{"id":76778,"date":"2026-03-04T19:02:24","date_gmt":"2026-03-04T22:02:24","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rentismo-teu-nome-e-solidao\/"},"modified":"2026-03-04T19:02:24","modified_gmt":"2026-03-04T22:02:24","slug":"rentismo-teu-nome-e-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rentismo-teu-nome-e-solidao\/","title":{"rendered":"Rentismo, teu nome \u00e9 solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"442\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/260304-SolidaoB.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/260304-SolidaoB.jpg 800w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04190206\/260304-SolidaoB-300x166.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04190206\/260304-SolidaoB-768x424.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04190206\/260304-SolidaoB-700x387.jpg 700w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/04190206\/260304-SolidaoB-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Ladislau Dowbor<\/strong><\/p>\n<p><em> Look at all the lonely people\u2026<\/em><br \/><strong>Beatles, 1966<\/strong><\/p>\n<p>T\u00edtulo original:<strong><br \/>A eros\u00e3o da sociabilidade: resgatando a colabora\u00e7\u00e3o e o conv\u00edvio<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14-1-6.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Algumas coisas v\u00e3o muito al\u00e9m da Am\u00e9rica Latina, elas nos dizem respeito como seres humanos. Certamente precisamos de uma an\u00e1lise social geral, mas como nos sentimos nesta sociedade, como indiv\u00edduos, como fam\u00edlias, como bairros ou comunidades, tamb\u00e9m \u00e9 essencial para nosso bem-estar. Isso vai muito al\u00e9m da economia e das lutas de classes. Envolve pessoas sentadas em \u00f4nibus ou no metr\u00f4, longas horas para ir a escolas ou empregos, um cen\u00e1rio desanimado de pessoas grudadas em seus smartphones. Os beneficiados nem sempre est\u00e3o melhor: filas de carros, cada um com um indiv\u00edduo impaciente e irritado com o tr\u00e2nsito. Quanta lentid\u00e3o, considerando que muitos compraram o carro entusiasmados com n\u00fameros impressionantes de velocidade que ele pode alcan\u00e7ar em segundos. Em S\u00e3o Paulo, a perda m\u00e9dia di\u00e1ria de tempo no transporte chega a 3 horas, e mais de 5 para pessoas mais pobres que vivem nas periferias. Voc\u00ea poderia estar estudando, fazendo algo \u00fatil, passando tempo com sua fam\u00edlia. Bem, o PIB sobe, ent\u00e3o temos mais carros e mais tempo desperdi\u00e7ado. A velocidade m\u00e9dia dos autom\u00f3veis em S\u00e3o Paulo caiu para 14 quil\u00f4metros por hora, e mais carros est\u00e3o chegando. Mais PIB. Uma cidade se paralisar por excesso de meios de transporte \u00e9 at\u00e9 curioso. Shanghai e Beijing t\u00eam cada uma mais de mil quil\u00f4metros de linhas de metr\u00f4. S\u00e3o Paulo tem 104.<\/p>\n<p>Isso, \u00e9 claro, \u00e9 apenas um aspecto da nossa reorganiza\u00e7\u00e3o social. Nascemos com cerca de 33 mil dias pela frente, \u00e9 o nosso capital mais precioso, o tempo das nossas vidas. O que fazemos com ele? Correndo atr\u00e1s de mais dinheiro? Pesquisas sobre como nossa qualidade de vida est\u00e1 correlacionada com nossa prosperidade financeira s\u00e3o interessantes: se voc\u00ea \u00e9 muito pobre, cada quinhentos reais a mais por m\u00eas faz uma enorme diferen\u00e7a, alimentando melhor seus filhos, melhorando sua casa e assim por diante. O dinheiro na base \u2013 a base aqui \u00e9 cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o, com enormes diferen\u00e7as entre pa\u00edses \u2013 \u00e9 radicalmente mais \u00fatil e produtivo do que o dinheiro no topo. Quando voc\u00ea alcan\u00e7a o que Tom Malleson chama de \u201cuma vida confort\u00e1vel e florescente\u201d, a felicidade depender\u00e1 n\u00e3o de mais dinheiro, mas da vida familiar, amigos, ambiente cultural, a sensa\u00e7\u00e3o de estar fazendo algo \u00fatil, o que podemos chamar de uma vida socialmente rica. O resto, passar a vida acumulando mais dinheiro, mais milh\u00f5es, hoje em dia ainda mais bilh\u00f5es, n\u00e3o tem a ver com uma vida rica, mas com ego. Muitas pessoas s\u00f3 conseguem sentir que est\u00e3o subindo se conseguirem empurrar outras pessoas para baixo ou olhar para elas de cima. Na verdade, para onde estamos indo? Nosso capital do tempo est\u00e1 voando.<\/p>\n<p>Moro em S\u00e3o Paulo, mas passei muitos anos em diferentes pa\u00edses africanos, \u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e Central, al\u00e9m de pa\u00edses ricos do que hoje chamamos de Norte Global. Na \u00c1frica, em particular, j\u00e1 morei em comunidades com casas de verdade, fam\u00edlias grandes, muitas crian\u00e7as correndo, av\u00f3s, uma tia maluca, pouca privacidade, mas gritos e risadas. Isso deu lugar a um estilo de vida individualizado, apartamentos, TVs, smartphones, laptops, talvez uma esteira, um eventual companheiro. Os casamentos no Brasil hoje duram em m\u00e9dia 14 anos, nem perto do \u201cat\u00e9 que a morte nos separe\u201d. O tecido social est\u00e1 se deteriorando? O que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9 sempre negativo, sair da pobreza \u00e9 um enorme progresso, e mulheres que estavam presas \u00e0 identidade materna r\u00edgida e \u00e0 gest\u00e3o do lar est\u00e3o encontrando novos espa\u00e7os para florescer. Al\u00e9m da abordagem do bem e do mal, parece \u00fatil ter uma vis\u00e3o geral de como a sociabilidade est\u00e1 mudando. Tend\u00eancias diversificadas, mas poderosas. Isso certamente nos diz respeito a todos na Am\u00e9rica Latina, mas vai muito al\u00e9m disso. Olhar para a vida cotidiana \u00e9 essencial. Afinal, somos pessoas sociais.<\/p>\n<p><strong>A maldi\u00e7\u00e3o da desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o fundamental da sociabilidade \u00e9 a desigualdade. A Forbes nos traz um n\u00famero b\u00e1sico: 3028 adultos, em 2024, possuem uma riqueza total de 16 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, tr\u00eas vezes mais do que a metade mais pobre da humanidade. O UBS, no Relat\u00f3rio Global de Riqueza 2025, mostra que a riqueza dos 41% dos adultos mais pobres tem apenas $2,7 trilh\u00f5es, 0,6% do total. Os 1,6% de adultos no topo da pir\u00e2mide da riqueza possuem US$226 trilh\u00f5es. Esse \u00e9 o tamanho do absurdo. N\u00e3o se pode ter uma sociedade vivendo em paz e garantir que nossos recursos sejam direcionados para o que precisamos, quando a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro no topo prevalece nesse grau. A maioria das pessoas tem dificuldade em visualizar n\u00fameros grandes, quanto mais trilh\u00f5es. Mas n\u00e3o est\u00e1 fora do alcance da raz\u00e3o: a desigualdade atual \u00e9 uma doen\u00e7a social estrutural, afetando profundamente o conv\u00edvio social.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, uma tend\u00eancia natural. O PIB mundial, o que produzimos em bens e servi\u00e7os durante 2025, \u00e9 de cerca de 115 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em valor nominal. Isso por si s\u00f3 significa que o que produzimos no mundo equivale a quase $5 mil por m\u00eas por fam\u00edlia de quatro pessoas. Na verdade, esse \u00e9 o valor nominal, mas um d\u00f3lar americano compra muito mais em tantos pa\u00edses do que nos EUA. Em d\u00f3lares de paridade de poder de compra (PPC), o que produzimos equivale a US$ 200 trilh\u00f5es, equivalente a US$ 8 mil por m\u00eas por fam\u00edlia de quatro pessoas, mais de 40 mil reais. Isso \u00e9 amplamente suficiente para assegurar uma \u201cvida confort\u00e1vel e florescente\u201d para todos, nos termos de Tom Malleson. Nosso desafio n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico, no sentido de falta de recursos: \u00e9 uma quest\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Podemos chamar isso de desafio da governan\u00e7a. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 particularmente desigual, e as ra\u00edzes desse absurdo est\u00e3o no sistema global de governan\u00e7a.<\/p>\n<p>Tomando o exemplo brasileiro, nosso PIB em paridade de poder de compra \u00e9 de 4,7 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, pr\u00f3ximo \u00e0 m\u00e9dia mundial de 8 mil d\u00f3lares por m\u00eas por fam\u00edlia de quatro membros, estamos na m\u00e9dia mundial. Muitos pa\u00edses est\u00e3o em um n\u00edvel muito mais baixo, mas o fato essencial \u00e9 que, pela primeira vez na hist\u00f3ria humana, o que produzimos no mundo \u00e9 mais do que suficiente para nossas necessidades. Claro que deveremos adaptar o que produzimos (mais produ\u00e7\u00e3o adequada \u00e0s necessidades b\u00e1sicas na base), para quem (redistribui\u00e7\u00e3o do poder de compra para os tr\u00eas quartos mais pobres da humanidade) e a que custo para o meio ambiente. \u00c9 o triplo desafio: uma sociedade economicamente vi\u00e1vel, mas tamb\u00e9m socialmente justa e ambientalmente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Tudo que temos de fazer est\u00e1 devidamente descrito, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), at\u00e9 detalhados em 169 metas. As corpora\u00e7\u00f5es est\u00e3o plenamente cientes e afirmam seguir os objetivos equivalentes ESG (Meio Ambiente, Social, Governan\u00e7a). Est\u00e1 acontecendo alguma coisa? Tivemos um confronto de interesses na COP-30 em Bel\u00e9m, em novembro de 2025. Nenhum avan\u00e7o estrutural foi alcan\u00e7ado, continuamos discutindo, mesmo com os dramas da desigualdade e desastres ecol\u00f3gicos se acelerando. O que estamos vivendo foi adequadamente chamado de cat\u00e1strofe em c\u00e2mera lenta (<em>slow-motion catastrophe<\/em>) \u00c9 precisamente isso que est\u00e1 acontecendo, enquanto temos todos os recursos financeiros necess\u00e1rios, as tecnologias, os detalhes do que fazer, al\u00e9m de todas as estat\u00edsticas sobre o drama que se desenrola. A quest\u00e3o central n\u00e3o est\u00e1 nos dramas, mas na nossa incapacidade de enfrent\u00e1-los. Governantes americanos s\u00e9rios at\u00e9 querem aprofund\u00e1-los. <em>Drill, baby, drill.<\/em><\/p>\n<p>A desigualdade \u00e9 a quest\u00e3o central para a Am\u00e9rica Latina. Isso gera algumas formas de sociabilidade rica em comunidades urbanas pobres, temos sambas, cumbias, e carnavais, mas a pobreza geral e a discrimina\u00e7\u00e3o tornam a convivialidade dif\u00edcil e as tens\u00f5es permanentes. Criamos diferentes mundos econ\u00f4micos, sociais e culturais dentro de nossos pa\u00edses e em nossas cidades, com conflitos permanentes e crescentes. A viol\u00eancia frequentemente toma conta. Os pobres n\u00e3o s\u00e3o mais apenas pobres, eles est\u00e3o ansiosos e frustrados. Atualmente, s\u00e3o pessoas informadas que sabem que poderiam ter um bom suporte de sa\u00fade e escolas melhores para seus filhos. E frequentemente tendem a votar em quem traz discursos de \u00f3dio mais fortes, expressando suas frustra\u00e7\u00f5es. Os migrantes expulsos dos EUA geram novas press\u00f5es e tamb\u00e9m atingem muitas fam\u00edlias que dependiam de transfer\u00eancias de dinheiro. No geral, a fratura social gerada pela desigualdade de riqueza e renda, tanto dentro quanto entre pa\u00edses, n\u00e3o \u00e9 apenas injusta, \u00e9 explosiva. Desigualdade econ\u00f4mica tamb\u00e9m significa fraturas sociais.<\/p>\n<p><strong>Atividades sociais: crescer<\/strong><\/p>\n<p>Na minha inf\u00e2ncia em S\u00e3o Paulo, Brasil, lembro que minha m\u00e3e ficava rouca para nos tirar da rua para almo\u00e7ar. O mundo era nosso para explorar, e identificar atr\u00e1s do que voc\u00ea tinha de correr, e do que tinha de fugir. Jonathan Haidt menciona em A gera\u00e7\u00e3o ansiosa a fragilidade social das crian\u00e7as superprotegidas se refugiando em seus smartphones, com pouca liberdade ou aprendizagem de intera\u00e7\u00e3o social. Em regi\u00f5es mais pobres, a exclus\u00e3o digital leva a gangues e viol\u00eancia nas ruas. Mas n\u00e3o \u00e9 um problema s\u00f3 para as crian\u00e7as. A vida social foi empobrecida e profundamente transformada para todos. N\u00e3o ter um smartphone hoje em dia leva \u00e0 exclus\u00e3o digital e a mais viol\u00eancia. No geral, para os jovens, mais tempo \u00e9 passado diante das telas do que em aula. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 diretamente impactada.<\/p>\n<p>Em partidas de futebol, vemos milhares de pessoas gritando, se empurrando, uma explos\u00e3o de convivialidade, a felicidade encontrada ao berrar recomenda\u00e7\u00f5es para a m\u00e3e do \u00e1rbitro. Na TV, onde a partida \u00e9 assistida por crian\u00e7as que ouvem a torcida cantando m\u00fasicas agressivas ou grosseiras, o comentarista de TV as parafraseia para garantir sua inoc\u00eancia. Bem, a explos\u00e3o no est\u00e1dio \u00e9 libertadora, mas s\u00f3 algumas horas, distantes semanas. Quando crian\u00e7a, n\u00e3o assist\u00edamos partidas, jog\u00e1vamos. E grit\u00e1vamos ou xing\u00e1vamos de maneira saud\u00e1vel. Isso \u00e9 s\u00f3 nostalgia do passado? Temos uma perda de convivialidade, e a convivialidade virtual simplesmente n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa.<\/p>\n<p>Aqui tamb\u00e9m vemos como a desigualdade afeta a inf\u00e2ncia. A Zona Leste de S\u00e3o Paulo \u00e9 chamada de periferia, mas com 4 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 maior que muitos pa\u00edses e carece de qualquer infraestrutura b\u00e1sica para convivialidade, apenas moradias lotadas e um pouco de futebol improvisado nas ruas. E gangues, claro. Vejam os estudos do Nossa S\u00e3o Paulo, ou os mapas de Alda\u00edza Sposati. No Brasil, a pol\u00edcia matou em m\u00e9dia 17 pessoas por dia em 2023. E n\u00e3o temos pena de morte. Milh\u00f5es de crian\u00e7as passam fome todos os dias, n\u00e3o poder\u00edamos pelo menos assegurar a alimenta\u00e7\u00e3o delas? Qu\u00e3o absurdo esse sistema pode ficar? Quanta luta foi necess\u00e1ria para assegurar o modesto Bolsa Fam\u00edlia! Isso vai al\u00e9m das convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, trata-se da dec\u00eancia humana. A produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria per capita de gr\u00e3os brasileira equivale a mais quatro quilos, mas est\u00e1 nas m\u00e3os dos comerciantes globais de commodities. Vai para as exporta\u00e7\u00f5es: a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro corporativo \u00e9 muito mais forte do que as necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o. Podemos ter bairros pac\u00edficos, convivialidade?<\/p>\n<p><strong>A eros\u00e3o da vida familiar<\/strong><\/p>\n<p>Outra transforma\u00e7\u00e3o central \u00e9 a estrutura familiar. Certamente varia conforme o pa\u00eds ou a comunidade, mas, no geral, esse elemento-chave da organiza\u00e7\u00e3o social mudou. Aqui na figura abaixo vemos o exemplo americano: entre 1960 e 2023, o que era o modelo de estilo de vida americano, um casal com filhos (se poss\u00edvel, com TV, carro, gramado e churrasco) foi reduzido de 44,2% das fam\u00edlias para 17,9%. Pol\u00edticos ainda continuam se referindo \u00e0s fam\u00edlias como o fundamento sagrado da sociedade, assim como os pastores da igreja, mas \u00e9 melhor eles se informarem. Na verdade, as pessoas que moravam sozinhas representavam 13,1% dos domic\u00edlios em 1960, enquanto atualmente representam 29,0%. Isso \u00e9 uma profunda fratura da sociedade. Se adicionarmos casais casados sem filhos, isso significa que \u201c58,4% dos domic\u00edlios americanos agora s\u00e3o compostos por adultos casados ou solteiros sem filhos\u201d, conforme comentado no gr\u00e1fico. Tamb\u00e9m temos parceiros solteiros e pais solteiros. A quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 apenas a perda das ruas e da convivialidade comunit\u00e1ria, e a obsess\u00e3o por smartphones, mas tamb\u00e9m a desagrega\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p><strong>ENTRA GR\u00c1FICO 1<\/strong><\/p>\n<p>Source: Visual Capitalist \u2013 November 2024 \u2013 US Households<\/p>\n<p>Esse n\u00famero mostra os EUA, mas na Am\u00e9rica Latina estamos vivendo a mesma tend\u00eancia, e \u00e9 \u00fatil ter essa refer\u00eancia. No Brasil, de acordo com o Censo de 2022, cerca de 13,6 milh\u00f5es vivem sozinhos, representando 19% dos domic\u00edlios. A propor\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo rapidamente, com o n\u00famero de domic\u00edlios unipessoais saltando de 12,2% em 2012 para 18,6% em 2024. O envelhecimento e a taxa de separa\u00e7\u00f5es desempenham um papel importante. Em 2022, 11 milh\u00f5es de mulheres criam seus filhos sozinhas, o que j\u00e1 \u00e9 chamado de monoparentalidade feminina, com quase metade das m\u00e3es criando seus filhos sem o pai e enfrentando desafios financeiros e emocionais. De acordo com o censo de 2022, 5,6 milh\u00f5es de pessoas com mais de 60 anos vivem sozinhas, e com o tempo de vida mais longo, isso causa situa\u00e7\u00f5es preocupantes, pobreza, solid\u00e3o e abandono.<\/p>\n<p><strong>ENTRA GR\u00c1FICO 2<\/strong><\/p>\n<p>Economist, November 8, 2025 \u2013 Online<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 forte e diz respeito a muitos pa\u00edses diferentes, como visto no gr\u00e1fico acima. Tamb\u00e9m \u00e9 impressionante que pa\u00edses mais ricos tenham mais pessoas vivendo sozinhas. Estamos construindo elites mais ricas, em termos de dinheiro, mas n\u00e3o sociedades mais ricas, em termos de convivialidade e enriquecimento cultural. As novas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis a essa mudan\u00e7a na estrutura familiar. A figura abaixo apresenta dados at\u00e9 2005, mas a tend\u00eancia fica evidente. No Brasil, a porcentagem de crian\u00e7as de 0 a 14 anos vivendo apenas com m\u00e3es em \u00e1reas urbanas aumentou de 19,3% para 26,6% durante o per\u00edodo de 1995 a 2005. A tend\u00eancia \u00e9 forte em praticamente todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>ENTRA GR\u00c1FICO 3<\/strong><\/p>\n<p>Source: Informe Regional de Desarrollo Humano 2013-2014, PNUD, <em>Rseguridad Ciudadana com Rostro Humano<\/em> p.24<\/p>\n<p>Segundo <em>The Economist<\/em>, \u201cpessoas em todo o mundo rico vivem e comem cada vez mais sozinhas. A parcela de domic\u00edlios com pessoas sozinhas (single households) no mundo deve aumentar de 28% em 2018 para 35% at\u00e9 2050, segundo a ONU. Como resultado, mais pessoas agora comem e relaxam em frente \u00e0s telas.\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Se considerarmos o n\u00edvel de urbaniza\u00e7\u00e3o (87% no Brasil), a divis\u00e3o de espa\u00e7o entre bairros ricos e pobres, a eros\u00e3o da vida familiar, a aus\u00eancia de infraestrutura b\u00e1sica de convivialidade nas partes mais pobres, a falta de recursos, tanto monet\u00e1rios quanto de servi\u00e7os sociais, isso \u00e9 simplesmente insustent\u00e1vel. Considerando a capacidade de produ\u00e7\u00e3o global e o desperd\u00edcio gerado em geral, isso \u00e9 simplesmente absurdo. Incompet\u00eancia sist\u00eamica. M\u00e3o invis\u00edvel? Qual \u00e9 o limite da ignor\u00e2ncia?<\/p>\n<p><strong>As fraturas intergeracionais<\/strong><\/p>\n<p>De outro ponto de vista, o v\u00ednculo colaborativo intergeracional foi em grande parte rompido. Nas fam\u00edlias tradicionais, por milhares de anos, ter filhos significava que, quando os pais eram mais velhos e n\u00e3o estavam mais aptos para trabalhar, os filhos que se tornaram adultos cuidavam deles, enquanto geravam novos filhos. Assim, o equil\u00edbrio entre a idade adulta produtiva e o tempo tanto dos filhos dependentes quanto dos idosos foi garantido em uma cadeia de solidariedade intergeracional. O que acontece quando temos a maioria adulta sem filhos que vimos acima?<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses n\u00f3rdicos, por meio do apoio a pol\u00edticas sociais p\u00fablicas, casas de repouso decentes e assist\u00eancia m\u00e9dica gratuita para a popula\u00e7\u00e3o idosa, o que as fam\u00edlias costumavam oferecer agora \u00e9 garantido em uma escala mais ampla. Nos pequenos apartamentos de fam\u00edlias nucleares, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para av\u00f3s, mas pelo menos h\u00e1 apoio p\u00fablico. Em pa\u00edses como os EUA, mas especialmente no Brasil, para os idosos, h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o do apoio familiar e pouca pol\u00edtica social. E casas de repouso privadas s\u00e3o dramaticamente caras e mal administradas. A ansiedade sobre nosso futuro como pessoas mais velhas j\u00e1 \u00e9 sentida na meia-idade da vida. Precisamos disso? Casas de repouso se tornaram uma ind\u00fastria, um novo modo de explora\u00e7\u00e3o, como vimos com tantos esc\u00e2ndalos. Eles fazem bons investimentos financeiros, mas colocar pessoas mais velhas em uma esp\u00e9cie de sala de espera, com algumas visitas peri\u00f3dicas da fam\u00edlia, \u00e9, no m\u00ednimo, preocupante. Convivialidade? A convivialidade \u00e9 essencial. O abandono dos idosos de poucos recursos \u00e9 um esc\u00e2ndalo. Pol\u00edticas sociais s\u00e3o simplesmente necess\u00e1rias. Austeridade para quem? Leiam Clara Mattei.<\/p>\n<p><strong>Ambiente de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais tend\u00eancias de eros\u00e3o dos v\u00ednculos sociais. O espa\u00e7o de trabalho era uma \u00e1rea essencial de convivialidade. Todos n\u00f3s j\u00e1 vimos os tradicionais campos de arroz na \u00c1sia, com filas de mulheres cantando enquanto transplantam juntas os brotos. No ambiente industrial, grandes grupos de trabalhadores sentiam que tinham desafios comuns, se organizavam em sindicatos, se sentiam presos a lutas semelhantes e tinham muitos contatos. No ambiente atual dominado pela tecnologia e algoritmos, o esp\u00edrito de solidariedade da classe trabalhadora perdeu grande parte de sua for\u00e7a; \u00e9 frequentemente cada um por si. \u00c9 diferente em muitos ambientes de trabalho, claro, mas, no geral, a sensa\u00e7\u00e3o de que voc\u00ea est\u00e1 colaborando para algo \u00fatil, construindo um futuro para si mesmo, mas tamb\u00e9m contribuindo para uma tarefa colaborativa comum, perdeu muita for\u00e7a. A fragmenta\u00e7\u00e3o social do espa\u00e7o de trabalho, especialmente com o trabalho isolado em computadores, est\u00e1 se aprofundando. O ambiente de trabalho baseado na competi\u00e7\u00e3o em tantas corpora\u00e7\u00f5es que adotaram o sistema doentio de Jack Welch \u00e9 caracter\u00edstico.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Os tempos do Uber n\u00e3o s\u00e3o socialmente enriquecedores. A iFood n\u00e3o \u00e9 melhor, seja para os motoboys ou para quem espera uma pizza ser entregue em vez de sair para comer com amigos. Com o sentimento crescente de solid\u00e3o ou isolamento em diferentes lares, cidades ou ambientes de trabalho, muitas pessoas buscam ref\u00fagio nas m\u00faltiplas igrejas locais onde \u2014 ao contr\u00e1rio da tradicional concentra\u00e7\u00e3o espiritual cat\u00f3lica silenciosa em grandes edifica\u00e7\u00f5es \u2014 podem dan\u00e7ar, cantar, gritar, ser instru\u00eddas em como devem levar suas vidas, como se tornar\u00e3o ricas se Deus as ajudar, E, enquanto isso, contribuem financeiramente para a vida de tantos pastores. Em vez de uma quest\u00e3o de divindade, trata-se do calor humano. Elas podem sentir que pertencem a um grupo social, que afinal h\u00e1 algum significado. Mas certamente estamos longe de um sentimento de solidariedade comunit\u00e1ria de construir nosso futuro juntos, e sim um ajeitamento tempor\u00e1rio. Pode ajudar t\u00e3o bem com o estresse geral que atualmente temos pastores bilion\u00e1rios. Deus pode realmente ser generoso.<\/p>\n<p><strong>Convivialidade urbana<\/strong><\/p>\n<p>Um fator importante \u00e9 que a organiza\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 muito mais centrada na regula\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito do que na gera\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de convivialidade. Uma cidade como Toronto oferece muitos espa\u00e7os p\u00fablicos verdes, com jogos de boliche para idosos e piscinas escolares abertas para toda a comunidade. J\u00e1 vi pegadas de crian\u00e7as pintadas nas cal\u00e7adas de cidades italianas, espa\u00e7os protegidos para crian\u00e7as caminharem com seguran\u00e7a, sentindo que \u00e9 a cidade delas, e tamb\u00e9m se sentem em casa nos espa\u00e7os p\u00fablicos. Em Lausanne, a prefeitura treinou estudantes para cuidarem dos idosos de seu bairro ou do seu pr\u00e9dio, com um sal\u00e1rio pequeno e no tempo livre, em vez de depender de mais asilos. Contribui para a solidariedade local e amizades entre gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Brasil, Celio Turino organizou uma rede de <em>pontos de cultura<\/em>, com apoio p\u00fablico para jovens que desejam desenvolver atividades art\u00edsticas. Milhares surgiram, e a intera\u00e7\u00e3o online ajudou a estimular a criatividade em vez de depender das redes sociais globais e passivas. Em uma experi\u00eancia no bairro de S\u00e3o Paulo chamado Casa Verde (com 86.000 moradores), criamos uma plataforma colaborativa local que estimula intera\u00e7\u00f5es online dentro da comunidade, pequenos neg\u00f3cios e atividades culturais. Em vez de manipula\u00e7\u00e3o global, podemos controlar as novas tecnologias na base. As cooperativas de plataforma est\u00e3o crescendo em muitos pa\u00edses. Os exemplos s\u00e3o abundantes, as pessoas est\u00e3o descobrindo que, em vez de lutar por \u201ccurtidas\u201d nas redes sociais globais, voc\u00ea pode criar redes colaborativas locais que refor\u00e7am a intera\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias t\u00eam um enorme espa\u00e7o para florescer, por exemplo com plataformas cooperativas.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es nesse ambiente fragmentado s\u00e3o extremamente diversificadas; por exemplo, condom\u00ednios fechados est\u00e3o se multiplicando, espa\u00e7os isolados de luxo com regras r\u00edgidas e sentimentos absurdos de pertencimento \u00e0s elites. Em distritos pobres, as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o radicalmente diferentes, e a desigualdade tornou-se uma causa essencial da divis\u00e3o econ\u00f4mica e cultural, marcada por tens\u00f5es e viol\u00eancia. Estudos sobre Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, de Bruno Manso \u2014 <em>A F\u00e9 e o Fuzil <\/em>\u2014 mostram como, na aus\u00eancia de uma convivialidade saud\u00e1vel e das infraestruturas necess\u00e1rias, um ambiente destrutivo surgiu, juntando-se a mil\u00edcias ilegais, a pol\u00edcia, gangues de tr\u00e1fico de drogas, igrejas neopentecostais e pol\u00edtica populista, formando um ambiente social opressor.<sup>4<\/sup> Os fanatismos pol\u00edticos navegam com conforto nestes ambientes. Trump, Milei e tantos outros\u2026<\/p>\n<p><strong>A ind\u00fastria de aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A eros\u00e3o da vida familiar tradicional tem impactos \u00f3bvios na nova gera\u00e7\u00e3o: crian\u00e7as solit\u00e1rias, com pais ausentes no trabalho, nunca ter espa\u00e7o livre e seguro para circular, escolhas individualizadas, ser constantemente orientado sobre o que fazer e como se comportar, seja na escola ou nos diferentes suplementos em aulas especializadas, ou<\/p>\n<p>analistas iniciais. No tempo livre restante, ficam grudadas no smartphone, tentando conseguir o m\u00e1ximo de \u201ccurtidas\u201d poss\u00edvel, ansiosas com respostas negativas ou cr\u00edticas. E recebem toda a pornografia que quiserem: o smartphone n\u00e3o \u00e9 um bairro, uma rua com amigos. Haidt, como visto, escreve extensivamente sobre como isso criou a <em>Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa<\/em>. Para as crian\u00e7as, n\u00e3o \u00e9 mais o colo do vov\u00f4 e o questionamento curioso sobre o passado.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Max Fisher, em The Chaos Machine<sup>6<\/sup>, explica como n\u00e3o existe livre circula\u00e7\u00e3o na internet; \u00e9 baseada em algoritmos que maximizam a aten\u00e7\u00e3o. Na TV, pulando pelos canais de filmes, praticamente todos me alertam sobre conte\u00fado: sexo, drogas, viol\u00eancia. Isso chama mais aten\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 isso que Hollywood nos alimenta, com sexo, brigas e carros acelerados. \u00c9 a ind\u00fastria da aten\u00e7\u00e3o, seus custos est\u00e3o na maximiza\u00e7\u00e3o de visualiza\u00e7\u00e3o e nos pre\u00e7os que pagamos ao fazer compras. Mais de 10% do que pagamos nas lojas vai para o ramo de marketing: pagamos para atrapalhar nosso tempo livre, e eles repetem que est\u00e3o \u201cnos oferecendo\u201d o programa. Os bilh\u00f5es que as redes sociais est\u00e3o lucrando s\u00e3o extra\u00eddos por meio da publicidade, mais de 70% para o Google, 98% para o Facebook. Como os lucros obtidos com a publicidade dependem do \u201cengajamento\u201d, tempo de aten\u00e7\u00e3o por parte de milh\u00f5es de usu\u00e1rios ativos di\u00e1rios (mDAUs), busca-se maximizar a aten\u00e7\u00e3o, seja por viol\u00eancia, discursos de \u00f3dio, sexo ou pornografia pura. Tamb\u00e9m nos fazem comprar besteiras, mas \u00e9 essencial entender que se apropriam do tempo consciente da nossa vida, da nossa aten\u00e7\u00e3o, do tempo das nossas vidas. Antigamente um vendedor tocava a campainha das casas. Hoje invade nossa aten\u00e7\u00e3o em perman\u00eancia. Para os algoritmos que mandam mensagens aos bilh\u00f5es, a nossa vida \u00e9 \u201cspam\u201d.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 para o mundo online. Mas o fato \u00e9 que a divis\u00e3o digital se tornou um fator importante de exclus\u00e3o, assim como o analfabetismo foi h\u00e1 algum tempo (e frequentemente ainda \u00e9). O resultado \u00e9 que comunidades mais pobres ou se sentem exclu\u00eddas ou t\u00eam acesso muito reduzido \u00e0 inclus\u00e3o digital plena. O roubo de celulares tornou-se uma ind\u00fastria, aumentando o medo e a inseguran\u00e7a. Mas a quest\u00e3o principal \u00e9 o conte\u00fado, a invas\u00e3o de tanto lixo, assim como o isolamento de bilh\u00f5es de pessoas grudadas em suas telas. As pinturas de Edward Hopper seriam apenas um pref\u00e1cio do que realmente est\u00e1 acontecendo. Tamb\u00e9m tivemos <em>A solid\u00e3o do corredor de longa dist\u00e2ncia<\/em>, um belo filme de 1962, espiando o futuro. Bem, tenho 85 anos, n\u00e3o \u00e9 apenas saudade do passado, \u00e9 uma vis\u00e3o de longo prazo sobre as mudan\u00e7as estruturais que enfrentamos: nasci antes da TV, quando o mundo estava ocupado em destrui\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o urbano e reorganiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de se as tend\u00eancias s\u00e3o boas ou ruins, mas sim de entender a profundidade da mudan\u00e7a estrutural e aproveitar novas oportunidades. Estamos conectados pela internet, e essa nova conectividade abre capacidades criativas de colabora\u00e7\u00e3o. Para as mulheres, em particular, as oportunidades cresceram muito al\u00e9m da maternidade, e a mudan\u00e7a na estrutura familiar vista acima certamente est\u00e1 ligada \u00e0 tecnologia contraceptiva, mas tamb\u00e9m \u00e0 mudan\u00e7a geral na estrutura social. A sociabilidade pode ser reconstru\u00edda de novas maneiras, por meio de pol\u00edticas urbanas, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e expans\u00e3o das atividades culturais, inclus\u00e3o digital, entre outros. Tamb\u00e9m significa que reorientamos a l\u00f3gica geral de nossas economias, desde a maximiza\u00e7\u00e3o de renda para o topo da pir\u00e2mide social at\u00e9 iniciativas colaborativas centradas em resid\u00eancias, comunidades, uso inteligente da conectividade online, bem como uma vida cultural mais rica. N\u00e3o se trata apenas do crescimento do PIB, mas da qualidade de vida e do bem-estar social.<\/p>\n<p><strong>ENTRA GR\u00c1FICO 4<\/strong><\/p>\n<p>Source: An alternative age-friendly handbook \u2013 University of Manchester, 2014 \u2013 http:\/\/www.cpa.org.uk\/cpa-lga-evidence\/Manchester-Age_Friendly_Neighbourhoods\/Handler%282014%29-An_Alternative_Age-Friendly_Handbook-Large_print_version.pdf<\/p>\n<p>A urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o central. \u00c9 impressionante que estejamos muito mais pr\u00f3ximos uns dos outros, frequentemente encavalados, mas muito mais isolados. A figura acima mostra a Am\u00e9rica Latina e o Caribe com 77,4% de popula\u00e7\u00e3o urbana, e uma proje\u00e7\u00e3o de 84,3% para 2030. O documento completo apresenta tamb\u00e9m os desafios do crescimento das popula\u00e7\u00f5es envelhecidas nos bairros.<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Com o que produzimos hoje e as tecnologias que temos, n\u00e3o se trata de n\u00e3o ter os meios, mas sim de reorganiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Repetir que <em>The business of business is business<\/em>, portanto absolver interesses econ\u00f4micos das consequ\u00eancias sociais e ambientais, ou a recusa machista da assist\u00eancia social como um \u201cEstado bab\u00e1\u201d, <em>nanny state <\/em>\u2014 tudo isso \u00e9 simplesmente est\u00fapido. Ter uma vida digna pode ser assegurado a todos, n\u00e3o \u00e9 guerra por vantagens, \u00e9 solidariedade humana e intelig\u00eancia elementar.<\/p>\n<p>Aumentar o prazer de viver para todos, \u00e9 disso que se trata. O <em>Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade<\/em> de 2017 comenta: \u201cO paradoxo central da economia americana moderna, conforme identificado por Richard Easterlin (2016), \u00e9 este: a renda per pessoa aumentou cerca de tr\u00eas vezes desde 1960, mas a felicidade medida n\u00e3o aumentou. A situa\u00e7\u00e3o piorou nos \u00faltimos anos: o PIB per capita continua subindo, mas a felicidade agora est\u00e1 realmente caindo.\u201d<sup>8<\/sup> (181)<\/p>\n<p><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Digital: do controle global \u00e0 livre colabora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o digital que enfrentamos est\u00e1 redesenhando a sociabilidade, e temos isso em comum com a humanidade em geral. Inicialmente vista como uma imensa oportunidade para comunica\u00e7\u00e3o livre e inteligente, ela foi apropriada por gigantes da alta tecnologia com conte\u00fado invasivo baseado na apropria\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es privadas e marketing comportamental. Tornou-se um sistema em escala mundial, levando ao que Shoshana Zuboff chamou de <em>A Era do Capitalismo da Vigil\u00e2ncia<\/em>.<sup>9<\/sup> Como vemos na figura abaixo, seu valor ultrapassa US$15 trilh\u00f5es, sete vezes o PIB do Brasil, e se acelera em um ritmo impressionante. Mas, mais importante ainda, o alcance deles \u00e9 global, com restri\u00e7\u00f5es, por exemplo, na China, mas na Am\u00e9rica Latina e em outras partes do mundo precisamos us\u00e1-las. Isso se chama monop\u00f3lio de demanda, para comunicar eu preciso usar o que os outros est\u00e3o usando. O imp\u00e9rio est\u00e1 no nosso bolso.<\/p>\n<p><strong>ENTRA GR\u00c1FICO 5<\/strong><\/p>\n<p>Source: https:\/\/www.visualcapitalist.com\/cp\/charted-the-surging-value-of-magnificent-seven-2000-2024\/<\/p>\n<p>Com a atual revolu\u00e7\u00e3o da IA, a computa\u00e7\u00e3o em nuvem e os data-centers nas m\u00e3os deste mundo corporativo global, o pr\u00f3prio conceito de soberania est\u00e1 sendo substitu\u00eddo. S\u00e3o sete gigantes planet\u00e1rios. Podemos adicionar Palantir como um elo importante entre o mundo da informa\u00e7\u00e3o e os sistemas de seguran\u00e7a e militares americanos. A decis\u00e3o do governo Trump em 2025 de reinstalar a Doutrina Monroe, permitindo interven\u00e7\u00e3o direta na Am\u00e9rica Latina, mostra a dimens\u00e3o dos desafios. No \u00e2mbito nacional brasileiro, o <em>Plano Brasileiro de Intelig\u00eancia Artificial<\/em> (2025), projetado para que a IA sirva ao bem comum, busca criar \u201cum ecossistema de IA que seja respons\u00e1vel, inclusivo e sustent\u00e1vel, colocando o bem-estar humano e o desenvolvimento nacional no centro de suas prioridades \u2013 servindo de exemplo para o mundo.\u201d<sup>10<\/sup> (46)<\/p>\n<p>O presidente Lula ressaltou a necessidade de desenvolver e adotar uma tecnologia que melhore a vida dos cidad\u00e3os brasileiros, baseada em princ\u00edpios \u00e9ticos e n\u00e3o discriminat\u00f3rios, servindo de exemplo para o mundo. Em suas palavras, \u201cuma intelig\u00eancia artificial para ajudar na sa\u00fade, para ajudar a cuidar dos pobres, para melhorar a descarboniza\u00e7\u00e3o do planeta Terra, e n\u00e3o uma intelig\u00eancia artificial para contar not\u00edcias falsas todos os dias aos ouvidos e olhos de bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de seres humanos.\u201d (13) Isso envolve \u201cdesenvolver novos modelos regulat\u00f3rios e organizacionais, e estabelecer parcerias internacionais estrat\u00e9gicas.\u201d (20) O objetivo geral \u00e9 garantir que a fun\u00e7\u00e3o social da revolu\u00e7\u00e3o digital seja resgatada. Entre as<\/p>\n<p>oportunidades, o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es de IA para problemas locais: a capacidade de criar solu\u00e7\u00f5es adaptadas \u00e0s necessidades espec\u00edficas do Brasil pode gerar inova\u00e7\u00f5es relevantes para outros pa\u00edses em desenvolvimento. Na verdade, a mesma tecnologia que tem sido amplamente usada para manipula\u00e7\u00e3o pode promover inclus\u00e3o social, reduzir desigualdades e garantir conex\u00f5es mais profundas entre comunidades. A IA, levando em considera\u00e7\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es originais, tamb\u00e9m est\u00e1 sendo constru\u00edda e pode ser libertadora.<\/p>\n<p>Sociabilidade \u00e9 muito mais do que romper o isolamento social e a fragmenta\u00e7\u00e3o gerados pela ind\u00fastria da aten\u00e7\u00e3o que vimos acima, trata-se de reconstruir o tecido social, unir pessoas, como eram os primeiros sonhos de conectividade e livre circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o \u00e9 apenas sobre Brasil e Am\u00e9rica Latina, \u00e9 sobre todo o mundo em desenvolvimento, e os Brics certamente ter\u00e3o um papel importante a desempenhar. A revolu\u00e7\u00e3o digital exige novas formas de organiza\u00e7\u00e3o e apresenta enormes oportunidades.<sup>11<\/sup> As plataformas colaborativas locais constituem um imenso potencial subutilizado.<\/p>\n<p><strong>Sociedade do conhecimento: meios de produ\u00e7\u00e3o ao nosso alcance<\/strong><\/p>\n<p>Mustafa Suleyman, em seu livro <em>A pr\u00f3xima onda<\/em>, (2023), resume claramente as imensas oportunidades que surgem com o acesso ao conhecimento em suas diversas dimens\u00f5es: \u201cA soma de milhares de anos de erudi\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 dispon\u00edvel com o toque de um bot\u00e3o.\u201d<sup>12<\/sup> (152) No capitalismo industrial, os humanos controlavam as m\u00e1quinas. Com a revolu\u00e7\u00e3o digital, os humanos controlam os sistemas que controlam as m\u00e1quinas. A ci\u00eancia tornou-se o principal fator de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 imaterial, e uma vez que cobrimos os custos da inova\u00e7\u00e3o, ela pode ser socializada em todo o mundo sem custo adicional, no que Jeremy Rifkin chamou de Sociedade de Custo Marginal Zero.<sup>13<\/sup> (2015). Por exemplo, podemos garantir acesso online a tantas tecnologias para centenas de milh\u00f5es de unidades de agricultura familiar ao redor do mundo.<sup>14<\/sup> Mais m\u00e1quinas significam custos altos, conhecimento \u00e9 um bem comum.<\/p>\n<p>Mas conter o acesso ao conhecimento tornou-se uma ferramenta importante de apropria\u00e7\u00e3o de valor. \u201cA onda que vem vai cair em um ambiente inflam\u00e1vel, incompetente e exagerado. Isso torna o desafio da conten\u00e7\u00e3o \u2013 de controlar e direcionar tecnologias para que sejam ben\u00e9ficas para a humanidade \u2013 ainda mais assustador\u2026 Catalisador chave de instabilidade e ressentimento social, a desigualdade aumentou em na\u00e7\u00f5es ocidentais nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e em nenhum lugar mais do que nos Estados Unidos. Entre 1980 e 2021, a parcela da renda nacional obtida pelo 1% mais rico quase dobrou e agora est\u00e1 pouco abaixo de 50%. A riqueza est\u00e1 cada vez mais concentrada em um pequeno grupo.\u201d (Suleyman, p.153)<\/p>\n<p>Podemos entender a propriedade privada de meios de produ\u00e7\u00e3o como m\u00e1quinas, mas restringir o acesso ao conhecimento e \u00e0 ci\u00eancia em geral \u00e9 absurdo. A competi\u00e7\u00e3o foi a principal base organizacional do capitalismo industrial, mas a produtividade na sociedade do conhecimento \u00e9 maximizada por meio da colabora\u00e7\u00e3o. Elinor Ostrom e Charlotte Hess estavam certas, chamaram isso <em>Understanding Knowledge<\/em> as a Commons, entender o conhecimento como bem comum.<sup>15<\/sup> (2007) A colabora\u00e7\u00e3o gera um tipo diferente de sociabilidade, n\u00e3o a guerra de todos contra todos que enfrentamos. O controle do acesso ao conhecimento, por meio dessa selva de patentes, direitos autorais e royalties, n\u00e3o estimula a inova\u00e7\u00e3o, mas gera rentismo improdutivo. O comportamento da Big Pharma \u00e9 s\u00f3 um exemplo. A colabora\u00e7\u00e3o em vez da gan\u00e2ncia durante a pandemia de Covid poderia ter salvado milh\u00f5es de vidas. Repetindo: na era do conhecimento, a colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais produtiva do que a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Plataformas de colabora\u00e7\u00e3o: restaura\u00e7\u00e3o da sociabilidade produtiva<\/strong><\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o enormes, mas as oportunidades tamb\u00e9m. Em todo o mundo, novas formas de organiza\u00e7\u00e3o social e colabora\u00e7\u00e3o est\u00e3o surgindo. Trebor Scholtz, em <em>Own This: how platform cooperatives help workers building a democratic internet<\/em>,<sup>16<\/sup> nos traz uma vis\u00e3o geral de como a conectividade \u00e9 reconstru\u00edda por meio das plataformas cooperativas, com um grande n\u00famero de exemplos.<\/p>\n<p>A for\u00e7a do livro de Scholtz \u00e9 apresentar como o \u201csinal\u201d desse universo tecnol\u00f3gico pode ser invertido, do negativo para o positivo, precisamente por meio de sua apropria\u00e7\u00e3o na base da sociedade. Muitas cidades est\u00e3o gerando sistemas colaborativos de gest\u00e3o em rede, apropriando-se dos mecanismos de gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o (soberania de dados) e colocando o sistema a servi\u00e7o da comunidade. Isso gera o que o autor chama de cidades inteligentes, baseadas em princ\u00edpios cooperativos digitais. (168) Devemos repensar de forma mais ampla o processo de tomada de decis\u00e3o que nos governa. \u201cO Estado-na\u00e7\u00e3o individual \u00e9 grande demais para garantir um envolvimento significativo, mas pequeno demais para lidar com quest\u00f5es globais. Nesse sentido, a Alian\u00e7a das Cidades Rebeldes emergiu como um movimento progressista de cidades e munic\u00edpios, incluindo Kerala na \u00cdndia, Emilia-Romania na It\u00e1lia, a regi\u00e3o basca aut\u00f4noma e Catalunha na Espanha, Nova York e Calif\u00f3rnia.\u201d (169)<\/p>\n<p>Essa alian\u00e7a, segundo o autor, \u201cvisa expandir e fortalecer o movimento, fomentando redes entre seus membros. Essas redes facilitam a troca de dados, kits de ferramentas e modelos financeiros que podem ser usados entre as cidades. Eles tamb\u00e9m permitem que os munic\u00edpios comuniquem sucessos pol\u00edticos entre fronteiras, colaborem em avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e aproveitem o imenso potencial de seus esfor\u00e7os coletivos. Essas colabora\u00e7\u00f5es resultaram na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que d\u00e3o prefer\u00eancia \u00e0s empresas de propriedade dos trabalhadores na licita\u00e7\u00e3o por meio de mandatos de compras.\u201d (169) Trata-se, na verdade, de \u201caproveitar as oportunidades e desafios \u00fanicos da era digital.\u201d (7)<\/p>\n<p>Na verdade, tudo isso \u00e9 sobre recuperar o imenso potencial das novas tecnologias, que certamente provaram o qu\u00e3o perigosas elas podem ser \u2013 <em>A pr\u00f3xima onda<\/em>, de Mustafa Suleyman, \u00e9 abundante em exemplos \u2013 mas podem ser \u00fateis para reconstruir nosso tecido social. N\u00e3o \u00e9 a tecnologia que \u00e9 ruim, \u00e9 a falta de intelig\u00eancia natural que nos amea\u00e7a. Voc\u00ea n\u00e3o pode regular a IA e a conectividade global dependendo de \u201cmercados livres\u201d e \u201ca m\u00e3o invis\u00edvel\u201d: precisamos de novos arranjos institucionais. J\u00e1 foi recomendado a Elon Musk que sim, que v\u00e1 para Marte, e fique.<\/p>\n<p><strong>Restaura\u00e7\u00e3o da sociabilidade no desenvolvimento local: uma plataforma colaborativa<\/strong><\/p>\n<p>Um exemplo rico do poder das plataformas de colabora\u00e7\u00e3o foi constru\u00eddo em tr\u00eas bairros de S\u00e3o Paulo, envolvendo cerca de 300 mil habitantes. O Taqui, como \u00e9 chamado, \u00e9 mais do que um mercado: \u00e9 uma infraestrutura social digital que complementa a infraestrutura f\u00edsica do futuro novo Polo, projetado como ponto de encontro para treinamento, cultura, esporte e atividades de lazer. A plataforma digital, projetada para fortalecer a rede e o capital social, transforma a tecnologia em uma ferramenta ativa para a coes\u00e3o social e o desenvolvimento local sustent\u00e1vel.<sup>17<\/sup><\/p>\n<p>Ao digitalizar o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os por meio de uma plataforma local, a Taqui constr\u00f3i um ecossistema econ\u00f4mico mais robusto e interconectado, fortalecendo a sociabilidade econ\u00f4mica dentro do territ\u00f3rio. Al\u00e9m disso, a plataforma ser\u00e1 aprimorada com Intelig\u00eancia Artificial Generativa e um sistema local de busca de emprego, que visa encontrar vagas pr\u00f3ximas \u00e0s resid\u00eancias dos moradores, enfrentando o problema cr\u00f4nico dos longos deslocamentos na periferia de S\u00e3o Paulo. Reduzir o tempo gasto em transporte significa aumentar o tempo dispon\u00edvel para a vida comunit\u00e1ria, fam\u00edlia e lazer, consolidando a sociabilidade al\u00e9m do trabalho.<\/p>\n<p>A sustentabilidade econ\u00f4mica em territ\u00f3rios vulner\u00e1veis, como as periferias da Zona Norte de S\u00e3o Paulo (Casa Verde, Lim\u00e3o e Cachoeirinha), depende n\u00e3o apenas da inje\u00e7\u00e3o de capital, mas fundamentalmente da reconstitui\u00e7\u00e3o e fortalecimento do tecido social e da sinergia entre os atores locais. Esse foco na coes\u00e3o social e sociabilidade \u00e9 o catalisador que transforma investimentos em impacto duradouro. O projeto Instituto Wizion demonstra como a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, incorporada pela plataforma colaborativa Taqui pode ser a chave para restaurar essa sociabilidade, fomentar o empreendedorismo e melhorar a qualidade de vida.<\/p>\n<p>O ponto de partida para restaurar a sociabilidade foi a organiza\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o. Desde 2019, o Nosso N\u00facleo trabalha para conectar l\u00edderes locais e organiza\u00e7\u00f5es que antes atuavam isoladamente, buscando construir uma vis\u00e3o compartilhada para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Quando a pandemia de COVID-19 surgiu em 2020, a mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria enfrentou um desafio sem precedentes de isolamento. Foi nesse momento cr\u00edtico que a Taqui, uma startup parceira da universidade USP, desempenhou um papel essencial. Ao construir rapidamente uma sala virtual com salas de grupo, um recurso indispon\u00edvel em outras plataformas comerciais na \u00e9poca, a Taqui garantiu que os l\u00edderes pudessem continuar se reunindo e trabalhando juntos remotamente e com seguran\u00e7a, mantendo a mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria viva. A primeira entrega tecnol\u00f3gica ao territ\u00f3rio foi, portanto, um instrumento para preservar a sociabilidade organizacional.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o e empoderamento de comunidades<\/strong><\/p>\n<p>Por toda a Am\u00e9rica Latina temos desafios comuns, como profunda desigualdade, desafios ambientais, a press\u00e3o do Norte Global para nos manter dependentes da economia de commodities, corpora\u00e7\u00f5es de alta tecnologia controlando tantas \u00e1reas, o poder da gest\u00e3o de ativos e finan\u00e7as, crescentes press\u00f5es militares, a eros\u00e3o da soberania. A crescente desigualdade e o caos pol\u00edtico nos Estados Unidos s\u00e3o uma amea\u00e7a direta \u00e0s nossas pr\u00f3prias democracias.<sup>18<\/sup> Organizar-se, ou seja, enraizar nossas democracias mais firmemente na organiza\u00e7\u00e3o social em n\u00edvel comunit\u00e1rio, tornou-se essencial.<\/p>\n<p>Sociabilidade certamente \u00e9 sobre como vivemos como indiv\u00edduos, como nos relacionamos com a fam\u00edlia, com os vizinhos, mas tamb\u00e9m sobre como organizamos os lugares onde trabalhamos, como gerenciamos o dinheiro (bancos de desenvolvimento comunit\u00e1rio), como organizamos o espa\u00e7o urbano. O que tento trazer aqui \u00e9 que nossa riqueza atual, em vez de servir aos rentistas, pode ser usada para o que precisamos, e que as novas tecnologias, em vez de apenas nos manipular, podem abrir um espa\u00e7o imenso para que nos organizemos nas diferentes dimens\u00f5es da vida social. E n\u00e3o se preocupem tanto com a perda de empregos para rob\u00f4s: com maior produtividade, podemos reduzir o tempo de trabalho, trabalhando menos para que todos trabalhemos, como dizem \u2013 e implementam \u2013 os franceses.<\/p>\n<p>Na verdade, reduzir o tempo de trabalho pode ser um elemento essencial. Uma pessoa que mora em Cidade Tiradentes, na periferia de S\u00e3o Paulo, come\u00e7a o dia \u00e0s 5 da manh\u00e3, para estar no trabalho em Pinheiros \u00e0s 8, com horas passadas no tr\u00e2nsito, e volta para casa \u00e0s 21h, assistindo bobagens na TV e adormecendo no sof\u00e1. Daqui a pouco j\u00e1 s\u00e3o 5 horas novamente. Vida familiar? Em 2026, o Brasil est\u00e1 lutando para garantir pelo menos o fim de semana completo de dois dias, para garantir mais tempo pessoal e alguma convivialidade no bairro. Ou at\u00e9 lendo, ou brincando com crian\u00e7as. Na verdade, as novas tecnologias est\u00e3o trazendo crescimento suficiente da produtividade para nos permitir reconstruir o tecido social ao resgatar mais controle sobre os momentos de nossas vidas. Reduzir a desigualdade, novamente, \u00e9 essencial; a pobreza leva muitas pessoas a aceitarem uma vida centrada apenas na sobreviv\u00eancia. Os ricos falam de liberdade, mas n\u00e3o deixam escolha para as pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma sociabilidade que precisa ser reconstru\u00edda, e isso pode ser feito. Esperar bilion\u00e1rios resolverem nossos problemas n\u00e3o vai funcionar. Na verdade, eles s\u00e3o o problema. Organizar-se de baixo para cima, em diferentes espa\u00e7os, usando a riqueza que alcan\u00e7amos, as tecnologias que temos e o acesso geral ao conhecimento online, o creative commons, \u00e9 mais do que uma possibilidade, \u00e9 o que precisamos construir. A soberania digital \u00e9 essencial aqui, e n\u00e3o apenas na Am\u00e9rica Latina. Os desafios s\u00e3o globais.<\/p>\n<p>1<em>The Economist<\/em>, 15 de janeiro de 2026<\/p>\n<p>2 David Gelles \u2013 <em>O Homem que Quebrou o Capitalismo: como Jack Welch destruiu o cora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e esmagou a alma da Am\u00e9rica corporativa <\/em>\u2013 Simon&amp;Schuster, 2022 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"pRljjkkR3o\"><p>The man who broke capitalism<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>3 Trebor Scholtz \u2013 <em>Own This: how platform cooperatives help workers build a<\/em> <em>democratic internet<\/em> \u2013 Verso, 2023 \u2013 https:\/\/dowbor.org\/2025\/11\/own-this-how-platform-cooperatives-help-workers-build-a-democratic-internet.html<\/p>\n<p>4 Bruno Paes Manso \u2013 <em>A F\u00e9 e o Fuzil<\/em> \u2013 Todavia, S\u00e3o Paulo, 202310<\/p>\n<p>5 Jonathan Haidt \u2013 <em>A gera\u00e7\u00e3o ansiosa<\/em> \u2013 Companhia das Letras, 2024 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"QzA4ufr41X\"><p>A gera\u00e7\u00e3o ansiosa: como a inf\u00e2ncia hiperconectada est\u00e1 causando uma epidemia de transtornos mentais<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>6 Max Fisher \u2013 <em>A M\u00e1quina do Caos: a hist\u00f3ria interna de como as redes sociais<\/em> <em>reprogramaram nossas mentes e nosso mundo <\/em>\u2013 Editora Todavia, 2023<\/p>\n<p>7 Handler, Sophie \u2013 <em>Um manual alternativo amig\u00e1vel para a idade <\/em>\u2013 Universidade de Manchester, 2014 \u2013<\/p>\n<p>8 Jeffrey Sachs et al. \u2013 Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade 2017 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\nhttps:\/\/s3.amazonaws.com\/sdsn-whr2017\/HR17_3-20-17.pdf\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>9 Shoshana Zuboff \u2013 <em>A Era do Capitalismo de Vigil\u00e2ncia: a luta por um futuro humano<\/em> <em>na nova fronteira do poder<\/em> \u2013 PublicAffairs, Nova York, 2019<\/p>\n<p>10 CGEE\/CCT \u2013 <em>IA para o bem de todos: plano brasileiro de intelig\u00eancia artificial <\/em>\u2013 Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, 2025<\/p>\n<p>11 Ladislau Dowbor \u2013 <em>Os desafios da revolu\u00e7\u00e3o digital<\/em> \u2013 Ed. Elefante, S\u00e3o Paulo, 2024<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"IFwVgg79Vp\"><p>Os desafios da revolu\u00e7\u00e3o digital: libertar o conhecimento para o bem comum<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>12 Mustafa Suleyman \u2013 <em>A pr\u00f3xima onda<\/em> \u2013 Coroa, Nova York, 2023 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"ilR3oAVSOS\"><p>A pr\u00f3xima onda: Intelig\u00eancia artificial, poder e o maior dilema do s\u00e9culo XXI<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>13 Jeremy Rifkin \u2013 <em>A Sociedade de Custo Marginal Zero<\/em> \u2013 Palgrave MacMillan, Nova York, 2015 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"ke6vBVipcW\"><p>The Zero Marginal Cost Society: the internet of things, the collaborative commons, and the eclipse of capitalism<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>14 Ladislau Dowbor \u2013 <em>Os desafios da revolu\u00e7\u00e3o digital<\/em> \u2013 Ed. Elefante, S\u00e3o Paulo, 2024<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"IFwVgg79Vp\"><p>Os desafios da revolu\u00e7\u00e3o digital: libertar o conhecimento para o bem comum<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>15Elinor Ostrom and Charlotte Hess \u2013 <em>Understanding Knowledge as a Commons <\/em>\u2013 MITPress, Cambridge, 2007 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\n<blockquote data-secret=\"QIG39qlv3f\"><p>Understanding knowledge as a commons (Entendendo o conhecimento como um bem comum)<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>16Trebor Scholtz \u2013 <em>Own this: how platform cooperatives help workers build a democratic internet<\/em>. Assuma Isto: como cooperativas de plataforma ajudam os trabalhadores a construir uma internet democr\u00e1tica) \u2013 Verso, Nova York, Londres, 2023 https:\/\/dowbor.org\/2025\/11\/own-this-how-platform-cooperatives-help-workers-build-a-democratic-internet.html<\/p>\n<p>17 Fernando Camilher \u2013 Nosso n\u00facleo Casa Verde, Lim\u00e3o e Cachoeirinha \u2013 2021 \u2013 www.nossonucleo.org.br<\/p>\n<p>18Luiz Marques \u2013 \u201cEstados Unidos de Trump: modelo de distopia contempor\u00e2nea\u201d \u2013 IHU, 2025 \u2013<\/p>\n<figure>\n<div>\nhttps:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/379cadernosihuideias.pdf\n<\/div>\n<\/figure>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Rentismo, teu nome \u00e9 solid\u00e3o appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/justica-usa-calculadora-de-carbono-e-impoe-multas-por-dano-climatico-na-amazonia-2\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Justi\u00e7a usa \u2018calculadora de carbono\u2019 e imp\u00f5e multa...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/senegales-morto-pela-pm-escancara-crise-de-seguranca-em-sp\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Senegal\u00eas morto pela PM escancara crise de seguran...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/campanha-territorio-livre-do-analfabetismo-chega-ao-rs\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/P8-_-alfabetizacao-02-RS-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Campanha \u201cTerrit\u00f3rio Livre do Analfabetismo\u201d chega...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-visita-cristina-kirchner-em-prisao-domiciliar-em-buenos-aires\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula visita Cristina Kirchner em pris\u00e3o domiciliar...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 desigualdade brutal, maiorias vivem o inferno do trabalho massacrante e sem futuro, da pobreza e do imposs\u00edvel desfrute coletivo. Mas tamb\u00e9m os ricos, ainda que opulentos, debatem-se em competi\u00e7\u00e3o por dinheiro e vidas sem sentido<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/rentismo-teu-nome-e-solidao\/\">Rentismo, teu nome \u00e9 solid\u00e3o<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76779,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[37647,597,5511,19363,37648,30642,32199,37649,2687,37650,37651,30619,23101,98,6500,37652,37653,6810,1976,11,37654,4972,37655,37656,37657,37658],"tags":[],"class_list":["post-76778","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ataque-a-intimidade","category-big-techs","category-capa","category-capitalismo-tardio","category-captura-da-riqueza-coletiva","category-catastrofes-climaticas","category-cooperativismo-de-plataformas","category-cooperativismo-de-plataformmas","category-crise-civilizatoria","category-crise-da-sociabilidade","category-crise-das-familias","category-crise-do-trabalho","category-declinio-da-democracia","category-desigualdades","category-devastacao-ambiental","category-ditadura-das-big-techs","category-erosao-do-espaco-publico","category-ladislau-dowbor","category-qualidade-de-vida","category-redes-sociais","category-redistribuicao-de-riquezas","category-rentismo","category-rentismo-e-solidao","category-solidao","category-trabalho-massacrante","category-vidas-sem-sentido"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76778\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}