{"id":75238,"date":"2026-02-23T04:00:00","date_gmt":"2026-02-23T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/armas-carbono-e-misterio-o-segredo-militar-que-poe-em-risco-o-clima-do-mundo\/"},"modified":"2026-02-23T04:00:00","modified_gmt":"2026-02-23T07:00:00","slug":"armas-carbono-e-misterio-o-segredo-militar-que-poe-em-risco-o-clima-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/armas-carbono-e-misterio-o-segredo-militar-que-poe-em-risco-o-clima-do-mundo\/","title":{"rendered":"Armas, carbono e mist\u00e9rio: o segredo militar que p\u00f5e em risco o clima do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Tiro, porrada, bomba \u2013 e emiss\u00e3o de carbono. Com ve\u00edculos blindados, avi\u00f5es de combate e navios de guerra, transporte de tropas e toda uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o de armamentos, a guerra deixa um rastro de horror tamb\u00e9m para o clima.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse devastar vidas e ecossistemas, ao consumir grandes quantidades de energia, a atividade militar tamb\u00e9m emite grandes volumes dos gases respons\u00e1veis pela crise clim\u00e1tica que assola o planeta. <span>Se fossem um pa\u00eds, as for\u00e7as armadas seriam o quarto maior emissor do mundo, com mais emiss\u00f5es do que o Brasil, atr\u00e1s apenas de China, Estados Unidos e \u00cdndia<\/span>, segundo estimativa das organiza\u00e7\u00f5es Cientistas por Responsabilidade Global e Observat\u00f3rio sobre Conflito e Meio Ambiente.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h2>Por que isso importa?<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Com mais de trinta conflitos envolvendo for\u00e7as militares nacionais pelo mundo e emiss\u00f5es de 2,75 gigatoneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente, a caixa-preta do impacto ambiental das a\u00e7\u00f5es de guerra precisa ser aberta, para que custos humano e ambiental influenciem decis\u00f5es pol\u00edticas que muitas vezes os ignoram.<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Ainda assim, quando firmaram os acordos globais para frear o aquecimento global, os pa\u00edses optaram por deixar essas emiss\u00f5es de fora de qualquer controle ou contabiliza\u00e7\u00e3o \u2013 e a pegada de carbono militar segue sendo quase um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p><span>\u201cIsso \u00e9 profundamente preocupante. As for\u00e7as armadas do mundo contribuem mais [para o aquecimento global] do que o continente africano inteiro\u201d<\/span>, diz a brit\u00e2nica Ellie Kinney, do Observat\u00f3rio sobre Conflito e Meio Ambiente. \u201cPor\u00e9m n\u00f3s ainda n\u00e3o estamos vendo compromissos abrangentes para a redu\u00e7\u00e3o dessas emiss\u00f5es, e a contribui\u00e7\u00e3o militar para as emiss\u00f5es globais continua ausente das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas internacionais\u201d.<\/p>\n<p>Kinney cita as amea\u00e7as do presidente americano Donald Trump contra a Groenl\u00e2ndia, rica em minerais estrat\u00e9gicos para a ind\u00fastria de defesa e para o setor de energia limpa, a agress\u00e3o dele contra a Venezuela, pa\u00eds com a maior reserva de petr\u00f3leo do mundo, e os ataques russos contra a infraestrutura energ\u00e9tica da Ucr\u00e2nia. \u201cAinda assim, a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) e os estados da Uni\u00e3o Europeia (UE) est\u00e3o intensificando seus gastos militares, o que pode causar at\u00e9 US$ 298 bilh\u00f5es de danos clim\u00e1ticos por ano\u201d, afirma ela.<\/p>\n<p><span>Enquanto os pa\u00edses em desenvolvimento seguem cobrando que os pa\u00edses mais industrializados honrem seus compromissos de financiamento clim\u00e1tico, os 32 pa\u00edses da Otan se comprometeram a investir 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa.<\/span> J\u00e1 o plano de \u201crearmamento\u201d europeu prev\u00ea mobilizar mais de 800 bilh\u00f5es de euros [cerca de R$ 5 trilh\u00f5es] at\u00e9 2030.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<h2><strong>Efeito domin\u00f3 que s\u00f3 cresce<\/strong><\/h2>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), as na\u00e7\u00f5es com mais recursos econ\u00f4micos gastam 30 vezes mais em atividades militares do que investem em pa\u00edses vulner\u00e1veis. <span>Um relat\u00f3rio de setembro do secret\u00e1rio-geral da ONU, Antonio Guterres, apontou que cerca de 15% do total dos gastos militares em 2024 seriam suficientes para financiar as medidas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 crise clim\u00e1tica necess\u00e1rias nos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/span> Enquanto isso, a ONG Oil Change International estima que US$ 5 trilh\u00f5es [R$ 26 trilh\u00f5es] poderiam ser levantados a partir de uma taxa no com\u00e9rcio de armas entre pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Principal fonte de press\u00e3o por mais gastos militares, Donald Trump quer elevar em 60% o or\u00e7amento em defesa dos EUA dos atuais US$ 901 bilh\u00f5es previstos para 2026 para US$ 1,5 trilh\u00e3o em 2027, o equivalente a R$ 7,9 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Um levantamento do Instituto de Pesquisa para Paz Internacional de Estocolmo mostrou que, em 2024, ano em que foram registrados conflitos em 36 pa\u00edses, o gasto militar cresceu em todas as regi\u00f5es do mundo. <span>Apenas Estados Unidos, China, R\u00fassia, Alemanha e \u00cdndia somaram juntos 60% de um total de US$ 2,7 trilh\u00f5es [R$ 14,1 trilh\u00f5es] investidos no setor \u2013 o maior valor desde o fim da Segunda Guerra Mundial.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m de sugar recursos que poderiam estar indo para outras frentes, cada d\u00f3lar investido nas for\u00e7as armadas significa mais emiss\u00f5es militares de carbono, o que contribui para o cen\u00e1rio de tempestades, secas e inc\u00eandios cada vez mais intensos e frequentes. <span>Cada US$ 100 bilh\u00f5es de aumento em gastos militares implica na emiss\u00e3o adicional de 32 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente<\/span>, de acordo com relat\u00f3rio da ONG Cientistas por Responsabilidade Global de setembro de 2025, que revisou uma s\u00e9rie de pesquisas sobre essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>Menos paz, mais gastos militares<\/strong><\/h2>\n<p>Os pa\u00edses gastam mais com suas for\u00e7as armadas. Segundo o Instituto de Pesquisa para Paz Internacional de Estocolmo,\u00a0em 2024, o investimento foi de US$ 2,7 trilh\u00f5es, o equivalente a R$ 14 trilh\u00f5es, o maior valor desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Quer saber a quanto esse n\u00famero equivale?<\/p>\n<div>\n<div>\n<div data-id=\"0\">\n<div>PIB<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"1\">\n<div>Contribui\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"2\">\n<div>ONU<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3\">\n<div>Covid-19<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>\t\t\t<!--\n\t\t\t\n\n<div class=\"row justify-content-center d-none d-md-flex\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\n<div class=\"trigger title-wrap small col-4 col-md-2 mb-3 text-center\" data-id=\"0\">\n\t\t\t\t\t\t\tPIB\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\n<div class=\"trigger title-wrap small col-4 col-md-2 mb-3 text-center active\" data-id=\"1\">\n\t\t\t\t\t\t\tContribui\u00e7\u00e3o\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\n<div class=\"trigger title-wrap small col-4 col-md-2 mb-3 text-center\" data-id=\"2\">\n\t\t\t\t\t\t\tONU\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\n<div class=\"trigger title-wrap small col-4 col-md-2 mb-3 text-center\" data-id=\"3\">\n\t\t\t\t\t\t\tCovid-19\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\n\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\n\n\t\t\t--><\/p>\n<div>\n<div>\n<div data-id=\"0\">\n<div>\n<h6><strong>PIB<\/strong><\/h6>\n<p>2,5% do PIB mundial em 2024<br \/>\nou mesmo que todos os pa\u00edses africanos<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div data-id=\"1\">\n<div>\n<h6><strong>Contribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<p>US$ 334 ou R$ 1737<br \/>\npor cada pessoa do planeta<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div data-id=\"2\">\n<div>\n<h6><strong>ONU<\/strong><\/h6>\n<p>750 vezes o or\u00e7amento anual<br \/>\nda Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div data-id=\"3\">\n<div>\n<h6><strong>Covid-19<\/strong><\/h6>\n<p>17 vezes o total<br \/>\ndo gasto global em vacinas<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Mais dinheiro investido em for\u00e7as armadas pode implicar em mais treinamentos e miss\u00f5es (como a da Otan no \u00c1rtico), alistamento de mais indiv\u00edduos, maior consumo de combust\u00edvel para ve\u00edculos de transporte, mais uso de energia nas bases militares e maior demanda para as ind\u00fastrias b\u00e9lica e de infraestrutura. Cada consequ\u00eancia do investimento, por sua vez, provoca mais emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio recente da ONU projeta que o gasto militar global vai aumentar de US$ 2,7 trilh\u00f5es em 2024 para algo entre US$ 4,4 e US$ 6,6 trilh\u00f5es em 2035. Como as emiss\u00f5es de carbono tendem a crescer com o aumento do gasto, ainda que essa rela\u00e7\u00e3o seja complexa, isso deve levar a um aumento imenso na pegada de carbono militar\u201d, afirma o pesquisador Stuart Parkinson, especialista em ci\u00eancia da mudan\u00e7a do clima e diretor-executivo da Cientistas por Responsabilidade Global.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<h2><strong>Caixa de Pandora moderna<\/strong><\/h2>\n<p>A incapacidade dos pa\u00edses de cortar suas emiss\u00f5es deve elevar, j\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos, a temperatura m\u00e9dia da Terra para al\u00e9m da meta mais ambiciosa estabelecida no principal tratado global contra a crise clim\u00e1tica, o Acordo de Paris, que definiu que os pa\u00edses precisam agir para evitar um aquecimento maior do que 1,5\u00baC na compara\u00e7\u00e3o com a temperatura global antes dos processos de industrializa\u00e7\u00e3o. <span>\u201cConsiderando as dificuldades de reduzir emiss\u00f5es militares e de conflitos, isso implica que as metas de cortes das emiss\u00f5es civis precisam ser ainda mais fortes\u201d<\/span>, diz Parkinson.<\/p>\n<p>Pelo Acordo de Paris, os pa\u00edses precisam estabelecer metas para reduzir suas emiss\u00f5es e informar o quanto emitem. A contabiliza\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es militares, por\u00e9m, \u00e9 volunt\u00e1ria \u2013 um pequeno avan\u00e7o diante do acordo anterior, o Protocolo de Kyoto, que gra\u00e7as ao lobby americano, excluiu totalmente essas emiss\u00f5es.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p><span>Em 2025, apenas seis pa\u00edses informaram dados desagregados de suas emiss\u00f5es militares: Alemanha, Hungria, Noruega, Eslov\u00e1quia, Bulg\u00e1ria e Ciprus<\/span>, conforme levantamento do projeto Military Emissions Gap, do Observat\u00f3rio sobre Conflito e Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Outras pot\u00eancias militares ou n\u00e3o informaram nenhum dado (caso de EUA, R\u00fassia, China, Jap\u00e3o, Pol\u00f4nia e Turquia) ou apresentaram n\u00fameros agregados (como Reino Unido e Fran\u00e7a), o que dificulta uma an\u00e1lise mais precisa.<\/p>\n<p><span>Na pr\u00e1tica, isso significa que praticamente n\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis sobre o assunto.<\/span> A maioria das For\u00e7as Armadas n\u00e3o mapeia as emiss\u00f5es das cadeias de suprimentos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 pouco investimento em pesquisa para desenvolver metodologias para contabilizar as emiss\u00f5es em conflitos.<\/p>\n<p>\u201cO maior problema com as estimativas oficiais de emiss\u00f5es militares \u00e9 que elas n\u00e3o incluem as emiss\u00f5es das cadeias produtivas. Segundo a nossa pesquisa, isso pode significar que o total de emiss\u00f5es \u00e9 cinco vezes maior do que as emiss\u00f5es diretas\u201d, explica Parkinson.<\/p>\n<p>Ainda que faltem metodologias cient\u00edficas revisadas e acordadas para medir as emiss\u00f5es em conflitos, alguns pesquisadores trabalharam para estim\u00e1-las na Guerra na Ucr\u00e2nia e na Guerra em Gaza.<\/p>\n<p><span>Maior conflito armado na Europa desde a 2\u00aa Guerra Mundial, a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia j\u00e1 produziu 237 milh\u00f5es de toneladas de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono equivalente (medida usada para padronizar as emiss\u00f5es) ao longo dos primeiros tr\u00eas anos de conflito.<\/span> O volume \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0s emiss\u00f5es anuais de pa\u00edses desenvolvidos como B\u00e9lgica e \u00c1ustria.<\/p>\n<p>Pesquisadores estimaram que um ter\u00e7o dessas emiss\u00f5es foi causada pela guerra, com consumo de combust\u00edveis, uso de muni\u00e7\u00f5es, m\u00edsseis e explosivos, constru\u00e7\u00e3o de fortifica\u00e7\u00f5es e trincheiras, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o de equipamentos. A reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura destru\u00edda responde por outro ter\u00e7o, enquanto outros 21% teriam sido decorrentes de inc\u00eandios florestais, muitos iniciados por bombardeios.<\/p>\n<p>Uma fonte de emiss\u00e3o mais surpreendente (9% do total) \u00e9 avia\u00e7\u00e3o comercial, obrigada a alterar v\u00e1rias rotas por conta do fechamento do espa\u00e7o a\u00e9reo da Ucr\u00e2nia e da R\u00fassia, que proibiu companhias a\u00e9reas de 16 pa\u00edses. As mudan\u00e7as de rotas aumentaram a dura\u00e7\u00e3o dos voos e, portanto, o consumo de combust\u00edvel. Segundo a pesquisa, antes da guerra, um voo de T\u00f3quio at\u00e9 Londres levava quase 12h, passando pela R\u00fassia. Agora, o mesmo voo precisa passar pelo Canad\u00e1, com quase 15h de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Gaza, onde 67 mil palestinos j\u00e1 foram mortos por Israel, os primeiros 15 meses de guerra resultaram em 1,9 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente pelo uso de artilharia, bombas e m\u00edsseis e pelo gasto de combust\u00edvel com deslocamento de tropas, segundo pesquisa de universidades brit\u00e2nicas. Ao se considerar as emiss\u00f5es das reconstru\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s cerca de 92% dos im\u00f3veis residenciais e cem hospitais serem destru\u00eddos, o volume salta para 32 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente \u2013 superior \u00e0s emiss\u00f5es anuais de 102 pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cO jeito mais r\u00e1pido de reduzir as emiss\u00f5es das guerras e das for\u00e7as armadas \u00e9 diminuir o tamanho e a atividade militar \u2013 e o jeito mais r\u00e1pido de fazer isso \u00e9 pela constru\u00e7\u00e3o da paz, controle de armas e desarmamento \u2013 mas isso vai exigir a\u00e7\u00f5es corajosas de l\u00edderes pol\u00edticos\u201d, conclui Parkinson.<\/p>\n<p>Houve tentativas. H\u00e1 alguns anos, pa\u00edses europeus deram passos t\u00edmidos em dire\u00e7\u00e3o a uma maior transpar\u00eancia das emiss\u00f5es militares. <span>Em 2023, o Parlamento Europeu defendeu que os pa\u00edses do continente incluam as emiss\u00f5es militares em suas metas nacionais de redu\u00e7\u00e3o.<\/span> No mesmo ano, a Otan publicou uma metodologia para mapear e analisar suas emiss\u00f5es. \u201cN\u00e3o tem como chegarmos \u00e0 neutralidade de carbono sem reduzir tamb\u00e9m as emiss\u00f5es do setor militar\u201d, chegou a dizer o ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da Otan, Jens Stoltenberg.<\/p>\n<p>O ano era 2023, mas era outro mundo. Desde ent\u00e3o, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Trump, n\u00e3o apenas os gastos militares cresceram, mas tamb\u00e9m as amea\u00e7as e os conflitos em n\u00edvel global. Mas, para mudar o estado de guerra j\u00e1 instaurado, especialistas como Parkinson e Kinney s\u00f3 apontam uma sa\u00edda: press\u00e3o social.<\/p>\n<div>\n<figure><\/figure>\n<\/div>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rotas-de-integracao-sul-americana-brasil-apresenta-relatorio-de-2024-sobre-a-iniciativa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Rotas de Integra\u00e7\u00e3o Sul-Americana: Brasil apresent...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/2025\/09\/que-staking-web3-criptomoedas-podem-gerar-renda-passiva-dessa-forma.html\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/que-staking-web3-criptomoedas-podem-gerar-renda-passiva-dessa-forma.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O que \u00e9 Staking Web3? 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