{"id":73943,"date":"2026-02-10T18:34:46","date_gmt":"2026-02-10T21:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/colapso-hidrico-global-culpados-tem-nome-e-cnpj\/"},"modified":"2026-02-10T18:34:46","modified_gmt":"2026-02-10T21:34:46","slug":"colapso-hidrico-global-culpados-tem-nome-e-cnpj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/colapso-hidrico-global-culpados-tem-nome-e-cnpj\/","title":{"rendered":"Colapso h\u00eddrico global: Culpados t\u00eam nome e CNPJ"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: Lisa Murray \/ UNEP<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Riccardo Petrella<\/strong>, no <em>Pressenza <\/em>| Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>A prop\u00f3sito do novo relat\u00f3rio da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas (20 de janeiro de 2026). \u201cGlobal Water Bankruptcy: Living Beyond Our Hydrological Means in the Post-Crisis Era\u201d (\u201cA Fal\u00eancia H\u00eddrica Global: Vivendo Al\u00e9m de Nossos Meios Hidrol\u00f3gicos na Era P\u00f3s-Crise\u201d). Perguntas.<\/p>\n<p><strong>1. Um relat\u00f3rio para uma nova agenda global da \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-5.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181013\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O relat\u00f3rio (72 p\u00e1ginas), elaborado pela Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas, afirma em v\u00e1rias ocasi\u00f5es: \u201cTermos como \u2018estresse h\u00eddrico\u2019 e \u2018crise da \u00e1gua\u2019 j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para descrever as novas realidades globais em mat\u00e9ria de \u00e1gua. Muitos rios, lagos, aqu\u00edferos, zonas \u00famidas e geleiras ultrapassaram o ponto de inflex\u00e3o e n\u00e3o podem mais retornar ao seu estado inicial. O termo \u2018crise tempor\u00e1ria\u2019 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 adequado em muitas regi\u00f5es.\u201d \u201cO ciclo global da \u00e1gua ultrapassou os limites planet\u00e1rios seguros. Assim como o clima, a biodiversidade e os sistemas terrestres, a \u00e1gua doce foi empurrada para fora de seu espa\u00e7o de funcionamento seguro.\u201d O relat\u00f3rio desta universidade (UNU) incorpora as an\u00e1lises do grupo de pesquisa internacional da Universidade de Estocolmo liderado por Johan Rockstr\u00f6m, sobre as nove fronteiras planet\u00e1rias que n\u00e3o devem ser ultrapassadas, uma das quais se refere especificamente \u00e0 \u00e1gua (1), bem como o sentido da mensagem de \u201cBankrupting Nature\u201d da obra publicada em 2012 pela editora Earthscan. No entanto, sete fronteiras, incluindo a relativa \u00e0 \u00e1gua, foram efetivamente superadas. O relat\u00f3rio da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas conclui que \u201co mundo est\u00e1 vivendo al\u00e9m de suas possibilidades hidrol\u00f3gicas\u2026\u201d e que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio passar de uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o de crises h\u00eddricas para uma de gest\u00e3o da fal\u00eancia do sistema h\u00eddrico humano e natural\u201d.<\/p>\n<p>Esta ideia est\u00e1 bem documentada por uma quantidade impressionante de dados, acompanhados por figuras e gr\u00e1ficos cativantes. Em cerca de trinta p\u00e1ginas.<\/p>\n<p><strong>2. As \u201cnovas normalidades\u201d e prioridades da nova agenda global da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio sustenta que a gest\u00e3o da fal\u00eancia h\u00eddrica implica a aceita\u00e7\u00e3o, por parte das popula\u00e7\u00f5es e seus dirigentes, das novas realidades da vida, denominadas \u201cas novas normalidades\u201d, tais como a irreversibilidade da redu\u00e7\u00e3o quantitativa e qualitativa do capital natural h\u00eddrico e de outros bens naturais essenciais para a vida.<\/p>\n<p>Da\u00ed as prioridades \u201cnacionais\u201d e internacionais propostas como eixos de inspira\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o da nova agenda global da \u00e1gua para gerir a fal\u00eancia h\u00eddrica, a saber:<\/p>\n<p>\u2013 Diagnosticar com honestidade o estresse, a crise e a fal\u00eancia.<\/p>\n<p>\u2013 Prevenir outros danos irrevers\u00edveis. Impor limites estritos \u00e0s atividades que degradam de forma permanente a \u00e1gua e o capital natural subjacente.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-5.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181013\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u2013 Reequilibrar os direitos, as reivindica\u00e7\u00f5es e as expectativas. Alinhar os direitos legais, as expectativas informais e as promessas de desenvolvimento com a capacidade de carga hidrol\u00f3gica degradada, garantindo ao mesmo tempo, de forma priorit\u00e1ria, as necessidades humanas b\u00e1sicas, os servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais e as fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>\u2013 Garantir transi\u00e7\u00f5es justas e proteger as pessoas vulner\u00e1veis. Projetar reformas da \u00e1gua e da terra para que agricultores, pecuaristas, povos ind\u00edgenas, comunidades rurais, mulheres, jovens e cidad\u00e3os de baixa renda n\u00e3o tenhar que arcar sozinhos com os custos do ajuste. Recorrer a compensa\u00e7\u00f5es, prote\u00e7\u00e3o social e diversifica\u00e7\u00e3o dos meios de subsist\u00eancia para apoiar as transi\u00e7\u00f5es para usos sustent\u00e1veis. Transformar os setores e modelos de desenvolvimento que consomem muita \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u2013 Ir al\u00e9m dos ganhos marginais de efici\u00eancia na agricultura, ind\u00fastria e cidades para avan\u00e7ar rumo a mudan\u00e7as nas op\u00e7\u00f5es de cultivos, nas zonas de irriga\u00e7\u00e3o, nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o, no com\u00e9rcio virtual de \u00e1gua, nos modelos de crescimento urbano e nas estrat\u00e9gias econ\u00f4micas regionais que dissociem a prosperidade do uso crescente de \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u2013 Combater as extra\u00e7\u00f5es ilegais e informais e a degrada\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua, e criar institui\u00e7\u00f5es para uma adapta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Estabelecer ou refor\u00e7ar as autoridades de bacia e os organismos reguladores dotados de mandatos e ferramentas, aplicar limites m\u00e1ximos, colocar em marcha ajustes.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, o reconhecimento realista e vinculante da fal\u00eancia h\u00eddrica mundial pode favorecer uma aplica\u00e7\u00e3o mais eficaz dos objetivos acordados em n\u00edvel internacional (em particular, o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel 6) no marco de uma estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o que v\u00e1 al\u00e9m das estrat\u00e9gias setoriais de mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, a \u00e1gua poder\u00e1 se converter em \u201cuma ponte para a paz, as a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e a seguran\u00e7a alimentar em um mundo cada vez mais fragmentado\u201d.<\/p>\n<p>Creio que o leitor ter\u00e1 interesse em ler o relat\u00f3rio para compreender bem, entre outras coisas, os motivos da minha decep\u00e7\u00e3o, que me levaram a moderar um pouco meu entusiasmo inicial. O fato \u00e9 que a constata\u00e7\u00e3o precisa da fal\u00eancia h\u00eddrica mundial perde sua validade devido ao grande sil\u00eancio que a cerca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise das causas, implica\u00e7\u00f5es, consequ\u00eancias e tamb\u00e9m das responsabilidades e dos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Este sil\u00eancio j\u00e1 n\u00e3o permite consider\u00e1-lo correto. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 fonte de invalida\u00e7\u00e3o e perda de credibilidade das an\u00e1lises e das prioridades da nova agenda global da \u00e1gua proposta na ONU.<\/p>\n<p><strong>3. O grande sil\u00eancio<\/strong><\/p>\n<p>O grande sil\u00eancio refere-se a m\u00faltiplos aspectos que s\u00e3o fundamentais para compreender a natureza da fal\u00eancia h\u00eddrica e seu posicionamento na fal\u00eancia global do governo da vida na Terra. O sil\u00eancio sobre as responsabilidades e os respons\u00e1veis deixa a fal\u00eancia sem m\u00e3es, sem pais, sem c\u00famplices, em um estado de impunidade geral.<\/p>\n<p>No entanto, nos \u00faltimos 70 anos, temos testemunhado grandes mudan\u00e7as no sistema econ\u00f4mico, social, pol\u00edtico e tecnocient\u00edfico que \u201cmudaram o mundo\u201d, em particular a pol\u00edtica da \u00e1gua e da vida, e que conduziram ao mundo fragmentado, violento e profundamente desigual de 2025.<\/p>\n<p>Nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 julgar e encontrar culpados, mas \u201cver\u201d as mudan\u00e7as cr\u00edticas do mundo, os desafios-chave e as solu\u00e7\u00f5es adequadas no interesse geral de todos os habitantes da Terra.<\/p>\n<p><em><strong>Sil\u00eancio 1. Sobre a desigualdade da fal\u00eancia h\u00eddrica<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio n\u00e3o diz que a fal\u00eancia seja desigual (e injusta). Devido ao seu poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e tecnocr\u00e1tico, uma parte da popula\u00e7\u00e3o mundial sofre apenas de forma marginal a escassez\/perda de \u00e1gua, assim como de outros bens essenciais para a vida como o solo, as florestas, a biodiversidade, o ar\u2026 Al\u00e9m disso, por ser composta pelos principais propriet\u00e1rios, produtores, consumidores e poluidores dos recursos naturais do planeta, esta parte p\u00f4de utilizar v\u00e1rios meios para fazer recair os principais efeitos negativos sobre os grupos sociais e os pa\u00edses mais vulner\u00e1veis e debilitados.<\/p>\n<p>Isso est\u00e1 bem documentado pela pegada h\u00eddrica e pela pegada ecol\u00f3gica, que medem, uma, a quantidade de \u00e1gua e a outra o conjunto do capital bi\u00f3tico renov\u00e1vel anual consumido pelas popula\u00e7\u00f5es de cada pa\u00eds, regi\u00e3o ou cidade para satisfazer suas necessidades e gerenciar seus res\u00edduos (2). A esse respeito, um indicador bastante revelador das desigualdades \u00e9 o \u201cDia da Sobrecarga da Terra\u201d (ou \u201cdia do sobregiro ecol\u00f3gico\u201d), ou seja, o dia do ano em que a popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds \u201cconsumiu\u201d todos os recursos naturais nacionais dispon\u00edveis no ano e come\u00e7a a utilizar o estoque de capital de recursos do planeta. (3)<\/p>\n<p><em><strong>Sil\u00eancio 2. Sobre a quest\u00e3o da propriedade e da apropria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A desigualdade n\u00e3o se deve a fatores naturais, mas a fatores econ\u00f4micos, institucionais e pol\u00edticos relacionados ao regime de propriedade dos recursos e sua gest\u00e3o (p\u00fablica, privada, mista). Observou-se que quanto mais o regime de propriedade e gest\u00e3o obedece a uma l\u00f3gica privada de rendimento financeiro e conquista de mercados, mais importantes e determinantes s\u00e3o os fen\u00f4menos de preda\u00e7\u00e3o (e devasta\u00e7\u00e3o) do capital bi\u00f3tico natural (\u00e1gua, solos, sementes, florestas, etc.). \u00c9 o caso do acaparamento de terras e \u00e1gua. (4) Por preda\u00e7\u00e3o entendo \u201co conjunto de atos que se traduzem no roubo e na devasta\u00e7\u00e3o violentos da vida (material e imaterial) da comunidade global de vida da Terra, incluindo todas as esp\u00e9cies vivas\u201d. (5) Assim, por exemplo, h\u00e1 preda\u00e7\u00e3o nos seguintes casos:<\/p>\n<p>\u2013 a morte prematura de dezenas de milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o disp\u00f5em de nenhuma cobertura sanit\u00e1ria b\u00e1sica (em 2024 eram mais de 4,5 bilh\u00f5es);<\/p>\n<p>\u2013 a destrui\u00e7\u00e3o da vida de vastos territ\u00f3rios devido \u00e0 sua desseca\u00e7\u00e3o como consequ\u00eancia do desmatamento massivo, da crescente escassez de \u00e1gua apta para a vida e da perda de biodiversidade;<\/p>\n<p>\u2013 o acaparamento da \u00e1gua pot\u00e1vel em detrimento das necessidades das popula\u00e7\u00f5es locais (para a sa\u00fade e as atividades econ\u00f4micas locais) ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de grandes complexos infraestruturais para abrigar os datacenters necess\u00e1rios \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 reindustrializa\u00e7\u00e3o da economia mundial mediante a intelig\u00eancia artificial. No entanto, o consumo de \u00e1gua para refrigerar a energia el\u00e9trica utilizada \u00e9 t\u00e3o elevado que, em muito pouco tempo, os datacenters esgotaram os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos locais. (6) O resultado? Em todas as partes, as comunidades locais se op\u00f5em \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de datacenters em seus territ\u00f3rios;<\/p>\n<p>\u2013 a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos rios, lagos, aqu\u00edferos, oceanos\u2026<\/p>\n<p>A preda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 presente em um regime estatal autorit\u00e1rio de propriedade p\u00fablica, mas est\u00e1 praticamente ausente em um Estado social com democracia parlamentar e descentraliza\u00e7\u00e3o local, como era o caso antigamente dos pa\u00edses escandinavos e como \u00e9 hoje o caso dos sistemas com economia cooperativa e comunit\u00e1ria (na Am\u00e9rica Latina, \u00cdndia, entre outros\u2026).<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 surpreendente que o relat\u00f3rio tampouco fa\u00e7a refer\u00eancia alguma \u00e0s quest\u00f5es de propriedade e regula\u00e7\u00f5es, quando seus autores sabem bem que h\u00e1 uns quarenta anos o mundo dos neg\u00f3cios, das finan\u00e7as e da tecnoci\u00eancia conseguiu impor uma grande onda estrutural a favor dos processos de liberaliza\u00e7\u00e3o e desregula\u00e7\u00e3o dos mercados, a privatiza\u00e7\u00e3o e a financeiriza\u00e7\u00e3o especulativa da quase totalidade dos bens comuns p\u00fablicos naturais, que o relat\u00f3rio prefere chamar de \u201ccapitais naturais\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Sil\u00eancio 3. Sobre a redu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de todo o mundo natural a \u201ccapitais naturais\u201d e, portanto, a \u201cativos financeiros\u201d, no marco da financeiriza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da natureza e da vida<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o no ano 2000 do primeiro fundo de investimento privado especializado em \u00e1gua pelo banco privado su\u00ed\u00e7o Pictet, que rapidamente se estendeu por todo o mundo, a \u00e1gua tem se convertido cada vez mais em um \u00e2mbito privilegiado para investimentos acion\u00e1rios de alta rentabilidade. A tal ponto que os fundos de investimento denominados \u201cazuis\u201d seguem estando em 2025 entre os investimentos com um rendimento superior \u00e0 m\u00e9dia mundial. (7)<\/p>\n<p>Segundo os princ\u00edpios da economia de mercado, quanto mais escasso se torna o capital natural da \u00e1gua, mais aumenta seu valor como ativo financeiro\u2026 mesmo que a falta de \u00e1gua provoque enormes problemas para a sustentabilidade da vida global na Terra. E o dinheiro segue indo aonde se cria dinheiro: a financeiriza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e da natureza deu passos de gigante nos \u00faltimos 20 anos (8) at\u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o, em dezembro de 2022, de todos os elementos do mundo natural como \u201cativos financeiros\u201d, mediante a resolu\u00e7\u00e3o final da COP15-Biodiversidade da ONU em Montreal. (9)<\/p>\n<p>O conceito de \u201ccapital natural\u201d aplicado ao mundo natural e recolhido no relat\u00f3rio sem mais explica\u00e7\u00e3o nem coment\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 casual. Reflete a vontade dos grupos sociais dominantes de considerar os elementos do mundo natural n\u00e3o apenas como mercadorias e bens econ\u00f4micos privados, mas, cada vez mais, como \u201cativos financeiros\u201d, ou seja, uma categoria particular da economia capitalista de mercado.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da natureza a \u201cativos financeiros\u201d constitui um aut\u00eantico roubo da natureza, uma mistifica\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do valor da vida. Assim, a COP15-Biodiversidade aprovou \u2014 com o fim de promover a conserva\u00e7\u00e3o e a restaura\u00e7\u00e3o do capital natural do planeta de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU para 2030 \u2014 confiar sua gest\u00e3o a uma nova categoria de empresas, as Natural Capital Corporations (NCC), segundo a f\u00f3rmula 30+30. Ou seja, confiar \u00e0s NCC 30% do capital natural do planeta, do qual 30% se encontram entre os mais danificados, para que alcancem os Objetivos de 2030. (10) Joe Biden, ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, declarou-se a favor da realiza\u00e7\u00e3o do projeto confiando 30% do mundo natural de seu pa\u00eds. Por sua vez, a presidente da Comiss\u00e3o Europeia, em uma declara\u00e7\u00e3o oficial triunfalista publicada no dia seguinte aos resultados da COP15, felicitou-se pelo sucesso da COP e pela import\u00e2ncia de suas propostas.<\/p>\n<p>Cabe perguntar-se a que jogo jogam os atores citados, sabendo eles mesmos que a ONU teria confirmado, uns meses mais tarde, por ocasi\u00e3o da confer\u00eancia da ONU sobre a \u00e1gua de 2023 (avalia\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria da 3\u00aa D\u00e9cada Internacional da \u00c1gua e da Agenda 2015-2030 da ONU), que nenhum dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel ser\u00e1 alcan\u00e7ado em 2030. Para alcan\u00e7\u00e1-lo, por exemplo no que concerne ao Objetivo 6 sobre a \u00e1gua, teria sido necess\u00e1rio mobilizar de maneira coerente e eficaz seis vezes mais recursos que os utilizados na metade dos per\u00edodos selecionados. Algo irrealiz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para concluir este sil\u00eancio 3, cabe assinalar que a proposta aprovada pela COP15 de Montreal \u00e9 uma c\u00f3pia exata da proposta apresentada \u00e0 COP pela Natural Capital Coalition (NCC). A Coaliz\u00e3o re\u00fane mais de 400 empresas do mundo dos neg\u00f3cios e das finan\u00e7as, em particular dos EUA, Reino Unido, UE, etc. (11).<\/p>\n<p>Este tipo de coaliz\u00f5es internacionais no mundo dos neg\u00f3cios e das finan\u00e7as tem se multiplicado desde o ano 2000 em v\u00e1rios \u00e2mbitos estrat\u00e9gicos da pol\u00edtica da vida, ap\u00f3s a assinatura em 2000 do Pacto Global (Global Compact) entre a Secretaria da ONU e as grandes empresas multinacionais privadas. Gra\u00e7as a este Pacto, as empresas obtiveram o direito de participar plenamente em todas as atividades da ONU. Como resultado, a influ\u00eancia ideol\u00f3gica e pol\u00edtica das grandes empresas na orienta\u00e7\u00e3o do sistema da ONU tem se tornado muito evidente, especialmente no \u00e2mbito da \u00e1gua e de outros bens p\u00fablicos comuns mundiais. Um estudo da Oxfam Internacional publicado em setembro de 2024 documentou bem o controle pol\u00edtico e das grandes oligarquias econ\u00f4mico-financeiras-tecnocr\u00e1ticas sobre o sistema da ONU. (12)<\/p>\n<p>Em 2007, o Pacto Global p\u00f4s em marcha a Iniciativa CEO Water Mandate, mediante a qual a ONU encarregou os \u201cdiretores executivos\u201d das grandes empresas multinacionais, sob a coordena\u00e7\u00e3o do Pacific Institute da Calif\u00f3rnia, da tarefa de trabalhar em solu\u00e7\u00f5es para a pol\u00edtica global da \u00e1gua. Uns anos mais tarde, o CEO Water Mandate deu lugar \u00e0 Water Resilience Coalition (WRC), com objetivos para 2030 e 2050. Atualmente, a WRC \u00e9 dirigida por um grupo de empresas como Starbucks, MARS, Meta, Coca-Cola, Pepsico, Danone\u2026 (13)<\/p>\n<p>A abordagem que guia o Mandato da \u00c1gua do CEO e a WRC centra-se em projetos de a\u00e7\u00e3o comuns entre as pr\u00f3prias empresas, as empresas e os poderes p\u00fablicos. Formalmente \u201cconsagrado\u201d em 2023, p\u00f4s fim \u00e0 ideia mesma de definir um plano pol\u00edtico global da \u00e1gua, a n\u00edvel da ONU, como foi o caso, com certo sucesso, do Plano Mundial de Alimenta\u00e7\u00e3o. Limitou o \u00e2mbito de interven\u00e7\u00e3o da ONU ao registro e apoio de projetos de a\u00e7\u00e3o firmados diretamente entre as partes interessadas sobre uma base volunt\u00e1ria (modelo de a\u00e7\u00f5es globais comuns sob medida, em fun\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios interesses).<\/p>\n<p>Isso explica a aus\u00eancia de toda refer\u00eancia precisa aos imperativos comuns para todos, relacionados com os direitos humanos universais \u00e0 vida \u2014 em particular \u00e0 \u00e1gua e os direitos da \u00e1gua \u00e0 vida \u2014, assim como \u00e0 luta pela erradica\u00e7\u00e3o da pobreza que afeta a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial. Hoje em dia h\u00e1 mais de 3,5 bilh\u00f5es de pessoas \u201cpobres\u201d cuja riqueza acumulada era em 2025 inferior \u00e0 dos 12 multimilion\u00e1rios mais ricos. (14)<\/p>\n<p><em><strong>Sil\u00eancio 4. Sobre o papel fundamental das patentes sobre os seres vivos com fins privados e lucrativos<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O deslizamento para este desvio ideol\u00f3gico e pol\u00edtico come\u00e7ou em 1980 com uma senten\u00e7a do Tribunal Supremo dos Estados Unidos. Este decidiu unilateralmente e contra outras grandes autoridades constitucionais e jur\u00eddicas do mundo, legalizar a patenteabilidade dos seres vivos com fins privados e lucrativos. (15) O \u00e2mbito coberto pela patenteabilidade no marco das normas de propriedade intelectual \u00e9 imenso: sementes e qualquer outro organismo modific\u00e1vel (caso dos OGM), a info-comunica\u00e7\u00e3o, os novos materiais, a rob\u00f3tica e a IA, a energia, a qu\u00edmica, a sa\u00fade\u2026 Os titulares das patentes n\u00e3o apenas \u201cpossuem\u201d a propriedade exclusiva dos conhecimentos patenteados durante um per\u00edodo limitado de 18 a 20-25 anos, mas tamb\u00e9m adquirem o poder de controlar o que na economia capitalista se denomina as cadeias de cria\u00e7\u00e3o de valor. A legaliza\u00e7\u00e3o da patenteabilidade dos seres vivos com fins privados e lucrativos reduziu o conhecimento (e a vida) a um \u201crecurso\/objeto\u201d \u201cprecioso\u201d que se pode explorar para assegurar o pr\u00f3prio poder e dom\u00ednio. O objetivo da ci\u00eancia e da tecnologia, sobretudo hoje em dia devido ao seu potencial, n\u00e3o \u00e9 a harmonia, o compartilhar, a paz, a fraternidade, o bem-estar coletivo, a justi\u00e7a, a beleza\u2026 mas o poder, o acaparamento, a rivalidade, a posse, a viol\u00eancia, a for\u00e7a, a conquista, a destrui\u00e7\u00e3o do outro (o rival\/inimigo\u2026).<\/p>\n<p>Da\u00ed o poder e a viol\u00eancia dos \u201csenhores das patentes\u201d da ind\u00fastria agroalimentar, a ind\u00fastria farmac\u00eautica, os OGM e as novas t\u00e9cnicas gen\u00f4micas, os algoritmos, os rob\u00f4s, os carros inteligentes, as GAFAM, os centros de dados\u2026<\/p>\n<p>Neste contexto, a \u00e1gua, a alimenta\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade se veem conectadas por interdepend\u00eancias fundamentais que t\u00eam dado lugar a grupos industriais e financeiros de alta tecnologia especialmente poderosos no que concerne ao governo da vida dos seres humanos e da Terra.<\/p>\n<p>Pensemos no poder dos grandes grupos energ\u00e9ticos f\u00f3sseis e qu\u00edmicos em mat\u00e9ria de produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e uso de produtos altamente t\u00f3xicos. O envenenamento da \u00e1gua, do ar, dos solos e dos oceanos pela contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica \u00e9 tido como inevit\u00e1vel e irrepar\u00e1vel!<\/p>\n<p>Ultimamente, o mundo dos poderosos tem abandonado claramente os objetivos de \u201czero emiss\u00f5es\u201d, \u201czero pesticidas\u201d, \u201czero PFAS\u201d, \u201cn\u00e3o aos pl\u00e1sticos\u201d, \u201cpor um mundo livre de grandes barragens\u201d, \u201cn\u00e3o \u00e0s megabalsas\u201d, \u201cn\u00e3o ao Rearmamento da Europa\u201d, \u201ca paz, primeiro\u2026\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Sil\u00eancio 5. Sobre a crescente subjuga\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas dos Estados e, frequentemente, das organiza\u00e7\u00f5es internacionais intergovernamentais, aos ditames e interesses dos grupos econ\u00f4micos e financeiros mais predadores. Tr\u00eas exemplos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a senten\u00e7a do Tribunal Supremo dos Estados Unidos j\u00e1 mencionada. Esta senten\u00e7a consagrou a legitimidade da submiss\u00e3o das autoridades p\u00fablicas aos interesses dos grupos olig\u00e1rquicos dominantes nos \u00e2mbitos da economia e da tecnologia, mas tamb\u00e9m no campo da imagina\u00e7\u00e3o e das narrativas. O Tribunal explicou os motivos de sua decis\u00e3o. Segundo o Tribunal, os consider\u00e1veis avan\u00e7os realizados nos anos 50 e 60 nos \u00e2mbitos da energia, biotecnologia, rob\u00f3tica, inform\u00e1tica e novos materiais eram suscet\u00edveis de provocar profundas mudan\u00e7as na economia, precisamente onde a supremacia mundial dos Estados Unidos em mat\u00e9ria de tecnologia e narrativas era forte. Portanto, o Tribunal reconhece que, em defesa dos interesses dos Estados Unidos, considerou seu dever introduzir as patentes como instrumento de consolida\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o dominante dos Estados Unidos (16). Uma confiss\u00e3o extraordin\u00e1ria. A submiss\u00e3o do \u201cprogresso\u201d cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico ao servi\u00e7o da supremacia mundial de um pa\u00eds dominante constitui um dos principais exemplos de apropria\u00e7\u00e3o indevida pirata do conhecimento \u2014 bem comum p\u00fablico mundial \u2014 e de seu sujeitamento legalizado aos interesses de poder e enriquecimento do mais forte.<\/p>\n<p>Segundo exemplo. O car\u00e1ter pirata e dominante das patentes tem se visto confirmado durante a crise da covid e o conflito provocado pela recusa dos Estados Unidos e outros pa\u00edses ocidentais em aceitar uma suspens\u00e3o provis\u00f3ria da aplica\u00e7\u00e3o das patentes estabelecida no marco da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (criada em 1994) no marco do Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Com\u00e9rcio (ADPIC). O objetivo da suspens\u00e3o provis\u00f3ria, solicitada e apoiada por pa\u00edses como \u00c1frica do Sul, Brasil, Indon\u00e9sia, \u00cdndia, China e R\u00fassia, era permitir aos pa\u00edses do Sul dispor tamb\u00e9m, em fun\u00e7\u00e3o de suas necessidades, das vacinas do Norte em conceito de coopera\u00e7\u00e3o\/solidariedade ou fabricar eles mesmos as vacinas. A suspens\u00e3o est\u00e1 inclusive prevista no tratado da OMC!<\/p>\n<p>Pois bem, n\u00e3o se p\u00f4de fazer nada. A defesa do direito \u00e0s patentes e o respeito das normas comerciais, de \u201csuas normas\u201d, intoc\u00e1veis para os dominantes, prevaleceram sobre os direitos humanos dos cidad\u00e3os considerados de terceira classe. As popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis do Sul tiveram que esperar que as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses do Norte fossem atendidas primeiro com excedentes. (17)<\/p>\n<p>O terceiro exemplo refere-se \u00e0 UE, em particular ao seu alinhamento em mat\u00e9ria de resili\u00eancia e seguran\u00e7a europeias no \u00e2mbito chave da \u00e1gua para a vida, \u00e0s op\u00e7\u00f5es defendidas pelo mundo industrial e financeiro da UE, em particular no que concerne \u00e0 luta contra a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do planeta.<\/p>\n<p>Segundo o importante documento pol\u00edtico da Comiss\u00e3o Europeia aprovado no in\u00edcio de 2025, a estrat\u00e9gia europeia de resili\u00eancia no \u00e2mbito da \u00e1gua (18), a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do planeta representa, depois das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, o problema mais cr\u00edtico relacionado com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A luta contra a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica faz parte das cinco prioridades de a\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia. Embora assinale a necessidade de reduzir\/eliminar a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, em particular os pesticidas e os \u201ccontaminantes eternos\u201d (PFAS, TFA\u2026), a Comiss\u00e3o Europeia assinala que, n\u00e3o obstante, conv\u00e9m proceder gradualmente mediante uma regula\u00e7\u00e3o menos estrita, a fim de dar tempo \u00e0 ind\u00fastria europeia para que leve a cabo o ajuste e a adapta\u00e7\u00e3o (a famosa \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d) sem traumas.<\/p>\n<p>A esse respeito, a comiss\u00e1ria europeia respons\u00e1vel pela resili\u00eancia e pelo setor da \u00e1gua afirmou que \u201cos PFAS est\u00e3o em todas as partes e s\u00e3o a base do crescimento e das s\u00f3lidas posi\u00e7\u00f5es adquiridas pela ind\u00fastria qu\u00edmica europeia nos mercados mundiais\u201d. Impor-lhe restri\u00e7\u00f5es e cargas administrativas se traduziria em uma perda de competitividade, ou inclusive em uma crise perigosa. \u201cA ind\u00fastria qu\u00edmica deve permanecer em nosso territ\u00f3rio\u201d. (19)<\/p>\n<p>Este retrocesso foi evidente ap\u00f3s a Declara\u00e7\u00e3o de Antu\u00e9rpia da ind\u00fastria qu\u00edmica europeia em fevereiro de 2024, firmada pelos representantes de 90 empresas qu\u00edmicas, encabe\u00e7adas pelo diretor geral da BASF, a maior empresa qu\u00edmica do mundo. (20) A Declara\u00e7\u00e3o foi um verdadeiro ataque contra o Pacto Verde Europeu, substitu\u00eddo pela proposta a favor de um Pacto Industrial Europeu, e isso na presen\u00e7a consensual da presidente da Comiss\u00e3o Europeia. A ind\u00fastria tamb\u00e9m pediu \u201cum novo esp\u00edrito normativo\u201d, ou seja, \u201cdeixar que os empres\u00e1rios busquem as melhores solu\u00e7\u00f5es. A legisla\u00e7\u00e3o deve criar as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para incit\u00e1-los a investir\u201d. Assim, em Antu\u00e9rpia, a ind\u00fastria qu\u00edmica pediu a aprova\u00e7\u00e3o de um regulamento europeu \u00d3mnibus, transversal, destinado a corrigir todas as normativas europeias em mat\u00e9ria de desenvolvimento sustent\u00e1vel, desde a entrada em fun\u00e7\u00f5es da nova Comiss\u00e3o. Pois bem, no final de fevereiro de 2025 e depois em dezembro de 2025, a Comiss\u00e3o Europeia conseguiu que o Conselho de Ministros e o Parlamento Europeu aprovassem duas das tr\u00eas \u00d3mnibus previstas na mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>As novas diretrizes reduzem consideravelmente o n\u00famero de empresas sujeitas \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de apresentar relat\u00f3rios sobre a sustentabilidade e a responsabilidade ecol\u00f3gica de suas a\u00e7\u00f5es. A obriga\u00e7\u00e3o s\u00f3 se aplica agora \u00e0s empresas com mais de 1.700 empregados, ou seja, apenas 8% das empresas da UE. Al\u00e9m disso, reduzem os \u00e2mbitos das regula\u00e7\u00f5es objeto da obriga\u00e7\u00e3o de informar e de respeitar o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Por \u00faltimo, ao eliminar a publicidade dos relat\u00f3rios, a UE enfraquece as garantias de transpar\u00eancia e fiabilidade dos dados. (21).<\/p>\n<p>O alinhamento \u00e9 claro, quase completo. Trata-se de um caso exemplar e expl\u00edcito da submiss\u00e3o dos poderes pol\u00edticos da UE aos ditames e interesses do mundo empresarial e financeiro. O desmantelamento em curso do Pacto Verde Europeu, junto com a afirma\u00e7\u00e3o do Rearmamento da Europa, constitui um duro golpe para a Europa, seu futuro, assim como para a seguran\u00e7a da vida na Terra e da comunidade internacional, em particular o destino da ONU.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o e proposta de nove objetivos para uma pol\u00edtica planet\u00e1ria da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Nem os direitos humanos \u00e0 \u00e1gua para a vida, nem a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza no mundo, nem a salvaguarda e o cuidado dos bens comuns p\u00fablicos mundiais essenciais para a vida de todos e, por conseguinte, nem a proscri\u00e7\u00e3o da guerra e da viol\u00eancia na vida cotidiana e nas rela\u00e7\u00f5es com os demais, s\u00e3o objetivos priorit\u00e1rios da pol\u00edtica da \u00e1gua (e da vida) no sistema atual dominante. Objetivamente, existem m\u00faltiplas formas de irreversibilidade dos processos em curso. H\u00e1 uma irreversibilidade que parece ser aceita sem problemas pelos dominantes: a de seu sistema econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Por isso, desde as solu\u00e7\u00f5es adotadas na Primeira C\u00fapula da Terra da ONU no Rio de Janeiro em 1992 para fazer frente aos desastres clim\u00e1ticos, ecol\u00f3gicos e sociais, s\u00f3 t\u00eam sido consideradas realistas e eficazes duas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o: a estrat\u00e9gia de mitiga\u00e7\u00e3o e a estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o. A da adapta\u00e7\u00e3o, em particular, segue se propondo como a solu\u00e7\u00e3o-chave, tamb\u00e9m no relat\u00f3rio da UNU. Uma terceira estrat\u00e9gia, a da mudan\u00e7a sist\u00eamica, \u00e9 descartada categoricamente, condenada como \u201cquerer a lua\u201d. Pois bem, eles se equivocam. N\u00e3o h\u00e1 futuro prisioneiro de uma \u00fanica via.<\/p>\n<p><strong>A nova pol\u00edtica planet\u00e1ria da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Objetivo 1. Reconstruir os fundamentos da seguran\u00e7a da vida na Terra, come\u00e7ando pela elimina\u00e7\u00e3o total das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Objetivo 2. P\u00f4r fim ao envenenamento qu\u00edmico da \u00e1gua, do solo e do ar.<\/p>\n<p>Objetivo 3. Abolir as patentes sobre os seres vivos e a IA com fins privados e lucrativos. O conhecimento deve voltar a ser um bem comum p\u00fablico mundial.<\/p>\n<p>Objetivo 4. Por uma Carta Planet\u00e1ria dos Bens Comuns P\u00fablicos Mundiais. A \u00e1gua, a sa\u00fade, o conhecimento, o ar, a alimenta\u00e7\u00e3o, a moradia, a energia solar, a seguran\u00e7a\u2026 s\u00e3o bens comuns p\u00fablicos mundiais.<\/p>\n<p>Objetivo 5. Por uma nova arquitetura financeira do mundo, \u201cO Fundo Comum Planet\u00e1rio\u201d. Libertar a \u00e1gua e todos os bens comuns essenciais para a vida, da financeiriza\u00e7\u00e3o e da tecnocratiza\u00e7\u00e3o conquistadoras.<\/p>\n<p>Objetivo 6. Cria\u00e7\u00e3o do Parlamento Planet\u00e1rio da \u00c1gua, express\u00e3o e lugar de exerc\u00edcio da soberania compartilhada dos habitantes da Terra.<\/p>\n<p>Objetivo 7. Detener a asfixia dos rios, lagos e zonas \u00famidas (\u201cart\u00e9rias da Terra\u201d) pelas grandes represas.<\/p>\n<p>Objetivo 8. Detener a \u201cpetroliza\u00e7\u00e3o\u201d da \u00e1gua em geral e a \u201ccocacoliza\u00e7\u00e3o\u201d da \u00e1gua mineral natural em particular. Fontes de preda\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Objetivo 9. Declarar ilegal a pobreza\/exclus\u00e3o. \u00c9 inaceit\u00e1vel que o poder aquisitivo seja a chave de acesso ao direito \u00e0 \u00e1gua e a outros direitos universais. A gratuidade dos direitos \u00e0 vida \u00e9 justi\u00e7a entre iguais.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1)<\/strong> Ver Rockstr\u00f6m, J., Steffen, W., Noone, K., Persson, \u00c5. et al. 2009. <em>Planetary boundaries: exploring the safe operating space for humanity<\/em>. Ecology and Society 14(2): 32. Ver tamb\u00e9m seu terceiro relat\u00f3rio, <em>The 2023 update to the Planetary Boundaries<\/em>, stokholmresilience.org\/research\/planetary-<\/p>\n<p><strong>(2)<\/strong> Os conceitos de pegada ecol\u00f3gica, pegada h\u00eddrica e \u201cDia da Sobrecarga da Terra\u201d foram elaborados por uma organiza\u00e7\u00e3o estadunidense, a Global Ecological Footprint Network. Os dados produzidos anualmente desde 2003 sobre esse tema est\u00e3o dispon\u00edveis em seu site: &lt;https:\/\/www.footprintnetwork.org\/&gt;.<\/p>\n<p><strong>(3)<\/strong> Quanto ao \u201cDia da Sobrecarga da Terra\u201d, em 2025 ocorreu, em n\u00edvel mundial, em 24 de julho. No n\u00edvel dos pa\u00edses, entre outros: EUA, em 13 de mar\u00e7o; Dinamarca, em 15 de mar\u00e7o; Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia, em 26 de mar\u00e7o; B\u00e9lgica, em 27 de mar\u00e7o; Fran\u00e7a, em 19 de abril; Israel, em 29 de abril; Alemanha, em 3 de maio; Reino Unido, em 26 de maio\u2026 Todos eles est\u00e3o entre os 64 pa\u00edses cujo dia de sobreconsumo ocorre antes de 24 de julho. Fonte: <em>National Footprint and Biocapacity Accounts<\/em>, edi\u00e7\u00e3o preliminar de 2025, Universidade de York, FoDaFo, Global Footprint Network, data.footprintnetwork.org<\/p>\n<p><strong>(4)<\/strong> Pensemos no que faria o atual presidente dos Estados Unidos se pudesse anexar a Groenl\u00e2ndia.<\/p>\n<p><strong>(5)<\/strong> Trata-se da defini\u00e7\u00e3o que se encontra em meu livro <em>Les futurs de l\u2019eau<\/em> (<em>O futuro da \u00e1gua<\/em>), primeira parte, que ser\u00e1 publicado em breve pelas Edi\u00e7\u00f5es Couleur Livres, B\u00e9lgica.<\/p>\n<p><strong>(6)<\/strong> &lt;https:\/\/blog.veoliawatertechnologies.fr\/data-centers-et-eau-ce-qui-l-faut-savoir&gt;<\/p>\n<p><strong>(7)<\/strong> Eis duas fontes importantes: a primeira do ano 2000 e a segunda de 2025. Ambas devem ser consideradas com certa cautela.<\/p>\n<p>&lt;https:\/\/www.letemps.ch\/economie\/leau-centre-dun-fonds-lance-premiere-mondiale-pictet?srsltid=AfmBOoox-vn6MKO4-208b4qeN_2UnSBzG30Yiil_AJdVT14R7k5ofeQH19&gt;<\/p>\n<p>e<\/p>\n<p>&lt;https:\/\/www.allnews.ch\/content\/produits\/pictet-am-25-ans-d%E2%80%99investissement-dans-le-secteur-de-l%E2%80%99eau&gt;<\/p>\n<p><strong>(8)<\/strong> &lt;https:\/\/agora-humanite.org\/it\/dossier-manifestations-liberons-leau-de-la-bourse\/&gt;<\/p>\n<p>reporterre.net\/L-eau-bien-commun-approprie-par-la-finance, 2021<\/p>\n<p>e<\/p>\n<p>Riccardo Petrella, sans-transition-magazine.info\/economie\/tribune-la-financiarisation-de-leau-et-de-la-nature, 07.07.2022<\/p>\n<p><strong>(9)<\/strong> Riccardo Petrella, <em>A COP15-Biodiversidade e a financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza<\/em>, Pressenza, 17.02.2023,<\/p>\n<p>&lt;https:\/\/www.pressenza.com\/fr\/2023\/02\/cop15-biodiversite-et-financiarisation-de-la-nature\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(10)<\/strong> Ibidem.<\/p>\n<p><strong>(11)<\/strong> Sobre todas as quest\u00f5es relacionadas ao \u201cPacto Global das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d, ao \u201cMandato da \u00c1gua dos CEOs\u201d, \u00e0 \u201cCoaliz\u00e3o do Capital Natural\u201d e \u00e0 \u201cCoaliz\u00e3o para a Resili\u00eancia da \u00c1gua\u201d, ver: &lt;https:\/\/ceowatermandate.org\/resilience\/what-is-the-wrc\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(12)<\/strong> &lt;Oxfamfrance.org\/rapports\/rapport-sur-les-inegalites-2026-resister-au-regne-des-plus-riches\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(13)<\/strong> Ver nota 11.<\/p>\n<p><strong>(14)<\/strong> Ver nota 12.<\/p>\n<p><strong>(15)<\/strong> &lt;https:\/\/infogm.org\/les-themes\/les-droits-de-propriete-intellectuelle\/brevets-sur-le-vivant\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(16)<\/strong> Ver \u201csenten\u00e7a Diamond contra Chakrabarty\u201d, de junho de 1980.<\/p>\n<p><strong>(17)<\/strong> &lt;https:\/\/agora-humanite.org\/g2o-the-rome-declaration-on-health\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(18)<\/strong> &lt;https:\/\/commission.europa.eu\/topics\/environment\/water-resilience-strategy_fr&gt;<\/p>\n<p><strong>(19)<\/strong> &lt;https:\/\/www.pressenza.com\/fr\/2025\/06\/lalignement-la-nouvelle-strategie-europeenne-de-la-resilience-dans-le-domaine-de-leau\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(20)<\/strong> &lt;https:\/\/www.pressenza.com\/fr\/2024\/02\/lattaque-de-lindustrie-chimique-europeenne-au-plan-vert-de-lunion-europeenne-a-propos-de-la-declaration-danvers-20-fevrier-2024\/&gt;<\/p>\n<p><strong>(21)<\/strong> &lt;https:\/\/belgium.representation.ec.europa.eu\/actualites-et-evenements\/actualites\/omnibus-environnement-une-legislation-environnementale-simplifiee-pour-accelerer-la-croissance-verte-2025-12-10_fr&gt;<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Colapso h\u00eddrico global: Culpados t\u00eam nome e CNPJ appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/defesa-civil-disponibiliza-a-populacao-imagens-de-radar-meteorologico-instalado-em-porto-alegre\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Defesa Civil disponibiliza \u00e0 popula\u00e7\u00e3o imagens de ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/e-hora-de-construir-uma-democracia-onde-o-povo-governa-afirma-maduro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/psuv-maduro-eleicao-telegram-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018\u00c9 hora de construir uma democracia onde o povo go...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-cretina-campanha-do-globo-pelo-aumento-da-taxa-de-juros\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">A cretina campanha do Globo pelo aumento da taxa d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/petistas-do-parana-voltam-as-urnas-neste-domingo-27\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Petistas do Paran\u00e1 voltam \u00e0s urnas neste domingo (...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio da ONU \u00e9 contundente: planeta j\u00e1 n\u00e3o vive crise, mas colapso h\u00eddrico. No entanto, documento silencia sobre os respons\u00e1veis: corpora\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias, Estados submissos e financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza. Nove propostas concretas podem enfrentar a captura<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/colapso-hidrico-global-culpados-tem-nome-cnpj\/\">Colapso h\u00eddrico global: Culpados t\u00eam nome e CNPJ<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73944,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[35511,2687,1337,7045,35512,35513],"tags":[],"class_list":["post-73943","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colapso-hidrico","category-crise-civilizatoria","category-crise-hidrica","category-direito-a-agua","category-politicas-socioambientais","category-relatorio-da-onu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73944"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}