3o do seu mercado consumidor e do bem-estar social.<\/p>\n<p>Veremos agora em tabelas o que retorna aos cofres p\u00fablicos da renda m\u00ednima dos brasileiros no pr\u00f3prio ano fiscal e no ano seguinte, o que nos permitir\u00e1 separar o que \u00e9 investimento do que \u00e9 despesa.<\/p>\n<p>As tabelas a seguir, feitas com a colabora\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Artificial Manus[3] n\u00e3o pretendem oferecer n\u00fameros irretoc\u00e1veis, mas grandezas, claras o suficiente para explicitar o retorno aos cofres p\u00fablicos de maior parte da renda de sobreviv\u00eancia do povo brasileiro, no pr\u00f3prio ano fiscal do pagamento. A metodologia utilizada pela IA na produ\u00e7\u00e3o dos dados est\u00e1 explicitada no rodap\u00e9.<\/p>\n<p>O recorte escolhido foi a renda familiar mensal de at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Vejamos:<\/p>\n<p><strong>Tabela 1: Tributa\u00e7\u00e3o e encargos sobre a renda<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Componente<\/td>\n<td>Valor<\/td>\n<td>Base de C\u00e1lculo<\/td>\n<td>Observa\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Renda Bruta<\/td>\n<td>R$ 3.036<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td>2 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>INSS<\/strong><\/td>\n<td>R$ 258<\/td>\n<td>8,49% da renda bruta<\/td>\n<td>Contribui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>FGTS<strong>[4]<\/strong><\/strong><\/td>\n<td>R$ 243<\/td>\n<td>8,00% da renda bruta<\/td>\n<td>Fundo obrigat\u00f3rio<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Renda L\u00edquida<\/strong><\/td>\n<td><strong>R$ 2.535<\/strong><\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td>Dispon\u00edvel para consumo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Consumo Total<\/strong><\/td>\n<td><strong>R$ 2.535<\/strong><\/td>\n<td>100% da renda l\u00edquida<\/td>\n<td>Desconsiderada a poupan\u00e7a<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Tributos sobre Consumo<\/strong><\/td>\n<td><strong>R$ 664<\/strong><\/td>\n<td>21,8% do consumo<\/td>\n<td>Tributos indiretos<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p>A Tabela 1 mostra que a soma entre encargos (INSS e FGTS, 16,5%) e Tributos sobre o Consumo (21,8%) devolve, de imediato, 38,29% da renda assalariada dos que ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos aos cofres p\u00fablicos, restando para o consumo real algo como 61,71% da renda nominal recebida por m\u00eas.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo do \u00f4nus do INSS sobre a renda familiar, 8,49%, foi uma m\u00e9dia feita pela pr\u00f3pria IA entre os 7,5% que taxam um sal\u00e1rio-m\u00ednimo isoladamente e os 12% que taxam dois.<\/p>\n<p>Parece um c\u00e1lculo realista, pois em fam\u00edlias pobres, a renda de dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos est\u00e1 presumivelmente mais associada ao recebimento de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo por cada c\u00f4njuge, do que de dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos recebido por um dos c\u00f4njuges, o que aproxima mais a taxa\u00e7\u00e3o de 8,49% proposta pela IA dos 7,5% do que dos 12% da renda que seria a taxa imposta ao recebimento de dois sal\u00e1rios por um dos c\u00f4njuges.<\/p>\n<p>Sublinho esse detalhe pois ele tende a comprovar a consist\u00eancia das grandezas calculadas no pela referida IA.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Tabela 2: Tributa\u00e7\u00e3o por categoria de gastos com o consumo<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Categoria de Gasto<\/td>\n<td>Valor Mensal<\/td>\n<td>% do Or\u00e7amento<\/td>\n<td>Tributa\u00e7\u00e3o M\u00e9dia<\/td>\n<td>Valor dos Tributos<\/td>\n<td>Principais Tributos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>R$ 900<\/td>\n<td>35,50%<\/td>\n<td>25,20%<\/td>\n<td>R$ 227<\/td>\n<td>ICMS, PIS\/COFINS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Habita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>R$ 652<\/td>\n<td>25,70%<\/td>\n<td>17,50%<\/td>\n<td>R$ 114<\/td>\n<td>ICMS (energia), ISS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Transporte<\/strong><\/td>\n<td>R$ 200<\/td>\n<td>7,90%<\/td>\n<td>27,40%<\/td>\n<td>R$ 55<\/td>\n<td>ICMS combust\u00edvel<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Vestu\u00e1rio<\/strong><\/td>\n<td>R$ 226<\/td>\n<td>8,90%<\/td>\n<td>36,60%<\/td>\n<td>R$ 83<\/td>\n<td>ICMS, IPI<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Sa\u00fade<\/strong><\/td>\n<td>R$ 170<\/td>\n<td>6,70%<\/td>\n<td>30,00%<\/td>\n<td>R$ 51<\/td>\n<td>ICMS, PIS\/COFINS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>R$ 58<\/td>\n<td>2,30%<\/td>\n<td>26,00%<\/td>\n<td>R$ 15<\/td>\n<td>ISS, ICMS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Outros<\/strong><\/td>\n<td>R$ 329<\/td>\n<td>13,00%<\/td>\n<td>36,00%<\/td>\n<td>R$ 118<\/td>\n<td>ICMS, ISS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>TOTAL<sup>*<\/sup><\/strong><\/td>\n<td><strong>R$ 2.535<\/strong><\/td>\n<td><strong>100%<\/strong><\/td>\n<td><strong>26,20%<\/strong><\/td>\n<td><strong>R$ 664<\/strong><\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption>* Notar que os 26,20% correspondem \u00e0 parte da tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda j\u00e1 deduzida do INSS e FGTS, (R$2.535) sendo que esses mesmos R$664,00 correspondem, como na tabela 1, a 21,8% da renda total de R$3.036,00.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Tabela 2 mostra a distribui\u00e7\u00e3o dos impostos sobre o consumo da renda liquida de R$2.535,00 das fam\u00edlias com at\u00e9 dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos com base numa tributa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia para cada categoria de gastos e totaliza R$664,00 e num consumo m\u00e9dio hipot\u00e9tico.<\/p>\n<p>A tabela inclui tributos municipais, estaduais e federais e a IA prop\u00f4s a seguinte reparti\u00e7\u00e3o entre os entes da federa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>Tabela 3: Distribui\u00e7\u00e3o Percentual dos Tributos por Ente Federativo<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Ente Federativo<\/td>\n<td>Contribui\u00e7\u00f5es Previdenci\u00e1rias e FGTS<\/td>\n<td>Tributos sobre Consumo<\/td>\n<td>Total<\/td>\n<td>%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Uni\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>R$ 501<\/td>\n<td>R$ 329<\/td>\n<td><strong>R$ 830<\/strong><\/td>\n<td><strong>71,20%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Estados<\/strong><\/td>\n<td>R$ 0<\/td>\n<td>R$ 312<\/td>\n<td><strong>R$ 312<\/strong><\/td>\n<td><strong>26,80%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Munic\u00edpios<\/strong><\/td>\n<td>R$ 0<\/td>\n<td>R$ 23<\/td>\n<td><strong>R$ 23<\/strong><\/td>\n<td><strong>2,00%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p>Em seguida orientamos a IA que calculasse a tributa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do Fluxo Financeiro da renda quando convertida numa massa salarial circulante p\u00f3s consumo considerando o <strong>mesmo<\/strong> ano do recebimento do sal\u00e1rio e o ano seguinte.<\/p>\n<p>Esse Fluxo Financeiro, da massa salarial p\u00f3s consumo, (que corresponde na Tabela 2 \u00e0 renda l\u00edquida de R$2.535,00 deduzida dos R$664,00 de impostos na compra resulta em R$1.871,00 por fam\u00edlia), ser\u00e1:<\/p>\n<p>(a) convertido em poupan\u00e7a (14,5%) \u2013 n\u00e3o dos trabalhadores mas dos comerciantes e prestadores de servi\u00e7o de quem eles consumiram \u2013 e<\/p>\n<p>(b) novamente tributado a cada opera\u00e7\u00e3o realizada pelos seus novos detentores: mercados, farm\u00e1cias, empresas de \u00f4nibus etc. no pagamento dos seus fornecedores, m\u00e3o de obra, servi\u00e7os, dentre outros.<\/p>\n<p>Deduzida a poupan\u00e7a m\u00e9dia realizada nesse novo ciclo, aqui quantificada em 14,5% ou R$271,30 (R$1871,00 \u2013 R$271,30 ), resultam R$1.599,70 que continuar\u00e3o a circular na economia.<\/p>\n<p>Tal poupan\u00e7a n\u00e3o \u00e9, aten\u00e7\u00e3o, uma poupan\u00e7a da classe trabalhadora, mas dos novos detentores dessa renda circulante.<\/p>\n<p><strong>Tabela 4: Impostos sobre Massa Salarial em Circula\u00e7\u00e3o (Taxa: 52,3%)<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Tributo<\/td>\n<td>Esfera<\/td>\n<td>Al\u00edquota M\u00e9dia<\/td>\n<td>Participa\u00e7\u00e3o na Taxa<\/td>\n<td>Incid\u00eancia Principal<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>ICMS<\/strong><\/td>\n<td>Estadual<\/td>\n<td>18%<\/td>\n<td><strong>19,7%<\/strong><\/td>\n<td>Circula\u00e7\u00e3o de mercadorias<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>COFINS<\/strong><\/td>\n<td>Federal<\/td>\n<td>7,6%\/3,0%<\/td>\n<td><strong>14,8%<\/strong><\/td>\n<td>Faturamento empresarial<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>ISS<\/strong><\/td>\n<td>Municipal<\/td>\n<td>3,5%<\/td>\n<td><strong>4,2%<\/strong><\/td>\n<td>Presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>IPI<\/strong><\/td>\n<td>Federal<\/td>\n<td>8%<\/td>\n<td><strong>4,1%<\/strong><\/td>\n<td>Produtos industrializados<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>PIS<\/strong><\/td>\n<td>Federal<\/td>\n<td>1,65%\/0,65%<\/td>\n<td><strong>3,2%<\/strong><\/td>\n<td>Faturamento empresarial<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>CSLL<\/strong><\/td>\n<td>Federal<\/td>\n<td>9-20%<\/td>\n<td><strong>2,9%<\/strong><\/td>\n<td>Lucro empresarial<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>IOF<\/strong><\/td>\n<td>Federal<\/td>\n<td>0,38-6,38%<\/td>\n<td><strong>1,8%<\/strong><\/td>\n<td>Opera\u00e7\u00f5es financeiras<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>IPVA<\/strong><\/td>\n<td>Estadual<\/td>\n<td>1-4%<\/td>\n<td><strong>0,8%<\/strong><\/td>\n<td>Propriedade de ve\u00edculos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>IPTU<\/strong><\/td>\n<td>Municipal<\/td>\n<td>0,6-1,5%<\/td>\n<td><strong>0,7%<\/strong><\/td>\n<td>Propriedade imobili\u00e1ria<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Outros<\/strong><\/td>\n<td>Diversos<\/td>\n<td>Vari\u00e1vel<\/td>\n<td><strong>0,1%<\/strong><\/td>\n<td>Taxas e contribui\u00e7\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>TOTAL<\/strong><\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td><strong>52,3%<\/strong><\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p>A Tabela 4 mostra que 52,3% desses R$1.599,70 que continuam circulando na economia depois de terem sido usados para o consumo, s\u00e3o tributados no mesmo ano em que o sal\u00e1rio \u00e9 pago.<\/p>\n<p>Isso representa um montante de R$836,64 acrescentando mais 27,55% de impostos sobre aquela renda bruta de dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos ou R$3.036,00 onerada diretamente como vimos na Tabela 1 em 38,29% do total (tributa\u00e7\u00e3o e encargos diretos)a esses 27.55% (tributa\u00e7\u00e3o da massa salarial circulante p\u00f3s consumo), resultando numa tributa\u00e7\u00e3o de 65,84% da renda auferida pelo sal\u00e1rio, no mesmo ano\u2026<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma parte dessa massa salarial circulante que \u201cvaza\u201d para o ano seguinte, ela corresponde \u00e0 diferen\u00e7a entre a massa salarial circulante e o que foi tributado no mesmo ano do pagamento do sal\u00e1rio, ou seja R$1.599,70 \u2013 R$836,64 que resulta em R$763,06, grandeza que ser\u00e1 novamente poupada em 14,5%, convertendo-se em R$652,42 e tributada em 52,3% no ano seguinte devolvendo no curto prazo de dois anos mais R$341,21 o que acrescenta, no segundo ano mais 11,24% de tributa\u00e7\u00e3o sobre a massa salarial circulante, resultando num retorno de 65,84% (total da tributa\u00e7\u00e3o no primeiro ano) + 11,24% (Total da tributa\u00e7\u00e3o no segundo ano) ou 77,08% daquela renda de R$3036,00\u2026<\/p>\n<p>Tais impostos, que tributam a renda no segundo ano, incidem dessa vez n\u00e3o sobre a renda da fam\u00edlia trabalhadora, aten\u00e7\u00e3o, mas sobre a massa salarial que ainda circula e que ainda financia, ap\u00f3s o consumo, as opera\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio, transporte, farm\u00e1cias e servi\u00e7os, renda que foi posta em circula\u00e7\u00e3o pelo trabalho assalariado.<\/p>\n<p>H\u00e1, portanto dois n\u00edveis de tributa\u00e7\u00e3o a considerar, tomando agora como par\u00e2metro a renda bruta que materializa o gasto do governo com o sal\u00e1rio-m\u00ednimo:<\/p>\n<p><strong>O primeiro n\u00edvel sobre a renda das fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Encargos\u00a0 sobre a renda assalariada: R$258,00 do INSS e R$243,00 do FGTS totalizando R$501,00 (16,5% da renda bruta de R$3036,00) e<\/li>\n<li>Impostos sobre o consumo que totalizam R$664,00 (21,8% da renda bruta de R$3.036,00)<\/li>\n<\/ol>\n<p>A soma das duas dedu\u00e7\u00f5es (impostos e encargos) corresponde a um retorno de 38,37% aos cofres p\u00fablicos no primeiro ano.<\/p>\n<p><strong>O segundo n\u00edvel sobre a massa salarial circulante p\u00f3s consumo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"1\">\n<li>Impostos sobre a massa salarial circulante no ano do pagamento do sal\u00e1rio, correspondendo a R$836,64 (27,55% da renda bruta de R$3036,00) e<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>Impostos sobre a massa salarial circulante no ano seguinte ao pagamento do sal\u00e1rio e correspondendo a R$341,21 (11,24% da renda bruta de R$3036,00).<\/li>\n<li>A soma dos tributos do primeiro e do segundo ano da massa salarial circulante resulta em mais 38,79 de retorno aos cofres p\u00fablicos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A soma dos dois n\u00edveis atinge, no mesmo ano em que o sal\u00e1rio \u00e9 pago, cerca de 65,85% de retorno aos cofres p\u00fablicos sob a forma de encargos e tributos produzidos pela renda dos mais pobres e ter\u00e1 totalizado ao fim do segundo ano um retorno para os governos de R$77,08% de toda a massa salarial paga um ano antes\u2026<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dessas grandezas demonstra que o custo da massa salarial para o Estado brasileiro ter\u00e1 sido, ao fim do segundo ano, de 22,92% do valor pago. \u00c9 claro que ser\u00e1 l\u00edcito perguntar em que bolso da cal\u00e7a o dinheiro caiu, pois h\u00e1 tributos que beneficiam a Uni\u00e3o e outros a estados e munic\u00edpios, al\u00e9m dos encargos que alimentam. fundos espec\u00edficos. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o para os economistas e legisladores resolverem, mas n\u00e3o \u00e9 motivo matem\u00e1tico para enxugar renda.<\/p>\n<p>Os dados revelam a grandeza de 77,08% da massa salarial dos mais pobres retornando aos cofres p\u00fablicos via tributos e encargos. No entanto, esse c\u00e1lculo, que ilustra o custo fiscal l\u00edquido do incremento da renda, ainda ignora um aspecto crucial: o\u00a0efeito multiplicador keynesiano.<\/p>\n<p>Estudos do IPEA (2017) comprovam que cada R$1 gasto no Bolsa Fam\u00edlia gera R$1,78 em PIB, pois os seus benefici\u00e1rios consomem 95% da renda em mercados locais, alimentando cadeias produtivas e empregos. Cortar R$1 bilh\u00e3o do programa sacrifica R$1,78 bilh\u00e3o em atividade econ\u00f4mica[5].<\/p>\n<p>Embora este trabalho tenha se esfor\u00e7ado para fundamentar suas estimativas em fontes oficiais e metodologia transparente, \u00e9 importante reconhecer suas limita\u00e7\u00f5es. Os c\u00e1lculos apresentados, ainda que baseados em dados do IBGE, Banco Central, Tesouro Nacional e outras institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, envolvem necessariamente simplifica\u00e7\u00f5es e premissas que podem n\u00e3o capturar toda a complexidade da din\u00e2mica tribut\u00e1ria e da circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria na economia brasileira. Somente o governo federal, com acesso integral aos dados tribut\u00e1rios desagregados, aos registros administrativos da Receita Federal, do INSS e do FGTS, e com capacidade de modelagem econom\u00e9trica de larga escala, poderia produzir n\u00fameros definitivos e incontest\u00e1veis sobre o retorno fiscal l\u00edquido das pol\u00edticas de renda m\u00ednima.<\/p>\n<p>A verdade, no entanto, est\u00e1 posta matematicamente, os n\u00fameros podem n\u00e3o ser precisos mas o governo pode chegar a eles, torn\u00e1-los transparentes e permitir que sejam conhecidos e que passem sob o crivo do mercado, da m\u00eddia ou dos sindicatos lan\u00e7ando as bases para um novo consenso nacional: o de que investir nos mais pobres n\u00e3o \u00e9 gastar, \u00e9 construir o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No Brasil, a austeridade sobre os pobres n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 injusta: \u00e9 contraproducente e insustent\u00e1vel sob qualquer argumento. Quando mais de tr\u00eas quartos de cada real investido em sal\u00e1rio-m\u00ednimo, Bolsa Fam\u00edlia ou BPC retorna aos cofres p\u00fablicos em menos de dois anos, e quando cada real gasto em benef\u00edcios sociais gera R$ 1,78 em PIB, conforme demonstrado pelo IPEA, o discurso do \u201cajuste fiscal\u201d sobre os mais vulner\u00e1veis se revela pelo que realmente \u00e9: uma escolha pol\u00edtica disfar\u00e7ada de necessidade t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O Brasil precisa urgentemente romper com o consenso destrutivo que sacrifica seu mercado consumidor, sua coes\u00e3o social e seu potencial de crescimento no altar de um equil\u00edbrio fiscal m\u00edope e contraproducente.<\/p>\n<p>Cabe aos economistas brasileiros respons\u00e1veis e sens\u00edveis \u00e0s quest\u00f5es sociais e ao desenvolvimento do Brasil, formular para a governan\u00e7a uma pol\u00edtica que seja capaz de dar aos gastos p\u00fablicos a seguran\u00e7a que o arcabou\u00e7o fiscal falsamente oferece com base nos custos fiscais l\u00edquidos e nos multiplicadores fiscais e cabe aos legisladores e \u00e0 sociedade civil exigir que o governo produza e torne p\u00fablicos os c\u00e1lculos definitivos sobre o custo fiscal l\u00edquido das pol\u00edticas sociais e de outras pol\u00edticas p\u00fablicas como as contidas nas diversas Ren\u00fancias Fiscais para que sejam lan\u00e7adas as bases para um novo consenso nacional.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses n\u00f3rdicos compreenderam h\u00e1 d\u00e9cadas que pol\u00edticas sociais robustas n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis com responsabilidade fiscal \u2014 pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o a base de economias pr\u00f3speras, produtivas e sustent\u00e1veis. Eles evitaram essa armadilha ao priorizar gastos sociais com alto poder multiplicador, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e bem estar social que retornam \u00e0 economia em forma de produtividade e consumo.<\/p>\n<p>Podemos fazer o mesmo!<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[1] Vilmunen J, Junttila J, editors. Nordic Economic Policy Review 2024: Fiscal Policy in Uncertain Times [Internet]. Copenhagen: Nordic Council of Ministers; 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/pub.norden.org\/nord2024-001\/introduction.html<\/p>\n<p>[2] Busato MI, Martins NM. Multiplicadores fiscais no Brasil: entre consensos e dissensos. Rev econ contemp [Internet]. 2024 [citado 29 dez 2025];28:e242803. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/rec\/a\/HZkTc7hmTsg3xPvyVrv8vnk\/?lang=pt doi: 10.1590\/19805527242803<\/p>\n<p>[3] METODOLOGIA E FONTES DE DADOS UTILIZADAS PELA INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL A metodologia utilizada para produzir as tabelas de tributa\u00e7\u00e3o combinou dados oficiais de m\u00faltiplas fontes com modelagem anal\u00edtica inovadora. Os dados prim\u00e1rios foram extra\u00eddos da Pesquisa de Or\u00e7amento Familiar (POF) 2017-2018 do IBGE, que forneceu a estrutura de gastos por categoria para fam\u00edlias de baixa renda, e do Banco Central do Brasil, que disponibilizou informa\u00e7\u00f5es sobre agregados monet\u00e1rios (M1 e M2) e velocidade de circula\u00e7\u00e3o da moeda. As al\u00edquotas tribut\u00e1rias espec\u00edficas por produto e categoria foram obtidas do Impost\u00f4metro da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo (ACSP) e do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), que consolidam a carga tribut\u00e1ria efetiva sobre consumo. Dados sobre arrecada\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o por ente federativo foram coletados do Tesouro Nacional e da Receita Federal do Brasil. A partir dessas fontes, foi desenvolvida uma metodologia integrada que: (1) calculou a tributa\u00e7\u00e3o direta sobre renda assalariada considerando INSS (8,49%), FGTS (8,0%) e tributos indiretos sobre consumo (26,2% em m\u00e9dia); (2) modelou a taxa de retorno aos cofres p\u00fablicos do capital circulante (52,3%) atrav\u00e9s da an\u00e1lise da velocidade de circula\u00e7\u00e3o da moeda ponderada por tipo de transa\u00e7\u00e3o; (3) integrou os dois n\u00edveis de tributa\u00e7\u00e3o em uma an\u00e1lise temporal de 4 anos, assumindo que fam\u00edlias de baixa renda (at\u00e9 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos) destinam 100% da renda l\u00edquida ao consumo essencial, sem capacidade de poupan\u00e7a; e (4) distribuiu cada tributo por compet\u00eancia constitucional (Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios) para revelar a concentra\u00e7\u00e3o federativa dos recursos tribut\u00e1rios.<\/p>\n<p>[4] O Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) apesar de funcionar como uma poupan\u00e7a do trabalhador, tem o papel, sem preju\u00edzo dos poupadores, de um fundo p\u00fablico estrat\u00e9gico, financiando obras de infraestrutura urbana, saneamento e moradia, podendo, sob esse prisma, ser assimilado tamb\u00e9m a um fundo p\u00fablico.<\/p>\n<p>[5] PIB aumenta R$ 1,78 a cada R$ 1 investido no Bolsa Fam\u00edlia. Exame [Internet]. 15 out 2013 [citado 29 dez 2025]; Economia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/exame.com\/economia\/pib-aumenta-r-1-78-a-cada-r-1-investido-no-bolsa-familia\/<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Ganhos do trabalhador retornam \u00e0 economia e ao Estado. Mas os rentistas querem o controle total do Tesouro<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/critica-a-politica-economica-da-miseria\/\">Cr\u00edtica \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica da mis\u00e9ria<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71355,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[587,4590,33912,2710,98,1760,423,6021,591,4992,12446,11756,2270],"tags":[],"class_list":["post-71354","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ajuste-fiscal","category-austeridade","category-bem-estar-social","category-beneficio-de-prestacao-continuada","category-desigualdades","category-eleicoes-2026","category-extrema-direita","category-mercado-x-democracia","category-ministerio-da-fazenda","category-politica-economica","category-politicas-sociais","category-responsabilidade-fiscal","category-salario-minimo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71354"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71354\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}