{"id":75850,"date":"2026-02-26T17:00:00","date_gmt":"2026-02-26T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ja-passou-da-hora-de-estarmos-preparados-para-chuvas-sem-precedentes\/"},"modified":"2026-02-26T17:00:00","modified_gmt":"2026-02-26T20:00:00","slug":"ja-passou-da-hora-de-estarmos-preparados-para-chuvas-sem-precedentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ja-passou-da-hora-de-estarmos-preparados-para-chuvas-sem-precedentes\/","title":{"rendered":"J\u00e1 passou da hora de estarmos preparados para chuvas sem precedentes"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p><em>Quer receber os textos desta coluna em primeira m\u00e3o no seu e-mail? Assine a newsletter Antes que seja tarde, enviada \u00e0s quintas-feiras, 12h. Para receber as pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, <\/em><em>inscreva-se aqui.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Parece que a gente j\u00e1 se habituou a ouvir, a cada trag\u00e9dia clim\u00e1tica \u2013 como a que atinge agora Minas Gerais \u2013, varia\u00e7\u00f5es de frases como: choveu em x horas o equivalente ao esperado para o m\u00eas inteiro. O que era raro tem ficado mais frequente, mas o tal \u201cnovo normal\u201d, como a gente j\u00e1 se acostumou a falar, ainda n\u00e3o se refletiu em maneiras de tentar nos tornar mais resilientes a trag\u00e9dias. J\u00e1 deveria, mas n\u00e3o virou \u201cnormal\u201d adotar pol\u00edticas p\u00fablicas para gest\u00e3o de riscos e desastres \u2013 para desgra\u00e7a de centenas, milhares de pessoas todo ano, a cada hora num lugar diferente.<\/p>\n<p><strong>Nenhum governante, nessa altura dos acontecimentos, pode alegar que foi pego de surpresa. <\/strong>Sim, as chuvas est\u00e3o caindo em volumes e brutalidade dif\u00edceis de imaginar, mas <strong>isso \u00e9 exatamente o que cientistas alertam h\u00e1 anos<\/strong> como sendo uma das consequ\u00eancias do aquecimento global.\u00a0<\/p>\n<p>Eventos clim\u00e1ticos extremos v\u00e3o se tornar cada vez mais intensos e mais frequentes quanto mais quente ficar o planeta, e ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo dessa situa\u00e7\u00e3o. Pense nas ocorr\u00eancias dos \u00faltimos quatro anos: Recife, S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Rio Grande do Sul, agora a zona da mata mineira. Lembrando que 2024, 2023 e 2025, nesta ordem, foram os tr\u00eas anos mais quentes do registro hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Como, depois de tudo o que aconteceu com as cidades ga\u00fachas h\u00e1 pouco menos de dois anos, ainda n\u00e3o viramos a chave para agir mais na preven\u00e7\u00e3o do que na remedia\u00e7\u00e3o? Como n\u00e3o adotamos pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima como a prioridade n\u00famero 1 de prefeitos e governadores? Que tal cobrar isso nas elei\u00e7\u00f5es deste ano?<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio rec\u00e9m-lan\u00e7ado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que, no ano passado, eventos de desastres afetaram diretamente 336.656 pessoas em todo o pa\u00eds. O \u00f3rg\u00e3o federal, criado depois dos deslizamentos na regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro no in\u00edcio de 2011, que deixaram mais de 900 mortos \u2013 a maior trag\u00e9dia clim\u00e1tica em n\u00famero de v\u00edtimas do Brasil \u2013, vem tentando, desde ent\u00e3o, ajudar munic\u00edpios a se prepararem para esse tipo de problema.<\/p>\n<p>Mas se, por um lado, houve avan\u00e7os no monitoramento e nos alertas, a resposta a eles ainda caminha devagar. De acordo com o levantamento publicado nesta semana, entre 2020 e 2023, cerca de 8,7 milh\u00f5es de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas devido a enchentes no pa\u00eds. Neste per\u00edodo, foram registrados 7.539 desastres clim\u00e1ticos entre 2020 e 2023, um aumento de 222,8% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s 2.335 ocorr\u00eancias verificadas na d\u00e9cada de 1990. J\u00e1 a propor\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios afetados subiu de 27% para 83%.\u00a0<\/p>\n<p>Vale lembrar que o que transforma uma chuva super intensa em desastre, em trag\u00e9dia, n\u00e3o \u00e9 a chuva sozinha, apesar de ela ser fundamental, mas \u00e9 ela <strong>cair sobre uma regi\u00e3o vulner\u00e1vel, com popula\u00e7\u00f5es morando em encostas ou beiras de rio, por exemplo, e em cidades que ainda n\u00e3o conseguiram fazer um plano de conting\u00eancia<\/strong> para quando vem a tormenta.<\/p>\n<p>Se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que n\u00f3s ajudamos a criar est\u00e3o nos devolvendo chuvas fora do comum, \u00e9 a\u00ed que a prepara\u00e7\u00e3o para elas se torna ainda mais essencial. Vejamos o exemplo de Juiz de Fora (MG), afetada agora. As chuvas desta semana podem ter sido sem precedentes, mas a cidade foi a 4\u00aa a mais receber alertas do Cemaden no ano passado. O \u00f3rg\u00e3o monitora atualmente 1.133 munic\u00edpios com hist\u00f3rico de desastres no Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>A cidade mineira est\u00e1 tamb\u00e9m entre os 10 munic\u00edpios que receberam historicamente o maior n\u00famero de alertas e que registraram o maior n\u00famero de ocorr\u00eancias, de acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Opera\u00e7\u00f5es e Modelagem do Cemaden.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"69a0a65044bc0\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"69a0a65044bc0\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Balan\u00e7o de alertas enviados para 1.133 cidades pelo Cemaden em 2025<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele me explicou que<strong> tempestades muito intensas em per\u00edodos muito curtos, como as que atingiram Juiz de Fora nesta semana, s\u00e3o as mais dif\u00edceis de prever pela meteorologia<\/strong>. \u201cN\u00f3s medimos 165 mil\u00edmetros em quatro horas. Eu acho que isso acaba com qualquer cidade do mundo. \u00c9 muito dif\u00edcil estar preparado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mas, uma vez que j\u00e1 sabemos que as chuvas extremas est\u00e3o cada vez mais frequentes, o imponder\u00e1vel tem de come\u00e7ar a ser ponderado nos planejamentos. N\u00e3o d\u00e1 para usar como desculpa de que \u201cfoi muito intenso, n\u00e3o tinha o que fazer\u201d. <strong>\u00c9 a\u00ed que j\u00e1 passou da hora de as cidades come\u00e7arem a trabalhar em se adaptar para o que vem pela frente.<\/strong><\/p>\n<p>\u2018Sempre tem o que fazer. Sim, a natureza n\u00e3o est\u00e1 colaborando absolutamente em nada, a previs\u00e3o meteorol\u00f3gica tem limita\u00e7\u00f5es, e a maior limita\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente para esse tipo de chuva muito r\u00e1pida, muito concentrada, mas justamente por conta disso, as cidades t\u00eam que se tornar cada vez mais resilientes. Mas eu diria que s\u00e3o muito poucas hoje que est\u00e3o realmente preparadas. Totalmente preparadas talvez n\u00e3o tenha nenhuma. Pelo menos pensando nas cidades que t\u00eam um maior hist\u00f3rico de desastres, que s\u00e3o as que justamente deveriam estar mais bem preparadas\u201d, afirmou Seluchi.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, listou o pesquisador, ter planos de redu\u00e7\u00e3o dos riscos, como conter encostas e desassorear rios, fazer reflorestamento, al\u00e9m de adequar o plano diretor \u2013 que permita o crescimento das cidades da forma correta, de modo que as pessoas n\u00e3o ocupem \u00e1reas de risco por n\u00e3o terem alternativas para onde ir.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cE \u00e9 preciso ter uma defesa civil bem articulada, bem estruturada, com bons recursos humanos e log\u00edsticos, porque tamb\u00e9m n\u00e3o adianta voc\u00ea mandar uma alerta excelente, se n\u00e3o tem ningu\u00e9m para reagir\u201d, complementou.<\/p>\n<p>Seluchi tocou em um ponto importante. Receber os alertas de SMS avisando que chuvas severas est\u00e3o a caminho \u00e9 super v\u00e1lido, mas a gente sabe o que fazer com isso? Para onde ir, onde se abrigar? Essa etapa ainda est\u00e1 faltando em todos os lugares. Que \u00e9 <strong>a popula\u00e7\u00e3o ser informada sobre qual \u00e9 o plano de conting\u00eancia diante de um evento extremo iminente ou j\u00e1 em curso.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPlano de conting\u00eancia \u00e9 aquilo que vai dizer o que as pessoas t\u00eam de fazer no momento que s\u00e3o ou avisados com uma anteced\u00eancia curta ou at\u00e9 surpreendidos por uma situa\u00e7\u00e3o dessa, como pode ter sido o que ocorreu em Minas. N\u00f3s enviamos o alerta [do Cemaden para as cidades] com uma anteced\u00eancia relativamente curta, porque foi uma chuva muito r\u00e1pida. Ent\u00e3o precisa ter um plano de conting\u00eancia muito bem treinado, muito bem feito, para que as pessoas saibam o que devem fazer nesse momento, onde est\u00e3o os pontos mais seguros, onde est\u00e3o os abrigos, quais s\u00e3o as rotas de fuga\u201d, explica.<\/p>\n<p>E esse plano, explica ele, tem de ser elaborado com calma, durante a esta\u00e7\u00e3o seca, envolvendo v\u00e1rios setores e com tempo para treinar a popula\u00e7\u00e3o. Que cidade tem isso hoje?<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o fica ainda mais complicada porque quando a gente fala em eventos extremos, estamos falando dos dois lados, muita seca e muita chuva, e o que os dados mostram \u00e9 que o Brasil tem enfrentado cada vez mais secas, como mostram as consecutivas crises que temos nos sistemas energ\u00e9tico e de abastecimento de \u00e1gua, mas quando temos chuvas, elas v\u00eam completamente avassaladoras.\u00a0<\/p>\n<p>E isso \u00e9 exatamente <strong>o que previam as estimativas dos cientistas sobre como o clima iria se comportar se o planeta ficasse mais quente<\/strong>, por causa do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cOs modelos apontavam justamente uma maior frequ\u00eancia de per\u00edodos de seca, mas tamb\u00e9m uma maior frequ\u00eancia de eventos extremos de chuva concentrados entre 1 a 5 dias. \u00c9 exatamente o que n\u00f3s estamos observando. Se a gente junta as pe\u00e7as, fica muito claro que esta condi\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o chuvosa mais irregular, muito mais extrema, est\u00e1 associada ao aquecimento global\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/concurso-do-tiktok-abre-inscricoes-para-revelar-novos-autores\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/concurso-livros-do-futuro-do-tiktok-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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