{"id":74946,"date":"2026-02-19T17:09:38","date_gmt":"2026-02-19T20:09:38","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-que-a-argentina-esta-em-greve-geral\/"},"modified":"2026-02-19T17:09:38","modified_gmt":"2026-02-19T20:09:38","slug":"por-que-a-argentina-esta-em-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-que-a-argentina-esta-em-greve-geral\/","title":{"rendered":"Por que a Argentina est\u00e1 em greve geral"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1440\" height=\"959\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-135339-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-135339-1.jpeg 1440w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/19170457\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-13.53.39-300x200.jpeg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/19170457\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-13.53.39-768x511.jpeg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/19170457\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-13.53.39-272x182.jpeg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1440px) 100vw, 1440px\"><figcaption>Pol\u00edcia avan\u00e7a contra manifestantes durante ato contra a reforma trabalhista em Buenos Aires. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Uma greve geral contra uma reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei paralisa trens, portos, aeroportos e o transporte p\u00fablico na Argentina nesta quinta-feira (19). No in\u00edcio desta tarde, grupos pol\u00edticos sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es sociais come\u00e7am a encher a Pra\u00e7a do Congresso, em Buenos Aires, para acompanhar sess\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados para discutir a reforma trabalhista do Governo. Como j\u00e1 de praxe neste governo, Congresso est\u00e1 cercado por blindados e a pol\u00edcia pronta para aplicar \u201cprotocolo anti-protesto\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Direitos desfeitos entre a madrugada e a manh\u00e3 seguinte<\/strong><\/h3>\n<p>Na madrugada de 12 de fevereiro de 2026, enquanto canh\u00f5es de \u00e1gua e g\u00e1s lacrimog\u00eaneo dispersavam manifestantes na Plaza de los Dos Congresos, o Senado argentino aprovou por 42 votos a 30 o projeto de reforma trabalhista do governo de Javier Milei. A vota\u00e7\u00e3o ocorreu ap\u00f3s 14 horas de debates e 50 concess\u00f5es negociadas com governadores provinciais e setores do peronismo. Do lado de fora, cerca de 300 pessoas foram feridas e ao menos 70 detidas. A imagem de trabalhadores, aposentados e estudantes enfrentando a pol\u00edcia de choque n\u00e3o \u00e9 apenas o registro de um conflito pontual. Ela diz algo sobre como direitos conquistados ao longo de d\u00e9cadas podem ser desmontados numa \u00fanica sess\u00e3o legislativa, sob a prote\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de seguran\u00e7a armadas contra os pr\u00f3prios cidad\u00e3os que aquelas leis deveriam proteger.<\/p>\n<p>O texto aprovado modifica a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista argentina vigente desde a d\u00e9cada de 1970 e segue agora para a C\u00e2mara dos Deputados. As mudan\u00e7as incluem a amplia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de experi\u00eancia para at\u00e9 12 meses em microempresas, a cria\u00e7\u00e3o de um banco de horas que autoriza jornadas de 12 horas di\u00e1rias, a fragmenta\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias em blocos m\u00ednimos de sete dias a crit\u00e9rio exclusivo do empregador e a redu\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo de indeniza\u00e7\u00f5es por demiss\u00e3o, que passa a excluir o 13\u00ba sal\u00e1rio e a limitar a antiguidade a dez anos. A reforma cria um Fundo de Assist\u00eancia Laboral financiado por contribui\u00e7\u00f5es patronais entre 1% e 3%, muito inferiores aos 8% do FGTS brasileiro. Permite o parcelamento de indeniza\u00e7\u00f5es em at\u00e9 18 vezes para microempresas. E classifica os trabalhadores de plataformas digitais como aut\u00f4nomos por for\u00e7a de lei, retirando-os da prote\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Quem se lesionar ou adoecer fora do hor\u00e1rio de trabalho receber\u00e1 apenas 50% do sal\u00e1rio.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-3.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181013\/2.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Para entender o alcance dessas medidas, \u00e9 preciso escutar as vozes de quem vive e estuda o mercado de trabalho argentino. Daniel Schteingart, diretor do <em>think tank<\/em> Fundar e doutor em Sociologia, documentou que a economia argentina cresceu em 2025 enquanto o emprego formal privado encolheu, algo que, segundo ele, n\u00e3o ocorria h\u00e1 pelo menos tr\u00eas d\u00e9cadas. Schteingart argumenta que a reforma pode alterar quantos empregos formais cada ponto de crescimento gera, mas que a gera\u00e7\u00e3o de empregos depende do ciclo econ\u00f4mico, n\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de direitos. Sebasti\u00e1n Etchemendy, professor da Universidad Torcuato Di Tella e tamb\u00e9m pesquisador da Fundar, organizou uma proposta alternativa intitulada \u201cUna reforma laboral para la inclusi\u00f3n y el crecimiento\u201d, na qual defende que reformas trabalhistas eficazes s\u00e3o aquelas que melhoram a qualidade do emprego, e n\u00e3o as que rebaixam prote\u00e7\u00f5es. Etchemendy comparou a dire\u00e7\u00e3o adotada por Milei com a tend\u00eancia oposta observada na Espanha, no Chile, no M\u00e9xico e nos Estados Unidos, onde reformas recentes fortaleceram sindicatos e direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica se estendeu ao campo jur\u00eddico. A Asociaci\u00f3n de Abogadas y Abogados Laboralistas (AAL), presidida por Guillermo P\u00e9rez Crespo, emitiu comunicado afirmando que nenhum dos conte\u00fados do projeto \u00e9 compat\u00edvel com os tratados internacionais ratificados pela Argentina, as conven\u00e7\u00f5es da OIT e a Constitui\u00e7\u00e3o Nacional. Mat\u00edas Cremonte, presidente da Asociaci\u00f3n Latinoamericana de Abogados y Abogadas Laboralistas (ALAL), organizou audi\u00eancia internacional no Congresso argentino com juristas de dez pa\u00edses e declarou que a magnitude da reforma ter\u00e1 consequ\u00eancias tr\u00e1gicas se transformada em lei. Roberto Pompa, ex-juiz da C\u00e2mara Nacional de Apela\u00e7\u00f5es do Trabalho e presidente da Asociaci\u00f3n Latinoamericana de Jueces del Trabajo, citou estudo da OIT envolvendo 63 pa\u00edses para afirmar que nenhuma reforma trabalhista que rebaixou direitos conseguiu aumentar o emprego. O Centro de Econom\u00eda Pol\u00edtica Argentina (CEPA) publicou relat\u00f3rio demonstrando que a reforma transfere recursos do trabalho para o capital e estimou que a redu\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es patronais representaria um custo fiscal de mais de dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais, desfinanciando o sistema previdenci\u00e1rio e a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>O Brasil conhece esse roteiro. A reforma trabalhista de 2017 (Lei 13.467\/2017) alterou mais de 100 dispositivos da CLT com promessas de gera\u00e7\u00e3o de empregos e formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. Passados oito anos, o balan\u00e7o \u00e9 desigual. Krein (2018) argumentou que a reforma brasileira promoveu o desmonte de direitos e o esvaziamento da a\u00e7\u00e3o coletiva, com impacto direto na capacidade dos sindicatos de negociar em condi\u00e7\u00f5es minimamente equilibradas. Galv\u00e3o et al. (2019) demonstraram que a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho se aprofundou e os sindicatos enfrentaram perdas de receita superiores a 80% com o fim da contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria. O contrato intermitente, pe\u00e7a central da promessa de formaliza\u00e7\u00e3o, representou menos de 2% dos novos v\u00ednculos formais ap\u00f3s tr\u00eas anos de vig\u00eancia. Druck, Dutra e Silva (2019) analisaram como a terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita, liberada para todas as atividades inclusive a atividade-fim, consolidou a precariza\u00e7\u00e3o como regra nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho brasileiras. O paralelo com a Argentina \u00e9 direto, mas a reforma de Milei avan\u00e7a em pontos onde a brasileira parou.<\/p>\n<p>A tabela a seguir permite visualizar as diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre as duas reformas. Alguns elementos saltam aos olhos. O per\u00edodo de experi\u00eancia argentino, de at\u00e9 12 meses para microempresas, n\u00e3o encontra paralelo no Brasil, onde os 90 dias da CLT permaneceram intactos. A classifica\u00e7\u00e3o legal dos trabalhadores de plataformas como aut\u00f4nomos \u00e9 uma novidade argentina que o Brasil ainda n\u00e3o formalizou em n\u00edvel federal. E a elimina\u00e7\u00e3o da ultratividade dos acordos coletivos na Argentina vai al\u00e9m do \u201cnegociado sobre o legislado\u201d brasileiro, pois remove a prote\u00e7\u00e3o que mantinha as condi\u00e7\u00f5es anteriores vigentes at\u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o de novo acordo. S\u00e3o dois pa\u00edses que compartilham a mesma receita de austeridade aplicada aos direitos trabalhistas, mas com dosagens distintas.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1. Comparativo entre a reforma trabalhista argentina (2026) e a reforma trabalhista brasileira (2017)<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Dimens\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td><strong>Argentina (Milei, 2026)<\/strong><\/td>\n<td><strong>Brasil (Lei 13.467\/2017)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Per\u00edodo de experi\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td>6 meses (padr\u00e3o), 8 meses (PMEs), at\u00e9 12 meses (microempresas)<\/td>\n<td>90 dias (inalterado pela reforma)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Indeniza\u00e7\u00e3o por demiss\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>Base reduzida (exclui 13\u00ba e b\u00f4nus), teto de 10 anos de antiguidade, parcelamento em at\u00e9 18 vezes, Fundo de Assist\u00eancia Laboral (1% a 3%)<\/td>\n<td>FGTS mantido (8%), rescis\u00e3o por acordo m\u00fatuo (multa de 20%), fim da homologa\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Negocia\u00e7\u00e3o coletiva<\/strong><\/td>\n<td>Fim da ultraatividade dos acordos, acordo de empresa prevalece sobre o setorial, sindicatos de empresa podem substituir sindicatos de categoria<\/td>\n<td>Negociado prevalece sobre o legislado em 15 mat\u00e9rias, acordo de empresa prevalece sobre conven\u00e7\u00e3o setorial<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Jornada de trabalho<\/strong><\/td>\n<td>Banco de horas com jornadas de at\u00e9 12 horas di\u00e1rias, f\u00e9rias fragmentadas em blocos de 7 dias a crit\u00e9rio do empregador<\/td>\n<td>Jornada 12\u00d736 formalizada, banco de horas individual, f\u00e9rias em at\u00e9 3 per\u00edodos (m\u00ednimo de 5 dias)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Terceiriza\u00e7\u00e3o e plataformas<\/strong><\/td>\n<td>Terceiriza\u00e7\u00e3o ampla, trabalhadores de plataformas classificados como aut\u00f4nomos por lei<\/td>\n<td>Terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita (inclusive atividade-fim), sem regula\u00e7\u00e3o federal espec\u00edfica para plataformas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Contribui\u00e7\u00f5es sindicais<\/strong><\/td>\n<td>Obrigat\u00f3rias, mas limitadas a 2% do sal\u00e1rio por dois anos<\/td>\n<td>Contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria abolida (tornada volunt\u00e1ria), queda de 80-90% na receita sindical<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Direito de greve<\/strong><\/td>\n<td>Funcionamento m\u00ednimo de 75% em \u2018servi\u00e7os essenciais\u2019 (lista ampliada para incluir educa\u00e7\u00e3o, telecomunica\u00e7\u00f5es, avia\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<td>Sem altera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pela reforma de 2017<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><em>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a partir do texto da reforma argentina (2026), da Lei 13.467\/2017 (Brasil), de relat\u00f3rios do CEPA (2025) e de Fundar (2024).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>A economia pol\u00edtica da precariza\u00e7\u00e3o e suas promessas vazias<\/strong><\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria dos direitos trabalhistas na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o pode ser contada apenas pela perspectiva das institui\u00e7\u00f5es que os criaram. Ela precisa ser compreendida a partir da experi\u00eancia concreta de quem os conquistou. Na Argentina, as leis trabalhistas que datam da d\u00e9cada de 1970 n\u00e3o ca\u00edram do c\u00e9u burocr\u00e1tico. Foram arrancadas por gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores organizados em sindicatos, movimentos e greves que moldaram a vida social do pa\u00eds. Quando uma reforma prop\u00f5e desmontar essa legisla\u00e7\u00e3o em nome da \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 uma mera atualiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. \u00c9 a reconfigura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder entre quem trabalha e quem lucra com esse trabalho. Filgueiras, Lima e Souza (2019) mostraram, no contexto brasileiro, que reformas trabalhistas flexibilizadoras n\u00e3o produzem os efeitos prometidos sobre o emprego e que os impactos recaem de forma desproporcional sobre os trabalhadores mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os dados do mercado de trabalho argentino sob Milei revelam o que o discurso oficial tenta ocultar. Segundo levantamentos da Fundar e do CEPA, a Argentina perdeu cerca de 300 mil empregos formais assalariados desde dezembro de 2023, quando Milei assumiu a presid\u00eancia. O setor privado respondeu pela maior parte dessas perdas, com quase 200 mil postos eliminados. A constru\u00e7\u00e3o civil, duramente atingida pela pol\u00edtica de obra p\u00fablica zero, perdeu mais de 76 mil vagas formais. A ind\u00fastria manufatureira encolheu em mais de 55 mil postos. Schteingart documentou um fen\u00f4meno in\u00e9dito na hist\u00f3ria econ\u00f4mica recente da Argentina, em que o PIB cresceu ao mesmo tempo em que o emprego formal privado caiu, configurando o que analistas chamaram de recupera\u00e7\u00e3o em formato de K. Os setores voltados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e com poucos empregos, como agricultura, energia e minera\u00e7\u00e3o, cresceram, enquanto os setores intensivos em m\u00e3o de obra permaneceram em recess\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-3.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31180616\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O CEPA estimou que a redu\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es patronais prevista na reforma custaria mais de dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais ao sistema previdenci\u00e1rio argentino, ao PAMI (sistema p\u00fablico de sa\u00fade para idosos) e \u00e0s asignaciones familiares. A compensa\u00e7\u00e3o fiscal n\u00e3o est\u00e1 prevista. Na pr\u00e1tica, o Estado financia a redu\u00e7\u00e3o de custos para empregadores com recursos que deveriam sustentar aposentadorias e sa\u00fade p\u00fablica. Fontainha, Rodrigues e Fernandes (2021) demonstraram que a reforma brasileira de 2017 produziu efeito semelhante sobre a Justi\u00e7a do Trabalho, com queda de 34% no fluxo processual do TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o (Rio de Janeiro), indicando n\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o de conflitos, mas a inibi\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 justi\u00e7a por parte dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o sindical \u00e9 outro ponto de converg\u00eancia entre as duas reformas. Ab\u00edlio (2020) analisou como a uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho produz uma nova forma de controle da for\u00e7a de trabalho, na qual o trabalhador assume os riscos e os custos da atividade produtiva enquanto a plataforma concentra o poder de organiza\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o. A reforma argentina formaliza essa l\u00f3gica ao classificar motoristas e entregadores de aplicativos como aut\u00f4nomos. A elimina\u00e7\u00e3o da ultraatividade dos acordos coletivos e a possibilidade de sindicatos de empresa substitu\u00edrem os sindicatos setoriais fragmentam a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e enfraquecem a negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Galv\u00e3o et al. (2019) descreveram processo an\u00e1logo no caso brasileiro, onde o fim da contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria e a preval\u00eancia do negociado sobre o legislado produziram um esvaziamento da capacidade de a\u00e7\u00e3o coletiva dos sindicatos.<\/p>\n<p>A promessa de que a redu\u00e7\u00e3o de custos trabalhistas gera empregos formais se repete de pa\u00eds em pa\u00eds, de d\u00e9cada em d\u00e9cada. A experi\u00eancia argentina dos anos 1990, sob as reformas flexibilizadoras daquele per\u00edodo, oferece evid\u00eancia concreta do contr\u00e1rio. Aquelas reformas coincidiram com desemprego superior a 24% e informalidade pr\u00f3xima a 50%. A reforma brasileira de 2017 tamb\u00e9m n\u00e3o entregou a gera\u00e7\u00e3o de empregos prometida. O que se repete \u00e9 o padr\u00e3o de transfer\u00eancia de custos dos empregadores para os trabalhadores e para o sistema p\u00fablico, enquanto os indicadores de emprego formal permanecem estagnados ou em queda. A Argentina de Milei, ao aprovar essa reforma no mesmo momento em que destr\u00f3i 300 mil postos formais, n\u00e3o est\u00e1 resolvendo a crise do mercado de trabalho. Est\u00e1 aprofundando as condi\u00e7\u00f5es que a produziram.<\/p>\n<h3><strong>Os corpos que pagam a conta. Juventude, g\u00eanero e ra\u00e7a no mercado de trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>Quem mais sofre com a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho s\u00e3o os jovens. Na Argentina, o desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos alcan\u00e7a 19,4%, quase o triplo da m\u00e9dia geral. Mais de 62% dos jovens empregados trabalham na informalidade. E 60% dos jovens argentinos vivem abaixo da linha da pobreza. Esses n\u00fameros existiam antes da reforma e n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para supor que a flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos os reduza. Pelo contr\u00e1rio, o per\u00edodo de experi\u00eancia de at\u00e9 12 meses cria uma porta girat\u00f3ria institucional, na qual o jovem trabalhador pode ser dispensado e substitu\u00eddo sem custo algum para o empregador. A rotatividade se torna a norma, a estabilidade desaparece do horizonte, e a experi\u00eancia concreta de trabalho se transforma numa sequ\u00eancia de empregos descart\u00e1veis.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o de g\u00eanero est\u00e1 ausente do texto da reforma, e essa aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 acidental. As mulheres argentinas ganham em m\u00e9dia 27% menos que os homens, est\u00e3o mais concentradas no trabalho informal e dom\u00e9stico, e respondem por 68% do trabalho de cuidados n\u00e3o remunerado. Uma reforma que fragmenta f\u00e9rias, permite jornadas de 12 horas e transfere ao empregador o poder de definir quando o trabalhador descansa atinge de forma desproporcional quem j\u00e1 carrega a dupla jornada do trabalho produtivo e reprodutivo. A precariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 neutra em termos de g\u00eanero. Ela se distribui de maneira desigual e aprofunda assimetrias que as leis trabalhistas anteriores, mesmo imperfeitas, tentavam mitigar. Mulheres jovens foram as mais atingidas pela crise do governo Milei, com perda de 4 pontos percentuais de participa\u00e7\u00e3o no emprego e aumento de mais de 11 pontos percentuais na informalidade no segundo trimestre de 2024.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9tnico-racial \u00e9 ainda mais invisibilizada. A Encuesta Permanente de Hogares do INDEC argentino n\u00e3o desagrega dados por ra\u00e7a ou etnia, produzindo um sil\u00eancio estat\u00edstico sobre popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, afro-argentinas e imigrantes que comp\u00f5em parcela expressiva da for\u00e7a de trabalho precarizada. Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es indicam que 60% dos trabalhadores imigrantes na Argentina, em sua maioria de origem boliviana, paraguaia e peruana, trabalham na informalidade. O colapso do setor de constru\u00e7\u00e3o, que eliminou mais de 76 mil vagas formais, atingiu desproporcionalmente esses trabalhadores. Uma reforma que n\u00e3o reconhece a composi\u00e7\u00e3o real da classe trabalhadora argentina opera como se a desigualdade n\u00e3o existisse e, ao fazer isso, a reproduz.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o que acompanhou a vota\u00e7\u00e3o no Senado n\u00e3o \u00e9 acess\u00f3ria ao processo legislativo. Ela \u00e9 parte da mesma l\u00f3gica. Desde que assumiu, Milei enfrentou tr\u00eas greves gerais, um recorde para qualquer presidente argentino desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o de 1983. O Protocolo Antipiquetes, implementado cinco dias ap\u00f3s a posse, trata qualquer protesto de rua como delito flagrante. Em dois anos, mais de 2.500 pessoas foram feridas em manifesta\u00e7\u00f5es segundo dados da Anistia Internacional. A jornalista \u00c9rika Gimenez, que cobriu os protestos de 11 de fevereiro para a ARG Medios, relatou ao Brasil de Fato que a viol\u00eancia contra a imprensa foi terr\u00edvel e que jornalistas e fotojornalistas s\u00e3o os alvos preferenciais da repress\u00e3o policial. Quando o Estado reprime com essa intensidade o direito de protestar, est\u00e1 dizendo que os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam voz nem na lei, nem na rua.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es de trabalho na Am\u00e9rica Latina nos ensina que direitos n\u00e3o s\u00e3o concess\u00f5es espont\u00e2neas de governantes. S\u00e3o conquistas arrancadas pela luta organizada de quem depende do pr\u00f3prio trabalho para viver. A reforma trabalhista de Milei, assim como a brasileira de 2017, tenta inverter essa equa\u00e7\u00e3o, apresentando a retirada de direitos como moderniza\u00e7\u00e3o e o rebaixamento de prote\u00e7\u00f5es como incentivo ao emprego. O que a experi\u00eancia concreta de milh\u00f5es de trabalhadores na Argentina e no Brasil demonstra \u00e9 que essa promessa n\u00e3o se cumpre. O que se cumpre \u00e9 a transfer\u00eancia de renda e de riscos para quem j\u00e1 ocupa a posi\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil na rela\u00e7\u00e3o de trabalho. Discutir reformas trabalhistas sem considerar g\u00eanero, ra\u00e7a, idade e classe \u00e9 operar numa abstra\u00e7\u00e3o que conv\u00e9m a quem legisla de cima para baixo, mas que n\u00e3o corresponde \u00e0 vida de quem trabalha, adoece, \u00e9 demitido e precisa recome\u00e7ar.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>AB\u00cdLIO, Ludmila Costhek. Uberiza\u00e7\u00e3o: a era do trabalhador just-in-time? Estudos Avan\u00e7ados, S\u00e3o Paulo, v. 34, n. 98, p. 111-126, jan.\/abr. 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/?lang=pt \/. Acesso em: 10 fev. 2026.<\/p>\n<p>ABAIXO a Reforma Trabalhista na Argentina! Milhares de pessoas fazem ato em frente ao Congresso Argentino contra a Reforma Trabalhista de Milei. Esquerda Di\u00e1rio, 11 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.esquerdadiario.com.br\/Milhares-de-pessoas-em-ato-agora-em-frente-ao-Congresso-Argentino-contra-a-Reforma-Trabalhista-de. Acesso em: 12 fev. 2026.<\/p>\n<p>CENTRO DE ECONOM\u00cdA POL\u00cdTICA ARGENTINA (CEPA). La precarizaci\u00f3n avanza: an\u00e1lisis de la reforma laboral. Buenos Aires, dez. 2025. Informe n. 548. Dispon\u00edvel em: https:\/\/centrocepa.com.ar\/informes. Acesso em: 12 fev. 2026.<\/p>\n<p>DRUCK, Gra\u00e7a; DUTRA, Renata; SILVA, Selma Cristina. A contrarreforma neoliberal e a terceiriza\u00e7\u00e3o: a precariza\u00e7\u00e3o como regra. Caderno CRH, Salvador, v. 32, n. 86, p. 289-305, maio\/ago. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/ccrh\/a\/djFJYWDLrSjCyTHJK6TNKCr\/. Acesso em: 11 fev. 2026.<\/p>\n<p>ETCHEMENDY, Sebasti\u00e1n et al. Una reforma laboral para la inclusi\u00f3n y el crecimiento. Buenos Aires: Fundar, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/fund.ar\/publicacion\/una-reforma-laboral-para-la-inclusion-y-el-crecimiento\/. Acesso em: 10 fev. 2026.<\/p>\n<p>FILGUEIRAS, Vitor Ara\u00fajo; LIMA, Uallace Moreira; SOUZA, Ilan Fonseca de. Os impactos jur\u00eddicos, econ\u00f4micos e sociais das reformas trabalhistas. Caderno CRH, Salvador, v. 32, n. 86, p. 231-252, maio\/ago. 2019.<\/p>\n<p>FONTAINHA, Fernando; RODRIGUES, Paulo; FERNANDES, Pedro de Araujo. A Reforma Trabalhista de 2017 e seus efeitos: an\u00e1lise do fluxo processual do TRT1. Opini\u00e3o P\u00fablica, Campinas, v. 27, n. 3, p. 797-821, set.\/dez. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/op\/a\/fc3RwnfjZ5PgHsCnpvzk7sg\/. Acesso em: 11 fev. 2026.<\/p>\n<p>GALV\u00c3O, Andr\u00e9ia et al. Reforma trabalhista: precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e os desafios para o sindicalismo. Caderno CRH, Salvador, v. 32, n. 86, p. 253-270, maio\/ago. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/ccrh\/a\/mmnFbTSWxvFnP7n8LPnxnCz\/. Acesso em: 11 fev. 2026.<\/p>\n<p>KREIN, Jos\u00e9 Dari. O desmonte dos direitos, as novas configura\u00e7\u00f5es do trabalho e o esvaziamento da a\u00e7\u00e3o coletiva: consequ\u00eancias da reforma trabalhista. Tempo Social, S\u00e3o Paulo, v. 30, n. 1, p. 77-104, abr. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/ts\/a\/WBdDjRLGTC5XffZDqPThnbs\/. Acesso em: 10 fev. 2026.<\/p>\n<p>KRUPACZ, Lucas; LACERDA, Nara; RAMALHO, Tabitha. \u2018Ca\u00e7am as pessoas nas esquinas\u2019: Argentina cria repress\u00e3o como m\u00e9todo de governo, enquanto Milei tenta aprovar sua reforma trabalhista. Brasil de Fato, S\u00e3o Paulo, 12 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/02\/12\/cacam-as-pessoas-nas-esquinas-argentina-cria-repressao-como-metodo-de-governo-enquanto-milei-tenta-aprovar-sua-reforma-trabalhista\/. Acesso em: 12 fev. 2026.<\/p>\n<p>MILEI faz concess\u00f5es e consegue aval do Senado \u00e0 reforma trabalhista na Argentina. O Globo, Rio de Janeiro, 12 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/noticia\/2026\/02\/12\/javier-milei-faz-concessoes-e-consegue-aval-do-senado-a-reforma-trabalhista-na-argentina.ghtml. Acesso em: 12 fev. 2026.<\/p>\n<p>SENADO argentino d\u00e1 sinal verde \u00e0 reforma trabalhista de Milei em meio a protestos violentos. Folha de S.Paulo\/UOL, S\u00e3o Paulo, 12 fev. 2026.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Permite jornadas de at\u00e9 12 horas. Legaliza \u201caut\u00f4nomos\u201d precarizados e reduz indeniza\u00e7\u00e3o por demiss\u00f5es. Quase elimina acordos coletivos. Trabalhadores respondem em luta<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/a-violenta-reforma-trabalhista-de-milei\/\">Por que a Argentina est\u00e1 em greve geral<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":74947,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[272,27409,15002,423,607,274,36234,36235,4101,1442,5834,25956],"tags":[],"class_list":["post-74946","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-contrarreforma-trabalhista","category-desmonte-trabalhista","category-extrema-direita","category-fmi","category-javier-milei","category-jornadas-de-12-horas","category-jornadas-de-trabalho","category-previdencia","category-reforma-trabalhista","category-trabalho-e-precariado","category-trabalho-intermitente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74946","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74946"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74946\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}