{"id":76945,"date":"2026-03-05T14:15:49","date_gmt":"2026-03-05T17:15:49","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/6x1-e-o-trabalho-invisivel-das-mulheres\/"},"modified":"2026-03-05T14:15:49","modified_gmt":"2026-03-05T17:15:49","slug":"6x1-e-o-trabalho-invisivel-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/6x1-e-o-trabalho-invisivel-das-mulheres\/","title":{"rendered":"6\u00d71: E o trabalho invis\u00edvel das mulheres?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1332\" height=\"876\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_4992487066415336413_w.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_4992487066415336413_w.jpg 1332w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/05141317\/photo_4992487066415336413_w-300x197.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/05141317\/photo_4992487066415336413_w-768x505.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1332px) 100vw, 1332px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto, originalmente intitulado\u00a0\u201c<strong><strong>Fim da escala 6 X 1: e o trabalho de cuidados, como \u00e9 que fica?<\/strong><\/strong>\u201d foi escrito por <strong><strong>\u00c9lida Azevedo Hennington<\/strong><\/strong> e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O recente debate no Brasil sobre a aboli\u00e7\u00e3o da Escala 6X1, seis dias de trabalho remunerado para um de descanso, e a discuss\u00e3o sobre a extens\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e intensidade da jornada de trabalho atingem em cheio a vida das mulheres trabalhadoras, em uma retomada das hist\u00f3ricas lutas da classe trabalhadora pela redu\u00e7\u00e3o da jornada. No bojo dessa mobiliza\u00e7\u00e3o em torno da vergonhosa escala de trabalho n\u00e3o se pode desconsiderar a reflex\u00e3o a respeito do trabalho n\u00e3o remunerado, dos usos do tempo e a sua necess\u00e1ria redistribui\u00e7\u00e3o de forma equitativa entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>Historicamente, as mulheres assumem a maior parte do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado n\u00e3o remunerado, seja em suas casas, no cuidado dos filhos e de familiares idosos, pessoas enfermas ou incapacitadas e, muitas vezes, desempenhando atividades de cuidado na comunidade onde vivem. De outro modo, essa responsabilidade pelo cuidado se intensifica em contextos de pobreza e vulnerabilidade e, frequentemente, impulsiona o deslocamento feminino na busca de trabalho remunerado e de melhores oportunidades. As mulheres s\u00e3o maioria em ocupa\u00e7\u00f5es remuneradas no setor de cuidados, como trabalhadoras dom\u00e9sticas, cuidadoras de idosos ou de crian\u00e7as, trabalhadoras de limpeza e alimenta\u00e7\u00e3o, e como trabalhadoras da \u00e1rea de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o (REBEF, 2024).<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-2.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A sociedade promoveu a participa\u00e7\u00e3o masculina na vida p\u00fablica e desencorajou as mulheres a assumirem atividades fora do ambiente dom\u00e9stico, em trabalhos ou carreiras fora das tradicionais ocupa\u00e7\u00f5es femininas. Estas s\u00e3o as bases subjetivas da divis\u00e3o sexual do trabalho que se traduzem em elementos fundamentais nos sistemas de g\u00eanero (Batthy\u00e1ny, 2015). O trabalho de cuidados, muitas vezes visto como \u201cfeminino\u201d e \u201cnatural\u201d, acaba mascarando rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e subvaloriza\u00e7\u00e3o presentes nesse tipo de atividade (Batthy\u00e1ny, 2015, 2021; Martins e Vedovato, 2017).<\/p>\n<p>Hoje as mulheres brasileiras precisam trabalhar fora e dar conta das atividades laborais, assumir o sustento da fam\u00edlia, al\u00e9m das demandas dom\u00e9sticas e de cuidados, numa rotina exaustiva. Segundo o Censo do IBGE de 2022 (2023a), das 72,5 milh\u00f5es de unidades dom\u00e9sticas do Brasil, 49,1% tinham respons\u00e1veis do sexo feminino, representando uma importante mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao Censo de 2010, quando o percentual de homens respons\u00e1veis (61,3%) era substancialmente maior do que o percentual de mulheres (38,7%). Os dados do Censo mostram que a maior parte dessas unidades da Federa\u00e7\u00e3o est\u00e3o concentradas na Regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Embora o cuidado como parte do trabalho das mulheres esteja gradualmente ganhando visibilidade social atrav\u00e9s da constante den\u00fancia dos movimentos feministas, esta visibilidade pode ser considerada embrion\u00e1ria, uma vez que a maior parte deste trabalho, especialmente o trabalho dom\u00e9stico, ainda hoje n\u00e3o \u00e9 considerado trabalho de verdade (Kergoat, 2009). Federici (2017) enfatiza que o trabalho dom\u00e9stico e de cuidados desempenham um papel de vital relev\u00e2ncia no capitalismo. Representa seu pilar fundamental ao possibilitar a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e a produ\u00e7\u00e3o dos meios necess\u00e1rios para a exist\u00eancia e manuten\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. De acordo com a autora, \u00e9 precisamente essa invisibilidade que torna poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o capitalista, pois libera o g\u00eanero masculino para a produ\u00e7\u00e3o vis\u00edvel de valor.<\/p>\n<p>Bhattacharya (2023, p. 19) afirma que a Teoria de Reprodu\u00e7\u00e3o Social (TRS) compreende a totalidade sist\u00eamica do capitalismo por meio da rela\u00e7\u00e3o entre o trabalho que produz mercadorias e o que produz pessoas, tornando vis\u00edvel o trabalho \u201canaliticamente oculto pelos economistas cl\u00e1ssicos e politicamente negado pelos formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p>A ideia fundamental da TRS \u00e9, simplesmente, que o trabalho humano est\u00e1 no centro da cria\u00e7\u00e3o ou reprodu\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo. A no\u00e7\u00e3o de trabalho \u00e9 concebida aqui no sentido original pretendido por Karl Marx, ou seja, como \u2018a primeira premissa de toda a hist\u00f3ria humana\u2019 \u2013 e que, ironicamente, ele pr\u00f3prio n\u00e3o conseguiu desenvolver plenamente. O capitalismo, no entanto, reconhece o trabalho produtivo para o mercado como a \u00fanica forma leg\u00edtima de \u2018trabalho\u2019, ao passo que a enorme quantidade de trabalho familiar e comunit\u00e1rio que continua a sustentar e a reproduzir o trabalhador ou, mais especificamente, sua for\u00e7a de trabalho, \u00e9 naturalizada como inexistente (Bhattacharya, 2023, p. 18-19).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A \u201creprodu\u00e7\u00e3o social\u201d dentro da teoria feminista marxista refere-se aos trabalhos, majoritariamente realizados por mulheres, que garantem a reprodu\u00e7\u00e3o de pessoas em um sentido amplo: requer tanto a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias (e o trabalho assalariado para produzi-las) quanto o trabalho n\u00e3o remunerado para transformar essas mercadorias em algo necess\u00e1rio e \u00fatil (como cozinhar, lavar e limpar). Isso engloba tanto o cuidado com o bem-estar f\u00edsico quanto o suporte emocional e a manuten\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Observa-se que o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado \u00e9 ignorado pelo sistema econ\u00f4mico. Al\u00e9m disso, o trabalho de cuidar dos corpos, emo\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es, essencial para a reprodu\u00e7\u00e3o social, tamb\u00e9m se torna invis\u00edvel quando n\u00e3o \u00e9 monetariamente compensado (Picchio, 2005).<\/p>\n<h3><strong>Desigualdades de G\u00eanero no trabalho, longas jornadas e os efeitos na Sa\u00fade Mental<\/strong><\/h3>\n<p>As desigualdades de g\u00eanero contribuem para aumentar os riscos de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e reduzir o desenvolvimento socioecon\u00f4mico dos pa\u00edses, afetando particularmente as mulheres, as meninas e as pessoas com diversidade de g\u00eanero. Em 2021, dos 48,7 milh\u00f5es de empregados formais no Brasil, as mulheres representavam 44% (21,5 milh\u00f5es). O sal\u00e1rio m\u00e9dio das mulheres era 12% menor que o dos homens nos empregos t\u00edpicos (contrato por tempo indeterminado e jornada completa) e 15% menor nos empregos at\u00edpicos (contrato intermitente, contrato por tempo determinado, contrato por tempo parcial e contrato como aprendiz, por exemplo). A desigualdade entre homens e mulheres se reflete tamb\u00e9m na jornada de trabalho, dado o ac\u00famulo de tarefas dom\u00e9sticas (MTE, 2023).<\/p>\n<p>Cerca de 74% das pessoas empregadas no pa\u00eds trabalham acima de 40 horas semanais (REBEF, 2024). No caso das mulheres, existe a dupla e tripla jornada de trabalho. A sobrecarga das mulheres que conciliam extensivas jornadas de trabalho com o cuidado e afazeres dom\u00e9sticos as coloca em um ritmo m\u00e9dio de quase 10 horas de trabalho por dia. Elas dedicam ao cuidado de pessoas e afazeres dom\u00e9sticos praticamente o dobro do tempo na compara\u00e7\u00e3o com os homens (REBEF, 2024).<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-2.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p>Dentre as ocupa\u00e7\u00f5es que respondem por pelo menos 50% da m\u00e3o de obra feminina, as mulheres alocadas naquelas em que a escala 6\u00d71 \u00e9 mais comum e em regimes de pelo menos 40 horas semanais despendem 16 horas e 58 minutos semanais com tarefas de cuidado. Nesse cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, uma mulher que trabalhe 44 horas por semana no regime 6\u00d71 (portanto, 7 horas e 20 minutos por dia com mais uma hora de intervalo durante o expediente) e decida aproveitar integralmente seu dia de folga precisa trabalhar pelo menos mais 2h50min por dia em trabalho de cuidado, acumulando uma dupla jornada de 11 horas e 10 minutos por seis dias da semana, sem contar com o tempo de deslocamento \u2013 que, nos centros urbanos, pode chegar a 2 ou 3 horas di\u00e1rias (REBEF, 2024).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres trabalhadoras est\u00e3o mais sujeitas a discrimina\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias e ass\u00e9dios moral e sexual no trabalho (Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o e Locomotiva, 2020). Esses indicadores se agravam quando consideramos a interseccionalidade: a sobreposi\u00e7\u00e3o ou cruzamento entre dois ou mais marcadores sociais da diferen\u00e7a ou subordina\u00e7\u00e3o, como ra\u00e7a, g\u00eanero, defici\u00eancia, idade, origem, sexualidade, entre outros, gera diferentes din\u00e2micas de opress\u00e3o como o fen\u00f4meno da discrimina\u00e7\u00e3o m\u00faltipla ou agravada em oposi\u00e7\u00e3o a privil\u00e9gios. Para que haja redu\u00e7\u00e3o dessas desigualdades, \u00e9 necess\u00e1rio dar oportunidades e condi\u00e7\u00f5es equitativas no mundo do trabalho \u00e0s mulheres, consideradas em toda a sua diversidade, bem como proteger a maternidade e a parentalidade (MTE, 2023; REBEF, 2024).<\/p>\n<p>Apesar de avan\u00e7os como um maior acesso ao mercado de trabalho e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e maior escolaridade, as trabalhadoras brasileiras enfrentam maiores taxas de desemprego e de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, baixos sal\u00e1rios, dificuldades de ascens\u00e3o profissional e de assumir posi\u00e7\u00f5es de poder, maior precariedade laboral, al\u00e9m da invisibilidade do trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o social (Martins e Vedovato, 2017; Leone e Proni, 2024). No Brasil, a popula\u00e7\u00e3o de 14 anos ou mais de idade gasta, em m\u00e9dia, 17 horas por semana com afazeres dom\u00e9sticos e\/ou cuidados, sendo 21,3 horas por semana para as mulheres e 11,7 horas por semana para os homens (IBGE, 2023b).<\/p>\n<blockquote>\n<p>Os poss\u00edveis mecanismos e vias por meio dos quais as longas jornadas poderiam afetar a sa\u00fade enquadram-se em duas vertentes principais: (i) a menor disponibilidade de tempo para o sono e recupera\u00e7\u00e3o, assim como para a fam\u00edlia e o lazer e (ii) a maior exposi\u00e7\u00e3o ou aumento na vulnerabilidade a demandas e riscos decorrentes do trabalho. No caso de equipes de enfermagem, a primeira vertente pode ser exemplificada por estudo qualitativo que mostrou que enfermeiros atribuem seu adoecimento \u00e0 sobrecarga de trabalho e \u00e0 falta de cuidado decorrente do tempo excessivo dedicado ao trabalho profissional (Fernandes et Al., 2017).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>As normas sociais, culturais e as responsabilidades familiares, como o cuidado com os filhos e o trabalho dom\u00e9stico, continuam a dificultar a entrada e perman\u00eancia das mulheres no mercado de trabalho (Feij\u00f3, 2023; Foguel e Russo, 2019; DIEESE, 2024). A incapacidade de conciliar as responsabilidades profissionais e familiares aumenta a probabilidade de as mulheres aceitarem sal\u00e1rios mais baixos ou empregos fora da sua capacita\u00e7\u00e3o ou profiss\u00e3o em troca de hor\u00e1rios mais flex\u00edveis, o que contribui para o aumento da informalidade. Essas desigualdades s\u00e3o refor\u00e7adas pela Escala 6X1, bastante comum em ocupa\u00e7\u00f5es em que predomina a for\u00e7a de trabalho feminina, dificultando a concilia\u00e7\u00e3o entre vida profissional e pessoal.<\/p>\n<p>Dejours (1999) advoga que o trabalho n\u00e3o \u00e9 neutro no que diz respeito ao processo sa\u00fade-doen\u00e7a, podendo tanto proteger a sa\u00fade quanto gerar adoecimento. Ele destaca que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem no ambiente laboral e a forma como o trabalho \u00e9 organizado s\u00e3o cruciais para determinar se o trabalho ser\u00e1 um fator de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental ou de sofrimento. O trabalho amplifica quest\u00f5es sociais que afetam negativamente a sa\u00fade mental, incluindo discrimina\u00e7\u00e3o e desigualdade. O Relat\u00f3rio Mundial de Sa\u00fade Mental da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS, 2022) mostrou que, em 2019, um bilh\u00e3o de pessoas viviam com transtornos mentais, al\u00e9m disso, 15% dos adultos em idade laboral sofreram com algum transtorno mental.<\/p>\n<p>No Brasil, as principais causas de afastamento do trabalho segundo o INSS s\u00e3o as les\u00f5es, as doen\u00e7as do sistema osteomuscular e os transtornos mentais e comportamentais. As mulheres s\u00e3o mais afetadas do que os homens pelas doen\u00e7as osteomusculares relacionadas ao trabalho e pelo sofrimento\/adoecimento mental. Os ass\u00e9dios moral e sexual est\u00e3o entre as principais queixas relacionadas a problemas de sa\u00fade mental e trabalho, viol\u00eancias fortemente associadas ao g\u00eanero feminino. Em 2022, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) fizeram um chamado mundial para atender \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es sobre a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora. Anualmente, estima-se a perda de 12 bilh\u00f5es de dias de trabalho devido \u00e0 depress\u00e3o e ansiedade, o que gera um custo de quase 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares para a economia global (WHO\/ILO, 2022).<\/p>\n<p>Sabe-se que o aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho gera maior demanda de equil\u00edbrio entre homens e mulheres quanto \u00e0s responsabilidades em casa e no trabalho. Entretanto, o que se observa \u00e9 uma sobrecarga entre as mulheres, que ainda s\u00e3o as maiores respons\u00e1veis pelo cuidado de familiares e atividades dom\u00e9sticas. Al\u00e9m disso, na atualidade \u00e9 cada vez mais comum a realiza\u00e7\u00e3o do trabalho remunerado no \u00e2mbito dom\u00e9stico, com atividades de trabalho remoto ou o teletrabalho e o uso de tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, originando situa\u00e7\u00f5es de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho e em que os limites entre o trabalho e a vida dom\u00e9stica e pessoal se misturam ou n\u00e3o s\u00e3o respeitados. Isso torna o equil\u00edbrio entre a esfera pessoal e do trabalho um grande desafio com claras repercuss\u00f5es na sa\u00fade das trabalhadoras (Griep, 2019).<\/p>\n<p>Estudo de Silva-Costa et Al (2025) investigou associa\u00e7\u00f5es das horas de trabalho remoto (TR) e dom\u00e9stico (TD) e sofrimento mental entre servidores p\u00fablicos federais, separadamente e combinadas entre homens e mulheres durante a pandemia de Covid-19. Em m\u00e9dia, as mulheres referiram mais tempo de trabalho dom\u00e9stico e trabalho combinado (TR e TD) em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Depress\u00e3o, ansiedade e estresse foram mais frequentes nas mulheres.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Neste contexto, como destaca a economia feminista e o ecofeminismo, mulheres e corpos feminizados, especialmente as racializadas, s\u00e3o afetados pela multiplicidade e sobreposi\u00e7\u00e3o de crises. A partir das crises ambientais e clim\u00e1ticas, as mulheres, que s\u00e3o sistematicamente colocadas como as principais respons\u00e1veis pelos cuidados, veem aumentos na carga e na intensidade das obriga\u00e7\u00f5es dentro dos lares. Portanto, situa\u00e7\u00f5es como pandemias e outros eventos extremos tendem a incrementar fortemente as desigualdades j\u00e1 existentes na aloca\u00e7\u00e3o do tempo para a realiza\u00e7\u00e3o de tais tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados. Por outro lado, a precariedade afeta mais as mulheres, devido \u00e0 segmenta\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, \u00e0s disparidades salariais, \u00e0s formas de contrata\u00e7\u00e3o e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de emprego, tamb\u00e9m associadas com a feminiza\u00e7\u00e3o do cuidado. Nesse sentido, em momentos de crise, as mulheres tendem a perder os seus empregos com maior facilidade e a apresentar graves transtornos mentais e f\u00edsicos, dado o acirramento das desigualdades de tempo, de renda e de ocupa\u00e7\u00f5es (Olivera e Pereira, 2023, p. 43).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Peters (2021) oferece uma interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica para a chamada \u201cpandemia de depress\u00e3o\u201d contempor\u00e2nea. Ele relaciona os mal-estares ps\u00edquicos, frequentemente descritos como depress\u00e3o, \u00e0s formas de subjetividade promovidas pela modernidade tardia. Argumenta que caracter\u00edsticas como iniciativa, empreendedorismo e adaptabilidade se tornaram imperativos para o indiv\u00edduo moderno, n\u00e3o s\u00f3 no mundo do trabalho, mas tamb\u00e9m em outros \u00e2mbitos existenciais, como o cuidado com o corpo e os relacionamentos er\u00f3tico-afetivos. Ainda que reconhe\u00e7a o sobrediagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico como um dado da realidade, o autor defende que o sofrimento ps\u00edquico real, rotulado como depress\u00e3o, \u00e9 a \u201cmoeda reversa\u201d das press\u00f5es sist\u00eamicas por auto realiza\u00e7\u00e3o individual em que o \u201ccolapso depressivo da iniciativa\u201d e a \u201cfalta de projetos\u201d substituem o \u201cempreendedorismo de si\u201d, a interrup\u00e7\u00e3o do movimento se op\u00f5e \u00e0 adaptabilidade flex\u00edvel exigida pela sociedade de r\u00e1pidas mudan\u00e7as e o isolamento existencial contrasta com a esperada comunicabilidade do sujeito trabalhador contempor\u00e2neo como um \u201cnetworker\u201d incans\u00e1vel. O autor conclui afirmando sobre os limites que a civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea imp\u00f5e \u00e0 \u201cecologia ps\u00edquica\u201d e \u00e0 \u201ceconomia energ\u00e9tica\u201d das pessoas.<\/p>\n<h3><strong>Morbimortalidade Ocupacional, Jornada de Trabalho e Estudos de G\u00eanero<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o SmartLab (MPT\/OIT, 2025), no ano de 2024 ocorreram 742,2 mil notifica\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias de acidentes de trabalho (AT) e 2,4 mil \u00f3bitos, correspondendo somente \u00e0 for\u00e7a de trabalho do mercado formal, dados notoriamente subestimados. Isto significa a ocorr\u00eancia de uma m\u00e9dia mensal de cerca de 61 mil AT, mais de 2 mil AT por dia e 83 AT por hora. S\u00e3o 200 mortes por AT em m\u00e9dia por m\u00eas, 6 mortes por dia, ou seja, um trabalhador morre por acidente de trabalho a 4 horas no Brasil. Foram 74,3% acidentes t\u00edpicos, 24,6% acidentes de trajeto e 1% doen\u00e7as ocupacionais em 2024. As principais causas s\u00e3o les\u00f5es, doen\u00e7as do sistema osteomuscular e transtornos mentais e comportamentais. Embora os AT atinjam principalmente trabalhadores do sexo masculino, as doen\u00e7as osteomusculares relacionadas ao trabalho e os transtornos mentais atingem mais as mulheres.<\/p>\n<p>Quinn e Smith (2018) referem que as mulheres e os homens ocupam posi\u00e7\u00f5es diferentes no mercado de trabalho e, por sua vez, t\u00eam diferentes exposi\u00e7\u00f5es ocupacionais e subsequentes efeitos na sa\u00fade. As mulheres e os homens podem ter experi\u00eancias diversificadas, diferentes tipos de exposi\u00e7\u00e3o devido ao seu sexo, referindo-se a diferen\u00e7as biol\u00f3gicas, ou ao seu g\u00eanero, referindo-se a diferen\u00e7as socialmente constru\u00eddas. H\u00e1 um reconhecimento crescente de que os estudos na \u00e1rea de Sa\u00fade do Trabalhador e da Trabalhadora necessitam de novos m\u00e9todos para se ter em conta estas diferen\u00e7as em estudos com recorte de g\u00eanero e assim gerar informa\u00e7\u00f5es discriminadas sobre morbimortalidade e propiciar melhorias nos ambientes e nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>\u00a0Por outro lado, deve-se considerar a complexidade das condi\u00e7\u00f5es de trabalho no Brasil e a falta de dados oficiais sobre as escalas de trabalho em levantamentos como a RAIS e a PNADc, limitando a an\u00e1lise das jornadas de trabalho ao n\u00famero de horas trabalhadas. Essa abordagem limitada n\u00e3o abarca a diversidade de situa\u00e7\u00f5es existentes nas rela\u00e7\u00f5es laborais e se configura como uma lacuna no conhecimento que dificulta a compreens\u00e3o mais precisa da realidade brasileira (Teixeira et Al., 2025).<\/p>\n<p>Revis\u00e3o sistem\u00e1tica de estudos observacionais publicados entre 2009 e 2019 analisou diferen\u00e7as entre homens e mulheres no risco de les\u00f5es e incapacidades no trabalho (Biswas et Al., 2022). A rela\u00e7\u00e3o entre tarefas repetitivas e absente\u00edsmo por doen\u00e7a foi mais forte entre as mulheres. A maioria dos estudos que examinaram as exposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas n\u00e3o encontrou diferen\u00e7as de risco entre homens e mulheres em todas as profiss\u00f5es. Os homens apresentavam um risco mais elevado de les\u00f5es em determinadas profiss\u00f5es dos setores prim\u00e1rio e secund\u00e1rio da ind\u00fastria que envolviam exposi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e algumas exposi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas\/biol\u00f3gicas. As mulheres apresentavam um risco mais elevado de les\u00f5es nas exig\u00eancias f\u00edsicas e nas tarefas repetitivas dos cuidados de sa\u00fade e nas atividades de produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Estudo de Aquino (2006) sobre o perfil e as tend\u00eancias da atividade cient\u00edfica sobre g\u00eanero e sa\u00fade no Brasil identificou que houve crescimento acentuado da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na d\u00e9cada de 2000. No entanto, pode-se afirmar que ainda hoje s\u00e3o escassos os estudos brasileiros de morbimortalidade ocupacional com recorte de g\u00eanero. Na base Lilacs nos \u00faltimos 5 anos foram identificados somente 564 artigos a partir dos descritores \u201csa\u00fade\u201d, \u201ctrabalho\u201d e \u201cg\u00eanero\u201d, 340 artigos na base Scielo e 110 na base BDENF. A maioria envolvia trabalhadores da sa\u00fade em geral, enfermagem, popula\u00e7\u00e3o LGBT+ e docentes e abordava principalmente agravos e morbidades relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental, pandemia de Covid-19, viol\u00eancias de g\u00eanero e sa\u00fade sexual e reprodutiva.<\/p>\n<p>Pesquisa de Gomides et Al (2023), analisou a distribui\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o de fatores sociodemogr\u00e1ficos e ocupacionais a AT autorrelatadas em uma amostra da popula\u00e7\u00e3o brasileira e as diferen\u00e7as de g\u00eanero, com \u00eanfase na classe ocupacional. Entre os participantes, 2,7% relataram ter sofrido AT, sendo mais alta a preval\u00eancia em homens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. A an\u00e1lise identificou que faixa et\u00e1ria, trabalho noturno, jornada de trabalho e exposi\u00e7\u00e3o a riscos laborais foram associados a AT, com destaque para as diferen\u00e7as de g\u00eanero. A classe de trabalhadores manuais, tanto qualificados quanto n\u00e3o qualificados, apresentaram maior chance de AT em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 classe de gerentes\/profissionais. H\u00e1 maior chance de AT em homens e mulheres posicionados nas ocupa\u00e7\u00f5es classificadas como predominantemente manuais.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa referentes a execu\u00e7\u00e3o de jornadas extensas e trabalho noturno foram estatisticamente significativos para ambos os sexos, refor\u00e7ando a associa\u00e7\u00e3o dessas vari\u00e1veis com piora na sa\u00fade (Gomides et Al., 2023). Sabe-se que a mudan\u00e7a das fun\u00e7\u00f5es cognitivas e a eleva\u00e7\u00e3o da fadi-ga s\u00e3o efeitos das perturba\u00e7\u00f5es do ciclo circadiano que ocorrem quando as pessoas trabalham \u00e0 noite, efeitos tamb\u00e9m esperados quando o tempo para recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzido em raz\u00e3o das extensas jornadas, tal qual na Escala 6X1, favorecendo a ocorr\u00eancia de AT (Fischer et Al., 2017; Gomides et Al., 2023; Wong et Al., 2019).<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de trabalho permite um melhor equil\u00edbrio entre a vida profissional e pessoal, reduzindo o estresse, a sobrecarga de trabalho e a possibilidade de <em>burnout<\/em>. A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho deve ser recolocada como tema central tamb\u00e9m para gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de empregos, melhoria na qualidade de vida da classe trabalhadora e a redu\u00e7\u00e3o da perda de produtividade por esgotamento profissional, al\u00e9m do aumento da sustentabilidade da previd\u00eancia social (REBEF, 2024).<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>A luta por tempo de vida fora do trabalho \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia para a classe trabalhadora por v\u00e1rios motivos. Para garantir tempo que lhe permita participar de outros espa\u00e7os da vida, familiares, sociais, pol\u00edticos, religiosos, culturais, ou simplesmente para exerc\u00edcio do descanso ou \u00f3cio criativo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 estreita sinergia entre a pauta da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho remunerado com a necessidade de tempo para o trabalho de cuidados de crian\u00e7as e\/ou pessoas doentes, enfermas e idosas. Trata-se de uma medida n\u00e3o apenas vi\u00e1vel, mas essencial para promover a sa\u00fade, a estabilidade no mercado de trabalho e uma redistribui\u00e7\u00e3o mais equitativa da renda. J\u00e1 existem experi\u00eancias no mundo de empresas que implementaram jornadas reduzidas mostrando que \u00e9 poss\u00edvel conciliar produtividade e bem-estar, como na Isl\u00e2ndia, Nova Zel\u00e2ndia, Jap\u00e3o e Espanha (Cavallini, 2021).<\/p>\n<p>Embora imperiosas, as propostas de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho merecem desencadear um debate mais amplo que leve em considera\u00e7\u00e3o a necessidade de mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sa\u00fade e seguran\u00e7a das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. O ano de 2025 marca a realiza\u00e7\u00e3o da 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade do Trabalhador e da Trabalhadora e devemos aproveitar a intensa mobiliza\u00e7\u00e3o em torno da luta pelo fim da Escala 6X1 para discutir n\u00e3o apenas a urgente e necess\u00e1ria redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho remunerado, mas outras trag\u00e9dias que afetam a classe trabalhadora como a ocorr\u00eancia de acidentes que geram sofrimento, incapacidades, adoecimentos e mortes de trabalhadoras e trabalhadores do setor formal e informal da economia.<\/p>\n<p>Aguarda-se uma ampla discuss\u00e3o na sociedade que considere a invisibilidade social e econ\u00f4mica do trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o social e a premente exig\u00eancia de reconhecimento da sobrecarga de trabalho e as m\u00faltiplas responsabilidades que recaem cotidianamente sobre as mulheres trabalhadoras de modo a desencadear a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas visando prevenir agravos e doen\u00e7as, proteger e promover a sa\u00fade e o trabalho digno. Existe a clara preocupa\u00e7\u00e3o de que, como as mulheres j\u00e1 arcam com a maior parte do trabalho n\u00e3o remunerado, a simples redu\u00e7\u00e3o da jornada laboral possa resultar no direcionamento desse tempo livre adicional para mais tarefas de cuidado n\u00e3o pagas. Portanto, a luta pol\u00edtica n\u00e3o deve se limitar \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das horas de trabalho, mas precisa englobar estrat\u00e9gias que assegurem equidade de g\u00eanero de modo que o tempo livre beneficie a todos.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>AQUINO, E. G\u00eanero e sa\u00fade: perfil e tend\u00eancias da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil. <strong>Revista Sa\u00fade P\u00fablica<\/strong>, v. 40, n. 0, pp.121\u2013132, 2006.<\/p>\n<p>BATTHY\u00c1NY, K. <strong>Las pol\u00edticas y el cuidado en Am\u00e9rica Latina: Una mira-da a las experiencias regionales. Serie Asuntos de G\u00e9nero<\/strong>. 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Dispon\u00edvel em: https:\/\/g1.globo.com\/economia\/concursos-e-emprego\/noticia\/2021\/07\/08\/ semana-de-4-dias-de-trabalho-veja-como-funciona-nas-empresas-que-ja-a-dotaram.ghtml.<\/p>\n<p>DEJOURS, C. <strong>A banaliza\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a social<\/strong>. Rio de Janeiro: FGV, 1999.<\/p>\n<p>DIEESE. <strong>Boletim Especial \u2013 8 de mar\u00e7o de 2024 \u2013 Dia Internacional da Mulher \u2013 Mulheres no mercado de trabalho: desafios e desigualdades constantes<\/strong>. 2024. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimes-pecial\/2024\/mulheres2024.html&gt;.<\/p>\n<p>FEDERICI, S. <strong>Calib\u00e3 e a bruxa: mulheres, corpo e acumula\u00e7\u00e3o primitiva<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora Elefante, 2017.<\/p>\n<p>FEIJ\u00d3, J. <strong>Diferen\u00e7as de g\u00eanero no mercado de trabalho<\/strong>. Portal FGV, 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/portal.fgv.br\/artigos\/diferencas-genero-mer-cado-trabalho&gt;.<\/p>\n<p>FERNANDES, J. 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Curitiba: CRV; Campinas: Unicamp, 2021.<\/p>\n<p>KERGOAT, D. Din\u00e2mica e consubstancialidade das rela\u00e7\u00f5es sociais. In: JOR-GE, M. A.; Et AL. (Orgs.). <strong>Trabalho e cidadania ativa para as mulheres<\/strong>. Bras\u00edlia: CFEMEA, 2009. Pp. 121-132.<\/p>\n<p>MARTINS, E. G.; VEDOVATO, L. R. Migra\u00e7\u00e3o internacional de mulheres e o trabalho dom\u00e9stico remunerado: opress\u00e3o e cidadania na era da globaliza\u00e7\u00e3o. <strong>Revista Direito e Pr\u00e1xis<\/strong>, v. 8, n. 3, pp. 1975-2009, 2017.<\/p>\n<p>MPT\/OIT<strong>. Smartlab \u2013 Promo\u00e7\u00e3o do Trabalho Decente<\/strong>. 2025. Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a e Sa\u00fade no Trabalho. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/smartlabbr.org\/sst\/localidade\/0?dimensao=perfilSaudeMentalAfastamentos&gt;.<\/p>\n<p>LEONE, E.T. PRONI, M.W. <strong>Facetas do trabalho no Brasil contempor\u00e2neo<\/strong>. Curitiba: CRV; Campinas: Unicamp, 2021.<\/p>\n<p>KERGOAT, D. Din\u00e2mica e consubstancialidade das rela\u00e7\u00f5es sociais. <em>In: <\/em>JOR-GE, M. A.; Et AL. (Orgs.). <strong>Trabalho e cidadania ativa para as mulheres<\/strong>. Bras\u00edlia: CFEMEA, 2009. Pp. 121-132.<\/p>\n<p>MARTINS, E. G.; VEDOVATO, L. R. Migra\u00e7\u00e3o internacional de mulheres e o trabalho dom\u00e9stico remunerado: opress\u00e3o e cidadania na era da globaliza-\u00e7\u00e3o. <strong>Revista Direito e Pr\u00e1xis<\/strong>, v. 8, n. 3, pp. 1975-2009, 2017.<\/p>\n<p>MPT\/OIT. <strong>Smartlab \u2013 Promo\u00e7\u00e3o do Trabalho Decente<\/strong>. 2025. Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a e Sa\u00fade no Trabalho. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/smartlabbr.org\/ sst\/localidade\/0?dimensao=perfilSaudeMentalAfastamentos&gt;.<\/p>\n<p>MTE. Direitos da Mulher Trabalhadora: Para um mundo do trabalho com respeito e dignidade. Bras\u00edlia: MTE, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ www.gov.br\/trabalho-e-emprego\/pt-br\/noticias-e-conteudo\/2023\/junho\/ mte-lanca-cartilha-com-orientacoes-sobre-direitos-da-mulher-trabalhadora\/ cartilha.direitosdamulhertrabalhadora.mte.pdf&gt;.<\/p>\n<p>OLIVERA, M.; PEREIRA, L. A economia feminista e a sustentabilidade: capitalismo patriarcal extrativista ou colocar a vida no centro? In: TEIXEIRA, M.; OLIVERA, M.; VIEIRA, C. M. (Orgs.). Economia feminista no Brasil: contribui\u00e7\u00f5es para pensar uma nova sociedade. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo; Autonomia Liter\u00e1ria; REBEF, 2023. Pp. 1-232. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/fpabramo.org.br\/editora\/livro\/economia-feminista-no-brasil-contri-buicoes-para-pensar-uma-nova-sociedade\/&gt;.<\/p>\n<p>PETERS, G. O novo esp\u00edrito da depress\u00e3o. <strong>Civitas<\/strong>, v. 21, n. 1, pp. 71-83, 2021.<\/p>\n<p>PICCHIO, A. <strong>La economia pol\u00edtica y la investigaci\u00f3n sobre las condiciones de vida<\/strong>. 2005. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.researchgate.net\/profile\/ Antonella_Picchio\/publication\/ 228434690_La_economa_poltica_y_la_investi-gacin_de_las_condiciones_de_vida\/links\/0912f50ea895b07fc2000000.pdf&gt;.<\/p>\n<p>QUINN, M. M.; SMITH, P. M. Gender, Work, and Health.<strong> Annals of Work Ex-posures and Health<\/strong>, v. 62, n. 4, pp. 389-392, 2018.<\/p>\n<p>REBEF. <strong>Impactos da jornada reduzida: um olhar feminista sobre o trabalho e uso do tempo. 2024<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.cesit.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Nota-Jornada-6\u00d71-REBEF.pdf&gt;.<\/p>\n<p>SILVA-COSTA, A.; Et AL. Gender and remote work: associations between mental health and hours of remote work and housework. <strong>Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva<\/strong>, v. 30, n. 1, e04892023, 2025.<\/p>\n<p>TEIXEIRA, M.; Et AL. <strong>O Brasil est\u00e1 pronto para trabalhar menos. A PEC da redu\u00e7\u00e3o da jornada e o fim da escala 6\u00d71<\/strong>. Campinas: CESIT, 2025.<\/p>\n<p>WHO. <strong>World mental health report: Transforming mental health for all<\/strong>. Genebra: WHO, 2022. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/ item\/9789240049338&gt;.<\/p>\n<p>WHO; ILO. <strong>Mental health at work: policy brief<\/strong>. Genebra: WHO\/ILO, 2022. Dis-pon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ilo.org\/sites\/default\/files\/wcmsp5\/groups\/public\/@ed_protect\/@protrav\/@safework\/documents\/publication\/wcms_856976.pdf&gt;.<\/p>\n<p>WONG, K.; Et AL. The Effect of Long Working Hours and Overtime on Occupa-tional Health: A Meta-Analysis of Evidence from 1998 to 2018. <strong>International Journal of Environmental Research and Public Health<\/strong>, v. 16, n. 12, pp. 1-22, 2019.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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T\u00eam sal\u00e1rios menores, lideram metade dos lares brasileiros e ainda despendem muitas horas por semana com atividades de cuidado e afazeres dom\u00e9sticos<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/6x1-o-trabalho-invisivel-das-mulheres\/\">6\u00d71: E o trabalho invis\u00edvel das mulheres?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76946,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[27204,1389,37751,2859,2008,2482,2578,614,37752,4141,5834],"tags":[],"class_list":["post-76945","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cesit-jornada","category-desigualdade-de-genero","category-dupla-jornada-nao-remunerada","category-feminismo","category-fim-da-escala-6x1","category-reducao-da-jornada","category-reproducao-social-do-trabalho","category-saude-mental","category-trabalho-de-cuidado","category-trabalho-domestico","category-trabalho-e-precariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76945"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76945\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76946"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}