{"id":75119,"date":"2026-02-20T18:12:56","date_gmt":"2026-02-20T21:12:56","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tres-rios-por-um-fio\/"},"modified":"2026-02-20T18:12:56","modified_gmt":"2026-02-20T21:12:56","slug":"tres-rios-por-um-fio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tres-rios-por-um-fio\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas rios por um fio"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"364\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4954484061908962306_x-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4954484061908962306_x-1.jpg 600w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/20181206\/photo_4954484061908962306_x-1-300x182.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo Original:<strong><br \/>TR\u00caS RIOS \u2013 <\/strong><em><strong>Di\u00e1rio de navega\u00e7\u00e3o sobre \u00e1guas amea\u00e7adas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Escrevo navegando contra a corrente.<\/p>\n<p>Antes de partir convido quem queira navegar comigo. Come\u00e7o pelo Rio Madeira, partindo de Porto Velho at\u00e9 Nazar\u00e9, comunidade ribeirinha situada a mais de 100 quil\u00f4metros da sede do munic\u00edpio. Foi antes da pandemia de Covid, quando fui para participar de um encontro de Museologia Social. Ali, o rio \u00e9 parente, \u00e1gua que cozinha, que banha, que alimenta. S\u00e3o festas, mem\u00f3rias do tempo da borracha, identidade cultural amaz\u00f4nica, resist\u00eancia. No caminho, dragas de minera\u00e7\u00e3o. Muitas, alocadas lado a lado a quase perder a conta. O barulho do motor, os garimpeiros separando ouro de cascalho, o merc\u00fario ficando no leito.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-3-7.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-3-7.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31180428\/2.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-3-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Vi aquelas cenas com tristeza, horas a fio. Um m\u00eas antes o rio Madeira havia subido dezessete metros sobre o seu leito normal. Uma devasta\u00e7\u00e3o que deixou marcas, planta\u00e7\u00f5es arrasadas, casas com marca d\u2019\u00e1gua at\u00e9 o teto, ribanceiras assoladas, encostas desabadas, troncos flutuando \u00e0s margens. Uma enchente provocada. Da\u00ed pensei em um proverbio antigo, que ouvi de ribeirinhos de outro rio, o Tiet\u00ea de S\u00e3o Paulo, cantadores do cururu:\u00a0<em>\u201cDeus criou a cheia dos rios, o homem, a enchente.\u201d.\u00a0<\/em>Como tantos desastres, aquela cheia dantesca n\u00e3o havia sido natural. Rio acima, as Usinas Hidrel\u00e9tricas de Santo Ant\u00f4nio e Jirau haviam mudado o fluxo das \u00e1guas. Por conta das fortes chuvas rio acima, as \u00e1guas represadas foram liberadas de uma \u00fanica vez.<\/p>\n<p>O rio havia inundado tudo em quest\u00e3o de horas, mal dando tempo para os ribeirinhos se protegerem, muitos perderam m\u00f3veis, a cria\u00e7\u00e3o. Nos dias de perman\u00eancia no encontro, banho no igarap\u00e9, troca de ideias e o imagin\u00e1rio amaz\u00f4nico. Na volta, antes de entrar no barco, desequilibrei-me e ca\u00ed no rio barrento em que foi transformado o Madeira. Tripula\u00e7\u00e3o e passageiros ficaram preocupados, mas foi bom, eu tinha que mergulhar naquele rio. Foi susto e batizado.<\/p>\n<p>Voltei atento, contando novamente as dragas, imaginando o ouro extra\u00eddo e o merc\u00fario a empestear o leito. Tamb\u00e9m pude avistar alguns botos acompanhando a embarca\u00e7\u00e3o. Um momento de alegria, assim como a vis\u00e3o das melancias transportadas nos pequenos barcos ribeirinhos.<\/p>\n<p>Passados dez anos, sei que as dragas para extra\u00e7\u00e3o de ouro continuam l\u00e1; dizem que em menor quantidade, felizmente, mas ainda assim seguem derramando merc\u00fario no leito do rio. E h\u00e1 outras dragas, mais industriais, agora o objetivo \u00e9 para aprofundar o leito para agilizar o escoamento de mercadorias. Quais? Soja, milho, carnes\u2026 N\u00e3o h\u00e1 melancias nem frutas da mata, nem mandioca, essas continuam com baixo valor e seguem transportadas em canoas. Mas os gr\u00e3os que v\u00eam das imensas planta\u00e7\u00f5es do Centro-Oeste precisam de barca\u00e7as enormes e calado profundo. \u00c9 preciso aumentar o lucro at\u00e9 que alcancem aos portos do Amaz\u00f4nia e os destinos al\u00e9m-mar.<\/p>\n<p>Mais soja, mais milho, mais carnes\u2026<\/p>\n<p>Mais dinheiro, mais gan\u00e2ncias e desigualdades.<\/p>\n<p>E o rio a virar estrada da ambi\u00e7\u00e3o. Dragagem parece engenharia neutra. N\u00e3o \u00e9. O fundo do Madeira, como o do rio Tapaj\u00f3s, carrega merc\u00fario acumulado por d\u00e9cadas de garimpo. Garimpo que nada mais deixou a n\u00e3o ser explora\u00e7\u00e3o e intoxica\u00e7\u00e3o. Revolver o leito significa reintroduzir esse metal pesado no fio d\u2019\u00e1gua, contaminando flora e fauna aqu\u00e1tica. O merc\u00fario, no contato com as bact\u00e9rias, \u00e9 transformado em metilmerc\u00fario, uma potente neurotoxina ingerida pelos peixes e depois acumulada no tecido desses. E quanto maior o peixe, mais toxina \u00e9 acumulada. A neurotoxina atinge sangue e c\u00e9rebro, tamb\u00e9m a placenta, esse organismo tempor\u00e1rio que se forma no \u00fatero para sustentar o feto. Pela placenta o feto recebe oxig\u00eanio e nutrientes. Com o merc\u00fario dentro do corpo, no lugar de filtrar res\u00edduos, a placenta ir\u00e1 infiltr\u00e1-los com veneno. \u00cb uma bioacumula\u00e7\u00e3o em toda cadeia alimentar, dos peixes pequenos aos grandes e desses aos humanos, aos que est\u00e3o a nascer tamb\u00e9m.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Toda cadeia alimentar \u00e9 contaminada, ouro que vira morte e desola\u00e7\u00e3o. Diversas pesquisas em sa\u00fade p\u00fablica j\u00e1 identificaram elevados n\u00edveis de merc\u00fario entre as muitas comunidades amaz\u00f4nicas, sobretudo ribeirinhas e ind\u00edgenas. Impactos neurol\u00f3gicos a atingirem pessoas, ainda mais as crian\u00e7as. Os frios dados estat\u00edsticos se transformam em tremor na m\u00e3o de ind\u00edgenas e ribeirinhos. Isso as planilhas jamais ser\u00e3o capazes de descrever. Comprometido o feto, o beb\u00ea nasce com dificuldades sensoriais e de locomo\u00e7\u00e3o. O andar cambaleante, a fala arrastada, os tremores, a perda de audi\u00e7\u00e3o ou vis\u00e3o, tudo isso acontece em quem \u00e9 contaminado por merc\u00fario. \u00c9 preciso separar ouro de cascalho. E o que sobra \u00e9 jogado fora.<\/p>\n<p>Mas, quem se importa?<\/p>\n<p>S\u00e3o ribeirinhos perdidos na floresta perdida.<\/p>\n<p>As \u00e1guas, as matas, tem que dar passagem ao lucro descomunal.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as que jamais iremos ver, quando adultos, se um dia forem vistos, talvez algu\u00e9m diga:\u00a0<em>\u201c- que gente atrasada, nem sabem andar, mal falam, sequer olham nos olhos do interlocutor. Falta-lhes progresso!\u201d<\/em> Esse algu\u00e9m ir\u00e1 virar o rosto e seguir em marcha ao que ele julga progresso.\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto navego em texto os n\u00fameros do agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m me acompanham. O Brasil exporta aproximadamente US$ 170 bilh\u00f5es por ano em produtos agropecu\u00e1rios. Para ordem de grandeza o n\u00famero aproximado j\u00e1 \u00e9 o suficiente. Diferente dos n\u00fameros da cobi\u00e7a, quando falamos de gente \u00e9 necess\u00e1rio ser preciso, por isso descrevo o dano descrito acima. \u00c9 o que o dinheiro provoca.<\/p>\n<p>Navegando tortuosamente, volto ao Agro. Cerca de metade da pauta exportadora nacional tem origem na grande planta\u00e7\u00e3o. Em meus tempos de col\u00e9gio aprendi que o modelo colonial de explora\u00e7\u00e3o era baseado nas <em>Plantation; <\/em>passados s\u00e9culos, o nome mudou para Agro, mas sob o mesmo modelo. A soja \u00e9 campe\u00e3. Mais de 50% das exporta\u00e7\u00f5es do gr\u00e3o passam por grandes tradings globais. Entre elas, a Cargill (logo vou chegar no porto dela), gigante do agroneg\u00f3cio multinacional, propriedade de trinta e cinco bilion\u00e1rios. Sim, trinta e cinco pessoas que nem sabemos o nome, que nunca pisaram nessa terra nem navegaram em seus rios, acumulando mais de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares cada uma. Exemplifico pela Cargill, mas outras, como Bunge ou chinesas, n\u00e3o s\u00e3o diferentes dela. Apenas essa empresa responde por aproximadamente 16% das opera\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro. Coisa de R$ 126 bilh\u00f5es em 2023, e lucro anunciado de R$ 2,4 bilh\u00f5es. Anunciado e declarado foi isso, mas suspeito que o lucro \u00e9 maior. Enfim\u2026<\/p>\n<p>Navegando um pouco mais nas informa\u00e7\u00f5es fui procurar o investimento anunciado pela empresa para 2024 no Brasil: R$ 1,7 bilh\u00e3o. Anunciado com pompa, como se fosse grande coisa, grande aux\u00edlio \u00e0 na\u00e7\u00e3o brasileira. Investimento comemorado por empres\u00e1rios, governo e imprensa, ao menos pela imprensa que anuncia que o Agro \u00e9 Pop. R$ 1,7 bilh\u00e3o mal ultrapassa 1% do faturamento da empresa em um ano. Investimento em log\u00edstica, porque para tecnologia e inova\u00e7\u00e3o o aporte \u00e9 quase zero. Afinal, o modelo vigente \u00e9 o mesmo que garante o lucro h\u00e1 quinhentos anos de explora\u00e7\u00e3o, desde o tempo da Planta\u00e7\u00e3o. O lucro da Cargill (e de outras como ela) concentra-se na log\u00edstica e na intermedia\u00e7\u00e3o comercial global, como no tempo do Mercantilismo colonial.<\/p>\n<p>O dano ambiental dispersa-se nas margens. E com forte subs\u00eddio do Estado. Quem paga \u00e9 povo com seus tremores neurol\u00f3gicos e vidas devastadas. Na safra de 2024 o Agroneg\u00f3cio recebeu mais de R$ 400 bilh\u00f5es em cr\u00e9dito, al\u00e9m de estimados R$ 158 bilh\u00f5es as ren\u00fancias fiscais. Parte consider\u00e1vel desse cr\u00e9dito e ren\u00fancias fiscais foi aplicada na compra de venenos e agrot\u00f3xicos (opa! \u201cdefensivos agr\u00edcolas\u201d) proibidos em outras partes do mundo.<\/p>\n<p>S\u00f3 para comparar, sem desviar da navega\u00e7\u00e3o. Enquanto isso a agricultura familiar, que representa a maioria dos estabelecimentos rurais e 70% da produ\u00e7\u00e3o dos alimentos consumidos no pa\u00eds, recebeu cerca de R$ 76 bilh\u00f5es. Para os grandes, e os mais grandes, que nem vivem no Brasil, exporta\u00e7\u00f5es desoneradas e cadeia de valor favorecida; para o povo, uns trocados e custos ambientais socializados (e com muita doen\u00e7a junto).<\/p>\n<p>Toda essa vastid\u00e3o de ren\u00fancias fiscais e cr\u00e9dito subsidiado sequer vem acompanhada de condicionantes ecol\u00f3gicas estruturantes. Ao contr\u00e1rio, n\u00e3o contentes, querem devastar mais. Para o avarento s\u00f3 a acumula\u00e7\u00e3o imediata importa. Expans\u00e3o da fronteira at\u00e9 o \u00faltimo palmo de terra, a \u00faltima \u00e1rvore derrubada, a \u00faltima gota d\u2019\u00e1gua. Expandir a fronteira agr\u00edcola, particularmente na Amaz\u00f4nia, significa floresta derrubada, rios envenenados e gente arruinada.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ciclo na devasta\u00e7\u00e3o. Primeiro o com\u00e9rcio ilegal de madeira, depois o pasto para pecu\u00e1ria, depois a agricultura. Assim a terra se transforma em reserva de valor e a floresta torna-se etapa transit\u00f3ria da <em>commodity<\/em>. O solo exposto carrega sedimentos e agrot\u00f3xicos para os rios. Com menos \u00e1rvores na floresta o ciclo hidrol\u00f3gico se altera. Diminuindo a evapora\u00e7\u00e3o produzida pelas \u00e1rvores dissipam-se os milagrosos rios voadores. Esses que regulam as chuvas no estado de S\u00e3o Paulo e parte de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e oeste do Paran\u00e1. N\u00e3o fosse a evapora\u00e7\u00e3o gerada pela floresta Amaz\u00f4nia, esse canto do mundo na faixa do tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio seria um imenso deserto, como acontece com os demais territ\u00f3rios situados na mesma linha, o Atacama, Kalahari e Outback, tamb\u00e9m situados na mesma linha. No sudeste do Brasil \u00e9 diferente unicamente porque h\u00e1 os rios e florestas amaz\u00f4nicos, os ventos do leste e os Andes a rebater as nuvens. Mas agora, o que come\u00e7a na floresta derrubada e no rio envenenado termina na \u00e1gua contaminada e na seca programada.\u00a0<\/p>\n<p>Do Madeira desemboco no Tocantins.<\/p>\n<p>Navegar de mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o permite esses pulos. Saio de Marab\u00e1 at\u00e9 alcan\u00e7ar as margens do Tocantins em frente ao Pedral do Louren\u00e7\u00e3o. Que ber\u00e7\u00e1rio! Imensas pedras feito ilhas, por quil\u00f4metros de rio. Navego em um pequeno barco, atraco entre as pedras e caminho sobre o pedral. Pedras imensas, vivas. Que lugar de abund\u00e2ncia! A pedra ali n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo, \u00e9 arquivo geol\u00f3gico, ber\u00e7\u00e1rio de peixes, saber acumulado na rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1gua e tempo.<\/p>\n<p>Com amigos, estendemos uma faixa em defesa do Pedral. Eu estava com Silvana, amada companheira de viagens, a convite de Dan Baron e Manoela; foi um rio de encontros. \u00c9ramos poucos, foi h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, navegamos em defesa daquelas rochas que s\u00e3o ventre, amea\u00e7adas desde antes.<\/p>\n<p>A cobi\u00e7a n\u00e3o tem limites nem d\u00e1 sossego para a vida, e insiste: quer implodir o Pedral!<\/p>\n<p>A todo custo, n\u00e3o importa o que v\u00e3o destruir. Querem o projeto de derrocamento explodindo as forma\u00e7\u00f5es rochosas. Pela morte v\u00e3o fazer passar gigantescos comboios de gr\u00e3os. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a hidrovia, que existe nos tr\u00eas rios, barcos passam por l\u00e1 desde h\u00e1 muito tempo, circulam mercadorias, h\u00e1 conex\u00e3o de comunidades. O ponto \u00e9 a gan\u00e2ncia. Querem mais. Sempre querem mais. Barca\u00e7as enormes a atravessarem o rio at\u00e9 o dia em que n\u00e3o haver\u00e1 mais rio. S\u00f3 leito seco. Mas a\u00ed j\u00e1 haver\u00e3o ganhado muito dinheiro e partir\u00e3o para destruir outro lugar.<\/p>\n<p>A palavra \u00e9 t\u00e9cnica. O impacto, n\u00e3o. Alterar o Pedral do Louren\u00e7o significa modificar a hidrodin\u00e2mica do Tocantins, interferindo nos ciclos reprodutivos da ictiofauna (quem sabe escrevendo em palavra t\u00e9cnica eu serei melhor escutado). Isso vai reconfigurar os modos de vida dos ribeirinhos. Sem peixe n\u00e3o h\u00e1 vida ribeirinha, nem cultura da abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Recordo da volta. No caminho por estrada avistei uma imensa gleba de moradia popular sendo constru\u00edda com recursos do \u201cMinha Casa, Minha Viva\u201d. Centenas de casinhas apertadas, janelas mais ainda, dessas de alum\u00ednio, que abrem apenas uma aba, para entrar luz e ar uns 30 cent\u00edmetros de largura por cinquenta de altura. Aquele calor na periferia de Marab\u00e1, casinhas com janelas min\u00fasculas, sem luz natural, sem vento, sem \u00e1rvores, sem quintal. No meio da floresta derrubada. Para l\u00e1 iriam os ribeirinhos amputados do sistema ecol\u00f3gico complexo e abundante em que viviam. Tiveram o rio roubado. Foi assim tamb\u00e9m em Altamira ap\u00f3s Belo Monte. Hoje a cidade \u00e9 assolada por tr\u00eas epidemias: viol\u00eancia, pobreza e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Discursos oficiais, de todos os lados, havendo passado governos de diferentes matizes, alegam que \u00e9 preciso explodir o Pedral para promover \u201cdestravamento log\u00edstico\u201d e promover o desenvolvimento. S\u00f3 se for (des)envolver, sair do envolvimento. Assassinato da natureza para gerar riqueza para uns poucos, os de sempre. Sempre os de sempre. Assassinando a natureza entulha-se as pessoas. Quando o Estado\/Mercado dinamita a pedra, n\u00e3o est\u00e1 apenas abrindo caminho para barca\u00e7as, est\u00e1 escolhendo quem vai ganhar (poucos) e quem vai perder (muitos).<\/p>\n<p>Do Tocantins navego ao Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>O sol incide obl\u00edquo sobre a superf\u00edcie verde-dourada. Alter do Ch\u00e3o, o Caribe amaz\u00f4nico e suas \u00e1guas transl\u00facidas entre a areia branca. Agora a tens\u00e3o \u00e9 presente.<\/p>\n<p>Dessa vez navego de longe, alucinadamente procurando not\u00edcias em redes sociais, relatos de amigos. O governo federal editou o Decreto n\u00ba 12.600\/2025 no m\u00eas de agosto do ano passado. O decreto qualifica trechos dos rios Madeira, Tocantins e Tapaj\u00f3s no \u00e2mbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), autorizando estudos e procedimentos para concess\u00e3o dos rios \u00e0 iniciativa privada, que poder\u00e1 utiliz\u00e1-los como hidrovias e outras fontes de neg\u00f3cio. Concess\u00e3o, o novo nome para privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o decreto do governo empresas privadas poder\u00e3o estruturar, manter e explorar economicamente esses \u201ccorredores log\u00edsticos\u201d para transporte de cargas, especialmente gr\u00e3os e min\u00e9rios. Rios vivos, comunidades de seres, reduzidos a corredores log\u00edsticos,\u00a0modelagens de concess\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o privada, dragagem revolvendo o leito dos rios, opera\u00e7\u00e3o de trechos fluviais integrados ao \u201csistema nacional de exporta\u00e7\u00e3o\u201d. Nem se esconde a inten\u00e7\u00e3o: cobran\u00e7a de passagem.<\/p>\n<p>Tudo resumido em um ato administrativo, como se n\u00e3o existisse vida por l\u00e1. O Decreto n\u00ba 12.600\/2025 precisa ser revogado imediatamente!<\/p>\n<p>\u00c9 ilegal. Descumpre a Conven\u00e7\u00e3o 169\/1989 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Ind\u00edgenas e Tradicionais, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio. Pela Conven\u00e7\u00e3o da OIT \u00e9 exigida \u201cConsulta Livre, Pr\u00e9via e Informada pelas popula\u00e7\u00f5es afetadas por grandes empreendimentos. Para os que gostam de siglas: CLPI. Governos s\u00e3o obrigados a consultarem povos afetados por medidas e obras de impacto ambiental, a consulta tem que ser livre de manipula\u00e7\u00f5es, pr\u00e9via a qualquer medida de impacto, e as comunidades precisam ser bem informadas sobre todos os efeitos resultantes do empreendimento. Revogar o decreto \u00e9 um imperativo \u00e9tico, civilizat\u00f3rio e legal.<\/p>\n<p>Com essas tr\u00eas hidrovias abertas a grandes embarca\u00e7\u00f5es, haver\u00e1 impactos cumulativos irrevers\u00edveis. A dragagem libera contamina\u00e7\u00e3o, o merc\u00fario, e n\u00e3o s\u00f3, depositado no leito dos rios Madeira e Tapaj\u00f3s vai contaminar toda a comunidade de seres que habita aquele rio. O transporte de grande porte ir\u00e1 gerar press\u00e3o territorial, viol\u00eancia fundi\u00e1ria. Pensem nos \u201cParentinhos\u201d, como os pequenos ind\u00edgenas de v\u00e1rios povos se chamam. \u00c9 t\u00e3o lindo v\u00ea-los sorrindo, pulando n\u2019\u00e1gua, brincando, se divertindo.<\/p>\n<p>Revogar o Decreto n\u00ba 12.600\/2025 n\u00e3o \u00e9 favor, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Navego sob a lembran\u00e7a de um outro Ato de governo, assinado h\u00e1 mais de vinte anos. Portaria n\u00ba 156 de 6 de julho de 2004, que constituiu o Programa Cultura Viva. Atrav\u00e9s dessa Portaria o Estado brasileiro chegou aos pontos mais afastados, esquecidos e silenciados do pa\u00eds, incluindo esses tr\u00eas rios. No Tapaj\u00f3s chegou com um Ponto de Cultura instalado em um barco, <em>\u201cSa\u00fade e Alegria\u201d<\/em>; creio que ainda \u00e9 Ponto de Cultura, mas, mesmo que n\u00e3o receba mais o reconhecimento oficial, o \u00e9 na pr\u00e1tica. Com <em>\u201cSa\u00fade e Aleg<\/em><em>r<\/em><em>ia\u201d <\/em>navega-se levando atendimento m\u00e9dico, cultura, palha\u00e7aria, livros e leitura, comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>No Tapaj\u00f3s, como em outros cantos e barrancos, Pontos de Cultura florescem como far\u00f3is ribeirinhos. O Estado chegou dispondo, n\u00e3o impondo. Cultura Viva n\u00e3o \u00e9 ornamento; \u00e9 infraestrutura social que fortalece autonomia e protagonismo sociocultural. Com ela o rio n\u00e3o \u00e9 via de escoamento, \u00e9 eixo de comunidade.<\/p>\n<p>Dois decretos, dois programas de governo, dois tempos diferentes. Um mede sucesso por tonelada (de gr\u00e3o ou min\u00e9rio) exportada; outro, media o \u00eaxito por Sa\u00fade e Alegria no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Minha navega\u00e7\u00e3o vai chegando ao fim.<\/p>\n<p>N\u00e3o sem antes reafirmar, esse ato administrativo que privatiza rios (podem usar o eufemismo de concess\u00e3o, mas \u00e9 privatiza\u00e7\u00e3o) \u00e9 um gesto pol\u00edtico profundo de desprezo \u00e0 dignidade da natureza e suas gentes. Rios s\u00e3o comunidades de seres, cheios de hist\u00f3rias, de vida, encontros, transform\u00e1-los em infraestrutura conced\u00edvel e mercantilizada \u00e9 de uma viol\u00eancia inomin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Chego a Santar\u00e9m. Um dia talvez escreva sobre a cer\u00e2mica ancestral e a conflu\u00eancia de vidas por essas bandas da abund\u00e2ncia. Mas com esse ensaio navegante finalizo falando dos ind\u00edgenas e ambientalistas que ocupam, neste momento, o porto da Cargill. \u00c9 o povo em levante. S\u00e3o milhares, combativos e firmes. Como firmes e combativos foram seus ancestrais, que o colonizador s\u00f3 conseguiu derrotar no s\u00e9culo XVIII. Protestam contra o decreto. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 contra o Decreto, lutam pela vida, deles e de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia ind\u00edgena que acontece agora em Santar\u00e9m, sobre a qual busco migalhas de informa\u00e7\u00e3o, uma vez que a chamada grande imprensa imp\u00f5e censura sobre os fatos, \u00e9, neste momento, o fato mais relevante de luta popular em 2026.<\/p>\n<p>Distante. Como navegante de mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o, vejo rostos, ou\u00e7o cantos e quero empunhar faixas lado a lado a eles. Gritar ao cora\u00e7\u00e3o do mundo at\u00e9 fazer as pessoas escutarem o rio. Nesse momento meu grito \u00e9 escrita silenciosa, mas expressa a mesma agonia dos parentes ind\u00edgenas, da gente de consci\u00eancia, que sabem que o rio sendo ferido. Escrevo como lamento e grito to para que outros escutem e se juntem a essa luta. Onde quer que estejam, na forma que puderem.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia ind\u00edgena representa a defesa de outra concep\u00e7\u00e3o de mundo. \u00c9 Bem Viver. N\u00e3o \u00e9 acumula\u00e7\u00e3o, \u00e9 distribui\u00e7\u00e3o. Para os povos do Tapaj\u00f3s, e todos os povos de raiz em todas as partes do planeta, o rio \u00e9 sujeito de rela\u00e7\u00e3o, comunidade de seres. E o Bem Viver que n\u00e3o cabe na planilha de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre o decreto governamental, a gan\u00e2ncia empresarial e o canto ind\u00edgena, h\u00e1 uma escolha civilizat\u00f3ria. Se transformarem o rio em ativo log\u00edstico, concedido, aprofundado, retificado, mercantilizado, o territ\u00f3rio vivo deixar\u00e1 de ser respeitado em seus limites ecol\u00f3gicos e culturais. Ser\u00e1 via morta. E morreremos todos, at\u00e9 os que n\u00e3o vivem l\u00e1.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas rios contam a mesma hist\u00f3ria sob perspectivas distintas. No Madeira, o sedimento carregando merc\u00fario da avidez (que acontece tamb\u00e9m no Tapaj\u00f3s); no Tocantins, o pedral amea\u00e7ado pela explos\u00e3o; no Tapaj\u00f3s, o povo em uni\u00e3o, oferecendo os corpos como barragem \u00e9tica para toda a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tr\u00eas rios.<\/p>\n<p>Tr\u00eas advert\u00eancias.<\/p>\n<p>E uma pergunta que corre junto com a correnteza:<\/p>\n<p>Que pa\u00eds queremos ser quando decidimos coisificar o destino das \u00e1guas que nos mant\u00eam vivos?<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Nutrem a biodiversidade e os povos da Amaz\u00f4nia. A privatiza\u00e7\u00e3o pode reduzi-los a rotas mortas, para escoar soja e min\u00e9rios. Os ind\u00edgenas resistem. Est\u00e1 na hora de derrubar o Decreto 12.600<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/tres-rios-por-um-fio\/\">Tr\u00eas rios por um fio<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":75120,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[109,5511,36366,6007,761,1358,3943,19773,18412,36367,36368,3688],"tags":[],"class_list":["post-75119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-capa","category-cargil","category-crise-brasileira","category-indigenas","category-povos-indigenas","category-povos-originarios","category-privatizacao-dos-rios","category-rio-madeira","category-rio-tapajos","category-rio-tocantins","category-ruralistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}