{"id":77691,"date":"2026-03-10T18:14:54","date_gmt":"2026-03-10T21:14:54","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/soberania-digital-o-papel-esquecido-das-empresas-privadas\/"},"modified":"2026-03-10T18:14:54","modified_gmt":"2026-03-10T21:14:54","slug":"soberania-digital-o-papel-esquecido-das-empresas-privadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/soberania-digital-o-papel-esquecido-das-empresas-privadas\/","title":{"rendered":"Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas"},"content":{"rendered":"<figure><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Muito se tem escrito e falado sobre a rela\u00e7\u00e3o entre Estados nacionais, e suas estruturas de servi\u00e7os digitais e autoridades regulat\u00f3rias, e as empresas de tecnologia estrangeiras conhecidas como big techs. Discute-se a famosa nuvem soberana, localiza\u00e7\u00e3o de dados, aplica\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia artificial e governo eletr\u00f4nico. Faz sentido estudar muito este segmento, uma vez que envolve bilh\u00f5es de reais em recursos p\u00fablicos que saem do bolso do contribuinte. Essa lente, mais que necess\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 suficiente para entender o fen\u00f4meno da soberania digital de forma integral. Ela obscurece uma ecologia densa de atores intermedi\u00e1rios \u2014 telcos, fintechs, agrotechs, edtechs, bancos p\u00fablicos e privados, cooperativas de dados e cons\u00f3rcios empresariais \u2014 que ocupam posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas na infraestrutura digital e nos servi\u00e7os de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pelo lado da demanda, o setor privado de diversas \u00e1reas produtivas, da agropecu\u00e1ria e do com\u00e9rcio \u00e9 o cliente que ajuda a consolidar o bilion\u00e1rio PIB dos segmentos de software e hardware. Sejam multinacionais ou brasileiras, a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos de TI por estas ind\u00fastrias, fazendas, bancos, redes de varejo \u00e9 respons\u00e1vel por uma parte consider\u00e1vel \u2014 apesar de dif\u00edcil quantifica\u00e7\u00e3o \u2014 do faturamento local de nossa economia digital.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, estes s\u00e3o atores dos quais pouco se cobra responsabilidade pela dificuldade de se atingir uma plena autonomia tecnol\u00f3gica no Brasil. Este ensaio argumenta que qualquer estrat\u00e9gia de soberania digital consistente precisa mapear esse tecido interno de interesses, capacidades e conflitos. Identifico seis categorias de atores que podem funcionar como \u201ccolunas\u201d de uma arquitetura soberana e analiso as tens\u00f5es e alian\u00e7as poss\u00edveis entre eles, o Estado e as empresas nacionais de tecnologia.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta-4-6.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Debate pela metade<\/strong><\/h3>\n<p>O debate sobre soberania digital no Brasil sofre de um vi\u00e9s institucional cr\u00f4nico. Quando governos, acad\u00eamicos e jornalistas falam em soberania tecnol\u00f3gica, o olhar recai quase que automaticamente sobre o Estado: quais servidores hospedam os dados do governo, qual empresa ganha a licita\u00e7\u00e3o de nuvem p\u00fablica, se a intelig\u00eancia artificial do INSS \u00e9 desenvolvida no pa\u00eds ou contratada no exterior. S\u00e3o perguntas leg\u00edtimas e importantes. Mas s\u00e3o apenas metade da conversa.<\/p>\n<p>A outra metade \u2014 a que praticamente n\u00e3o aparece nas audi\u00eancias p\u00fablicas, nos relat\u00f3rios de think tanks, nos dados estat\u00edsticos nem nas manchetes de tecnologia \u2014 \u00e9 o papel do setor privado nacional como ator constitutivo da soberania digital. E aqui, a omiss\u00e3o \u00e9 grave n\u00e3o por falta de import\u00e2ncia, mas justamente pelo oposto: o mercado privado de TI no Brasil movimenta cifras que rivalizam com os contratos governamentais, e as decis\u00f5es de compra, parceria e desenvolvimento tecnol\u00f3gico das empresas nacionais t\u00eam impacto direto sobre a depend\u00eancia estrutural do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a plataformas estrangeiras.<\/p>\n<h3><strong>Seis pilares de sustenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Para al\u00e9m do Estado e das big techs, existe um Brasil digital intermedi\u00e1rio composto por ao menos seis grupos de atores que raramente aparecem juntos na mesma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 talvez o mais diretamente ligado \u00e0 ideia de uma ind\u00fastria nacional de tecnologia. Trata-se das <strong>empresas brasileiras de software e servi\u00e7os de TI<\/strong>. O Brasil tem ativos reais que o debate p\u00fablico frequentemente subestima. A TOTVS, com d\u00e9cadas de hist\u00f3ria e lideran\u00e7a no mercado de ERP para pequenas e m\u00e9dias empresas, \u00e9 um caso raro de empresa nacional que disputou e sobreviveu \u00e0 chegada das grandes plataformas internacionais em seu mercado-alvo. A Stefanini, grupo paulista com presen\u00e7a em mais de quarenta pa\u00edses, \u00e9 um dos maiores exportadores brasileiros de servi\u00e7os de TI, demonstrando que \u00e9 poss\u00edvel construir escala global a partir do Brasil. J\u00e1 a Brassoftware, distribuidora e revendedora hist\u00f3rica de solu\u00e7\u00f5es de software no mercado corporativo, ilustra a camada intermedi\u00e1ria de empresas que conectam fornecedores globais a clientes nacionais \u2014 e que, nessa posi\u00e7\u00e3o, acumulam conhecimento de mercado, relacionamentos e capacidade t\u00e9cnica que t\u00eam valor estrat\u00e9gico frequentemente ignorado. Ao redor dessas \u00e2ncoras, gravitam milhares de software houses regionais, consultorias especializadas por setor e integradores de sistemas que formam o tecido fino do mercado de TI brasileiro.<\/p>\n<p>O desafio estrutural desse grupo \u00e9 bem conhecido e se resume em escala e financiamento. A fragmenta\u00e7\u00e3o do mercado de software nacional \u2014 composto por mais de 40 mil empresas, a maioria de pequeno porte \u2014 \u00e9 simultaneamente um sinal de vitalidade empreendedora e uma limita\u00e7\u00e3o competitiva diante de plataformas globais que contam com economias de escala, acesso a capital barato e distribui\u00e7\u00e3o integrada. Empresas como TOTVS e Stefanini conseguiram superar esse gargalo, mas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es que confirmam a regra. Para que esse grupo funcione como coluna de um ecossistema soberano, \u00e9 preciso mais do que celebrar os campe\u00f5es nacionais existentes. \u00c9 necess\u00e1rio criar as condi\u00e7\u00f5es \u2014 regulat\u00f3rias, financeiras e de oferta qualificada de talentos \u2014 para que outros surjam e se consolidem. O poder de compra do setor privado nacional tem papel decisivo aqui: cada vez que uma grande empresa brasileira opta por uma solu\u00e7\u00e3o desenvolvida localmente, em vez de uma plataforma estrangeira equivalente, est\u00e1 contribuindo para a viabilidade econ\u00f4mica desse ecossistema.<\/p>\n<p>O segundo grupo \u00e9 composto pela <strong>telcos<\/strong> (empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es). Mesmo sendo operadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es de controle estrangeiro, estes conglomerados constru\u00edram e operam a espinha dorsal f\u00edsica da conectividade brasileira, possuindo uma maior penetra\u00e7\u00e3o no tecido social do pa\u00eds. Mas \u00e0 medida que avan\u00e7am para servi\u00e7os de nuvem, seguran\u00e7a cibern\u00e9tica e IoT \u2013 a conex\u00e3o de objetos f\u00edsicos do dia a dia \u00e0 internet \u2013, tornam-se tamb\u00e9m intermediadoras de decis\u00f5es tecnol\u00f3gicas de milhares de empresas clientes. A escolha de qual plataforma de nuvem uma telco revende, integra ou recomenda tem efeito multiplicador imenso sobre o ecossistema. Quando a Claro empacota Azure ou quando a Vivo oferece Google Cloud como solu\u00e7\u00e3o corporativa, est\u00e1, em alguma medida, moldando a arquitetura de depend\u00eancia tecnol\u00f3gica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A terceira coluna \u00e9 baseada nas <strong>fintechs e os bancos<\/strong>, tanto p\u00fablicos quanto privados. O Brasil \u00e9 um caso raro no mundo: tem um dos sistemas banc\u00e1rios mais digitalizados do planeta, com o Pix como s\u00edmbolo m\u00e1ximo desta transforma\u00e7\u00e3o. O Banco Central e os grandes bancos nacionais \u2014 Ita\u00fa, Bradesco, BB, Caixa \u2014 investem bilh\u00f5es em tecnologia propriet\u00e1ria e foram atores fundamentais da pol\u00edtica nacional de inform\u00e1tica das d\u00e9cadas de 1970 e da reserva de mercado, na de 1980. Ao mesmo tempo, centenas de fintechs nascidas nos \u00faltimos dez anos constroem sua vida intang\u00edvel sobre infraestruturas quase totalmente estrangeiras. A tens\u00e3o entre capacidade nacional genu\u00edna e depend\u00eancia de APIs e plataformas globais \u00e9 constante neste setor, e suas escolhas de fornecedor reverberam por toda a cadeia de valor.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/banner-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/banner-3.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2024\/03\/31202800\/banner-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O quarto segmento merece aten\u00e7\u00e3o especial por seu potencial estrat\u00e9gico subestimado: as <strong>agrotechs<\/strong>. O Brasil \u00e9 uma pot\u00eancia agr\u00edcola global. A digitaliza\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio \u2014 com sensores, drones, plataformas de gest\u00e3o rural, an\u00e1lise preditiva de safra com uso de IA \u2014 representam um vetor enorme de gera\u00e7\u00e3o e consumo de dados. Quem det\u00e9m esses dados, onde eles s\u00e3o processados, e quais algoritmos tomam decis\u00f5es sobre o plantio e a comercializa\u00e7\u00e3o de commodities estrat\u00e9gicas s\u00e3o perguntas de soberania tanto quanto de mercado. Aqui, a presen\u00e7a de gigantes estrangeiras como John Deere e AGCO com suas plataformas propriet\u00e1rias compete diretamente com startups brasileiras que carecem de escala e financiamento adequados.<\/p>\n<p>As <strong>edtechs<\/strong> formam o quinto grupo. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 infraestrutura de longo prazo para qualquer projeto de autonomia tecnol\u00f3gica. As plataformas de ensino a dist\u00e2ncia, os sistemas de gest\u00e3o escolar, as ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o e personaliza\u00e7\u00e3o do aprendizado adotadas por redes p\u00fablicas e privadas criam depend\u00eancias tecnol\u00f3gicas que se medem em d\u00e9cadas, n\u00e3o em contratos de quatro anos. A decis\u00e3o de uma rede estadual de educa\u00e7\u00e3o de adotar o Google Workspace for Education ou uma solu\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o \u00e9 apenas uma decis\u00e3o de TI \u2014 \u00e9 uma decis\u00e3o sobre quem forma e como ser\u00e3o formados os trabalhadores digitais do futuro.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 as <strong>cooperativas de dados e os cons\u00f3rcios empresariais<\/strong>, os menos vis\u00edveis de todos. Em setores como sa\u00fade suplementar, log\u00edstica, varejo e commodities agr\u00edcolas, surgem iniciativas de compartilhamento estruturado de dados entre concorrentes para fins anal\u00edticos, de regula\u00e7\u00e3o ou de efici\u00eancia. Estas arquiteturas coletivas de dados representam embri\u00e3o de algo que pa\u00edses como a Alemanha j\u00e1 reconhecem formalmente como \u201cespa\u00e7os de dados soberanos\u201d. No Brasil, existem iniciativas dispersas, mas faltam marco regulat\u00f3rio claro, financiamento p\u00fablico de apoio e reconhecimento pol\u00edtico de sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/p>\n<h3><strong>N\u00fameros insuficientes<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m dos ofertantes dos servi\u00e7os, temos os clientes. Pelo lado de quem compra, o retrato \u00e9 expressivo. Dos US$ 58,6 bilh\u00f5es investidos em TI no Brasil em 2024, quase metade \u2014 47,6%, ou US$ 27,9 bilh\u00f5es \u2014 foi direcionada a hardware, enquanto software respondeu por 30,8% (US$ 18 bilh\u00f5es) e servi\u00e7os de TI por 21,6% (US$ 12,7 bilh\u00f5es). Esses recursos n\u00e3o v\u00eam majoritariamente do governo: o setor financeiro liderou os gastos com 23,2% do total, seguido por Servi\u00e7os e Telecom (17,1%), Ind\u00fastria (13,9%) e Varejo (9,8%), enquanto o setor p\u00fablico respondeu por apenas 8,9% dos investimentos. Em outras palavras, mais de 90% do mercado de TI brasileiro \u00e9 movido por empresas privadas \u2014 nacionais e multinacionais \u2014, o que refor\u00e7a a centralidade do setor corporativo em qualquer estrat\u00e9gia s\u00e9ria de soberania digital.<\/p>\n<p>O perfil desse gasto corporativo revela ainda onde est\u00e1 a maior vulnerabilidade estrutural do pa\u00eds. Os gastos com TI B2B cresceram 9% em 2024 e a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de acelera\u00e7\u00e3o para 11% em 2025, impulsionados sobretudo por nuvem, intelig\u00eancia artificial e seguran\u00e7a cibern\u00e9tica \u2014 justamente os segmentos dominados por grandes plataformas estrangeiras. J\u00e1 90% das grandes empresas brasileiras utilizam IA em ao menos um caso de uso, e a infraestrutura que sustenta essa ado\u00e7\u00e3o \u00e9 em larga medida importada. Conforme indica a pesquisa da FGV, mais da metade do processamento corporativo do pa\u00eds j\u00e1 ocorre em ambientes de nuvem, concentrados em AWS, Azure e Google Cloud. O que os n\u00fameros da demanda revelam, portanto, \u00e9 uma digitaliza\u00e7\u00e3o acelerada que avan\u00e7a sobre funda\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas majoritariamente estrangeiras \u2014 e cujo ritmo de crescimento torna cada ano de omiss\u00e3o mais caro de reverter.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica desse gasto tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o. O Sudeste concentra 60,8% dos investimentos em TI, seguido por Sul (13,9%), Nordeste (11,8%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (3,9%). A assimetria regional \u00e9 ao mesmo tempo um reflexo da concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds e um indicador de que a soberania digital, se vier a existir, ser\u00e1 inicialmente um fen\u00f4meno metropolitano e paulistano. Construir uma arquitetura tecnol\u00f3gica verdadeiramente soberana exige, portanto, enfrentar tamb\u00e9m essa desigualdade de acesso e capacidade \u2014 pois o agricultor do Par\u00e1 ou o pequeno empres\u00e1rio do Maranh\u00e3o que dependem de plataformas estrangeiras por falta de alternativas nacionais acess\u00edveis \u00e9 parte do mesmo problema que a grande corpora\u00e7\u00e3o do Itaim Bibi que escolhe o Azure por conveni\u00eancia.<\/p>\n<p>Pelos dados do Cetic.br[1], a empresa brasileira m\u00e9dia j\u00e1 transfere uma parte relevante da sua \u201cintelig\u00eancia\u201d para a nuvem \u2013 sobretudo em fun\u00e7\u00f5es de armazenamento e, de forma crescente, de processamento. Entre 2019 e 2023, a propor\u00e7\u00e3o de empresas que pagam por capacidade de processamento em nuvem saltou de 23% para 33%, ao mesmo tempo em que o e\u2011mail em nuvem passou de 39% para 53%, softwares de escrit\u00f3rio de 27% para 34% e banco de dados de 38% para 48%. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o backup: ferramentas cr\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de dados j\u00e1 est\u00e3o, para algo entre um ter\u00e7o e metade das empresas, rodando em infraestruturas de terceiros.<\/p>\n<p>Quando se olha o volume de informa\u00e7\u00e3o que efetivamente \u201cpassa\u201d pela nuvem, a imagem fica ainda mais forte. A pesquisa da FGVcia[2] indica que, em 2023, 42% do processamento das empresas brasileiras j\u00e1 ocorria em nuvem, com proje\u00e7\u00e3o de superar 50% em poucos anos; a edi\u00e7\u00e3o seguinte fala em 52% do processamento de dados das empresas j\u00e1 migrado para ambientes de nuvem em 2025. Ou seja: mais da metade da capacidade de computa\u00e7\u00e3o corporativa no pa\u00eds j\u00e1 est\u00e1 externalizada, num modelo em que infraestrutura, software e at\u00e9 planejamento de TI s\u00e3o comprados como servi\u00e7o, e n\u00e3o mais constru\u00eddos e governados internamente.<\/p>\n<p>Em paralelo, os relat\u00f3rios de mercado mostram que essa nuvem para onde migram dados e processamento n\u00e3o \u00e9 um \u201cmercado pulverizado\u201d, e sim um oligop\u00f3lio bem definido. Estudos baseados em Canalys e outros levantamentos apontam que Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud concentram, juntas, cerca de 60% a 65% da infraestrutura global de nuvem, com AWS na casa de 30% a 32%, Azure em torno de 20% a 22% e Google Cloud por volta de 11% a 13%, enquanto o restante se reparte entre Oracle, IBM e players regionais[3].<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea junta essas duas fotografias \u2013 metade do processamento corporativo brasileiro j\u00e1 em nuvem, e dois ter\u00e7os dessa infraestrutura global sob controle de tr\u00eas big techs \u2013 o argumento sobre depend\u00eancia deixa de ser abstrato ou parte de uma narrativa ideologizada: a digitaliza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das empresas no Brasil est\u00e1 sendo constru\u00edda, em grande medida, sobre funda\u00e7\u00f5es que respondem a estrat\u00e9gias corporativas e regula\u00e7\u00f5es estrangeiras. A quest\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 se o pa\u00eds \u201cvai\u201d para a nuvem, mas sob quais condi\u00e7\u00f5es ele aceitar\u00e1 permanecer conectado a esse oligop\u00f3lio.<\/p>\n<p>Em termos do volume de vendas, o mercado de TI brasileiro tem peso suficiente para justificar ambi\u00e7\u00f5es maiores. Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC[4], o Brasil investiu US$ 58,6 bilh\u00f5es em Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o em 2024 \u2014 crescimento de 13,9% sobre o ano anterior, acima da m\u00e9dia global de 10,8% \u2014, o que colocou o pa\u00eds na 10\u00aa posi\u00e7\u00e3o do ranking mundial de gastos em software, hardware e servi\u00e7os, e na lideran\u00e7a absoluta da Am\u00e9rica Latina, com cerca de 35% dos investimentos regionais. No recorte espec\u00edfico de software e servi\u00e7os, o mercado brasileiro movimentou US$ 31 bilh\u00f5es, com o segmento de software crescendo mais de 18% em 2024. A ABES estima que as empresas associadas \u2014 que representam cerca de 80% do faturamento setorial \u2014 geraram R$ 103 bilh\u00f5es em receita e mais de 260 mil empregos diretos em 2024. Para 2025, a proje\u00e7\u00e3o era de crescimento de 9,5% no setor, puxado por nuvem p\u00fablica, intelig\u00eancia artificial generativa e solu\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a cibern\u00e9tica. S\u00e3o n\u00fameros que colocam o Brasil num patamar compat\u00edvel com ambi\u00e7\u00f5es de soberania digital \u2014 desde que saibamos transformar escala de mercado em capacidade tecnol\u00f3gica pr\u00f3pria.<\/p>\n<h3><strong>Cumplicidade silenciosa<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 preciso ser direto sobre um ponto que o debate de soberania digital brasileiro costuma evitar por raz\u00f5es pol\u00edticas e comerciais: parte significativa da depend\u00eancia tecnol\u00f3gica do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a plataformas estrangeiras \u00e9 resultado de decis\u00f5es volunt\u00e1rias e racionais do setor privado nacional.<\/p>\n<p>Uma fintech que nasce sobre AWS, usa Salesforce para CRM, Stripe para pagamentos internacionais e contrata engenheiros que s\u00f3 conhecem ferramentas de c\u00f3digo norte-americanas n\u00e3o est\u00e1 sendo apenas v\u00edtima do imperialismo digital. Est\u00e1 fazendo escolhas que fazem sentido do ponto de vista competitivo, de custo e de acesso a talentos. O problema \u00e9 que, somadas, essas escolhas individuais racionais produzem uma depend\u00eancia coletiva irracional do ponto de vista nacional.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica moral ao setor privado. \u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o estrutural que exige resposta pol\u00edtica. Da mesma forma que o Estado brasileiro usa instrumentos como o poder de compra governamental, o BNDES, os incentivos fiscais da Lei de Inform\u00e1tica e mais recentemente as discuss\u00f5es em torno de uma pol\u00edtica industrial para intelig\u00eancia artificial, \u00e9 preciso criar mecanismos que alterem os incentivos do setor privado em dire\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00f5es com maior conte\u00fado tecnol\u00f3gico nacional.<\/p>\n<h3><strong>Tens\u00f5es reais, alian\u00e7as poss\u00edveis<\/strong><\/h3>\n<p>O mapa de interesses destes seis grupos n\u00e3o \u00e9 harmonioso. Telcos e fintechs competem em alguns segmentos de servi\u00e7os financeiros. Bancos p\u00fablicos e privados divergem profundamente sobre pol\u00edtica de dados e <em>open finance<\/em>. Agrotechs nacionais e subsidi\u00e1rias de multinacionais disputam o mesmo agricultor. Edtechs privadas e o Estado t\u00eam vis\u00f5es distintas sobre privacidade de dados educacionais.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 alian\u00e7as poss\u00edveis que uma pol\u00edtica de soberania digital inteligente poderia catalisar. A constru\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es abertos de interoperabilidade, por exemplo, beneficia simultaneamente telcos, fintechs e edtechs ao reduzir os custos de integra\u00e7\u00e3o com plataformas propriet\u00e1rias estrangeiras. O investimento em capacita\u00e7\u00e3o em ciberseguran\u00e7a tem retorno para bancos, agro e governo ao mesmo tempo. A cria\u00e7\u00e3o de um marco regulat\u00f3rio para dados setoriais \u2014 no modelo do que o Banco Central fez com o <em>open finance<\/em> e a Europa e a China fazem com espa\u00e7os de dados \u2014 poderia ser replicada em sa\u00fade, agro e educa\u00e7\u00e3o, criando infraestruturas de dados sob governan\u00e7a nacional.<\/p>\n<h3><strong>O que est\u00e1 em jogo<\/strong><\/h3>\n<p>A soberania digital n\u00e3o \u00e9 um tema abstrato de geopol\u00edtica tecnol\u00f3gica. \u00c9 um tema de pol\u00edtica econ\u00f4mica, de distribui\u00e7\u00e3o de renda, de capacidade industrial, de emprego. Enfim, de autonomia decis\u00f3ria. Um pa\u00eds que n\u00e3o controla sua infraestrutura digital paga royalties permanentes, perde capacidade de regular mercados estrat\u00e9gicos, exp\u00f5e dados sens\u00edveis de cidad\u00e3os e empresas a jurisdi\u00e7\u00f5es estrangeiras, e diminui sua margem de manobra em negocia\u00e7\u00f5es comerciais e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O Brasil tem condi\u00e7\u00f5es objetivas \u2014 mercado grande, diversidade de casos de uso, base t\u00e9cnica qualificada, alguns campe\u00f5es nacionais \u2014 para construir uma arquitetura digital com maior grau de autonomia. Mas isso exige reconhecer que o desafio n\u00e3o est\u00e1 apenas no contrato de nuvem do governo federal. Est\u00e1 tamb\u00e9m na escolha de fornecedor de uma cooperativa agr\u00edcola no Mato Grosso, na plataforma adotada por uma rede de ensino no Cear\u00e1, na decis\u00e3o de uma fintech paulistana de construir infraestrutura pr\u00f3pria ou alugar a de terceiros.<\/p>\n<p>Enquanto o debate sobre soberania digital ignorar esses atores intermedi\u00e1rios \u2014 suas capacidades, seus interesses, suas limita\u00e7\u00f5es e suas escolhas \u2014, continuaremos fazendo metade do diagn\u00f3stico e oferecendo uma fra\u00e7\u00e3o pequena da solu\u00e7\u00e3o. O Brasil digital que importa n\u00e3o \u00e9 apenas o das estatais de TI negociando com a Amazon. \u00c9 tamb\u00e9m o das fazendas digitalizadas, das fintechs fora de S\u00e3o Paulo, das cooperativas de sa\u00fade e das escolas conectadas. E esses atores merecem tanto escrut\u00ednio, apoio e responsabiliza\u00e7\u00e3o quanto qualquer minist\u00e9rio ou <em>big tech<\/em>.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[1] https:\/\/nic.br\/noticia\/na-midia\/uma-em-cada-tres-empresas-no-brasil-ja-usa-processamento-em-nuvem\/<\/p>\n<p>[2] https:\/\/tiinside.com.br\/27\/04\/2023\/42-das-empresas-no-brasil-usam-a-nuvem-para-processamento-revela-pesquisa-da-fgvcia\/<\/p>\n<p>[3] https:\/\/convergenciadigital.com.br\/mercado\/mercado-global-de-nuvem-cresce-22-e-reforca-concentracao-em-aws-microsoft-e-google\/<\/p>\n<p>[4] Dispon\u00edvel em: https:\/\/mercado.abes.org.br\/<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sociedade-civil-impulsiona-6a-conferencia-estadual-de-politicas-para-as-mulheres-no-rs-em-meio-a-crise-de-violencia-de-genero\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20220504-22491-18vrkhq-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Sociedade civil impulsiona 6\u00aa Confer\u00eancia Estadual...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ataque-de-drone-da-ucrania-em-regiao-russa-mata-tres-civis\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ataque de drone da Ucr\u00e2nia em regi\u00e3o russa mata tr...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/30-anos-da-ocupacao-da-fazenda-macaxeira-entre-resistencia-e-a-lembranca-de-eldorado-do-carajas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-1-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">30 Anos da ocupa\u00e7\u00e3o da fazenda Macaxeira: Entre re...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bc-o-plano-de-captura-total\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/efdda013cd798a820b5225bde081207e-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">BC: O plano de captura total\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta uma pe\u00e7a no quebra-cabe\u00e7as que permitir\u00e1 tornar o pa\u00eds independente das big techs. Mais de 90% dos investimentos em TI n\u00e3o s\u00e3o feitos pelo Estado. Poderiam estimular um setor tecnol\u00f3gico nacional vibrante. Por interesses, e falta de pol\u00edticas, alimentam e prolongam a depend\u00eancia<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/soberania-digital-o-papel-esquecido-das-empresas-privadas\/\">Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":77692,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13378,597,23153,38402,16682,2344,38403,9391,5498,5493,33986,38404],"tags":[],"class_list":["post-77691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-azure","category-big-techs","category-dependencia-tecnologica","category-erp","category-fintechs","category-google","category-google-cloud","category-microsoft","category-soberania-digital","category-tecnologia-em-disputa","category-tecnologias-da-informacao","category-totvs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77691\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}