{"id":74557,"date":"2026-02-16T04:00:00","date_gmt":"2026-02-16T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-eua\/"},"modified":"2026-02-16T04:00:00","modified_gmt":"2026-02-16T07:00:00","slug":"sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-eua\/","title":{"rendered":"Sim, porto-riquenhos s\u00e3o cidad\u00e3os dos EUA!"},"content":{"rendered":"<p>Mais de um s\u00e9culo depois de os Estados Unidos terem adquirido Porto Rico, uma pesquisa do instituto Morning Consult realizada em 2017, ap\u00f3s a devasta\u00e7\u00e3o causada pelo furac\u00e3o Maria, revelou que <span>apenas 54% dos americanos sabiam que os porto-riquenhos s\u00e3o cidad\u00e3os dos Estados Unidos (EUA). Hoje, nascer em Porto Rico equivale a nascer nos EUA.<\/span> Mas nem sempre foi assim e ainda h\u00e1 muita ambiguidade sobre o assunto.<\/p>\n<p>A Lei Jones, de 1917, n\u00e3o foi a primeira nem a \u00faltima lei de cidadania relacionada aos porto-riquenhos. Desde 1898, o Congresso dos EUA debateu mais de 100 projetos de lei com cl\u00e1usulas sobre a cidadania para Porto Rico e promulgou 11 leis que se sobrep\u00f5em a elas. Ao longo do tempo, essas leis conferiram tr\u00eas tipos diferentes de cidadania \u00e0s pessoas nascidas em Porto Rico.<\/p>\n<h2><strong>Evid\u00eancias de arquivo<\/strong><\/h2>\n<p>Eu coordeno o Puerto Rico Citizenship Archives Project, parte de um projeto colaborativo para documentar e esclarecer leis relacionadas \u00e0 cidadania dos porto-riquenhos e dos residentes de outros territ\u00f3rios nos EUA.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, disponibilizamos ao p\u00fablico, em um arquivo digital, toda a legisla\u00e7\u00e3o sobre cidadania debatida no Congresso desde 1898.<\/p>\n<p>Esses arquivos mostram que, embora o Congresso tenha aprovado leis concedendo status de cidadania por nascimento \u00e0s pessoas nascidas em Porto Rico, a legisla\u00e7\u00e3o dos EUA ainda descreve a ilha como um territ\u00f3rio n\u00e3o incorporado, que pode ser tratado seletivamente como um pa\u00eds estrangeiro em sentido constitucional.<\/p>\n<p>Essa contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 no centro de uma s\u00e9rie de leis e pol\u00edticas discriminat\u00f3rias usadas para governar Porto Rico e os mais de 3,1 milh\u00f5es de cidad\u00e3os americanos que vivem na ilha.<\/p>\n<h2><strong>O status de Porto Rico<\/strong><\/h2>\n<p>Os debates sobre a cidadania das pessoas nascidas em Porto Rico geralmente se concentram no status territorial da ilha.<\/p>\n<p>Os EUA anexaram Porto Rico durante a Guerra Hispano-Americana de 1898. Entre 1898 e 1901, acad\u00eamicos, legisladores e outros funcion\u00e1rios do governo americano come\u00e7aram a formular <span>uma nova tradi\u00e7\u00e3o de expansionismo territorial<\/span>. Essa tradi\u00e7\u00e3o permitiu que os EUA anexassem estrategicamente territ\u00f3rios ao redor do mundo \u2014 como Guam, Samoa Americana, Ilhas Virgens Americanas e a Comunidade das Ilhas Marianas do Norte \u2014 por raz\u00f5es militares e econ\u00f4micas, sem obrigar o Congresso a conceder-lhes o status de estado.<\/p>\n<p>Para sustentar esse projeto, tamb\u00e9m foram criadas interpreta\u00e7\u00f5es da Constitui\u00e7\u00e3o que permitiram governar Porto Rico e os demais territ\u00f3rios anexados durante a Guerra Hispano-Americana.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"806\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto1_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto1_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif 1000w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto1_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif 744w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto1_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px\"><figcaption>Navios de guerra dos EUA sob o comando do contra-almirante Sampson bombardeiam San Juan, capital de Porto Rico, em 12 de maio de 1898.<\/figcaption><\/figure>\n<p>No julgamento conhecido como <em>Downes v. Bidwell<\/em>, em 1901, a Suprema Corte estabeleceu pela primeira vez que os territ\u00f3rios anexados ap\u00f3s 1898 \u2014 majoritariamente habitados por popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o brancas ou pelas chamadas \u201cra\u00e7as alien\u00edgenas\u201d \u2014 seriam governados como <span>\u201cterrit\u00f3rios n\u00e3o incorporados\u201d, ou seja, territ\u00f3rios que n\u00e3o estavam destinados a se tornar estados.<\/span><\/p>\n<p>No julgamento, a Corte foi instada a decidir sobre a constitucionalidade de uma tarifa sobre mercadorias comercializadas entre a ilha de Porto Rico e o territ\u00f3rio continental dos EUA, imposta pela Lei Foraker, uma legisla\u00e7\u00e3o territorial promulgada para governar Porto Rico em 1900. Os opositores da tarifa argumentaram que ela violava a Cl\u00e1usula de Uniformidade da Constitui\u00e7\u00e3o, que proibia tarifas sobre bens comercializados dentro dos EUA.<\/p>\n<p>A maioria dos ju\u00edzes, no entanto, concluiu que Porto Rico n\u00e3o fazia parte dos EUA para os fins da Cl\u00e1usula de Uniformidade e confirmou a tarifa. <span>Na pr\u00e1tica, os EUA trataram Porto Rico como um pa\u00eds estrangeiro.<\/span><\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o permaneceu em aberto nesse caso: como a Constitui\u00e7\u00e3o, em especial, a Cl\u00e1usula de Cidadania, da 14\u00aa Emenda constitucional, se aplicavam aos territ\u00f3rios n\u00e3o incorporados?<\/p>\n<h2><strong>Os porto-riquenhos s\u00e3o cidad\u00e3os pela Constitui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n<p>O juiz da Suprema Corte Edward D. White abordou parcialmente essa quest\u00e3o ao redigir seu voto no julgamento <em>Downes v. Bidwell<\/em>, na decis\u00e3o que desde ent\u00e3o definiu o status constitucional de Porto Rico. Sua opini\u00e3o \u00e9 considerada por estudiosos como a fonte da doutrina da incorpora\u00e7\u00e3o territorial. <span>Essa doutrina cont\u00e9m tr\u00eas elementos b\u00e1sicos.<\/span><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, ela reconhece a diferen\u00e7a entre territ\u00f3rios incorporados \u2014 aqueles destinados a se tornar estados \u2014 e territ\u00f3rios n\u00e3o incorporados.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, White argumentou que apenas direitos constitucionais fundamentais s\u00e3o garantidos nos territ\u00f3rios n\u00e3o incorporados, e n\u00e3o h\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o plena dos direitos civis. A Corte tamb\u00e9m afirmou o poder do Congresso de promulgar legisla\u00e7\u00e3o estendendo ou restringindo disposi\u00e7\u00f5es constitucionais, incluindo o direito \u00e0 cidadania, um direito civil.<\/p>\n<p>Por fim, territ\u00f3rios n\u00e3o incorporados podem ser governados seletivamente como localidades estrangeiras no sentido constitucional. Isso significa que, desde que o Congresso n\u00e3o esteja violando os direitos constitucionais fundamentais dos porto-riquenhos, ele pode optar por tratar Porto Rico como um pa\u00eds estrangeiro para fins legais.<\/p>\n<p><span>Como Porto Rico pode ser considerado uma localidade estrangeira para fins constitucionais, nascer em Porto Rico, de acordo com <em>o <\/em>julgamento, equivale a nascer em um pa\u00eds estrangeiro.<\/span><\/p>\n<p>O consenso predominante at\u00e9 hoje est\u00e1 alinhado com a interpreta\u00e7\u00e3o de White sobre o status de Porto Rico, ou seja, a Cl\u00e1usula de Cidadania n\u00e3o se estende a Porto Rico. Desde o julgamento, h\u00e1 119 anos, <span>o Congresso dos EUA governa Porto Rico como um territ\u00f3rio separado e desigual.<\/span><\/p>\n<p>A Lei Foraker, que estava no centro do caso analisado no julgamento, tamb\u00e9m imp\u00f4s a cidadania porto-riquenha \u00e0s pessoas nascidas na ilha. Pessoas nascidas na Espanha e residentes em Porto Rico puderam manter sua cidadania espanhola, adquirir a cidadania porto-riquenha ou a cidadania dos EUA. No entanto, os habitantes nascidos na ilha foram impedidos de manter sua cidadania espanhola \u2014 a cidadania que haviam adquirido quando Porto Rico era uma prov\u00edncia da Espanha \u2014 e de adquirir a cidadania dos EUA.<\/p>\n<p>Mas havia um grande problema. Na \u00e9poca, pessoas que buscavam se naturalizar e se tornar cidad\u00e3s dos EUA eram obrigadas primeiro a renunciar \u00e0 sua lealdade a um Estado soberano. Para os cidad\u00e3os porto-riquenhos, isso significava renunciar sua lealdade aos Estados Unidos para adquirir a cidadania americana. <span>Essa contradi\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica, inicialmente impediu que os porto-riquenhos obtivessem a cidadania dos EUA.<\/span><\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"516\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto2_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto2_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif 1000w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto2_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif 800w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto2_Sim-porto-riquenhos-sao-cidadaos-dos-EUA.avif 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px\"><figcaption>Mercado na localidade de Yauco, em Porto Rico, em 1900<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>Cidadania derivada<\/strong><\/h2>\n<p>Ainda assim, pouco tempo depois, os porto-riquenhos come\u00e7aram a adquirir a cidadania dos EUA por meio da naturaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por exemplo, mulheres porto-riquenhas que se casavam com cidad\u00e3os americanos eram automaticamente naturalizadas sob a Lei Coverture, e seus filhos adquiriam a cidadania do pai. Al\u00e9m disso, em 1906, o Congresso incluiu uma se\u00e7\u00e3o na Lei do Bureau de Imigra\u00e7\u00e3o e Naturaliza\u00e7\u00e3o que dispensava a exig\u00eancia de ren\u00fancia \u00e0 lealdade a um Estado soberano, permitindo que porto-riquenhos adquirissem a cidadania dos EUA por naturaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1917, o Congresso aprovou a Lei Jones, que inclu\u00eda um dispositivo de naturaliza\u00e7\u00e3o coletiva. Ela permitia que as pessoas que viviam em Porto Rico escolhessem entre manter sua cidadania porto-riquenha ou outra cidadania, ou adquirir a cidadania dos EUA. Como a Lei Jones n\u00e3o alterou o status territorial de Porto Rico, as pessoas posteriormente nascidas na ilha passaram a ser consideradas cidad\u00e3s dos EUA por meio do <em>jus sanguinis<\/em> (direito de sangue), uma forma derivada de cidadania americana.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, <span>as pessoas nascidas em Porto Rico eram consideradas nascidas fora dos EUA, mas ainda assim tratadas como cidad\u00e3s dos EUA.<\/span><\/p>\n<p>Somente em 1940 o Congresso aprovou uma legisla\u00e7\u00e3o que concedeu cidadania por nascimento, ou <em>jus soli<\/em> (direito do solo), \u00e0s pessoas nascidas em Porto Rico. Enquanto aqueles nascidos em Porto Rico antes de 1940 s\u00f3 podiam adquirir a cidadania por naturaliza\u00e7\u00e3o se seus pais fossem cidad\u00e3os dos EUA, <span>qualquer pessoa nascida em Porto Rico ap\u00f3s 1940 passou a adquirir a cidadania americana como resultado direto de ter nascido em solo porto-riquenho.<\/span><\/p>\n<p>Essa legisla\u00e7\u00e3o alterou e substituiu a Lei Jones. A Lei de Nacionalidade de 1940 estabeleceu que Porto Rico fazia parte dos EUA para fins de cidadania. <span>Desde 13 de janeiro de 1941, segundo o Congresso, nascer em Porto Rico equivale a nascer nos EUA para fins de cidadania.<\/span><\/p>\n<p>Ainda assim, apesar de o Congresso dos EUA ter fundamentado a legisla\u00e7\u00e3o de cidadania por nascimento para Porto Rico na 14\u00aa Emenda da Constitui\u00e7\u00e3o, o consenso predominante entre estudiosos, legisladores e formuladores de pol\u00edticas \u00e9 que os porto-riquenhos n\u00e3o t\u00eam direito a um status de cidadania constitucional ou de cidadania garantido pela 14\u00aa Emenda.<\/p>\n<p>Embora os porto-riquenhos sejam oficialmente cidad\u00e3os americanos natos, o territ\u00f3rio permanece n\u00e3o incorporado ou \u201cestrangeiro\u201d para fins constitucionais. Essa contradi\u00e7\u00e3o permitiu que Porto Rico fosse governado como um territ\u00f3rio separado e desigual que pertence aos EUA, sem fazer parte do pa\u00eds. Historicamente, a Suprema Corte tem se recusado a estabelecer qual \u00e9 a base constitucional da cidadania estendida a Porto Rico e aos demais territ\u00f3rios. Em dezembro de 2019, um juiz do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Utah decidiu que a 14\u00aa Emenda se aplicava \u00e0 Samoa Americana, um territ\u00f3rio que ainda concede status de n\u00e3o cidad\u00e3o \u00e0s pessoas nascidas ali. Talvez esse caso motive a Suprema Corte a resolver o debate sobre a ilha latino-americana, que j\u00e1 dura mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-sao-joao-que-nao-cabe-mais-em-ceilandia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O S\u00e3o Jo\u00e3o que n\u00e3o cabe mais em Ceil\u00e2ndia<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/alemanha-acusa-musk-de-interferir-em-eleicoes-do-pais-apos-bilionario-apoiar-candidata-de-extrema-direita\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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