{"id":72581,"date":"2026-01-30T18:46:10","date_gmt":"2026-01-30T21:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/que-nunca-nos-esquecamos-de-gaza\/"},"modified":"2026-01-30T18:46:10","modified_gmt":"2026-01-30T21:46:10","slug":"que-nunca-nos-esquecamos-de-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/que-nunca-nos-esquecamos-de-gaza\/","title":{"rendered":"Que nunca nos esque\u00e7amos de Gaza"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: Reuters\/Ramadan Abed<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Francesca Albanese<\/strong> em entrevista a <strong>Samah Salaime<\/strong>, no <em>CTXT<\/em><\/p>\n<p>No meio da recente confer\u00eancia de Francesca Albanese na Escola de Estudos Orientais e Africanos de Londres (SOAS), o jovem sentado ao meu lado na plateia come\u00e7ou a chorar silenciosamente. A relatora especial da ONU para os territ\u00f3rios palestinos ocupados estava falando sobre o papel do direito internacional em tempos de genoc\u00eddio, mas o homem n\u00e3o prestava mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Perguntei se ele estava bem e ofereci um len\u00e7o. Ele me contou que era m\u00e9dico de Gaza e que havia deixado a Faixa com sua esposa (tamb\u00e9m m\u00e9dica) nos primeiros meses da guerra.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Foi ent\u00e3o que soube o motivo de suas l\u00e1grimas. Em dezembro de 2023, quando o ex\u00e9rcito israelense ordenou a evacua\u00e7\u00e3o de seu bairro no norte de Gaza, sua fam\u00edlia reuniu seus pertences e entrou em um caminh\u00e3o para escapar. Mas, enquanto isso, ele correu para a casa de seus sogros para buscar sua esposa, com quem havia se casado recentemente.<\/p>\n<p>\u201cTodos entraram no caminh\u00e3o, menos eu: meu pai, minha m\u00e3e, meus irm\u00e3os, minhas irm\u00e3s, meus tios, minhas tias e seus filhos\u201d, ele me contou. \u201cAntes que eu retornasse, todos morreram em um \u00fanico ataque a\u00e9reo. Eu sobrevivi por acaso. Todos morreram. N\u00e3o me resta ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Parei de ouvir a distinta palestrante e as perguntas irritantes dos membros insatisfeitos do p\u00fablico e continuei conversando com o m\u00e9dico, que me disse se chamar Abdallah. \u201cMinha m\u00e3e tinha sua idade\u201d, ele me disse. \u201cVoc\u00ea se parece com ela. Ela tinha muito orgulho de que eu tivesse me formado em Medicina\u201d. Ele chorou novamente e eu chorei com ele.<\/p>\n<p>Abdallah e sua esposa sa\u00edram de Gaza pelo Egito. Ela conseguiu uma bolsa de doutorado; ele come\u00e7ar\u00e1 sua resid\u00eancia no Reino Unido. Levou dois anos para obter a permiss\u00e3o para trabalhar aqui como m\u00e9dico. Espero que uma nova vida os aguarde.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea tem que ir falar com ela\u201d, eu disse quando Albanese terminou sua palestra. Ele se recusou. \u201cEla provavelmente j\u00e1 ouviu muitas hist\u00f3rias como a minha. At\u00e9 escreveu um livro sobre o assunto\u201d. \u201cN\u00e3o importa\u201d, insisti. \u201cVoc\u00ea tem que contar sua hist\u00f3ria a ela. Voc\u00ea \u00e9 a pessoa sobre quem ela est\u00e1 falando aqui em Londres\u201d.<\/p>\n<p>A partir daquele momento, o jovem perdeu o controle do corpo. Arrastei-o pelas escadas, abrindo caminho entre a multid\u00e3o que cercava Albanese. \u201cVoc\u00ea precisa conhecer Abdallah, este jovem de Gaza\u201d, eu disse em voz alta, como se f\u00f4ssemos amigos de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Abdallah apertou sua m\u00e3o, visivelmente emocionado, e falou. Ela o ouviu, o abra\u00e7ou e lhe disse: \u201cN\u00e3o se cale. Voc\u00ea deve contar sua hist\u00f3ria em todos os lugares. Essa \u00e9 sua miss\u00e3o, porque ningu\u00e9m o far\u00e1 pelos palestinos, nem mesmo eu. Falar e compartilhar ajuda a curar suas feridas e a suportar a dor, e ajuda o mundo a compreender e a n\u00e3o esquecer\u201d.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Agora, em seu segundo mandato como relatora especial, Albanese tem sido uma das cr\u00edticas mais contundentes do genoc\u00eddio de Israel em Gaza e de seu longo regime de ocupa\u00e7\u00e3o e apartheid, raz\u00e3o pela qual teve sua entrada em Israel proibida e foi sancionada pelo governo Trump no ver\u00e3o passado. No entanto, ela se recusa a parar de defender e lutar pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Em uma entrevista \u00e0 <em>+972 Magazine<\/em> ap\u00f3s sua visita a Londres, ela fala sobre a crise atual do direito internacional, sobre por que o 7 de outubro e o genoc\u00eddio em Gaza devem ser um ponto de n\u00e3o retorno, e sobre por que a impunidade de Israel n\u00e3o durar\u00e1 para sempre.<\/p>\n<p>A entrevista foi editada por quest\u00f5es de extens\u00e3o e clareza.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s dois anos de genoc\u00eddio transmitido ao vivo e agora de uma suposta \u201ctr\u00e9gua\u201d, parece que o mundo parou de falar sobre Gaza. Como voc\u00ea v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/strong><\/p>\n<p>Entramos em uma nova fase do genoc\u00eddio, longe dos olhos e ouvidos da maior parte da comunidade internacional. Acredito que isso se deve n\u00e3o apenas \u00e0 ilus\u00e3o de \u201cpaz\u201d, mas tamb\u00e9m ao fato de que muitos jornalistas foram mortos l\u00e1. Com todas as dificuldades que a popula\u00e7\u00e3o de Gaza enfrenta, \u00e9 muito dif\u00edcil cobrir todos os massacres que continuam ocorrendo.<\/p>\n<p>Por isso acho t\u00e3o f\u00e1cil continuar o genoc\u00eddio enquanto o mundo segue sua rotina habitual. O mesmo ocorreu com os genoc\u00eddios em Ruanda e na B\u00f3snia: sab\u00edamos que algo horr\u00edvel estava acontecendo. E, francamente, como europeus, devemos lembrar que o mesmo aconteceu com o genoc\u00eddio do povo judeu, dos roma e sinti, e do que hoje chamar\u00edamos de comunidade queer h\u00e1 um s\u00e9culo [no Holocausto]. Isso aconteceu dentro da Europa: as pessoas foram tiradas de suas casas e das ruas. As pessoas sabiam.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira atrocidade a ocorrer na hist\u00f3ria do mundo, mas \u00e9 a primeira a ser televisionada integralmente. Gostaria de perguntar ao povo de Israel: Voc\u00eas veem o que est\u00e1 sendo feito em seu nome? Houve relat\u00f3rios do B\u2019Tselem e de outros grupos de direitos humanos, h\u00e1 soldados que romperam o sil\u00eancio e alguns at\u00e9 cometeram suic\u00eddio. Os israelenses sabem o que est\u00e1 acontecendo com o povo palestino, mas parece n\u00e3o importar a eles.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o massacre de Sabra e Shatila [em 1982], houve uma revolta, inclusive em Israel. Quando a brutalidade do ex\u00e9rcito israelense [na repress\u00e3o aos protestos palestinos] durante a Primeira Intifada veio \u00e0 tona, houve uma rea\u00e7\u00e3o popular. Mas hoje em dia, at\u00e9 celebram as viola\u00e7\u00f5es [de prisioneiros palestinos].<\/p>\n<p>Sinto um enorme respeito por aqueles israelenses que conseguiram abrir os olhos e perceber o que est\u00e3o fazendo. \u00c9 importante que o maior n\u00famero poss\u00edvel de israelenses se una \u00e0 luta contra o apartheid, porque isso tamb\u00e9m \u00e9 algo que os mant\u00e9m cativos. N\u00e3o se pode cometer crimes e atrocidades e maltratar outro povo sem perder a humanidade no caminho.<\/p>\n<p>Quando era jovem, dizia a mim mesma: se tivesse vivido durante o Holocausto, teria feito algo. Por isso sigo, apesar das dificuldades, t\u00e3o comprometida em documentar e denunciar com precis\u00e3o o que est\u00e1 acontecendo nos territ\u00f3rios palestinos ocupados, conforme me foi confiado pelo Conselho de Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Porque \u201cnunca mais\u201d \u00e9 todos os dias.<\/p>\n<p>Posso me identificar com isso. \u00c0s vezes as pessoas me perguntam por que escrevo em hebraico, \u00e1rabe e ingl\u00eas. \u00c9 pela mesma raz\u00e3o pela qual visitei Gaza poucas semanas antes do in\u00edcio da guerra. Se meus netos me perguntarem, quero poder contar o que fiz: informei, documentei, forneci provas e grava\u00e7\u00f5es, mesmo que n\u00e3o tenham sido suficientes para impedir o genoc\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>Parece que o direito internacional est\u00e1 mergulhado em uma profunda crise. As viola\u00e7\u00f5es de Israel t\u00eam sido muito evidentes para a maior parte da opini\u00e3o p\u00fablica mundial, mas a lei n\u00e3o \u00e9 aplicada nem s\u00e3o tomadas medidas no terreno. Em que situa\u00e7\u00e3o isso nos deixa?<\/strong><\/p>\n<p>Como advogada internacional, a resposta a esta pergunta \u00e9 simples para mim, porque est\u00e1 muito claro o que deve ser feito e a quest\u00e3o pode ser resolvida de acordo com o direito internacional. A presen\u00e7a de Israel nos territ\u00f3rios palestinos ocupados foi declarada ilegal pela Corte Internacional de Justi\u00e7a, portanto Israel deve retirar suas tropas da Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m Oriental e da Faixa de Gaza. Sei que isso pode parecer uma fantasia para muitos israelenses, mas \u00e9 o que deve ser feito, porque \u00e9 inconceb\u00edvel que a Israel [continue sendo permitido] governar militarmente o pouco que resta da Palestina.<\/p>\n<p>Sei que isso n\u00e3o \u00e9 tudo para os palestinos, mas \u00e9 um come\u00e7o; poderia ser um passo em dire\u00e7\u00e3o a algo mais. Muitos pedem um Estado democr\u00e1tico, outros pedem dois Estados. De uma forma ou de outra, o que a CIJ declarou em julho de 2024 \u00e9 que a ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ilegal e deve ser desmontada total e incondicionalmente, o que significa retirar as tropas, desmantelar os assentamentos, indenizar os palestinos e permitir o retorno dos refugiados deslocados em 1967.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha isso realista? A comunidade internacional pode realmente fazer com que isso aconte\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 o que prescreve o direito internacional, segundo a interpreta\u00e7\u00e3o do mais alto \u00f3rg\u00e3o judicial do mundo. H\u00e1 meios pac\u00edficos e n\u00e3o violentos para faz\u00ea-lo, e tamb\u00e9m se pode recorrer a medidas coercitivas quando um pa\u00eds representa uma amea\u00e7a \u00e0 paz e \u00e0 seguran\u00e7a como Israel faz hoje, e n\u00e3o apenas para a Palestina, mas para toda a regi\u00e3o. Est\u00e1 bombardeando um pa\u00eds ap\u00f3s o outro, respaldado pela impunidade de Estados cujos l\u00edderes pertencem ao s\u00e9culo passado e ainda pensam com uma mentalidade colonial.<\/p>\n<p>Mas a nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assim, e as pesquisas demonstram isso. Portanto, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 <em>se<\/em> Israel ser\u00e1 for\u00e7ado a p\u00f4r fim \u00e0s suas pr\u00e1ticas de apartheid, mas <em>quando<\/em>. Porque as coisas v\u00e3o mudar. Por isso fa\u00e7o um apelo aos israelenses para que se juntem a essa causa e ajudem a alcan\u00e7\u00e1-la. Para isso, ter\u00e3o que renunciar n\u00e3o a seus direitos, mas a seus privil\u00e9gios, privil\u00e9gios que tiveram \u00e0s custas de um povo inteiro.<\/p>\n<p>Compreendo que muitos israelenses possam se sentir inseguros e desprotegidos. Mas \u00e9 poss\u00edvel que nunca mais voltem a estar seguros e protegidos se continuarem a semear ressentimento ao seu redor. H\u00e1 formas de garantir a estabilidade e a seguran\u00e7a de Israel sem oprimir outros. E ainda h\u00e1 tempo para experiment\u00e1-las.<\/p>\n<p>No entanto, o que estamos vendo agora \u00e9 como a \u201cJunta de Paz\u201d de Trump toma forma, criada aparentemente para supervisionar o cessar-fogo em Gaza, mas que parece ter planos que v\u00e3o muito al\u00e9m da Faixa, chegando a rivalizar com a ONU.<\/p>\n<p>O futuro de Gaza, assim como o do resto dos territ\u00f3rios palestinos ocupados, deve estar nas m\u00e3os dos palestinos. \u00c9 sua autodetermina\u00e7\u00e3o. \u00c9 desconcertante ver como um grupo que n\u00e3o emana da vontade do povo palestino se encarrega de \u201creconstruir\u201d Gaza. E \u00e9 preocupante ver como a ONU fica relegada a um segundo plano e como o processo \u00e9 liderado por um Estado \u2013 os Estados Unidos \u2013 que n\u00e3o \u00e9 uma parte desinteressada e que apoiou amplamente a destrui\u00e7\u00e3o de Gaza.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Gaza est\u00e1 extremamente exausta e traumatizada. \u00c9 necess\u00e1rio garantir seu cuidado e bem-estar, mas isso n\u00e3o \u00e9 visto em lugar algum [nos debates em torno da Junta de Paz]. Al\u00e9m disso, atrocidades foram cometidas em Gaza e precisam ser investigadas. H\u00e1 evid\u00eancias a serem coletadas antes que a reconstru\u00e7\u00e3o possa ser realizada, portanto, deve-se permitir a entrada de investigadores independentes.<\/p>\n<p><strong>Quando publiquei uma foto no Facebook de n\u00f3s duas ap\u00f3s sua palestra na SOAS, algumas de minhas colegas feministas judias israelenses me removeram de suas listas de amigos porque acreditam que voc\u00ea negou, mesmo que implicitamente, que o Hamas cometeu viola\u00e7\u00f5es e outras formas de viol\u00eancia sexual contra mulheres israelenses em 7 de outubro ou depois. Voc\u00ea pode esclarecer sua posi\u00e7\u00e3o sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p>Nunca neguei que abusos sexuais tenham ocorrido. Isso foi amplamente documentado. H\u00e1 provas em v\u00eddeo de [ref\u00e9ns] com suas partes \u00edntimas expostas ou em contato pr\u00f3ximo com seus sequestradores, por exemplo. Reconheci e condenei os abusos sexuais relatados pela Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e me solidarizo com essas mulheres.<\/p>\n<p>O que eu disse \u00e9 que, pessoalmente, n\u00e3o vi nenhum testemunho de pessoas que foram estupradas em 7 de outubro e que, da mesma forma, n\u00e3o surgiu nenhuma prova de \u201cestupros em massa\u201d naquele dia, apesar de essa continuar sendo uma acusa\u00e7\u00e3o recorrente.<\/p>\n<p>Tenho consci\u00eancia de que as v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual e estupro t\u00eam dificuldades para falar, e respeito isso enormemente. Mas o que eu disse, e o que condenei, \u00e9 o fato de que houve alega\u00e7\u00f5es generalizadas de estupros em massa, e eu disse que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias disso, assim como as [alega\u00e7\u00f5es de] beb\u00eas decapitados ou beb\u00eas colocados em um forno. Essas s\u00e3o as tr\u00eas coisas que continuam a ser repetidas em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, inclusive no meu.<\/p>\n<p>Sempre condenei os ataques contra civis cometidos em 7 de outubro. Disse que atacar, matar e sequestrar civis \u00e9 um crime de guerra. N\u00e3o importa se as v\u00edtimas s\u00e3o palestinas ou israelenses. Na verdade, em minha primeira entrevista ap\u00f3s 7 de outubro, meu desejo era que a comunidade internacional, inclusive aqueles que costumam ficar do lado dos palestinos, mostrasse sabedoria e compaix\u00e3o, porque aquele foi um momento de enorme sofrimento para os israelenses, um que poderia t\u00ea-los aproximado dos palestinos, cujo trauma se tornou intergeracional.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi um dia muito dif\u00edcil para mim. Enquanto via as imagens de 7 de outubro, e durante v\u00e1rios dias depois, me perguntava como seria capaz de continuar fazendo este trabalho.<\/p>\n<p>Hoje me pergunto: o fato de crian\u00e7as palestinas serem sequestradas uma a uma no meio da noite, 700 delas a cada ano, as torna menos ref\u00e9ns? \u00c9 menos brutal que palestinos sejam mortos aos centenas a cada dois anos quando Israel precisa descarregar seu armamento contra Gaza em mais uma guerra \u201cpreventiva\u201d?<\/p>\n<p>Por isso devemos garantir que isso seja o fim. Porque os palestinos sofreram demais, e os israelenses tamb\u00e9m. Este \u00e9 o ponto de n\u00e3o retorno, a partir do qual devemos avan\u00e7ar para um lugar menos sombrio.<\/p>\n<p><strong>Mas, em vez disso, todos t\u00eam ati\u00e7ado as chamas, e Israel tem recebido o apoio incondicional de grande parte do Ocidente.<\/strong><br \/>\u00c9 verdade. Por que se apoiaria incondicionalmente qualquer Estado? O respeito aos direitos humanos deve ser sempre uma condi\u00e7\u00e3o para o apoio. O respeito ao direito internacional humanit\u00e1rio deve ser uma condi\u00e7\u00e3o para o apoio.<\/p>\n<p>De acordo com o direito internacional, um Estado tem o direito de se proteger, mas n\u00e3o de massacrar outro povo. At\u00e9 mesmo o ex\u00e9rcito israelense [sabe] que cerca de 85% das pessoas que matou em Gaza eram civis. Por isso digo que temos que estabelecer um limite, que temos que ser racionais, que temos que reconhecer a humanidade do outro e que temos que reconhecer que Israel vem oprimindo os palestinos com pr\u00e1ticas de apartheid h\u00e1 mais tempo do que muitos palestinos conseguem lembrar.<\/p>\n<p>Quando as pessoas me perguntam se Israel tem o direito de existir, respondo simplesmente: Israel existe e, como membro da comunidade internacional, tem que cumprir o direito internacional. Mas o que muitas das pessoas que fazem essa pergunta parecem estar questionando \u00e9 o direito de Israel existir como um Estado de apartheid, sem prestar contas. N\u00e3o. Israel n\u00e3o tem o direito de se comportar acima da lei ou contra a lei.<\/p>\n<p>Israel n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. Deve descer de seu pedestal e perceber que, embora ainda possa contar com o apoio de l\u00edderes fortes, isso n\u00e3o durar\u00e1 para sempre. A opini\u00e3o p\u00fablica na Europa est\u00e1 mudando, e o fato de o movimento de solidariedade estar sendo severamente reprimido n\u00e3o ajuda a apresentar Israel sob uma luz mais favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2024, a Alemanha deteve mais pessoas judias do que em qualquer outro ano desde o Holocausto. Por qu\u00ea? Porque se opunham \u00e0 viol\u00eancia israelense em Gaza. O Reino Unido tem criminalizado organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas e tratado ONGs e jornalistas como terroristas. A Fran\u00e7a tem proibido protestos. E a It\u00e1lia tem se tornado cada vez mais r\u00edgida na nega\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o e de associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>No ano passado, voc\u00ea escreveu um relat\u00f3rio investigando empresas privadas c\u00famplices do genoc\u00eddio e da ocupa\u00e7\u00e3o de Israel, algo pelo qual a ONU n\u00e3o costuma ser conhecida. Por que era importante para voc\u00ea ir al\u00e9m do n\u00edvel dos governos para denunciar as empresas que se beneficiam dessas viola\u00e7\u00f5es do direito internacional?<\/strong><br \/>Passei os \u00faltimos dois anos investigando o genoc\u00eddio. Em certo momento, percebi que, enquanto muita gente, inclusive israelenses, perdia sua renda, a economia palestina entrava em colapso e tanta gente morria, a bolsa israelense continuava subindo; cresceu mais de 200% de seu valor. E isso se deve ao fato de existir uma interconex\u00e3o entre atores privados: bancos, fundos de pens\u00e3o, empresas militares, empresas de vigil\u00e2ncia e muitos outros estavam se beneficiando disso.<\/p>\n<p>J\u00e1 existia uma economia de ocupa\u00e7\u00e3o que permitira o deslocamento e a substitui\u00e7\u00e3o dos palestinos, ent\u00e3o eu poderia ter escrito esse relat\u00f3rio anos atr\u00e1s. Mas essas empresas continuaram participando mesmo quando ficou claro que Israel possivelmente estava cometendo o crime de genoc\u00eddio, conforme concluiu a Corte Internacional de Justi\u00e7a em suas medidas preliminares em janeiro de 2024. As normas empresariais e de direitos humanos deveriam ter levado essas empresas a interromper suas atividades nos territ\u00f3rios palestinos ocupados, mas elas continuaram participando. Por isso era necess\u00e1rio expor isso.<\/p>\n<p>E n\u00e3o estamos falando apenas de empresas israelenses, mas tamb\u00e9m de empresas ocidentais e outras. Aqui existia a possibilidade de exigir responsabilidades al\u00e9m de Israel.<\/p>\n<p><strong>Como resultado de seu trabalho, voc\u00ea mesma foi alvo de san\u00e7\u00f5es do governo dos Estados Unidos. Como isso afetou sua vida e sua capacidade de realizar seu trabalho?<\/strong><br \/>A censura financeira tem enormes implica\u00e7\u00f5es, que afetam tanto meu trabalho quanto minha vida privada. N\u00e3o posso abrir uma conta banc\u00e1ria em nenhum lugar, o que significa que n\u00e3o posso pedir um t\u00e1xi, reservar um quarto de hotel nem comprar nada, a menos que possa faz\u00ea-lo em dinheiro. Tamb\u00e9m fui impedida de viajar aos Estados Unidos, e muitos cidad\u00e3os estadunidenses deixaram de se relacionar comigo porque correm o risco de serem acusados de cometer um crime grave segundo a legisla\u00e7\u00e3o dos EUA, que acarreta uma pena de at\u00e9 20 anos de pris\u00e3o e uma multa de um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 absurdo.<\/p>\n<p>Pode-se concordar ou discordar do que digo e fa\u00e7o. Mas fui punida pelo meu trabalho, sem direito a apela\u00e7\u00e3o, sem que se provasse que eu estava errada e violando meu status na ONU, que me concede privil\u00e9gios e imunidades pelas a\u00e7\u00f5es realizadas no contexto do meu trabalho.<\/p>\n<p><strong>Seu novo livro, <\/strong><em><strong>When the World Sleeps: Stories, Words, and Wounds of Palestine<\/strong><\/em><strong>(Quando o Mundo Dorme: Hist\u00f3rias, Palavras e Feridas da Palestina), ser\u00e1 publicado em ingl\u00eas em abril deste ano. Que li\u00e7\u00f5es voc\u00ea espera que os leitores extraiam dele?<\/strong><br \/>O livro \u00e9 uma jornada pela Palestina que nasce da minha experi\u00eancia de viver l\u00e1, trabalhar l\u00e1 e ser relatora especial. Queria contar a hist\u00f3ria da Palestina tal como a conheci atrav\u00e9s de diversas pessoas \u2013 palestinos e israelenses \u2013 para poder apresentar e desvendar diversos temas.<\/p>\n<p>Foi um best-seller na It\u00e1lia e traduzido para mais de 16 idiomas. Acredito que as pessoas gostam porque provoca um despertar e permite compreender os problemas do presente e do passado de forma hol\u00edstica. Tudo \u00e9 colocado em contexto. \u00c9 muito humano, n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtico. Tamb\u00e9m pode ser dif\u00edcil de ler, porque h\u00e1 hist\u00f3rias de crian\u00e7as e de pessoas que n\u00e3o est\u00e3o mais entre n\u00f3s. Mas as pessoas parecem apreci\u00e1-lo muito.<\/p>\n<p><strong>E, por \u00faltimo, qual \u00e9 sua mensagem hoje para os palestinos e para os israelenses que se op\u00f5em ao genoc\u00eddio, ao apartheid e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>N\u00f3s os vemos. Voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. O movimento de direitos humanos despertou gra\u00e7as \u00e0 Palestina e ao que aconteceu nos \u00faltimos dois anos. As pessoas agora reconhecem a interconex\u00e3o entre diversas formas de injusti\u00e7a e diversas formas de resist\u00eancia pac\u00edfica \u00e0 injusti\u00e7a. Quero que essa resist\u00eancia pac\u00edfica se normalize em vez da viol\u00eancia.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Que nunca nos esque\u00e7amos de Gaza appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-candidatura-debilitada-de-flavio-bolsonaro-crescem-as-chances-de-zema-e-caiado-avalia-cientista-politica\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Com candidatura debilitada de Fl\u00e1vio Bolsonaro, c...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/guimaraes-apresenta-balanco-do-1o-semestre-e-reforca-uniao-com-congresso-contra-tarifaco-de-trump\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Guimar\u00e3es apresenta balan\u00e7o do 1\u00ba semestre e refor...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mercosul-anuncia-acordo-de-livre-comercio-com-4-paises-europeus\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Mercosul anuncia acordo de livre com\u00e9rcio com 4 pa...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-forma-lula-defende-soberania-fala-do-fim-das-bets-e-do-combate-ao-feminicidio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Screenshot_2026-09-28-12-46-23-308_comandroidchrome-edit-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Em forma, Lula defende soberania, fala do fim das ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relatora especial da ONU, perseguida por denunciar os crimes de Israel, radiografa a Palestina hoje, quando o mundo parece esquecer o genoc\u00eddio. 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E garante: &#8220;impunidade n\u00e3o durar\u00e1 para sempre&#8221;<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/nunca-nos-esquecamos-de-gaza\/\">Que nunca nos esque\u00e7amos de Gaza<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,4398,9202,1125,9696,52,2929,5700,34729,34730],"tags":[],"class_list":["post-72581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-capa","category-crimes-de-guerra","category-crimes-de-israel","category-direito-internacional","category-francesca-albanese","category-gaza","category-genocidio-em-gaza","category-geopolitica-guerra","category-junta-de-paz-de-trump","category-solidariedade-a-gaza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}