{"id":76371,"date":"2026-03-02T17:58:29","date_gmt":"2026-03-02T20:58:29","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/das-terras-raras-as-terras-aridas\/"},"modified":"2026-03-02T17:58:29","modified_gmt":"2026-03-02T20:58:29","slug":"das-terras-raras-as-terras-aridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/das-terras-raras-as-terras-aridas\/","title":{"rendered":"Das terras raras \u00e0s terras \u00e1ridas"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"674\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/GenmZYzXYAARUNy.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/GenmZYzXYAARUNy.jpg 1200w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/02170952\/GenmZYzXYAARUNy-300x169.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/02170952\/GenmZYzXYAARUNy-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>\u201cMeu pai, quando encontrava um problema na ro\u00e7a, se deitava sobre a terra com o ouvido voltado para o seu interior, para decidir o que usar, o que fazer, onde avan\u00e7ar, onde recuar. Como um m\u00e9dico a procura do cora\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0<\/em><br \/><strong>Itamar Vieira Junior<\/strong>, Torto Arado<\/p>\n<p>Suspensa em um apartamento de um bairro cada vez mais verticalizado da capital paulista \u2013 assim como outras milh\u00f5es de pessoas urbanizadas -, posso esquecer que, sob todas as camadas de concreto abaixo de mim, existe um elemento natural chamado solo. Mas, ao regar minhas plantinhas na janela, procuro me conscientizar de que, apesar do crescente sufocamento ao qual ele tem sido submetido, ele ainda est\u00e1 l\u00e1, resistindo a ser dado como morto.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 4 d\u00e9cadas, a Dra Ana Primavesi, mestra inconteste de quem atua nos movimentos agroecol\u00f3gicos, j\u00e1 semeara, no meio acad\u00eamico brasileiro, algo que nossos povos origin\u00e1rios sempre souberam: o solo \u00e9 um organismo vivo. Ele pulsa, gestando lentamente as condi\u00e7\u00f5es para a exist\u00eancia do que chamamos de fertilidade.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31180114\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Estima-se que um quarto das esp\u00e9cies de seres vivos j\u00e1 conhecidas por n\u00f3s esteja no solo. \u00c9 o dobro das que habitam os oceanos. Uma biodiversidade que envolve animais, vegetais, fungos e uma infinidade de microorganismos, em uma trama din\u00e2mica e vibrante, respons\u00e1vel pela ciclagem da mat\u00e9ria. Este \u00e9 o processo que permite o crescimento das plantas; s\u00e3o elas que v\u00e3o alimentar a fauna local e, tamb\u00e9m, a popula\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tem uma composteira, com certeza j\u00e1 possui familiaridade com o que chamamos de ciclo alimentar. Como nada na natureza \u00e9 lixo, os res\u00edduos do que comemos s\u00e3o transformados em adubo e podem voltar para os territ\u00f3rios que geraram esses alimentos, enriquecendo seus solos para que sigam f\u00e9rteis. Desse modo, mais cultivos vir\u00e3o, mais comida chegar\u00e1 ao nosso prato e a vida continuar\u00e1 seu curso.\u00a0<\/p>\n<p>Quer dizer, ao menos era para ser assim\u2026 se nosso modelo produtivo, dominado pelo capital globalizado, n\u00e3o tivesse implodido a circularidade de seus processos. \u00c9 o que N\u00eago Bispo \u2013 pensador quilombola que esteve recentemente no centro de uma pendenga acalorada dentro da intelectualidade dita progressista \u2013 caracterizava como modelo finito: h\u00e1 um come\u00e7o, h\u00e1 um meio e h\u00e1 um fim.\u00a0<\/p>\n<p>No caso dos res\u00edduos alimentares, este fim (que seria apenas simb\u00f3lico, j\u00e1 que eles seguir\u00e3o se decompondo junto aos res\u00edduos n\u00e3o org\u00e2nicos, trazendo impactos ambientais pra l\u00e1 de problem\u00e1ticos) seria o aterro, como vemos constantemente ocorrer com a maior parte do que \u00e9 chamado popularmente de lixo.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Dos quilombos \u00e0s aldeias<\/strong><\/h3>\n<p>Como um contraponto ao modelo produtivo dominante, Bispo defendia que o modo de vida nos quilombos n\u00e3o pode ser enquadrado nesse tempo linear. Assim, o que h\u00e1 em seus territ\u00f3rios \u00e9 algo como um \u201cflerte com o infinito\u201d. Ou seja, h\u00e1 um come\u00e7o, h\u00e1 um meio e h\u00e1 um novo come\u00e7o; e assim sucessivamente. Essa din\u00e2mica seria, inclusive, uma evid\u00eancia de que os quilombos n\u00e3o foram colonizados, ideia defendida por ele em suas andan\u00e7as e escrevinhan\u00e7as.\u00a0<\/p>\n<p>Se levarmos em conta que, ainda hoje, esses territ\u00f3rios, junto aos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, s\u00e3o respons\u00e1veis pelas \u00e1reas mais protegidas do pa\u00eds, podemos compreender a profundidade das diferen\u00e7as entre nossas formas ocidentalizadas de viver e as formas de viver dos povos tradicionais \u2013 que, em meio \u00e0 ferocidade do capital, ainda resistem bravamente em todas as regi\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>E foi seguindo o rastro dessas ra\u00edzes ancestrais, que pesquisadores como Eduardo Neves nos revelaram que antigos povoados, estruturados de acordo com essa circularidade, n\u00e3o apenas mantinham seus solos f\u00e9rteis, mas foram respons\u00e1veis por um aumento expressivo dessa fertilidade, transformando \u00e1reas que tinham um solo pobre em manifesta\u00e7\u00f5es pulsantes de biodiversidade.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ADC30_Engels_anuncio_OP.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ADC30_Engels_anuncio_OP.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/07\/31214836\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>S\u00f3 a partir dessa descoberta, pudemos perceber que alguns ecossistemas, que eram at\u00e9 ent\u00e3o considerados inalterados pela a\u00e7\u00e3o humana, na realidade, foram resultado de centenas ou milhares de anos de interven\u00e7\u00f5es de sociedades nativas.\u00a0<\/p>\n<p>Um exemplo que instiga nosso campo agroecol\u00f3gico \u00e9 a exist\u00eancia da chamada Terra Preta de \u00cdndio (TPI), presente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Trata-se de um solo de origem antr\u00f3pica, repleto de minerais, como c\u00e1lcio, f\u00f3sforo, magn\u00e9sio e zinco, fruto do manejo da mat\u00e9ria org\u00e2nica e n\u00e3o org\u00e2nica que sustentava a vida nas comunidades, ao longo de gera\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Um alento para quem, como eu, tantas vezes se indaga \u2013 com tristeza \u2013 se os seres humanos t\u00eam mesmo uma tend\u00eancia para mudar para pior os lugares em que se estabelecem.\u00a0<\/p>\n<p>O que mais impressiona nessa descoberta, \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de um solo f\u00e9rtil, como o encontrado pelos pesquisadores, \u00e9 algo lento, que depende de condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas para se viabilizar. A estimativa \u00e9 que, para formar 1 cm desse tipo de terra sobre uma determinada superf\u00edcie, \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 natureza entre 200 a 400 anos. Ao observar esses dados, podemos nos perguntar: ser\u00e1 que as florestas com densas camadas de terra preta de \u00edndio teriam algo de m\u00e1gico?\u00a0<\/p>\n<p>Deixando de lado a dimens\u00e3o sobrenatural (a qual n\u00e3o tenho acesso, mas que est\u00e1 sempre presente nas culturas ancestrais), o que podemos dizer \u00e9 que esses solos s\u00e3o de um valor incalcul\u00e1vel para nossos ecossistemas, sobretudo considerando o bioma amaz\u00f4nico, cujos solos costumam ser arenosos, protegidos somente por uma fina camada de mat\u00e9ria org\u00e2nica, que precisa ser sempre renovada pelas florestas \u2013 o que traz a possibilidade, a cada dia mais tang\u00edvel, de que sofram um processo de savaniza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de desertifica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Fertilidade \u00e0 venda?<\/strong><\/h3>\n<p>Entramos no ano de 2026 com um alerta sobre os pre\u00e7os dos fertilizantes industrializados: houve um aumento consistente, que bateu nos 20%. Para quem n\u00e3o v\u00ea muito motivo para fazer alarde, vale observar que o tal do Agro brasileiro, baseado em monoculturas envenenadas, depende fortemente desses insumos e que a dificuldade em obt\u00ea-los costuma trazer consequ\u00eancias para toda a cadeia produtiva.\u00a0<\/p>\n<p>Com esses adubos mais caros, o custo do cultivo fica mais alto e a press\u00e3o inflacion\u00e1ria sobre os valores das commodities produzidas aumenta, o que tamb\u00e9m pode ocorrer com o pre\u00e7o de certos alimentos. Para termos uma no\u00e7\u00e3o do grau de vulnerabilidade a que a agricultura convencional nacional est\u00e1 exposta, vejamos que, atualmente, cerca de 90% dos fertilizantes usados por ela s\u00e3o importados e que as principais regi\u00f5es exportadoras est\u00e3o envolvidas em conflitos b\u00e9licos. Guerra e fome sempre caminham de m\u00e3os dadas, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/p>\n<p>Por falar em guerra e, neste caso, na inexist\u00eancia de coincid\u00eancias, \u00e9 importante saber qual a mat\u00e9ria prima que est\u00e1 na base desses produtos. H\u00famus de minhoca, bosta de vaca e titica de galinha, adubos org\u00e2nicos tradicionais, passam longe da sua composi\u00e7\u00e3o. \u00c9 que, assim como os agrot\u00f3xicos, eles s\u00e3o constitu\u00eddos a partir do petr\u00f3leo, material que fornece a ur\u00e9ia, onipresente nos chamados compostos nitrogenados, negociados \u00e0s toneladas no mercado internacional.\u00a0<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 dedut\u00edvel que as disputas pelo \u201couro negro\u201d estejam umbilicalmente ligadas ao modelo produtivo alimentar. Al\u00e9m de adubos e venenos, \u00e9 ele quem fornece o combust\u00edvel para transportar, ao redor do mundo, tanto os insumos adquiridos como os alimentos produzidos (sejam in natura, beneficiados ou industrializados).\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 um processo que, ao acelerar o caos clim\u00e1tico com a emiss\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, tamb\u00e9m acelera a perda da biodiversidade planet\u00e1ria \u2013 que tem, entre seus principais respons\u00e1veis, justamente a polui\u00e7\u00e3o causada por nitrog\u00eanio, bem assentada no terceiro lugar no podium. Perdem-se, inclusive, os microorganismos que garantem a fertilidade dos territ\u00f3rios. Isso mesmo, no idolatrado Agro, a produ\u00e7\u00e3o e a aquisi\u00e7\u00e3o de fertilizantes contribui para a infertilidade dos solos, uma das in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es que ele coleciona.\u00a0<\/p>\n<p>Voltando ao plano financeiro, o impacto dessa depend\u00eancia de fornecedores estrangeiros para \u201cfertilizar\u201d as monoculturas de commodities, das quais tanto se vangloriam as elites econ\u00f4micas brasileiras, est\u00e1 no centro da tormenta que abate o setor. Estima-se que os gastos com essa importa\u00e7\u00e3o equivalem a 40% dos custos da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola convencional. E, segundo relat\u00f3rio da CONAB, seu volume atingiu um novo recorde da s\u00e9rie hist\u00f3rica em 2025: 45,5 milh\u00f5es de toneladas (frente \u00e0s 44,28 milh\u00f5es de toneladas registradas em 2024). Haja grana!<\/p>\n<p>A crise da agricultura exportadora, nutrida por fatores geopol\u00edticos e ambientais, amplia o endividamento e amea\u00e7a inviabilizar a produ\u00e7\u00e3o. Segundo o ex-ministro Roberto Rodrigues, ferrenho defensor do Agroneg\u00f3cio, \u201co custo financeiro atingiu patamares incompat\u00edveis com a l\u00f3gica da atividade agr\u00edcola\u201d. De fato, culturas como a soja seguem batendo recordes de produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o de lucratividade, o que explica as crescentes queixas de seus representantes.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Degradados e desnutridos\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 mais para esconder que esse modelo produtivo n\u00e3o p\u00e1ra em p\u00e9. Se n\u00e3o fosse o Estado \u201cpatrocinando o Agro\u201d, como declarou o ministro Fernando Haddad (o que inclui uma isen\u00e7\u00e3o fiscal de 158 bilh\u00f5es de reais ao ano), a tal pot\u00eancia sustentadora do PIB, anunciada com estrondo pelas propagandas, j\u00e1 teria se estrumbicado de vez. Mas, enquanto n\u00e3o se estrumbica, segue fazendo estragos incalcul\u00e1veis.\u00a0<\/p>\n<p>Rememoremos mais uma vez o que diz Ana Primavesi: \u201ca nutri\u00e7\u00e3o humana come\u00e7a na terra. Solo sadio, plantas sadias, pessoas saud\u00e1veis.\u201d Se, para a Agroecologia, esse saber est\u00e1 na base t\u00e9cnica e na pr\u00e1tica di\u00e1ria, para o Agroneg\u00f3cio, ele \u00e9 sumamente pisoteado.\u00a0<\/p>\n<p>Os adubos qu\u00edmicos nitrogenados usados em massa nas planta\u00e7\u00f5es, somados a outros fatores que caracterizam essas monoculturas, acabam enfraquecendo as plantas e deixando-as vulner\u00e1veis a insetos e fungos. Para evitar que sejam \u201catacadas\u201d por eles, o uso abusivo de agrot\u00f3xicos \u00e9 uma constante.\u00a0<\/p>\n<p>Quando chegam ao nosso prato, mesmo depois de passarem por processamento na ind\u00fastria aliment\u00edcia, esses vegetais nos trazem um conjunto de res\u00edduos venenosos que causa danos inquestion\u00e1veis \u00e0 sa\u00fade. E s\u00e3o menos nutritivos do que seriam se fossem cultivados segundo princ\u00edpios agroecol\u00f3gicos. O resultado \u00e9 a tr\u00edade solos doentes, plantas doentes e pessoas doentes \u2013 lament\u00e1vel retrato de nossa sociedade ecocida.\u00a0<\/p>\n<p>Aqui, chamo a aten\u00e7\u00e3o para uma terr\u00edvel semelhan\u00e7a entre dois dados: o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar (moderada e severa) e a quantidade de hectares de terras agr\u00edcolas degradadas no mundo.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), ambos est\u00e3o em torno de 2 bilh\u00f5es! Isso significa 40%, no caso territorial, e 28%, no caso populacional. Falta de terra f\u00e9rtil e falta de comida caminhando conjuntamente.\u00a0<\/p>\n<p>Mas a destrui\u00e7\u00e3o dos solos n\u00e3o anda de bra\u00e7os dados somente com a falta de comida. Ela afeta o acesso a outro elemento, que, se \u00e9 essencial \u00e0 agricultura, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio a todas as dimens\u00f5es da vida: a \u00e1gua. E as mudan\u00e7as nos ciclos hidrol\u00f3gicos s\u00e3o expressivas, com o agravamento crescente das secas planet\u00e1rias. Somente de 2000 \u00e0 2024, elas se ampliaram em quase 30%.\u00a0<\/p>\n<p>Para completar nosso alerta, as previs\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nada f\u00e1ceis de digerir: em torno de 7,5 bilh\u00f5es de pessoas (quase toda a humanidade existente hoje) v\u00e3o ser impactadas at\u00e9 2050. A pergunta que n\u00e3o quer calar \u00e9: quem seriam as pessoas n\u00e3o afetadas?<\/p>\n<p>N\u00f3s, os pa\u00edses do sul global, somos regi\u00f5es fortemente atingidas pela degrada\u00e7\u00e3o do solo. Segundo a FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura), em torno de 10,9 milh\u00f5es de hectares de florestas s\u00e3o desmatadas a cada ano no planeta.\u00a0<\/p>\n<p>Sabemos muito bem como esse processo se d\u00e1, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 assim que, somente no Brasil, existem mais de 140 milh\u00f5es de hectares degradados.<\/p>\n<h3><strong>Brasil se mexe\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 preciso reconhecer que nosso pa\u00eds, ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o de programas de combate \u00e0 fome pelo governo Lula, conseguiu reduzir a inseguran\u00e7a alimentar grave de cerca de 3,1 milh\u00f5es para cerca de 2,5 milh\u00f5es de fam\u00edlias. Isso significa que atingimos os n\u00edveis mais baixos da s\u00e9rie hist\u00f3rica, como hav\u00edamos feito em 2013, saindo mais uma vez do Mapa da Fome. Mas, como a degrada\u00e7\u00e3o segue corroendo nossos territ\u00f3rios, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser est\u00e1vel e \u00e9 urgente resgatar a fertilidade perdida, sobretudo com a intensifica\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia clim\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<p>A urg\u00eancia do problema esteve em pauta na COP 30 e a pr\u00f3pria FAO integra uma iniciativa, lan\u00e7ada pelo Brasil com apoio de outros nove pa\u00edses, chamada RAIZ \u2013 Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation (em portugu\u00eas, Investimento em Agricultura Resiliente para Degrada\u00e7\u00e3o L\u00edquida Zero da Terra). Ela se prop\u00f5e a mapear essas \u00e1reas, apresentar propostas de a\u00e7\u00e3o, reunir os investimentos e compartilhar as experi\u00eancias.\u00a0<\/p>\n<p>Desse modo, o RAIZ busca colaborar para que a meta da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca seja atingida. Ela prop\u00f5e a restaura\u00e7\u00e3o de 250 milh\u00f5es de hectares de solo agr\u00edcola at\u00e9 2030, sendo 40 milh\u00f5es em nosso pa\u00eds e grande parte do restante em pa\u00edses africanos.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 a de que o valor total dos investimentos necess\u00e1rios para se atingir esse objetivo, ao longo desses 5 anos que temos at\u00e9 l\u00e1, seja de 2,6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Parece uma fortuna? Pois \u00e9 mais ou menos o que se gastou com a ind\u00fastria da guerra apenas no ano de 2023! E, segundo a Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m sobre Fertilizantes, acordo feito entre Brasil e Reino Unido durante a COP 30, o uso excessivo deles \u201ccausa danos aos ecossistemas e perdas de colheitas que chegam a US$3,4 trilh\u00f5es anualmente\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 c\u00e1lculos de que uma \u201cgest\u00e3o de nutrientes\u201d mais equilibrada poderia trazer 25 vezes mais benef\u00edcios econ\u00f4micos do que as despesas realizadas para que ela fosse poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os adeptos do \u201ccapitalismo verde\u201d (express\u00e3o que \u00e9 um contrassenso, j\u00e1 que a busca por crescimento infinito \u00e9 incompat\u00edvel com a exist\u00eancia em um planeta materialmente finito) enxergam esse processo como uma \u201coportunidade econ\u00f4mica\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Dela, faria parte o setor de Bioinsumos, que teve um aumento\u00a0 na quantidade de empresas produtivas de 600% em 10 anos, ganhando at\u00e9 o pr\u00f3prio F\u00f3rum no Agro, e acendendo um alerta para nossa rede agroecol\u00f3gica pela amea\u00e7a de apropria\u00e7\u00e3o de saberes populares e o fortalecimento de mega corpora\u00e7\u00f5es. A recente parceria entre a Yara fertilizantes e a PepsiCo na produ\u00e7\u00e3o de batatas, que \u201cchega ao Brasil para promover a agricultura regenerativa\u201d (!!!), d\u00e1 uma ideia do que vir\u00e1 por a\u00ed.\u00a0<\/p>\n<p>Se parece um pouco economicista demais, ressaltamos que, no Brasil, a lideran\u00e7a do RAIZ \u00e9 do MAPA (Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento) e dialoga com programas j\u00e1 iniciados pela pasta, como o Solo Vivo e o Caminho Verde Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>Nas palavras do secret\u00e1rio de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcelo Fiadeiro: \u201cproduzimos para alimentar um bilh\u00e3o de pessoas e mostramos que isso \u00e9 poss\u00edvel com sustentabilidade\u201d. Coelhinho da P\u00e1scoa tamb\u00e9m acha.<\/p>\n<h3><strong>Corre-corre tecnol\u00f3gico<\/strong><\/h3>\n<p>Poucos assuntos t\u00eam tido tanto destaque nos debates geopol\u00edticos como o das chamadas terras raras. Trata-se de um conjunto de minerais necess\u00e1rios para a fabrica\u00e7\u00e3o de boa parte das traquitanas tecnol\u00f3gicas associadas ao capitalismo verde. Mesmo n\u00e3o sendo t\u00e3o raros assim, eles t\u00eam alguns pontos de encrenca: est\u00e3o concentrados em poucos lugares no planeta e sua obten\u00e7\u00e3o e refino implicam em impactos ambientais complexos.\u00a0<\/p>\n<p>Na ponta da disputa planet\u00e1ria por esses materiais \u2013 e das maravilhas tecnol\u00f3gicas para as quais eles s\u00e3o fundamentais, como carros el\u00e9tricos, computadores, pain\u00e9is de energia solar e turbinas e\u00f3licas \u2013 est\u00e3o as duas principais pot\u00eancias planet\u00e1rias: China e EUA. E a vantagem da primeira come\u00e7a com a posse de quase metade da reserva mundial das terras raras, enquanto a segunda amarga p\u00edfios 2%.\u00a0<\/p>\n<p>A volta de Donald Trump ao poder, dessa vez com uma agressividade assustadora em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses do globo, explicitou de vez e intensificou a guerra pelo controle dos \u201crecursos\u201d naturais que ainda existem no planeta, destacando aqueles chamados de minerais cr\u00edticos, base do desenvolvimento tecnol\u00f3gico. E \u00e9 bem nesse imbr\u00f3glio que o Brasil est\u00e1 inescapavelmente metido, j\u00e1 que possui cerca de um quarto das reservas mundiais de terras raras, ocupando o segundo lugar.<\/p>\n<p>Mais uma vez nos cabe a pergunta: seria esse patrim\u00f4nio natural uma ben\u00e7\u00e3o ou uma maldi\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds? O caso do petr\u00f3leo serve de base para refletirmos, j\u00e1 que ele sempre foi um dos fatores do desencadeamento de guerras assumidas ou veladas. A recente invas\u00e3o da Venezuela pelos EUA de Trump, bem como todo o boicote de que ela foi alvo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00e3o nos deixam margem para d\u00favidas. O pr\u00f3prio golpe sofrido por Dilma Rousseff e a farsa da Lava Jato, na rabeira da explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9 Sal, botam lenha nessa fogueira.\u00a0<\/p>\n<p>A atividade de extrair o petr\u00f3leo j\u00e1 \u00e9 em si uma a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, que implica em danos e riscos aos territ\u00f3rios em que ocorre. E o uso dele est\u00e1 associado aos principais dramas socioambientais que vivemos, como a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, na qual a ind\u00fastria de refrigerantes \u00e9 campe\u00e3, sendo a Coca Cola uma unanimidade no ranking.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um\/a pesquisador\/a ambientalista minimamente respons\u00e1vel que n\u00e3o diga que \u00e9 necess\u00e1rio parar de explorar o material, se quisermos impedir a acelera\u00e7\u00e3o rumo ao precip\u00edcio civilizacional. Principalmente porque novos pontos de extra\u00e7\u00e3o se encontram em locais vitais para o equil\u00edbrio de nossa Pachamama, como a foz do Rio Amazonas.\u00a0<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com os jazigos de terras raras: eles est\u00e3o, em parte significativa, sobrepostos ou pr\u00f3ximos a territ\u00f3rios de povos tradicionais e reservas naturais. Levantamento do Rep\u00f3rter Brasil revelou que, at\u00e9 outubro de 2025, existiam 1.827 pedidos para explorar terras raras, cobre, l\u00edtio e outros 13 minerais em locais que estavam a menos de 40 km de povoados ind\u00edgenas isolados.<\/p>\n<p>S\u00e3o alguns dos poucos ref\u00fagios de fertilidade que nos restam. O\u00e1sis em que a fauna e a flora se manifestam em sua plenitude. Bases do que ainda podemos encontrar do nosso equil\u00edbrio h\u00eddrico. Se f\u00f4ssemos seres dotados de um instinto de sobreviv\u00eancia bem apurado, com certeza n\u00f3s deixar\u00edamos esses minerais onde est\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/p>\n<p>Mas o garimpo no territ\u00f3rio yanomami \u2013 que p\u00f4s em curso um verdadeiro genoc\u00eddio \u2013 nos mostra que, ao menos no que se refere \u00e0s elites econ\u00f4micas atuais, faltam muitos parafusos nessas cucas viciadas em dinheiro e poder. Se os povos ind\u00edgenas dependerem dos \u201cpovos da mercadoria\u201d, como bem definiu Davi Kopenawa Yanomami, est\u00e3o lascados. E, junto com eles, toda a chamada humanidade ou, mais enfaticamente falando, N\u00d3S.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Rara \u00e9 a Terra\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>Como sabemos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel simplesmente dizer um redondo e definitivo n\u00e3o para a explora\u00e7\u00e3o das terras raras, j\u00e1 que estrup\u00edcios como Trump e a corja de donos de Big Techs n\u00e3o iriam deixar (o artigo de Edna Aparecida da Silva no <em>Outras Palavras<\/em> deixa isso expl\u00edcito), resta-nos encontrar uma forma menos danosa de lidar com essa ben\u00e7\u00e3o amaldi\u00e7oada ou maldi\u00e7\u00e3o aben\u00e7oada. E a aproxima\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es traz uma urg\u00eancia extra nesse percurso.<\/p>\n<p>O governo Lula 3 tem se comportado de modo amb\u00edguo quanto \u00e0s quest\u00f5es ambientais. Acenando ora a quem\u00a0 busca por medidas de combate ao colapso planet\u00e1rio, ora aos interesses do auto-intitulado \u201cmercado verde\u201d, ele tenta lidar com as press\u00f5es internas e internacionais, caminhando sobre uma fin\u00edssima linha pendurada nas alturas de um abismo.\u00a0<\/p>\n<p>Cabe a n\u00f3s, movimentos sociais, fazer o poss\u00edvel e o mais que poss\u00edvel para trazer o governo para o \u00fanico caminho que realmente existe, o do respeito \u00e0s for\u00e7as da M\u00e3e Terra, se quisermos seguir vivendo em condi\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis nas d\u00e9cadas que vir\u00e3o. Sem esquecer que, do outro lado, h\u00e1 quem detenha o acesso ao bot\u00e3o do fim do mundo, j\u00e1 que os EUA seguem se engalfinhando internamente quanto \u00e0 permiss\u00e3o de deixar que um ecossociopata dirija o pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p>Estabelecer uma pol\u00edtica brasileira para a explora\u00e7\u00e3o mineral, frente \u00e0 corrida tecnol\u00f3gica em curso e \u00e0 emerg\u00eancia ambiental que nos atropela, envolve acionar nossas empresas estatais. No caso das terras raras, h\u00e1 a proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma nova empresa, a Terrabras, voltada unicamente para conduzir as pol\u00edticas a elas relacionadas.<\/p>\n<p>Poderia ser um modo de nos proteger do ass\u00e9dio do capital estrangeiro \u2013 algo imposs\u00edvel de ignorar, como mostra a idealiza\u00e7\u00e3o, por parte da Embaixada dos Estados Unidos, de um simp\u00f3sio sobre minerais cr\u00edticos, que dever\u00e1 ser realizado em S\u00e3o Paulo. Ele pretende reunir, no m\u00eas de mar\u00e7o, as principais mineradoras que atuam no Brasil, dando sequ\u00eancia \u00e0s conversas que o diplomata dos EUA, Gabriel Escobar, vem tendo com cada uma delas para buscar acordos econ\u00f4micos. Enfrentar esse lobby \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas, seja que caminho formos tomar, \u00e9 essencial abrir um amplo e sincero debate com a sociedade, sobretudo com os povos tradicionais e campesinos. Na pauta, quest\u00f5es como \u201cpara qu\u00ea?\u201d, \u201ccom quem?\u201d, \u201cde que maneira?\u201d e \u201ca que custo?\u201d n\u00e3o podem ser empurradas para baixo do tapete. A ocupa\u00e7\u00e3o da Cargill pelos movimentos ind\u00edgenas que lutam contra a privatiza\u00e7\u00e3o do Rio Tapaj\u00f3s n\u00e3o deixa margem para d\u00favidas quanto ao protagonismo que v\u00eam assumindo nesse debate. A mobiliza\u00e7\u00e3o se espalhou pelo pa\u00eds, chegou at\u00e9 S\u00e3o Paulo, onde houve um protesto em frente \u00e0 sede da empresa, e conseguiu a revoga\u00e7\u00e3o do decreto: vit\u00f3ria important\u00edssima que renova nossa caminhada!<\/p>\n<p>Estamos, inegavelmente, assistindo a um processo acelerado de degrada\u00e7\u00e3o dos nossos solos. As terras f\u00e9rteis est\u00e3o ficando cada vez mais raras, e sabemos que, sem essa fertilidade, n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 comida, n\u00e3o h\u00e1 vida poss\u00edvel. N\u00e3o podemos mais seguir nesse modelo linear de produ\u00e7\u00e3o, esquecendo que, como diz N\u00eago Bispo: \u201ca terra d\u00e1, a terra quer\u201d. A retomada da circularidade se faz essencial, unindo as cidades, os campos, as \u00e1guas e as florestas \u2013 com harmonia e justi\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel intensificar as demarca\u00e7\u00f5es de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas; promover a Reforma Agr\u00e1ria Popular Agroecol\u00f3gica; botar um freio no agro exportador de commodities, seus adubos nitrogenados e seus venenos assassinos; e unir for\u00e7as com os demais povos latinoamericanos para nos protegermos dos ataques terroristas de um imp\u00e9rio que agoniza, mas parece disposto a levar o planeta inteiro em seu colapso.\u00a0<\/p>\n<p>E tudo isso sem deixar de ter em mente (e no cora\u00e7\u00e3o) que a maior e mais incr\u00edvel raridade que temos \u2013 em nossas curtas vidas em meio ao tempo-espa\u00e7o do Cosmos \u2013 \u00e9 mesmo a Terra, nossa Casa Comum, ponto pulsante de vida, girando, girando, girando\u2026 entre zilh\u00f5es de estrelas de fogo.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Das terras raras \u00e0s terras \u00e1ridas appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/primeiro-longa-metragem-sobre-a-teologia-da-libertacao-na-america-latina-estreia-no-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Primeiro longa-metragem sobre a Teologia da Libert...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-agente-secreto-e-escolhido-para-representar-o-brasil-no-oscar-2026\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/agentesecreto-divulgacao-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u201cO Agente Secreto\u201d \u00e9 escolhido para representar o ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ocupacao-cultural-no-setor-comercial-sul-de-brasilia-une-samba-debates-e-gastronomia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ocupa\u00e7\u00e3o cultural no Setor Comercial Sul de Bras\u00edl...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/premio-vladimir-herzog-reconhece-obras-jornalisticas-em-defesa-da-democracia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/premio-vlado_paulopinto-agbr-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pr\u00eamio Vladimir Herzog reconhece obras jornal\u00edstic...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds vive no limiar entre a ben\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o. Organismo vivo, o solo abundante \u00e9 pisoteado pelo agroneg\u00f3cio, morto por fertilizantes e cobi\u00e7ado por min\u00e9rios raros. Falta estrat\u00e9gia e press\u00e3o para prote\u00e7\u00e3o contra amea\u00e7as. 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