{"id":71506,"date":"2026-01-22T19:01:37","date_gmt":"2026-01-22T22:01:37","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-supremacia-branca-e-nazismo-o-elo-persistente\/"},"modified":"2026-01-22T19:01:37","modified_gmt":"2026-01-22T22:01:37","slug":"trump-supremacia-branca-e-nazismo-o-elo-persistente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-supremacia-branca-e-nazismo-o-elo-persistente\/","title":{"rendered":"Trump, supremacia branca e nazismo: o elo persistente"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"867\" height=\"490\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-22-at-18-45-56-mediamedia_1ab276ea-5b1f-4a2f-961d-73a3d283111916x9_700jpg-imagem-JPEG-700-394-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-22-at-18-45-56-mediamedia_1ab276ea-5b1f-4a2f-961d-73a3d283111916x9_700jpg-imagem-JPEG-700-394-pixels.png 867w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-22-at-18-45-56-media.media_.1ab276ea-5b1f-4a2f-961d-73a3d2831119.16x9_700.jpg-imagem-JPEG-700-\u00d7-394-pixels-300x170.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Screenshot-2026-01-22-at-18-45-56-media.media_.1ab276ea-5b1f-4a2f-961d-73a3d2831119.16x9_700.jpg-imagem-JPEG-700-\u00d7-394-pixels-768x434.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 867px) 100vw, 867px\"><figcaption>Karl May, escritor alem\u00e3o que escrevia romances ambientados no Oeste estadunidense <strong>\u2013<\/strong> sem nunca o ter conhecido. Suas obras contribu\u00edram para a surgir um ecossistema cultural que normalizou hierarquias raciais e a no\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o civilizat\u00f3ria violenta<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original:<br \/><strong>Quando o mito governa \u2013 <\/strong><strong>Destino Manifesto, supremacia branca e antici\u00eancia: a genealogia do <em>America First<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Antes que os regimes totalit\u00e1rios possam se impor,<\/em><br \/><em>a realidade precisa ser destru\u00edda<\/em><br \/><strong>Hannah Arendt<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Fronteira, ra\u00e7a e a longa sombra do s\u00e9culo XIX<\/strong><\/h3>\n<p>O trumpismo n\u00e3o inventou o \u00f3dio \u00e0 ci\u00eancia \u2013 apenas o elevou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo pol\u00edtico. Tampouco inventou o racismo como linguagem de Estado \u2013 apenas lhe devolveu centralidade institucional. A novidade \u00e9 outra: pela primeira vez em d\u00e9cadas, a extrema direita norte-americana tenta transformar uma guerra cultural em engenharia administrativa, com diretrizes expl\u00edcitas para capturar ag\u00eancias, domesticar a produ\u00e7\u00e3o de dados e punir a autonomia do conhecimento.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/17-1-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/17-1-3.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/17-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Para compreender esse movimento, \u00e9 preciso recuar: ao s\u00e9culo XIX, ao mito do Destino Manifesto e \u00e0 pedagogia da fronteira \u2013 quando a viol\u00eancia colonial foi apresentada como progresso inevit\u00e1vel e a supremacia branca como destino hist\u00f3rico. \u00c9 dessa matriz que deriva, em linha sinuosa, mas persistente, a passagem da conquista do Oeste ao <em>Lebensraum<\/em> nazista, e deste ao <em>America First<\/em> contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>A partir dessa matriz, este texto acompanha suas radicaliza\u00e7\u00f5es no s\u00e9culo XX, quando o mito da fronteira e da miss\u00e3o hist\u00f3rica foi transposto para o cora\u00e7\u00e3o da Europa sob a forma do \u201cespa\u00e7o vital\u201d, combinando racismo biol\u00f3gico, esoterismo pol\u00edtico e uma rela\u00e7\u00e3o instrumental com a ci\u00eancia. Por fim, examina como esse mesmo padr\u00e3o reaparece no s\u00e9culo XXI, na reativa\u00e7\u00e3o do slogan <em>America First<\/em>, na ret\u00f3rica de exclus\u00e3o racial e no ataque sistem\u00e1tico ao m\u00e9todo cient\u00edfico e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do conhecimento \u2013 hoje formalizado em projetos pol\u00edticos que tratam a raz\u00e3o como inimiga. A hip\u00f3tese \u00e9 direta: quando o mito governa, a realidade precisa ser neutralizada.<\/p>\n<h3><strong>O Destino Manifesto: expans\u00e3o como mandato moral<\/strong><\/h3>\n<p>O Destino Manifesto surgiu nos Estados Unidos do s\u00e9culo XIX como a cren\u00e7a de que a na\u00e7\u00e3o estaria predestinada \u2013 por des\u00edgnio divino, pela suposta superioridade moral associada aos valores do protestantismo anglo-sax\u00e3o e pelo vigor racial \u2013 a expandir-se do Atl\u00e2ntico ao Pac\u00edfico. Tratava-se menos de uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica circunstancial do que de uma doutrina moral, que convertia a expans\u00e3o territorial em dever hist\u00f3rico. A terra a oeste era descrita como vazia ou mal aproveitada; seus habitantes origin\u00e1rios, quando reconhecidos, apareciam como entraves ao progresso.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o cumpriu uma fun\u00e7\u00e3o decisiva: naturalizar a viol\u00eancia. Guerras de exterm\u00ednio, deslocamentos for\u00e7ados, confinamento em reservas e destrui\u00e7\u00e3o cultural passaram a ser apresentados como efeitos colaterais inevit\u00e1veis do avan\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o. A fronteira operou como pedagogia pol\u00edtica: ensinou que a hist\u00f3ria avan\u00e7a pela substitui\u00e7\u00e3o de povos considerados fracos ou atrasados por outros, tidos como superiores.<\/p>\n<h3><strong>A fronteira e o ind\u00edgena como \u201cpassado a ser superado\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>O destino imposto aos povos ind\u00edgenas foi central nessa pedagogia. Em poucas d\u00e9cadas, sociedades inteiras foram desestruturadas ou empurradas para territ\u00f3rios in\u00f3spitos. No imagin\u00e1rio dominante, o ind\u00edgena ocupou um lugar amb\u00edguo: ora idealizado como \u201cbom selvagem\u201d, digno e honrado, ora demonizado como b\u00e1rbaro e irrecuper\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mesmo quando revestida de nostalgia ou trag\u00e9dia, essa representa\u00e7\u00e3o refor\u00e7ava a ideia de que os ind\u00edgenas pertenciam ao passado, enquanto o homem branco encarnava o porvir. A fronteira n\u00e3o era apenas um espa\u00e7o geogr\u00e1fico, mas antes um limiar temporal e racial: cruz\u00e1-la significava subjugar povos considerados obsoletos e abrir caminho para uma nova ordem.<\/p>\n<h3><strong>A romantiza\u00e7\u00e3o cultural da conquista e a exporta\u00e7\u00e3o do mito<\/strong><\/h3>\n<p>A for\u00e7a do Destino Manifesto n\u00e3o se limitou \u00e0s pol\u00edticas estatais; tamb\u00e9m se consolidou e expandiu-se por meio da cultura. Literatura, pintura e, mais tarde, cinema transformaram a conquista do Oeste em epopeia fundadora. A viol\u00eancia colonial foi estetizada, convertida em aventura moral, enquanto a expropria\u00e7\u00e3o de terras e o exterm\u00ednio de povos eram dilu\u00eddos em narrativas de hero\u00edsmo e de progresso inevit\u00e1vel.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 nesse ponto que a obra de Karl May adquire relev\u00e2ncia hist\u00f3rica. Extremamente popular na Alemanha do final do s\u00e9culo XIX e no in\u00edcio do XX, May escreveu romances ambientados no Oeste americano \u2013 como a s\u00e9rie <em>Winnetou<\/em> \u2013 sem jamais ter conhecido a regi\u00e3o. Seus livros apresentavam ind\u00edgenas dotados de nobreza, coragem e honra, mas quase sempre condenados \u00e0 derrota ou ao desaparecimento. A empatia individual coexistia com uma mensagem estrutural: a expans\u00e3o branca era inexor\u00e1vel, e a hist\u00f3ria avan\u00e7ava por substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa romantiza\u00e7\u00e3o teve efeitos que ultrapassaram o campo liter\u00e1rio. Ao apresentar a conquista do Oeste como um processo quase natural \u2013 no qual povos \u201cprimitivos\u201d cedem lugar a uma civiliza\u00e7\u00e3o superior \u2013, Karl May contribuiu para internalizar, no imagin\u00e1rio europeu, a l\u00f3gica colonial norte-americana. N\u00e3o \u00e9 irrelevante que, na \u00c1ustria dos Habsburgos, o jovem Adolf Hitler, leitor voraz de Karl May, tenha sonhado com as aventuras \u00e9picas da ra\u00e7a branca em terras da Am\u00e9rica. O Destino Manifesto tornava-se, assim, um modelo export\u00e1vel: a ideia de que um povo investido de miss\u00e3o hist\u00f3rica teria n\u00e3o apenas o direito, mas o dever de ocupar territ\u00f3rios e submeter \u2013 ou eliminar \u2013 popula\u00e7\u00f5es classificadas como inferiores.<\/p>\n<p>Esse imagin\u00e1rio n\u00e3o se restringia aos Estados Unidos. Ele fazia parte de um esp\u00edrito dominante no mundo branco europeu e norte-americano do final do s\u00e9culo XIX, marcado pela cren\u00e7a na superioridade da ra\u00e7a branca e no direito das pot\u00eancias \u201ccivilizadas\u201d de decidir o destino de outros povos. A Confer\u00eancia de Berlim (1884\u20131885) foi a express\u00e3o mais acabada desse consenso colonial: representantes europeus retalharam o interior do continente africano \u00e0 revelia de suas popula\u00e7\u00f5es, tra\u00e7ando no mapa fronteiras artificiais que, em muitos casos, perduram at\u00e9 hoje. Assim como no Oeste americano, a viol\u00eancia colonial era legitimada como necessidade hist\u00f3rica, e a subjuga\u00e7\u00e3o de povos inteiros apresentada como pre\u00e7o inevit\u00e1vel do progresso.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, a expans\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o branca na Am\u00e9rica do Norte foi observada com admira\u00e7\u00e3o por setores do pensamento pol\u00edtico europeu no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A expans\u00e3o territorial norte-americana passou a ser vista como um precedente hist\u00f3rico bem-sucedido de domina\u00e7\u00e3o racial \u2013 uma gram\u00e1tica simb\u00f3lica e pol\u00edtica que seria radicalizada em outro contexto. O <em>Lebensraum <\/em>nazista \u2013 a ideia de \u201cespa\u00e7o vital\u201d a ser conquistado no Leste europeu \u2013 dialoga estruturalmente com esse imagin\u00e1rio: povos eslavos e judeus seriam tratados como os ind\u00edgenas da fronteira norte-americana, obst\u00e1culos hist\u00f3ricos a serem removidos em nome da grandeza nacional.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes mostram, inclusive, que juristas e ide\u00f3logos nazistas analisaram leis de segrega\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas migrat\u00f3rias dos Estados Unidos ao formularem sua pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o racial, buscando refer\u00eancias e limites jur\u00eddicos para a institucionaliza\u00e7\u00e3o do racismo.<\/p>\n<p>Karl May n\u00e3o foi ide\u00f3logo do nazismo, nem defendeu pol\u00edticas de exterm\u00ednio. Mas suas obras participaram de um ecossistema cultural que normalizou hierarquias raciais e a no\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o civilizat\u00f3ria violenta. A fronteira americana, romantizada e despolitizada, ofereceu uma gram\u00e1tica simb\u00f3lica que ajudou a legitimar, em outros contextos, projetos de domina\u00e7\u00e3o racial muito mais extremos.<\/p>\n<h3><strong>Da fronteira americana ao s\u00e9culo XXI<\/strong><\/h3>\n<p>Esse legado n\u00e3o pertence apenas ao passado. Quando Donald Trump fala em muros, deporta\u00e7\u00f5es em massa, pa\u00edses descritos como \u201cindesej\u00e1veis\u201d ou na necessidade de preservar a grandeza americana contra inimigos internos e externos, ele aciona uma tradi\u00e7\u00e3o que associa identidade nacional, territ\u00f3rio e hierarquia racial. O <em>America First<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas um slogan econ\u00f4mico ou isolacionista: ele ecoa o Destino Manifesto, deslocando a antiga expans\u00e3o territorial expl\u00edcita para formas contempor\u00e2neas de exclus\u00e3o pol\u00edtica, cultural e migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, os efeitos dessa tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o meramente te\u00f3ricos. Eles aparecem no repert\u00f3rio de interven\u00e7\u00f5es, golpes, bloqueios e tutelas que, ao longo do s\u00e9culo XX, fizeram do continente uma esp\u00e9cie de \u201cfronteira externa\u201d permanente \u2013 territ\u00f3rio a ser disciplinado em nome da ordem, do mercado e da civiliza\u00e7\u00e3o. O <em>America First<\/em> n\u00e3o contradiz essa hist\u00f3ria: ele a reorganiza, atualizando o velho direito de definir quem merece futuro e quem deve ser contido.<\/p>\n<p>A fronteira f\u00edsica do s\u00e9culo XIX desapareceu, mas suas categorias mentais permanecem ativas. Elas ressurgem na distin\u00e7\u00e3o entre cidad\u00e3os plenos e popula\u00e7\u00f5es descart\u00e1veis, entre vidas protegidas e vidas sacrific\u00e1veis. Compreender essa genealogia \u00e9 essencial para evitar a tenta\u00e7\u00e3o de tratar o trumpismo como uma anomalia passageira, desvinculada de processos hist\u00f3ricos mais longos.<\/p>\n<h3><strong>Nazismo: ci\u00eancia instrumental e mito pol\u00edtico<\/strong><\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX oferece um precedente instrutivo. O nazismo n\u00e3o rejeitou a ci\u00eancia por princ\u00edpio; ele a subordinou a uma vis\u00e3o de mundo racial. M\u00e9dicos, bi\u00f3logos, estat\u00edsticos e juristas foram amplamente mobilizados, desde que operassem dentro de um quadro ideol\u00f3gico r\u00edgido. A eugenia e a biologia racial forneceram a linguagem t\u00e9cnica para pol\u00edticas de esteriliza\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio, enquanto evid\u00eancias emp\u00edricas que contrariavam a doutrina eram ignoradas ou suprimidas.<\/p>\n<p>Paralelamente, setores centrais do poder \u2013 sobretudo na SS \u2013 cultivaram um esoterismo pol\u00edtico destinado a legitimar a supremacia ariana por meio de mitos de origem, s\u00edmbolos r\u00fanicos e narrativas pseudo-hist\u00f3ricas. Institui\u00e7\u00f5es como a <em>Ahnenerbe<\/em> foram criadas para conferir apar\u00eancia cient\u00edfica a conclus\u00f5es previamente estabelecidas: o passado m\u00edtico substitu\u00eda a hist\u00f3ria cr\u00edtica; a cren\u00e7a, a evid\u00eancia.<\/p>\n<p>O resultado n\u00e3o foi irracionalismo ca\u00f3tico, mas uma forma moderna de domina\u00e7\u00e3o: ci\u00eancia quando \u00fatil, mito quando necess\u00e1rio, viol\u00eancia convertida em dever hist\u00f3rico.<\/p>\n<h3><strong>Trumpismo e a recusa contempor\u00e2nea da ci\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>O trumpismo inscreve-se nessa continuidade ao confrontar especialistas, universidades, imprensa e ag\u00eancias t\u00e9cnicas, ao tratar a ci\u00eancia clim\u00e1tica como conspira\u00e7\u00e3o, pandemia como exagero e dados oficiais como opini\u00e3o. Em diferentes frentes, pol\u00edticas p\u00fablicas passam a ser formuladas n\u00e3o a partir de evid\u00eancias, mas de intui\u00e7\u00f5es, lealdades e conveni\u00eancias pol\u00edticas imediatas.<\/p>\n<p>Como advertiu Hannah Arendt, antes que regimes totalit\u00e1rios possam se impor, a realidade precisa ser destru\u00edda. Na pol\u00edtica norte-americana, esse processo pode assumir a forma descrita por Richard Hofstadter como \u201cestilo paranoico\u201d: a mobiliza\u00e7\u00e3o emocional e a suspei\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica substituem a verifica\u00e7\u00e3o emp\u00edrica e o debate racional.<\/p>\n<h3><strong><em>Project 2025<\/em>: a engenharia institucional do negacionismo<\/strong><\/h3>\n<p>Essa estrat\u00e9gia encontra formula\u00e7\u00e3o expl\u00edcita no <em>Project 2025<\/em>. Longe de ser manifesto ret\u00f3rico, o documento prop\u00f5e um redesenho institucional do Estado norte-americano com um objetivo preciso: subordinar as ag\u00eancias t\u00e9cnicas e cient\u00edficas ao controle pol\u00edtico direto do Executivo.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, trata-se de um manual para colocar o Estado sob tutela ideol\u00f3gica: enfraquecer reguladores, controlar a produ\u00e7\u00e3o p\u00fablica de dados e reordenar as ag\u00eancias t\u00e9cnicas segundo crit\u00e9rios de lealdade pol\u00edtica. Entre seus eixos est\u00e3o o esvaziamento de \u00f3rg\u00e3os reguladores, a politiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de dados e a substitui\u00e7\u00e3o da expertise pela lealdade ideol\u00f3gica. A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 abolida; \u00e9 domesticada \u2013 o que n\u00e3o confirma a narrativa passa a ser rotulado como vi\u00e9s, milit\u00e2ncia ou sabotagem.<\/p>\n<p>Nesse ambiente, dissemina-se o mote de que \u201cas pessoas est\u00e3o cansadas de especialistas\u201d, frase celebrizada durante a campanha do Brexit, ao passo que o trumpismo converte a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao saber t\u00e9cnico e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de conhecimento em princ\u00edpio de governo, agora formalizado em diretrizes administrativas.<\/p>\n<h3><strong><em>Project Esthere<\/em> a teologia pol\u00edtica<\/strong><\/h3>\n<p>Em paralelo, iniciativas como o <em>Project Esther<\/em> explicitam a dimens\u00e3o teol\u00f3gico-pol\u00edtica do ataque \u00e0 raz\u00e3o. Aqui, a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas um inconveniente: \u00e9 tratada como uma amea\u00e7a moral. Educa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, estudos de g\u00eanero, pesquisa clim\u00e1tica e biologia evolutiva tornam-se alvos priorit\u00e1rios n\u00e3o por seus resultados, mas por confrontarem vis\u00f5es de mundo baseadas em dogmas religiosos e identidades fechadas.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica se aproxima daquela do esoterismo pol\u00edtico nazista: quando a evid\u00eancia contradiz a f\u00e9 ou o mito identit\u00e1rio, a evid\u00eancia deve ceder. A verdade deixa de ser buscada; passa a ser revelada.<\/p>\n<h3><strong>Conclus\u00e3o: a pol\u00edtica contra a realidade<\/strong><\/h3>\n<p>Ra\u00e7a, identidade e \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u201d reaparecem como categorias pol\u00edticas destinadas a bloquear o escrut\u00ednio racional. Minorias, imigrantes, mulheres \u2013 especialmente as que reivindicam autonomia reprodutiva e igualdade de direitos \u2013 e cientistas s\u00e3o retratados como amea\u00e7as \u00e0 ordem porque a ci\u00eancia desmente hierarquias inventadas, exp\u00f5e custos sociais e revela limites ecol\u00f3gicos e sanit\u00e1rios. O ataque \u00e0 raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 colateral; \u00e9 estrutural: visa neutralizar aquilo que ainda pode conter o poder \u2013 a capacidade coletiva de distinguir fato de cren\u00e7a, m\u00e9todo de f\u00e9, verdade de propaganda.<\/p>\n<p>O fio que liga o Destino Manifesto ao <em>America First<\/em> e o mito racial \u00e0 antici\u00eancia contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 acidental. Ele revela uma constante hist\u00f3rica: projetos autorit\u00e1rios prosperam quando substituem a realidade por narrativas imperme\u00e1veis \u00e0 evid\u00eancia. No s\u00e9culo XIX, o mito da fronteira justificou a conquista territorial e o exterm\u00ednio; no s\u00e9culo XX, o mito racial legitimou o genoc\u00eddio; no s\u00e9culo XXI, o ataque \u00e0 ci\u00eancia busca silenciar aquilo que ainda pode resistir ao poder. Quando o mito governa, a raz\u00e3o n\u00e3o desaparece \u2013 ela \u00e9 deliberadamente silenciada.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que o combate ao autoritarismo hoje n\u00e3o \u00e9 apenas eleitoral ou institucional: \u00e9 tamb\u00e9m um combate pela sobreviv\u00eancia do mundo factual, do m\u00e9todo e da cr\u00edtica \u2013 a \u00fanica base poss\u00edvel para qualquer democracia que n\u00e3o seja apenas formal.<\/p>\n<h3><strong>Bibliografia<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<ul>\n<li>ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013.<\/li>\n<li>DUNBAR-ORTIZ, Roxanne. An Indigenous Peoples\u2019 History of the United States. Boston: Beacon Press, 2014.<\/li>\n<li>HOFSTADTER, Richard. \u201cThe Paranoid Style in American Politics\u201d. Harper\u2019s Magazine, nov. 1964.<\/li>\n<li>HORSMAN, Reginald. Race and Manifest Destiny: The Origins of American Racial Anglo-Saxonism. Cambridge: Harvard University Press, 1981.<\/li>\n<li>KERSHAW, Ian. Hitler. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/li>\n<li>MAY, Karl. Winnetou. Bamberg: Karl-May-Verlag, 1960 (1a. ed. 1893).<\/li>\n<li>PROCTOR, Robert N. Racial Hygiene: Medicine under the Nazis. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1988.<\/li>\n<li>THE HERITAGE FOUNDATION. Mandate for Leadership: The Conservative Promise (Project 2025). Washington, DC: The Heritage Foundation, 2024.<\/li>\n<li>THE HERITAGE FOUNDATION. Project Esther: A National Strategy to Combat Antisemitism. Washington, DC: The Heritage Foundation, 2024.<\/li>\n<li>ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013. ISBN 978-85-3592-204-2.<\/li>\n<li>BURNS, Ken; NOVICK, Lynn; BOTSTEIN, Sarah. The U.S. and the Holocaust. PBS, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.pbs.org\/kenburns\/us-and-the-holocaust.<\/li>\n<li>DUNBAR-ORTIZ, Roxanne. An Indigenous Peoples\u2019 History of the United States. Boston: Beacon Press, 2014. ISBN 978-0-8070-0040-3.<\/li>\n<li>HOFSTADTER, Richard. \u201cThe Paranoid Style in American Politics\u201d. Harper\u2019s Magazine, nov. 1964. Dispon\u00edvel em: https:\/\/harpers.org\/archive\/1964\/11\/the-paranoid-style-in-american-politics\/.<\/li>\n<li>HORSMAN, Reginald. Race and Manifest Destiny: The Origins of American Racial Anglo-Saxonism. Cambridge: Harvard University Press, 1981. ISBN 978-0-674-94805-1.<\/li>\n<li>KERSHAW, Ian. Hitler. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010. ISBN 978-85-3591-758-1.<\/li>\n<li>MAY, Karl. Winnetou. Bamberg: Karl-May-Verlag, . ISBN 978-3-7802-0007-5.<\/li>\n<li>PROCTOR, Robert N. Racial Hygiene: Medicine under the Nazis. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1988. ISBN 978-0-674-74578-0.<\/li>\n<li>THE HERITAGE FOUNDATION. Mandate for Leadership: The Conservative Promise (Project 2025). Washington, DC: The Heritage Foundation, 2024. ISBN 978-0-89195-174-2.<\/li>\n<li>THE HERITAGE FOUNDATION. Project Esther: A National Strategy to Combat Antisemitism. Washington, DC: The Heritage Foundation, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.heritage.org\/sites\/default\/files\/2024-10\/Project%20Esther.pdf.<\/li>\n<li>TURNER, Frederick Jackson. \u201cThe Significance of the Frontier in American History\u201d. In: Report of the American Historical Association for the Year 1893. Washington, DC: Government Printing Office, 1894.<\/li>\n<\/ul>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Foi ela que estabeleceu hierarquias raciais e o suposto direito \u00e0 viol\u00eancia branca. Foi ela que inspirou Hitler<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/trump-supremacia-branca-e-nazismo-o-elo-persistente\/\">Trump, supremacia branca e nazismo: o elo persistente<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71507,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[4555,2687,33992,1023,8512,33993,5591,33994,3953,33409,33995,21620,6420,33996],"tags":[],"class_list":["post-71506","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-first","category-crise-civilizatoria","category-destino-manifesto","category-donald-trump","category-hannah-arendt","category-karl-may","category-maga","category-marcha-para-o-oeste","category-nazismo","category-project-2025","category-project-esthere","category-supremacismo-branco","category-trumpismo","category-winnetou"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71506\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}