{"id":75888,"date":"2026-02-26T17:12:05","date_gmt":"2026-02-26T20:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/solidariedade-a-cuba-relatorio-de-uma-viagem\/"},"modified":"2026-02-26T17:12:05","modified_gmt":"2026-02-26T20:12:05","slug":"solidariedade-a-cuba-relatorio-de-uma-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/solidariedade-a-cuba-relatorio-de-uma-viagem\/","title":{"rendered":"Solidariedade a Cuba: Relat\u00f3rio de uma viagem"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"936\" height=\"624\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4927360334117407833_y1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4927360334117407833_y1.jpg 936w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26170708\/photo_4927360334117407833_y1-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26170708\/photo_4927360334117407833_y1-768x512.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26170708\/photo_4927360334117407833_y1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 936px) 100vw, 936px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto tem como objetivo apresentar algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a XXXI Brigada Sul-americana de trabalho volunt\u00e1rio e solidariedade com Cuba. Ser\u00e1 feita uma apresenta\u00e7\u00e3o breve do que s\u00e3o as Brigadas e os seus objetivos, partindo depois para algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a experi\u00eancia de participar da Brigada, algumas impress\u00f5es sobre os dias vividos em Cuba e os principais desafios impostos pelo imperialismo estadunidense ao povo cubano.<\/p>\n<h3><strong>1.\u00a0 As Brigadas de Trabalho Volunt\u00e1rio e Solidariedade com Cuba<\/strong><\/h3>\n<p>No Brasil, a organiza\u00e7\u00e3o das Brigadas \u00e9 realizada pelo MBSC \u2013 Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba, em parceria com as Associa\u00e7\u00f5es Culturais Jos\u00e9 Mart\u00ed, cada uma com c\u00e9lulas locais em alguns Estados, al\u00e9m de uma c\u00e9lula nacional respons\u00e1vel nas localidades onde ainda n\u00e3o existe organiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o entidades civis sem fins lucrativos e possuem a finalidade de difundir a solidariedade com o povo cubano para defender o seu direito \u00e0 soberania. A ideia \u00e9 reunir brigadistas de todo o pa\u00eds para conhecer a realidade cubana e, assim, t\u00eam-se evidente desde o in\u00edcio que ser brigadista n\u00e3o significa apenas ir \u00e0 Cuba, enquanto turista, visando a divers\u00e3o e lazer. O comprometimento do brigadista passa pela responsabilidade de difundir, no seu pa\u00eds de origem, o que realmente se passa em Cuba. Trata-se de um turismo pol\u00edtico e de um trabalho militante.<\/p>\n<p>A XXXI Brigada Sul-americana de Trabalho Volunt\u00e1rio e Solidariedade com Cuba ocorreu entre 25 de janeiro a 7 de fevereiro de 2026, ano em que se comemora o centen\u00e1rio de nascimento, e tamb\u00e9m 10 anos de sua passagem \u00e0 imortalidade, do comandante em chefe Fidel Castro, \u201co melhor disc\u00edpulo de Mart\u00ed\u201d, evidenciando sua obra e pensamento. Tanto Fidel quanto Mart\u00ed s\u00e3o figuras presentes no cotidiano cubano, s\u00e3o v\u00e1rios os murais com fotos, frases e refer\u00eancias aos dois her\u00f3is da revolu\u00e7\u00e3o cubana nas ruas, pra\u00e7as e espa\u00e7os p\u00fablicos, uma manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que o pensamento revolucion\u00e1rio continua firme e forte nos dias atuais. Foram, no total, quase 80 brigadistas, sendo 20 brasileiros\/as; 49 uruguaios\/as, a maior delega\u00e7\u00e3o da XXXI Brigada Sul-americana, que contou ainda com 8 chilenos\/as e 1 brigadista de El Salvador.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/OQ_banner_680x250_V1-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/OQ_banner_680x250_V1-5.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31175637\/OQ_banner_680x250_V1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>As Brigadas de trabalho volunt\u00e1rio e solidariedade s\u00e3o realizadas pelo ICAP \u2013 Instituto Cubano de Amizade entre os povos, em parceria com sua ag\u00eancia de viagens, a estatal Amistur Cuba. Parte essencial do objetivo das Brigadas consiste em divulgar e promover o conhecimento da hist\u00f3ria cubana, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de jornadas de trabalho volunt\u00e1rio e solidariedade, al\u00e9m de levar doa\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds. O trabalho volunt\u00e1rio compreende a participa\u00e7\u00e3o em jornadas de trabalho agr\u00edcola, como o plantio e cuidado de hortali\u00e7as para apoiar a produ\u00e7\u00e3o local; atividades de limpeza no acampamento onde os\/as brigadistas ficam alojados\/as, aux\u00edlio nas atividades de refei\u00e7\u00f5es na cozinha, dentre outras atividades laborais produtivas. H\u00e1, ainda, a promo\u00e7\u00e3o de interc\u00e2mbios de experi\u00eancias entre os brigadistas de diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que integram as Brigadas. Com tudo isso, o intuito \u00e9 propiciar uma imers\u00e3o na realidade cubana para melhor compreens\u00e3o das dificuldades que o pa\u00eds tem atravessado devido aos ataques consistentes e hist\u00f3ricos \u00e0 sua soberania e fortalecer a luta e a resist\u00eancia frente \u00e0 esses ataques.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o em 2026 inclu\u00eda visitas a locais de interesse hist\u00f3rico, econ\u00f4mico, cultural e social \u2013 como o Centro Fidel Castro Ruz e o Memorial da Den\u00fancia, em La Habana, e a visita que estava prevista a Villa Clara e Santiago de Cuba \u2013, al\u00e9m de confer\u00eancias sobre temas hist\u00f3ricos e da atualidade \u2013 como a participa\u00e7\u00e3o no III Col\u00f3quio Internacional \u201c<em>Jos\u00e9 Mart\u00ed por una cultura de la naturaleza<\/em>\u201d, realizado no Jardim Bot\u00e2nico de La Habana, para refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o Ser Humano e a Natureza a partir do pensamento de Mart\u00ed. O cronograma previa, ainda, visitas a museus e institui\u00e7\u00f5es sociais, alguns per\u00edodos livres para os\/as brigadistas, al\u00e9m de palestras de forma\u00e7\u00e3o e contexto hist\u00f3rico-pol\u00edtico sobre os recentes acontecimentos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Estas \u00faltimas foram realizadas no CIJAM \u2013 Campamento Internacional \u201cJulio Antonio Mella\u201d, no munic\u00edpio de Caimito, localizado na prov\u00edncia de Artemisa, a 45 km de La Habana, onde n\u00f3s brigadistas ficamos alojados\/as por alguns dias. Sua cria\u00e7\u00e3o foi uma iniciativa do pr\u00f3prio comandante em chefe Fidel Castro, com o objetivo de criar um lugar para reunir as delega\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios pa\u00edses e estimular a solidariedade internacional entre os povos. \u00c9 uma importante e hist\u00f3rica refer\u00eancia para as Brigadas de trabalho volunt\u00e1rio e solidariedade, hospedando brigadistas internacionais j\u00e1 h\u00e1 muitos anos, desde a d\u00e9cada de 1970. Passou por diversas reformas e melhorias durante os anos, muitas realizadas com trabalho volunt\u00e1rio dos\/as pr\u00f3prios\/as brigadistas e conta hoje com capacidade para mais de 300 pessoas. Oferece acomoda\u00e7\u00f5es simples com quartos compartilhados, banheiros coletivos, al\u00e9m de refeit\u00f3rio, lojinha com produtos, biblioteca e o lugar mais \u201cfrequentado\u201d do CIJAM, o bar La Piragua, sempre lotado por suas bebidas, em especial os <em>mojitos<\/em>. H\u00e1 tamb\u00e9m um campo para a pr\u00e1tica de esportes coletivos, audit\u00f3rio, onde s\u00e3o realizadas as palestras e conversas, um posto m\u00e9dico aberto 24h por dia, ampla \u00e1rea de conviv\u00eancia ao ar livre com um palco para apresenta\u00e7\u00f5es culturais e at\u00e9 um bosque. Tamb\u00e9m ficamos hospedados em hot\u00e9is, como o La Ermita, na cidade de Vi\u00f1ales, prov\u00edncia de Pi\u00f1ar del Rio, e o Hotel Copacabana, na capital cubana.<\/p>\n<p>As Brigadas tamb\u00e9m visitam institui\u00e7\u00f5es culturais, escolas, associa\u00e7\u00f5es, universidades, manifesta\u00e7\u00f5es culturais e pol\u00edticas \u2013 como a participa\u00e7\u00e3o na importante <em>Marcha de las Antorchas<\/em>, em 27 de janeiro de 2026, em homenagem ao 173\u00ba anivers\u00e1rio de Jos\u00e9 Mart\u00ed e, especialmente esse ano, ao centen\u00e1rio de Fidel Castro; e a visita ao <em>Proyecto So\u00f1arte<\/em>, uma iniciativa sociocultural comunit\u00e1ria localizada no munic\u00edpio de Cotorro, pr\u00f3ximo a La Habana. Visitamos tamb\u00e9m hospitais e centros comunit\u00e1rios, com intuito de levar nossa solidariedade e doa\u00e7\u00f5es, que podem ser feitas para o ICAP, distribuindo para onde mais precisam, ou diretamente em algumas institui\u00e7\u00f5es visitadas. Em 2026, as delega\u00e7\u00f5es da XXXI Brigada Sul-americana doaram, em 05 de fevereiro de 2026, ao Hospital Docente Cl\u00ednico Quir\u00fargico 10 de Octubre, em La Habana, mais de 500kg de medicamentos diretamente aos\/as m\u00e9dicos\/as da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia da cerim\u00f4nia de encerramento da XXXI Brigada Sul-americana, em 06 de fevereiro de 2026, foi entregue em m\u00e3os ao Presidente do ICAP, Fernando Gonz\u00e1lez Llort (conhecido por ser um dos cinco her\u00f3is cubanos preso pelos Estados Unidos por mais de 15 anos, quando investigava planos de a\u00e7\u00f5es terroristas contra Cuba) a quantia de mais de<\/p>\n<p>$17.000usd. Tudo foi arrecadado durante meses de campanha, realizadas pelas delega\u00e7\u00f5es que participaram da XXXI Brigada Sul-americana. O presidente do ICAP, ao receber as doa\u00e7\u00f5es, foi muito feliz em sua coloca\u00e7\u00e3o: \u201c<em>No dan lo que les sobra, sino de lo poco que tienen<\/em>\u201d, o que destaca o imenso valor deste gesto solid\u00e1rio e fraternal demonstrado pelos\/as brigadistas e a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o das Brigadas para fortalecer \u00e0 solidariedade com Cuba.<\/p>\n<p>Por tudo isso, a presen\u00e7a do\/a brigadista em Cuba \u00e9 muito enaltecida. V\u00e1rias foram as palavras e o reconhecimento ao trabalho pol\u00edtico, \u00e9 assim que entendem, que faz\u00edamos ao estar ali. \u201c<em>Ustedes no son turistas, son brigadistas<\/em>\u201d ouvi, mais de uma vez. O reconhecimento e a gratid\u00e3o est\u00e3o em cada palavra de conforto, em cada gesto, em cada abra\u00e7o, em cada cumprimento. \u00c9 uma empatia genu\u00edna e uma gratid\u00e3o sincera apenas por estarmos ali, presentes e comprometidos com a sua luta, que tamb\u00e9m \u00e9 a nossa.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Foram feitas, ainda, doa\u00e7\u00f5es pontuais aos funcion\u00e1rios do CIJAM, do ICAP e outros trabalhadores\/as cubanos\/as que tanto nos auxiliam durante nossa estadia na ilha. \u00c0 todos e todas, nosso eterno agradecimento, pelos ensinamentos, pelas conversas, pela acolhida calorosa e pela companhia presente, forte e dedicada, durante os momentos que compartilhamos juntos.<\/p>\n<h3><strong>2.\u00a0 Os impactos das agress\u00f5es \u00e0 Cuba no decorrer da Brigada<\/strong><\/h3>\n<p>A partir do conhecimento da hist\u00f3ria cubana, da realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos volunt\u00e1rios e a troca de experi\u00eancias entre os\/as brigadistas, espera-se que n\u00f3s possamos compreender de maneira singular a realidade cubana. Que possamos sentir e compartir das mesmas dificuldades, vivenciar o dia-a-dia e os desafios enfrentados pela popula\u00e7\u00e3o cubana, constituindo uma importante ferramenta de divulga\u00e7\u00e3o ver\u00eddica sobre a realidade em Cuba e os impactos do embargo criminoso engendrado pelo imp\u00e9rio estadunidense j\u00e1 h\u00e1 mais de 60 anos.<\/p>\n<p>E a XXXI Brigada Sul-americana de Trabalho Volunt\u00e1rio e solidariedade com Cuba n\u00e3o poderia ter acontecido em um momento mais oportuno. O ano de 2026 come\u00e7ou marcado por ataques do imperialismo \u00e0 Venezuela e o agravamento das san\u00e7\u00f5es aos cubanos por parte dos Estados Unidos, o que torna ainda mais crucial o fortalecimento \u00e0 luta de resist\u00eancia contra o cerco imperialista imposto \u00e0 Am\u00e9rica Latina, em especial \u00e0 Cuba.<\/p>\n<p>No dia da visita ao Centro Fidel Castro Ruz, em 27 de janeiro de 2026, durante a cerim\u00f4nia de boas-vindas \u00e0 XXXI Brigada Sul-americana, mais uma vez o presidente do ICAP, Fernando Gonz\u00e1lez Llort, foi preciso em sua fala: \u201cO mundo n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo depois da covarde e criminal agress\u00e3o \u00e0 Venezuela em 03 de janeiro, com o sequestro do presidente Nicol\u00e1s Maduro e Cilia Flores\u201d. Era a Venezuela que fornecia grande parte do petr\u00f3leo recebido por Cuba. Assim, o ataque a Venezuela foi, tamb\u00e9m, mais um ataque a Cuba. A ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, em 29 de janeiro de 2026, mais uma grave agress\u00e3o \u00e0 Cuba e sua popula\u00e7\u00e3o, imp\u00f5e repres\u00e1lias aos pa\u00edses que fornecerem petr\u00f3leo \u00e0 ilha. Essa medida dificulta ainda mais o acesso de Cuba ao combust\u00edvel, colocando-a em situa\u00e7\u00e3o delicada.<\/p>\n<p>Sentimos todos e todas os impactos dessa agress\u00e3o. No dia 30 de janeiro, v\u00e9spera de nossa viagem \u00e0 Santa Clara (distante cerca de 300km de Havana), os funcion\u00e1rios respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o da Brigada, reuniram-se conosco para nos informar, primeiro sobre as medidas impostas pelo governo estadunidense no dia anterior, depois sobre como tais medidas impactariam o decorrer e o cumprimento das atividades previstas. Como consequ\u00eancia da escassez de combust\u00edvel, nossa viagem ao oriente da ilha foi suspensa, fato que foi muito bem compreendido por todos\/as brigadistas. Foi mais um momento de uni\u00e3o entre todos\/as na compreens\u00e3o do momento vivido por Cuba. Foi muito bonito ouvir os companheiros e companheiras falarem, emocionados, muitos e muitas com l\u00e1grimas nos olhos, sobre como tais medidas refor\u00e7avam, mais do que nunca, nossa fraterna solidariedade com a situa\u00e7\u00e3o vivida pelo povo cubano diante de mais uma agress\u00e3o sofrida.<\/p>\n<p>Um momento duro, dif\u00edcil, no qual sentimos \u201cna pele\u201d o impacto das agress\u00f5es \u00e0 Cuba e ao seu povo: n\u00f3s deixamos apenas de fazer uma viagem mas, e a popula\u00e7\u00e3o cubana, que deixa de ter \u00e1gua por conta dessas medidas? Ou aqueles que ficam horas e horas sem energia el\u00e9trica? Aqueles que s\u00e3o afetados pela diminui\u00e7\u00e3o da oferta de transporte p\u00fablico ou atendimento m\u00e9dico? As san\u00e7\u00f5es, impostas durante d\u00e9cadas, tem um \u00fanico objetivo: castigar a popula\u00e7\u00e3o cubana ao impactar severamente o turismo, o com\u00e9rcio, a economia, a infraestrutura b\u00e1sica do pa\u00eds, dificultando o acesso \u00e0 insumos essenciais, como medicamentos, alimentos, produtos de higiene pessoal, entre outros materiais b\u00e1sicos. A degrada\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do povo cubano \u00e9 resultado direto, de maneira deliberada, dessa pol\u00edtica sistem\u00e1tica de ataques. A ideia \u00e9 que esse cen\u00e1rio aumente a press\u00e3o social e gere um desgaste na sociedade cubana, o que favoreceria seus opositores.<\/p>\n<p>Os impactos desses ataques s\u00e3o imensos. Devido \u00e0 falta de combust\u00edvel, ocorre a diminui\u00e7\u00e3o da oferta de transporte p\u00fablico, dada a baixa disponibilidade de combust\u00edvel que, racionalizado, passa a ser ofertado apenas para servi\u00e7os emergenciais. Diminui-se as linhas de transporte coletivo, reduz-se as jornadas de trabalho, aulas nas universidades, toda atividade n\u00e3o essencial que pressuponha o uso de combust\u00edvel. Outra consequ\u00eancia disso \u00e9 a falta de combust\u00edvel para abastecer os caminh\u00f5es respons\u00e1veis pela coleta de lixo, que fica acumulado em alguns pontos das cidades, gerando risco \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>A insufici\u00eancia da gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica ocasiona longos per\u00edodos por dia sem energia: \u00e0s vezes passam-se mais de 4\/5h di\u00e1rias, mais de uma vez por dia, sem energia el\u00e9trica. Consequentemente, n\u00e3o h\u00e1 agua, uma vez que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acionar o bombeamento, deteriorando as condi\u00e7\u00f5es de higiene e limpeza em diversos locais, como resid\u00eancias, hot\u00e9is, restaurantes e at\u00e9 hospitais.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos e profissionais de sa\u00fade tamb\u00e9m s\u00e3o severamente impactados pois, dependem da energia el\u00e9trica para trabalhar, al\u00e9m do encarecimento dos insumos e medicamentos necess\u00e1rios para o atendimento ao povo. N\u00e3o \u00e9 que faltam equipamentos ou profissionais, \u00e9 porque as san\u00e7\u00f5es \u00e0 Cuba impedem o acesso a este material que \u00e9 essencial, as transa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias s\u00e3o bloqueadas e as empresas que t\u00eam interesse em fazer neg\u00f3cios s\u00e3o sancionadas. Da\u00ed a grande import\u00e2ncia das doa\u00e7\u00f5es levadas pelas Brigadas, que realmente ajudam no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cubana, a principal afetada por todas essas consequ\u00eancias. \u00c9 uma s\u00f3 a causa principal do problema: o bloqueio comandado pelo governo estadunidense.<\/p>\n<p>Cabe aqui um questionamento. Chamemos o bloqueio, por aquilo que ele realmente \u00e9: um crime contra a humanidade e os direitos humanos. \u00c9 preciso questionar o uso<\/p>\n<p>dessa palavra pois a sua normaliza\u00e7\u00e3o pode banalizar o seu sentido e esvaziar o seu conte\u00fado. Nada \u00e9 inocente nessa guerra travada contra Cuba e a ret\u00f3rica esvaziada serve \u00e0queles que a atacam constantemente, normalizando os ataques e reduzindo a sua responsabilidade. N\u00e3o se trata de bloqueio, \u00e9 uma pol\u00edtica de guerra e terrorismo. N\u00e3o se trata de bloqueio, \u00e9 crime. Praticado contra um povo que sofre apenas por n\u00e3o se curvar diante dos interesses do imperialismo. Questionar \u00e9, tamb\u00e9m, resistir.<\/p>\n<h3><strong>3.\u00a0 A import\u00e2ncia da resist\u00eancia cubana e a de nossa solidariedade<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 preciso olhar para Cuba, essa pequena ilha com um grande povo, e nos perguntar: de qual lado da hist\u00f3ria queremos estar? Do lado de uma popula\u00e7\u00e3o que luta, que n\u00e3o se rende, apesar de todas as dificuldades deliberadamente impostas? Ou queremos ser c\u00famplices deste crime que \u00e9 cometido contra a popula\u00e7\u00e3o cubana, ao n\u00e3o tomarmos iniciativa alguma?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Cuba que precisa da nossa solidariedade. N\u00f3s tamb\u00e9m precisamos de Cuba: defender Cuba \u00e9 defender, ao mesmo tempo, n\u00f3s mesmos. Ademais, em suas diferentes miss\u00f5es de ajuda, nunca deixou, com seu car\u00e1ter de solidariedade internacionalista, de ajudar outros povos quando necess\u00e1rio. Cuba \u00e9 a \u00fanica experi\u00eancia duradoura do socialismo na Am\u00e9rica Latina, um desafio escancarado \u00e0 hegemonia estadunidense e \u00e0 doutrina Monroe, que entende toda a Am\u00e9rica Latina como seu mero quintal. \u00c9 nesse sentido que precisamos defender Cuba, pois defend\u00ea-la \u00e9 tamb\u00e9m defender a nossa pr\u00f3pria soberania e direito de escolher nossos pr\u00f3prios rumos, sem a interven\u00e7\u00e3o de nenhum outro pa\u00eds.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de Cuba \u00e9 um marco pol\u00edtico e ideol\u00f3gico important\u00edssimo pois, materializa a exist\u00eancia de outra alternativa na qual um mundo melhor \u00e9 poss\u00edvel, um mundo no qual se preza a vida e o ser humano, em detrimento ao consumismo desenfreado do mundo capitalista. Significa que outro modelo de sociedade, socialista, igualit\u00e1ria e soberana \u00e9 poss\u00edvel. Por isso Cuba \u00e9 uma amea\u00e7a: porque concretizam um modelo de sociedade alternativo, que n\u00e3o \u00e9 perfeito, obviamente, mas poss\u00edvel, com muita luta, resist\u00eancia e solidariedade, tudo aquilo que sobra ao povo cubano. Se Cuba constitui uma amea\u00e7a, como afirma a ordem executiva de 29 de janeiro, \u00e9 por mostrar ao mundo capitalista que outro mundo, melhor e mais justo, \u00e9, sim, poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Logo, a queda de Cuba significaria uma derrota para qualquer projeto que tenha como objetivo a independ\u00eancia frente ao imperialismo estadunidense. Denunciar as consequ\u00eancias do embargo criminoso que sofre Cuba \u00e9 mais do que um ato de solidariedade, \u00e9 uma responsabilidade que temos todos, latino-americanos, frente a um inimigo que nos subjuga e amea\u00e7a o tempo todo. E em Cuba todos e todas sabem claramente quem \u00e9 este inimigo: est\u00e1 ali, pr\u00f3ximo, cerca de 150km de seu litoral.<\/p>\n<p>Por fim, parte da solidariedade que Cuba necessita pode vir tamb\u00e9m dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Em sua maioria, ao n\u00e3o denunciarem verdadeiramente os impactos das agress\u00f5es ao povo cubano, s\u00e3o coniventes; outros, ao reportarem o que se passa em Cuba de maneira tendenciosa e parcial, na qual se d\u00e1 a entender que o culpado pelo sofrimento do povo cubano \u00e9 o governo cubano, sem citar ou sem questionar o porqu\u00ea, escondem o verdadeiro inimigo e, tamb\u00e9m, s\u00e3o c\u00famplices dessas agress\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso, o espa\u00e7o aqui cedido \u00e9 primordial para a den\u00fancia desta situa\u00e7\u00e3o, para que fique expl\u00edcita a realidade: \u00e9 justamente porque Cuba n\u00e3o \u00e9, nem nunca foi, um Estado falido que os Estados Unidos empenham-se h\u00e1 tanto tempo em derrotar sua revolu\u00e7\u00e3o. Falido est\u00e1 quem tenta sucessivamente derrotar o povo cubano. Ouvi nos dias em Cuba uma frase que \u00e9 muito simb\u00f3lica para todo esse contexto: \u201c<em>\u00c9s mejor morir de hambre que morir de verguenza<\/em>\u201d. \u00c9 esse o esp\u00edrito do povo cubano!<\/p>\n<h3><strong>4.\u00a0 Impress\u00f5es sobre Cuba e os\/as cubanos\/as<\/strong><\/h3>\n<p>A ideia aqui \u00e9 trazer algumas observa\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos que permitam ilustrar toda for\u00e7a, luta, resili\u00eancia e solidariedade do povo cubano. Em primeiro lugar, estar em Cuba nos lembra de que outra vida \u00e9, realmente, poss\u00edvel. Um cotidiano distinto do que encontramos no Brasil, onde se tem combust\u00edvel \u00e0 vontade mas, n\u00e3o h\u00e1 as coisas mais b\u00e1sicas como viver com dignidade ou com seguran\u00e7a nas ruas; uma realidade na qual as crian\u00e7as e adolescentes ainda brincam coletivamente, ocupam os espa\u00e7os p\u00fablicos, ao inv\u00e9s do que vemos cada vez mais, individualizadas e com telas nas m\u00e3os. Em Cuba n\u00e3o h\u00e1 nenhuma pessoa morando nas ruas, tampouco h\u00e1 viol\u00eancia ou inseguran\u00e7a nessas ruas. Pode-se andar tranquilamente a noite em qualquer hor\u00e1rio sem medo algum de ser assaltado, em meio \u00e0s apagadas e escuras ruas cubanas, devido \u00e0 falta de energia el\u00e9trica ocasionada pela escassez de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>O povo cubano \u00e9 muito receptivo, simp\u00e1tico, alegre. Dizem, nesse sentido, que somos \u201c<em>hermanos<\/em>\u201d pois, consideram n\u00f3s, brasileiros, festivos, extrovertidos e dan\u00e7antes como eles. A maioria dos\/as cubanos\/as estava sempre dispostos\/as a ouvir, assim como estavam curiosos em saber mais sobre o Brasil e trocar informa\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias, culturas, que em tantos sentidos s\u00e3o parecidos com os nossos. Basta ver a quantidade de pessoas negras nas ruas cubanas, tanto quanto em Salvador ou no Rio de Janeiro. Pena que somente em Cuba essas pessoas negras n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis, dormindo nas ruas ou procurando comida nos lixos. L\u00e1, os negros ocupam lugares que, para n\u00f3s, s\u00e3o lugar de destaque. Por l\u00e1, as pessoas negras podem estar onde quiserem pois n\u00e3o s\u00e3o tolhidas de oportunidades por causa da cor de sua pele.<\/p>\n<p>Por l\u00e1, os negros s\u00e3o m\u00fasicos reconhecidos, como Yosu\u00e9 Vigo, m\u00fasico da banda Color Cubano, a quem tive o prazer de conhecer e conversar um pouco ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o musical no hotel La Ermita, em Vi\u00f1ales. Yosu\u00e9, cubano, m\u00fasico, 44 anos, vive \u201capenas\u201d daquilo que \u00e9 sua \u00fanica profiss\u00e3o: ser m\u00fasico. Um exemplo de simplicidade e conhecimento, profundo, hist\u00f3rico e pol\u00edtico n\u00e3o s\u00f3 de seu povo mas, de sua condi\u00e7\u00e3o, de seus desafios e de suas conquistas. \u201cConquistas que devem e ser\u00e3o defendidas, n\u00e3o importa o que aconte\u00e7a\u201d, segundo suas palavras. Estava muito interessado em explicar as dificuldades e a realidade que vive mas, queria tamb\u00e9m saber a nossa realidade, chocado em alguns momentos com o que n\u00e3o temos de mais b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Tudo isso nos mostra como a solidariedade para o povo cubano n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um discurso ou um conjunto de a\u00e7\u00f5es soltas que fazem para o pr\u00f3prio ego. \u00c9 uma pr\u00e1tica, cotidiana, hist\u00f3rica, sincera e altru\u00edsta. \u201c<em>La solidaridad est\u00e1 en nuestra sangre<\/em>\u201d, como disse o m\u00fasico Yosu\u00e9, apontando para seu colega m\u00fasico, tamb\u00e9m negro.<\/p>\n<p>Em Cuba prevalece o coletivo em detrimento ao individual. Naturalmente se pensa em ajudar e solidarizar com o pr\u00f3ximo, o que \u00e9 totalmente dispens\u00e1vel na sociedade capitalista e neoliberal que vivemos hoje, na qual tudo se resume ao lucro, ao dinheiro e ao ganhar alguma vantagem na rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo. As consequ\u00eancias de uma sociedade amparada na desigualdade social, n\u00e3o se encontram em Cuba: pouqu\u00edssimas s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e s\u00e3o resultado direto de um bloqueio que asfixia a popula\u00e7\u00e3o cubana j\u00e1 h\u00e1 muito tempo; n\u00e3o existe o uso de drogas nas ruas e existe um trabalho forte feito sobre o assunto, n\u00e3o se v\u00ea crime organizado, viol\u00eancia ou assaltos de qualquer tipo. Quando a sociedade \u00e9 mais igualit\u00e1ria, com acesso ao b\u00e1sico para se viver, n\u00e3o h\u00e1 porque retirar do outro, de seu irm\u00e3o, aquilo que voc\u00ea j\u00e1 t\u00eam.<\/p>\n<h3><strong>5.\u00a0 \u201cLa decisi\u00f3n \u00e9s una: \u00a1p\u00e1tria o muerte! \u00a1Venceremos!\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Apesar de todo o sofrimento, Cuba e a popula\u00e7\u00e3o cubana resistem! Defendem com toda determina\u00e7\u00e3o sua independ\u00eancia e soberania e s\u00e3o conscientes de sua situa\u00e7\u00e3o. Entendem o motivo e a real causa dos seus problemas e sabem, o que \u00e9 important\u00edssimo, qual \u00e9 o seu verdadeiro inimigo: o imperialismo estadunidense. Cuba, seu povo e seu governo mant\u00eam firme seu compromisso com a revolu\u00e7\u00e3o cubana, ao preservar sua soberania e independ\u00eancia frente \u00e0 qualquer agress\u00e3o externa.<\/p>\n<p>Visitar Cuba \u00e9, acima de tudo, um ato de solidariedade. Antes de ser uma viagem tur\u00edstica, sempre foi e, agora mais do que nunca, um ato de resist\u00eancia e de solidariedade. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma forma tamb\u00e9m de superar o bloqueio imposto pelo governo estadunidense. Parte da motiva\u00e7\u00e3o em escrever este texto \u00e9 contribuir, de maneira muito singela, \u00e0 essa grande causa que, no fundo, \u00e9 de todos n\u00f3s. \u00c9 preciso levar adiante a realidade e o contexto cubano, para que se saiba que Cuba n\u00e3o se rende. Para que se saiba que a revolu\u00e7\u00e3o cubana segue viva. Para que o mundo perceba todo o sofrimento causado por anos e anos de agress\u00f5es criminosas e desumanas dos Estados Unidos. Para que todos e todas saibam, acima de tudo, que apesar de tudo, Cuba segue firme em seus valores. E saibam que tais valores s\u00e3o intr\u00ednsecos \u00e0 identidade cubana pois, n\u00e3o se trata de meras palavras em um belo discurso mas, sim, de uma ideologia forte, genu\u00edna e verdadeiramente entendida pelo povo cubano.<\/p>\n<p>Como conseguiram alcan\u00e7ar tamanha consci\u00eancia hist\u00f3rica e pol\u00edtica? \u00c9 uma pergunta complexa mas, parte da resposta, seguramente, passa pela educa\u00e7\u00e3o do povo cubano. As ideias revolucion\u00e1rias est\u00e3o presente em tudo, narrativas, artes, cultura, m\u00fasicas e tamb\u00e9m na educa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das principais trincheiras onde se constr\u00f3i sua luta, reverencia seus her\u00f3is, como Fidel, Mart\u00ed, Cienfuegos, Che e tantos outros; \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o que elaboram seus desafios atuais, aprendendo os valores de suas conquistas, bem como os desafios de mant\u00ea-las e a import\u00e2ncia de resistir. Escola, fam\u00edlia, comunidade, solidariedade, est\u00e1 tudo conectado e servindo \u00e0 um s\u00f3 prop\u00f3sito: a continuidade da emancipa\u00e7\u00e3o do povo cubano.<\/p>\n<p>Estar em Cuba \u00e9 perceber, de fato, como o bloqueio econ\u00f4mico, comercial e financeiro, os ataques ao turismo e a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas afetam o cotidiano da ilha. Somente assim podemos entender com clareza que a amea\u00e7a imperialista \u00e0 Cuba \u00e9, tamb\u00e9m, uma amea\u00e7a para todos n\u00f3s, latino-americanos. \u00c9 neste contexto tamb\u00e9m que se evidencia toda a for\u00e7a, toda resist\u00eancia, toda a luta do povo cubano. Sua dignidade, sua criatividade para reinventarem-se diante das adversidades impostas e, mesmo assim, n\u00e3o se retira a dignidade do povo cubano. Existem problemas como em todo e qualquer pa\u00eds mas, antes de criticar, \u00e9 preciso lembrar, acima de tudo, entender, o porque seus problemas s\u00e3o agravados: s\u00e3o consequ\u00eancias de ataques hist\u00f3ricos, sistem\u00e1ticos e consistentes por parte dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>De toda maneira, tenta-se criar, a partir de narrativas falsas e distor\u00e7\u00e3o da realidade, um contexto artificial no qual Cuba est\u00e1 prestes a se render. N\u00e3o poderia ser menos verdadeiro: a verdade \u00e9 que Cuba est\u00e1 preparada para eventuais ataques, porque j\u00e1 sofre ataques h\u00e1 d\u00e9cadas e sabe como agir. S\u00e3o conscientes de que sua revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 se defende com luta, com unidade coletiva e com sacrif\u00edcio, o que est\u00e3o dispostos a fazer, porque entendem que sua vit\u00f3ria \u00e9 resultado disso. <em>\u201cLa unidad \u00e9s el arma indestructible de los pueblos\u201d. <\/em>Outra frase bastante marcante pois, somente com a unidade entre seu povo se consegue resistir. Mais uma li\u00e7\u00e3o importante para n\u00f3s.<\/p>\n<h3><strong>6.\u00a0 E depois da Brigada? Como voltar ao nosso pa\u00eds depois de Cuba?<\/strong><\/h3>\n<p>Depois de tanto aprendizado, como voltar? Como voltar a um pa\u00eds no qual boa parte da popula\u00e7\u00e3o, nem de longe, est\u00e1 perto de ter a consci\u00eancia social, cultural, pol\u00edtica e hist\u00f3rica de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria para poder defend\u00ea-la? Como argumentar? Como construir essa luta? Como desarmar os argumentos mentirosos e falsos a respeito de Cuba? Como mostrar a essas pessoas que enfrentamos o mesmo inimigo que eles, se n\u00e3o nos reconhecemos em sua luta? Esse \u00e9 o desafio ao regressar de Cuba ap\u00f3s a experi\u00eancia como Brigadistas. Temos a obriga\u00e7\u00e3o de contar o que vimos, conversar com quem acredita nas mentiras que s\u00e3o contadas cotidianamente e disputar essa narrativa com os fatos e informa\u00e7\u00f5es que trazemos para c\u00e1, organizando e fortalecendo aqui tamb\u00e9m a nossa luta.<\/p>\n<p>Conhecer de perto a realidade do socialismo cubano e, principalmente, o povo cubano, foi uma experi\u00eancia \u00fanica e sem precedentes. A educa\u00e7\u00e3o de sua gente, a acolhida calorosa de seu povo, a for\u00e7a, resist\u00eancia e luta em defesa do seu pa\u00eds, suas belezas naturais, sua cultura, enfim, essa ilha caribenha, pequena em seu tamanho mas enorme em seu significado, \u00e9 um farol de esperan\u00e7a nesse mundo obscuro em que vivemos.<\/p>\n<p>Cuba e seu povo seguem firmes em sua revolu\u00e7\u00e3o que, continua, at\u00e9 hoje. S\u00e3o conscientes de sua hist\u00f3ria e de seus deveres frente aos desafios que se imp\u00f5em e sabem que, somente com luta e resist\u00eancia, seguir\u00e3o sendo uma na\u00e7\u00e3o soberana e independente. Esse \u00e9 o verdadeiro patriotismo. E mais uma verdadeira li\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, brasileiros e brasileiras.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Solidariedade a Cuba: Relat\u00f3rio de uma viagem appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/racismo-no-conselho-presidencial-no-haiti-embaixador-nomeado-pode-perder-cargo-por-usar-dreadlocks\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Racismo no Conselho Presidencial no Haiti? 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Reporta o momento delicado que a ilha atravessa e os impactos das agress\u00f5es de Washington<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/solidariedade-a-cuba-relatorio-de-uma-viagem\/\">Solidariedade a Cuba: Relat\u00f3rio de uma viagem<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":75889,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[36988,35518,1185,5599,1023,1663,3508,2517,36989],"tags":[],"class_list":["post-75888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brigadas-de-trabalho-voluntario","category-crise-cubana","category-cuba","category-descolonizacoes","category-donald-trump","category-embargo-a-cuba","category-marco-rubio","category-revolucao-cubana","category-seqestro-de-nicolas-maduro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75888\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}