{"id":76768,"date":"2026-03-04T17:16:23","date_gmt":"2026-03-04T20:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-crise-do-ocidente-e-a-provocacao-de-raul-zibechi\/"},"modified":"2026-03-04T17:16:23","modified_gmt":"2026-03-04T20:16:23","slug":"a-crise-do-ocidente-e-a-provocacao-de-raul-zibechi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-crise-do-ocidente-e-a-provocacao-de-raul-zibechi\/","title":{"rendered":"A crise do Ocidente e a provoca\u00e7\u00e3o de Raul Zibechi"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"676\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Captura-de-tela-2026-03-04-171313.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Captura-de-tela-2026-03-04-171313.png 922w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04171409\/Captura-de-tela-2026-03-04-171313-300x220.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04171409\/Captura-de-tela-2026-03-04-171313-768x563.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 922px) 100vw, 922px\"><figcaption>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instituto Tricontinental<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ide\u00f3logos e fil\u00f3sofos decretaram, no final do s\u00e9culo passado, o chamado \u201cfim da Hist\u00f3ria\u201d: o triunfo do Ocidente capitalista, democr\u00e1tico e iluminista perante os perigos e espectros do Oriente ex\u00f3tico, b\u00e1rbaro e incivilizado. Se n\u00e3o foram essas as exatas palavras registradas nos autos e obras de autores como Francis Fukuyama, sabemos que foi esse o seu significado primevo. Tal narrativa rasteira e enviesada aos ditames ideol\u00f3gicos dos Estados Unidos \u00e0 \u00e9poca tornou-se bem conhecida de todos aqueles que compreendem, minimamente, o cen\u00e1rio geopol\u00edtico das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Macrorregi\u00f5es e os seus Estados \u2014 alguns muito novos e desorganizados por d\u00e9cadas de inger\u00eancia estrangeira com pendores neocoloniais \u2014 reorganizaram-se no tabuleiro global do breve s\u00e9culo XX da maneira como conseguiram ap\u00f3s os anos paranoicos de Guerra Fria. Cada qual na tentativa de se desenvolver e criar as condi\u00e7\u00f5es materiais m\u00ednimas para a sobreviv\u00eancia de suas popula\u00e7\u00f5es e territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Todos, por \u00f3bvio, sob o dom\u00ednio expansionista do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o modelo \u201ctriunfante\u201d deste presente eterno: ao seu encargo, uma acumula\u00e7\u00e3o desenfreada de capitais e o extrativismo destrutivo de nossas riquezas naturais, al\u00e9m das abissais desigualdades sociais e da viol\u00eancia cotidiana que os permeiam. Era o fim do \u201csocialismo real\u201d sovi\u00e9tico e da utopia de sociedades livres, sem grilh\u00f5es e sem opress\u00f5es. Pois bem. Os grilh\u00f5es permaneceram como \u201celemento natural\u201d de nossas rela\u00e7\u00f5es sociais, <em>uma pena<\/em>. Fim da Hist\u00f3ria: assim decretou o Norte.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1-5.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>No entanto, entre as d\u00e9cadas finais de 1980 e a hist\u00f3ria vivida, os instantes que pulsam no tempo presente, um abismo se abriu sob os nossos p\u00e9s: tal ordem triunfante se decomp\u00f5e rapidamente. Diante disso, um olhar retrospectivo e cr\u00edtico de ambas as temporalidades \u2014 mesmo que pr\u00f3ximas cronologicamente \u2014 carece, portanto, de certo enfrentamento. Afinal, como uma pretensa ordem est\u00e1vel e \u201c\u00faltima\u201d, infal\u00edvel, portanto, como o ponto final na trajet\u00f3ria dos povos humanos nesta terra, esfacelou-se assim t\u00e3o rapidamente?<\/p>\n<p>Outro inc\u00f4modo brota ao pensarmos especificamente o continente americano e a Am\u00e9rica Latina nesse interregno, nosso territ\u00f3rio de an\u00e1lise: as lideran\u00e7as, movimentos e agrupamentos pol\u00edticos e sociais progressistas acreditaram nesse ato derradeiro? Se assim fosse, no plano da realidade concreta, findada a Hist\u00f3ria, nada mais se reformaria ou revolucionaria, nada se transformaria ou se movimentaria; seria aceito e seria, por isso, submetido.<\/p>\n<p>A caducidade do \u201cfim da Hist\u00f3ria\u201d evidencia-se quando observamos o continente latino-americano e a sua conjuntura hist\u00f3rica dos \u00faltimos anos. Enquanto uma onda de comportamentos, pr\u00e1ticas e uma formata\u00e7\u00e3o ininterrupta de subjetividades neofascistas se espalha pelos tr\u00f3picos ap\u00f3s d\u00e9cadas progressistas (1996-2016), como um retorno do sombrio adquirindo novas roupagens, atrelada agora aos bar\u00f5es da tecnologia e da m\u00eddia, algumas (fr\u00e1geis) barreiras contra a barb\u00e1rie generalizada e a selvageria pol\u00edtica se mant\u00eam, temporariamente. \u00c9 o caso do M\u00e9xico, da Col\u00f4mbia e do Brasil, pa\u00edses com hist\u00f3ricos sangrentos, desde a luta pela conquista do Estado por for\u00e7as nacional-populares como forma de superar os problemas estruturais de seus povos \u2014 tarefa nunca cumprida \u2014 at\u00e9 a brutalidade policial e militar com que seus Estados nacionais trataram (e ainda tratam, mesmo sob governos \u00e0 esquerda) setores consider\u00e1veis de suas popula\u00e7\u00f5es e essas mesmas lutas. E seus alvos s\u00e3o seculares, coloniais, para dizer o m\u00ednimo: popula\u00e7\u00f5es negras (descendentes de ex-escravizados), etnias e comunidades origin\u00e1rias, trabalhadores prec\u00e1rios e marginalizados (mulheres e migrantes, principalmente), lideran\u00e7as populares, sindicais e, n\u00e3o obstante, professores e defensores dos mais b\u00e1sicos direitos humanos, t\u00e3o negligenciados por suas democracias.<\/p>\n<p>Hoje, nessas latitudes, governos democr\u00e1ticos negociados por frentes e agrupamentos \u00e0 esquerda, com vieses humanistas e solid\u00e1rios nada extremistas como os seus opositores, compreenderam, melhor que nas \u00faltimas d\u00e9cadas (1996-2016), que \u201cestabilidade\u201d e \u201cuni\u00e3o\u201d n\u00e3o fazem mais parte do vocabul\u00e1rio eleitoral e pol\u00edtico, apesar de tentativas v\u00e3s. Figuras como Lula, por exemplo, insistem no erro. O outro lado da moeda, no entanto, n\u00e3o parece seguir as mesmas regras \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d e \u201ccivilizadas\u201d, como o caso argentino vem demonstrando, quando inundaram as ruas nos \u00faltimos dias, com for\u00e7a e valentia, centenas de milhares de trabalhadores contra a Reforma (Anti)Trabalhista de Javier Milei, que desestrutura e desequilibra ainda mais o mundo do trabalho argentino. A repress\u00e3o nas ruas evidencia o estado de coisas nesta Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as como Cl\u00e1udia, Petro e Lula compreendem o momento, o carcomido esp\u00edrito do tempo, mas n\u00e3o h\u00e1 nada no horizonte que aponte para eventuais mudan\u00e7as estruturais, radicalismos ou extremismos de seus respectivos mandat\u00e1rios. Mais improv\u00e1vel ainda que pequenos grupos e partidos \u00e0 extrema-esquerda logrem algum \u00eaxito real. Portanto, em <em>Nossa Am\u00e9rica<\/em> continuamos ligados \u00e0s grandes pot\u00eancias de maneira dependente \u2014 pac\u00edfica, sob cercos militares ou amea\u00e7as econ\u00f4micas diversas. Como \u00e9 o caso cubano e venezuelano hoje, em que a ilha se encontra sob o estreitamento do permanente bloqueio econ\u00f4mico (dificultando o acesso a rem\u00e9dios b\u00e1sicos nos hospitais, por exemplo) e a inger\u00eancia norte-americana na tomada do petr\u00f3leo da Rep\u00fablica Bolivariana, controlada, desde a invas\u00e3o estadunidense no in\u00edcio de 2026, por empresas e negociatas do grande irm\u00e3o do Norte.<\/p>\n<p>Os governos mexicano, colombiano e brasileiro permanecem reorganizando for\u00e7as para produzir o m\u00ednimo de esperan\u00e7a e expectativas materiais aos seus povos em um tabuleiro global movedi\u00e7o, em r\u00e1pida e violenta fragmenta\u00e7\u00e3o. Em outras palavras: tentam produzir consenso onde n\u00e3o h\u00e1 mais terreno para tal, como se ainda acreditassem no caduco \u201cfim da Hist\u00f3ria\u201d. Enquanto esses consensos globais se desintegram, os quais seriam os pilares da democracia liberal-representativa e seus grandes blocos apontados como modelos e o \u201cfim-\u00faltimo\u201d sob a lideran\u00e7a vigiada dos EUA, caminhamos na escurid\u00e3o para um cen\u00e1rio mais pantanoso: o \u201cretorno da Hist\u00f3ria\u201d n\u00e3o como <em>continua\u00e7\u00e3o<\/em> do que foram as \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, mas como <em>colapso<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cColapso\u201d como confus\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o de um mundo desorientado. Tal colapso \u00e9 fabricado, evidentemente, pois n\u00e3o foi apenas o vocabul\u00e1rio pol\u00edtico de poucos anos atr\u00e1s que fraturou-se, e, por isso mesmo, o parco entendimento e a pobreza ideol\u00f3gica das maiorias a respeito das coisas e do mundo, mas pr\u00e1ticas e negocia\u00e7\u00f5es, dentro e fora de seus respectivos pa\u00edses, parecem estranhas a esse novo mundo em frangalhos. As for\u00e7as desintegradoras \u2014 neofascistas \u2014 n\u00e3o apresentam uma resolu\u00e7\u00e3o para o que est\u00e1 posto, mas perpetuam a sua continua\u00e7\u00e3o, aprofundando-a. N\u00e3o produzem o colapso, s\u00e3o o colapso.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Mais do que a linguagem (o di\u00e1logo, as tratativas civilizadas, a diplomacia etc.) como for\u00e7a pol\u00edtica da express\u00e3o dos anseios de seus cidad\u00e3os, o uso da palavra e a manuten\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a para a fabrica\u00e7\u00e3o de consensos se desintegram perante os nossos olhos. Polariza\u00e7\u00f5es e assimetrias, portanto, ser\u00e3o cada vez mais constantes e radicais, j\u00e1 que n\u00e3o compreendemos mais uns aos outros. Mais que o \u201cfim da Hist\u00f3ria\u201d, estamos diante de sua acelera\u00e7\u00e3o. As contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais enfrentadas politicamente na busca de resolu\u00e7\u00f5es, mas s\u00e3o vistas como fatos, agora, \u201ccoerentes\u201d desse jogo. O poder adv\u00e9m da desuni\u00e3o provocada e da performance daqueles que se nutrem dela, da confus\u00e3o gerada e da exaust\u00e3o de todos n\u00f3s por likes, cliques, fotos\u2026<\/p>\n<p>Se a busca pelo consenso e essa pretensa estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica gestadas pelo Ocidente do s\u00e9culo passado n\u00e3o mais existem, pois maculadas pelas pr\u00f3prias pot\u00eancias guardi\u00e3s da \u201cmoralidade\u201d e da tradi\u00e7\u00e3o europeia e estadunidense nos \u00faltimos anos, o que nos restaria? Ou melhor: o que podemos esperar de um mundo em que a ilus\u00e3o do \u201cfim da Hist\u00f3ria\u201d acometeu a todos e que, neste momento, mostra o seu anverso dist\u00f3pico e cruel?<\/p>\n<p>Perante a distopia anunciada e sobre a qual estaremos umbilicalmente conectados como parte (em termos geopol\u00edticos) deste Ocidente triunfante, agora em peda\u00e7os, relembro Ra\u00fal Zibechi em seu <em>Territ\u00f3rios em Rebeldia<\/em> (2022): \u201cPretender evitar o colapso \u00e9 in\u00fatil porque dever\u00edamos convencer a maioria qualificada da popula\u00e7\u00e3o mundial a tomar outro rumo. Imposs\u00edvel. A degrada\u00e7\u00e3o do ser humano \u00e9 demasiada para que se mudem os modos de vida sem uma cat\u00e1strofe. Mais ainda, duvido que uma cat\u00e1strofe possa nos mudar\u201d. Por isso, quando pensamos a Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o podemos negligenciar a for\u00e7a de um passado que insiste em n\u00e3o passar e de um ac\u00famulo de situa\u00e7\u00f5es e acontecimentos que se desdobram desde o per\u00edodo colonial \u2014\u00a0 que, sob certos aspectos, ainda n\u00e3o se encerrou.<\/p>\n<p>Sobre isso, Zibechi, este intelectual uruguaio enternecido e radical, escreve: \u201cDe fato, h\u00e1 uma guerra contra os povos. Uma guerra colonial para se apropriar dos bens comuns, pressupondo a aniquila\u00e7\u00e3o daquelas parcelas da humanidade que s\u00e3o obst\u00e1culo para o roubo desses bens, seja porque vivem sobre eles, porque resistem a ser espoliados, seja simplesmente porque sobram, no sentido mais cruel de serem desnecess\u00e1rios para a acumula\u00e7\u00e3o de riquezas\u201d.<\/p>\n<p>Em um continente de utopias e expectativas decrescentes, viol\u00eancia e brutalidade cotidianas e desmedidas, percebemos que, para o capitalismo e seus bar\u00f5es, tais parcelas e setores humanos s\u00e3o facilmente descart\u00e1veis quando os m\u00ednimos consensos e civilidades caem por terra \u2014 sobrevivem aos barrotes, em morros e vielas, sob enchentes e trag\u00e9dias ambientais, troca de tiros e extenuantes jornadas de trabalho, alienantes no sentido mais fr\u00edvolo do termo. Sob os fragmentos da velha ordem p\u00f3s-Guerra Fria, dependente e violenta sob a \u00f3tica latino-americana, seguem os pa\u00edses de <em>Nossa Am\u00e9rica<\/em> em sua jornada na busca por um futuro distinto daquele prometido pelo neofascismo global e suas vertentes tropicais, do colapso das democracias institucionais e da onda rosa pregressa, al\u00e9m dos consensos mais prometidos que entregues por suas lideran\u00e7as e frentes (lembremos: as d\u00e9beis barreiras que ainda nos protegem da barb\u00e1rie).<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fazemos parte da maquinaria global que fabrica e, consequentemente, des\u00e1gua no colapso vivido, como produtores da desordem generalizada via oligop\u00f3lios virtuais e pr\u00e1ticas governamentais autorit\u00e1rias, da confus\u00e3o e do desencantamento da realidade, sabemos de que lado estamos. Como Zibechi nos lembra, assim como apontam diferentes intelectuais latino-americanos de nosso tempo, carecemos de um retorno aos cl\u00e1ssicos do pensamento social cr\u00edtico deste continente, \u00e0s suas teorias, seus argumentos, obras e reflex\u00f5es que abordam tem\u00e1ticas caras a este mundo sob uma \u00f3tica radical. Precisamos compreend\u00ea-lo uma vez mais, sim. Mas isso n\u00e3o basta.<\/p>\n<p>Se nos vemos enredados em percep\u00e7\u00f5es t\u00e3o apregoadas ao s\u00e9culo passado, nosso autor aponta para a atualidade de nosso pensamento: \u201cuma infinidade de trabalhos sobre f\u00e1bricas recuperadas, agricultura sustent\u00e1vel e familiar, sa\u00fade comunit\u00e1ria, tradicional e alternativa, educa\u00e7\u00e3o popular e universidades, incluindo alguns artigos sobre formas de poder n\u00e3o estatal nos territ\u00f3rios autogeridos pelos movimentos sociais\u201d. Novas formas de abordar, sentir e viver entre um mundo que n\u00e3o morreu e aquele que ainda n\u00e3o nasceu. Reler o mundo, reinterpret\u00e1-lo para, ent\u00e3o, produzirmos algo distinto do colapso que avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Como escreveu lindamente o uruguaio que abra\u00e7o teoricamente neste texto, se vivemos o colapso, \u00f3timo, ao menos compreendemos a sua fatalidade. Pois bem, ser\u00e1 este o nosso momento m\u00edstico: \u201colhar o horror de frente, trabalhar a dor e o medo, avan\u00e7ar de m\u00e3os dadas, para que as l\u00e1grimas n\u00e3o turvem nossa jornada\u201d.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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As Am\u00e9ricas seguem ligadas \u2013 e espoliadas \u2013 sob os fragmentos da velha ordem. Lula, Petro e Sheinbaum compreendem o momento, mas falta ousadia radical para a constru\u00e7\u00e3o de um futuro distinto<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/a-crise-do-ocidente-e-a-provocacao-de-raul-zibechi\/\">A crise do Ocidente e a provoca\u00e7\u00e3o de Raul Zibechi<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76769,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[347,1787,2687,7326,5599,1023,7248,9,7249,15021,726,37640,37641],"tags":[],"class_list":["post-76768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-colombia","category-crise-civilizatoria","category-crise-do-ocidente","category-descolonizacoes","category-donald-trump","category-esquerda-latino-americana","category-eua","category-fim-da-historia","category-governos-progressistas","category-mexico","category-prassil","category-raul-zibechi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76768"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76768\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}