{"id":77492,"date":"2026-03-09T14:38:39","date_gmt":"2026-03-09T17:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-e-o-ocaso-tragico-do-homem-branco-imbrochavel\/"},"modified":"2026-03-09T14:38:39","modified_gmt":"2026-03-09T17:38:39","slug":"trump-e-o-ocaso-tragico-do-homem-branco-imbrochavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-e-o-ocaso-tragico-do-homem-branco-imbrochavel\/","title":{"rendered":"Trump e o ocaso tr\u00e1gico do homem branco imbroch\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"844\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5005982893041454106_w.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/09143707\/photo_5005982893041454106_w-1500x844.jpg 1500w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/09143707\/photo_5005982893041454106_w-300x169.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/09143707\/photo_5005982893041454106_w-768x432.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/09143707\/photo_5005982893041454106_w-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5005982893041454106_w.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original:<strong><br \/>A viriliza\u00e7\u00e3o da soberania e o desejo por pais salvadores<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e1 mais do que claro que, no mundo em que vivemos hoje, qualquer tentativa de previsibilidade e antecipa\u00e7\u00e3o do que pode acontecer na pol\u00edtica internacional ou, ainda, qualquer esfor\u00e7o te\u00f3rico que venha tentar dar contornos de compreens\u00e3o \u00e0 realidade apreendida t\u00eam sido uma tarefa cada vez mais frustrante. A pol\u00edtica global com Donald Trump \u00e0 frente dos Estados Unidos tem nos colocado desafios n\u00e3o somente acad\u00eamicos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do conhecimento em pol\u00edtica internacional, mas, sobretudo, desafios que nos revelam, talvez, o que h\u00e1 de pior em nosso mais profundo imagin\u00e1rio coletivo.<\/p>\n<p>O surgimento de Trump na pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9, infelizmente, uma caracter\u00edstica exclusiva do contexto estadunidense. Sua figura pol\u00edtica \u00e9 a de um homem cuja masculinidade se apresenta como invenc\u00edvel e isso, definitivamente, ecoa em outras partes do globo. A come\u00e7ar pela figura de Jair Bolsonaro que, no Brasil, dentre os muitos estragos pol\u00edticos causados, dentre as muitas crises produzidas, chegou a se apresentar publicamente como \u201cimbroch\u00e1vel\u201d, em cima de um trio el\u00e9trico durante o desfile militar em celebra\u00e7\u00e3o ao bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia, em setembro de 2022.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--13.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--13.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o fosse o contexto pol\u00edtico da celebra\u00e7\u00e3o dos duzentos anos da Independ\u00eancia do pa\u00eds, o neologismo \u201cimbroch\u00e1vel\u201d, criado pelo ex-presidente em cima de um trio el\u00e9trico, bem poderia ter acontecido em um contexto de carnaval, tamb\u00e9m com trios el\u00e9tricos onde \u201cimbroch\u00e1vel\u201d pudesse se tornar refr\u00e3o de um hit de muito mal gosto que celebra a fantasia em torno de uma virilidade que nunca fracassa.<\/p>\n<p>Que um ex-presidente se afirme como \u201cimbroch\u00e1vel\u201d no anivers\u00e1rio de duzentos anos de independ\u00eancia de um pa\u00eds diz muito sobre o qu\u00e3o dependentes ainda somos das fantasias produzidas em torno do desejo, do prazer, da vit\u00f3ria e da conquista de figuras masculinas. Ao entoar um coro de \u201cimbroch\u00e1vel\u201d, Bolsonaro levou \u00e0 loucura milhares de homens que tamb\u00e9m se sentiram, talvez pela primeira vez na vida, respaldados em suas fantasias sexuais. N\u00e3o \u00e9 preciso ir muito longe para lembrarmos que foi tamb\u00e9m Bolsonaro quem presenteou Javier Milei, presidente da Argentina, em um evento voltado ao p\u00fablico da direita e da ultradireita, realizado em Santa Catarina, em 2024, com uma medalha gravada com tr\u00eas \u201cis\u201d, em alus\u00e3o ao modo como Bolsonaro definiu a si mesmo como o \u201cimbroch\u00e1vel, imorr\u00edvel e incom\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>O que une estas tr\u00eas figuras, Trump, Milei e Bolsonaro, \u00e9 o culto a uma masculinidade hegem\u00f4nica, que se materializa na pol\u00edtica como uma maneira de agir desenfreada, destemida, irrespons\u00e1vel e com um senso de impunidade jamais visto. Quando uma figura pol\u00edtica como esta se coloca como \u201cimbroch\u00e1vel, imorr\u00edvel e incom\u00edvel\u201d o que ela produz \u00e9, no exato momento em que \u00e9 enunciada, o seu reverso. Figuras como esta produzem aqueles que sim, v\u00e3o \u201cbrochar\u201d, aqueles que sim, v\u00e3o morrer \u2013 como aconteceu na pandemia, em que milhares de pessoas morreram pois eram consideradas \u201cmorr\u00edveis\u201d por essa mesma figura pol\u00edtica \u2013 e sim, h\u00e1 aqueles que ser\u00e3o \u201ccomidos\u201d \u2013 em uma clara e vulgar alus\u00e3o ao ato sexual que objetifica o outro em posi\u00e7\u00e3o de passividade.<\/p>\n<p>Para esse tipo de masculinidade, o fracasso n\u00e3o \u00e9, definitivamente, uma op\u00e7\u00e3o e a conquista, ou melhor, a tomada de corpos e territ\u00f3rios alheios se torna a raz\u00e3o de ser. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que come\u00e7amos o ano de 2026 com os ataques dos EUA na Venezuela, a invas\u00e3o\u00a0 do territ\u00f3rio venezuelano e o sequestro do presidente Nicol\u00e1s Maduro. Nos dias seguintes \u00e0 invas\u00e3o da Venezuela, Trump diz querer tomar a Groel\u00e2ndia, hoje um territ\u00f3rio semiaut\u00f4nomo de um aliado da Otan, a Dinamarca, sob a justificativa de que navios russos e chineses ao redor da ilha constituem uma amea\u00e7a aos EUA. A declara\u00e7\u00e3o do presidente causou in\u00fameras tens\u00f5es no cen\u00e1rio internacional, e Trump chegou a mobilizar um discurso de amea\u00e7a de uso da for\u00e7a militar para tomar o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O discurso da imin\u00eancia da guerra ganhou espa\u00e7o nos notici\u00e1rios, na m\u00eddia especializada e acionou, de maneira ainda mais acirrada, o medo arraigado do \u201coutro\u201d que nos amea\u00e7a, s\u00f3 que agora, este \u201coutro\u201d que pode ser uma amea\u00e7a aos interesses europeus \u2013 j\u00e1 n\u00e3o se trata do migrante, do refugiado, como figura pol\u00edtica que embaralha e rompe com as fronteiras geogr\u00e1ficas, pol\u00edticas e imagin\u00e1rias de uma na\u00e7\u00e3o. Este \u201coutro\u201d que pode ser uma amea\u00e7a \u00e0 Europa \u00e9 um aliado da OTAN, da qual a pr\u00f3pria Europa faz parte. O p\u00e2nico na esfera internacional tem escalado n\u00edveis t\u00e3o altos que o chefe de Estado Maior da Fran\u00e7a chegou a recomendar que os franceses come\u00e7assem a se dispor em colocar os filhos e netos para morrerem na guerra \u2013 e Emanuel Macron calou-se. O Reino Unido enviou recomenda\u00e7\u00f5es sobre como se proteger e se prevenir em casos de guerra, inclusive para hospitais.<\/p>\n<p>Embora os EUA tenha, desde os ataques do 11 de setembro, se apresentado ao mundo como inviol\u00e1vel, nunca o mundo teve tanto medo de um ataque iminente sob qualquer justificativa. Seria poss\u00edvel enumerar muitas diferen\u00e7as entre as rea\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos EUA frente aos ataques de 11 de setembro de 2001 e as rea\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e0s amea\u00e7as que os pr\u00f3prios EUA produzem agora. Uma delas \u00e9 que George W. Bush, o filho, em seu discurso logo ap\u00f3s os ataques ao World Trade Center, em setembro de 2001, invocou o Ocidente para lutar contra o \u201cmal\u201d, contra o \u201cterrorismo\u201d. Bush fez um apelo \u00e0 sociedade internacional ocidental para combater o \u201coutro\u201d perigoso, o \u201coutro\u201d terrorista. Trump, em seu discurso no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos, em janeiro deste ano, repetiu a f\u00f3rmula de Bush, fazendo um apelo aos pa\u00edses ocidentais para agirem conjuntamente na defesa da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u201d. No entanto, Trump afirmou tamb\u00e9m que o Ocidente precisa \u201csalvar o homem branco\u201d. Tal \u00e9 a novidade no modo de se fazer pol\u00edtica com figuras como essa. N\u00e3o basta evocar um grupo do \u201cn\u00f3s\u201d contra \u201celes\u201d, \u00e9 preciso produzir uma amea\u00e7a ao homem, e n\u00e3o \u00e9 qualquer homem que est\u00e1 amea\u00e7ado, \u00e9 o homem branco.<\/p>\n<p>O que Trump revela, em seu discurso em Davos, \u00e9 justamente o modo como a masculinidade hegem\u00f4nica, para poder prevalecer e se sustentar, precisa se colocar na posi\u00e7\u00e3o de estar amea\u00e7ada para que, ent\u00e3o, possa ser salva. O discurso de Trump evoca a necessidade de uma figura masculina viril, forte, invenc\u00edvel e inabal\u00e1vel para governar o mundo. Tal discurso apelo porque, junto a ele, \u00e9 produzida a ideia de que essa mesma figura masculina \u00e9 que est\u00e1 amea\u00e7ada. O que faz Trump acordar um belo dia e decidir invadir a Venezuela, sequestrar seu presidente, postar uma nota no X para que todos saibam do seu feito, ou o que lhe permite desejar tomar o territ\u00f3rio da Groel\u00e2ndia porque acredita que \u00e9 seu de direito?\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-2.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/05\/31183543\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Recentemente, em um <em>artigo<\/em> publicado na revista <em>The Economist,<\/em> Celso Amorim escreveu que uma das quest\u00f5es mais fundamentais suscitadas pela invas\u00e3o estadunidense na Venezuela \u00e9: como viver num mundo sem regras? Amorim argumenta que o ponto no qual estamos na pol\u00edtica internacional \u00e9 o de abalo generalizado dos pilares do direito internacional constru\u00eddos para regular a seguran\u00e7a coletiva, gerenciar o com\u00e9rcio internacional e promover os direitos humanos. Afirma tamb\u00e9m que esse tipo de interven\u00e7\u00e3o militar foi considerado comum na pol\u00edtica internacional dos s\u00e9culos XIX e come\u00e7o do XX. Tais interven\u00e7\u00f5es s\u00f3 eram poss\u00edveis pois n\u00e3o existiam instrumentos legais, mecanismos de arbitragem e, principalmente, a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que se baseia no princ\u00edpio da igualdade soberana entre os Estados e pro\u00edbe a amea\u00e7a ou o uso da for\u00e7a contra a integridade territorial ou a independ\u00eancia pol\u00edtica de qualquer Estado. Para Amorim, o que estamos vivendo \u00e9 um retorno ao estado de natureza hobbesiano, no qual o indiv\u00edduo vivia em um estado de guerra de todos contra todos, onde o homem era o lobo do homem, a guerra um meio leg\u00edtimo de mudan\u00e7a e a for\u00e7a militar determinante para a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o me parece, no entanto, que estamos retornando a um estado de natureza hobbesiano, at\u00e9 porque tal estado de natureza se refere mais a um constructo abstrato, filos\u00f3fico, que nos orienta em nossas compreens\u00f5es do que \u00e9 viver em comunidade pol\u00edtica e seus limites \u2013 e menos sobre um suposto momento em que todos deixamos o estado primitivo e entramos num est\u00e1gio mais avan\u00e7ado, onde a ordem impera e o medo da morte acaba. N\u00e3o se trata bem de um <em>retorno<\/em> a um estado de natureza, como argumenta Amorim, e sim um acionar de um estado de presen\u00e7a no mundo que, durante muito tempo, ficou recalcado no inconsciente.<\/p>\n<p>Examinemos o ato de um presidente que sobe no palanque e fala, repetidamente, que \u00e9 \u201cimbroch\u00e1vel\u201d. Ao faz\u00ea-lo, ele aciona no outro o desejo do desejo do outro, em termos hegelianos. Em uma cultura machista e patriarcal, onde ser homem \u00e9 sin\u00f4nimo de onipot\u00eancia, ouvir o desejo de um \u201cmacho\u201d ser enunciado diante de outros \u201cmachos\u201d \u00e9 um ato performativo que (re)produz uma masculinidade t\u00f3xica, destrutiva e inabal\u00e1vel. Ser reconhecido socialmente como \u201cimbroch\u00e1vel\u201d \u00e9 a chancela para que os impulsos passionais mais destrutivos sejam liberados. A\u00ed reside o perigo. Ao longo do s\u00e9culo XX estivemos empenhados em construir arcabou\u00e7os legais, jur\u00eddicos e institucionais para que fosse poss\u00edvel viver no que se considerou, por muito tempo, como uma sociedade civilizada. Nela, ao contr\u00e1rio do que ocorre no suposto \u201cestado da natureza\u201d, a morte n\u00e3o seria mais um problema, porque ela e seu medo estariam geridos, controlados e depositados sob os dom\u00ednios de um soberano. Vemos agora que \u00e9 justamente esse soberano quem evoca o que h\u00e1 de mais violento e nocivo e que foi sendo recalcado em nosso imagin\u00e1rio coletivo ao longo dos pactos pol\u00edticos que fizemos como sociedade.<\/p>\n<p>Eis que chega um momento em que o soberano acorda e decide rasgar todos os limites institucionais e evocar as paix\u00f5es humanas mais destruidoras. Afirmar-se como \u201cimbroch\u00e1vel\u201d guarda \u00edntimas rela\u00e7\u00f5es causais com as interven\u00e7\u00f5es desmedidas e excepcionais que a pol\u00edtica internacional tem vivido. Ser \u201cimbroch\u00e1vel\u201d \u00e9 acordar um belo dia e invadir a Venezuela, \u00e9 atacar o Ir\u00e3 e bombardear escolas matando mais de cem\u00a0 meninas. \u00c9 dizimar a popula\u00e7\u00e3o palestina em um processo de genoc\u00eddio televisionado. Ser \u201cimbroch\u00e1vel\u201d \u00e9, hoje, um ato performativo intr\u00ednseco a l\u00edderes pol\u00edticos cuja figura masculina sente-se capaz de fazer o que quiser a despeito do direito internacional.<\/p>\n<p>Segundo o pr\u00f3prio Trump afirmou a rep\u00f3rteres do <em>New York Times<\/em>, ele n\u00e3o precisa do direito internacional. O presidente deixou claro que ele mesmo seria o \u00e1rbitro de quando os princ\u00edpios legais internacionais se aplicariam aos EUA. Trump s\u00f3 faz o que quer, sem nenhum constrangimento da comunidade internacional, n\u00e3o porque estamos <em>voltando <\/em>a um estado de natureza hobbesiano, mas porque esse estado de natureza \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o patriarcal que manteve nosso imagin\u00e1rio pol\u00edtico ref\u00e9m da cren\u00e7a de que viver em comunidade pol\u00edtica requer uma autoridade paternal, ao mesmo tempo protetora e violadora, ao mesmo tempo que protege (alguns), viola o corpo-territ\u00f3rio (de outros). \u00c9 o que ocorre quando a exce\u00e7\u00e3o torna-se regra, \u00e9 sobre a indistin\u00e7\u00e3o entre um dom\u00ednio da ordem, regido por uma soberania, e um dom\u00ednio da excepcionalidade, em que a ordem \u00e9 suspensa e tudo \u00e9 permitido, como propunha Giorgio Agamben.<\/p>\n<p>Trata-se, como t\u00e3o bem exp\u00f4s Pedro Paulo Pereira em texto recente, de uma mudan\u00e7a profunda de sensibilidade pol\u00edtica, a partir da qual h\u00e1 em jogo um regime de afetos em que a exce\u00e7\u00e3o ganha valor e a suspens\u00e3o do direito torna-se sin\u00f4nimo de justi\u00e7a. Como argumenta Pereira, a viol\u00eancia soberana opera como uma tecnologia leg\u00edtima de recomposi\u00e7\u00e3o do real e, nesse sentido, os sujeitos pol\u00edticos, por excel\u00eancia, s\u00e3o aqueles que funcionam a partir da l\u00f3gica do comando, suspendendo a norma jur\u00eddica como uma t\u00e9cnica ordin\u00e1ria de governo e reinscrevendo a soberania como pr\u00e1tica de tomada, nas palavras do autor.<\/p>\n<p>Figuras pol\u00edticas que se colocam como salvadoras e redentoras produzem o mundo de tal maneira que ele se torna desej\u00e1vel a partir do culto de uma soberania virilizada. Tais figuras performatizam a ideia de que viver em comunidade, hoje, requer virilizar a soberania. Para isso, necessitar\u00edamos de figuras masculinas que sejam viris, fortes e suficientemente inabal\u00e1veis para dar conta do recado. Para essa mentalidade patriarcal, que cada vez mais toma conta do modo como se compreende e se vive a pol\u00edtica, de nada adianta ir para as mesas de negocia\u00e7\u00e3o \u2013 o que funciona mesmo \u00e9, como diz o jarg\u00e3o profundamente machista, \u201cbotar o pau na mesa\u201d. \u00c9 o que Trump tem demonstrado fazer na pol\u00edtica internacional. \u00c9 assim que ele d\u00e1 o seu recado: \u00e9 preciso ir para cima, \u00e9 preciso ir pela for\u00e7a e n\u00e3o fracassar. Quando Bolsonaro foi preso, Trump afirmou n\u00e3o gostar estar perto de perdedores. Isso confirma a l\u00f3gica por tr\u00e1s da ideia de uma masculinidade hegem\u00f4nica, invenc\u00edvel e inabal\u00e1vel. Talvez, para Trump, a pris\u00e3o de Bolsonaro revele que ele n\u00e3o foi t\u00e3o homem como deveria ter sido. Ser\u00e1 que, para Trump, Bolsonaro seria t\u00e3o \u201cimbroch\u00e1vel\u201d como diz ser?<\/p>\n<p>Se o que a vertente realista da pol\u00edtica internacional nos deixa como legado \u00e9 a m\u00e1xima de que \u201cos fortes mandam e os fracos obedecem\u201d, como est\u00e1 no di\u00e1logo entre os m\u00e9lios e o atenienses na <em>Hist\u00f3ria da Guerra do Peloponeso<\/em>, de Tuc\u00eddides, o que hoje algumas figuras masculinas de lideran\u00e7a global representam \u00e9 a ideia de que \u201cos mais viris ditam as regras e os fracos obedecem\u201d. Trump n\u00e3o se deixa constranger por nenhuma regra, por nenhuma norma, por nenhuma lei. A norma \u00e9 ele quem faz. A norma depende do que ele entende ser a norma. \u00c9 como lhe foi perguntado recentemente em uma entrevista ao <em>The New York Times<\/em> sobre se havia algo que pudesse fre\u00e1-lo. Ao que Trump respondeu que s\u00f3 h\u00e1 uma coisa que pode det\u00ea-lo: sua mente, sua pr\u00f3pria moralidade. Ou seja, ele \u00e9 a pr\u00f3pria viriliza\u00e7\u00e3o da soberania: uma soberania \u201cimbroch\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, contudo, de um retorno a uma natureza primitiva, id\u00edlica e perigosa. Esta nunca deixou de nos habitar, ela s\u00f3 tem sido acionada em nosso imagin\u00e1rio pol\u00edtico, pois em tempos de crise do neoliberalismo, em que as promessas de autonomia e liberdade s\u00e3o colocadas por terra, costumamos recorrer a esse imagin\u00e1rio pol\u00edtico cuja figura protagonista \u00e9 sempre um homem, travestido de pai, igualmente protetor e violador, que surge para redimir os indefesos dos males do mundo. Na reuni\u00e3o em Davos, Trump lamentou que antes de come\u00e7ar a reivindicar o territ\u00f3rio da Groel\u00e2ndia, seus aliados o chamavam de <em>daddy<\/em> (papai). Me pergunto se, talvez, seria assim que Trump gostava de ser chamado pelas mulheres e meninas de quem, segundo as den\u00fancias, ele abusou sexualmente. Ser chamado de <em>daddy <\/em>pelos seus aliados pol\u00edticos \u201cmachos\u201d estaria tamb\u00e9m nesse registro da fantasia sexual do poder?<\/p>\n<p>Desejar ser chamado de <em>daddy <\/em>diz muito sobre os tempos que estamos vivendo. Diz, ainda mais, sobre como nosso imagin\u00e1rio pol\u00edtico \u00e9 protagonizado por figuras paternais que prometem a salva\u00e7\u00e3o. E o discurso da paternidade salvacionista n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade da direita. Relembro que nas campanhas do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva como candidato nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, circulava nas redes sociais um slogan, entre parte consider\u00e1vel da esquerda brasileira, que dizia <em>o papai voltou! <\/em>ou <em>o pai t\u00e1 on!<\/em> Se isso n\u00e3o \u00e9 um reflexo do acionamento de nossas fantasias de poder mais arraigadas em torno de figuras dotadas de uma autoridade soberana e protetora, estrat\u00e9gia que se assemelha ao lamento de Trump em n\u00e3o ser mais chamado de <em>daddy<\/em> pelos seus pares, ent\u00e3o eu n\u00e3o saberia dizer o que \u00e9.\u00a0<\/p>\n<p>Precisamos nos desvencilhar dessa trama centrada no pai que volta para solucionar os problemas do mundo e da pol\u00edtica. Primeiro porque o problema n\u00e3o \u00e9 algo a ser solucionado por uma a\u00e7\u00e3o externa, uma interven\u00e7\u00e3o divina, ao mesmo tempo tr\u00e1gica e redentora, que evoca uma gram\u00e1tica judaico-crist\u00e3. Segundo, porque enquanto estivermos condicionados a nos orientar politicamente em torno de uma figura paternal dotada de uma <em>legitimada<\/em> autoridade soberana, estaremos fadados a esperar sempre o retorno do Messias para dar conta do problema. E temos visto o caos produzido pelos Messias que t\u00eam surgido. E terceiro, porque enquanto acreditarmos que a pol\u00edtica s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel mediada pela figura do pai, estaremos ref\u00e9ns da hist\u00f3ria tomada nas m\u00e3os dos \u201cvencedores\u201d. Como j\u00e1 nos alertava Walter Benjamin, \u00e9 preciso tomar as r\u00e9deas da hist\u00f3ria e faz\u00ea-la por n\u00f3s mesmos, ou estaremos sempre fadados \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos vencidos.<\/p>\n<p>Enquanto o papai estiver no comando, continuaremos a ver figuras como a de Trump defendendo que temos que perfurar, sim, a terra e extrair, sim, os recursos energ\u00e9ticos dispon\u00edveis para a humanidade. Seguiremos vendo figuras como a dele surgindo na pol\u00edtica e entoando seu mesmo mote <em>drill, baby, drill! <\/em>(perfure, baby, perfure!), mote mobilizado repetidamente por Trump em suas \u00faltimas campanhas. Nesta l\u00f3gica, o que impera \u00e9 uma soberania virilizada, uma soberania que para se afirmar, precisa perfurar, indiscriminadamente, precisa <em>penetrar <\/em>(nos m\u00faltiplos sentidos sem\u00e2nticos da palavra) corpos-territ\u00f3rios outros, precisa extrair tudo o que for poss\u00edvel. <em>Perfure, baby, perfure! <\/em>revela o desejo irrefre\u00e1vel de uma masculinidade cujas fantasias sexuais de poder giram em torno, justamente, da penetra\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios alheios, da penetra\u00e7\u00e3o n\u00e3o consensual de corpos alheios, fazendo com que, assim, ao penetrarem, tais corpos-territ\u00f3rios se tornem seus.<\/p>\n<p>\u00c9 esta, na fabula\u00e7\u00e3o atual da pol\u00edtica internacional, a fantasia que permite a figuras como Trump invadir a Venezuela, o Ir\u00e3, propor-se a tomar a Groel\u00e2ndia e o que mais for preciso. Nessa l\u00f3gica, a viriliza\u00e7\u00e3o da soberania se faz necess\u00e1ria. <em>Perfure, baby, perfure! <\/em>revela que \u00e9 preciso haver um homem \u2013 na acep\u00e7\u00e3o mais t\u00f3xica, violenta e criminosa poss\u00edvel \u2013 que coloque ordem no mundo, guiado por um desejo de autoridade e extra\u00e7\u00e3o infinita de recursos da terra, pr\u00f3prio da petro-masculinidade, como prop\u00f5e Cara New Dagget. <em>Perfure, baby, perfure!<\/em> \u00e9 a meton\u00edmia do poder do pai (ou do <em>daddy<\/em>) cujos desejos s\u00e3o ancorados no homem f\u00f3ssil, negacionista, que trata a todos como crian\u00e7as que devem ser orientadas por quem realmente tem autoridade e sabe o que faz: <em>perfure, baby, perfure!. <\/em>\u00a0<\/p>\n<p>O que temos vivido na pol\u00edtica internacional n\u00e3o \u00e9 somente uma mudan\u00e7a profunda de paradigma no modo como a governan\u00e7a global e as din\u00e2micas de poder operam. O que vivemos \u00e9 uma profunda crise de sensibilidade e uma necessidade de produzir, de maneira incessante, figuras hiperviris, fortes, inabal\u00e1veis e salvadoras.<\/p>\n<p>Elas v\u00eam em uma dupla chave \u2013 tanto a que protege, a que cuida, quanto a que julga, pune, mata, \u00e9 a autoridade soberana paternal m\u00e1xima, \u00e9 o pai que faz o que quer, pois \u00e9 a autoridade m\u00e1xima da fam\u00edlia, \u00e9 tanto o que estende a m\u00e3o quanto o que aperta o gatilho. Nosso choque em rela\u00e7\u00e3o a como viver em um mundo sem regras diz muito sobre nossas pr\u00f3prias fabula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Revela que viver em um mundo com regras nunca passou de uma fabula\u00e7\u00e3o que garantiu, at\u00e9 certo momento, uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Garantida pelo patriarca da fam\u00edlia, aquele que det\u00e9m o monop\u00f3lio leg\u00edtimo da for\u00e7a, aquele que tem o bra\u00e7o forte e a m\u00e3o amiga (como diz o lema do Ex\u00e9rcito Brasileiro), aquele que faz viver, mas tamb\u00e9m pode fazer morrer.<\/p>\n<p>Viver em um mundo com Donald Trump nos escancara o modo como a pol\u00edtica internacional \u00e9 uma f\u00e1bula na qual nos sentimos \u00f3rf\u00e3os de pai e, consequentemente, parecemos sempre estar \u00e0 sua espera \u2013 assim como se espera o Messias, ou um deus <em>ex-machina <\/em>que, como nas trag\u00e9dias gregas, vem para expiar e redimir a humanidade de todas as impurezas. A quest\u00e3o \u00e9 que os males e as impurezas podem ser muitos. O mal \u00e9 uma figura espectral definida pelo pr\u00f3prio patriarca e ela pode ser o migrante, o refugiado, o terrorista, o comunista etc. N\u00e3o precisamos de figuras paternas mais docilizadas e humanas. N\u00e3o precisamos de pai nenhum. O que precisamos \u00e9 assumir que n\u00f3s somos o Messias das nossas pr\u00f3prias vidas, que n\u00e3o temos que estar \u00e0 espera do retorno de nenhum soberano e que \u00e9 preciso criar outras fabula\u00e7\u00f5es para a pol\u00edtica internacional \u2013 caso\u00a0 contr\u00e1rio, aparecer\u00e3o outros tantos pais querendo nos salvar.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Trump e o ocaso tr\u00e1gico do homem branco &lt;i&gt;imbroch\u00e1vel&lt;\/i&gt; appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/industria-de-defesa-nacional-ganha-forca-com-acordo-de-cooperacao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/02-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ind\u00fastria de Defesa nacional ganha for\u00e7a com acord...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/milhares-de-fieis-colorem-as-ruas-de-porto-alegre-durante-procissao-de-nossa-senhora-dos-navegantes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Milhares de fi\u00e9is colorem as ruas de Porto Alegre ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/acordo-para-producao-de-vacinas-e-nova-declaracao-climatica-integram-agenda-de-lula-na-franca-presidente-viaja-nesta-terca-3\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Acordo para produ\u00e7\u00e3o de vacinas e nova declara\u00e7\u00e3o ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/governo-lula-amplia-fiscalizacoes-e-anuncia-acoes-pro-caminhoneiros\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/anp-agenciabrasil-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Governo Lula amplia fiscaliza\u00e7\u00f5es e anuncia a\u00e7\u00f5es ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 crise civilizat\u00f3ria do Ocidente, aflora o que foi t\u00e3o recalcado. Ressurge a ideia de que os indiv\u00edduos e sociedades precisam de um pai protetor e violador \u2013 t\u00e3o poderoso para defender quanto para invadir, sem consentimento, corpos e pa\u00edses. Qual o ant\u00eddoto?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/trump-e-o-ocaso-tragico-do-homem-branco-imbrochavel\/\">Trump e o ocaso tr\u00e1gico do homem branco &lt;i&gt;imbroch\u00e1vel&lt;\/i&gt;<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":77493,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[35839,1390,2687,10716,31543,423,33914,38232,38233,5507,35764,1048,1453,16215],"tags":[],"class_list":["post-77492","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivos-epstein","category-bolsonaro","category-crise-civilizatoria","category-cultura-do-estupro","category-doutrina-donroe","category-extrema-direita","category-giorgio-agamben","category-imbrochavel","category-masculinistas","category-patriarcado","category-patriarcalismo","category-soberania","category-trump","category-violacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77492\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}