{"id":73945,"date":"2026-02-10T19:28:27","date_gmt":"2026-02-10T22:28:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estrangular-cuba-ordena-trump\/"},"modified":"2026-02-10T19:28:27","modified_gmt":"2026-02-10T22:28:27","slug":"estrangular-cuba-ordena-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estrangular-cuba-ordena-trump\/","title":{"rendered":"Estrangular Cuba, ordena Trump"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1143\" height=\"708\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4927360334117407842_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4927360334117407842_y.jpg 1143w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/10192800\/photo_4927360334117407842_y-300x186.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/10192800\/photo_4927360334117407842_y-768x476.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1143px) 100vw, 1143px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Rob Lucas<\/strong>, na <em>New Left Review<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>Na minha \u00faltima visita a Havana, em mar\u00e7o de 2025, a cidade estava no meio do que era o pior apag\u00e3o em anos. \u00c0 medida em que o avi\u00e3o se aproximava, via o solo quase todo escuro \u2013 pontilhado apenas pela luz dos <em>microssistemas, <\/em>que funcionavam mesmo em momentos de falta de energia. Naquela noite de s\u00e1bado, os bares estavam quase todos fechados, exceto aqueles que podiam pagar seus pr\u00f3prios geradores. Por acaso, meu vizinho de bordo durante a travessia do Atl\u00e2ntico era um engenheiro falante, de uma delega\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia que propunha parques solares descentralizados e baterias que, segundo ele, poderiam resolver os problemas cr\u00f4nicos de falta de energia por tr\u00eas d\u00e9cadas. Mas o progresso era lento \u2013 uma demora de anos, em vez de uma solu\u00e7\u00e3o de curto prazo para a crise\u00a0 \u2013 e ele culpava a burocracia. A ilha se arrastava com o fornecimento de petr\u00f3leo venezuelano, cada vez mais limitado pelas san\u00e7\u00f5es dos EUA, enquanto recorria a outras fontes: M\u00e9xico, R\u00fassia, Arg\u00e9lia. Barca\u00e7as geradoras turcas, ancoradas em Havana, injetavam um pouco de energia extra na rede. Cuba sofre com apag\u00f5es desde 2024, quando as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo venezuelano ca\u00edram drasticamente, um problema agravado pelos geradores obsoletos, em grande parte da era sovi\u00e9tica. A eletricidade, j\u00e1 limitada, \u00e9 racionada por meio de desligamentos programados, enquanto os picos moment\u00e2neos de demanda s\u00e3o gerenciados por meio de cortes e apag\u00f5es parciais. Nenhuma regi\u00e3o escapa completamente \u2013 em alguns momentos, toda a rede el\u00e9trica entra em colapso \u2013, mas fora da capital a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pior.<\/p>\n<p><strong>Figura 1: Exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto e derivados para Cuba desde 2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Prancheta-4-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Prancheta-4-2.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<figure><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de relativo otimismo, com a abertura promovida por Barack Obama e o in\u00edcio de um programa de \u201creformas\u201d em Havana, a intensifica\u00e7\u00e3o do bloqueio sob Trump e Biden deixou o Estado cubano em sua situa\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil desde a revolu\u00e7\u00e3o. Tudo coincidiu com um contexto de desastres acumulados \u2013 a Covid-19, o colapso do turismo internacional, a alta da infla\u00e7\u00e3o global, a desordem macroecon\u00f4mica local, a escassez de bens b\u00e1sicos e a migra\u00e7\u00e3o juvenil em massa. Mesmo no \u201cPer\u00edodo Especial\u201d p\u00f3s-sovi\u00e9tico, quando tamb\u00e9m sofreu com problemas no fornecimento de energia e restri\u00e7\u00f5es no abastecimento de alimentos (que levaram a surtos de doen\u00e7as at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas), a ilha conseguiu sustentar uma popula\u00e7\u00e3o crescente. Agora, enfrenta um colapso demogr\u00e1fico . Em meio a uma s\u00e9rie de infort\u00fanios, em 2025, um ressurgimento internacional de doen\u00e7as transmitidas por mosquitos, como chikungunya e dengue, atingiu um pa\u00eds que j\u00e1 enfrentava escassez de medicamentos, enquanto o furac\u00e3o Melissa deixava um rastro de destrui\u00e7\u00e3o no leste do pa\u00eds. Nesse cen\u00e1rio, uma concentra\u00e7\u00e3o naval amea\u00e7adora dos EUA no Caribe \u2014 a maior na regi\u00e3o desde o fim da Guerra Fria \u2014\u00a0 executava sumariamente, com m\u00edsseis, na costa venezuelana, supostos \u201cnarcoterroristas\u201d. As alega\u00e7\u00f5es absurdas feitas pelo governo Trump sobre o \u201cCartel de los Soles\u201d, enquanto intensificava a press\u00e3o sobre Maduro, refor\u00e7aram a sensa\u00e7\u00e3o de que os verdadeiros objetivos n\u00e3o eram declarados. Seria Cuba o verdadeiro alvo?<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es estreitas entre os Estados venezuelano e cubano come\u00e7aram a se constituir logo no in\u00edcio do primeiro mandato de Ch\u00e1vez, com base em convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas compartilhadas e na amizade entre o presidente venezuelano e Fidel Castro \u2013 que, segundo me contaram, costumavam se telefonar regularmente de madrugada, para debater pol\u00edtica internacional e literatura. Em 2000, o <em>Convenio Integral de Cooperaci\u00f3n <\/em>entre os dois pa\u00edses estabeleceu acordos segundo os quais Cuba enviaria pessoal m\u00e9dico e t\u00e9cnico em troca de petr\u00f3leo. O tratamento por m\u00e9dicos cubanos tornou-se uma experi\u00eancia cotidiana na Venezuela. Uma tentativa de golpe militar em 2002, um referendo revogat\u00f3rio em 2004 e um referendo constitucional perdido em 2007 levaram Ch\u00e1vez a recorrer sucessivamente ao apoio cubano para refor\u00e7ar seu governo por meio de reestrutura\u00e7\u00f5es das for\u00e7as armadas e dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia. Essa \u00e9 a origem da presen\u00e7a de guarda-costas cubanos que seriam dizimados no sequestro de Maduro, em 3 de janeiro. Nas fantasias febris da direita de Miami, esses arranjos tornaram-se a base de uma tese segundo a qual o rabo abana o cachorro: a qual a ilha seria a verdadeira governante de um pa\u00eds muitas vezes maior em popula\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio e riqueza. A derrubada do <em>chavismo por Washington <\/em>poderia, portanto, ser implicitamente reinterpretada como um ato de liberta\u00e7\u00e3o nacional da domina\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de sua carreira pol\u00edtica, o secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Marco Rubio, tem exibido suas credenciais anticomunistas \u00e0 cena pol\u00edtica de Miami, apresentando seus pais como refugiados da Cuba de Castro \u2013 ainda que eles tenham se tornado residentes nos EUA tr\u00eas anos antes da revolu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 durante o primeiro mandato de Trump \u2013 um contexto receptivo a falc\u00f5es da Am\u00e9rica Latina \u2013 Rubio desempenhou papel na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas agressivas em rela\u00e7\u00e3o a Caracas e Havana. Era, portanto, esperado que sua nomea\u00e7\u00e3o resultasse em maior press\u00e3o sobre ambos pa\u00edses. Desde o per\u00edodo p\u00f3s-11 de setembro, com o objetivo de combater o financiamento da Al-Qaeda, os EUA haviam aprimorado suas ferramentas de guerra econ\u00f4mica, utilizando os departamentos do Tesouro e do Com\u00e9rcio para causar estragos \u00e0s economias dos pa\u00edses considerados oponentes \u2013 Coreia do Norte, Ir\u00e3, R\u00fassia, Venezuela \u2013 excluindo-os dos mercados financeiros globais, dos mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o de divisas, do sistema de pagamentos SWIFT ou simplesmente tornando muito arriscado para os bancos negociar com eles. Os resultados t\u00edpicos s\u00e3o infla\u00e7\u00e3o, desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e escassez. Essas armas tornaram-se a escolha preferida, em um per\u00edodo em que as interven\u00e7\u00f5es militares diretas perderam seu brilho, dado o desastre que resultou da invas\u00e3o do Iraque e a humilha\u00e7\u00e3o da derrota para o Talib\u00e3.<\/p>\n<p>O objetivo declarado das san\u00e7\u00f5es dos EUA contra Cuba desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 tem sido deslegitimar o governo, infligindo sofrimento econ\u00f4mico \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. O fato de a esperada revolta ainda n\u00e3o ter ocorrido dois ter\u00e7os de s\u00e9culo depois gerou pouca reflex\u00e3o estrat\u00e9gica. Aparentemente, esse arranjo persiste h\u00e1 tanto tempo que a vasta literatura recente sobre san\u00e7\u00f5es tem dificuldade em encontrar algo relevante a dizer sobre ele. A pol\u00edtica dos EUA contra Cuba tem sido t\u00e3o persistentemente punitiva desde a revolu\u00e7\u00e3o que parece razo\u00e1vel questionar se h\u00e1 algo mais que se possa fazer.<\/p>\n<p>No entanto, as san\u00e7\u00f5es contra Cuba mudaram durante a nova era da guerra econ\u00f4mica, come\u00e7ando com o direcionamento do foco ao setor de turismo, em 2003, e continuando com a reimposi\u00e7\u00e3o, pelos governos Trump e Biden, do T\u00edtulo III da Lei Helms-Burton, que visa deter o investimento estrangeiro por meio de amea\u00e7as legais. Com o interesse em \u201cpontos de estrangulamento\u201d geoecon\u00f4micos ganhando destaque na pol\u00edtica externa dos EUA \u2013 e uma \u201cvirada hemisf\u00e9rica\u201d no horizonte \u2013 a depend\u00eancia cubana do petr\u00f3leo venezuelano ofereceu um foco \u00f3bvio e a perspectiva de matar dois coelhos com uma cajadada s\u00f3. Embora Cuba tenha mantido um grau significativo de apoio internacional, o remanescente impopular do <em>chavismo oficial <\/em>\u2013 que reinava de forma antidemocr\u00e1tica sobre uma sociedade mergulhada na corrup\u00e7\u00e3o e em suas pr\u00f3prias crises econ\u00f4micas \u2013 era um alvo que poucos lamentariam internacionalmente, exceto Cuba.<\/p>\n<p>A partir de 2017, o primeiro governo Trump intensificou as san\u00e7\u00f5es contra a Venezuela. Mas, assim como no caso da R\u00fassia, a guerra econ\u00f4mica n\u00e3o se resumiu a um simples bloqueio tradicional \u2013 apesar do espet\u00e1culo de petroleiros apreendidos no mar. Os velhos la\u00e7os entre os setores petrol\u00edferos venezuelano e norte-americano persistiram, ainda que de forma reduzida, mesmo sob Ch\u00e1vez. Al\u00e9m disso, a petroleira norte-americana Chevron obteve uma autoriza\u00e7\u00e3o especial do Departamento do Tesouro para continuar operando na Venezuela apesar das san\u00e7\u00f5es \u2013 um acordo que s\u00f3 foi finalmente encerrado na primavera [n\u00f3rdica] de 2025. Devido a essas complica\u00e7\u00f5es, as medidas estadunidenses amea\u00e7aram ter um efeito contr\u00e1rio em alguns momentos: em um deslize c\u00f4mico , o Estado russo, por meio da Rosneft, quase herdou uma importante parte da infraestrutura petrol\u00edfera norte-americana com o naufr\u00e1gio da empresa venezuelana PDVSA, da qual a Rosneft detinha uma participa\u00e7\u00e3o significativa, o que levou os funcion\u00e1rios do Tesouro a se mobilizarem para impedir o neg\u00f3cio.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/14-1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/14-1-1.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31180114\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s uma pausa entre 2020 e 2022, as importa\u00e7\u00f5es norte-americanas de petr\u00f3leo bruto venezuelano foram retomadas em 2023 \u2013 bem antes da recente interven\u00e7\u00e3o militar \u2013 a um ritmo muito superior ao que a Venezuela exportava para Cuba (compare a Figura 2, abaixo, com a Figura 1, acima). Em vez de visar apenas a produ\u00e7\u00e3o, as san\u00e7\u00f5es foram aplicadas \u2013 tal como no caso da R\u00fassia \u2013 ao transporte mar\u00edtimo, criando uma distin\u00e7\u00e3o, que os pr\u00f3prios EUA fiscalizaram, entre petroleiros \u201cl\u00edcitos\u201d e \u201cil\u00edcitos\u201d. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas sobre em qual lado dessa linha se enquadravam os carregamentos para Cuba: parte da campanha de press\u00e3o naval sobre Maduro envolveu a apreens\u00e3o, em dezembro , de um carregamento com destino a Cuba, num ano em que os pr\u00f3prios EUA j\u00e1 haviam comprado uma quantidade muito maior de petr\u00f3leo bruto venezuelano. Os respons\u00e1veis pelas san\u00e7\u00f5es nos EUA geralmente n\u00e3o se preocupam muito com reflex\u00f5es sobre a coer\u00eancia dos discursos legalistas e morais que acompanham seus atos de guerra econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Figura 2: Importa\u00e7\u00f5es americanas de petr\u00f3leo bruto venezuelano desde 2017<\/strong><\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Em 2025, o M\u00e9xico substituiu a Venezuela como principal fornecedor de petr\u00f3leo para Cuba, provavelmente oferecendo algum petr\u00f3leo com desconto ou gratuitamente, embora em n\u00edveis bem abaixo dos que Caracas vinha enviando anteriormente. Agora, at\u00e9 isso est\u00e1 em d\u00favida, com o M\u00e9xico suspendendo os embarques \u2013 uma decis\u00e3o que Claudia Sheinbaum alegou ser \u201csoberana\u201d, embora a postura amea\u00e7adora dos EUA em rela\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico, num momento em que o acordo de livre com\u00e9rcio EUA-M\u00e9xico-Canad\u00e1 est\u00e1 em revis\u00e3o, seja um contexto relevante. No momento em que este artigo foi conclu\u00eddo, o governo Trump acabara de declarar que imporia tarifas a qualquer pa\u00eds fornecedor de petr\u00f3leo, com base no argumento patentemente rid\u00edculo de que Cuba teria tomado \u201cmedidas extraordin\u00e1rias que prejudicam e amea\u00e7am\u201d os EUA; e que \u201capoia o terrorismo e desestabiliza a regi\u00e3o por meio da migra\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O cerco est\u00e1 se apertando, mas Cuba possui algum suprimento interno de petr\u00f3leo bruto e capacidade de refino, o que representa uma parcela n\u00e3o desprez\u00edvel do seu consumo \u2013 41% em 2023 , mesmo antes do colapso do fornecimento venezuelano. Aparentemente, \u00e9 o bastante para sustentar as usinas termel\u00e9tricas obsoletas que formam a espinha dorsal da rede el\u00e9trica cubana. O pa\u00eds tamb\u00e9m possui g\u00e1s natural, que representou 12,6% da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e 23,6% da produ\u00e7\u00e3o interna de energia em 2023. Combinados, esses combust\u00edveis f\u00f3sseis, por si s\u00f3s, representam a maior parte da produ\u00e7\u00e3o de energia proveniente de fontes \u201csoberanas\u201d. Cuba pode, portanto, ter alguma capacidade de resistir at\u00e9 mesmo a um embargo total de combust\u00edveis. Mas isso ainda ser\u00e1 um desafio: n\u00e3o se deve subestimar o fato de que, no mesmo ano, a maior parte do suprimento de petr\u00f3leo de Cuba \u2013 que representa 84% do seu consumo total de energia \u2013 veio da Venezuela.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que as energias renov\u00e1veis podem vir a salvar a ilha? \u201cPor mais que desejem, n\u00e3o podem nos tirar o sol\u201d, disse um funcion\u00e1rio cubano com quem conversei em 2025. A China tem financiado projetos de energia solar em todo o pa\u00eds, e \u00e9 poss\u00edvel imaginar que a situa\u00e7\u00e3o possa se transformar relativamente r\u00e1pido. Em 2023, a gera\u00e7\u00e3o total de eletricidade foi de 54.304 MWh por dia, dos quais apenas 457,5 MWh, ou 0,8%, vieram da energia solar; mas a capacidade solar agora \u00e9 de 3.250 MWh por dia \u2013 um aumento de 610% em apenas alguns anos. Embora ainda represente uma pequena parte do necess\u00e1rio (cerca de 6%, em 2023), prev\u00ea-se que esse n\u00famero triplique, no m\u00ednimo, at\u00e9 2030, elevando a energia solar a cerca de 18% do total. A participa\u00e7\u00e3o combinada das energias renov\u00e1veis na matriz energ\u00e9tica j\u00e1 havia aumentado significativamente, atingindo 5,2% em 2021. Embora ainda n\u00e3o seja uma revolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, h\u00e1 ind\u00edcios de que uma transi\u00e7\u00e3o relativamente r\u00e1pida seja poss\u00edvel, com a energia solar preenchendo cada vez mais a lacuna deixada pelas fontes de energia n\u00e3o soberanas. \u00c9 poss\u00edvel que a atual crise energ\u00e9tica represente, portanto, um momento crucial nas rela\u00e7\u00f5es entre os EUA e Cuba, entre o fim da depend\u00eancia do petr\u00f3leo venezuelano e uma alternativa verde a essa subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 se o Estado cubano tem capacidade para resistir tempo suficiente para alcan\u00e7ar um novo patamar estrat\u00e9gico. Al\u00e9m da exig\u00eancia amplamente divulgada de Trump, em 11 de janeiro, de que Cuba \u201cfeche um acordo ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS\u201d, e apesar de manter o tom amea\u00e7ador de sempre, ele demonstrou certa ambival\u00eancia quanto \u00e0s perspectivas dos EUA nesse cen\u00e1rio \u2013 talvez influenciada por alguma avalia\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Acho que n\u00e3o h\u00e1 press\u00e3o maior, a n\u00e3o ser entrar l\u00e1 e destruir tudo. Veja bem, eles t\u00eam a Venezuela como sua ess\u00eancia, sua vida inteira. [\u2026] Acho que Cuba est\u00e1 por um fio. [\u2026] Veja, Cuba recebeu todo o seu dinheiro para proteger. Eles eram como um protetor. S\u00e3o pessoas fortes e resistentes. S\u00e3o \u00f3timas pessoas. Marco tem um pouco de sangue cubano. [\u2026] Acho que Cuba est\u00e1 realmente em apuros. Mas, sabe, as pessoas v\u00eam dizendo isso h\u00e1 muitos anos, para ser justo, sobre Cuba. Cuba est\u00e1 em apuros h\u00e1 25 anos. E sabe, eles ainda n\u00e3o afundaram completamente, mas acho que est\u00e3o bem perto disso por vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar de Cuba estar enfraquecida, vale a pena relembrar alguns detalhes sobre a ilha que podem lan\u00e7ar d\u00favidas sobre as perspectivas de uma vit\u00f3ria f\u00e1cil dos EUA.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que, em qualquer confronto militar direto, os EUA possuiriam uma capacidade destrutiva absolutamente esmagadora; poderiam facilmente \u201cdestruir tudo\u201d. Mas Washington tem um hist\u00f3rico ruim quando se trata de <em>vencer <\/em>at\u00e9 mesmo guerras de pequena escala \u2013 algo que pode estar relacionado \u00e0 sua depend\u00eancia da superioridade tecnol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, sua popula\u00e7\u00e3o geralmente se posiciona bem \u00e0 esquerda do lobby de Miami em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica para Cuba: uma clara maioria apoiou a abertura promovida por Obama e o fim das san\u00e7\u00f5es. Cuba, por sua vez, possui um arsenal pequeno e obsoleto \u2013 em sua maioria da era sovi\u00e9tica \u2013 com alguns refor\u00e7os russos mais recentes. Em n\u00edvel global, por\u00e9m, seus gastos militares s\u00e3o relativamente altos: 4,2% do PIB em 2020, segundo a \u00faltima estimativa publicada pela CIA (embora valha a pena notar que essa participa\u00e7\u00e3o no PIB pode ser parcialmente resultado da prioriza\u00e7\u00e3o dos gastos militares em um contexto de redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o total). De acordo com o relat\u00f3rio Global Firepower de 2025, seu or\u00e7amento de defesa era de US$ 4,5 bilh\u00f5es \u2013 o que o coloca na 54\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 145 pa\u00edses: um valor bastante substancial para um pa\u00eds pobre com menos de 10 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Cuba tem um hist\u00f3rico de se destacar em situa\u00e7\u00f5es desproporcionais ao seu tamanho. \u00c9 o \u00fanico pa\u00eds de seu porte com um hist\u00f3rico de campanhas militares bem-sucedidas no exterior \u2013 realizadas por iniciativa pr\u00f3pria e a convite dos movimentos de independ\u00eancia nacional em Angola, Guin\u00e9-Bissau e Mo\u00e7ambique \u2013 sem mencionar as surpreendentes conquistas de intelig\u00eancia contra os EUA. Cuba, \u00e9 claro, vem se preparando para uma invas\u00e3o estadunidense praticamente desde a revolu\u00e7\u00e3o. Suas for\u00e7as armadas contam com cerca de 50 mil membros ativos e est\u00e3o fortemente integradas ao regime civil do Partido Comunista, enquanto grande parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 nominalmente dispon\u00edvel para convoca\u00e7\u00e3o. Os militares gozam de alto n\u00edvel de legitimidade entre a popula\u00e7\u00e3o cubana, tendo escapado da repress\u00e3o interna, e controlam os setores mais lucrativos da economia \u2013 turismo, finan\u00e7as, constru\u00e7\u00e3o civil, imobili\u00e1rio etc. E, com exce\u00e7\u00e3o da base americana em Guant\u00e1namo, Cuba tem a vantagem insular de fronteiras naturalmente defens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Embora qualquer confronto seja uma guerra de Davi contra Golias, um confronto direto com tropas em solo cubano poderia ser custosa e impopular para os EUA \u2013 fatores frequentemente decisivos para a capacidade de vencer uma guerra. O apelo de Trump aos cubanos para que se juntem a Washington \u201cpor vontade pr\u00f3pria\u201d e \u201cfechem um acordo\u201d \u00e9 provavelmente, portanto, o caminho mais realista para uma vit\u00f3ria norte-americana. Se partes das for\u00e7as armadas, da burocracia ou do governo estariam dispostas a atender a tais apelos \u2013 como parece ter sido o caso na Venezuela \u2013 \u00e9 mais dif\u00edcil de avaliar; essas quest\u00f5es s\u00e3o opacas por natureza. O fato de as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias controlarem setores-chave da economia em um contexto de liberaliza\u00e7\u00e3o parcial e crise generalizada talvez traga consigo um risco de corrup\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia generalizada de fam\u00edlias divididas entre Cuba e Fl\u00f3rida, com a inevit\u00e1vel compara\u00e7\u00e3o de riqueza, pode fornecer um atrativo subjetivo para indiv\u00edduos em todo o Estado cubano e nas for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se deve subestimar a for\u00e7a do nacionalismo cubano. Seu Estado-na\u00e7\u00e3o \u00e9 algo praticamente <em>sui generis<\/em>: o produto tardio n\u00e3o de iniciativas crioulas da elite, como foi t\u00edpico nas Am\u00e9ricas, mas da transi\u00e7\u00e3o de uma luta convencional pela independ\u00eancia para uma guerra social pela liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, em um resqu\u00edcio tardio da economia atl\u00e2ntica de latif\u00fandio. Isso conferiu ao projeto cubano uma dimens\u00e3o social muito antes de Fidel Castro. Foi o que os EUA atacaram em 1898, quando invadiram o pa\u00eds sob o pretexto de apoiar a independ\u00eancia do povo cubano, para reivindicar as \u00faltimas col\u00f4nias espanholas e se apoderar de grande parte da economia local. Por essa raz\u00e3o, a primeira e a segunda \u201crep\u00fablicas\u201d de Cuba \u2013 para usar uma express\u00e3o do soci\u00f3logo Fernando Mart\u00ednez Heredia \u2013 mostraram-se inst\u00e1veis. Sob o dom\u00ednio dos EUA, elas lutaram para estabelecer acordos que pudessem resolver as persistentes demandas sociais. Embora as press\u00f5es geopol\u00edticas tenham impulsionado o pa\u00eds, no passado, em dire\u00e7\u00e3o ao status de protetorado dos EUA, suas for\u00e7as sociais impediram o desfecho. \u00c9 algo que j\u00e1 acontecia mesmo sob o governo de Fulgencio Batista \u2013 um momento simbolizado em <em>O Poderoso Chef\u00e3o II no ato em que <\/em>a m\u00e1fia corta um bolo representando a ilha.<\/p>\n<p>Tais tens\u00f5es s\u00f3 puderam ser resolvidas por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o. Ela construiu um tipo peculiar de Estado \u2013 internacionalista, social, popular \u2013 distinto daqueles t\u00edpicos de sua regi\u00e3o: socialmente divididos, mal podendo ser considerados \u201cnacionais\u201d, propensos a golpes de Estado, com uma pequena elite rica controlando grande parte da economia e tendendo a se alinhar com interesses extrativistas estrangeiros; assolados pelo crime e pela corrup\u00e7\u00e3o; apenas fugazmente democr\u00e1ticos, quando chega a s\u00ea-lo. Dessa configura\u00e7\u00e3o, Cuba saiu em grande medida por meio da revolu\u00e7\u00e3o, que \u2013 apesar de seus aspectos pesados, autorit\u00e1rios e burocr\u00e1ticos \u2013 manteve um aspecto democr\u00e1tico incomum e uma capacidade intermitente de participa\u00e7\u00e3o em massa, ao longo de d\u00e9cadas. A identidade cubana \u00e9 algo complexo, dada a sua dispers\u00e3o diasp\u00f3rica e a contradi\u00e7\u00e3o incorporada no Estreito da Fl\u00f3rida. Mas, na medida em que ainda se identifica com um territ\u00f3rio e com uma experi\u00eancia v\u00edvida de resist\u00eancia a seu vizinho do norte, pode facilmente assumir uma forma militante. A identifica\u00e7\u00e3o com a guerrilha <em>mambise<\/em>; a invoca\u00e7\u00e3o da carga de fac\u00e3o; os brados de \u201cp\u00e1tria ou morte\u201d \u2013 frequentemente proferidos nos mais altos escal\u00f5es do Estado \u2013 n\u00e3o est\u00e3o desligados de bases populares. E mesmo em meio a desencanto, ap\u00f3s anos de crise e o decl\u00ednio da gera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, amea\u00e7as externas poder\u00e3o reacender essas brasas.<\/p>\n<p>A famosa afirma\u00e7\u00e3o de Charles Tilly de que \u201ca guerra criou o Estado\u201d encontra plausibilidade aqui. O governo revolucion\u00e1rio teve que reformular os aparatos de seguran\u00e7a internos e as for\u00e7as militares externas praticamente do zero, sob a amea\u00e7a constante de uma invas\u00e3o norte-americana, e p\u00f4de faz\u00ea-lo com uma narrativa nacional convincente \u2013 a epopeia da independ\u00eancia, de Marti a Fidel Castro. Sob intensa press\u00e3o, criaram-se estruturas para impor disciplina contra as amea\u00e7as da contrarrevolu\u00e7\u00e3o interna e da interven\u00e7\u00e3o externa. N\u00e3o \u00e9 surpreendente que isso tenha resultado em um Estado parcialmente militar-autorit\u00e1rio. Vale lembrar que a Fran\u00e7a e a Gr\u00e3-Bretanha formaram Estados semelhantes em seus momentos revolucion\u00e1rios \u2013 sem mencionar, \u00e9 claro, a experi\u00eancia mais ampla das revolu\u00e7\u00f5es comunistas no s\u00e9culo XX. Aspectos do modelo de Estado cubano \u2013 monolitismo; suspeita em rela\u00e7\u00e3o a correntes cr\u00edticas; intoler\u00e2ncia cultural \u2013 foram posteriormente importados de uma Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ent\u00e3o conservadora. Mas o pa\u00eds tamb\u00e9m preservou uma independ\u00eancia e uma capacidade de agir de forma diferente, que eram heran\u00e7as de seu pr\u00f3prio momento anticolonial: n\u00e3o se pode simplesmente enxertar outro modelo de Estado sem bases materiais. Se houve alguma influ\u00eancia externa significativa na forma\u00e7\u00e3o do Estado cubano, foi a press\u00e3o persistente a que ele foi submetido pelos EUA. Isso certamente intensificou as tend\u00eancias \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e prejudicou as perspectivas de plena participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. J\u00e1 a aceita\u00e7\u00e3o de imigrantes pelos EUA teve o efeito perverso de servir como v\u00e1lvula de escape para parcelas descontentes da popula\u00e7\u00e3o, mesmo que isso tenha prejudicado a demografia cubana.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o, apesar do longo hist\u00f3rico de golpes e corrup\u00e7\u00e3o anteriores a Ch\u00e1vez, e de uma Constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-popular sob seu governo, o Estado venezuelano nunca passou pelo mesmo tipo de transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Apesar de Ch\u00e1vez ter buscado o apoio cubano na reestrutura\u00e7\u00e3o de partes das for\u00e7as armadas e dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia, as transforma\u00e7\u00f5es <em>chavistas <\/em>tiveram um alcance mais limitado. \u00c9 prov\u00e1vel que isso tenha aberto mais oportunidades para que agentes de intelig\u00eancia dos EUA se infiltrassem ou encontrassem potenciais traidores com quem negociar. \u00c9 dif\u00edcil imaginar que o mesmo se aplique a Cuba. Sem d\u00favida, os servi\u00e7os secretos de Washington t\u00eam estudado o terreno cuidadosamente para ver onde poderiam aplicar seus poderes, mas os mecanismos criados para impedir tais a\u00e7\u00f5es podem ainda estar em funcionamento. O exemplo recente de Alejandro Gil Fern\u00e1ndez, Ministro da Economia at\u00e9 sua queda em 2024 \u2013 condenado por espionagem, corrup\u00e7\u00e3o, peculato, suborno, sonega\u00e7\u00e3o fiscal e lavagem de dinheiro \u2013 pode ser um sinal disso, embora a miscel\u00e2nea de alega\u00e7\u00f5es e a opacidade do processo sugiram que n\u00e3o se deva aceitar a vers\u00e3o oficial sem questionamentos. Circulam rumores sobre casos de corrup\u00e7\u00e3o em altos escal\u00f5es e coopta\u00e7\u00e3o por servi\u00e7os de intelig\u00eancia estrangeiros, mas \u00e9 dif\u00edcil saber a quem atribuir cr\u00e9dito. O maior perigo reside aqui. Estados revolucion\u00e1rios n\u00e3o se mant\u00eam inalterados ao longo do tempo, e suas muta\u00e7\u00f5es est\u00e3o frequentemente ligadas \u00e0 perda de seus fundadores. Com a passagem da gera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, Cuba navega em \u00e1guas desconhecidas. Ser\u00e1 que seu antigo antagonista finalmente encontrar\u00e1 colaboradores adequados? Ou as agress\u00f5es mobilizar\u00e3o novas gera\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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