{"id":76764,"date":"2026-03-04T13:47:25","date_gmt":"2026-03-04T16:47:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-espantoso-mito-de-que-o-brasileiro-trabalha-pouco\/"},"modified":"2026-03-04T13:47:25","modified_gmt":"2026-03-04T16:47:25","slug":"o-espantoso-mito-de-que-o-brasileiro-trabalha-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-espantoso-mito-de-que-o-brasileiro-trabalha-pouco\/","title":{"rendered":"O espantoso mito de que o brasileiro trabalha pouco"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_4992799916128144334_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_4992799916128144334_y.jpg 1024w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04161140\/photo_4992799916128144334_y-300x180.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04161140\/photo_4992799916128144334_y-768x460.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O debate brasileiro sobre a jornada de trabalho est\u00e1 sendo travado com base em um n\u00famero: o Brasil estaria 1,2 hora abaixo da m\u00e9dia mundial, controlada por renda e demografia.<sup>1<\/sup> \u00c9 um dado correto. Mas o que se faz com ele est\u00e1 errado.<\/p>\n<p>Da forma como foi recebido pela imprensa e por parte dos economistas, esse dado se converteu em argumento contra a PEC que prop\u00f5e reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas. Se o brasileiro \u201cj\u00e1 trabalha pouco\u201d, para que reduzir mais? O racioc\u00ednio parece l\u00f3gico, mas se apoia em tr\u00eas confus\u00f5es que este texto pretende desfazer.<\/p>\n<p>A primeira confus\u00e3o \u00e9 entre posi\u00e7\u00e3o relativa e recomenda\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica. Saber que o Brasil est\u00e1 um pouco abaixo da m\u00e9dia condicional n\u00e3o diz nada sobre o que aconteceria se a jornada fosse reduzida. A segunda \u00e9 entre jornada legal e jornada real. A lei permite 44 horas semanais, mas o brasileiro j\u00e1 trabalha, em m\u00e9dia, 39,2 horas. A terceira \u00e9 entre custo bruto e custo l\u00edquido. O custo por hora sobe quando a jornada cai, mas as empresas n\u00e3o ficam paradas diante desse aumento. Elas ajustam, e a evid\u00eancia mostra que esse ajuste absorve boa parte do impacto.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1-4.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Este artigo apresenta essas tr\u00eas corre\u00e7\u00f5es com base em dados brasileiros e na melhor evid\u00eancia econ\u00f4mica internacional dispon\u00edvel. A conclus\u00e3o \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o da jornada no Brasil n\u00e3o \u00e9 um salto no escuro. \u00c9 uma pol\u00edtica com ganhos distributivos claros e riscos administr\u00e1veis. Nenhuma pol\u00edtica dessa magnitude \u00e9 neutra. O ponto \u00e9 que os custos s\u00e3o mensur\u00e1veis e administr\u00e1veis.<\/p>\n<h2><strong>O que os n\u00fameros internacionais mostram e o que n\u00e3o mostram<\/strong><\/h2>\n<p>O estudo que gerou a pol\u00eamica \u00e9 s\u00e9rio. Daniel Duque, pesquisador do FGV IBRE, utilizou um banco de dados com 160 pa\u00edses para estimar quantas horas cada pa\u00eds trabalha em rela\u00e7\u00e3o ao que seria esperado pelo seu n\u00edvel de renda e pela sua estrutura demogr\u00e1fica, por meio de um modelo estat\u00edstico com controle de renda e demografia.<sup>2<\/sup> O resultado, para o Brasil, \u00e9 um desvio negativo pequeno: cerca de uma hora e meia a menos por semana do que o padr\u00e3o condicional. N\u00e3o \u00e9 um n\u00famero alarmante, mas foi apresentado como se fosse.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 nos dados. Est\u00e1 na infer\u00eancia. Esse tipo de exerc\u00edcio compara pa\u00edses com institui\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias e mercados de trabalho radicalmente distintos, e resume a diferen\u00e7a entre eles em um \u00fanico n\u00famero. A t\u00e9cnica estat\u00edstica empregada captura tudo o que \u00e9 permanente em cada economia: legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, n\u00edvel de informalidade, for\u00e7a sindical, composi\u00e7\u00e3o setorial, cultura de trabalho. Mas capturar n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que explicar. Se o Brasil aparece 1,2 hora abaixo do padr\u00e3o, n\u00e3o sabemos se isso se deve \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, \u00e0 informalidade, \u00e0 composi\u00e7\u00e3o setorial ou a uma prefer\u00eancia genu\u00edna por mais tempo livre. Cada um desses fatores levaria a pol\u00edticas completamente distintas.<\/p>\n<p>Em linguagem direta: compara\u00e7\u00f5es internacionais s\u00e3o boas para descrever posi\u00e7\u00f5es relativas, mas n\u00e3o servem para prever o que acontece quando um pa\u00eds altera suas regras. Para isso, \u00e9 preciso outro tipo de evid\u00eancia.<\/p>\n<p>E a hist\u00f3ria mostra algo que a estat\u00edstica n\u00e3o capta. Nenhuma redu\u00e7\u00e3o de jornada na trajet\u00f3ria brasileira resultou de ajuste espont\u00e2neo. A limita\u00e7\u00e3o a oito horas di\u00e1rias em 1934, a CLT de 1943, as 44 horas da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, tudo foi mediado por conflito social, mobiliza\u00e7\u00e3o sindical e regula\u00e7\u00e3o estatal.<sup>3<\/sup> A mesma coisa est\u00e1 acontecendo agora na Col\u00f4mbia, no Chile e no M\u00e9xico, pa\u00edses que est\u00e3o reduzindo suas jornadas por decis\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o porque \u201cficaram ricos o suficiente\u201d.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>A dimens\u00e3o de g\u00eanero torna a fotografia ainda mais distorcida. No modelo de Duque, as mulheres brasileiras aparecem com desvio negativo maior do que os homens: elas \u201ctrabalham menos\u201d no mercado formal. Mas os dados da PNAD indicam que mulheres dedicam cerca de 21 horas semanais ao trabalho dom\u00e9stico e de cuidado, contra 11 horas dos homens.<sup>5<\/sup> Somando as duas jornadas, as mulheres brasileiras est\u00e3o entre as que mais trabalham no mundo. A estat\u00edstica de mercado simplesmente n\u00e3o enxerga essa realidade.<\/p>\n<p><strong>Efeitos fixos de jornada e reformas em curso na Am\u00e9rica Latina e pa\u00edses selecionados<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-1.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/05\/31183543\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Pa\u00eds<\/strong><\/td>\n<td><strong>Desvio homens<\/strong><\/td>\n<td><strong>Desvio mulheres<\/strong><\/td>\n<td><strong>Jornada legal<\/strong><\/td>\n<td><strong>Reforma em curso<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>-0,82h<\/strong><\/td>\n<td><strong>-1,38h<\/strong><\/td>\n<td><strong>44h<\/strong><\/td>\n<td><strong>PEC 8\/2025 (36h, em tramita\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Col\u00f4mbia<\/strong><\/td>\n<td>+5,00h<\/td>\n<td>+3,22h<\/td>\n<td>44h (2025)<\/td>\n<td>Ley 2101\/2021 (42h em 2026)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Chile<\/strong><\/td>\n<td>+0,96h<\/td>\n<td>+2,66h<\/td>\n<td>44h (2024)<\/td>\n<td>Lei 21.561\/2023 (40h em 2028)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>M\u00e9xico<\/strong><\/td>\n<td>+0,97h<\/td>\n<td>-0,56h<\/td>\n<td>48h<\/td>\n<td>Proposta de 40h em debate<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Argentina<\/strong><\/td>\n<td>+1,37h<\/td>\n<td>-2,41h<\/td>\n<td>48h<\/td>\n<td>Sem reforma em tramita\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>EUA<\/strong><\/td>\n<td>+1,31h<\/td>\n<td>+3,05h<\/td>\n<td>Sem m\u00e1x. legal<\/td>\n<td>Sem reforma em debate<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Fran\u00e7a<\/strong><\/td>\n<td>-3,67h<\/td>\n<td>-2,85h<\/td>\n<td>35h<\/td>\n<td>Implementada em 2000<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><em>Leitura: desvio positivo indica que o pa\u00eds trabalha mais do que o esperado pelo seu n\u00edvel de renda e demografia; desvio negativo, menos. Faixa 25-49 anos. Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a partir de Duque (2025) e legisla\u00e7\u00f5es nacionais.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>A diferen\u00e7a entre jornada legal e jornada real no Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>Esta \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o mais importante do debate, e a mais negligenciada. A jornada legal m\u00e1xima no Brasil \u00e9 de 44 horas semanais. Mas a jornada m\u00e9dia efetiva, medida pela PNAD Cont\u00ednua, j\u00e1 se encontra em torno de 39,2 horas.<sup>6<\/sup> A dist\u00e2ncia entre uma coisa e outra \u00e9 de quase cinco horas.<\/p>\n<p>Isso significa que boa parte dos trabalhadores brasileiros j\u00e1 opera abaixo do teto legal, seja por trabalharem em setores com jornadas menores (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica), seja por estarem em ocupa\u00e7\u00f5es parciais ou informais. Para esse grupo, uma redu\u00e7\u00e3o do teto de 44 para 40 horas n\u00e3o muda absolutamente nada.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 afetado, ent\u00e3o? Os 31,7 milh\u00f5es de celetistas contratados em 44 horas semanais, segundo a RAIS de 2023.<sup>7<\/sup> Esses trabalhadores est\u00e3o concentrados nos estratos de menor renda e menor escolaridade. Mais de 83% dos v\u00ednculos de pessoas com at\u00e9 o ensino m\u00e9dio completo operam nessa faixa. Para quem tem ensino superior, a propor\u00e7\u00e3o cai para 53%. E a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de quem trabalha 44 horas \u00e9 menos da metade da remunera\u00e7\u00e3o de quem trabalha at\u00e9 40 horas. Reduzir a jornada \u00e9, portanto, uma interven\u00e7\u00e3o distributiva. Ela atinge a base da pir\u00e2mide salarial.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m projeta que a redu\u00e7\u00e3o de 44 para 40 horas representaria uma queda de 9% na jornada, est\u00e1 fazendo uma conta sobre o teto legal, n\u00e3o sobre a jornada real. O impacto efetivo agregado seria consideravelmente menor, porque metade da for\u00e7a de trabalho j\u00e1 opera abaixo desse teto. E mesmo para quem est\u00e1 em 44 horas, parte da redu\u00e7\u00e3o pode ser absorvida pela elimina\u00e7\u00e3o de horas extras habituais que hoje comp\u00f5em informalmente a jornada.<\/p>\n<p><strong>Jornada nominal versus jornada efetiva no Brasil<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Indicador<\/strong><\/td>\n<td><strong>Jornada legal (nominal)<\/strong><\/td>\n<td><strong>Jornada real (efetiva)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Limite vigente<\/strong><\/td>\n<td>44h semanais (CF 1988)<\/td>\n<td>\u2014<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Jornada m\u00e9dia efetiva (PNAD 2024)<\/strong><\/td>\n<td>\u2014<\/td>\n<td>39,2 horas semanais<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Celetistas contratados em 44h<\/strong><\/td>\n<td>31,7 milh\u00f5es de v\u00ednculos<\/td>\n<td>Absorvem horas extras como componente regular<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Celetistas contratados at\u00e9 40h<\/strong><\/td>\n<td>Permitido pela legisla\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia: R$ 6.200<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Gap nominal-efetivo<\/strong><\/td>\n<td>\u2014<\/td>\n<td>~4,8 horas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Redu\u00e7\u00e3o de 44h para 40h<\/strong><\/td>\n<td>Redu\u00e7\u00e3o nominal: 9,1%<\/td>\n<td>Redu\u00e7\u00e3o efetiva agregada: inferior a 3%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><em>Fontes: PNAD Cont\u00ednua\/IBGE (2024), RAIS 2023, Ipea (2026). O gap nominal-efetivo indica que proje\u00e7\u00f5es baseadas na redu\u00e7\u00e3o legal superestimam o impacto real.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A experi\u00eancia confirma essa l\u00f3gica. Quando a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 reduziu a jornada legal de 48 para 44 horas, os efeitos sobre o emprego foram amb\u00edguos, sem confirma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre redu\u00e7\u00e3o legal e destrui\u00e7\u00e3o de postos.<sup>8<\/sup> O mesmo padr\u00e3o se repetiu na reforma portuguesa de 1996, que reduziu de 44 para 40 horas: o impacto sobre o emprego foi modesto porque as firmas ajustaram por outros canais.<sup>9<\/sup><\/p>\n<h3><strong>O que acontece com o custo das empresas quando a jornada cai<\/strong><\/h3>\n<p>Quando a jornada cai e o sal\u00e1rio mensal \u00e9 mantido, como manda a Constitui\u00e7\u00e3o, o custo por hora trabalhada sobe. Isso \u00e9 aritm\u00e9tica simples. No caso de uma redu\u00e7\u00e3o de 44 para 40 horas, a eleva\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica seria de cerca de 10%. Esse \u00e9 o n\u00famero que a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria e a Fiemg apresentam como o \u201ccusto da reforma\u201d. Mas esse c\u00e1lculo sup\u00f5e que nada muda dentro da empresa, o que nunca acontece na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas mecanismos que reduzem esse impacto. O primeiro \u00e9 o ganho de produtividade. A literatura econ\u00f4mica documenta, de forma consistente, que acima de determinado n\u00famero de horas semanais (em torno de 40), a produtividade marginal do trabalhador cai por fadiga, erros e presente\u00edsmo.<sup>10<\/sup> Estudos internacionais mostram que esses mecanismos costumam compensar cerca de metade do aumento inicial no custo por hora. Isso sozinho j\u00e1 reduz a eleva\u00e7\u00e3o de 10% para algo em torno de 5%.<\/p>\n<p>O segundo mecanismo \u00e9 a absor\u00e7\u00e3o de horas extras. Em setores onde a pr\u00e1tica habitual inclui horas extras remuneradas com adicional de 50%, a empresa pode incorporar parte dessas horas \u00e0 nova jornada regular, economizando o custo do adicional. Para com\u00e9rcio, transportes e constru\u00e7\u00e3o civil, onde o uso de horas extras \u00e9 frequente, essa margem \u00e9 significativa.<\/p>\n<p>O terceiro \u00e9 a reorganiza\u00e7\u00e3o produtiva. As firmas eliminam tempos mortos, redistribuem tarefas, ajustam turnos. A evid\u00eancia mais robusta vem da reforma portuguesa, analisada com dados que vinculam empregadores e empregados.<sup>11<\/sup> Quando Portugal reduziu a jornada de 44 para 40 horas em 1996, o aumento de 6% no sal\u00e1rio-hora gerou redu\u00e7\u00e3o de apenas 2% no emprego. E a produtividade por hora subiu, especialmente nos setores intensivos em m\u00e3o de obra. Os pre\u00e7os finais praticamente n\u00e3o se alteraram, o que indica que o custo foi absorvido internamente.<\/p>\n<p><strong>Impacto da redu\u00e7\u00e3o de jornada sobre o custo da produ\u00e7\u00e3o: mecanismo bruto e canais de ajuste<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Componente<\/strong><\/td>\n<td><strong>Efeito sobre o custo<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Eleva\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica do custo-hora (44h para 40h, sal\u00e1rio mantido)<\/strong><\/td>\n<td>+10,0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Canal 1: ganho de produtividade por hora (fadiga reduzida, presente\u00edsmo menor)<\/strong><\/td>\n<td>-3% a -7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Canal 2: absor\u00e7\u00e3o de horas extras habituais (economia do adicional de 50%)<\/strong><\/td>\n<td>-1% a -3%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Canal 3: reorganiza\u00e7\u00e3o produtiva (elimina\u00e7\u00e3o de tempos mortos, ajuste de turnos)<\/strong><\/td>\n<td>-1% a -2%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Impacto l\u00edquido estimado sobre o custo unit\u00e1rio do produto<\/strong><\/td>\n<td><strong>+0% a +4%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><em>Fontes: Pencavel (2015), Bourl\u00e8s et al. (2012), Golden (2012), Asai et al. (2024), Ipea (2026). Modelo est\u00e1tico de equil\u00edbrio parcial. N\u00e3o inclui efeitos de equil\u00edbrio geral.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Combinando os tr\u00eas canais, o impacto l\u00edquido sobre o custo total da produ\u00e7\u00e3o fica na faixa de 0% a 4%, dependendo do setor. O Ipea estimou que, especificamente para ind\u00fastria e com\u00e9rcio, o impacto de uma redu\u00e7\u00e3o para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional.<sup>12<\/sup> Para colocar em perspectiva: o mercado de trabalho brasileiro absorveu reajustes do sal\u00e1rio m\u00ednimo de 12% em 2001 e 7,6% em 2012 sem redu\u00e7\u00e3o l\u00edquida de emprego.<sup>13<\/sup><\/p>\n<h3><strong>O que a evid\u00eancia emp\u00edrica diz sobre emprego<\/strong><\/h3>\n<p>A pergunta decisiva \u00e9: o aumento residual do custo leva a demiss\u00f5es? A resposta da literatura econ\u00f4mica \u00e9 que leva, mas em propor\u00e7\u00e3o menor do que o aumento do custo. Mesmo quando o custo do trabalho sobe, as empresas n\u00e3o demitem na mesma propor\u00e7\u00e3o. A maior s\u00edntese dispon\u00edvel sobre o tema reuniu 151 estudos e mais de mil estimativas de diferentes pa\u00edses e per\u00edodos.<sup>14<\/sup> O resultado m\u00e9dio \u00e9 que um aumento de 1% no custo do trabalho reduz o emprego em menos de 0,5%.<sup>15<\/sup><\/p>\n<p>E aqui entra uma distin\u00e7\u00e3o fundamental. As empresas podem responder ao aumento de custo de duas formas: reduzindo o n\u00famero de trabalhadores ou reduzindo o total de horas trabalhadas (sem necessariamente demitir). A evid\u00eancia mostra que o ajuste se concentra na segunda forma. Na reforma portuguesa, por exemplo, o efeito sobre horas totais foi grande, mas o efeito sobre o n\u00famero de empregos foi quatro vezes menor. As empresas ajustaram horas, n\u00e3o demitiram proporcionalmente.<\/p>\n<p>Para outras reformas de jornada, o padr\u00e3o \u00e9 semelhante. Na Alemanha, entre 1984 e 1994, redu\u00e7\u00f5es negociadas de jornada n\u00e3o geraram aumento significativo do emprego, mas tampouco destrui\u00e7\u00e3o. Na Fran\u00e7a, as 35 horas geraram cria\u00e7\u00e3o modesta de empregos, parcialmente financiada por subs\u00eddios governamentais. Na reforma brasileira de 1988, como j\u00e1 mencionado, os efeitos sobre o emprego foram amb\u00edguos.<sup>16<\/sup><\/p>\n<p><strong>Evid\u00eancia emp\u00edrica sobre o efeito de custos trabalhistas no emprego<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Estudo \/ Reforma<\/strong><\/td>\n<td><strong>O que encontrou<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Lichter, Peichl e Siegloch (2015) \u2014 151 estudos, diversos pa\u00edses<\/strong><\/td>\n<td>Aumento de 1% no custo reduz emprego em 0,55% (m\u00e9dia)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Lichter (2023) \u2014 105 estudos, Alemanha<\/strong><\/td>\n<td>Redu\u00e7\u00e3o de 0,43% no emprego para cada 1% de custo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Asai et al. (2024) \u2014 Portugal, 44h para 40h<\/strong><\/td>\n<td>Aumento de 6% no custo-hora gerou queda de apenas 2% no emprego<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Gonzaga et al. (2003) \u2014 Brasil, 48h para 44h<\/strong><\/td>\n<td>Efeitos amb\u00edguos, sem destrui\u00e7\u00e3o l\u00edquida de postos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Hunt (1999) \u2014 Alemanha, 1984-1994<\/strong><\/td>\n<td>Sem efeito significativo sobre o emprego<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Cr\u00e9pon e Kramarz (2002) \u2014 Fran\u00e7a, 40h para 39h<\/strong><\/td>\n<td>Efeito negativo restrito ao grupo de exatamente 40h<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Estev\u00e3o e S\u00e1 (2008) \u2014 Fran\u00e7a, 35 horas<\/strong><\/td>\n<td>Cria\u00e7\u00e3o modesta de empregos (3-4%), com subs\u00eddios<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Teixeira et al. (2026) \u2014 Brasil, Dossi\u00ea 6\u00d71 (Cesit\/Unicamp)<\/strong><\/td>\n<td>Proje\u00e7\u00e3o: at\u00e9 4,5 mi novos empregos (44h\u219236h); eleva\u00e7\u00e3o de ~4% na produtividade<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><em>Leitura: a demanda por trabalho \u00e9 inel\u00e1stica na faixa relevante, ou seja, os efeitos sobre o emprego s\u00e3o substancialmente menores do que os efeitos sobre o custo-hora.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A evid\u00eancia internacional aponta para efeitos moderados sobre o emprego. Mas o que dizem as proje\u00e7\u00f5es brasileiras? O diagn\u00f3stico mais abrangente produzido at\u00e9 o momento \u00e9 o <em>Dossi\u00ea 6\u00d71<\/em>, organizado por pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Unicamp. O documento re\u00fane 37 artigos, escritos por 63 autores entre professores, pesquisadores, membros do Judici\u00e1rio e auditores fiscais do Trabalho.<sup>17<\/sup><\/p>\n<p>A pesquisadora Marilane Teixeira, coordenadora do levantamento, estima que uma redu\u00e7\u00e3o de 44 para 36 horas semanais resultaria na cria\u00e7\u00e3o de at\u00e9 4,5 milh\u00f5es de novos empregos e em uma eleva\u00e7\u00e3o de cerca de 4% nos n\u00edveis de produtividade. O estudo, baseado na PNAD Cont\u00ednua, mostra que 76,3% dos ocupados no pa\u00eds cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais e que aproximadamente 21 milh\u00f5es de trabalhadores excedem o teto legal de 44 horas. S\u00e3o dados que refor\u00e7am um ponto j\u00e1 apresentado neste artigo: o argumento de que \u201co brasileiro j\u00e1 trabalha pouco\u201d n\u00e3o resiste ao confronto com os microdados.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do Cesit \u00e9 mais otimista do que o intervalo estimado pelas meta-an\u00e1lises internacionais, o que merece uma nota de cautela. As elasticidades emprego-custo derivadas da literatura tendem a captar o efeito l\u00edquido de curto prazo em reformas de menor amplitude (4 a 5 horas de redu\u00e7\u00e3o), ao passo que a proje\u00e7\u00e3o do Dossi\u00ea opera com uma redu\u00e7\u00e3o de 8 horas e incorpora efeitos din\u00e2micos de demanda agregada e reorganiza\u00e7\u00e3o produtiva. As duas estimativas n\u00e3o s\u00e3o diretamente compar\u00e1veis, mas convergem em um ponto central: o efeito l\u00edquido sobre o emprego \u00e9 positivo ou, no m\u00ednimo, n\u00e3o destrutivo.<\/p>\n<p>Em termos concretos, se o custo l\u00edquido da redu\u00e7\u00e3o de jornada fica entre 0% e 4% e a resposta do emprego \u00e9 inferior a 0,5% para cada 1% de custo, o efeito esperado sobre o emprego seria de at\u00e9 2%. Para dar dimens\u00e3o: um impacto dessa magnitude \u00e9 menor do que as oscila\u00e7\u00f5es anuais normais do mercado de trabalho brasileiro, que rotineiramente absorve varia\u00e7\u00f5es desse porte sem que ningu\u00e9m fale em crise. \u00c9 um custo, sim, mas administr\u00e1vel e compens\u00e1vel por pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>A dimens\u00e3o jur\u00eddica: por que o direito importa nessa discuss\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O debate sobre redu\u00e7\u00e3o de jornada costuma ser conduzido em termos exclusivamente econ\u00f4micos. Mas a jornada de trabalho \u00e9, antes de tudo, um instituto jur\u00eddico: um limite que o direito imp\u00f5e ao tempo que o empregador pode exigir do trabalhador. E esse limite est\u00e1 em descompasso com a normativa internacional h\u00e1 mais de sessenta anos. A OIT fixou a jornada de oito horas di\u00e1rias e 48 horas semanais em 1919, adotou o padr\u00e3o de 40 horas em 1935 e, em 1962, consagrou essa marca como \u201cnorma social\u201d a ser progressivamente alcan\u00e7ada, sem redu\u00e7\u00e3o salarial.<sup>18<\/sup> O Brasil jamais ratificou a Conven\u00e7\u00e3o das 40 horas. A jornada constitucional de 44 horas, vigente desde 1988, est\u00e1 acima do padr\u00e3o recomendado pela OIT h\u00e1 mais de seis d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>E h\u00e1 uma segunda camada do problema, menos vis\u00edvel mas igualmente grave. Em 2006, a OIT adotou a Recomenda\u00e7\u00e3o n. 198, voltada especificamente ao combate \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de trabalho disfar\u00e7adas. O instrumento recomenda que os Estados adotem uma presun\u00e7\u00e3o de laboralidade quando estiverem presentes ind\u00edcios de subordina\u00e7\u00e3o, independentemente da forma contratual adotada.<sup>19<\/sup> A Recomenda\u00e7\u00e3o 198 \u00e9 invoc\u00e1vel como fonte hermen\u00eautica no direito brasileiro (artigo 8\u00ba da CLT) e tem sido aplicada pela jurisprud\u00eancia trabalhista em casos envolvendo pejotiza\u00e7\u00e3o e trabalho por plataformas digitais.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente esse ponto que est\u00e1 em jogo no Tema 1.389 do STF, atualmente suspenso por pedido de vista, com mais de 50 mil processos paralisados em todo o pa\u00eds. A quest\u00e3o central \u00e9: quando um trabalhador subordinado \u00e9 contratado como pessoa jur\u00eddica, quais s\u00e3o os limites da autonomia contratual? A Audi\u00eancia P\u00fablica realizada em outubro de 2025 revelou a dimens\u00e3o do problema: o Minist\u00e9rio do Trabalho apresentou dados indicando evas\u00e3o contributiva de R$ 61,42 bilh\u00f5es entre 2022 e 2024.<sup>20<\/sup><\/p>\n<p>A conex\u00e3o com o debate sobre jornada \u00e9 estrutural. Quando um trabalhador \u00e9 contratado como PJ, a primeira coisa que desaparece \u00e9 a jornada. N\u00e3o h\u00e1 limite de horas, n\u00e3o h\u00e1 hora extra, n\u00e3o h\u00e1 descanso semanal remunerado, n\u00e3o h\u00e1 intervalo intrajornada. O professor Jorge Luiz Souto Maior, da Faculdade de Direito da USP, denomina esse mecanismo de \u201carbitrariza\u00e7\u00e3o\u201d: a constru\u00e7\u00e3o de um argumento que dispensa correspond\u00eancia com a realidade f\u00e1tica ou com o ordenamento jur\u00eddico, substituindo artificialmente a pessoa natural pela pessoa jur\u00eddica.<sup>21<\/sup> Milh\u00f5es de trabalhadores exercem fun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de empregados, mas n\u00e3o t\u00eam acesso a nenhum dos direitos do artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A defesa da redu\u00e7\u00e3o de jornada ganha, assim, uma dimens\u00e3o adicional. N\u00e3o se trata apenas de reduzir o n\u00famero de horas de quem j\u00e1 tem esse direito garantido. Trata-se de assegurar que o pr\u00f3prio conceito de jornada, enquanto limite jur\u00eddico ao tempo de trabalho, n\u00e3o seja esvaziado pela prolifera\u00e7\u00e3o de arranjos contratuais que o tornam inaplic\u00e1vel. A leitura conjunta da Conven\u00e7\u00e3o n. 1 de 1919, da Recomenda\u00e7\u00e3o n. 116 de 1962 e da Recomenda\u00e7\u00e3o n. 198 de 2006 oferece um marco normativo que o Brasil deveria internalizar: limita\u00e7\u00e3o progressiva da jornada e combate efetivo \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de trabalho disfar\u00e7adas.<\/p>\n<h3><strong>Reduzir a jornada n\u00e3o \u00e9 salto no escuro<\/strong><\/h3>\n<p>O debate sobre jornada no Brasil est\u00e1 preso em uma armadilha argumentativa. De um lado, a compara\u00e7\u00e3o internacional diz que o Brasil \u201cj\u00e1 trabalha pouco\u201d. De outro, as proje\u00e7\u00f5es de custo dizem que reduzir seria caro demais. Os dois argumentos parecem fortes, mas ambos se apoiam em premissas fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>O primeiro confunde posi\u00e7\u00e3o relativa com recomenda\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica. Saber onde o Brasil est\u00e1 no mapa internacional \u00e9 \u00fatil, mas n\u00e3o responde \u00e0 pergunta \u201co que acontece se mudarmos?\u201d. O segundo confunde custo bruto com custo l\u00edquido. A eleva\u00e7\u00e3o de 10% no custo-hora \u00e9 real, mas os canais de ajuste que a atenuam tamb\u00e9m s\u00e3o reais, e est\u00e3o documentados em d\u00e9cadas de pesquisa econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O que os dados mostram, em s\u00edntese, \u00e9 o seguinte. A jornada m\u00e9dia real no Brasil j\u00e1 est\u00e1 em torno de 39 horas. Quem trabalha 44 horas s\u00e3o predominantemente trabalhadores de baixa renda e baixa escolaridade. O impacto l\u00edquido de uma redu\u00e7\u00e3o para 40 horas sobre o custo da produ\u00e7\u00e3o fica entre 0% e 4%. O efeito sobre o emprego, segundo a melhor evid\u00eancia dispon\u00edvel, \u00e9 pequeno e administr\u00e1vel. Col\u00f4mbia, Chile, Portugal e Fran\u00e7a fizeram reformas semelhantes e absorveram os impactos sem ruptura. O Dossi\u00ea 6\u00d71 do Cesit\/Unicamp projeta que a cria\u00e7\u00e3o l\u00edquida de empregos pode chegar a 4,5 milh\u00f5es, com eleva\u00e7\u00e3o de produtividade.<sup>22<\/sup><\/p>\n<p>Nada disso significa que a redu\u00e7\u00e3o seja indolor. Em setores intensivos em m\u00e3o de obra e em micro e pequenas empresas, o ajuste ser\u00e1 mais dif\u00edcil e exigir\u00e1 pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o: cronograma gradual, possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o coletiva sobre ritmos de implementa\u00e7\u00e3o, e eventual suporte fiscal para os segmentos mais afetados. A experi\u00eancia colombiana, com seu cronograma de quatro anos, e a chilena, com monitoramento governamental em tempo real, oferecem modelos concretos.<sup>23<\/sup><\/p>\n<p>A economia delimita os custos poss\u00edveis. A pol\u00edtica decide como distribu\u00ed-los. A hist\u00f3ria do trabalho no Brasil ensina que cada avan\u00e7o na limita\u00e7\u00e3o da jornada, das oito horas em 1934 \u00e0s 44 horas em 1988, enfrentou a mesma resist\u00eancia, os mesmos argumentos sobre custos proibitivos, a mesma previs\u00e3o de cat\u00e1strofe.<sup>24<\/sup> Em nenhum caso a cat\u00e1strofe se materializou. Em todos os casos, a economia se ajustou e os trabalhadores incorporaram a conquista ao seu horizonte de expectativas.<\/p>\n<p>Hoje, quando se discute a uberiza\u00e7\u00e3o, o trabalho por plataformas e a dissolu\u00e7\u00e3o das fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida, a regula\u00e7\u00e3o da jornada ganha urg\u00eancia renovada.<sup>25<\/sup> A pergunta n\u00e3o \u00e9 se o Brasil pode reduzir sua jornada. \u00c9 quem define os termos, os ritmos e as prioridades. Modelos econom\u00e9tricos informam. Mas a resposta se constr\u00f3i na arena da negocia\u00e7\u00e3o coletiva, da legisla\u00e7\u00e3o e da mobiliza\u00e7\u00e3o social. Sempre foi assim.<\/p>\n<p><em><strong>Nota. <\/strong><\/em><em>Uma vers\u00e3o acad\u00eamica ampliada deste texto, com modelagem formal do custo unit\u00e1rio do trabalho, tabelas de elasticidades detalhadas e refer\u00eancias completas em padr\u00e3o ABNT, est\u00e1 dispon\u00edvel com o autor.<\/em><\/p>\n<p>1Duque, D. Brasil e a redu\u00e7\u00e3o da jornada: o que dizem os dados globais. Blog do IBRE, FGV, 2025. Base de dados: Gethin e Saez (2025), 160 pa\u00edses, 1990-2024.<\/p>\n<p>2O modelo utiliza efeitos fixos de pa\u00eds e ano, com produtividade e controles demogr\u00e1ficos. Ver tr\u00e9plica de Duque a Victor Rangel no mesmo artigo para discuss\u00e3o metodol\u00f3gica.<\/p>\n<p>3Dal Rosso, S. A jornada de trabalho na sociedade. LTr, 1996. Dal Rosso, S. Mais trabalho! Boitempo, 2008.<\/p>\n<p>4Col\u00f4mbia: Ley 2101\/2021, redu\u00e7\u00e3o gradual 48h para 42h at\u00e9 2026. Chile: Lei 21.561\/2023, 45h para 40h em 5 anos. M\u00e9xico: proposta de 48h para 40h em debate, fev. 2025.<\/p>\n<p>5Dedecca, C. S.; Ribeiro, C. S. M. F.; Ishii, F. H. G\u00eanero e jornada de trabalho. Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, v. 7, n. 1, 2009. Carrasco, C. La econom\u00eda del cuidado. Revista de Econom\u00eda Cr\u00edtica, n. 11, 2011.<\/p>\n<p>6IBGE, PNAD Cont\u00ednua, 1\u00ba trimestre de 2024. Jornada m\u00e9dia habitual dos ocupados: 39,2 horas semanais.<\/p>\n<p>7Pateo, F.; Melo, J.; C\u00edriaco, J. Nota t\u00e9cnica: efeitos econ\u00f4micos da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Ipea, 2026. RAIS 2023: 31,7 milh\u00f5es de celetistas contratados em 44h.<\/p>\n<p>8Gonzaga, G.; Menezes-Filho, N. A.; Camargo, J. M. Os efeitos da redu\u00e7\u00e3o da jornada de 48 para 44 horas. Revista Brasileira de Economia, v. 57, n. 2, 2003.<\/p>\n<p>9Asai, K.; Lopes, M. C.; Tondini, A. Firm-Level Effects of Reductions in Working Hours. CEPREMAP Working Paper 2405, Paris School of Economics, 2024. Reforma portuguesa de 1996 (44h para 40h): elasticidade emprego-sal\u00e1rio de -0,33; elasticidade horas totais de -1,48.<\/p>\n<p>10Pencavel, J. The Productivity of Working Hours. The Economic Journal, v. 125, n. 589, 2015. Bourl\u00e8s, R.; Cette, G.; Cozarenco, A. Employment and Productivity. International Productivity Monitor, n. 23, 2012. Golden, L. The effects of working time on productivity and firm performance: a research synthesis paper. Conditions of Work and Employment Series, n. 33, OIT, 2012.<\/p>\n<p>11<\/p>\n<p>12<\/p>\n<p>13<\/p>\n<p>14Lichter, A.; Peichl, A.; Siegloch, S. The own-wage elasticity of labor demand: A meta-regression analysis. European Economic Review, v. 80, 2015. 151 estudos, 1.334 estimativas. M\u00e9dia: -0,55. Hamermesh, D. S. Labor Demand. Princeton, 1993: intervalo consensual -0,15 a -0,75.<\/p>\n<p>15Lichter, A. How elastic is labor demand? A meta-analysis for the German labor market. Journal for Labour Market Research, v. 57, n. 14, 2023. M\u00e9dia para a Alemanha: -0,43.<\/p>\n<p>16Hunt, J. Has Work-Sharing Worked in Germany? QJE, v. 114, n. 1, 1999. Cr\u00e9pon, B.; Kramarz, F. Employed 40 Hours or Not Employed 39. JPE, v. 110, n. 6, 2002. Estev\u00e3o, M.; S\u00e1, F. The 35-hour workweek in France. Economic Policy, v. 23, n. 55, 2008.<\/p>\n<p>17Teixeira, M. et al. Dossi\u00ea 6\u00d71. Cesit\/IE\/Unicamp, 2026. 37 artigos, 63 autores. Proje\u00e7\u00e3o: redu\u00e7\u00e3o de 44h para 36h geraria at\u00e9 4,5 milh\u00f5es de novos empregos e elevaria a produtividade em cerca de 4%. Com base na PNAD Cont\u00ednua\/IBGE. Dispon\u00edvel em: https:\/\/jornal.unicamp.br\/noticias\/2026\/02\/25\/reducao-de-jornada-deve-gerar-45-milhoes-de-novos-empregos-aponta-estudo\/<\/p>\n<p>18OIT: Conven\u00e7\u00e3o n. 1 (1919), 8h di\u00e1rias\/48h semanais para a ind\u00fastria. Conven\u00e7\u00e3o n. 47 (1935), semana de 40h. Recomenda\u00e7\u00e3o n. 116 (1962), 40h como norma social a ser progressivamente alcan\u00e7ada, sem redu\u00e7\u00e3o salarial. Brasil jamais ratificou as Conven\u00e7\u00f5es n. 1 e 47.<\/p>\n<p>19OIT, Recomenda\u00e7\u00e3o n. 198, sobre a rela\u00e7\u00e3o de trabalho (2006). Artigos 4\u00ba-b, 11 e 13: combate a rela\u00e7\u00f5es de trabalho disfar\u00e7adas, presun\u00e7\u00e3o de laboralidade quando presentes ind\u00edcios de subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>20STF, Tema 1.389 (ARE 1.532.603), Rel. Min. Gilmar Mendes. Suspens\u00e3o nacional de processos determinada em abril de 2025 (&gt; 50 mil a\u00e7\u00f5es). Audi\u00eancia P\u00fablica n. 47, outubro de 2025: MTE apresentou dados de evas\u00e3o contributiva de R$ 61,42 bilh\u00f5es (2022-2024). Julgamento de m\u00e9rito suspenso por pedido de vista da Min. C\u00e1rmen L\u00facia.<\/p>\n<p>21Souto Maior, J. L. Pejotiza\u00e7\u00e3o como forma de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. A Terra \u00e9 Redonda, 23 fev. 2026. Souto Maior, J. L. Curso de Direito do Trabalho: a rela\u00e7\u00e3o de emprego. LTr, 2008, v. II.<\/p>\n<p>22Lee, S.; McCann, D.; Messenger, J. C. Working Time Around the World: Trends in Working Hours, Laws and Policies in a Global Comparative Perspective. ILO\/Routledge, 2007. Schor, J. The Overworked American. Basic Books, 1991.<\/p>\n<p>23<\/p>\n<p>24<\/p>\n<p>25Antunes, R. O privil\u00e9gio da servid\u00e3o. Boitempo, 2018. Antunes, R. Uberiza\u00e7\u00e3o, trabalho digital e ind\u00fastria 4.0. Boitempo, 2020.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post O espantoso mito de que o brasileiro trabalha pouco appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estudo-revela-explosao-de-conteudos-de-odio-contra-mulheres-em-rede-social\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/machismo-midianinja-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Estudo revela explos\u00e3o de conte\u00fados de \u00f3dio contra...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lulismo-volta-a-disputar-narrativa-na-cultura-popular-cientista-politico-analisa-homenagem-a-lula-no-carnaval\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Lulismo volta a disputar narrativa na cultura pop...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/condenado-no-tse-por-publicacao-de-fake-news-nikolas-ferreira-assume-relatoria-de-pl-sobre-tema-na-ccj\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Condenado no TSE por publica\u00e7\u00e3o de fake news, Niko...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ataques-israelenses-na-faixa-gaza-deixam-41-mortos-diz-defesa-civil-23-esperavam-distribuicao-de-alimentos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ataques israelenses na Faixa Gaza deixam 41 mortos...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados desmentem as manchetes de jornal: milh\u00f5es cumprem 44 horas, e muitos extrapolam esse limite. 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