{"id":73282,"date":"2026-02-05T18:18:58","date_gmt":"2026-02-05T21:18:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/compro-arrendo-como-o-rei-do-ovo-encurrala-comunidades-tradicionais-no-piaui\/"},"modified":"2026-02-05T18:18:58","modified_gmt":"2026-02-05T21:18:58","slug":"compro-arrendo-como-o-rei-do-ovo-encurrala-comunidades-tradicionais-no-piaui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/compro-arrendo-como-o-rei-do-ovo-encurrala-comunidades-tradicionais-no-piaui\/","title":{"rendered":"Compro, arrendo: como o \u201cRei do Ovo\u201d encurrala comunidades tradicionais no Piau\u00ed"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"386\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/header-insolo.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/header-insolo-1024x386.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/header-insolo-300x113.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/header-insolo-768x289.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/header-insolo-1536x578.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/header-insolo.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Fotos: Mariana Greif e ACAV\/divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Bruna Bronoski*<br \/>Do <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/\">O joio e o trigo<\/a> | Em parceria com Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/p>\n<p>Os moradores das comunidades tradicionais Angelim, Sete Lagoas e V\u00e3o do Vico vivem da terra e das fontes d\u2019\u00e1gua que cortam os munic\u00edpios de Baixa Grande do Ribeiro e Santa Filomena, no sul do Piau\u00ed. H\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, fazem ro\u00e7ados, criam animais, cobrem suas casas com a palha das palmeiras nativas.\u00a0 <\/p>\n<p>Seus modos de vida contrastam com o de Ricardo Faria, empres\u00e1rio brasileiro que entrou <a href=\"https:\/\/forbes.com.br\/escolhas-do-editor\/2025\/06\/quem-e-ricardo-faria-o-rei-do-ovo-o-bilionario-que-transformou-a-producao-no-brasil\/\">para a lista de bilion\u00e1rios da Forbes em 2024<\/a> e que est\u00e1 entre os maiores controladores de terras do <strong>Matopiba<\/strong> (regi\u00e3o de expans\u00e3o agr\u00edcola localizada, que abrange \u00e1reas do\u00a0Maranh\u00e3o,\u00a0Tocantins,\u00a0Piau\u00ed\u00a0e\u00a0Bahia. O nome \u00e9 um acr\u00f4nimo formado pelas iniciais dos quatro estados e foi criado para designar a principal fronteira agr\u00edcola brasileira do s\u00e9culo XXI, situada predominantemente no bioma\u00a0do Cerrado), para onde voa <a href=\"https:\/\/www.farmlandgrab.org\/post\/30729-brasil-os-planos-de-ricardo-faria-um-dos-maiores-donos-de-terras-do-pais\">com seu jato particular<\/a>. <\/p>\n<p>Apelidado de \u201cRei do Ovo\u201d pela m\u00eddia tradicional, onde aparece em fotos usando camisas claras, Faria fechou neg\u00f3cios de compra e arrendamento em v\u00e1rias fazendas que pressionam comunidades ind\u00edgenas, ribeirinhas e brejeiras, territ\u00f3rios marcados por embargos ambientais e acusa\u00e7\u00f5es de grilagem de terras coletivas.<\/p>\n<p>Durante a investiga\u00e7\u00e3o, o Joio identificou \u2014 por meio de processos judiciais, dados fundi\u00e1rios e georreferenciados, e relat\u00f3rios de organiza\u00e7\u00f5es de defesa de direitos humanos e territoriais \u2014 v\u00e1rias fazendas que apresentam ind\u00edcios de estarem sob o controle de Ricardo Faria na regi\u00e3o sul do Piau\u00ed. Nesta reportagem, descrevemos os conflitos socioambientais encontrados em quatros delas: duas arrendadas e duas de propriedade das empresas das quais o empres\u00e1rio \u00e9 s\u00f3cio. Outro caso envolvendo a Insolo pode ser lido em reportagem da Rep\u00f3rter Brasil. <\/p>\n<p>Nos neg\u00f3cios de arrendamento, a Terrus S.A. \u2014 raz\u00e3o social do grupo Insolo, <a href=\"https:\/\/www.insolo.com.br\/historia.html\">adquirido <\/a>por Ricardo Faria em 2022 \u2014, fechou contratos com a <a href=\"https:\/\/damhaagronegocios.com.br\/\">Damha Agroneg\u00f3cios Ltda<\/a>. Dentre as fazendas da Damha que t\u00eam nomes de <a href=\"https:\/\/damhaagronegocios.com.br\/pages\/fazendas-do-piaui\">pedras preciosas<\/a>, como Esmeralda, Safira, Diamante e Rubi, as tr\u00eas primeiras foram arrendadas pela Insolo.\u00a0 Segundo o Contrato de Arrendamento Rural para Explora\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola firmado entre as empresas, a \u00e1rea \u00fatil do arrendamento abrange 8,8 mil hectares, com vig\u00eancia at\u00e9 a safra de 2027\/2028.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da Damha na regi\u00e3o \u00e9 envolvida em den\u00fancias por viol\u00eancia. Segundo relatos de moradores \u00e0 reportagem, a empresa seria respons\u00e1vel pela derrubada de casas com uso de m\u00e1quinas, presen\u00e7a de seguran\u00e7a privada armada, contamina\u00e7\u00e3o de rios e ro\u00e7ados por agrot\u00f3xicos e derrubada de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.\u00a0 <\/p>\n<p>Faria tamb\u00e9m acumula terras pr\u00f3prias na regi\u00e3o. At\u00e9 2020, v\u00e1rias empresas ligadas \u00e0 Insolo eram controladas por subsidi\u00e1rias do fundo patrimonial da Universidade de Harvard, entre elas as que administram as fazendas Fortaleza, Galileia e Ip\u00ea. As tr\u00eas propriedades passaram dos fundos internacionais para o empres\u00e1rio nascido no Rio de Janeiro e criado no interior de Santa Catarina. <\/p>\n<p>O patrim\u00f4nio acumulado pelo empres\u00e1rio no agroneg\u00f3cio ajuda a financiar a elei\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos da extrema-direita, como deputados e senadores ruralistas e o ex-presidente Jair Bolsonaro, costumeiramente favor\u00e1veis ao enfraquecimento da legisla\u00e7\u00e3o que protege os biomas e os modos de vida tradicionais. <\/p>\n<p><strong>Compro, arrendo: influ\u00eancia do Grupo Insolo no Piau\u00ed<\/strong><\/p>\n<p>Fazendas controladas por Ricardo Faria encurralam modos de vida tradicionais: 4,5 mil hectares para produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da Insolo invadem \u00e1reas ind\u00edgenas e brejeiras.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download-300x225.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download.jpg 1337w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Mapa:\u00a0Bruna Bronoski\/O Joio e O Trigo. Fonte:\u00a0Sicar, Interpi, Insolo, TJPICriado com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.datawrapper.de\/_\/YK7w6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Datawrapper<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O Joio entrou em contato com as empresas de Ricardo Faria e a Damha Agroneg\u00f3cios. <\/p>\n<p>O Grupo Insolo respondeu que o contrato de arrendamento com a Damha Agroneg\u00f3cios segue vigente, mas que a \u00e1rea \u00fatil arrendada n\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0s comunidades tradicionais. A responsabilidade de qualquer conflito nas fazendas arrendadas, afirma a nota da Insolo, \u00e9 da propriet\u00e1ria da \u00e1rea, a Damha.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Damha informou que \u201cnega de forma categ\u00f3rica as alega\u00e7\u00f5es de destrui\u00e7\u00e3o de moradias, amea\u00e7as a comunidades ou qualquer pr\u00e1tica de viol\u00eancia\u201d e que as propriedades mencionadas pela reportagem como \u00e1reas de conflito com comunidades \u201cforam adquiridas pela Damha mediante t\u00edtulos v\u00e1lidos, com registros regulares perante os cart\u00f3rios competentes\u201d.\u00a0 <\/p>\n<p>As respostas completas das empresas ao Joio podem ser lidas <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Respostas-reportagem-insolo.pdf\">aqui<\/a>. <\/p>\n<p><strong>\u201cA \u00e1rea que a Damha comprou pega toda a comunidade\u201d<\/strong> <\/p>\n<p>Cem por cento dos 3,4 mil hectares do territ\u00f3rio ind\u00edgena V\u00e3o do Vico, reconhecido como comunidade tradicional pelo Instituto de Terras do Piau\u00ed (Interpi), s\u00e3o declarados pela Damha Agroneg\u00f3cios como a fazenda Esmeralda, arrendada pela Insolo.<\/p>\n<p>Cont\u00edgua \u00e0 V\u00e3o do Vico e da mesma etnia, a comunidade Sete Lagoas denunciou a Damha Agroneg\u00f3cios na Justi\u00e7a por grilagem de terras. <\/p>\n<p>\u201cTinha as quintas de laranja, hoje voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o v\u00ea mais. Se plantar um p\u00e9 de laranja, rebrota uma vez; j\u00e1 na segunda vez, a flor perde tudo e cria um caruncho na folha. Ali j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais\u201d, relata Maria*, ind\u00edgena Akro\u00e1 Gamella que teve a casa derrubada por grileiros, segundo parecer t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica.\u00a0 <\/p>\n<p>Maria tamb\u00e9m ressalta como o ataque qu\u00edmico da produ\u00e7\u00e3o de commodities afeta a seguran\u00e7a alimentar da comunidade.\u00a0 <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>[J\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais] por causa da mosca branca e dos agrot\u00f3xicos, o veneno que vem, tanto pelo vento quanto pela chuva. No tempo seco, vem a poeira do Cerrado todo envenenado, bate nas plantas. Quando chove, adoece as plantas.\u201d <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ela teme pela extin\u00e7\u00e3o das frutas comuns da regi\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cA gente colhia bastante buriti, buritirana, a bacaba, o pequi, que a gente produz e que serve de alimento pra gente. Hoje esses frutos do Cerrado est\u00e3o bem escassos.\u201d <\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"675\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-1-1024x675.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-1-300x198.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-1-768x506.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-1.jpg 1044w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"679\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-2-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-2-768x510.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print-2.jpg 1034w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Comunidades tradicionais no sul do Piau\u00ed tiram seu sustento da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, amea\u00e7ada pela expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola de exporta\u00e7\u00e3o. Fotos: Mariana Greif\/O Joio e O Trigo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Atual ocupante das terras, a Damha ajuizou em 2015 a\u00e7\u00e3o judicial pedindo a reintegra\u00e7\u00e3o de posse da \u00e1rea. A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a comunidade invadiu sua \u00e1rea de Reserva Legal \u2014 parcela m\u00ednima exigida <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/codigo-florestal\/area-de-reserva-legal-arl\">por lei<\/a> de manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, que corresponde a 20% do im\u00f3vel rural em \u00e1rea do bioma Cerrado.\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p>Por se tratar de um territ\u00f3rio ind\u00edgena, que \u00e9 compet\u00eancia da Uni\u00e3o, o caso foi parar na Justi\u00e7a Federal, que suspendeu a a\u00e7\u00e3o at\u00e9 que outra a\u00e7\u00e3o movida pelo MPF para regularizar as terras na regi\u00e3o corra na Justi\u00e7a. <\/p>\n<p>O defensor p\u00fablico Vitor Oliveira Gon\u00e7alves Guerra, que atua na regi\u00e3o, falou \u00e0 reportagem que as empresas acusam as comunidades daquilo que elas pr\u00f3prias cometem. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Elas [as empresas] querem essas \u00e1reas para afirmarem aos \u00f3rg\u00e3os ambientais que est\u00e3o preservando a natureza. Que exploram e ao mesmo tempo preservam\u201d<\/em>, afirma Guerra.\u00a0 <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, eles v\u00e3o para cima das comunidades, que j\u00e1 foram expulsas de muitas \u00e1reas, mais acima, e agora at\u00e9 mesmo nos baix\u00f5es est\u00e3o enfrentando esse tipo de situa\u00e7\u00e3o\u201d, complementa. <\/p>\n<p>As \u00e1reas planas s\u00e3o as primeiras a serem exploradas pelas empresas do agroneg\u00f3cio, pela facilidade de uso de m\u00e1quinas industriais. Nem por isso os baix\u00f5es, que est\u00e3o nas depress\u00f5es entre as chapadas e que d\u00e3o nome ao munic\u00edpio de Baixa Grande do Ribeiro, ficam livres da expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola. Esse \u00e9 o lugar onde est\u00e3o as fam\u00edlias brejeiras, e de onde est\u00e3o sendo expulsas ap\u00f3s o dom\u00ednio das \u00e1reas planas. <\/p>\n<p>Segundo a Damha, os casos est\u00e3o sendo discutidos administrativa e judicialmente, \u201cn\u00e3o havendo, at\u00e9 o momento, decis\u00e3o definitiva que restrinja ou invalide a titularidade ou a posse exercida pela empresa\u201d. <\/p>\n<p><strong>Da Damha para a Insolo, com incentivo p\u00fablico <\/strong><\/p>\n<p>O cercamento das fam\u00edlias Akro\u00e1 Gamella ocorre h\u00e1 anos e \u00e9 perpetuado pelo repasse do controle da fazenda Esmeralda: do suposto grileiro para o comprador da terra, e deste para seu arrendat\u00e1rio. <\/p>\n<p>Nos anos 2010, a Damha comprou a \u00e1rea da fam\u00edlia de Ant\u00f4nio Luiz Avelino, fazendeiro, ex-prefeito de Santa Filomena e pai de Mois\u00e9s Avelino Filho, ex-governador do Tocantins. Os Avelino s\u00e3o acusados de expulsarem fam\u00edlias da regi\u00e3o para tomar terras. <\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1006\" height=\"593\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Print3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Print3.jpg 1006w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Print3-300x177.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Print3-768x453.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1006px) 100vw, 1006px\"><figcaption><em>Documento informativo da Funai relata a destrui\u00e7\u00e3o de casas de moradores das comunidades onde est\u00e1 sobreposta a fazenda Esmeralda, atualmente sob controle da empresa Damha. Fonte: Funai<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mesmo com esse hist\u00f3rico de acusa\u00e7\u00f5es de grilagem e viola\u00e7\u00e3o de direitos de povos tradicionais, a fazenda Esmeralda foi arrendada pela Insolo e beneficiada com cr\u00e9dito p\u00fablico do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e do Banco do Brasil (BB). <\/p>\n<p>Juntos, o BNB e o BB repassaram recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e da Poupan\u00e7a Rural a juros subsidiados \u2014 isto \u00e9, juros menores por meio de pol\u00edtica p\u00fablica \u2014 para opera\u00e7\u00f5es na fazenda Esmeralda entre 2020 e 2025.\u00a0Ao todo, o programa de cr\u00e9dito rural viabilizou R$ 63 milh\u00f5es para o plantio de milho e soja na \u00e1rea. <\/p>\n<p>Apesar de o Manual de Cr\u00e9dito Rural (MCR) \u2014 norma que rege este tipo de financiamento \u2014 barrar concess\u00f5es de cr\u00e9dito apenas para terras ind\u00edgenas homologadas, regularizadas ou definidas, o que n\u00e3o \u00e9 o caso dos territ\u00f3rios Akro\u00e1 Gamella no sul do Piau\u00ed, o Joio perguntou ao BNB e ao BB se os bancos consideraram o conflito fundi\u00e1rio existente na \u00e1rea para conceder os financiamentos e se pretendem reavali\u00e1-los. <\/p>\n<p>O Banco do Nordeste <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Respostas-reportagem-insolo.pdf\">informou<\/a> que segue o MCR e outras normas, como a legisla\u00e7\u00e3o ambiental vigente, mas n\u00e3o respondeu diretamente \u00e0s perguntas da reportagem, que indagaram sobre o conflito existente na \u00e1rea da fazenda Esmeralda com o territ\u00f3rio ind\u00edgena e a concess\u00e3o de cr\u00e9dito.\u00a0 <\/p>\n<p>J\u00e1 o Banco do Brasil <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Respostas-reportagem-insolo.pdf\">respondeu<\/a> que tamb\u00e9m segue o MCR e que \u201ctanto na \u00e9poca da contrata\u00e7\u00e3o ou na atual vers\u00e3o retificada, n\u00e3o foi apontada sobreposi\u00e7\u00e3o com qualquer terra ind\u00edgena, considerada na base da Funai\u201d.\u00a0 <\/p>\n<p>A reportagem tamb\u00e9m procurou a Funai, perguntando se o territ\u00f3rio ind\u00edgena est\u00e1 em processo de reconhecimento na funda\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tivemos retorno. <\/p>\n<p><strong>Insolo, arrendamento e \u201clei\u201d privada<\/strong> <\/p>\n<p>Quando a Damha chegou na regi\u00e3o, no in\u00edcio dos anos 2000, cerca de 20 fam\u00edlias viviam na comunidade brejeira Angelim. Sua ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica: os relatos da chegada dos bisav\u00f3s datam de 1932. Depois de in\u00fameras press\u00f5es, que incluem a presen\u00e7a de vigil\u00e2ncia armada contratada pelas empresas \u2014 retirada s\u00f3 depois de decis\u00e3o judicial em 2017 \u2014, o n\u00famero de fam\u00edlias caiu para oito. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil a gente sobreviver na comunidade com eles [a Damha], porque sempre est\u00e3o amea\u00e7ando a gente, at\u00e9 chegam a botar proposta para a gente vender o nosso direito, mas a gente nasceu e se criou aqui h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o quer abandonar\u201d, declara Pedro*, morador da comunidade Angelim. \u201c\u00c9 uma terra do Estado, e eles n\u00e3o compraram do Estado. Se [algu\u00e9m] tiver direito, somos n\u00f3s, n\u00e3o eles, n\u00e9?\u201d <\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"563\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print4-1024x563.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print4-300x165.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print4-768x422.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/print4.jpg 1222w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Distante a menos de quatro quil\u00f4metros da fazenda Esmeralda, fazenda Diamante (foto) invade 65% dos 2,2 mil hectares do territ\u00f3rio Angelim, delimitado como tradicional. Foto: Mariana Greif\/O Joio e O Trigo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O modo de vida foi profundamente afetado ap\u00f3s a chegada da Damha, conta Pedro. Os animais das fam\u00edlias, antes criados soltos, agora s\u00e3o submetidos \u00e0s regras privadas.<\/p>\n<p>\u201cEsse ano eles est\u00e3o com a \u2018lei\u2019 de que o que for pra l\u00e1 [animais nas \u00e1reas de lavoura], eles prendem. Pra voc\u00ea tirar, tem que pagar R$ 500 por cabe\u00e7a de gado, de animal que seja. E, se n\u00e3o tirar em at\u00e9 cinco dias, eles levam os animais pra n\u00e3o sei onde.\u201d <\/p>\n<p>Sobre os relatos de cobran\u00e7a para liberar animais que entram nas \u00e1reas das propriedades, a Damha respondeu que o im\u00f3vel est\u00e1 arrendado e que desconhece \u201ceventuais situa\u00e7\u00f5es envolvendo entrada de animais\u201d na \u00e1rea. A Insolo tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/adendo_Insolo.pdf\">disse<\/a> que desconhece a pr\u00e1tica de cobran\u00e7a e que faz a retirada dos animais da \u00e1rea quando a situa\u00e7\u00e3o ocorre. <\/p>\n<p>Respons\u00e1veis pela titula\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais n\u00e3o ind\u00edgenas, o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e o Interpi foram questionados pela reportagem sobre a situa\u00e7\u00e3o de regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.\u00a0 <\/p>\n<p>O Incra <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Respostas-reportagem-insolo.pdf\">respondeu <\/a>que titula territ\u00f3rios quilombolas, que n\u00e3o \u00e9 o caso da comunidade Angelim. <\/p>\n<p>O Interpi<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Respostas-reportagem-insolo.pdf\"> respondeu<\/a>, por sua vez, que possui documento t\u00e9cnico sobre poss\u00edveis sobreposi\u00e7\u00f5es de fazenda sobre o territ\u00f3rio, e que \u201cn\u00e3o consta identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1rea denominada \u2018Fazenda Diamante\u2019 como sobreposta \u00e0 \u00e1rea da comunidade\u201d. Esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 enviada pela arrendat\u00e1ria da \u00e1rea, a Insolo, que confirma a sobreposi\u00e7\u00e3o. O instituto estadual de terras ainda informou que o territ\u00f3rio Angelim tem processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria em andamento e que \u201c a elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio t\u00e9cnico de delimita\u00e7\u00e3o territorial est\u00e1 programada para o ano de 2026\u201d. <\/p>\n<p><strong>O passado de Harvard <\/strong><\/p>\n<p>Desde 2017, fazendas do sul do Piau\u00ed eram listadas como partes relacionadas de fundos patrimoniais da Universidade de Harvard. Esses fundos, tamb\u00e9m conhecidos pelo termo em ingl\u00eas endowment, visam rendimentos que financiam pesquisas e bolsas estudantis. <\/p>\n<p>At\u00e9 2020, as fazendas <a href=\"https:\/\/www.insolo.com.br\/fortaleza.html\">Fortaleza<\/a> e<a href=\"https:\/\/www.insolo.com.br\/ipe.html\"> Ip\u00ea<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.guiadearmazenagem.com.br\/armazenadores-pi1#:~:text=GALILEIA\">Galileia<\/a>, localizadas na regi\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios, receberam valores milion\u00e1rios do fundo Phemus Corp, uma subsidi\u00e1ria da President and Fellow of Harvard College. Nas declara\u00e7\u00f5es de 2020, os aportes chegaram aos US$ 73 milh\u00f5es. <\/p>\n<p>Em 2022, as mesmas fazendas passaram para as m\u00e3os do <a href=\"https:\/\/www.insolo.com.br\/historia.html\">Grupo Faria<\/a>.\u00a0 <\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20251104_MG_029_-Insolo-Fortaleza.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20251104_MG_029_-Insolo-Fortaleza-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20251104_MG_029_-Insolo-Fortaleza-300x169.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20251104_MG_029_-Insolo-Fortaleza-768x432.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/20251104_MG_029_-Insolo-Fortaleza.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Em Santa Filomena-PI, inscri\u00e7\u00e3o com nome do grupo de Ricardo Faria em lavoura da fazenda Fortaleza, que at\u00e9 2020 era controlada por fundo de Harvard. Foto: Mariana Greif\/O Joio e O Trigo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A fazenda Fortaleza apresenta sobreposi\u00e7\u00e3o com um embargo estadual de 2023 em nome de Maria Cec\u00edlia Prata de Carli, vi\u00fava de Euclides de Carli, acusado de ser um dos maiores<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/09\/empresario-euclides-de-carli-acusado-mortes-roubo-terras-nordeste\/\"> grileiros de terras<\/a> do Piau\u00ed.\u00a0 <\/p>\n<p>O embargo impede o uso comercial de 276 hectares ao norte da fazenda em raz\u00e3o de um corte raso de vegeta\u00e7\u00e3o nativa sem autoriza\u00e7\u00e3o. Segundo a Insolo, \u201ca Fazenda Fortaleza n\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o em sua cadeia dominial com a autuada\u201d. <\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"620\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/growth-investments-hmc.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/growth-investments-hmc.jpg 940w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/growth-investments-hmc-300x198.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/growth-investments-hmc-768x507.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 940px) 100vw, 940px\"><figcaption><em>P\u00e1gina online apresenta crescimento de valores investidos na Harvard Management Company; fundo financiou neg\u00f3cios com terras em conflito fundi\u00e1rio no Piau\u00ed. Fonte: HMC<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Logo ap\u00f3s comprar a Insolo e, junto no \u201cpacote\u201d, a Ip\u00ea Agroindustrial Ltda, o grupo acessou o programa de cr\u00e9dito rural BNDES Finame, que financiou a compra de equipamentos e m\u00e1quinas agr\u00edcolas para a fazenda. O banco p\u00fablico financiou R$ 58 milh\u00f5es das opera\u00e7\u00f5es da empresa na Ip\u00ea. <\/p>\n<p>Em nota, a empresa negou a exist\u00eancia do empr\u00e9stimo, mas a opera\u00e7\u00e3o foi confirmada pelo BNDES via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O vencimento do contrato foi em abril de 2023. Alguns meses depois, entre julho e setembro daquele ano, a fazenda teve 3,6 hectares desmatados em \u00e1rea cr\u00edtica para a biodiversidade do Cerrado, segundo <a href=\"https:\/\/aidenvironment.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LIFE_RDM_Report_17_October_2023_UPDATED.pdf#page=13\">dados<\/a> da Aid Environment, uma organiza\u00e7\u00e3o que faz an\u00e1lises georreferenciadas visando a prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais. <\/p>\n<p>O Joio tamb\u00e9m identificou, usando dados do Mapbiomas Alerta e do Cadastro Ambiental Rural, que 41 hectares desmatados na fazenda Ip\u00ea avan\u00e7aram sobre a Reserva Legal. Segundo a Insolo, \u201cnunca foi realizado (sic) pela companhia qualquer supress\u00e3o em \u00e1rea de reserva legal\u201d.\u00a0 <\/p>\n<p>A propriedade teve autoriza\u00e7\u00e3o de desmatamento emitida em 2022 pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Semarh-PI) em 100% da sua \u00e1rea, que \u00e9 de 47,9 mil hectares. O desmatamento ocorreu no mesmo ano em que Faria comprou o Grupo Insolo. <\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"839\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ipe__dez2017-2020-1024x839-1.gif\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ipe__dez2017-2020-1024x839-1.gif 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ipe__dez2017-2020-300x246.gif 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ipe__dez2017-2020-768x629.gif 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Abertura de \u00e1reas agricult\u00e1veis na parte leste da fazenda Ip\u00ea entre dezembro de 2017 e dezembro de 2020. Fonte: Sicar e Google Earth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Faria e as rela\u00e7\u00f5es de poder<\/strong> <\/p>\n<p>J\u00e1 que as legisla\u00e7\u00f5es corporativas estadunidense e brasileira n\u00e3o exigem transpar\u00eancia de compra e venda de ativos de fundos patrimoniais e empresas de capital fechado \u2014 caso dos fundos de Harvard e da empresa Insolo, respectivamente \u2014, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se Harvard desinvestiu totalmente da Insolo.\u00a0 <\/p>\n<p>A universidade pode, por exemplo, ter criado outra subsidi\u00e1ria e continuar a aplicar somas na empresa brasileira, explica F\u00e1bio Pitta, coordenador de Projetos Sociais da Rede Social de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, uma organiza\u00e7\u00e3o que acompanha casos de grilagem e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e territoriais. <\/p>\n<p>\u201cA gente sabe que a Insolo foi vendida porque o Ricardo Faria comprou, ele assumiu, divulgou e tudo mais. Mas n\u00e3o porque a gente tenha tido informa\u00e7\u00f5es vindas de Harvard do que aconteceu com as terras\u201d, afirma Pitta. <\/p>\n<p>A domina\u00e7\u00e3o de grupos empresariais sobre a regi\u00e3o se acumula ao longo do tempo e \u00e9 repassada de m\u00e3o em m\u00e3o entre pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, de dentro ou de fora do pa\u00eds, o que dissipa a responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos danos causados. Os preju\u00edzos ficam com as fam\u00edlias que resistem \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de suas terras coletivas. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Harvard deveria ser responsabilizada por todo esse processo. Porque ela chega, implementa a fazenda, desmata, expulsa as pessoas e depois ela passa adiante, pega o dinheiro, enfia no bolso e fala \u2018n\u00e3o, n\u00e3o temos mais nenhum neg\u00f3cio l\u00e1\u2019\u201d<\/em>, argumenta Pitta, da Rede Social.\u00a0 <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O Joio entrou em contato com a Phemus Corp e a Harvard Management Company, que n\u00e3o responderam ao contato. <\/p>\n<p>Com ou sem aportes financeiros internacionais na Insolo Terrus, a empresa comp\u00f5e o conglomerado corporativo de Ricardo Faria. Ele tamb\u00e9m controla a <a href=\"https:\/\/aidenvironment.org\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LIFE_RDM_Report_17_October_2023_UPDATED.pdf#page=13\">Global Eggs<\/a>, al\u00e9m de outras empresas no setor t\u00eaxtil, de compra e venda de im\u00f3veis, sociedades de participa\u00e7\u00e3o, entre outros. <\/p>\n<p>Nos anos 2020, \u00e9 como se Faria desfrutasse da pol\u00edtica dos \u201ccampe\u00f5es nacionais\u201d fora do seu tempo. A pol\u00edtica foi uma estrat\u00e9gia dos primeiros governos Lula de oferecer cr\u00e9dito via BNDES a juros baixos, abrindo portas para que empres\u00e1rios escolhidos expandissem agressivamente suas empresas. <\/p>\n<p>Faria teve acesso a empr\u00e9stimos via BNDES a juros de 2,54% ao ano, como \u00e9 o caso dos financiamentos feitos para a Insolo Terrus entre 2022 e 2023. <a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/colunas\/tacio-lorran\/rei-do-ovo-bndes-bolsa\">Outras empresas<\/a> dele tamb\u00e9m se beneficiaram de juros baixos. <\/p>\n<p>Em 2026, um trabalhador que precise financiar uma casa pelo <a href=\"https:\/\/www.caixa.gov.br\/voce\/habitacao\/minha-casa-minha-vida\/classe-media\/Paginas\/default.aspx\">sistema habitacional<\/a> da Caixa Econ\u00f4mica Federal ser\u00e1 submetido a juros m\u00ednimos de 10% ao ano. O mesmo indiv\u00edduo contrataria um <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/estatisticas\/reporttxjuros?codigoSegmento=1&amp;codigoModalidade=220101&amp;historicotaxajurosdiario_atual_page=1&amp;tipoModalidade=D&amp;InicioPeriodo=2026-01-02\">empr\u00e9stimo consignado<\/a> acima de 19% ao ano.\u00a0 <\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, o empres\u00e1rio doou R$ 1,6 milh\u00e3o para partidos como PP, PL, Novo, Republicanos, MDB e PSD. Desse valor, 9% favoreceu a campanha mal sucedida para presidente de Jair Bolsonaro. O perfil das candidaturas financiadas pelo empres\u00e1rio refletem e expressam alinhamento \u00e0 desregulamenta\u00e7\u00e3o e enfraquecimento da prote\u00e7\u00e3o ambiental, a exemplo do Marco Temporal e do Licenciamento, este \u00faltimo conhecido como PL da Devasta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Naquele ano, quando ainda presidente, Bolsonaro foi pessoalmente at\u00e9 a fazenda Ip\u00ea, na companhia de Ricardo Faria, inaugurar o \u201cprimeiro sinal de 5G rural do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p><em>*Colaborou Marco Mantovani, de Santa Filomena e Baixa Grande do Ribeiro, Piau\u00ed.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/02\/05\/compro-arrendo-como-o-rei-do-ovo-encurrala-comunidades-tradicionais-no-piaui\/\">Compro, arrendo: como o \u201cRei do Ovo\u201d encurrala comunidades tradicionais no Piau\u00ed<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/desigualdade-salarial-se-mantem-com-mulheres-recebendo-20-menos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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