{"id":75080,"date":"2026-02-20T17:37:25","date_gmt":"2026-02-20T20:37:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/da-era-vargas-a-ia-cnpq-celebra-75-anos-mirando-reindustrializacao\/"},"modified":"2026-02-20T17:37:25","modified_gmt":"2026-02-20T20:37:25","slug":"da-era-vargas-a-ia-cnpq-celebra-75-anos-mirando-reindustrializacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/da-era-vargas-a-ia-cnpq-celebra-75-anos-mirando-reindustrializacao\/","title":{"rendered":"Da era Vargas \u00e0 IA, CNPq celebra 75 anos mirando reindustrializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/54933653962_76ac85b33d_b.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/54933653962_76ac85b33d_b.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/54933653962_76ac85b33d_b-300x200.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/54933653962_76ac85b33d_b-768x512.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/54933653962_76ac85b33d_b-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>O\u00a0Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico\u00a0(CNPq) completa oficialmente 75 anos em 15 de janeiro de 2026, mas a grande cerim\u00f4nia ocorrer\u00e1 em 23 de mar\u00e7o, no Teatro Nacional, \u00e0s 18h.<\/p>\n<p>\u201cFaremos uma grande comemora\u00e7\u00e3o no dia 23 de mar\u00e7o\u201d, afirma o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Olival Freire J\u00fanior. Segundo ele, o evento foi planejado para reunir n\u00e3o apenas autoridades, mas a base do sistema cient\u00edfico. \u201cPrecisamos que o presidente tenha um encontro com o \u2018ch\u00e3o de f\u00e1brica da ci\u00eancia\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edzes no desenvolvimentismo e na era Vargas<\/strong><\/p>\n<p>Criado na transi\u00e7\u00e3o para o segundo governo de\u00a0Get\u00falio Vargas, o CNPq nasceu no contexto de reorganiza\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro sob forte inspira\u00e7\u00e3o nacional-desenvolvimentista.<\/p>\n<p>\u201cO CNPq foi fruto de uma conjuntura \u00fanica na constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 criado na transi\u00e7\u00e3o do primeiro para o segundo governo Vargas e instalado pelo Almirante \u00c1lvaro Alberto\u201d, afirma Olival.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cirm\u00e3 temporal\u201d de estruturas decisivas como a\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior\u00a0(Capes), a\u00a0Petrobras, o\u00a0Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social\u00a0(ent\u00e3o BNDE), o\u00a0Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica\u00a0(ITA) e o\u00a0Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas\u00a0(CBPF).<\/p>\n<p>\u201cA lista mostra um esfor\u00e7o brasileiro consciente de valorizar ci\u00eancia e tecnologia como parte do desenvolvimento nacional\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Defesa, soberania e ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Freire Jr enfatiza o papel hist\u00f3rico das For\u00e7as Armadas na cria\u00e7\u00e3o do sistema cient\u00edfico brasileiro.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel pensar defesa sem ci\u00eancia e tecnologia, e vice-versa, em qualquer pa\u00eds do mundo. N\u00e3o \u00e9 uma particularidade brasileira\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O almirante \u00c1lvaro Alberto, patrono do CNPq, e o brigadeiro Montenegro, criador do ITA, simbolizam essa interse\u00e7\u00e3o entre soberania e conhecimento estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p><strong>Cortes, negacionismo e ruptura recente<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisar os 75 anos da institui\u00e7\u00e3o, Freire reconhece oscila\u00e7\u00f5es, mas faz uma distin\u00e7\u00e3o clara sobre o per\u00edodo recente.<\/p>\n<p>\u201cDo impeachment da presidenta Dilma para c\u00e1, e particularmente no \u00faltimo governo, tivemos persegui\u00e7\u00f5es a cientistas e cortes or\u00e7ament\u00e1rios significativos.\u201d<\/p>\n<p>Ele aponta um elemento in\u00e9dito na hist\u00f3ria brasileira:<br \/>\u201cPela primeira vez, houve uma campanha estruturada para desacreditar o valor da ci\u00eancia. Tivemos um negacionismo cristalizado, especialmente durante a pandemia.\u201d<\/p>\n<p>Durante a ditadura militar, segundo ele, houve uma \u201ccoexist\u00eancia complexa\u201d: investimento estrutural simult\u00e2neo a persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. J\u00e1 no per\u00edodo recente, o dano foi tamb\u00e9m simb\u00f3lico e cultural.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o basta ter or\u00e7amento; \u00e9 preciso or\u00e7amento regularizado e uma mudan\u00e7a na cultura da sociedade brasileira para valorizar a ci\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Olival destaca como marco positivo o fim do contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT) pelo presidente\u00a0Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p><strong>Blindagem depende de projeto nacional<\/strong><\/p>\n<p>Questionado sobre como proteger o sistema cient\u00edfico de oscila\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, o presidente do CNPq \u00e9 direto:<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira blindagem \u00e9 o Brasil buscar um caminho de desenvolvimento econ\u00f4mico, social e sustent\u00e1vel em um cen\u00e1rio de liberdade.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, ci\u00eancia e democracia s\u00e3o estruturalmente interdependentes. \u201cSem esses elementos, corremos o risco de atraso no desenvolvimento das ci\u00eancias e tecnologias.\u201d<\/p>\n<p><strong>Or\u00e7amento: recupera\u00e7\u00e3o insuficiente<\/strong><\/p>\n<p>Freire reconhece avan\u00e7o or\u00e7ament\u00e1rio no atual governo, com recupera\u00e7\u00e3o de \u201cquase 50% a 60% nas ag\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Mas relativiza:<br \/>\u201cSe pergunto se isso \u00e9 suficiente, a resposta clara \u00e9 n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ele cita desafios estruturais \u2014 intelig\u00eancia artificial, terras raras, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e biodiversidade \u2014 e menciona a fuga de c\u00e9rebros ap\u00f3s 2016.<\/p>\n<p>\u201cFormamos aceleradamente m\u00e3o de obra qualificada, mas parte do problema foi a falta de absor\u00e7\u00e3o desses talentos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Intelig\u00eancia artificial e Amaz\u00f4nia no centro da agenda<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2023, o CNPq implementou:<\/p>\n<ul>\n<li>Repatria\u00e7\u00e3o de cerca de 600 cientistas;<\/li>\n<li>R$ 1,6 bilh\u00e3o investidos nos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCTs);<\/li>\n<li>Oito INCTs dedicados exclusivamente \u00e0 intelig\u00eancia artificial;<\/li>\n<li>1.500 novas bolsas de produtividade;<\/li>\n<li>Editais voltados \u00e0 Amaz\u00f4nia e \u00e0 diversidade cient\u00edfica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cEstar preparado \u00e9 um processo permanente\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica forte, inova\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil ocupa a 13\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial em produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas cai para a faixa de 50\u00ba a 60\u00ba lugar em inova\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cNossa fraqueza est\u00e1 na inova\u00e7\u00e3o\u201d, diz Freire. \u201cEsse \u00e9 o desafio da Nova Ind\u00fastria Brasil: industrializar com mais produtividade.\u201d<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m critica a concentra\u00e7\u00e3o regional da ci\u00eancia no Sudeste e defende pol\u00edticas de descentraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Encantar a juventude novamente<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que n\u00fameros e editais, Freire revela uma ambi\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>\u201cQuero contribuir para que a sociedade se encante com a ci\u00eancia como se encanta com a cultura e o esporte.\u201d<\/p>\n<p>Ele lembra que, nos anos 1970, cientistas como\u00a0C\u00e9sar Lattes\u00a0eram celebridades nacionais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos que todo estudante vire cientista. Queremos que a ci\u00eancia seja vista como projeto de futuro.\u201d<\/p>\n<p><strong>Celebra\u00e7\u00e3o com \u201cm\u00e3o na massa\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia de mar\u00e7o ser\u00e1 estruturada como um mosaico do sistema cient\u00edfico brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o ser\u00e1 apenas um encontro de autoridades. A maior parte das interven\u00e7\u00f5es ser\u00e1 de pesquisadores que est\u00e3o com a \u2018m\u00e3o na massa\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Para o presidente do CNPq, os 75 anos simbolizam mais do que longevidade institucional: representam a disputa pelo lugar da ci\u00eancia no projeto nacional brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cCelebrar os 75 anos \u00e9 celebrar um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do desenvolvimento deste pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia os principais trechos da entrevista:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Origem e significado hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: O CNPq completa 75 anos em 2026. Qual \u00e9 o significado hist\u00f3rico dessa institui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro moderno?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: O anivers\u00e1rio oficial \u00e9 em 15 de janeiro, mas faremos uma grande comemora\u00e7\u00e3o no dia 23 de mar\u00e7o, \u00e0s 18 horas, no Teatro Nacional. A op\u00e7\u00e3o por essa data espec\u00edfica deve-se a conveni\u00eancias de agenda das diversas autoridades que participar\u00e3o do evento.<\/p>\n<p>O Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) \u00e9 fruto de uma conjuntura muito precisa da constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o brasileira. Ele \u00e9 criado na transi\u00e7\u00e3o para o segundo governo de Get\u00falio Vargas e instalado nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>O CNPq surge junto com um conjunto de institui\u00e7\u00f5es que refletem um novo esp\u00edrito do Estado brasileiro diante da ci\u00eancia e da tecnologia. Na mesma \u00e9poca s\u00e3o criadas:<\/p>\n<ul>\n<li>a Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), por iniciativa de An\u00edsio Teixeira;<\/li>\n<li>a Petrobras, que mudaria completamente o cen\u00e1rio energ\u00e9tico do pa\u00eds;<\/li>\n<li>o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (ent\u00e3o BNDE), instrumento central no financiamento do desenvolvimento;<\/li>\n<li>o Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA), idealizado pelo brigadeiro Montenegro, essencial para a cria\u00e7\u00e3o da Embraer e da ind\u00fastria aeron\u00e1utica brasileira;<\/li>\n<li>e o Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), sob lideran\u00e7a de cientistas como C\u00e9sar Lattes, Jos\u00e9 Leite Lopes, Jayme Tiomno, Nilza Amaral e Elisa Frota Pessoa.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa lista mostra um esfor\u00e7o brasileiro consciente de valorizar a ci\u00eancia e tecnologia como parte do desenvolvimento nacional. As ra\u00edzes mais profundas dessa reorienta\u00e7\u00e3o do Estado est\u00e3o na Revolu\u00e7\u00e3o de 30 e no esfor\u00e7o de moderniza\u00e7\u00e3o, acelerados pela percep\u00e7\u00e3o global do uso da ci\u00eancia na Segunda Guerra Mundial (armas at\u00f4micas, radar, antibi\u00f3ticos). Lideran\u00e7as pol\u00edticas, empresariais, militares e cient\u00edficas brasileiras, de vi\u00e9s nacionalista, perceberam que o Brasil tinha potencialidades a desenvolver, especialmente recursos minerais (as chamadas terras raras, ent\u00e3o exportadas para os EUA com implica\u00e7\u00f5es nucleares) e petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as pol\u00edticas, empresariais, militares e cient\u00edficas brasileiras perceberam que o Brasil tinha potencialidades \u2014 minerais, petr\u00f3leo, terras raras \u2014 que precisavam ser desenvolvidas. Mais tarde, essa inspira\u00e7\u00e3o se cristalizou na ideologia do desenvolvimentismo, especialmente no governo Juscelino Kubitschek.<\/p>\n<p>Portanto, o CNPq \u00e9 parte desse esfor\u00e7o hist\u00f3rico de arrancada para o desenvolvimento econ\u00f4mico e industrial do pa\u00eds. Isso alterou a percep\u00e7\u00e3o mundial sobre o papel estrat\u00e9gico da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Esse esp\u00edrito cristalizou-se mais tarde na ideologia do desenvolvimentismo (governo JK, ISEB), mas as ra\u00edzes est\u00e3o precisamente no segundo governo Vargas. O CNPq nasce desse contexto de arrancada para o desenvolvimento econ\u00f4mico e industrial. Hoje compreendemos melhor que esse desenvolvimento precisa ser tamb\u00e9m social e ambientalmente sustent\u00e1vel, tem\u00e1ticas menos postas na d\u00e9cada de 50. Portanto, celebrar os 75 anos \u00e9 celebrar um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do desenvolvimento deste pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Papel das For\u00e7as Armadas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: As For\u00e7as Armadas tiveram um papel fundamental nesse processo inicial. Elas ainda mant\u00eam um papel importante nessas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: Sim. O ITA foi criado sob a lideran\u00e7a do Brigadeiro Montenegro (cuja biografia foi escrita por Fernando Moraes) e o Almirante \u00c1lvaro Alberto \u00e9 o patrono do CNPq. Isso \u00e9 bem documentado. \u00c9 imposs\u00edvel pensar defesa sem ci\u00eancia e tecnologia, e vice-versa, em qualquer pa\u00eds do mundo. N\u00e3o \u00e9 uma particularidade brasileira. Seria estranho imaginar um pa\u00eds onde organismos de defesa e for\u00e7as armadas fossem insens\u00edveis ao desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico. Esse papel permanece importante at\u00e9 hoje. No mundo inteiro, organismos de defesa est\u00e3o atentos ao desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Altos e baixos ao longo de 75 anos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: Ao longo desses 75 anos, o CNPq teve altos e baixos, especialmente com impactos recentes nos \u00faltimos governos. Como o senhor analisa essa trajet\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: Certamente. Desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e particularmente no governo anterior, houve cortes or\u00e7ament\u00e1rios e persegui\u00e7\u00f5es a cientistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma trajet\u00f3ria suave. Mas, olhando os 75 anos, prevalece um elemento de continuidade \u2014 tanto em per\u00edodos democr\u00e1ticos quanto no regime militar.<\/p>\n<p>No governo passado houve algo in\u00e9dito: uma campanha para desacreditar o valor da ci\u00eancia, especialmente durante a pandemia. Esse negacionismo causou danos n\u00e3o s\u00f3 or\u00e7ament\u00e1rios, mas culturais.<\/p>\n<p>Hoje, al\u00e9m de or\u00e7amento \u2014 como o n\u00e3o contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico, decis\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u2014 precisamos tamb\u00e9m de valoriza\u00e7\u00e3o cultural da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o remete \u00e0 economia: o esfor\u00e7o de desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico fez parte de um ciclo de desenvolvimento capitalista na sociedade brasileira. N\u00e3o se pode pensar desenvolvimento cient\u00edfico sem um novo projeto de desenvolvimento para o pa\u00eds. Das li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, incluindo como superamos o per\u00edodo ditatorial e enfrentamos as amea\u00e7as do governo passado, fica claro que a defesa da democracia \u00e9 uma quest\u00e3o absolutamente central e necess\u00e1ria para o desenvolvimento da ci\u00eancia e tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Compara\u00e7\u00e3o com a ditadura<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: O desmonte e os ataques que a ci\u00eancia sofreu no \u00faltimo governo foram in\u00e9ditos, maiores do que os ocorridos durante a ditadura?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: \u00c9 dif\u00edcil fazer compara\u00e7\u00f5es diretas porque s\u00e3o realidades distintas. Durante a ditadura, houve uma coexist\u00eancia complexa: apoio material ao nascimento da ci\u00eancia e tecnologia por governos militares, simultaneamente a persegui\u00e7\u00f5es a cientistas espec\u00edficos.<\/p>\n<p>No governo passado, tivemos uma natureza distinta de persegui\u00e7\u00e3o, profundamente venenosa. Pela primeira vez na hist\u00f3ria do Brasil, houve uma campanha estruturada para desacreditar o valor da ci\u00eancia. Tivemos um negacionismo cristalizado, especialmente durante a pandemia, que causou preju\u00edzos enormes n\u00e3o s\u00f3 pela retirada de recursos, mas por arranhar a pr\u00f3pria ideia de que a ci\u00eancia \u00e9 uma atividade importante. No CNPq, defendemos que n\u00e3o basta ter or\u00e7amento; \u00e9 preciso ter or\u00e7amento regularizado (como ocorreu com o fim do contingenciamento do FNDCT pelo presidente Lula) e, fundamentalmente, uma mudan\u00e7a na cultura da sociedade brasileira para valorizar a ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Qual \u00e9 a estrat\u00e9gia da extrema direita para a ci\u00eancia? Eles t\u00eam algum interesse utilit\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: \u00c9 dif\u00edcil dar uma resposta \u00fanica, pois varia de pa\u00eds para pa\u00eds. Veja o caso de Trump: inicialmente contestou a seriedade da pandemia, mas quando foi infectado, recorreu imediatamente aos medicamentos mais avan\u00e7ados. No caso espec\u00edfico do Brasil, o que foi dram\u00e1tico foi a campanha ativa para desacreditar a ci\u00eancia, algo in\u00e9dito em nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Blindagem contra oscila\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: \u00c9 poss\u00edvel blindar o financiamento cient\u00edfico contra essas oscila\u00e7\u00f5es pol\u00edticas?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: N\u00f3s, cientistas, sempre temos essa expectativa, mas essa blindagem n\u00e3o pode ser sustentada sem um projeto de desenvolvimento do pa\u00eds. A verdadeira blindagem \u00e9 o Brasil buscar um caminho de desenvolvimento econ\u00f4mico, social e sustent\u00e1vel em um cen\u00e1rio de liberdade, em ambiente democr\u00e1tico. Sem esses elementos, corremos o risco de ter incid\u00eancias fortes e atraso no desenvolvimento das ci\u00eancias e tecnologias. Sem isso, a ci\u00eancia fica vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Or\u00e7amento e desafios atuais<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: Com a recomposi\u00e7\u00e3o do FNDCT, o atual volume de recursos \u00e9 suficiente para um salto estrutural e para defender o paradigma estrat\u00e9gico da ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: A recupera\u00e7\u00e3o no governo Lula foi absolutamente crucial, viabilizada pela PEC da Transi\u00e7\u00e3o, que permitiu um reordenamento do or\u00e7amento. Tivemos uma recupera\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de quase 50% a 60% nas ag\u00eancias, incluindo o CNPq.<\/p>\n<p>Contudo, se pergunto se isso \u00e9 suficiente ou adequado, a resposta clara \u00e9 n\u00e3o. Os desafios de desenvolvimento da sociedade brasileira s\u00e3o imensos e acelerados: intelig\u00eancia artificial, uso de terras raras, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Al\u00e9m disso, formamos aceleradamente m\u00e3o de obra qualificada nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e parte do problema da \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d a partir de 2016 foi justamente a falta de absor\u00e7\u00e3o desses talentos. As necessidades s\u00e3o maiores que o atual cen\u00e1rio or\u00e7ament\u00e1rio. Estamos no caminho correto, mas a dota\u00e7\u00e3o atual ainda est\u00e1 aqu\u00e9m das necessidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Prepara\u00e7\u00e3o para novos desafios<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: O CNPq est\u00e1 preparado para desafios como intelig\u00eancia artificial, ci\u00eancia aberta, transi\u00e7\u00e3o digital e quest\u00f5es energ\u00e9ticas?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: Estar preparado \u00e9 um processo permanente. Desde 2023, incorporamos elementos novos que apontam nessa dire\u00e7\u00e3o. Destaco algumas a\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>Repatria\u00e7\u00e3o: A maior a\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil, trazendo ou fixando cerca de 600 cientistas.<\/li>\n<li>INCTs (Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia): Investimento de R$ 1,6 bilh\u00e3o, ampliando a rede em 20%. Hoje contamos com cerca de 240 institutos, sendo oito dedicados exclusivamente \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial.<\/li>\n<li>Bolsas de Produtividade: Aumento de cerca de 1.500 novas bolsas (alta de 10%), chegando a quase 18 mil bolsistas, al\u00e9m de reajuste de valores em 2023 (embora novo ajuste seja necess\u00e1rio).<\/li>\n<li>Chamadas Universais e Coopera\u00e7\u00e3o Internacional: Fortalecimento de linhas tradicionais.<\/li>\n<li>Foco na Amaz\u00f4nia: Edital ProAmaz\u00f4nia, com mais de R$ 300 milh\u00f5es para estruturar grupos e laborat\u00f3rios na regi\u00e3o.<\/li>\n<li>Diversidade: Regras para n\u00e3o prejudicar mulheres em situa\u00e7\u00e3o de maternidade e o Edital Beatriz Nascimento (com o Minist\u00e9rio da Igualdade Racial), enviando mais de 80 cientistas negras para doutorado\/p\u00f3s-doutorado no exterior.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para o futuro, estamos oferecendo mil bolsas para fixar jovens doutores em todo o pa\u00eds (garantindo cotas m\u00ednimas para todas as 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o) e lan\u00e7aremos novos editais focados em IA. O CNPq atua desde a ponta (bolsa de produtividade) at\u00e9 a base (Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica J\u00fanior na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica), embora o valor destas \u00faltimas (R$ 300 a R$ 700) ainda seja um desafio.<\/p>\n<p><strong>Rankings e geopol\u00edtica da ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: Rankings internacionais, como o de Leiden, colocam o Brasil entre os 20 melhores, destacando a USP, mas revelam uma concentra\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Como o senhor v\u00ea o posicionamento do Brasil e do Sul Global nessa geopol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: N\u00e3o nos orientamos excessivamente por rankings, pois eles muitas vezes n\u00e3o captam a realidade de institui\u00e7\u00f5es vitais como o ITA (que n\u00e3o aparece nesses rankings, mas cujos engenheiros s\u00e3o cobi\u00e7ados pela Boeing e Embraer). Voc\u00ea n\u00e3o mede adequadamente o impacto do ITA ou da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) nesses rankings.<\/p>\n<p>O Brasil tem uma boa posi\u00e7\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos (13\u00ba lugar), compat\u00edvel com o tamanho de nossa economia. Nossa fraqueza est\u00e1 na inova\u00e7\u00e3o: ca\u00edmos para a 50\u00aa ou 60\u00aa posi\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o desafio da \u201cNova Ind\u00fastria Brasil\u201d: industrializar com mais produtividade. Enquanto for mais atrativo deixar dinheiro rendendo no banco do que investir na produ\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 dif\u00edcil alterar esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Outro ponto cr\u00edtico \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o regional no Sudeste, o que n\u00e3o \u00e9 positivo. Grandes na\u00e7\u00f5es (EUA, Fran\u00e7a, Alemanha) operaram processos de desconcentra\u00e7\u00e3o. O Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, sob a ministra Luciana Santos, enfatiza a descentraliza\u00e7\u00e3o. O edital de fixa\u00e7\u00e3o de jovens doutores, por exemplo, garante bolsas para todas as unidades da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apostamos nas intera\u00e7\u00f5es do Sul Global. Recentemente lan\u00e7amos o edital \u201cPr\u00f3-Sul Pepe Mujica\u201d (R$ 50 milh\u00f5es) para incentivar redes de coopera\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Essa coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul depende da indu\u00e7\u00e3o estatal, diferentemente da coopera\u00e7\u00e3o Norte-Sul que ocorre mais \u201cnaturalmente\u201d.<\/p>\n<p><strong>Legado e ambi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vermelho: Chegamos aos 75 anos com novidades importantes. O que o senhor destacaria como legado ou ambi\u00e7\u00e3o para sua gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: Al\u00e9m das realiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 citadas (reajuste de bolsas, garantia de direitos previdenci\u00e1rios em discuss\u00e3o no Congresso com o relator deputado Ricardo Galv\u00e3o, editais estaduais de fixa\u00e7\u00e3o), minha ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 coletiva.<\/p>\n<p>Assumi o CNPq motivado pela mudan\u00e7a pol\u00edtica do pa\u00eds em 2022 e pela confian\u00e7a na ministra Luciana Santos. Formamos uma equipe (com D\u00e9bora Menezes, Lila Andrade, Claudio Chibitz, M\u00f4nica Feldz) com o objetivo de retomar o papel indutor do CNPq na ci\u00eancia, o que acredito estar cumprindo.<\/p>\n<p>Mas tenho uma expectativa mais imaterial: voltar a encantar a juventude brasileira com a ci\u00eancia. Na d\u00e9cada de 70, meu pai, no interior da Bahia, anunciava orgulhoso que seu filho seria \u201cf\u00edsico nuclear\u201d, pois havia um encanto social com a tecnologia. C\u00e9sar Lattes era uma celebridade, capa de jornal e tema de escola de samba. A sociedade via a ci\u00eancia como projeto de futuro. Quero contribuir para que a sociedade se encante com a ci\u00eancia como se encanta com a cultura e o esporte, estimulando jovens a seguirem carreiras cient\u00edficas.<\/p>\n<p><strong>Juventude e populariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pergunta: Como fazer esse di\u00e1logo com estudantes do ensino m\u00e9dio e gradua\u00e7\u00e3o para transformar a ci\u00eancia em projeto de vida?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: As principais ferramentas s\u00e3o as Olimp\u00edadas e Feiras Cient\u00edficas. As Olimp\u00edadas existem desde os anos 90, mas ganharam status de Estado quando o presidente Lula participou da entrega de medalhas da Olimp\u00edada de Matem\u00e1tica em seu primeiro mandato. Hoje temos Olimp\u00edadas de mais de 40 disciplinas (Hist\u00f3ria, Lingu\u00edstica, Ecologia, etc.), apoiadas sistematicamente.<\/p>\n<p>Somamos a isso, sob a lideran\u00e7a da ministra Luciana Santos, o equipamento de laborat\u00f3rios modernos no contraturno de escolas de tempo integral. O objetivo da populariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que todo aluno vire cientista, mas que a not\u00edcia de ci\u00eancia atraia o estudante tanto quanto uma not\u00edcia cultural ou esportiva.<\/p>\n<p><strong>Comemora\u00e7\u00e3o dos 75 anos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pergunta: Como ser\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Olival Freire Junior: Gostaria de refor\u00e7ar o conceito do nosso evento de comemora\u00e7\u00e3o. Quando levamos a proposta ao presidente Lula, usamos a express\u00e3o: \u201cPrecisamos que o senhor tenha um encontro com o ch\u00e3o de f\u00e1brica da ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O ato no dia 23 de mar\u00e7o no Teatro Nacional n\u00e3o ser\u00e1 apenas um encontro de autoridades. Ser\u00e1 um mosaico vivo: teremos alunos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, pesquisadores experientes, vencedores de primeiros editais e coordenadores de INCTs. A maior parte das interven\u00e7\u00f5es ser\u00e1 de pesquisadores que est\u00e3o com a \u201cm\u00e3o na massa\u201d. Queremos que os 75 anos sejam uma celebra\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a viva da ci\u00eancia na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/02\/20\/da-era-vargas-a-ia-cnpq-celebra-75-anos-mirando-reindustrializacao\/\">Da era Vargas \u00e0 IA, CNPq celebra 75 anos mirando reindustrializa\u00e7\u00e3o<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sexo-drogas-e-desinformacao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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