{"id":71357,"date":"2026-01-21T19:02:00","date_gmt":"2026-01-21T22:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-pedagogia-da-excecao-e-o-mundo-que-encolhe\/"},"modified":"2026-01-21T19:02:00","modified_gmt":"2026-01-21T22:02:00","slug":"a-pedagogia-da-excecao-e-o-mundo-que-encolhe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-pedagogia-da-excecao-e-o-mundo-que-encolhe\/","title":{"rendered":"A Pedagogia da Exce\u00e7\u00e3o e o mundo que encolhe"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"858\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sem-titulo-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sem-titulo-1-1500x858.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sem-titulo-1-300x172.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sem-titulo-1-768x439.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sem-titulo-1-1536x878.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sem-titulo-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em janeiro de 2026, uma opera\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos na Venezuela resultou na captura do presidente Nicol\u00e1s Maduro e de sua esposa por for\u00e7as norte-americanas, marcando uma incurs\u00e3o sem precedentes na Am\u00e9rica Latina em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e gerando condena\u00e7\u00f5es generalizadas como viola\u00e7\u00e3o da soberania e do direito internacional. Esse acontecimento iluminou uma muta\u00e7\u00e3o profunda na maneira como a pol\u00edtica contempor\u00e2nea voltou a ser sentida, desejada e reconhecida, ao colocar a suspens\u00e3o da norma jur\u00eddica como t\u00e9cnica ordin\u00e1ria de governo e reinscrever a soberania como pr\u00e1tica de tomada. Tomo esse epis\u00f3dio como ponto de inflex\u00e3o a partir do qual se torna vis\u00edvel a emerg\u00eancia de uma pedagogia da exce\u00e7\u00e3o: um regime sens\u00edvel que eleva a suspens\u00e3o do direito \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de valor e inscreve a efic\u00e1cia soberana como horizonte de justi\u00e7a. Essa pedagogia se comp\u00f5e por decretos e por armas, mas tamb\u00e9m por imagens, narrativas e formas de afeto. Ela atravessa os modos de ver, sentir e imaginar, infiltra-se nos dispositivos culturais que modelam expectativas e produzem ades\u00f5es, e conduz os sujeitos para fora da p\u00f3lis, isto \u00e9, para fora do espa\u00e7o da delibera\u00e7\u00e3o, do conflito regulado e da cria\u00e7\u00e3o coletiva do direito.<\/p>\n<p>Nas se\u00e7\u00f5es que seguem, examino como essa sensibilidade se organiza como gram\u00e1tica do impacto, se estabiliza como plano ordin\u00e1rio da exce\u00e7\u00e3o e \u00e9 pedagogicamente produzida por dispositivos culturais \u2013 para, ao final, sugerir como esse processo empobrece o mundo comum ao contrair o campo do poss\u00edvel.<\/p>\n<h3><strong>A gram\u00e1tica do impacto<\/strong><\/h3>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Trump em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela, inclusive em pa\u00edses perif\u00e9ricos como o Brasil, inscrevem-se numa muta\u00e7\u00e3o da sensibilidade pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Elas comp\u00f5em uma ecologia de afetos e expectativas no qual a exce\u00e7\u00e3o passa a circular como princ\u00edpio ordin\u00e1rio de ordena\u00e7\u00e3o do mundo e a suspens\u00e3o do direito se converte em t\u00e9cnica ativa de governo. Chamo aqui de sensibilidade pol\u00edtica o conjunto de disposi\u00e7\u00f5es afetivas e perceptivas que tornam certas formas de poder desej\u00e1veis, reconhec\u00edveis como leg\u00edtimas e oper\u00e1veis como horizonte de ordem.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/3Semana-5-1110-Autores-OP-DowborFinancismo-1-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/3Semana-5-1110-Autores-OP-DowborFinancismo-1-2.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/3.Semana-5-11.10-Autores-OP-DowborFinancismo-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O que se expressa nessa paisagem sens\u00edvel \u00e9 uma economia do desejo pol\u00edtico que aprende a investir em formas de soberania imediata, operadas por decis\u00f5es singulares e cortes performativos que redesenham o poss\u00edvel sem recorrer a longos circuitos de media\u00e7\u00e3o institucional. A pol\u00edtica passa a se organizar como pragm\u00e1tica de interven\u00e7\u00e3o, na qual a efic\u00e1cia do comando ocupa o lugar de valor prim\u00e1rio de inteligibilidade.<\/p>\n<p>Nessa forma-mundo, a exce\u00e7\u00e3o deixa de figurar como limite e passa a funcionar como operador de realidade. O poder circula como for\u00e7a de recomposi\u00e7\u00e3o, modulando territ\u00f3rios, corpos e expectativas por meio de atos que valem por sua pr\u00f3pria pot\u00eancia constitutiva. \u00c9 nesse deslocamento \u2013 no qual desejo, comando e realidade passam a se co-constituir \u2013 que se inscreve, entre outros fatores hist\u00f3ricos e materiais, a ades\u00e3o difusa \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Trump no caso venezuelano: como parte de uma reprograma\u00e7\u00e3o mais ampla da maneira pela qual a vida pol\u00edtica contempor\u00e2nea aprende a reconhecer, habitar e desejar formas excepcionais de governo.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o afetiva que acompanha a promessa de \u201crestaura\u00e7\u00e3o da ordem\u201d por meio da for\u00e7a externa desloca o eixo da legitimidade. A legalidade perde centralidade e cede lugar a uma pragm\u00e1tica do gesto decis\u00f3rio. O soberano estrangeiro emerge, ent\u00e3o, como figura de alta densidade simb\u00f3lica: um operador de reordena\u00e7\u00e3o investido da promessa de resolu\u00e7\u00e3o, agente de uma for\u00e7a que ocupa o lugar de maior consist\u00eancia e efic\u00e1cia em rela\u00e7\u00e3o aos dispositivos formais da legalidade.<\/p>\n<p>Nesse regime sens\u00edvel, a exce\u00e7\u00e3o se converte em virtude ativa e a suspens\u00e3o do direito em condi\u00e7\u00e3o produtiva de justi\u00e7a. O apoio \u00e0 viol\u00eancia soberana se inscreve como efeito consistente de uma subjetividade treinada para reconhecer na decis\u00e3o armada o horizonte de resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos. A norma perde centralidade, o ato ganha densidade ontol\u00f3gica e o corte passa a figurar como solu\u00e7\u00e3o \u2013 tecnologia ordin\u00e1ria de composi\u00e7\u00e3o do mundo (isto \u00e9, a decis\u00e3o soberana que interrompe, imp\u00f5e e reordena o real fora dos circuitos do direito).<\/p>\n<h3><strong>O plano da exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A reflex\u00e3o de Giorgio Agamben permite compreender a exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o como desvio, mas como tecnologia ordin\u00e1ria de governo nas democracias contempor\u00e2neas. Ao autorizar a retirada estrat\u00e9gica do direito, ela produz um espa\u00e7o no qual a lei subsiste como presen\u00e7a suspensa e no qual norma e for\u00e7a deixam de figurar como dom\u00ednios separ\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nessa zona de indistin\u00e7\u00e3o produtiva, a legalidade passa a operar como superf\u00edcie formal de pr\u00e1ticas que mobilizam a viol\u00eancia como instrumento regular de ordena\u00e7\u00e3o. A vig\u00eancia suspensa da lei abre uma zona de composi\u00e7\u00e3o na qual o poder redistribui territ\u00f3rios, corpos e possibilidades sob o signo de uma legitimidade que se produz no pr\u00f3prio ato. A exce\u00e7\u00e3o ocupa, assim, o lugar de plano ativo de governo.<\/p>\n<p>Trump surge como operador expl\u00edcito dessa racionalidade soberana. Sua pol\u00edtica externa privilegia a decis\u00e3o como princ\u00edpio de ordena\u00e7\u00e3o do plano pol\u00edtico: a media\u00e7\u00e3o multilateral perde centralidade, e o espa\u00e7o internacional passa a ser tratado como superf\u00edcie de interven\u00e7\u00f5es diretas, moduladas por san\u00e7\u00f5es unilaterais, bloqueios econ\u00f4micos e proje\u00e7\u00f5es armadas de for\u00e7a. Nesse regime, a legitimidade passa a circular como efeito da capacidade de agir. Tratados e organismos internacionais tornam-se elementos secund\u00e1rios frente \u00e0 pot\u00eancia da opera\u00e7\u00e3o que incide, reorganiza e redistribui posi\u00e7\u00f5es no tabuleiro global. A soberania se intensifica como pot\u00eancia de fazer existir: a a\u00e7\u00e3o encontra em si mesma o seu crit\u00e9rio de verdade, e governar e criar passam a figurar como gestos indissoci\u00e1veis.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/HUCITEC-basaglia1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/HUCITEC-basaglia1-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O direito internacional se desloca, nessa arquitetura do poder, para a posi\u00e7\u00e3o de superf\u00edcie formal perif\u00e9rica. A exce\u00e7\u00e3o ganha estabilidade como tecnologia ordin\u00e1ria de governo, e a pol\u00edtica se recomp\u00f5e como plano de acontecimentos que produzem mundo \u2013 no qual a ordem nasce da capacidade de intervir, redistribuir e fazer existir.<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o pode ser pensada como tecnologia ordin\u00e1ria de governo; no trumpismo, por\u00e9m, ela se expande como um plano sens\u00edvel de soberania. Ela se mostra, circula e se transmite. A decis\u00e3o deixa de habitar apenas os circuitos jur\u00eddico-institucionais e passa a funcionar como pedagogia p\u00fablica do sens\u00edvel, compondo modos de perceber, sentir e desejar a suspens\u00e3o do direito como linguagem leg\u00edtima da justi\u00e7a. O que entra em jogo, ent\u00e3o, \u00e9 a pr\u00f3pria fabrica\u00e7\u00e3o dos afetos pol\u00edticos: a reorganiza\u00e7\u00e3o das expectativas coletivas e a reprograma\u00e7\u00e3o do desejo, num mundo em que a for\u00e7a aprende a ensinar como verdade. O que se aprende a sentir quando a for\u00e7a passa a funcionar como crit\u00e9rio de verdade? Que mundos se tornam imagin\u00e1veis quando a decis\u00e3o armada se oferece como horizonte ordin\u00e1rio de solu\u00e7\u00e3o dos conflitos?<\/p>\n<h3><strong>A gram\u00e1tica sens\u00edvel da exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O que se recomp\u00f5e \u00e9 a pr\u00f3pria sensibilidade pol\u00edtica. Um deslocamento cont\u00ednuo atravessa os modos de sentir o mundo comum: aprende-se a desejar a exce\u00e7\u00e3o, a investir a for\u00e7a como virtude e a experimentar o impacto como forma imediata de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o social da exce\u00e7\u00e3o soberana se comp\u00f5e ao longo de uma pedagogia cultural extensa \u2013 nem recente, nem exclusiva de um \u00fanico meio \u2013 que encontrou, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica dominante, sobretudo a norte-americana, uma de suas tecnologias mais contundentes de produ\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel e de modelagem da experi\u00eancia pol\u00edtica. Essa tessitura pedag\u00f3gico-cultural fabrica afetos, imagens e expectativas que ensinam a habitar o mundo. Ela comp\u00f5e modos de ver, sentir e desejar nos quais a efic\u00e1cia da opera\u00e7\u00e3o adquire estatuto de realidade e a interven\u00e7\u00e3o se instala como gram\u00e1tica primeira da ordem.<\/p>\n<p>Desde meados do s\u00e9culo XX, o cinema comercial dominante e seus regimes narrativos consolidam um arqu\u00e9tipo recorrente: a figura do agente que atua por fora das media\u00e7\u00f5es institucionais e encontra sua legitimidade na pr\u00f3pria capacidade de transgredir a norma. O vigilante emerge como operador narrativo central, e sua a\u00e7\u00e3o passa a ser reconhecida como forma de justi\u00e7a encarnada \u2013 capaz de recompor o mundo por meio de interven\u00e7\u00f5es diretas.<\/p>\n<p>Nesse plano sens\u00edvel, a justi\u00e7a circula como efeito do impacto, e n\u00e3o como produto de processos coletivos de elabora\u00e7\u00e3o normativa. O her\u00f3i ocupa o lugar da decis\u00e3o, investido da pot\u00eancia de cortar, punir e reordenar, enquanto a pedagogia das imagens ensina a desejar a exce\u00e7\u00e3o como forma eficaz de composi\u00e7\u00e3o da ordem.<\/p>\n<p>O cinema atua, assim, como laborat\u00f3rio ativo de subjetiva\u00e7\u00e3o: a imagem modula afetos, medos e expectativas, produzindo regimes de percep\u00e7\u00e3o nos quais certas figuras de a\u00e7\u00e3o e formas de legitimidade passam a organizar a maneira como o mundo se torna intelig\u00edvel. De <em>Perseguidor Implac\u00e1vel<\/em> (Don Siegel) a <em>O Justiceiro<\/em> (Jonathan Hensleigh), passando por <em>Rambo: Programado para Matar<\/em> (Ted Kotcheff) e <em>Desejo de Matar<\/em> (Michael Winner) e pelas narrativas securit\u00e1rias intensificadas ap\u00f3s o 11 de Setembro \u2013 como <em>24 Horas<\/em>, <em>Homeland<\/em> e a s\u00e9rie <em>Jack Ryan<\/em> \u2013, consolida-se uma pedagogia visual que associa justi\u00e7a \u00e0 decis\u00e3o individual e efic\u00e1cia \u00e0 interven\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>Nessa tessitura do sens\u00edvel se distribuem as fantasias ideol\u00f3gicas descritas por \u017di\u017eek: narrativas que convertem o autoritarismo em forma de prazer, que ensinam a desejar solu\u00e7\u00f5es soberanas sob a superf\u00edcie do entretenimento e a experimentar a exce\u00e7\u00e3o como horizonte de recomposi\u00e7\u00e3o do real. Configura-se, assim, uma sensibilidade pol\u00edtica em resson\u00e2ncia com a l\u00f3gica soberana \u2013 sem esgotar o campo do poss\u00edvel \u2013 na qual a a\u00e7\u00e3o \u201cacima da lei\u201d ganha densidade como imagem de virtude e a viol\u00eancia decis\u00f3ria passa a operar como tecnologia leg\u00edtima de ordena\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Em 2019, a f\u00f3rmula p\u00fablica de que \u201ctodas as op\u00e7\u00f5es est\u00e3o sobre a mesa\u201d passou a operar como enunciado pedag\u00f3gico exemplar dessa racionalidade. Repetida em pronunciamentos oficiais, coletivas e redes sociais, ela ensinou a reconhecer a amea\u00e7a e o impacto como solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas leg\u00edtimas, naturalizando a suspens\u00e3o do direito como gram\u00e1tica ordin\u00e1ria da pol\u00edtica internacional.<\/p>\n<p>Essa racionalidade incide sobre corpos, afetos e formas de pertencimento, compondo modelos de sujeito e de g\u00eanero e inscrevendo neles disposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A pedagogia da exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 neutra: ela \u00e9 profundamente generificada. O regime sens\u00edvel que ensina a desejar a for\u00e7a como justi\u00e7a produz e legitima uma forma espec\u00edfica de masculinidade, organizada em torno da virilidade, da capacidade de impor, do desprezo pela media\u00e7\u00e3o e da promessa de recomposi\u00e7\u00e3o do mundo por impacto. N\u00e3o por acaso, governos alinhados a essa racionalidade \u2013 como os de Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil \u2013 elegeram as pol\u00edticas de g\u00eanero como inimigo simb\u00f3lico central, ao mesmo tempo em que performaram publicamente um ideal de masculinidade soberana. A expans\u00e3o dos CACs, a ret\u00f3rica da \u201cimbr\u00f3xabilidade\u201d e os arroubos viris de autoridade n\u00e3o s\u00e3o excessos laterais: s\u00e3o exerc\u00edcios pedag\u00f3gicos dessa sensibilidade, ensinando a reconhecer no corpo masculino armado e decidido a imagem leg\u00edtima da ordem, da justi\u00e7a e do poder. Esse aprendizado \u00e9 preparado, ensaiado e naturalizado pelas narrativas audiovisuais que h\u00e1 d\u00e9cadas educam o olhar a identificar virilidade, viol\u00eancia e decis\u00e3o como gram\u00e1tica ordin\u00e1ria da justi\u00e7a.<\/p>\n<h3><strong>A economia m\u00edtica da for\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>Walter Benjamin oferece uma chave decisiva para compreender o estatuto simb\u00f3lico da viol\u00eancia no interior do regime de exce\u00e7\u00e3o normalizado. Sua reflex\u00e3o permite situ\u00e1-la n\u00e3o como simples instrumento do poder, mas como operador constitutivo de mundos: uma pot\u00eancia capaz de instaurar, conservar e recalibrar regimes de realidade.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia que funda o direito e a que o conserva desenha uma economia m\u00edtica da for\u00e7a, na qual a viol\u00eancia circula como princ\u00edpio imanente de legitimidade. Essa economia comp\u00f5e o plano de exist\u00eancia no qual a ordem se torna pens\u00e1vel, pratic\u00e1vel e sens\u00edvel. Meio e fim deixam de se separar, e a for\u00e7a passa a operar simultaneamente como t\u00e9cnica de ordena\u00e7\u00e3o e como crit\u00e9rio de validade do real.<\/p>\n<p>Nesse modo de exist\u00eancia pol\u00edtica, a viol\u00eancia ocupa o lugar de tecnologia de composi\u00e7\u00e3o do real: distribui posi\u00e7\u00f5es, estabiliza territ\u00f3rios e institui gram\u00e1ticas de justi\u00e7a por sua pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o. A exce\u00e7\u00e3o deixa de figurar como limite e passa a se apresentar como forma regular de governo. A reflex\u00e3o de Benjamin permite situar a viol\u00eancia como operador m\u00edtico de funda\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do mundo jur\u00eddico. No presente, essa opera\u00e7\u00e3o se desdobra em um outro plano: a viol\u00eancia soberana passa a se exibir, a circular e a ser consumida como espet\u00e1culo pedag\u00f3gico da pol\u00edtica. No trumpismo, a for\u00e7a comparece como cena p\u00fablica, performance reiterada e tecnologia de forma\u00e7\u00e3o da sensibilidade. Aprende-se a investir a pr\u00f3pria viol\u00eancia como linguagem ordin\u00e1ria de justi\u00e7a, a reconhec\u00ea-la como valor e a habit\u00e1-la como gram\u00e1tica do mundo comum.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia soberana contempor\u00e2nea circula, ent\u00e3o, como tecnologia moralizada de recomposi\u00e7\u00e3o do mundo. Apresenta-se como for\u00e7a de purifica\u00e7\u00e3o, corre\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, investida da promessa de reorganizar o real por meio de interven\u00e7\u00f5es decisivas. A interven\u00e7\u00e3o armada ocupa o lugar de operador de justi\u00e7a encarnada, capaz de instaurar e estabilizar uma ordem sentida como verdadeira.<\/p>\n<p>Essa configura\u00e7\u00e3o reinscreve a soberania contempor\u00e2nea no interior de uma economia m\u00edtica da for\u00e7a. A autoridade se comp\u00f5e a partir da pr\u00f3pria pot\u00eancia de decidir e punir, e a legitimidade circula como efeito imediato da capacidade de impor e fazer existir. O poder armado se sacraliza ao operar como princ\u00edpio ativo de ordena\u00e7\u00e3o do real \u2013 reencenando a matriz fundadora que Benjamin identificava como n\u00facleo da viol\u00eancia m\u00edtica: uma for\u00e7a que legitima a si mesma ao instaurar o mundo que a reconhece.<\/p>\n<p>O sujeito formado por essa pedagogia da exce\u00e7\u00e3o passa a habitar a pol\u00edtica como plano de contempla\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o decis\u00f3ria. Sua forma de pertencimento se desloca para um regime de sensibilidade no qual a a\u00e7\u00e3o soberana assume o centro de gravidade do mundo comum. A p\u00f3lis, como espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o coletiva do direito, cede lugar a um arranjo em que a interven\u00e7\u00e3o armada opera como princ\u00edpio de inteligibilidade da ordem: o conflito se traduz em impacto, a delibera\u00e7\u00e3o em comando, e o pertencimento se recomp\u00f5e como ades\u00e3o afetiva \u00e0 decis\u00e3o que redistribui posi\u00e7\u00f5es e recomp\u00f5e o mundo.<\/p>\n<p>Essa recomposi\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico como cena do comando n\u00e3o esgota o plano do poss\u00edvel. Persistem pr\u00e1ticas de dissenso, regimes de rela\u00e7\u00e3o e formas de produ\u00e7\u00e3o normativa que operam por composi\u00e7\u00e3o e varia\u00e7\u00e3o, sustentando a pol\u00edtica como trabalho coletivo de inven\u00e7\u00e3o do comum. \u00c9 a\u00ed que a pol\u00edtica se reabre como <em>inven\u00e7\u00e3o do imposs\u00edvel<\/em> \u2013 cria\u00e7\u00e3o de mundos que ainda n\u00e3o cabem nas gram\u00e1ticas da for\u00e7a. Onde a exce\u00e7\u00e3o governa, o mundo encolhe; onde o comum insiste, o mundo continua a nascer.<\/p>\n<h3><strong>O mundo que encolhe<\/strong><\/h3>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Trump em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela operam como sinais de uma muta\u00e7\u00e3o profunda da sensibilidade pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Elas se inscrevem num regime de afetos no qual a exce\u00e7\u00e3o ganha estatuto de valor e a suspens\u00e3o do direito passa a circular como operador produtivo de justi\u00e7a, reordenando a maneira pela qual o mundo pol\u00edtico se torna sens\u00edvel, intelig\u00edvel e desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Esse campo revela o \u00eaxito de uma pedagogia extensa que vem formando sujeitos em resson\u00e2ncia com a l\u00f3gica do comando. Para eles, a viol\u00eancia soberana passa a operar como tecnologia leg\u00edtima de recomposi\u00e7\u00e3o do real, e a pol\u00edtica se torna reconhec\u00edvel na pot\u00eancia da opera\u00e7\u00e3o decis\u00f3ria que incide, corta e reorganiza. Consolida-se, assim, uma forma de vida na qual o impacto armado se converte em horizonte de reden\u00e7\u00e3o da ordem e em figura privilegiada de uma justi\u00e7a que j\u00e1 n\u00e3o se justifica \u2013 apenas se exerce.<\/p>\n<p>O risco implicado nesse processo atravessa a pr\u00f3pria experi\u00eancia pol\u00edtica. Ele incide sobre a maneira pela qual os sujeitos passam a se reconhecer no mundo comum, deslocando o pertencimento para a esfera da ades\u00e3o afetiva \u00e0 decis\u00e3o que interv\u00e9m, corrige e redistribui posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nessa economia da expectativa, a pol\u00edtica se recomp\u00f5e como espera do impacto. O desejo coletivo se afasta dos circuitos de elabora\u00e7\u00e3o do comum e passa a gravitar em torno da efic\u00e1cia do comando. A suspens\u00e3o do direito circula como promessa de ordena\u00e7\u00e3o imediata, e a experi\u00eancia c\u00edvica se reorganiza sob uma imag\u00e9tica de purifica\u00e7\u00e3o, corre\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n<p>O que se constitui \u00e9 uma forma de subjetiva\u00e7\u00e3o que aprende a desejar a exce\u00e7\u00e3o como horizonte de solu\u00e7\u00e3o e a reconhecer na interven\u00e7\u00e3o soberana o princ\u00edpio ativo de estabilidade. A vida pol\u00edtica passa a ser habitada como cena do ato decis\u00f3rio, e o mundo comum se v\u00ea atravessado por uma gram\u00e1tica da for\u00e7a que opera como tecnologia ordin\u00e1ria de governo.<\/p>\n<p>Esse regime comp\u00f5e modos de vida em resson\u00e2ncia com a l\u00f3gica do comando e contrai o campo do poss\u00edvel \u00e0 gram\u00e1tica do impacto. Ele reorganiza a experi\u00eancia comum ao rarefazer a dura\u00e7\u00e3o do conflito, ao comprimir o tempo da delibera\u00e7\u00e3o, ao estreitar a espessura da linguagem e ao reduzir a pot\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o normativa. O que se v\u00ea reconfigurado \u00e9 a pr\u00f3pria pol\u00edtica: o trabalho coletivo de inven\u00e7\u00e3o do comum cede lugar a um mundo em que a ordem toma forma pelo impacto, e n\u00e3o pela composi\u00e7\u00e3o entre diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o como forma dominante de sensibilidade pol\u00edtica reconfigura o pr\u00f3prio horizonte democr\u00e1tico. O eixo da legitimidade migra para a for\u00e7a, a cidadania passa a gravitar em torno da decis\u00e3o soberana. O direito se reescreve como superf\u00edcie formal de um espet\u00e1culo da viol\u00eancia que passa a operar como linguagem ordin\u00e1ria de governo.<\/p>\n<p>Nessa forma-mundo, a pol\u00edtica se recomp\u00f5e como administra\u00e7\u00e3o armada da amea\u00e7a, modulando o real por meio de interven\u00e7\u00f5es investidas da promessa de corre\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o. O pertencimento c\u00edvico passa a operar como ades\u00e3o afetiva a essas opera\u00e7\u00f5es, e o sujeito pol\u00edtico emerge como consumidor da exce\u00e7\u00e3o \u2013 algu\u00e9m para quem a cena do comando se torna princ\u00edpio de ordem, de justi\u00e7a e de inteligibilidade do mundo. A pol\u00edtica deixa ent\u00e3o de ser o lugar onde se inventa o comum e passa a ser o lugar onde se consome a for\u00e7a.<\/p>\n<p>Inventar o imposs\u00edvel \u00e9, hoje, o nome m\u00ednimo da pol\u00edtica.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A Pedagogia da Exce\u00e7\u00e3o e o mundo que encolhe appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sus-oferece-vacina-para-hpv-para-pessoas-ate-19-anos-de-idade-ate-dezembro-no-rio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">SUS oferece vacina para HPV para pessoas at\u00e9 19 an...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/premio-me-conta-abre-inscricoes-para-iniciativas-criativas-e-colaborativas-em-porto-alegre\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image-32-150x128.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pr\u00eamio Me Conta abre inscri\u00e7\u00f5es para iniciativas c...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/carrefour-e-assai-notificam-laticinios-apos-casos-de-trabalho-escravo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/leite-trabalho-escravo-forro-mte-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Carrefour e Assa\u00ed notificam latic\u00ednios ap\u00f3s casos ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fiozinho-de-agua-moradores-de-areas-perifericas-de-sp-reclamam-de-cortes-de-agua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Fiozinho de \u00e1gua\u2019: Moradores de \u00e1reas perif\u00e9ricas...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No rastro das agress\u00f5es de Trump h\u00e1 uma tentativa de reconfigurar o desejo pol\u00edtico. J\u00e1 n\u00e3o seria o trabalho coletivo de constru\u00e7\u00e3o do comum, mas o culto \u00e0 for\u00e7a e seu impacto. O cinema, com seus \u201cresolutores\u201d viris, construiu este imagin\u00e1rio. Enfrent\u00e1-lo ser\u00e1 uma das grandes batalhas do presente<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/a-pedagogia-da-excecao-e-o-mundo-que-encolhe\/\">A Pedagogia da Exce\u00e7\u00e3o e o mundo que encolhe<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71358,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[33913,3024,2687,33914,33915,1115,6135,33482,33916,32876,1048,33917],"tags":[],"class_list":["post-71357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-afetos-politicos","category-autoritarismo","category-crise-civilizatoria","category-giorgio-agamben","category-gramatica-politica","category-imperialismo","category-industria-cultural","category-invazao-a-venezuela","category-pedagogia-da-excecao","category-sequestro-de-nicolas-maduro","category-soberania","category-zizek"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71357\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}