{"id":75755,"date":"2026-02-25T16:44:03","date_gmt":"2026-02-25T19:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-cidade-neoliberal-e-a-producao-do-consenso\/"},"modified":"2026-02-25T16:44:03","modified_gmt":"2026-02-25T19:44:03","slug":"a-cidade-neoliberal-e-a-producao-do-consenso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-cidade-neoliberal-e-a-producao-do-consenso\/","title":{"rendered":"A cidade neoliberal e a produ\u00e7\u00e3o do consenso"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"657\" height=\"685\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Screenshot-2026-02-25-at-16-40-16-Presentacion-de-METROPOLICE-SEGURIDAD-Y-POLICIA-EN-LA-CIUDAD-NEOLIBERAL-Louise-Michel-Liburuak.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Screenshot-2026-02-25-at-16-40-16-Presentacion-de-METROPOLICE-SEGURIDAD-Y-POLICIA-EN-LA-CIUDAD-NEOLIBERAL-Louise-Michel-Liburuak.png 657w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/25164106\/Screenshot-2026-02-25-at-16-40-16-Presentacion-de-METROPOLICE.-SEGURIDAD-Y-POLICIA-EN-LA-CIUDAD-NEOLIBERAL-Louise-Michel-Liburuak-288x300.png 288w\" sizes=\"auto, (max-width: 657px) 100vw, 657px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A cidade, no contexto do neoliberalismo no Brasil, de forma mais intensa a partir da d\u00e9cada de 1980, consolidou-se como o principal l\u00f3cus da vida social de milh\u00f5es de brasileiros. Esse processo tem origem no \u00eaxodo rural iniciado nos anos de 1940, impulsionado pela mecaniza\u00e7\u00e3o do campo, e se intensifica ao longo da segunda metade do s\u00e9culo XX. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 2024 cerca de 177,5 milh\u00f5es de pessoas, o equivalente a 87,4% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, vivem em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p>A urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira ocorreu de forma acelerada e desigual, sem o devido planejamento territorial e social capaz de absorver essa massa populacional. Como consequ\u00eancia, as cidades passaram a concentrar graves problemas sociais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos e humanos, expressos na precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, na segrega\u00e7\u00e3o socioespacial, na crise da mobilidade e no esgotamento das formas tradicionais de sociabilidade urbana. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio desfazer o mito de que a cidade sempre foi o espa\u00e7o natural da organiza\u00e7\u00e3o da vida social. No Brasil, a cidade emerge tardiamente e, desde sua origem, esteve associada sobretudo a fun\u00e7\u00f5es administrativas e de controle, papel que se intensifica no presente, extrapolando sua condi\u00e7\u00e3o de simples centro organizador para tornar-se um dispositivo ativo de gest\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>No neoliberalismo contempor\u00e2neo, as cidades podem ser compreendidas como verdadeiras m\u00e1quinas de reprodu\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico e simb\u00f3lico. Elas constituem a base material e imaterial das trocas globais e nacionais, organizando rotinas de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e consumo que atravessam integralmente a experi\u00eancia cotidiana dos indiv\u00edduos. Mais do que um modelo econ\u00f4mico, o neoliberalismo opera como uma racionalidade pol\u00edtica e cultural, capaz de produzir consensos e moldar subjetividades. Por meio de dispositivos institucionais, midi\u00e1ticos e normativos, naturaliza-se uma determinada forma de viver a cidade, apresentada como inevit\u00e1vel, eficiente e moderna, ao mesmo tempo em que se reduz o espa\u00e7o da cr\u00edtica e do estranhamento.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras--10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras--10.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181013\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nesse contexto, o espa\u00e7o urbano deixa de ser concebido prioritariamente como ambiente de desenvolvimento humano e passa a ser organizado segundo as exig\u00eancias da produtividade, da circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e da expans\u00e3o do consumo. Os indiv\u00edduos tornam-se agentes funcionalizados desse processo, incorporando a l\u00f3gica da efici\u00eancia e do desempenho como valores centrais da vida social. A cidade neoliberal, assim, transforma o que seria socialmente absurdo, a precariza\u00e7\u00e3o generalizada, a competi\u00e7\u00e3o permanente e a inseguran\u00e7a estrutural, em normalidade cotidiana.<\/p>\n<p>A cl\u00e1ssica formula\u00e7\u00e3o de Thomas Hobbes sobre a \u201cguerra de todos contra todos\u201d reaparece sob novas media\u00e7\u00f5es. Nas cidades neoliberais, essa l\u00f3gica se expressa na figura do \u201cempreendedor de si mesmo\u201d, que internaliza a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso individual e assume a autoexplora\u00e7\u00e3o como virtude. Rela\u00e7\u00f5es de trabalho inst\u00e1veis, jornadas extensas e aus\u00eancia de garantias passam a ser justificadas como escolhas pessoais, e n\u00e3o como resultado de uma estrutura econ\u00f4mica desigual. O consenso produzido sustenta a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 lugar para todos e que a exclus\u00e3o \u00e9 um efeito colateral inevit\u00e1vel do funcionamento do mercado, ocultando a apropria\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do trabalho coletivo por uma minoria economicamente privilegiada.<\/p>\n<p>O Estado, longe de atuar como mediador neutro, frequentemente endossa essa racionalidade ao promover pol\u00edticas de flexibiliza\u00e7\u00e3o trabalhista e ao enfraquecer mecanismos hist\u00f3ricos de prote\u00e7\u00e3o social, como a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT). Ao mesmo tempo, difunde-se um discurso que associa dignidade exclusivamente ao esfor\u00e7o individual, despolitizando as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e deslocando a responsabilidade estrutural para o plano moral do indiv\u00edduo. A aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica passa a ser capturada pelas imagens de sucesso e prosperidade amplamente divulgadas, enquanto se invisibilizam as condi\u00e7\u00f5es materiais que sustentam o trabalho prec\u00e1rio e a desigualdade urbana.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, o neoliberalismo no Brasil tamb\u00e9m foi capaz de integrar determinados circuitos econ\u00f4micos e de circula\u00e7\u00e3o que permitiram a sa\u00edda de milh\u00f5es de pessoas da condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria extrema. Contudo, esse movimento veio acompanhado da dissemina\u00e7\u00e3o ainda mais profunda da racionalidade neoliberal entre os pr\u00f3prios grupos subalternizados. A instabilidade permanente, as flutua\u00e7\u00f5es do mercado e a aus\u00eancia de garantias estruturais mant\u00eam amplos setores da popula\u00e7\u00e3o em um limiar constante entre a pobreza e a exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse processo \u00e9 refor\u00e7ado pela difus\u00e3o de discursos como a teologia da prosperidade, que atribui ao indiv\u00edduo a responsabilidade integral por seu destino econ\u00f4mico e transforma o fracasso material em sinal de insufici\u00eancia moral ou espiritual. Dessa forma, o neoliberalismo n\u00e3o opera apenas no plano econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m no plano ps\u00edquico e simb\u00f3lico, produzindo sujeitos que reconhecem o mercado como \u00fanico horizonte poss\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e social. A cidade neoliberal, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um espa\u00e7o f\u00edsico, mas um dispositivo central de produ\u00e7\u00e3o de consenso, conforma\u00e7\u00e3o subjetiva e gest\u00e3o da vida contempor\u00e2nea.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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O efeito foi tamb\u00e9m ps\u00edquico e simb\u00f3lico: mais que espa\u00e7os f\u00edsicos, metr\u00f3poles converteram-se em arena da \u201cguerra de todos contra todos\u201d<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/a-cidade-neoliberal-e-a-producao-do-consenso\/\">A cidade neoliberal e a produ\u00e7\u00e3o do consenso<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":75756,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[20262,36835,13996,36836,1258,2307,2956,30105,35590,2387],"tags":[],"class_list":["post-75755","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitalismo-de-plataformas","category-cidade-neoliberal","category-competicao","category-empreendedor-de-si","category-empreendedorismo","category-especulacao","category-neoliberalismo","category-outras-cidades","category-segregacao-socioespacial","category-urbanizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75755\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}