{"id":77596,"date":"2026-03-10T16:06:16","date_gmt":"2026-03-10T19:06:16","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quilombolas-denunciam-impacto-da-extracao-de-uranio-na-ba-e-dizem-temer-radiacao\/"},"modified":"2026-03-10T16:06:16","modified_gmt":"2026-03-10T19:06:16","slug":"quilombolas-denunciam-impacto-da-extracao-de-uranio-na-ba-e-dizem-temer-radiacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quilombolas-denunciam-impacto-da-extracao-de-uranio-na-ba-e-dizem-temer-radiacao\/","title":{"rendered":"Quilombolas denunciam impacto da extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio na BA e dizem temer radia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>QUANDO LEVA SUA FARINHA<\/strong> para vender na feira de Caetit\u00e9, no semi\u00e1rido baiano, o agricultor quilombola Jos\u00e9 Carlos Ribeiro dos Santos costuma voltar para casa com boa parte da produ\u00e7\u00e3o encalhada. \u201cQuando o pessoal v\u00ea que a farinha vem daqui, muita gente n\u00e3o quer comprar\u201d, diz \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Ele mora na comunidade quilombola de Malhada, situada a 9,6 quil\u00f4metros da Mina do Engenho, a \u00fanica mina de ur\u00e2nio em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, explorada pela estatal INB (Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil). \u201cQuem poderia comprar fica com medo de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta Santos, que preside a Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores Familiares Quilombolas de Malhada.<\/p>\n<p>O ur\u00e2nio voltou ao debate internacional nas \u00faltimas semanas, pois, quando enriquecido, pode ser usado na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel nuclear e armas at\u00f4micas. O risco de que o Ir\u00e3 estivesse pr\u00f3ximo de construir bombas nucleares foi o motivo alegado por Estados Unidos e Israel para iniciar ataques ao pa\u00eds persa no \u00faltimo 28 de fevereiro. A retalia\u00e7\u00e3o iraniana vem tendo como alvo, al\u00e9m de Israel, outras na\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o, e a guerra se espalha pelo Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>No sert\u00e3o da Bahia, contudo, os conflitos provocados pelo ur\u00e2nio s\u00e3o outros. Um relat\u00f3rio da miss\u00e3o do CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos) divulgado no in\u00edcio de mar\u00e7o afirma que a explora\u00e7\u00e3o desse metal transforma o cen\u00e1rio em Caetit\u00e9 em um quadro cr\u00f4nico de \u201cracismo ambiental\u201d, marcado por inseguran\u00e7a h\u00eddrica e suspeitas de aumento de doen\u00e7as graves como c\u00e2ncer.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O documento aponta que a taxa de mortalidade dessa doen\u00e7a no munic\u00edpio cresceu quase cinco vezes entre 1996 e 2022, segundo um estudo de 2025.<\/p>\n<p>O CNDH \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o independente, composto por membros do governo e sociedade civil, que fiscaliza viola\u00e7\u00f5es e promove a defesa dos direitos humanos no Brasil. Segundo o relat\u00f3rio, os impactos da minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio recaem principalmente sobre os quilombolas que vivem no entorno da mina, sem que eles tenham participado das decis\u00f5es sobre o empreendimento.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o identificou 14 comunidades quilombolas impactadas direta ou indiretamente pela extra\u00e7\u00e3o, embora o licenciamento oficial obtido pela INB (Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil) n\u00e3o reconhe\u00e7a a presen\u00e7a desses grupos tradicionais. De acordo com o CNDH, a invisibiliza\u00e7\u00e3o dos povos tradicionais permitiu contornar a aplica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho), que exige a consulta livre, pr\u00e9via e informada \u00e0s comunidades afetadas por alguma atividade.<\/p>\n<h2>CNDH recomenda consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades<\/h2>\n<p>Diante desse quadro, o conselho cobra que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e a ANSN (Autoridade Nacional de Seguran\u00e7a Nuclear) condicionem a renova\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o da Mina do Engenho, vencida desde 12 de janeiro, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o imediata da consulta.<\/p>\n<p>Procurada pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, a INB confirmou que a licen\u00e7a est\u00e1 vencida, mas disse que o pedido de renova\u00e7\u00e3o foi protocolado dentro do prazo legal e que, por isso, a autoriza\u00e7\u00e3o permanece v\u00e1lida at\u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o final do Ibama.<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m afirmou manter programas de monitoramento ambiental e radiol\u00f3gico no entorno da unidade e que os resultados s\u00e3o enviados periodicamente aos \u00f3rg\u00e3os reguladores. Segundo a estatal, resumos dessas medi\u00e7\u00f5es s\u00e3o divulgados em seu site e apresentados a moradores da regi\u00e3o em reuni\u00f5es (leia a \u00edntegra da resposta).<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o realizada com a miss\u00e3o do CNDH em dezembro, a INB afirmou que a presen\u00e7a de ur\u00e2nio na \u00e1gua da regi\u00e3o de Caetit\u00e9 \u2014 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o dos moradores \u2014 se deve a uma anomalia natural do subsolo, e n\u00e3o necessariamente \u00e0 atividade mineradora.<\/p>\n<p>Segundo a estatal, a regi\u00e3o \u00e9 naturalmente rica em min\u00e9rios radioativos. A empresa informou manter um laborat\u00f3rio pr\u00f3prio de controle de potabilidade e declarou monitorar cerca de 200 po\u00e7os, produzindo aproximadamente 30 mil resultados de an\u00e1lises por ano, que seriam encaminhados ao Ibama e \u00e0 CNEN (Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear).<\/p>\n<p>A empresa disse, ainda, que os dados de monitoramento s\u00e3o p\u00fablicos, embora n\u00e3o estejam amplamente divulgados e permane\u00e7am dispon\u00edveis mediante solicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/caetite-cndh-divulgacao.jpg\" alt=\"Membros da miss\u00e3o do CNDH se reuniram, em novembro de 2025, com quilombolas que vivem pr\u00f3ximos \u00e0 mina de ur\u00e2nio, em Caetit\u00e9 (Foto: CNDH\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/caetite-cndh-divulgacao-1024x769.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/caetite-cndh-divulgacao-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/caetite-cndh-divulgacao-768x577.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/caetite-cndh-divulgacao.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Membros da miss\u00e3o do CNDH se reuniram, em novembro de 2025, com quilombolas que vivem pr\u00f3ximos \u00e0 mina de ur\u00e2nio, em Caetit\u00e9 (Foto: CNDH\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em resposta enviada \u00e0 reportagem, o Ibama confirmou que, embora vencida, a licen\u00e7a de funcionamento da Mina do Engenho permanece automaticamente prorrogada at\u00e9 decis\u00e3o final sobre a renova\u00e7\u00e3o, permitindo que o empreendimento continue operando. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o processo est\u00e1 em an\u00e1lise t\u00e9cnica: uma vistoria na unidade foi realizada em fevereiro e o parecer ainda est\u00e1 em elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a consulta \u00e0s comunidades quilombolas, o Ibama disse que comunicou o Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) sobre o processo e afirmou que ainda n\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no licenciamento ambiental federal para esse procedimento (leia a \u00edntegra da resposta).<\/p>\n<p>Quando procurado pela CNDH ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o, o Ibama afirmou que sua atua\u00e7\u00e3o se concentra no acompanhamento das condicionantes ambientais do empreendimento e informou que as an\u00e1lises da \u00e1gua usada pelas comunidades s\u00e3o feitas pela pr\u00f3pria INB em laborat\u00f3rios privados.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ANSN informou \u00e0 reportagem que realiza fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a radiol\u00f3gica da instala\u00e7\u00e3o. Segundo a autarquia, foram realizadas seis inspe\u00e7\u00f5es na unidade em 2024 e cinco em 2025. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, at\u00e9 o momento os dados de monitoramento n\u00e3o indicaram n\u00edveis radiol\u00f3gicos acima dos par\u00e2metros estabelecidos na regulamenta\u00e7\u00e3o nacional relativa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o contra radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ANSN tamb\u00e9m afirmou que n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo controle da potabilidade da \u00e1gua consumida pela popula\u00e7\u00e3o. Destacou, ainda, que o monitoramento radiol\u00f3gico ambiental \u00e9 realizado por meio de programas executados pelo operador da instala\u00e7\u00e3o, no caso a INB, e os resultados s\u00e3o avaliados pela autoridade reguladora durante as atividades de licenciamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o (leia a \u00edntegra da resposta).<\/p>\n<h2>Quilombolas relatam problemas no abastecimento de \u00e1gua desde o in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em Caetit\u00e9 come\u00e7ou no in\u00edcio dos anos 2000. Hoje, a produ\u00e7\u00e3o ocorre na Mina do Engenho, aberta em 2020 ap\u00f3s o esgotamento da jazida anterior, a Mina da Cachoeira.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio de Minas e Energia, o Brasil n\u00e3o vende ur\u00e2nio ou combust\u00edvel nuclear para fins militares e \u00e9 signat\u00e1rio de tratados internacionais de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o nuclear. A atividade nuclear no pa\u00eds \u00e9 monop\u00f3lio da Uni\u00e3o e fiscalizada por organismos nacionais e internacionais. A extra\u00e7\u00e3o e o processamento do ur\u00e2nio s\u00e3o realizados exclusivamente pela estatal INB.<\/p>\n<p>O min\u00e9rio extra\u00eddo \u00e9 triturado e submetido a processos qu\u00edmicos que separam o ur\u00e2nio da rocha. O resultado \u00e9 um concentrado conhecido como <em>yellowcake<\/em>, um p\u00f3 amarelado que representa a primeira etapa do ciclo do combust\u00edvel nuclear.<\/p>\n<p>Esse material \u00e9 armazenado em tambores vedados e transportado por caminh\u00f5es at\u00e9 o porto de Salvador (BA), de onde segue de navio para a Fran\u00e7a para etapas adicionais de processamento e enriquecimento. Depois disso, o ur\u00e2nio retorna ao Brasil na forma de combust\u00edvel nuclear usado nas usinas de Angra 1 e Angra 2, no litoral do estado do Rio de Janeiro, respons\u00e1veis por cerca de 2% da eletricidade produzida no pa\u00eds.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quilombola-caetite-Ione-Roachel-Movimento-pela-Soberania-Popular-na-Mineracao-Divulgacao.jpeg\" alt=\"Quilombola tran\u00e7ando a palha de um chap\u00e9u. Lideran\u00e7as das comunidades pr\u00f3ximas \u00e0 mina de ur\u00e2nio relatam que os problemas de abastecimento de \u00e1gua se agravaram desde o in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o (Foto: Ione Roachel\/Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quilombola-caetite-Ione-Roachel-Movimento-pela-Soberania-Popular-na-Mineracao-Divulgacao-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quilombola-caetite-Ione-Roachel-Movimento-pela-Soberania-Popular-na-Mineracao-Divulgacao-200x300.jpeg 200w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quilombola-caetite-Ione-Roachel-Movimento-pela-Soberania-Popular-na-Mineracao-Divulgacao-768x1153.jpeg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quilombola-caetite-Ione-Roachel-Movimento-pela-Soberania-Popular-na-Mineracao-Divulgacao-1023x1536.jpeg 1023w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quilombola-caetite-Ione-Roachel-Movimento-pela-Soberania-Popular-na-Mineracao-Divulgacao.jpeg 1066w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\"><figcaption>Quilombola tran\u00e7ando a palha de um chap\u00e9u. Lideran\u00e7as das comunidades pr\u00f3ximas \u00e0 mina de ur\u00e2nio relatam que os problemas de abastecimento de \u00e1gua se agravaram desde o in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o (Foto: Ione Roachel\/Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quem \u201cpaga a conta\u201d, contudo, s\u00e3o as comunidades quilombolas de Caetit\u00e9, dizem suas lideran\u00e7as. Elas relatam que os problemas de abastecimento de \u00e1gua se agravaram desde o in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio na regi\u00e3o. Em raz\u00e3o dos longos per\u00edodos de seca, comunidades rurais e quilombolas dependem de cisternas e po\u00e7os artesianos, perfurados na mesma forma\u00e7\u00e3o rochosa uran\u00edfera onde a mina opera. O grande volume de \u00e1gua utilizado na extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio \u00e9 apontado como outro motivo para a escassez do recurso.<\/p>\n<p>\u201cNosso limite \u00e9 esse: quando tem chuva, a gente usa cisterna. Quando chega a seca, voc\u00ea \u00e9 obrigado a beber a \u00e1gua do po\u00e7o\u201d, explica Jos\u00e9 Carlos, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Quilombola de Malhada. Ele afirma que os moradores vivem um dilema permanente. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o vai ficar com sede. Se ficar com sede, vive tr\u00eas dias. Bebendo a \u00e1gua do po\u00e7o, talvez viva um ano, dois\u201d, diz, referindo-se ao temor de contamina\u00e7\u00e3o por ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da CNDH divulgado no in\u00edcio de mar\u00e7o, embora o licenciamento ambiental preveja testagens peri\u00f3dicas, lideran\u00e7as quilombolas afirmam n\u00e3o ter acesso aos laudos, nem clareza sobre quais po\u00e7os s\u00e3o de fato monitorados.<\/p>\n<p>\u201cOficialmente, a INB n\u00e3o assume a contamina\u00e7\u00e3o por causa da minera\u00e7\u00e3o e sustenta que haveria uma anomalia natural na regi\u00e3o. Isso abre margem para desinforma\u00e7\u00e3o, porque a comunidade segue sem saber como est\u00e1 a \u00e1gua que precisa consumir\u201d, afirma o ge\u00f3grafo e professor Silvio M\u00e1rcio Montenegro Machado, do IFB (Instituto Federal Baiano).<\/p>\n<h2>Sete comunidades quilombolas est\u00e3o na \u00e1rea de influ\u00eancia direta da explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio<\/h2>\n<p>Machado foi respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o de um mapa de localiza\u00e7\u00e3o das comunidades quilombolas na \u00e1rea de influ\u00eancia direta da explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em Caetit\u00e9. O estudo mostra que sete est\u00e3o dentro de um raio de 20 km da Mina do Engenho e duas ficam pr\u00f3ximas ao limite (\u00e1rea de influ\u00eancia direta definida pelo pr\u00f3prio Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental do empreendimento). S\u00e3o elas: Vereda do Cais, Lagoa do Mato, Malhada, Passagem de Areia, Pau Ferro, Cangalha, Riacho da Vaca, Lagoinha da Cobra e Vargem do Sal.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MAPA-quilombolas-afetados-por-uranio-na-BA.jpg\" alt=\"Arte: Rodrigo Bento\/Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MAPA-quilombolas-afetados-por-uranio-na-BA-819x1024.jpg 819w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MAPA-quilombolas-afetados-por-uranio-na-BA-240x300.jpg 240w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MAPA-quilombolas-afetados-por-uranio-na-BA-768x960.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MAPA-quilombolas-afetados-por-uranio-na-BA-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MAPA-quilombolas-afetados-por-uranio-na-BA.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\"><figcaption>Arte: Rodrigo Bento\/Rep\u00f3rter Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Procurados pela miss\u00e3o do CNDH, diferentes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos reconheceram limita\u00e7\u00f5es na fiscaliza\u00e7\u00e3o da atividade miner\u00e1ria e na oferta de pol\u00edticas p\u00fablicas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A ANM (Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o) afirmou que sua fiscaliza\u00e7\u00e3o se restringe a aspectos t\u00e9cnicos das \u00e1reas de lavra e n\u00e3o inclui impactos sociais. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m admitiu dificuldades estruturais na Bahia: apenas quatro fiscais s\u00e3o respons\u00e1veis por acompanhar 574 minas ativas no estado.\u00a0<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do ur\u00e2nio, a ag\u00eancia declarou ao CNDH que, embora tenha recebido compet\u00eancia legal para fiscalizar min\u00e9rios nucleares em 2021, n\u00e3o possui equipe t\u00e9cnica capacitada para esse tipo de atividade e, por isso, nunca realizou inspe\u00e7\u00f5es na mina de Caetit\u00e9.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Prefeitura de Caetit\u00e9 afirmou que a escassez h\u00eddrica \u00e9 um problema estrutural no munic\u00edpio, especialmente nas \u00e1reas rurais onde vivem comunidades quilombolas. Segundo a administra\u00e7\u00e3o municipal, o fornecimento de \u00e1gua por caminh\u00f5es-pipa \u00e9 insuficiente para atender a demanda e a parceria que existia com o Ex\u00e9rcito para esse servi\u00e7o foi encerrada devido ao baixo valor do subs\u00eddio.\u00a0<\/p>\n<p>A INB, por sua vez, afirmou que mant\u00e9m programas socioambientais voltados \u00e0s comunidades do entorno e que esses espa\u00e7os funcionam como canais de di\u00e1logo para tratar de problemas relatados pela popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do CNDH re\u00fane 28 recomenda\u00e7\u00f5es direcionadas a \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, sistema de Justi\u00e7a e empresas mineradoras. Entre elas, o refor\u00e7o da fiscaliza\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o e da atividade nuclear, a realiza\u00e7\u00e3o de testes independentes da qualidade da \u00e1gua e a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua e a pol\u00edticas p\u00fablicas para as comunidades rurais afetadas.<\/p>\n<h2>Relat\u00f3rio aponta aumento de casos de c\u00e2ncer em Caetit\u00e9 ap\u00f3s in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio<\/h2>\n<p>Moradores da regi\u00e3o dizem que os casos de c\u00e2ncer deixaram de ser exce\u00e7\u00e3o para se tornar parte do cotidiano ap\u00f3s a chegada da minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio. Jos\u00e9 Carlos, da comunidade Malhada, diz que isso tem sido recorrente em comunidades pr\u00f3ximas \u00e0 \u00e1rea da mina e que a doen\u00e7a passou a ser \u201cnormalizada\u201d no entorno, ainda que as fam\u00edlias n\u00e3o tenham estudos pr\u00f3prios capazes de estabelecer o v\u00ednculo direto entre a explora\u00e7\u00e3o do metal e o aumento dos \u00edndices de adoecimento<\/p>\n<p>\u201cHoje, o c\u00e2ncer virou uma coisa normal por aqui. \u00c9 um morador indo fazer cirurgia e outro chegando. Infelizmente, virou rotina: todo m\u00eas a gente enterra um\u201d, afirma Jos\u00e9 Carlos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do CNDH cita um estudo de 2025 segundo o qual a taxa de mortalidade por c\u00e2ncer em Caetit\u00e9 teria saltado de 24,76 por 100 mil habitantes, em 1996, para 117,22 em 2022, acima da m\u00e9dia da Bahia, de 98,60.\u00a0<\/p>\n<p>A miss\u00e3o registra uma \u201cenorme discrep\u00e2ncia\u201d entre os dados oficiais dispon\u00edveis e o sofrimento descrito por fam\u00edlias e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, e prop\u00f5e a produ\u00e7\u00e3o de estudos epidemiol\u00f3gicos para avaliar poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre a minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio e os casos de c\u00e2ncer relatados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A quilombola Ivani de Jesus Santos, primeira-secret\u00e1ria da Associa\u00e7\u00e3o Quilombola de Malhada, entende que h\u00e1 subnotifica\u00e7\u00e3o e dificuldade de fechar diagn\u00f3sticos na rede local. Segundo ela, muitas mortes acabam registradas como \u201ccausa desconhecida\u201d, o que, al\u00e9m de aumentar a sensa\u00e7\u00e3o de abandono, dificulta o acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as em uma popula\u00e7\u00e3o exposta a m\u00faltiplos fatores de risco.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-05-at-155655-1.jpeg\" alt=\"Exemplos da produ\u00e7\u00e3o dos agricultores familiares da comunidade quilombola de Malhada (Foto: Ione Roachel\/Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-05-at-15.56.55-1-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-05-at-15.56.55-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-05-at-15.56.55-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-05-at-15.56.55-1-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-05-at-155655-1.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Exemplos da produ\u00e7\u00e3o dos agricultores familiares da comunidade quilombola de Malhada (Foto: Ione Roachel\/Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O CNDH tamb\u00e9m registrou relatos de outras doen\u00e7as frequentes, como alergias cut\u00e2neas e problemas respirat\u00f3rios, al\u00e9m de efeitos emocionais associados \u00e0 inseguran\u00e7a ambiental, como ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta ainda falhas no atendimento especializado. A miss\u00e3o menciona que a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia de Caetit\u00e9 enfrentou paralisa\u00e7\u00f5es e dificuldades de funcionamento, obrigando pacientes a buscar tratamento em Salvador, a cerca de 600 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da miss\u00e3o do CNDH, a INB n\u00e3o apresentou uma resposta espec\u00edfica sobre os casos de c\u00e2ncer relatados por moradores da regi\u00e3o durante a reuni\u00e3o com a comitiva. A estatal reiterou que a presen\u00e7a de ur\u00e2nio na \u00e1gua seria resultado de uma anomalia natural do subsolo de Caetit\u00e9 e afirmou que as medi\u00e7\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o registradas nas testagens realizadas estariam dentro dos limites permitidos pelas normas t\u00e9cnicas.\u00a0Para o agente da CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) na Bahia, Beni Carvalho, a demora do poder p\u00fablico em implementar respostas, especialmente na sa\u00fade e no acesso \u00e0 \u00e1gua, faz parte do quadro de desigualdade apontado pelo relat\u00f3rio do CNDH.<\/p>\n<p>Segundo ele, independentemente de uma rela\u00e7\u00e3o direta entre minera\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as, a presen\u00e7a de um empreendimento desse porte deveria obrigar o Estado a criar pol\u00edticas espec\u00edficas de prote\u00e7\u00e3o e atendimento \u00e0s comunidades que vivem no entorno da mina.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p>\n<p>The post Quilombolas denunciam impacto da extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio na BA e dizem temer radia\u00e7\u00e3o appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/projeto-que-reduz-area-de-protecao-ambiental-chapada-do-lagoao-e-aprovado-em-aracuai-mg\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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