{"id":75891,"date":"2026-02-26T17:36:23","date_gmt":"2026-02-26T20:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/6x1-a-saude-mental-muito-alem-da-reducao-da-jornada\/"},"modified":"2026-02-26T17:36:23","modified_gmt":"2026-02-26T20:36:23","slug":"6x1-a-saude-mental-muito-alem-da-reducao-da-jornada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/6x1-a-saude-mental-muito-alem-da-reducao-da-jornada\/","title":{"rendered":"6\u00d71: A sa\u00fade mental, muito al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da jornada"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4902292680184892373_w1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26173439\/photo_4902292680184892373_w1-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26173439\/photo_4902292680184892373_w1-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26173439\/photo_4902292680184892373_w1-768x512.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26173439\/photo_4902292680184892373_w1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/02\/26173439\/photo_4902292680184892373_w1-272x182.jpg 272w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/photo_4902292680184892373_w1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto, originalmente intitulado\u00a0\u201c<strong>Trabalho que fratura, jornada que adoece: sa\u00fade mental e os im-pactos da escala 6\u00d71<\/strong>\u201d foi escrito por <strong>Vanessa Silveira de Brito<\/strong> e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: a urg\u00eancia de olhar para o tempo<\/strong><\/h3>\n<p>Vivemos um tempo que nos \u00e9 constantemente tomado. Ele escapa entre plant\u00f5es, domingos de descanso parcial e segundas-feiras atravessadas pelo cansa\u00e7o acumulado. A l\u00f3gica produtivista transforma o tempo em mercadoria e os corpos em engrenagens de um sistema que cobra mais do que pode ser entregue \u2013 sobretudo quando o pre\u00e7o \u00e9 a pr\u00f3pria sa\u00fade mental. Pensar jornadas extensas, em termos de dura\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do trabalho, como dispositivos de adoecimento \u00e9, portanto, urgente.<\/p>\n<p>A jornada de trabalho e a forma como ela se organiza no tempo s\u00e3o dimens\u00f5es distintas, ainda que muitas vezes apare\u00e7am entrela\u00e7adas. A dura\u00e7\u00e3o da jornada refere-se ao n\u00famero de horas semanais, di\u00e1rias ou mensais, enquanto a escala de trabalho regula a distribui\u00e7\u00e3o desses dias e horas, determinando quantos dias consecutivos se trabalha antes do descanso. Um trabalhador pode enfrentar jornadas longas sem estar em Escala 6\u00d71 ou, inversamente, estar em Escala 6\u00d71 sem jornada extensa (Dal Rosso et Al., 2022). Diferenciar essas dimens\u00f5es \u00e9 fundamental para compreender os impactos do tempo de trabalho sobre a vida e a sa\u00fade dos trabalhadores.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/OQ_banner_680x250_V1-1-8.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/OQ_banner_680x250_V1-1-8.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31175341\/OQ_banner_680x250_V1-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Categorias cl\u00e1ssicas da cr\u00edtica do trabalho, como fadiga, desgaste, esgotamento e envelhecimento precoce, analisadas desde Marx (2013), permanecem relevantes. O tempo de deslocamento entre casa e trabalho, embora n\u00e3o contabilizado formalmente, imp\u00f5e esfor\u00e7o adicional e revela facetas da precariza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Em n\u00edvel nacional, o tempo m\u00e9dio de deslocamento di\u00e1rio \u00e9 de aproximadamente 41 minutos, com varia\u00e7\u00f5es entre \u00e1reas urbanas e rurais (IBGE, 2019). A intensidade do trabalho ser\u00e1 mencionada pontualmente, mantendo o foco na extens\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da jornada.<\/p>\n<p>Este artigo se configura como um ensaio anal\u00edtico baseado em revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e an\u00e1lise de dados nacionais e internacionais. A sele\u00e7\u00e3o das fontes privilegiou refer\u00eancias cl\u00e1ssicas e contempor\u00e2neas sobre cr\u00edtica do trabalho, precariedade subjetiva e sociedade do cansa\u00e7o, articuladas a evid\u00eancias da OIT, OMS e \u00f3rg\u00e3os nacionais. Essa abordagem permite examinar como a dura\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da jornada, especialmente na Escala 6\u00d71, impactam a sa\u00fade mental e a vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O texto explora as consequ\u00eancias da extens\u00e3o das jornadas e da ado\u00e7\u00e3o de escalas restritivas de descanso, com foco na Escala 6\u00d71, considerando o impacto direto no adoecimento mental dos trabalhadores. A an\u00e1lise apoia-se em Sociologia do Trabalho e Psicologia Social, articulando dados da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) e estudos sobre efeitos ps\u00edquicos de condi\u00e7\u00f5es de trabalho precarizadas.<\/p>\n<p>Referenciais centrais incluem Richard Sennett (1999), sobre a desumaniza\u00e7\u00e3o do trabalho e corros\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais; Ricardo Antunes (2018) e Fernando Gastal de Castro (2022), que refletem sobre precariedade subjetiva e perda de autonomia e identidade; e Byung-Chul Han (2015), que discute a sociedade do cansa\u00e7o, refor\u00e7ando que o excesso de produtividade se converte em esgotamento coletivo. Ao longo do texto, s\u00e3o percorridos alguns eixos: resgate hist\u00f3rico das lutas por jornada justa; an\u00e1lise da Escala 6\u00d71 como produtora de precariedade subjetiva; e discuss\u00e3o dos impactos ps\u00edquicos da exaust\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e sofrimento. Ao final, defende-se a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam jornadas equilibradas e o direito ao descanso, propondo reflex\u00f5es sobre o papel da Psicologia na defesa do tempo como valor humano inegoci\u00e1vel \u2013 para cuidado, afeto e vida digna.<\/p>\n<h3><strong>Trabalho e Tempo de N\u00e3o-Trabalho: entre a hist\u00f3ria e o agora<\/strong><\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria das lutas por jornadas de trabalho justas \u00e9, tamb\u00e9m, a hist\u00f3ria da luta pelo tempo e pela vida \u2013 tempo para si, para os outros, para o que escapa ao labor. Desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, as jornadas extenuantes (que ultrapassavam doze, quatorze, at\u00e9 dezesseis horas di\u00e1rias) impuseram aos corpos o ritmo das m\u00e1quinas (Antunes, 2009). Reduzir o tempo de labuta significava, historicamente, ampliar o tempo da exist\u00eancia humana, ou seja, o tempo do sono, do afeto, da rua, do sil\u00eancio, da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As conquistas por limites \u00e0 jornada, como a luta pelas oito horas di\u00e1rias, n\u00e3o foram concess\u00f5es espont\u00e2neas, mas arrancadas por movimentos oper\u00e1rios que reivindicavam mais do que uma pausa: buscavam existir para al\u00e9m do trabalho. Garantir o descanso tornou-se, assim, ato de insurg\u00eancia coletiva diante de um sistema que pretendia extrair tudo dos corpos, inclusive o direito ao tempo ocioso.<\/p>\n<p>Contudo, as vit\u00f3rias hist\u00f3ricas n\u00e3o eliminaram a tens\u00e3o entre trabalho e tempo de n\u00e3o-trabalho. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, assistimos \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica produtiva que captura o tempo das trabalhadoras e dos trabalhadores de diferentes formas: pela extens\u00e3o das jornadas (quantidade de horas) e pela distribui\u00e7\u00e3o do trabalho (forma como os dias s\u00e3o organizados). A intensifica\u00e7\u00e3o do labor, a precariza\u00e7\u00e3o contratual e a coloniza\u00e7\u00e3o do tempo livre remodelam ambos os aspectos, ampliando desigualdades entre segmentos da classe trabalhadora. Relat\u00f3rios da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT, 2009; 2022) apontam que jornadas excessivas impactam a sa\u00fade e a qualidade de vida, evidenciando a tend\u00eancia global de aumento da carga hor\u00e1ria em detrimento do tempo livre. Nessa din\u00e2mica, o tempo do labor se configura como cont\u00ednuo, fragmentado e sem bordas: cont\u00ednuo, pois se estende al\u00e9m do expediente; fragmentado e sem bordas, porque atravessa todas as esferas da vida, prejudicando o repouso e corroendo a separa\u00e7\u00e3o entre tempo de produ\u00e7\u00e3o e de exist\u00eancia (Antunes, 2018).<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>A Escala 6\u00d71 exemplifica a dimens\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o do trabalho, concentrando dias de labor seguidos e reservando apenas um dia de folga, reduzindo o descanso a um intervalo m\u00ednimo e incapaz de recompor for\u00e7as ou permitir experi\u00eancias que n\u00e3o sejam orientadas pela produtividade.<\/p>\n<p>Sennett (1999) descreve os efeitos subjetivos dessa muta\u00e7\u00e3o ao cunhar o conceito de \u201ccorros\u00e3o do car\u00e1ter\u201d: a instabilidade, a descontinuidade e a acelera\u00e7\u00e3o dos ritmos fragilizam projetos de vida e prejudicam a constru\u00e7\u00e3o da identidade. Constru\u00edda historicamente a partir de linearidade e perten\u00e7a, a identidade dilui-se diante de ocupa\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, metas vol\u00e1teis e aus\u00eancia de sentido; o tempo deixa de ser vivido como experi\u00eancia e transforma-se em cronograma de entrega.<\/p>\n<p>Ao di\u00e1logo de Sennett soma-se a reflex\u00e3o de Byung-Chul Han (2015) sobre a \u201csociedade do cansa\u00e7o\u201d: a transi\u00e7\u00e3o da disciplina para o desempenho produz um sujeito que se explora por via da liberdade aparente, tornando-se seu pr\u00f3prio fiscal. Essa cobran\u00e7a internalizada torna a sobrecarga ainda mais nociva, pois combina coer\u00e7\u00e3o externa (gest\u00e3o por metas, inseguran\u00e7a, medo do desemprego) \u00e0 autoexplora\u00e7\u00e3o. Apesar de formas renovadas, n\u00e3o se trata de fen\u00f4meno completamente novo, j\u00e1 que o fordismo articulava mecanismos de controle que ultrapassavam a f\u00e1brica e penetravam modos de vida (Puckett, 2024), evidenciando que a sujei\u00e7\u00e3o assume formas hist\u00f3ricas variadas.<\/p>\n<p>Castro (2022) amplia essa perspectiva ao mostrar que o neoliberalismo atua diretamente sobre a constitui\u00e7\u00e3o dos sujeitos, moldando expectativas, afetos e modos de vida. A precariedade subjetiva manifesta-se na transforma\u00e7\u00e3o da liberdade em autoexplora\u00e7\u00e3o e na convers\u00e3o do tempo livre em tempo \u00fatil, no qual at\u00e9 o lazer \u00e9 atravessado por exig\u00eancias de efici\u00eancia. A Escala 6\u00d71 materializa essa l\u00f3gica: mesmo o dia destinado ao descanso \u00e9 colonizado por tarefas, cansa\u00e7os acumulados e prepara\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo ciclo laboral, reduzindo seu potencial reparador.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os relat\u00f3rios da OIT (2009; 2022) confirma a continuidade e o aprofundamento da l\u00f3gica produtivista que captura o tempo de vida. Em 2022, mais de 35% da for\u00e7a de trabalho global ultrapassava 48 horas semanais, evidenciando a extens\u00e3o excessiva das jornadas e colocando em xeque a efic\u00e1cia de limites formais \u00e0 jornada para preservar a sa\u00fade mental (OIT, 2022).<\/p>\n<p>No Brasil, embora a legisla\u00e7\u00e3o fixe 44 horas semanais como limite, esses par\u00e2metros t\u00eam se mostrado insuficientes diante das formas contempor\u00e2neas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e suas externalidades para a vida. Importa ressaltar que, em muitos casos, tais limites n\u00e3o refletem conquistas, mas situa\u00e7\u00f5es de subocupa\u00e7\u00e3o: v\u00ednculos prec\u00e1rios e inst\u00e1veis que reduzem o tempo formal de trabalho sem garantir remunera\u00e7\u00e3o ou prote\u00e7\u00e3o social adequadas. Tanto o excesso de horas quanto a insufici\u00eancia de trabalho seguro e digno configuram dimens\u00f5es do adoecimento.<\/p>\n<p>Entre a hist\u00f3ria e o presente, evidencia-se a persist\u00eancia da luta pelo tempo: uma disputa sindical e pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m existencial \u2013 o direito de viver para al\u00e9m do trabalho, de construir afetos, mem\u00f3rias e projetos que n\u00e3o se reduzam \u00e0 l\u00f3gica da produtividade. \u00c9 nesse cen\u00e1rio que a Escala 6\u00d71 se insere como mecanismo de distribui\u00e7\u00e3o desigual do trabalho, ilustrando como a organiza\u00e7\u00e3o injusta das jornadas pode corroer a possibilidade de vida digna.<\/p>\n<h3><strong>A Escala 6\u00d71 como produtora de precariedade subjetiva<\/strong><\/h3>\n<p>No interior das engrenagens produtivas contempor\u00e2neas, a Escala 6\u00d71 produz precariza\u00e7\u00e3o em dupla dimens\u00e3o: material, ao prolongar jornadas, comprimir o tempo de descanso e distribuir o trabalho de forma desigual; e subjetiva, ao corroer identidades, v\u00ednculos afetivos e a capacidade de narrar a pr\u00f3pria experi\u00eancia fora dos marcos da produtividade. Mais que um simples arranjo organizacional, configura-se como s\u00edmbolo da l\u00f3gica do esgotamento, na qual o tempo de n\u00e3o-trabalho \u00e9 capturado e esvaziado de sua fun\u00e7\u00e3o reparadora. Como aponta Antunes (2018), trata-se da compress\u00e3o da vida pelo trabalho, que limita espa\u00e7os de pausa e cria\u00e7\u00e3o \u2013 dimens\u00f5es reconhecidas pela Psicologia como essenciais \u00e0 sa\u00fade mental e ao equil\u00edbrio emocional.<\/p>\n<p>Para Castro (2022), essa captura, ao mesmo tempo material e simb\u00f3lica, reconfigura as subjetividades, moldando corpos e mentes a uma l\u00f3gica de constante disponibilidade e performatividade. Nesse contexto, a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, para al\u00e9m de seus efeitos econ\u00f4micos, implica tamb\u00e9m numa precariza\u00e7\u00e3o subjetiva: um esgar\u00e7amento das viv\u00eancias que sustentam a experi\u00eancia de si e do outro.<\/p>\n<p>Cabe aqui refletir: seria poss\u00edvel conceber uma precariza\u00e7\u00e3o apenas material\/objetiva, considerando que, em nosso corpo, n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre mente e mat\u00e9ria? A precariza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m subjetiva, pois, a exig\u00eancia permanente de adapta\u00e7\u00e3o e produtividade atinge simultaneamente a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica. Essa concep\u00e7\u00e3o de precariedade subjetiva como a fragiliza\u00e7\u00e3o do eu diante da urg\u00eancia e da disponibilidade constante ajuda a compreender como a falta de tempo para si, para o outro e para o coletivo se traduz em esvaziamento simb\u00f3lico, perda de v\u00ednculos e sofrimento ps\u00edquico \u2013 elementos que atravessam silenciosamente o cotidiano de quem vive e trabalha nessas condi\u00e7\u00f5es (Castro, 2022), sobretudo aqueles submetidos \u00e0 Escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>Como alerta Antunes (2018), vivemos a era da subsun\u00e7\u00e3o real da vida ao trabalho, e a Escala 6\u00d71, naturalizada em diversos setores, \u00e9 uma das express\u00f5es evidentes dessa subsun\u00e7\u00e3o, na medida em que afeta fisicamente e corr\u00f3i os alicerces ps\u00edquicos da exist\u00eancia de trabalhadoras e trabalhadores. Contribuindo para esse debate, Castro (2022) observa que a subjetividade precarizada perde a capacidade de narrar a si mesma fora dos marcos da produtividade, j\u00e1 que a experi\u00eancia do tempo \u00e9 marcada pela urg\u00eancia e pela impossibilidade de pausa. Para Sennett (1999), resta um sujeito despeda\u00e7ado, cuja identidade se dilui diante de ocupa\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, metas vol\u00e1teis e aus\u00eancia de sentido.<\/p>\n<p>Tal processo evidencia a l\u00f3gica capitalista que, ao mesmo tempo em que explora (ou induz \u00e0 autoexplora\u00e7\u00e3o), esgar\u00e7a la\u00e7os afetivos e solid\u00e1rios, dificultando, por exemplo, a organiza\u00e7\u00e3o coletiva da classe trabalhadora. Esse modelo de subjetiva\u00e7\u00e3o refor\u00e7a o isolamento, esfacela as experi\u00eancias coletivas e transforma o sofrimento no trabalho em quest\u00e3o individual, obscurecendo suas ra\u00edzes estruturais.<\/p>\n<p>Dialogamos aqui com Dardot e Laval (2016) ao compreender que o neoliberalismo n\u00e3o se limita a uma ideologia ou pol\u00edtica econ\u00f4mica, mas opera como um sistema normativo que estende a l\u00f3gica do capital a todas as esferas da vida. Essa racionalidade produz um sujeito empresarial de si, permanentemente responsabilizado pelo sucesso ou fracasso de sua trajet\u00f3ria. O adoecimento que emerge dessas formas contempor\u00e2neas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9, antes de tudo, express\u00e3o de um modo de vida que nega o tempo necess\u00e1rio para existir.<\/p>\n<h3><strong>Quando o tempo adoece: Trabalho, Sofrimento Ps\u00edquico e a Urg\u00eancia de Cuidado<\/strong><\/h3>\n<p>Ao articular a explora\u00e7\u00e3o material e a corros\u00e3o subjetiva, a Escala 6\u00d71 sintetiza o modo como o capitalismo contempor\u00e2neo transforma o tempo em mercadoria e o corpo em instrumento. Essa din\u00e2mica, ao restringir o direito \u00e0 pausa e ao conv\u00edvio, aprofunda um modelo de vida pautado na urg\u00eancia e na produtividade. Se, at\u00e9 aqui, discutimos como a precariza\u00e7\u00e3o se estrutura e se infiltra nas subjetividades, \u00e9 preciso agora avan\u00e7ar na an\u00e1lise de suas consequ\u00eancias diretas: o adoecimento ps\u00edquico, a exaust\u00e3o emocional e a nega\u00e7\u00e3o do cuidado como dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A Escala 6\u00d71 assume uma particularidade relevante no debate sobre tempo e sa\u00fade. \u00c9 importante diferenciar: a jornada longa refere-se ao excesso de horas na semana; a Escala 6\u00d71 refere-se \u00e0 forma de distribui\u00e7\u00e3o desses dias. Podem coincidir, mas n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. A jornada extensa aumenta riscos f\u00edsicos e mentais; a Escala 6\u00d71 compromete o potencial reparador do \u00fanico dia de folga, transformando o tempo de n\u00e3o-trabalho em mera prepara\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo ciclo de esgotamento. A evid\u00eancia internacional sustenta essa preocupa\u00e7\u00e3o. O Relat\u00f3rio Mundial de Sa\u00fade Mental da OMS (2022) aponta que uma em cada oito pessoas vive com algum transtorno mental, como depress\u00e3o e ansiedade, especialmente entre mulheres e jovens. J\u00e1 a OIT tem reiterado que jornadas prolongadas est\u00e3o associadas a dist\u00farbios do sono, esgotamento e maior risco de doen\u00e7as cardiovasculares e AVCs. Desde 2009, a institui\u00e7\u00e3o estabelece que jornadas acima de 48 horas semanais configuram fator de risco \u00e0 sa\u00fade e ao equil\u00edbrio da vida.<\/p>\n<p>No plano nacional, os transtornos mentais e comportamentais figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho e de concess\u00e3o de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, evidenciando que o problema ultrapassa a esfera individual e assume dimens\u00e3o coletiva. Dados recentes do Instituto Nacional do Seguro Social indicam aumento de 68% nos afastamentos por motivos de sa\u00fade mental em 2024, revelando o agravamento do adoecimento ps\u00edquico relacionado ao trabalho (USP, 2025). Esses n\u00fameros dialogam com alertas de organismos internacionais, que apontam crescimento cont\u00ednuo dos transtornos mentais associados a condi\u00e7\u00f5es laborais prec\u00e1rias e \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o das jornadas (ONU, 2025).<\/p>\n<p>A Escala 6\u00d71 reduz o tempo dispon\u00edvel para recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica e emocional, fragiliza v\u00ednculos sociais e dificulta a constru\u00e7\u00e3o de sentido \u2013 condi\u00e7\u00f5es que favorecem a emerg\u00eancia de sofrimento ps\u00edquico. Esse processo \u00e9 alimentado por uma racionalidade produtiva que combina coer\u00e7\u00e3o externa (gest\u00e3o por metas, inseguran\u00e7a no emprego) e coer\u00e7\u00e3o internalizada (autoexplora\u00e7\u00e3o), conforme apontam an\u00e1lises cr\u00edticas sobre neoliberalismo e subjetiva\u00e7\u00e3o (Antunes, 2018; Dardot e Laval, 2016; Han, 2015).<\/p>\n<p>A resposta do sistema de sa\u00fade a esse sofrimento exp\u00f5e contradi\u00e7\u00f5es que agravam a situa\u00e7\u00e3o. Embora o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tenha ampliado recentemente o custeio da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS), persistem entraves e desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o dos recursos (Brasil, 2023; Brasil, 2022), o que prejudica respostas territoriais mais efetivas \u00e0s demandas da classe trabalhadora e refor\u00e7a neglig\u00eancias hist\u00f3ricas. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, problematizar discursos que tratam o cuidado em termos puramente econ\u00f4micos. Embora organismos internacionais eventualmente estimem retornos econ\u00f4micos de investimentos em sa\u00fade mental, essa ret\u00f3rica n\u00e3o pode substituir a cr\u00edtica \u00e0s causas estruturais do sofrimento: a centralidade deve ser a transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e n\u00e3o apenas a expans\u00e3o do tratamento cl\u00ednico. A medicaliza\u00e7\u00e3o do mal-estar naturaliza o adoecimento, desloca responsabilidades do coletivo para o indiv\u00edduo e obstrui estrat\u00e9gias p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o do tempo laboral.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, a agenda p\u00fablica deve combinar medidas sobre dura\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do tempo: redu\u00e7\u00e3o de jornadas excessivas, regula\u00e7\u00e3o das escalas (como a revis\u00e3o do modelo 6\u00d71), pol\u00edticas de mobilidade e a\u00e7\u00f5es territoriais de cuidado que ampliem o tempo de recupera\u00e7\u00e3o. A OIT j\u00e1 assinalou que pol\u00edticas de jornada e pausas bem estruturadas podem reduzir absente\u00edsmo e favorecer o bem-estar; contudo, esses argumentos n\u00e3o podem ser capturados pela l\u00f3gica empresarial de efici\u00eancia. O tempo livre deve ser afirmado como direito em si, vinculado \u00e0 dignidade humana e \u00e0 possibilidade de sustentar v\u00ednculos, desejos e projetos, refor\u00e7ando a defesa do tempo como bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u00c0 Psicologia, como ci\u00eancia e profiss\u00e3o comprometida com os direitos humanos, cabe n\u00e3o apenas escutar os sujeitos que sofrem, mas tensionar as estruturas que os ferem. \u00c9 tempo de reivindicar o tempo: n\u00e3o como luxo, mas como urg\u00eancia \u00e9tica. Porque, se o tempo n\u00e3o for espa\u00e7o de afeto, pausa e cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 tempo de viver \u2013 \u00e9 tempo de (sobre)viver. Na recusa a reduzir o sofrimento a diagn\u00f3sticos ou sintomas, a Psicologia pode contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias coletivas de cuidado, articulando escuta qualificada, territ\u00f3rios e pol\u00edticas p\u00fablicas (Nunes e Oliveira, 2025). Isso implica denunciar causas estruturais, recusar a naturaliza\u00e7\u00e3o da exaust\u00e3o e defender a redu\u00e7\u00e3o e a reordena\u00e7\u00e3o das jornadas como condi\u00e7\u00e3o para a vida.<\/p>\n<p>O enfrentamento da Escala 6\u00d71, portanto, \u00e9 mais do que pauta trabalhista: \u00e9 pauta de sa\u00fade mental, de defesa da vida e de cria\u00e7\u00e3o de futuros habit\u00e1veis. Quando se compromete com essa luta, a Psicologia se afirma como campo de resist\u00eancia e de reinven\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais: o tempo como direito<\/strong><\/h3>\n<p>Este artigo buscou lan\u00e7ar luz sobre os impactos da organiza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho \u2013 tanto em sua dura\u00e7\u00e3o quanto em sua distribui\u00e7\u00e3o \u2013 sobre a sa\u00fade mental das trabalhadoras e dos trabalhadores. O foco na Escala 6\u00d71 permitiu problematizar como um arranjo aparentemente t\u00e9cnico pode se converter em dispositivo de adoecimento, ao concentrar seis dias consecutivos de labor e conceder apenas um dia de descanso.<\/p>\n<p>Mostramos que a precariedade subjetiva, o esgar\u00e7amento dos v\u00ednculos e a exaust\u00e3o cr\u00f4nica n\u00e3o resultam apenas do excesso de horas, mas tamb\u00e9m da forma como essas horas s\u00e3o distribu\u00eddas, corroendo o potencial reparador do tempo livre. Nesse sentido, a jornada n\u00e3o \u00e9 mero detalhe administrativo: \u00e9 um marcador \u00e9tico e pol\u00edtico que afeta diretamente o corpo, a subjetividade e a vida em comum.<\/p>\n<p>Ainda que os formatos atuais, como a Escala 6\u00d71, revelem novas faces da explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata de fen\u00f4meno in\u00e9dito. As categorias cl\u00e1ssicas da cr\u00edtica do trabalho, como fadiga, desgaste e esgotamento, seguem sendo fundamentais para compreender como o tempo de labor, quando apropriado pelo capital, deteriora corpos e subjetividades. A luta pelo tempo, desde Marx at\u00e9 as disputas contempor\u00e2neas, continua a ser uma luta pela vida. A Escala 6\u00d71 encarna essa l\u00f3gica ao transformar o descanso em exce\u00e7\u00e3o e a fadiga em rotina. Sua supera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas pauta trabalhista, mas afirma\u00e7\u00e3o da dignidade humana. Defender o fim desse modelo \u00e9 afirmar o tempo como direito \u2013 direito \u00e0 pausa, ao cuidado e \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o dos desejos, direito que n\u00e3o se mede em produtividade, mas em possibilidade de viver.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia brasileira demonstra, ainda, que a falta de tempo coletivo repercute no pr\u00f3prio sistema de cuidado: quando a vida \u00e9 organizada pelo trabalho, os espa\u00e7os de encontro, de elabora\u00e7\u00e3o e de solidariedade se estreitam, enfraquecendo tanto a sa\u00fade individual quanto o tecido social. Normativas internacionais, como as da OIT, refor\u00e7am a import\u00e2ncia de limitar a dura\u00e7\u00e3o das jornadas e regular sua distribui\u00e7\u00e3o, de modo a garantir condi\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da vida laboral.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a Psicologia tem um papel fundamental: n\u00e3o apenas escutar os sujeitos atravessados pelo sofrimento, mas tensionar as estruturas que o produzem. Ao recusar a naturaliza\u00e7\u00e3o da exaust\u00e3o, a Psicologia pode contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias coletivas de cuidado, fortalecendo redes comunit\u00e1rias e pol\u00edticas p\u00fablicas que defendam o tempo para a vida em sua plenitude.<\/p>\n<p>Reduzir jornadas, garantir dias de recupera\u00e7\u00e3o, criar dispositivos coletivos de escuta e fortalecer pol\u00edticas territoriais de cuidado n\u00e3o s\u00e3o gastos, mas investimentos em sa\u00fade, bem-estar e futuro comum. Por fim, deixamos uma provoca\u00e7\u00e3o: e se o tempo voltasse a ser nosso? Talvez seja nesse intervalo \u2013 entre a pausa e o respiro \u2013 que a vida possa, enfim, reencontrar sentido.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ANTUNES, R. O privil\u00e9gio da servid\u00e3o: o novo proletariado de servi\u00e7os na era digital. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018.<\/p>\n<p>ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirma\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o do trabalho. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2009.<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade amplia em R$ 414 milh\u00f5es por ano os recursos para custeio dos servi\u00e7os da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2023.<\/p>\n<p>BRASIL. Relat\u00f3rio de Gest\u00e3o 2022. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2022.<\/p>\n<p>CASTRO, F. G. Da precariza\u00e7\u00e3o subjetiva \u00e0 ditadura da forma: notas para uma psicologia cr\u00edtica do trabalho. In: CASTRO, F. G.; FERREIRA, J. B. Neo-liberalismo, trabalho e precariedade subjetiva. Porto Alegre: Editora Fi, 2022. Pp. 19-39.<\/p>\n<p>DAL ROSSO, S.; CARDOSO, A. C. M.; CALVETE, C.; KREIN, J. D. (Orgs.). O<\/p>\n<p>futuro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Porto Alegre: CirKula, 2022.<\/p>\n<p>DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova raz\u00e3o do mundo. Ensaio sobre a socieda-de neoliberal. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2016.<\/p>\n<p>HAN, B.-C. A sociedade do cansa\u00e7o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n<p>IBGE. Pesquisa Nacional de Sa\u00fade. PNS 2019: deslocamento para o trabalho ou estudo. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/educa.ibge.gov.br\/pro-fessores\/educa-atividades\/21353-deslocamento-para-o-trabalho.html.<\/p>\n<p>MARX, K. O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<\/p>\n<p>NUNES, M. M. S.; OLIVEIRA, M. S. P. A import\u00e2ncia da minimiza\u00e7\u00e3o dos impactos do ambiente de trabalho \u00e0 sa\u00fade mental do trabalhador. Revista Foco, v. 18, n. 9, e9654, 2025.<\/p>\n<p>ONU. Brasil: Afastamentos por problemas de sa\u00fade mental aumentam<\/p>\n<p>134. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/292926-brasil-afasta-mentos-por-problemas-de-sa%C3%BAde-mental-aumentam-134.<\/p>\n<p>OIT. Dura\u00e7\u00e3o do Trabalho em Todo o Mundo: tend\u00eancias de jornadas de trabalho, legisla\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas numa perspectiva global compara-da. Bras\u00edlia: OIT, 2009.<\/p>\n<p>OIT. Working Time and Work-Life Balance Around the World. Geneva: ILO, 2022.<\/p>\n<p>OMS. World mental health report: transforming mental health for all. Geneva: ILO, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/iris.who.int\/handle\/10665\/356119.<\/p>\n<p>PUCKETT, E. Henry Ford\u2019s Bizarre Social Program To Control The Perso-nal Lives Of Workers. Motorious, 26 nov. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www. motorious.com\/articles\/features-3\/henry-fords-bizarre-social-program\/.<\/p>\n<p>SENNETT, R. A corros\u00e3o do car\u00e1ter: consequ\u00eancias pessoais do traba-lho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999.<\/p>\n<p>USP. Afastamento do trabalho por transtornos mentais cresce 68% no Brasil. Jornal da USP, 02 abr. 2025.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post 6\u00d71: A sa\u00fade mental, muito al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da jornada appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rei-da-espanha-viraliza-levantando-sobrancelhas-apos-queda-da-bandeira-do-pais-durante-hasteamento-video\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Rei da Espanha viraliza levantando sobrancelhas ap...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/caiado-afirma-que-contaminados-por-vorcaro-nao-tem-estatura-para-sentar-na-cadeira-da-presidencia-da-republica\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Caiado afirma que \u2018contaminados por Vorcaro n\u00e3o t\u00ea...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/musica-outra-vez\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">M\u00fasica, outra vez<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/influenciadores-pro-banco-master-propagaram-fakes-de-nikolas-elogiaram-tarcisio-e-deram-up-em-flavio-bolsonaro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Influenciadores pr\u00f3-Banco Master propagaram fakes ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo escorre e deixa de ser vivido como experi\u00eancia. Tudo \u00e9 cronograma de entrega. Sujeitos adoecem e, no limite, perdem a pr\u00f3pria identidade. Por isso, est\u00e1 comprovado: a escala 6&#215;1 \u00e9 incompat\u00edvel com um futuro digno e habit\u00e1vel <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/6x1-a-saude-mental-muito-alem-da-reducao-da-jornada\/\">6\u00d71: A sa\u00fade mental, muito al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":75892,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[9548,27204,9230,36990,2008,20710,5834,36991,25323],"tags":[],"class_list":["post-75891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ansiedade","category-cesit-jornada","category-depressao","category-fadiga","category-fim-da-escala-6x1","category-produtivismo","category-trabalho-e-precariado","category-transtornos-mentais","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75891\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}