{"id":71677,"date":"2026-01-23T19:16:29","date_gmt":"2026-01-23T22:16:29","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-peso-do-acaso-na-sociedade-do-desempenho\/"},"modified":"2026-01-23T19:16:29","modified_gmt":"2026-01-23T22:16:29","slug":"o-peso-do-acaso-na-sociedade-do-desempenho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-peso-do-acaso-na-sociedade-do-desempenho\/","title":{"rendered":"O peso do acaso na sociedade do desempenho\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"695\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/162839-768x695-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/162839-768x695-1.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/162839-768x695-1-300x271.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption>Arte: \u201cTarde. Melancolia I\u201d, de Edvard Munch (1863-1944)<\/figcaption><\/figure>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>Ningu\u00e9m percebe que algumas pessoas gastam<\/em><br \/><em>uma energia tremenda apenas para serem\u00a0normais.<\/em><br \/><em>Blanche Balain, atriz e escritora francesa (1903-2013).<\/em><\/p>\n<p>Na sociedade do desempenho, a liberdade entendida ao modo liberal \u00e9 um dogma de f\u00e9, pois a meritocracia \u00e9 baseada na cren\u00e7a de sermos unicamente o resultado de nossas escolhas sem interfer\u00eancia de qualquer contexto, heran\u00e7a hist\u00f3rica e biol\u00f3gica, e de tantas outras conting\u00eancias de percurso. O idealismo progressista adoece do mesmo mal quando n\u00e3o consegue passar de um voluntarismo cujo resultado final seria a comunh\u00e3o de todos os homens convertidos milagrosamente em santos, sem necessidade j\u00e1 de Estado ou de outras inst\u00e2ncias pol\u00edticas mediadoras. Mas, e se cada um de n\u00f3s n\u00e3o fosse t\u00e3o dono da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia como gostamos de crer?<\/p>\n<p>Em 1973, o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Odo Marquard publicou um ensaio no qual diferenciou aquilo que poderia ser de outra maneira e podemos mudar, e passou a cham\u00e1-lo de <em>contingente por arbitrariedade<\/em>, e aquilo que poderia ter sido de outra forma, mas n\u00e3o podemos mudar (ter nascido, onde e quando, fam\u00edlia ou a falta dela, doen\u00e7as, etc.) que denominou <em>contingente por destino<\/em>. Pois bem, segundo Marquard, este segundo tipo de conting\u00eancia tem muito mais peso na nossa vida que o primeiro. Marquard n\u00e3o cai num binarismo reducionista nem afirma que sejamos simples marionetes do destino, mas a for\u00e7a do seu argumento reside em chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma realidade existencial que costuma ser negligenciada. Vale dizer, indo al\u00e9m do pr\u00f3prio fil\u00f3sofo, que h\u00e1 grandes interesses sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos em neg\u00e1-la. Considere por uns segundos a viol\u00eancia da frase:\u00a0<em>se voc\u00ea n\u00e3o conseguiu, \u00e9 porque n\u00e3o se esfor\u00e7ou o suficiente<\/em>.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-3-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-3-3.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/2.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-3-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>No seu ensaio, Marquard n\u00e3o trata de afirmar que a liberdade n\u00e3o passa de uma ilus\u00e3o, mas de refletir sobre os limites conscientes e inconscientes da nossa margem de manobra, sem por isso ceder \u00e0 <em>m\u00e1-f\u00e9<\/em> tal como definida por Jean-Paul Sartre \u2014 isto \u00e9, ter uma escusa sempre \u00e0 m\u00e3o a fim de nunca se responsabilizar pela pr\u00f3pria vida e o mundo ao redor. No entanto, para Marquard, o que \u00e9 contingente por destino \u00e9 a realidade das nossas vidas, pois \u201cos seres humanos est\u00e3o sempre \u2018enredados em hist\u00f3rias\u2019. As a\u00e7\u00f5es tornam-se hist\u00f3rias quando algo lhes acontece. Uma hist\u00f3ria \u00e9 uma escolha na qual irrompe algo inesperado. Por isso as hist\u00f3rias n\u00e3o podem ser planejadas, mas sim narradas. As nossas vidas s\u00e3o constitu\u00eddas por esta mistura de fazer e acontecer que constitui as hist\u00f3rias\u201d. Precisamente por esta raz\u00e3o, sustenta o fil\u00f3sofo, o que \u00e9 contingente por destino predomina nelas. \u00c9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de destino que estejamos sujeitos \u00e0s leis naturais descobertas pelas ci\u00eancias naturais. Poder\u00edamos estar sujeitos a outras determina\u00e7\u00f5es, mas acontece que estamos sujeitos a estas, que n\u00e3o podemos mudar.<\/p>\n<p>Demos um passo a mais e consideremos Schopenhauer. Para o autor de <em>O mundo como vontade e representa\u00e7\u00e3o <\/em>(1818), nossa conduta, determinada por nosso car\u00e1ter, permanece fixa e \u00e9 essencialmente id\u00eantica desde o nascimento at\u00e9 o fim. Nesta linha de pensamento, a experi\u00eancia acumulada ao longo dos anos n\u00e3o nos ensinaria nada e s\u00f3 nos mostraria como realmente somos. Exagerado? Seguramente. Completamente equivocado? Penso que nem tanto assim. Schopenhauer escreveu que:<\/p>\n<p>n\u00e3o h\u00e1 nada como sentir-se si mesmo, e sentir do que se \u00e9 capaz em todos os g\u00eaneros, e os limites em que se \u00e9 mantido, para permanecer em paz, tanto quanto poss\u00edvel, consigo mesmo. Pois vale para o interior o mesmo que para o exterior; n\u00e3o h\u00e1 fonte mais segura de consolos do que ver com perfeita evid\u00eancia a necessidade inevit\u00e1vel do que acontece. [\u2026] da\u00ed, todos os acontecimentos nos aparecem como os ditados de um destino poderoso; e o mal que nos atingiu nada mais \u00e9 do que o inevit\u00e1vel efeito do encontro entre os acontecimentos do exterior e nosso estado interior. O consolador \u00e9 o fatalismo.<\/p>\n<p>Uma vez que, devido ao seu pessimismo, Schopenhauer costuma ter m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o custa lembrar que outros fil\u00f3sofos mais admirados, como Spinoza ou Nietzsche, tampouco tinham uma opini\u00e3o muito elevada do livre arb\u00edtrio, para dizer as coisas de uma forma bastante branda.<\/p>\n<p>Tanto no caso de Schopenhauer como no de Marquard, a reflex\u00e3o \u00e9 uma atualiza\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o que os estoicos j\u00e1 sugeriram entre aquilo que depende de n\u00f3s e aquilo que n\u00e3o depende de n\u00f3s, cuja pot\u00eancia, de acordo com a fil\u00f3sofa C\u00e9line Belloq, nos liberta da falsidade segundo a qual merecemos aquilo que nos acontece, quer seja bom ou ruim. Por\u00e9m, em sintonia com a abertura deste texto, Belloq assegura que \u201co desafio n\u00e3o \u00e9 pequeno, tanto mais quanto a sociedade em que vivemos incita-nos tacitamente a pensar de outra maneira. Por toda parte, ela estimula em n\u00f3s o del\u00edrio de onipot\u00eancia. Faz-se o indiv\u00edduo acreditar que o sucesso de sua vida depende de seus m\u00e9ritos, de sua iniciativa, da sua for\u00e7a de vontade. Antes, a religi\u00e3o instaurava uma ordem do permitido e do proibido. Estava ent\u00e3o em nosso poder transgredir a proibi\u00e7\u00e3o, sob pena de sentir culpa. Agora, essa ordem normativa \u00e9 das mais vagas e a proibi\u00e7\u00e3o pode ser contornada por uma estrat\u00e9gia individual eficaz. Mas o que perdemos em sentimento de culpa ganhamos em sentimento de \u2018defici\u00eancia\u2019. \u201cN\u00e3o obtivemos o que quer\u00edamos por falta de compet\u00eancia, de ast\u00facia, de perspic\u00e1cia, de aud\u00e1cia etc. [\u2026] Temos um destino med\u00edocre quando todas as sirenes nos murmuram que depende de n\u00f3s al\u00e7ar-nos a alguma posi\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel\u201d. Como resultado, o sentimento de fragilidade, inferioridade, instabilidade e precariedade diante da vida deixa o sujeito capturado pela sensa\u00e7\u00e3o de profunda insufici\u00eancia, e a vergonha substitui, ou melhor, se junta ao sentimento de culpa. Logo, n\u00e3o pode ser casual que, num movimento quase instintivo, indiv\u00edduos se fechem em si mesmos, cansados de serem julgados por pessoas que, parece, sempre sabem o que \u00e9 bom para a vida dos outros.<\/p>\n<p>Que a vida \u00e9 luta \u00e9 uma senten\u00e7a f\u00e1cil de aceitar, incorpora um elemento vital simp\u00e1tico aos temperamentos ativos, cuja idoneidade nunca se discute, mas vale lembrar que tamb\u00e9m \u00e9 a base sobre a qual se erguem os poderosos de todo tipo para melhor subjugar seus s\u00faditos. Que a vida \u00e9 sofrimento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a t\u00e3o bem-vinda, mesmo sendo simplesmente a outra cara da primeira, porque ordinariamente implica lassid\u00e3o, debilidade e falta de vontade, caracter\u00edsticas avessas aos valores da sociedade do desempenho. \u201cS\u00f3 quem compreendeu que a exist\u00eancia \u00e9 sofrimento \u2013escreve Belloq no seu coment\u00e1rio a Schopenhauer \u2013 deixa de culpar o outro por sofrer e n\u00e3o procura ter sobre ele uma influ\u00eancia que sabe ser in\u00fatil. [\u2026] A recusa da queixa do outro \u00e9 suspeita; a indiferen\u00e7a volunt\u00e1ria \u00e0 sua dor \u00e9 cegueira; a recusa de sua dor \u00e9 crueldade\u201d. H\u00e1 quem viva dando conselhos tirados da pr\u00f3pria vida, imperme\u00e1vel \u00e0 presen\u00e7a do outro. Neste sentido, caberia lembrar que a empatia, longe de ser uma palavra de enfeite, \u00e9 um exerc\u00edcio dif\u00edcil de imagina\u00e7\u00e3o moral que escapa \u00e0 raz\u00e3o, consistente em entender que, embora compartilhe uma causa geral comum com o meu, o sofrimento do outro \u00e9 <em>sui generis<\/em>, \u00e9 pr\u00f3prio, diferente, irredut\u00edvel, \u00e9 o seu, e, em primeiro lugar, pede o meu respeito. Mostrar aos outros como s\u00e3o pequenas e f\u00fateis as dificuldades que n\u00e3o os deixam dormir pode incorrer numa indelicadeza de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. Cada um sofre \u00e0 sua maneira por motivos parecidos ou diferentes dos nossos. Saber escutar a dor alheia consiste, primeiramente, em n\u00e3o desvaloriz\u00e1-la, em reconhecer a import\u00e2ncia que merece por si mesma, pois s\u00f3 come\u00e7amos a respeitar os outros quando deixamos de submet\u00ea-los sistematicamente \u00e0 compara\u00e7\u00e3o conosco.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que eram praticamente desconhecidos dos europeus, Schopenhauer foi leitor dos textos sagrados da tradi\u00e7\u00e3o oriental, sobretudo do budismo e do bramanismo, sem us\u00e1-los, no entanto, como argumentos de f\u00e9. Simplesmente, sua filosofia, nascida de sua experi\u00eancia e de seu olhar sobre a vida, ia ao encontro de mensagens ancestrais, o que enfatiza o car\u00e1ter universal do seu pensamento. Entre outros elementos e para o que aqui nos interessa, Schopenhauer compartilhava com a cosmovis\u00e3o budista a intui\u00e7\u00e3o fundamental de que a compaix\u00e3o \u00e9 o reconhecimento de que a exist\u00eancia \u00e9 sofrimento. Portanto, s\u00f3 quem acredita ser poss\u00edvel viver sem sofrer e, por conseguinte, pensa que os que sofrem s\u00e3o totalmente respons\u00e1veis pelo que lhes acontece pode deixar de ser compassivo com os seus contempor\u00e2neos.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/17-1-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/17-1-5.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/17-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao contr\u00e1rio, quem compreendeu a base dos seus pr\u00f3prios sofrimentos a reconhece tamb\u00e9m nos do outro e, deste modo, pode praticar para com ele uma compaix\u00e3o sem desprezo nem discurso voluntarista. O \u201ctu\u201d torna-se um \u201ceu\u201d, esse \u00e9 o fen\u00f4meno da compaix\u00e3o, que Schopenhauer qualifica em <em>O fundamento da moral<\/em> como \u201ca participa\u00e7\u00e3o absolutamente imediata, sem nenhuma segunda inten\u00e7\u00e3o, primeiro das dores de outro, depois e consequentemente da cessa\u00e7\u00e3o, ou da supress\u00e3o desses males, pois \u00e9 esse o fundamento de todo bem-estar e de toda felicidade\u201d. C\u00e9line Belloq comenta com acuidade que \u201co pessimista com frequ\u00eancia \u00e9 percebido como indiferente \u00e0 sorte do outro, pois n\u00e3o cr\u00ea na renova\u00e7\u00e3o moral da humanidade. Aqui, ao contr\u00e1rio, o pessimismo de Schopenhauer implica saber-se um entre os outros e afetado pela sorte deles\u201d.<\/p>\n<p>Para Odo Marquard, nunca poderemos escolher nossas vidas e sua realidade de forma essencial ou absoluta. Atravessamos a vida mais por meio de nossas conting\u00eancias do que por meio de escolhas e planos, e isso n\u00e3o \u00e9 uma desgra\u00e7a, pois a conting\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um desvio, mas nossa normalidade individual e hist\u00f3rica a partir da qual, e at\u00e9 a qual, constru\u00edmos. J\u00e1 para Arthur Schopenhauer, nossa intelig\u00eancia permite-nos chegar apenas \u00e0 superf\u00edcie dos elementos, enquanto outra coisa, que ele chama de Vontade, age aqu\u00e9m deles. O querer-viver \u00e9 o esfor\u00e7o para existir, se perpetuar, crescer ou resistir que todo ser faz no mundo. N\u00e3o mais do que o fen\u00f4meno vis\u00edvel de uma Vontade que, por sua vez, permanece invis\u00edvel e inapreens\u00edvel. Mas, a eternidade do querer-viver mostra, segundo o fil\u00f3sofo, a inanidade de nossos esfor\u00e7os para sermos diferentes do que somos e a vanidade de nossa cren\u00e7a em nosso progresso, nosso crescimento ou nossa altera\u00e7\u00e3o. Parece claro que, sem grandes entusiasmos, Odo Marquard concedeu mais campo ao livre arb\u00edtrio do que o velho Schopenhauer, mas os pensamentos tanto de um como do outro apontam para os limites da nossa a\u00e7\u00e3o e \u00e9 a\u00ed onde eles me parecem mais frut\u00edferos num momento hist\u00f3rico no qual as exig\u00eancias da vida quotidiana provocam que tantas pessoas se sintam julgadas e exclu\u00eddas por n\u00e3o conseguirem, <em>ou n\u00e3o desejarem<\/em>, levar uma vida considerada normal.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias recomendada:<\/strong><\/p>\n<p>Arthur Schopenhauer, <em>O mundo como vontade e representa\u00e7\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Paulo: Unesp, 2015.<\/p>\n<p>Arthur Schopenhauer, <em>Tratado sobre o fundamento da moral<\/em>, Petr\u00f3polis: Vozes, 2024.<\/p>\n<p>Arthur Schopenhauer, Aforismos para a sabedoria da vida, S\u00e3o Paulo: Edipro, 2022.<\/p>\n<p>C\u00e9line Belloq, <em>Desapegar-se com Schopenhauer<\/em>, Petr\u00f3polis: Vozes, 2021.<\/p>\n<p>Odo Marquard, <em>Aplog\u00eda de lo contingente<\/em>, Val\u00e8ncia: Instituci\u00f3 Alfons el Magn\u00e0nim, 2000.<\/p>\n<p>Jean-Paul Sartre, <em>O ser e o nada<\/em>, Petr\u00f3polis: Vozes, 1997.<\/p>\n<p> Sandra Edler, <em>Luto e melancolia: \u00e0 sombra do espet\u00e1culo<\/em>, RJ: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2022.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post O peso do acaso na sociedade do desempenho\u00a0 appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/china-rejeita-sancoes-dos-eua-contra-suas-empresas-petroliferas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">China rejeita san\u00e7\u00f5es dos EUA contra suas empresas...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ato-em-apoio-a-greve-dos-professores-do-df-denuncia-falta-de-dialogo-com-o-governo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/bdf-20250604-155932-4ef2bb-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ato em apoio \u00e0 greve dos professores do DF denunci...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nacionalista-de-direita-karol-nawrocki-assume-presidencia-da-polonia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/gxr5o9dwkaajvpw-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Nacionalista de direita, Karol Nawrocki assume Pre...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/joias-foram-vendidas-para-pagar-indenizacao-a-deputada-e-multas-de-bolsonaro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Joias foram vendidas para pagar indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 depu...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Press\u00e3o pelo sucesso suscita quest\u00e3o filos\u00f3fica: h\u00e1 limites para a autonomia humana? Odo Marquard e Schopenhauer d\u00e3o pistas sobre este mal-estar coletivo: compreender que n\u00e3o somos autores absolutos de n\u00f3s mesmos \u2013 e isso n\u00e3o \u00e9 defeito existencial<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/direitosouprivilegios\/o-peso-do-acaso-na-sociedade-do-desempenho\/\">O peso do acaso na sociedade do desempenho\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71678,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[34082,34083,8698,13097,34084,34085,28904,34086],"tags":[],"class_list":["post-71677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autonomia-humana","category-celine-belloq","category-direitos-ou-privilegios","category-filosofia","category-mal-estar-coletivo","category-odo-marquard","category-schopenhauer","category-sociedade-do-desempenho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71677\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}