{"id":76364,"date":"2026-03-02T16:04:05","date_gmt":"2026-03-02T19:04:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/clima-o-debate-esquecido-nas-eleicoes\/"},"modified":"2026-03-02T16:04:05","modified_gmt":"2026-03-02T19:04:05","slug":"clima-o-debate-esquecido-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/clima-o-debate-esquecido-nas-eleicoes\/","title":{"rendered":"Clima: O debate esquecido nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"853\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_4985706610135075827_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_4985706610135075827_y.jpg 1280w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/02160135\/photo_4985706610135075827_y-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/02160135\/photo_4985706610135075827_y-768x512.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/02160135\/photo_4985706610135075827_y-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Familiares acompanham buscas em escombros ap\u00f3s chuvas em Juiz de Fora\/MG. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>MAIS<br \/>Este \u00e9 o primeiro de uma s\u00e9rie de artigos sobre temas estrat\u00e9gicos para o pa\u00eds e que est\u00e3o ausentes dos debates, eleitorais ou n\u00e3o<\/p>\n<h3><strong>A crise clim\u00e1tica, suas consequ\u00eancias e como preveni-las\/enfrent\u00e1-las<\/strong><\/h3>\n<p>Se nada for feito a n\u00edvel global para conter as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas m\u00e9dias em todo mundo (terras e oceanos) chegar\u00e1 a 2\u00baC a mais, em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial nos pr\u00f3ximos anos, e a 3\u00baC no come\u00e7o da pr\u00f3xima d\u00e9cada ou, na previs\u00e3o mais otimista, at\u00e9 2050. Isto se forem tomadas algumas medidas de conten\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Nem vale a pena discutir as previs\u00f5es para o fim do s\u00e9culo para o caso de nada ser feito para cont\u00ea-las (5\u00ba a 6\u00ba C), pois a sequ\u00eancia de cat\u00e1strofes decorrentes do aquecimento anterior j\u00e1 ter\u00e1 destru\u00eddo a civiliza\u00e7\u00e3o e talvez at\u00e9 j\u00e1 eliminado a vida humana na terra.<\/p>\n<p>Para ser mais preciso, e para colocar uma pitada a mais de realismo assustador nas previs\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio entender que o processo de aquecimento global n\u00e3o funciona numa rela\u00e7\u00e3o imediata entre as emiss\u00f5es de GEE e o aumento da temperatura. H\u00e1 um diferencial no tempo entre as emiss\u00f5es de GEE e o consequente aumento da temperatura. Isto se d\u00e1 porque terra e oceano se aquecem aos poucos, de tal forma que os GEE emitidos hoje ou no passado ter\u00e3o efeito em anos ou d\u00e9cadas, dependendo do tipo de gases. Os cientistas sabem a quantidade de GEE na atmosfera atualmente e podem afirmar que, mesmo que nenhuma nova mol\u00e9cula de GEE seja emitida (por um passe de m\u00e1gica) a partir de hoje, o planeta vai continuar aquecendo por algum tempo pelo ac\u00famulo de gases j\u00e1 emitidos. Este fato garante que, para manter a temperatura abaixo de 2\u00ba Celsius, vai ser preciso n\u00e3o apenas cessar de emitir novos gases, mas conseguir retirar uma boa quantidade dos gases j\u00e1 emitidos. Ou seja, j\u00e1 estamos condenados a um mundo com temperaturas m\u00e9dias superiores \u00e0s do per\u00edodo pr\u00e9-industrial em, pelo menos, mais 3\u00ba C, isto porque j\u00e1 praticamente batemos a barreira dos 2\u00ba C.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-4.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31180426\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Este \u00e9 o recado do mundo cient\u00edfico, envolvendo especialistas de todo tipo, cujas opini\u00f5es v\u00e3o ficando cada vez mais pessimistas (e precisas) na medida em que v\u00e3o se acumulando mais e mais dados concretos e pesquisas na mesma dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 bom lembrar que o IPCC, em seus relat\u00f3rios peri\u00f3dicos, sempre produziu v\u00e1rios cen\u00e1rios, desde o mais pessimista (nenhum controle sobre os aumentos de emiss\u00f5es de GEE) at\u00e9 os mais otimistas (diminui\u00e7\u00e3o da acelera\u00e7\u00e3o, estancamento, diminui\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o e retirada dos GEE da atmosfera). Em mais de 20 anos, apenas as previs\u00f5es mais pessimistas v\u00eam se confirmando ou at\u00e9 se mostrando otimistas.<\/p>\n<p>O senso comum tende ler estas informa\u00e7\u00f5es com ignorante leveza. Para o cidad\u00e3o comum, o aumento de 1\u00ba , 2\u00ba\u00a0 ou 3\u00baC na temperatura que ele percebe pessoalmente n\u00e3o chega a ser aterrorizante. A percep\u00e7\u00e3o dos cariocas, por exemplo, \u00e9 de que isto n\u00e3o \u00e9 mais do que a diferen\u00e7a entre as temperaturas na Baixada Fluminense, ou em Bangu, e as do bairro de Santa Tereza ou da Quinta da Boa Vista.<\/p>\n<p>Ocorre que a m\u00e9dia mundial n\u00e3o \u00e9 mais do que um balan\u00e7o de temperaturas muito diferentes nas v\u00e1rias partes do mundo. Desde logo, como as temperaturas dos oceanos s\u00e3o sempre mais baixas (por se aquecerem mais lentamente), cada grau a mais no n\u00edvel global implica em temperaturas ainda mais altas em terra firme. Por outro lado, todo o planeta est\u00e1 se aquecendo, mas as temperaturas nas latitudes extremas s\u00e3o mais baixas do que no Equador, embora estejam aumentando em ritmo mais acelerado do que no resto do mundo. Em resumo, 2\u00baC a mais em todo o mundo se traduzem em 4\u00baC ou 5\u00baC a mais nos tr\u00f3picos, regi\u00e3o do globo onde a maior parte do Brasil est\u00e1 situada.<\/p>\n<p>Estas temperaturas devem ser ainda mais altas, dependendo de outros fatores, como altitude e cobertura vegetal. Sendo assim, as temperaturas na cidade do Rio de Janeiro podem chegar a 5\u00baC a mais em 2050 e a 7\u00ba ou 8\u00baC no Nordeste. Por outro lado, as temperaturas variam segundo a \u00e9poca do ano e para uma m\u00e9dia de mais 5\u00baC em um ano, a temperatura de ver\u00e3o pode chegar a 10\u00baC a mais, n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00e9culo XVIII, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura de ver\u00e3o nos dias de hoje. Ou seja, em poucas d\u00e9cadas poderemos estar vivendo ver\u00f5es com temperaturas frequentes acima de 50\u00baC. E ainda, como as temperaturas variam durante o dia e a noite, esta m\u00e9dia de 50\u00baC pode indicar valores ainda mais altos ao meio-dia. \u00c9 preciso notar que a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, fun\u00e7\u00e3o da temperatura e da umidade, pode ser ainda mais elevada .<\/p>\n<p>Hoje em dia, os cariocas estrebucham sob o sol quando as temperaturas chegam perto de 40\u00ba C de m\u00e1xima, mas pensem no que vai significar viver com 40\u00ba C ou mais, como m\u00ednimo nos meses de ver\u00e3o?<\/p>\n<h3><strong>Ondas de calor<\/strong><\/h3>\n<p>O aumento das temperaturas globais \u00e9 sentido de forma concreta naquilo que se chama de ondas de calor, com dias, semanas ou no pior caso, meses inteiros de ver\u00e3o com temperaturas que tornam imposs\u00edvel o trabalho f\u00edsico ao ar livre. Mesmo com as atuais temperaturas j\u00e1 se registram decis\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica em pa\u00edses como o Vietn\u00e3 recomendando aos agricultores trabalharem durante a noite. No nordeste brasileiro, os agricultores j\u00e1 adotam h\u00e1 tempos a pr\u00e1tica de ir para o campo antes do sol nascer, interrompendo a lida sob o sol das 9 \u00e0s 16 horas. A busca de um hor\u00e1rio de trabalho sem sol ou com sol mais fraco, vai aumentar com o aquecimento em curso. Com o tempo este vai ser o novo normal em muitas partes do planeta.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, estas ondas de calor v\u00eam se intensificando de forma not\u00e1vel e se estendendo por \u00e1reas maiores e com maior dura\u00e7\u00e3o, provocando um forte aumento de \u00f3bitos de idosos e crian\u00e7as, os mais vulner\u00e1veis. Por outro lado, n\u00e3o ocorrem, como seria de se esperar, invernos mais amenos e sim ondas de frio intenso, inversamente equivalentes ao calor\u00e3o de ver\u00e3o. Ao sentir ou saber destas friacas, o senso comum tende a duvidar do aquecimento global, mas o que interessa s\u00e3o as m\u00e9dias e estas sobem implacavelmente.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>O aumento das temperaturas j\u00e1 est\u00e1 impactando diretamente a produtividade das culturas agr\u00edcolas em toda parte. Como exemplo recente, a organiza\u00e7\u00e3o internacional dos produtores de caf\u00e9 registrou perdas m\u00e9dias de 10% nos rendimentos globais desta cultura e isto repete constata\u00e7\u00f5es de outros produtores, como os de cacau. N\u00e3o por acaso, os pre\u00e7os destas duas commodities v\u00eam subindo sem descanso nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<h3><strong>Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong><\/h3>\n<p>Mas os impactos mais importantes das temperaturas m\u00e9dias mais altas se d\u00e1 pelas modifica\u00e7\u00f5es no clima, com um aumento exponencial de dois fen\u00f4menos extremos: chuvas torrenciais, provocadas pelo aumento da evapora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas dos oceanos, e secas devastadoras, ambos fruto nas mudan\u00e7as na dire\u00e7\u00e3o, regularidade e intensidade dos ventos. A altern\u00e2ncia de secas e chuvas devastadoras tem efeitos mais amplos do que as ondas de calor, sobretudo pelo seu impacto sobre a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas mais secas ocorre ainda a expans\u00e3o dos inc\u00eandios florestais catastr\u00f3ficos como os registrados repetidas vezes nos Estados Unidos, Canad\u00e1 Portugal, Espanha, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, It\u00e1lia, Indon\u00e9sia, R\u00fassia, Peru,\u00a0 Brasil e outros mais, cada vez mais intensos e frequentes. Por sua vez, os inc\u00eandios s\u00e3o hoje, e de forma crescente, respons\u00e1veis por fortes emiss\u00f5es de CO2, que retroalimentam o aquecimento global.<\/p>\n<p>A modifica\u00e7\u00e3o do regime pluvial e da intensidade e dire\u00e7\u00e3o dos ventos contribui para os impactos na agricultura e na cobertura vegetal. No caso da Amaz\u00f4nia, j\u00e1 se faz sentir a mudan\u00e7a do timing e intensidade dos ventos al\u00edsios que diminuem as chuvas na regi\u00e3o. Por outro lado, o desmatamento crescente da floresta amaz\u00f4nica vem provocando a redu\u00e7\u00e3o das chuvas origin\u00e1rias da evapotranspira\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria cobertura vegetal. Os famosos \u201crios voadores\u201d, que levam umidade para as regi\u00f5es produtoras do centro-oeste, sudeste e sul do pa\u00eds, est\u00e3o mais err\u00e1ticos e menos volumosos, embora possam provocar chuvas mais intensas e devastadoras localizadamente. As mesmas mudan\u00e7as v\u00eam se fazendo sentir nos ventos de mon\u00e7\u00f5es, que levam chuvas para o interior da \u00cdndia, Ceil\u00e3o, Bangladesh, Vietn\u00e3 e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia do duplo efeito da mudan\u00e7a nos al\u00edsios e na emiss\u00e3o de vapor d\u2019\u00e1gua pela floresta \u00e9, por um lado, o ressecamento da Amaz\u00f4nia, empurrando o bioma na dire\u00e7\u00e3o de uma cobertura vegetal do tipo savana seca, num primeiro momento e \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, a longo prazo. Por outro lado, as \u00e1reas produtivas das regi\u00f5es ao sul da Amaz\u00f4nia est\u00e3o submetidas \u00e0 uma crescente irregularidade e diminui\u00e7\u00e3o das chuvas. Se ainda existia uma d\u00favida para o p\u00fablico brasileiro sobre a mudan\u00e7a no regime de chuvas (e a nova tend\u00eancia para fen\u00f4menos extremos), <strong>o ano de 2024 registrou a pior enchente (no Rio Grande do Sul) e a pior seca (na Amaz\u00f4nia), j\u00e1 registradas na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>A irregularidade no volume e distribui\u00e7\u00e3o das chuvas tamb\u00e9m afeta a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, pois os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas s\u00e3o frequentemente afetados pela falta de chuva nas suas bacias. \u00c9 o que estamos assistindo este ano (mais uma vez) no Brasil, com reservas caindo a n\u00edveis que obrigam a redu\u00e7\u00e3o do fluxo que move as turbinas e diminuindo a oferta de energia. A \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d dispon\u00edvel \u00e9 o acionamento das termoel\u00e9tricas, movidas a combust\u00edveis f\u00f3sseis como g\u00e1s, petr\u00f3leo ou carv\u00e3o, mais caras e emissoras de GEE.<\/p>\n<h3><strong>Derretimento das geleiras<\/strong><\/h3>\n<p>O outro efeito catastr\u00f3fico do aquecimento \u00e9 o derretimento das geleiras permanentes (ou eram at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s) na Groenl\u00e2ndia, \u00c1rtico e Ant\u00e1rtica. Este \u00e9 um dos processos onde a previs\u00e3o cient\u00edfica falhou muito, j\u00e1 que o ritmo do degelo vem se acelerando muito mais rapidamente do que foi calculado, e lan\u00e7ando bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua doce nos oceanos e aumentando o n\u00edvel das \u00e1guas de forma a afetar n\u00e3o apenas as pequenas ilhas do Pac\u00edfico (Seicheles, Maldivas e muitas outras), mas \u00e1reas costeiras baixas como as do Bangladesh, \u00cdndia, China, Indon\u00e9sia e outras com intrus\u00e3o de \u00e1gua salgada em zonas produtivas costeiras e alagamentos de cidades e aldeias litor\u00e2neas quando ocorrem mar\u00e9s altas. Estes fen\u00f4menos j\u00e1 est\u00e3o acontecendo e se intensificando a cada ano, apenas apontando para o futuro de outros locais do planeta menos amea\u00e7ados atualmente, j\u00e1 que as \u00e1guas n\u00e3o sobem por toda parte no mesmo ritmo. O processo do degelo, segundo os cientistas, j\u00e1 est\u00e1 chegando a um ponto de n\u00e3o retorno que pode precipitar a fragmenta\u00e7\u00e3o das imensas massas de gelo, acelerando muito o derretimento.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final do s\u00e9culo, espera-se que os oceanos subam pelo menos entre um e dois metros, numa m\u00e9dia mundial, se o aquecimento chegar a 3\u00ba ou 4\u00baC. Neste caso, e a avalia\u00e7\u00e3o pode ser otimista, \u00e9 a maioria das grandes cidades \u00e0 beira mar, como Nova Iorque, Miami, Los Angeles, Londres, Lisboa e muitas outras, inclusive a maioria das capitais estaduais do Brasil, terem bairros permanentemente alagados ou a ter que investir trilh\u00f5es de d\u00f3lares, euros ou reais em obras de conten\u00e7\u00e3o, fadadas a serem superadas com posteriores eleva\u00e7\u00f5es do n\u00edvel dos mares.<\/p>\n<p>Como no caso dos aumentos m\u00e9dios de temperatura mundial, os prov\u00e1veis dois metros a mais no n\u00edvel m\u00e9dio dos oceanos n\u00e3o quer dizer uma subida uniforme das \u00e1guas em toda parte. Uma m\u00e9dia de\u00a0 dois metros a mais globalmente implica, por exemplo, em aumentos quatro vezes maiores na linha do Equador. Ou ainda, significa Boston podendo erguer barreiras no seu litoral, ao estilo da Holanda, e Miami ficando totalmente alagada, no m\u00e1ximo se transformando em uma Veneza kitsch.<\/p>\n<h3><strong>Velocidade do aquecimento atual agrava o impacto<\/strong><\/h3>\n<p>A \u00faltima vez que estas altas temperaturas m\u00e9dias mundiais previstas para o fim do s\u00e9culo aconteceram foi h\u00e1 15 milh\u00f5es de anos, muito antes do surgimento do homem sapiens. O n\u00edvel dos oceanos subiu 40 metros acima dos n\u00edveis atuais. O volume de CO2 na atmosfera era de 500 partes por milh\u00e3o, algo que estamos no caminho de atingir, na hip\u00f3tese mais otimista, at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo e possivelmente at\u00e9 bem antes disso. Entretanto, este aumento de temperatura no passado ocorreu ao longo de milhares de anos, enquanto agora ele est\u00e1 acontecendo em d\u00e9cadas. No passado, o tempo mais dilatado do aquecimento permitiu que plantas e animais se adaptassem \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es, embora tenha havido muitas extin\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies. A velocidade atual do aumento da temperatura vai provocar maiores dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o e um \u00edndice de extin\u00e7\u00f5es gigantesco. Para agravar a situa\u00e7\u00e3o atual, a diferen\u00e7a com a Era do Mioceno \u00e9 que h\u00e1 15 milh\u00f5es de anos n\u00e3o havia humanos destruindo os habitats do planeta, tornando todos os biomas mais vulner\u00e1veis \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>E o aumento dos oceanos, ainda medido aos cent\u00edmetros a mais por ano, est\u00e1 em franca acelera\u00e7\u00e3o e os impactos ser\u00e3o imensos, com o avan\u00e7o das \u00e1guas sobre as costas densamente habitadas em todo o mundo provocando o deslocamento de milh\u00f5es e at\u00e9 bilh\u00f5es de pessoas (nos piores cen\u00e1rios).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso incluir neste processo de derretimento dos gelos, os glaciares de grande altitude como os do Himalaia, dos Andes, dos Alpes, e das Montanhas Rochosas, entre outros. O efeito vai ser (j\u00e1 est\u00e1 em curso) o de secar alguns rios de grande porte como o Indus e o Ganges, na \u00cdndia, o Colorado nos Estados Unidos, o Reno na Europa e uma s\u00e9rie de rios menores, mas que permitem ao Peru existir como pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre as perdas de cidades e \u00e1reas produtivas costeiras pelo avan\u00e7o das \u00e1guas marinhas, a desapari\u00e7\u00e3o de muitos rios importantes e a desertifica\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas interioranas, sobretudo nos tr\u00f3picos, o que resulta \u00e9 um planeta muito menor em termos de habitabilidade.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 pintei cat\u00e1strofes suficientes (h\u00e1 outras) frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 hora de ver o que se ainda pode fazer.<\/p>\n<h3><strong>Medidas urgentes<\/strong><\/h3>\n<p>A base cient\u00edfica para o Acordo de Paris sobre o clima apontava a necessidade de se dar uma forte desacelera\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de GEE, mirando em zer\u00e1-las at\u00e9 2050. Isto permitiria iniciar um esfor\u00e7o de conseguir balan\u00e7os negativos nas emiss\u00f5es nos seguintes cinquenta anos, reduzindo a quantidade de CO2 e outros gases na atmosfera de modo a obter as condi\u00e7\u00f5es para se paralisar o aumento da temperatura em 1,5\u00baC, ao fim do s\u00e9culo. Como as emiss\u00f5es continuaram crescendo, apenas com uma leve \u201ctirada do p\u00e9\u201d do acelerador, a tarefa de cumprir as metas do Acordo de Paris ficou mais dif\u00edcil e desafiadora. Uma mudan\u00e7a de rumo que se escalonava em 35 anos ter\u00e1 que ser feita em 25 e partindo de um ac\u00famulo de GEE maior do que o registrado em 2015. Ou seja, a radicalidade das medidas a serem tomadas ficou ainda maior.<\/p>\n<h3><strong>Zerar o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e os desmatamentos<\/strong><\/h3>\n<p>A ci\u00eancia j\u00e1 identificou quais s\u00e3o estas medidas: zerar o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e os desmatamentos nos pr\u00f3ximos 5 anos. O primeiro passo (imediato) \u00e9 parar de pesquisar novos po\u00e7os de petr\u00f3leo, g\u00e1s e minas de carv\u00e3o. O segundo \u00e9 parar de explorar os po\u00e7os e minas existentes nos pr\u00f3ximos anos, come\u00e7ando por zerar o uso do carv\u00e3o imediatamente.<\/p>\n<p>Simultaneamente, vai ser preciso parar de desmatar imediatamente e iniciar um processo gigantesco de reflorestamento que n\u00e3o pode ser ao modo do agroneg\u00f3cio, com florestas plantadas uniformes. Replantar florestas heterog\u00eaneas \u00e9 mais custoso e complexo, mas necess\u00e1rio. J\u00e1 existem experi\u00eancias nesta dire\u00e7\u00e3o e cabe generaliz\u00e1-las e para isso vai ser necess\u00e1rio recursos financeiros e gente, muita gente. O efeito deste reflorestamento ser\u00e1 uma enorme absor\u00e7\u00e3o de CO2 pelos bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de novas \u00e1rvores, o mais eficaz meio de retirar GEE da atmosfera at\u00e9 agora.<\/p>\n<h3><strong>Impacto do fim do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong><\/h3>\n<p>Como o petr\u00f3leo \u00e9 o motor da economia mundial e o principal gerador de energia el\u00e9trica e mec\u00e2nica, o problema energ\u00e9tico que o mundo vai enfrentar vai ser colossal. A solu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das chamadas energias verdes ou \u201climpas\u201d, e\u00f3lica e solar \u00e9 promissora, mas tem v\u00e1rios problemas para ser posta em pr\u00e1tica na escala e velocidade necess\u00e1rias. Para come\u00e7ar, a produ\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares e de moinhos de vento no momento depende do uso de energia f\u00f3ssil na extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, no seu transporte e transforma\u00e7\u00e3o e no seu deslocamento para os locais de coloca\u00e7\u00e3o (lembremos que hoje a maior parte dos pain\u00e9is solares est\u00e1 sendo produzida na China). H\u00e1 muita d\u00favida sobre a disponibilidade global de min\u00e9rios (as chamadas terras raras), sobretudo os utilizados nos pain\u00e9is solares e sobre a durabilidade destes equipamentos. Vai ser preciso pesquisar urgentemente o aperfei\u00e7oamento destas tecnologias e sobre outras formas de gera\u00e7\u00e3o de energia, como o aproveitamento da energia das mar\u00e9s oce\u00e2nicas, j\u00e1 em estudos avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>De toda forma, n\u00e3o vai ser poss\u00edvel manter o n\u00edvel de consumo energ\u00e9tico da economia mundial atual, eliminando o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis. A economia mundial vai sofrer um tremendo freio de arruma\u00e7\u00e3o e o uso da energia dispon\u00edvel vai ter que ser concentrado na produ\u00e7\u00e3o de bens essenciais para a humanidade. Estamos a caminho de um inevit\u00e1vel decrescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial mundial, tal como ela existe hoje, e vamos experimentar uma forte desglobaliza\u00e7\u00e3o da economia, dado o custo dos transportes de grande dist\u00e2ncia.<\/p>\n<h3><strong>Quais as prioridades de uma nova economia sem o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis?<\/strong><\/h3>\n<p>O crit\u00e9rio b\u00e1sico na sele\u00e7\u00e3o do que produzir \u00e9, como dito acima, o atendimento das necessidades b\u00e1sicas das pessoas como um todo e n\u00e3o, como hoje, a resposta \u00e0s for\u00e7as de mercado que jogam um peso enorme em produtos de alto custo energ\u00e9tico dirigidos para uma pequena minoria de consumidores de alta renda.<\/p>\n<p>Para introduzir o tema vou citar apenas algumas das prioridades. Desde logo, a produ\u00e7\u00e3o e transporte de alimentos b\u00e1sicos ser\u00e1 a prioridade um. Transporte coletivo (trens e metr\u00f4s) dever\u00e1 substituir o carro individual, come\u00e7ando com os SUVs de luxo. Trens, hidrovias e cabotagem dever\u00e3o fazer o transporte dos bens essenciais, no lugar dos caminh\u00f5es. As viagens de avi\u00e3o ser\u00e3o reduzidas ao m\u00ednimo essencial. Saneamento b\u00e1sico com compostagem de lodo de esgoto e de lixo dever\u00e3o ser generalizados. Habita\u00e7\u00f5es com materiais renov\u00e1veis dever\u00e3o substituir o uso, hoje generalizado, de cimento, a segunda ind\u00fastria mais emissora de GEE. A produ\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter local dever\u00e1 ser priorizada, diminuindo ao m\u00e1ximo o transporte at\u00e9 o consumidor. O uso da \u00e1gua pot\u00e1vel ter\u00e1 que ser fortemente racionalizado j\u00e1 que uma outra previs\u00e3o dos efeitos do aquecimento global \u00e9 a insufici\u00eancia da disponibilidade deste bem essencial. Infraestruturas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva ter\u00e3o que ser generalizadas.<\/p>\n<h3><strong>Decrescimento, reorienta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e relocaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o vai ser poss\u00edvel fazer esta gigantesca revolu\u00e7\u00e3o nos processos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo sem que se produza uma desconcentra\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es, hoje cada vez mais habitando, muitas vezes precariamente, grandes centros urbanos. Al\u00e9m disso, os efeitos devastadores da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que n\u00e3o poder\u00e3o ser totalmente evitados mesmo com a conten\u00e7\u00e3o do aquecimento, v\u00e3o gerar processos migrat\u00f3rios, envolvendo centenas de milh\u00f5es pessoas. Reassentar estas multid\u00f5es nos lugares habit\u00e1veis de forma ordenada vai ser um desafio para qualquer Estado sobrevivente neste novo mundo in\u00f3spito.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o apenas alguns dos problemas a serem enfrentados, mas s\u00e3o os mais importantes para a sobreviv\u00eancia da humanidade. De toda forma, a l\u00f3gica essencial a seguir \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o do consumo suntu\u00e1rio do 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial, que se apropria de quase 40% da riqueza produzida e mais da metade da energia consumida. Isto ter\u00e1 que ser feito em benef\u00edcio dos hoje deserdados (os 80% mais pobres) no acesso aos bens b\u00e1sicos para uma vida confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>Resumindo para os que ainda n\u00e3o entenderam, para a humanidade sobreviver vai ser preciso abandonar o modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o, orientado pelo \u201cdeus\u201d mercado e seu modelo atual, a hiper globaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que nada disso ser\u00e1 poss\u00edvel sem uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que tire do poder a classe dominante e democratize as sociedades resultantes desta grande mudan\u00e7a.<\/p>\n<h3><strong>O que vem fazendo o governo Lula em rela\u00e7\u00e3o a estas urg\u00eancias?<\/strong><\/h3>\n<p>No que concerne a elimina\u00e7\u00e3o do uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis o governo \u201cpopular\u201d se comporta como se estiv\u00e9ssemos nos anos cinquenta, quando foi criada a Petrobras. Hoje somos um pa\u00eds que produz e exporta petr\u00f3leo em grandes quantidades, com autossufici\u00eancia relativa para o consumo interno e entre os maiores exportadores. E os planos da Petrobras se orientam para a expans\u00e3o da pesquisa no pr\u00e9 sal e da extra\u00e7\u00e3o no mar e na terra.<\/p>\n<p>O governo subsidia a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de derivados e incentiva a ind\u00fastria automotriz, enquanto nas grandes cidades o transporte p\u00fablico perde passageiros ano a ano e o n\u00famero de autom\u00f3veis cresce sem parar. Na mesma dire\u00e7\u00e3o vai o transporte de mercadorias, com subs\u00eddios para a renova\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o das frotas de caminh\u00f5es e \u201cbolsas motorista\u201d para alegrar os caminhoneiros. Estamos na contram\u00e3o do que tem que ser feito para eliminar o uso de gasolina e diesel.<\/p>\n<p>Vou discutir a quest\u00e3o energ\u00e9tica em outro artigo, mas adianto que a estrat\u00e9gia da Petrobras \u00e9 totalmente voltada para a expans\u00e3o do uso combust\u00edveis f\u00f3sseis, com algumas pitadas de recursos de efeito publicit\u00e1rio para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel ou a ado\u00e7\u00e3o de energia solar e e\u00f3lica. \u00c9 ignorar que petr\u00f3leo n\u00e3o serve apenas para mat\u00e9ria prima de combust\u00edveis e que \u00e9 usado em quase todas as cadeias produtivas industriais, em particular na petroqu\u00edmica e que em um futuro com escassez de petr\u00f3leo vai ser muito mais complicado substituir ouso deste insumo na ind\u00fastria do que trocar carros e outros ve\u00edculos para o uso de baterias el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica o governo parece apostar mais na amplia\u00e7\u00e3o o uso das usinas t\u00e9rmicas, inclusive expandido o uso de carv\u00e3o, o maior gerador de de GEE por KWH.<\/p>\n<p>As maiores fontes de emiss\u00f5es de GEE no Brasil s\u00e3o o desmatamento e as queimadas, sendo que apenas o desmatamento representa 70% da nossa contribui\u00e7\u00e3o para o aquecimento global (as queimadas n\u00e3o s\u00e3o computadas nas estat\u00edsticas do governo sobre as nossas emiss\u00f5es).<\/p>\n<p>O governo Lula apresenta resultados mais promissores na redu\u00e7\u00e3o dos desmatamentos. Segundo as estat\u00edsticas do MAPBIOMAS o desmatamento em todos os biomas, em 2019, estava em 1,22 milh\u00f5es de hectares, chegando ao recorde de 2,11 milh\u00f5es em 2022. Estes n\u00fameros v\u00eam caindo no governo Lula, voltando aos valores do primeiro ano de Bolsonaro, 1,26 em 2024. Entretanto, estas redu\u00e7\u00f5es se referem ao corte raso da floresta com o uso de tratores de esteira para derrubar a vegeta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o incluem a forma cada vez mais utilizada de desmatar, o uso do fogo.<\/p>\n<p>As queimadas cresceram muito, mesmo em compara\u00e7\u00e3o com o governo do energ\u00fameno, onde ficou famoso do \u201cdomingo de fogo\u201d, promovido pelo agroneg\u00f3cio em 2019. A soma das \u00e1reas queimadas nos quatro anos do governo Bolsonaro ficou em 1,5 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados enquanto no governo Lula a soma dos tr\u00eas primeiros anos foi de 1,45 milh\u00e3o. Em todos os anos as queimadas foram maiores no governo Lula.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o um balan\u00e7o abrangente que apresente o impacto conjunto dos desmatamentos e queimadas na destrui\u00e7\u00e3o das matas brasileiras. Os dados s\u00e3o apresentados em separado e nem toda queimada ocorre na mata em p\u00e9, muito embora isto esteja ocorrendo em escalas cada vez maiores.<\/p>\n<p>Por outro lado, o controle do desmatamento e queimadas j\u00e1 n\u00e3o basta para evitar o processo de destrui\u00e7\u00e3o das florestas e o perigo, cada vez mais pr\u00f3ximo delas chegarem ao \u201ctiping point\u201d ou ponto de n\u00e3o retorno, a partir do qual elas n\u00e3o s\u00e3o mais capazes de se recuperar e entram em decad\u00eancia espont\u00e2nea mesmo sem uma a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica. A retirada de madeira de lei segue descontrolada e afeta \u00e1reas quase t\u00e3o importantes quanto \u00e0s desmatadas e queimadas. Finalmente, o governo tem planos de construir novas hidrel\u00e9tricas e estas t\u00eam um impacto enorme na destrui\u00e7\u00e3o das matas e emitem GEE por longo tempo com a decomposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas inundadas.<\/p>\n<p>A terceira maior fonte de emiss\u00f5es de GEE no Brasil vem do modo de uso do solo pelo agroneg\u00f3cio. Al\u00e9m de desmatar e queimar, o agroneg\u00f3cio emite GEE pelo enorme rebanho bovino do pa\u00eds e pelo uso de fertilizantes qu\u00edmicos em larga escala. N\u00e3o \u00e9 preciso enfatizar o quanto este governo Lula favoreceu o agroneg\u00f3cio, repetindo suas pol\u00edticas para o setor com subs\u00eddios diretos e isen\u00e7\u00f5es de impostos.<\/p>\n<p>Em outras palavras, apesar da ret\u00f3rica do presidente na COP30, atacando os negacionistas do aquecimento global, estamos na contram\u00e3o de tudo que tem que ser feito para, entre outras coisas, diminuir a nossa contribui\u00e7\u00e3o para a trag\u00e9dia anunciada da humanidade.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo vou tratar de forma mais detalhada do problema energ\u00e9tico do planeta.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. 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Hoje, altern\u00e2ncia entre secas intensas e chuvas devastadoras espalham-se pelo pa\u00eds. O que o governo Lula est\u00e1 fazendo para reverter este cen\u00e1rio, ap\u00f3s discursos e promessas na COP30?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/clima-o-debate-esquecido-nas-eleicoes\/\">Clima: O debate esquecido nas elei\u00e7\u00f5es<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76365,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[593,37354,2519,1760,2076,276,751,17,37380,570,37381,37382,5840],"tags":[],"class_list":["post-76364","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aquecimento-global","category-chuvas-em-minas-gerais","category-cop30","category-eleicoes-2026","category-emissao-de-co2","category-enchentes-no-rio-grande-do-sul","category-gases-de-efeito-estufa","category-governo-lula","category-ipcc","category-mudancas-climaticas","category-ondas-de-calor","category-seca-na-amazonia","category-terra-e-antropoceno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76364"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76364\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}