{"id":76965,"date":"2026-03-05T19:19:38","date_gmt":"2026-03-05T22:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/assim-o-ira-contra-ataca\/"},"modified":"2026-03-05T19:19:38","modified_gmt":"2026-03-05T22:19:38","slug":"assim-o-ira-contra-ataca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/assim-o-ira-contra-ataca\/","title":{"rendered":"Assim o Ir\u00e3 contra-ataca"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"521\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-1.jpeg 800w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/05193044\/Sem-titulo-1-300x195.jpeg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/05193044\/Sem-titulo-1-768x500.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Foto: Mohsen Shandiz\/Corbis via Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Isabela Agostinelli<\/strong> em entrevista a <strong>Glauco Faria<\/strong><\/p>\n<p>Teer\u00e3 sentou-se \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es com o governo Trump, de fato. Mas seria ingenuidade acreditar que o ataque dos Estados Unidos e Israel foi totalmente surpresa. N\u00e3o somente devido aos bombardeios de Telaviv ano passado a instala\u00e7\u00f5es nucleares, militares e resid\u00eancias de lideran\u00e7as, com a Opera\u00e7\u00e3o Le\u00e3o em Ascens\u00e3o, e os protestos nas ruas do pa\u00eds, estimulados por Washington. Afinal, se h\u00e1 uma palavra que cai como uma luva ao Ir\u00e3, \u00e9 <em>resili\u00eancia<\/em>. \u201cH\u00e1 certos elementos da pr\u00f3pria natureza do regime iraniano que fazem com que ele tenha sido criado e desenvolvido, desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 1979, para sobreviver a esses diversos ataques externos, inclusive se protegendo internamente para evitar instabilidades e cis\u00e3o de elites.\u201d, aponta Isabela Agostinelli, professora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Fecap, pesquisadora do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Estudos sobre Estados Unidos (INCT-INEU) e do Grupo de Estudos sobre Conflitos Internacionais (GECI) da PUC-SP.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta quinta, ao menos 1.230 pessoas morreram, incluindo 175 alunas e funcion\u00e1rios em um ataque com m\u00edsseis a uma escola na cidade iraniana de Minab, no s\u00e1bado (28). O conflito se estende para outros pa\u00edses: doze o na\u00e7\u00f5es que j\u00e1 registraram algum tipo de ataque relacionado \u00e0 ofensiva militar empreendida inicialmente pelos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. N\u00e3o h\u00e1 sinais de arrefecimento de nenhuma das partes, tampouco perspectiva de conversas acerca de um eventual cessar-fogo. <\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-4.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 complexo compreender o que se passa pela cabe\u00e7a de Trump ao negar descaradamente seu projeto de Make America Great Again (MAGA), que apregoava que guerras somente trariam volumosos gastos p\u00fablicos desnecess\u00e1rios e morte de norte-americanos. Mas, como lembra a pesquisadora, Israel tem grande influ\u00eancia na pol\u00edtica dom\u00e9stica dos Estados Unidos. Ela tamb\u00e9m esbo\u00e7a os poss\u00edveis motivos para a ofensiva militar contra o pa\u00eds persa. \u201cAs aspira\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e de Israel criam uma ordem regional que leva em considera\u00e7\u00e3o a lucratividade do chamado complexo industrial-militar, os interesses imobili\u00e1rios estadunidenses e o interesse israelense de expandir suas fronteiras nesse neocolonialismo que come\u00e7ou na Palestina, mas que n\u00e3o vai acabar ali\u201d, analisa Agostinelli.<\/p>\n<p>A guerra fustigada pela Casa Branca, embora mais contundente que as \u00faltimas contra Teer\u00e3, n\u00e3o ser\u00e1 um passeio pelo Oriente M\u00e9dio, como j\u00e1 observamos. Ao contr\u00e1rio da Venezuela, recentemente atacada e com seus recursos petroleiros sitiados, o Ir\u00e3 tem significativo poder de fogo \u2014 e provou isso ao furar o Domo de Ferro, o sistema de defesa israelense alardeado como \u201cimpenetr\u00e1vel\u201d, por exemplo. Por isso, \u00e9 crucial analisar como Teer\u00e3 age diante de duas pot\u00eancias t\u00e3o belicosas. Como tenta resistir e contra-atacar.<\/p>\n<p>Entre suas estrat\u00e9gias, diz a pesquisadora, est\u00e1 concentrar seus esfor\u00e7os nas monarquias \u00e1rabes do Golfo. Bombardeou bases militares norte-americanas no Bahrein, no Kuwait e nos Emirados \u00c1rabes Unidos. Houve respostas, claro. Mas v\u00e1rios pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, apesar de enxergarem o Ir\u00e3 como amea\u00e7a ao bloco, come\u00e7am a entender que este apoio irrestrito aos Estados Unidos, sob a promessa de prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais um bom neg\u00f3cio. Al\u00e9m disso, temem uma Primavera \u00c1rabe, pois seus povos veem Israel como grande amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a da regi\u00e3o. \u201cExiste ainda uma dimens\u00e3o econ\u00f4mica no c\u00e1lculo estrat\u00e9gico iraniano: atingir os fluxos de com\u00e9rcio e de pessoas, a log\u00edstica que sustenta as monarquias do Golfo, grandes pontos de passagem entre o Ocidente e o Extremo Oriente\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, Isabela Agostinelli analisa a sabotagem \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com o Ir\u00e3, a conex\u00e3o da guerra com a Quest\u00e3o Palestina, o p\u00e2nico moral propagandeado pelas m\u00eddias ocidentais para justificar a guerra e o papel geopol\u00edtico da R\u00fassia e China no Oriente M\u00e9dio. Confira os principais trechos da entrevista realizada por Glauco Faria.<\/p>\n<p><strong>O <\/strong><em><strong>timing<\/strong><\/em><strong> dos ataques<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o conseguimos identificar a racionalidade central por tr\u00e1s dessa a\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos e Israel, que foi uma agress\u00e3o apesar de ter sido qualificada como guerra preventiva ou ataque preventivo. Trump e Netanyahu sempre justificam os seus bombardeios no Ir\u00e3 com base na necessidade de mudan\u00e7a de regime, mas o Ir\u00e3 j\u00e1 mostrou que \u00e9 um Estado muito forte no sentido da sua organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e das divis\u00f5es de poderes, e o assassinato de uma lideran\u00e7a espec\u00edfica \u2014 o Khamenei, no caso \u2014 n\u00e3o seria suficiente para promover essa mudan\u00e7a de regime. O Ir\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a Venezuela, n\u00e3o \u00e9 o Iraque, n\u00e3o \u00e9 o Afeganist\u00e3o. H\u00e1 certos elementos da pr\u00f3pria natureza do regime iraniano que fazem com que ele tenha sido criado e desenvolvido, desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 1979, para sobreviver a esses diversos ataques externos, inclusive se protegendo internamente para evitar instabilidades e cis\u00e3o de elites.<\/p>\n<p>Sobre o <em>timing<\/em>, \u00e9 muito curioso: Estados Unidos e Ir\u00e3 estavam em processo de negocia\u00e7\u00e3o para um novo acordo nuclear mediado pelo governo de Om\u00e3 h\u00e1 algumas semanas. Os pr\u00f3prios protestos nas ruas foram diminuindo, ainda h\u00e1 diversas reclama\u00e7\u00f5es das distintas oposi\u00e7\u00f5es ao regime iraniano, mas n\u00e3o a ponto de significar a sua queda. O Ir\u00e3 j\u00e1 tinha concordado em abrir o pa\u00eds para inspe\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica, e horas depois veio esse ataque, mostrando que n\u00e3o havia interesse genu\u00edno em chegar a um acordo. O m\u00e1ximo que houve nesse sentido foi o estabelecido em 2015, ainda na presid\u00eancia de Obama, com o JCPOA [Joint Comprehensive Plan of Action], o acordo nuclear que resultou num al\u00edvio das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que o Ir\u00e3 sofre h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o s\u00f3 dos Estados Unidos, mas da Uni\u00e3o Europeia e de v\u00e1rios outros pa\u00edses. Quando Trump chegou ao poder, em 2018, acabou unilateralmente com esse acordo, retirou-se dele e reinstaurou as san\u00e7\u00f5es no que ele chamou de campanha de press\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>O Ir\u00e3 j\u00e1 sabe que os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o um parceiro confi\u00e1vel. J\u00e1 sabia disso, mas essa movimenta\u00e7\u00e3o recente provou que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade real de negocia\u00e7\u00e3o e que, mesmo que exista, o resultado n\u00e3o ser\u00e1 cumprido. O pr\u00f3prio representante da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica veio a p\u00fablico afirmar que n\u00e3o havia nenhuma evid\u00eancia de que o Ir\u00e3 estava desenvolvendo uma arma nuclear ou representando uma amea\u00e7a existencial para os Estados Unidos. Essa guerra \u00e9 injustific\u00e1vel do ponto de vista do direito internacional.<\/p>\n<p><strong>Gaza, Cisjord\u00e2nia e o projeto expansionista de Israel<\/strong><\/p>\n<p>Existe uma influ\u00eancia muito forte dos interesses israelenses na pol\u00edtica dom\u00e9stica norte-americana, mas n\u00e3o acredito que isso seja o \u00fanico motivo. H\u00e1 tamb\u00e9m interesses que podem ser pessoais de Trump ou de parte da sua base de apoio. N\u00e3o do Make America Great Again (MAGA), que defende o America First e n\u00e3o quer que o pa\u00eds se envolva militarmente na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, porque isso sempre \u00e9 muito custoso, inclusive em vidas humanas. Ainda que, nesse caso, o custo em vidas seja menor, dado que as t\u00e1ticas de ataque s\u00e3o predominantemente a\u00e9reas, sem movimenta\u00e7\u00e3o de tropas terrestres, o que j\u00e1 \u00e9 uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e do Afeganist\u00e3o, que mobilizou milhares de soldados americanos.<\/p>\n<p>H\u00e1 um elemento importante na vincula\u00e7\u00e3o desses eventos recentes com a guerra em Gaza, que em tese est\u00e1 num cessar-fogo desde outubro do ano passado e tem passado por um processo de reconstru\u00e7\u00e3o conduzido por aquele Conselho de Paz, que tamb\u00e9m \u00e9 uma piada. Na verdade, trata-se de um neocolonialismo, uma tentativa de transformar Gaza num empreendimento imobili\u00e1rio, de lucrar com essa reconstru\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, continuar matando os palestinos que vivem ali. O cessar-fogo j\u00e1 foi violado diversas vezes. \u00c9 uma transforma\u00e7\u00e3o espacial da Faixa de Gaza cujo resultado ainda n\u00e3o sabemos, mas \u00e9 uma tentativa de Israel se aproveitar do momento em que Gaza sai dos holofotes, assim como a Cisjord\u00e2nia, onde est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3xima a possibilidade de anexa\u00e7\u00e3o ao Estado de Israel, com o aumento da viol\u00eancia dos colonos e dos soldados israelenses contra os palestinos que vivem ali.<\/p>\n<p>\u00c9 uma estrat\u00e9gia de Netanyahu promover uma expans\u00e3o para a guerra regional, para al\u00e9m de Gaza, e avan\u00e7ar seu projeto de Grande Israel, que n\u00e3o se resume ao territ\u00f3rio da Palestina hist\u00f3rica, mas envolve partes do L\u00edbano e da S\u00edria, por exemplo. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o pr\u00f3prio Hezbollah (e muitos consideraram um erro t\u00e1tico) atacou a cidade de Haifa logo depois dos ataques iranianos, o que resultou no envio de tropas israelenses para o sul do L\u00edbano. Israel sempre se aproveita desses momentos de instabilidade que ele mesmo cria para avan\u00e7ar em seu projeto de modifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o regional.<\/p>\n<p>Essa expans\u00e3o tamb\u00e9m vem \u00e0s custas da desmobiliza\u00e7\u00e3o iraniana. O Ir\u00e3 ainda \u00e9 o grande ator que consegue bater de frente com Israel, ainda que as capacidades militares sejam desproporcionais. Israel tem capacidade militar muito maior, mas o Ir\u00e3 tem provado que consegue enfrent\u00e1-lo, impondo custos ao outro lado. A jun\u00e7\u00e3o dessas aspira\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e de Israel cria uma ordem regional que leva em considera\u00e7\u00e3o a lucratividade do chamado complexo industrial-militar, os interesses imobili\u00e1rios estadunidenses e o interesse israelense de expandir suas fronteiras nesse neocolonialismo que come\u00e7ou na Palestina, mas que n\u00e3o vai acabar ali.<\/p>\n<p><strong>Uma suposta \u201cguerra de valores\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Na narrativa que vemos da m\u00eddia tradicional, principalmente a brasileira, a pr\u00f3pria qualifica\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 remete ao \u201cregime dos aiatol\u00e1s\u201d, como se o pa\u00eds se resumisse \u00e0 exist\u00eancia de aiatol\u00e1s, quando se trata de um Estado forte, muito bem dividido politicamente, ainda que com a balan\u00e7a de poder mais favor\u00e1vel para algumas elites do que para outras. Um sistema de governo que, sim, tem um elemento religioso: Khamenei era um l\u00edder nesse sentido, com influ\u00eancia pol\u00edtica. Mas o Ir\u00e3 se vale bastante da sua Guarda Revolucion\u00e1ria, que muitos analistas apontam como cada vez mais fortalecida, principalmente nas suas correntes de linha dura.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o Ir\u00e3 reagiu muito rapidamente, sem esperar 12 dias como fez no ano passado, concentrando seus esfor\u00e7os nas monarquias \u00e1rabes do Golfo. As narrativas da m\u00eddia tradicional reduzem o conflito \u2014 n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3, mas ao Oriente M\u00e9dio em geral \u2014 a um embate religioso, como se a religi\u00e3o fosse o elemento central, quando na verdade ela funciona como um malabarismo argumentativo em torno de valores ocidentais. E as mulheres s\u00e3o sempre um grande objeto nesse enquadramento, nunca sujeitos. Vi v\u00e1rias reportagens, com muitas informa\u00e7\u00f5es falsas, mostrando como as mulheres iranianas agora estariam livres porque Khamenei morreu e agora poderiam tirar o v\u00e9u, como se o v\u00e9u fosse o grande problema daquelas mulheres. Existem v\u00e1rios movimentos feministas e de direitos das mulheres no Ir\u00e3, mas ningu\u00e9m lhes pergunta o que querem. \u00c9 sempre uma vers\u00e3o que as coloca como objeto da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, n\u00e3o como sujeitos. N\u00e3o se questiona qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre a interven\u00e7\u00e3o externa, sobre os bombardeios dos Estados Unidos, at\u00e9 porque os primeiros alvos atingidos inclu\u00edram uma escola de meninas. O argumento j\u00e1 cai por terra no primeiro movimento deles. O interesse era proteger o direito das mulheres? Nunca foi. Nunca foi no Afeganist\u00e3o, para proteger as mulheres do Talib\u00e3.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre um argumento que tem for\u00e7a porque \u00e9 subjetivo, relacionado a valores, uma justificativa que encobre os interesses reais dessas guerras: interesses materiais, territoriais, comerciais e imperialistas.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o isl\u00e2mica tem v\u00e1rias vertentes internas, mas \u00e9 tratada de forma simplista ou, no extremo oposto, como se fosse a grande fonte de desestabiliza\u00e7\u00e3o mundial. Essa narrativa orientalista n\u00e3o \u00e9 nova, Edward Said j\u00e1 falava nisso h\u00e1 muito tempo, sobre o estere\u00f3tipo de uma religi\u00e3o tratada sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o pela sua complexidade, pela sua import\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 para o Oriente M\u00e9dio, mas para a \u00c1sia e para pa\u00edses africanos. Como se os Estados seculares tamb\u00e9m n\u00e3o fossem, em sua maioria, atravessados pela influ\u00eancia religiosa. Nos Estados Unidos e no Brasil fala-se de fundamentalismo isl\u00e2mico, mas n\u00e3o de fundamentalismo evang\u00e9lico, que tem sido uma quest\u00e3o cada vez mais relevante.<\/p>\n<p>O elemento central n\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o, \u00e9 como ela \u00e9 instrumentalizada. O problema n\u00e3o \u00e9 Khamenei e a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana, mas os interesses de Israel e dos Estados Unidos na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e a forma como o Ir\u00e3 se contrap\u00f5e a eles, barrando sua influ\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds, mas por meio de alian\u00e7as com os chamados atores n\u00e3o estatais: Hezbollah, Hamas, Houthis, Ansar Allah. Grupos que hoje est\u00e3o enfraquecidos e passando por desestabiliza\u00e7\u00f5es internas.<\/p>\n<p><strong>Dividir para conquistar<\/strong><\/p>\n<p>Uma das poss\u00edveis estrat\u00e9gias por tr\u00e1s da ofensiva dos EUA seria justamente promover o caos dentro do Ir\u00e3. Vimos isso no come\u00e7o do ano, com a tentativa de inflar os protestos tanto por parte dos Estados Unidos quanto de Israel. Agora parece existir uma tentativa de insuflar os movimentos separatistas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos curdos, que n\u00e3o se resumem ao Ir\u00e3, vivem tamb\u00e9m em partes do Iraque, da S\u00edria e da Turquia.<\/p>\n<p>Poucos elementos ainda apontam com clareza para isso, mas seria uma possibilidade que vale investigar. Insuflar esses movimentos seria promover no Ir\u00e3 algo semelhante ao que est\u00e1 acontecendo com a S\u00edria depois da queda de Bashar al-Assad, um processo de reconstru\u00e7\u00e3o de Estado muito delicado e amb\u00edguo. Essa velha t\u00e1tica de dividir e conquistar \u00e9 mais dif\u00edcil de aplicar no caso do Ir\u00e3, mas tamb\u00e9m \u00e9 por isso que o Ir\u00e3 avan\u00e7a sobre as monarquias \u00e1rabes. Desde o in\u00edcio dos ataques, j\u00e1 come\u00e7ou a bombardear bases militares americanas no Bahrein, no Kuwait e nos Emirados \u00c1rabes Unidos. As intercepta\u00e7\u00f5es desses m\u00edsseis iranianos acabam gerando os chamados danos colaterais e atingindo a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ataques diretos da Ar\u00e1bia Saudita ou dos Emirados \u00c1rabes Unidos contra o Ir\u00e3, e isso \u00e9 improv\u00e1vel, seria muito custoso, n\u00e3o s\u00f3 financeiramente, mas em termos de apoio popular. A grande preocupa\u00e7\u00e3o das monarquias \u00e1rabes \u00e9 a chamada rua \u00e1rabe, como ficou evidente na Primavera \u00c1rabe, quando as manifesta\u00e7\u00f5es foram violentamente reprimidas no Bahrein, na Ar\u00e1bia Saudita e em outros pa\u00edses. A popula\u00e7\u00e3o em geral n\u00e3o apoia o processo de normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com Israel nem as a\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3. Pelo contr\u00e1rio, enxerga em Israel a grande amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a da regi\u00e3o, o que os palestinos atestam h\u00e1 d\u00e9cadas, pelo menos desde 1948.<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos dez anos tem crescido um movimento, que alguns autores chamam de <em>hedging<\/em> e que chamamos no Brasil de equidist\u00e2ncia pragm\u00e1tica, pelo qual as monarquias \u00e1rabes buscam n\u00e3o depender tanto da prote\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. H\u00e1 um grande contingente de bases militares e soldados americanos naquela regi\u00e3o, inclusive no Catar, que sedia a maior base dos EUA no mundo. Mas sediar essas bases, como o Ir\u00e3 tenta demonstrar, \u00e9 muito mais um perigo do que uma prote\u00e7\u00e3o, porque os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o fazendo nada para proteger esses pa\u00edses. Pelo contr\u00e1rio, os utilizam como pe\u00e7as numa disputa da qual eles tamb\u00e9m pagam o pre\u00e7o.<\/p>\n<p>De um lado, o Ir\u00e3 tenta mostrar que a alian\u00e7a das monarquias \u00e1rabes com os Estados Unidos \u00e9 muito custosa. J\u00e1 houve, por parte do governo iraniano, uma tentativa de di\u00e1logo com elas, a Ar\u00e1bia Saudita talvez tenha sido pioneira nesse sentido, com a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com o Ir\u00e3 em 2023, antes do 7 de outubro, numa conversa mediada pela China. Isso mostra que h\u00e1 possibilidade de o Ir\u00e3 e o Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo chegarem a um entendimento que reduza essa inimizade. O Conselho foi criado em 1981, num contexto muito diferente, marcado pela guerra entre Ir\u00e3 e Iraque que amea\u00e7ava a estabilidade do Golfo.<\/p>\n<p>Os iranianos continuaram sendo vistos como a grande amea\u00e7a pelo bloco, mas nos \u00faltimos anos h\u00e1 uma mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o: tem ficado cada vez mais evidente que a principal amea\u00e7a \u00e0 estabilidade regional \u00e9 Israel, com o respaldo incondicional dos Estados Unidos. Isso foi demonstrado na Guerra dos Doze Dias e nos ataques israelenses ao Catar em setembro de 2025. Como um aliado ataca outro?<\/p>\n<p>Existe ainda uma dimens\u00e3o econ\u00f4mica no c\u00e1lculo estrat\u00e9gico iraniano: atingir os fluxos de com\u00e9rcio e de pessoas, a log\u00edstica que sustenta as monarquias do Golfo, grandes pontos de passagem entre o Ocidente e o Extremo Oriente. Quem viaja da Am\u00e9rica Latina ou dos Estados Unidos para a China, por exemplo, frequentemente faz escala em Dubai ou Doha. As disrup\u00e7\u00f5es nessa log\u00edstica t\u00eam efeitos concretos. O pr\u00f3prio fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petr\u00f3leo mundial, mostra que, para al\u00e9m dos ataques militares, existe uma tentativa iraniana de atuar sobre o com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>Depois dos ataques, a Gr\u00e3-Bretanha declarou que estaria ao lado dos Estados Unidos. Mas ap\u00f3s o Ir\u00e3 atacar uma base brit\u00e2nica no Chipre, indo al\u00e9m das monarquias \u00e1rabes, a mensagem ficou clara: h\u00e1 um custo em apoiar as a\u00e7\u00f5es de Estados Unidos e Israel, e esse custo pode chegar \u00e0 Europa.<\/p>\n<p><strong>O Ir\u00e3 sozinho. E por que R\u00fassia e China ficam \u00e0 margem<\/strong><\/p>\n<p>R\u00fassia e China n\u00e3o est\u00e3o movendo um dedo para ajudar o Ir\u00e3, o que j\u00e1 era esperado. N\u00e3o \u00e9 interesse dessas duas pot\u00eancias um envolvimento militar direto. H\u00e1 quem especule que a China tamb\u00e9m seria um alvo no horizonte desses ataques, mas ela n\u00e3o depende exclusivamente do petr\u00f3leo iraniano, compra muito mais dos Emirados \u00c1rabes Unidos, da Ar\u00e1bia Saudita e das monarquias do Golfo em geral.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 \u00e9 um parceiro estrat\u00e9gico da China, mas essa parceria ainda n\u00e3o se traduziu em apoio militar equivalente ao que os Estados Unidos oferecem a Israel. A R\u00fassia, por sua vez, est\u00e1 completamente absorta na guerra da Ucr\u00e2nia, j\u00e1 no quarto ano sem perspectiva de paz no horizonte, e mant\u00e9m alian\u00e7as estrat\u00e9gicas com Emirados \u00c1rabes Unidos e Ar\u00e1bia Saudita. O Ir\u00e3 depende muito mais desses pa\u00edses do que o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, envolver-se militarmente significaria um confronto direto com os Estados Unidos e isso n\u00e3o \u00e9 do interesse de nenhuma das duas pot\u00eancias, nem \u00e9 o padr\u00e3o de comportamento da China, que evita interven\u00e7\u00f5es militares, ao menos no Oriente M\u00e9dio. Portanto, o Ir\u00e3 est\u00e1 sozinho. O m\u00e1ximo de apoio que conta \u00e9 do Hezbollah e \u00e9 por isso que est\u00e1 apostando todas as suas fichas nas monarquias \u00e1rabes do Golfo.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Assim o Ir\u00e3 contra-ataca appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/serie-para-assistir-no-final-de-semana-eternauta-realismo-magico-da-america-latina\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/AAAAQRLST9KAwXdoSqG9m3VaL5NS7_cJm_rXicw4hwHwmNz2E8__jPxhx8ZZFWtRfOk5h_DwEI72kkPKAR4Kv7aYllGw2um1QoLsPt0FY1xkU2owf_wMAFTxXSQODJcLFwt0VDozKsHImTyeIZS5kRDI0Urp-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">S\u00e9rie para assistir no final de semana: Eternauta,...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/queda-para-industria-ganho-para-soja-estudo-mapeia-efeitos-do-tarifaco-de-trump-sobre-o-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Screenshot-2025-04-07-at-17-15-03-Guerra-Comercial-Simulacoespdf-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Queda para ind\u00fastria, ganho para soja: estudo mape...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mulheres-na-luta-contra-a-ditadura-de-1964\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/P10-_-Helenira-Resende-_-Estefani-Maciel-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Mulheres na luta contra a Ditadura de 1964<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/exclusivo-foragido-da-justica-brasileira-alexandre-ramagem-abriu-empresa-nos-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Exclusivo: Foragido da Justi\u00e7a brasileira, Alexand...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acossado por pot\u00eancias militares, o pa\u00eds persa resiste. 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Seus vizinhos j\u00e1 percebem que alian\u00e7a com EUA n\u00e3o \u00e9 bom neg\u00f3cio<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/e-assim-o-ira-contra-ataca\/\">Assim o Ir\u00e3 contra-ataca<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76966,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,37772,5700,37773,516,37774,8935,37775,37776,12059,33911],"tags":[],"class_list":["post-76965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-expansionismo-de-israel","category-geopolitica-guerra","category-guerran-no-ira","category-hezbollah","category-isabela-agostinelli","category-khamenei","category-monarquias-arabes","category-omplexo-industrial-militar","category-questao-palestina","category-trump-e-guerras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76965\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}