{"id":77697,"date":"2026-03-10T18:50:15","date_gmt":"2026-03-10T21:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-transicao-energetica-nas-maos-dos-rentistas\/"},"modified":"2026-03-10T18:50:15","modified_gmt":"2026-03-10T21:50:15","slug":"a-transicao-energetica-nas-maos-dos-rentistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-transicao-energetica-nas-maos-dos-rentistas\/","title":{"rendered":"A \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d nas m\u00e3os dos rentistas"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: Fl\u00e1via Almeida\/CBJC<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No artigo \u201cA \u2018COP da Verdade\u2019 e a fic\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as verdes\u201d, publicado nesta revista em um momento particularmente importante, \u00e0s v\u00e9speras da realiza\u00e7\u00e3o da COP em Bel\u00e9m do Par\u00e1, a pesquisadora Isadora Crux\u00ean foi certeira e provocativa ao tensionar os fundamentos da chamada agenda das finan\u00e7as verdes no Brasil. Ao examinar o caso do saneamento b\u00e1sico, a autora mostrou como a sustentabilidade vem sendo progressivamente reconfigurada sob a l\u00f3gica da financeiriza\u00e7\u00e3o. Por tr\u00e1s do marketing \u201cverde\u201d e das deb\u00eantures subsidiadas, argumenta o texto, h\u00e1 uma escolha pol\u00edtica clara: transformar direitos e pol\u00edticas p\u00fablicas em ativos rent\u00e1veis.<\/p>\n<p>O argumento desloca o centro do debate. Em vez de discutir apenas metas clim\u00e1ticas ou compromissos diplom\u00e1ticos, somos convidados a observar os instrumentos que estruturam essa agenda e os interesses que se organizam em torno deles. Que tipo de transi\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00edda quando a sustentabilidade passa a ser medida em termos de rentabilidade?<\/p>\n<p>Essa pergunta ganha ainda mais for\u00e7a quando observamos o desenho recente das pol\u00edticas econ\u00f4micas e energ\u00e9ticas no Brasil.<\/p>\n<div>\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1-12.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1-12.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em entrevista ao <em>Financial Times<\/em>, o ministro da Fazenda Fernando Haddad anunciou um pacote de transi\u00e7\u00e3o verde estimado em centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao longo da pr\u00f3xima d\u00e9cada, envolvendo cerca de uma centena de iniciativas voltadas \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o da economia. A ambi\u00e7\u00e3o declarada era posicionar o Brasil como protagonista da chamada economia verde. Contudo, segundo a reportagem, a maior parte dos recursos necess\u00e1rios para viabilizar essa transi\u00e7\u00e3o deveria vir do setor privado e do mercado financeiro. Quanto aos recursos p\u00fablicos, autoridades afirmaram que os investimentos seriam ajustados para caber no or\u00e7amento, de modo a n\u00e3o tensionar as regras fiscais.<\/p>\n<p>Desse modo, a fala do ministro Haddad ao <em>Financial Times<\/em>, citada por Isadora Crux\u00ean em seu texto, n\u00e3o foi apenas ret\u00f3rica. Ela antecipou o desenho institucional que viria a se consolidar nos meses seguintes.<\/p>\n<p>O an\u00fancio encontrou materialidade no Plano de Transforma\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica, coordenado pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, que passou a estruturar a estrat\u00e9gia econ\u00f4mica do governo sob o eixo da descarboniza\u00e7\u00e3o, da reindustrializa\u00e7\u00e3o verde e da mobiliza\u00e7\u00e3o de capital para a agenda clim\u00e1tica. Dentro desse plano, dois pilares ganham destaque: a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e as chamadas finan\u00e7as sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>No reino da austeridade, a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica precisa ser desenhada de modo a n\u00e3o tensionar o arcabou\u00e7o fiscal. Mas a austeridade n\u00e3o apenas imp\u00f5e limites ao gasto p\u00fablico. Ela exige a constru\u00e7\u00e3o de um modelo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que abra novos mercados e novas possibilidades de acumula\u00e7\u00e3o para o setor privado. Em uma fase marcada pela financeiriza\u00e7\u00e3o da economia global, isso significa estruturar a descarboniza\u00e7\u00e3o como oportunidade de investimento e rentabilidade para investidores institucionais, fundos e grandes gestores financeiros.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 inequ\u00edvoca: a transforma\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica passa a depender estruturalmente da mobiliza\u00e7\u00e3o do mercado financeiro.<\/p>\n<p>E esse mercado j\u00e1 est\u00e1 consolidado.<\/p>\n<p>As deb\u00eantures s\u00e3o t\u00edtulos de renda fixa emitidos por empresas para financiar suas atividades. Existem dois grandes tipos. As deb\u00eantures tradicionais, cujos rendimentos s\u00e3o tributados segundo a tabela regressiva do Imposto de Renda, e as deb\u00eantures incentivadas, criadas pela Lei n\u00ba 12.431 de 2011, que oferecem isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda para investidores pessoas f\u00edsicas.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Banner-fixo-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Banner-fixo-1.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2024\/07\/31195529\/Banner-fixo-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Esse benef\u00edcio fiscal foi concebido para atrair capital privado para projetos de infraestrutura. Na pr\u00e1tica, criou-se um instrumento altamente atrativo para investidores interessados em retornos previs\u00edveis de longo prazo.<\/p>\n<p>Entre 2018 e 2025, considerando o conjunto das emiss\u00f5es realizadas, esses t\u00edtulos apresentam prazo m\u00e9dio de aproximadamente 14,6 anos. Trata-se de contratos financeiros extensos, geralmente indexados ao IPCA ou ao CDI, estruturados sobre fluxos futuros de receita provenientes de concess\u00f5es, gera\u00e7\u00e3o de energia ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais.<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m da estrutura contratual, importa observar a din\u00e2mica recente desse mercado.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico mostra que, ap\u00f3s um per\u00edodo de baixa intensidade na d\u00e9cada de 2010, o n\u00famero de emiss\u00f5es de deb\u00eantures vinculadas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica e solar cresce de forma consistente a partir de 2018 e explode ap\u00f3s 2021, atingindo patamares superiores a cem emiss\u00f5es anuais em 2024 e 2025.<\/p>\n<p>Esse salto n\u00e3o \u00e9 apenas estat\u00edstico. Ele indica que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica se consolidou como uma das principais fronteiras de emiss\u00e3o de t\u00edtulos incentivados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A descarboniza\u00e7\u00e3o deixa de ser apenas promessa pol\u00edtica e passa a ser convertida em contratos financeiros de longo prazo.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 destacado por Isadora Crux\u00ean, o pr\u00f3prio Plano de Transforma\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica aprofundou essa l\u00f3gica ao incorporar novos instrumentos legais voltados \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o do capital privado. Em janeiro de 2024, foi sancionada a Lei n\u00ba 14.801, que instituiu as chamadas deb\u00eantures de infraestrutura e ampliou os mecanismos de incentivo fiscal para investimentos em setores considerados estrat\u00e9gicos, como energia, saneamento e transporte.<\/p>\n<p>Mas a explos\u00e3o recente de emiss\u00f5es tamb\u00e9m produziu um efeito estrutural.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"568\" height=\"355\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo.png 568w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/10183021\/Sem-titulo-300x188.png 300w\" sizes=\"(max-width: 568px) 100vw, 568px\"><\/figure>\n<p>O segundo gr\u00e1fico explicita a dimens\u00e3o financeira dessa transforma\u00e7\u00e3o. Estamos falando de valores em bilh\u00f5es de reais no estoque de deb\u00eantures incentivadas.<\/p>\n<p>No segmento de energia el\u00e9trica, o montante atinge R$ 202,29 bilh\u00f5es, concentrados majoritariamente em projetos de gera\u00e7\u00e3o por fontes alternativas \u2014 leia-se, produ\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos e usinas solares.<\/p>\n<p>Esse volume supera com ampla margem os demais setores de infraestrutura. Em termos concretos, mais de duzentos bilh\u00f5es de reais da infraestrutura incentivada brasileira encontram-se hoje vinculados \u00e0 gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quando se observa que esse estoque est\u00e1 ancorado em contratos com prazo m\u00e9dio de 14,6 anos, percebe-se que n\u00e3o se trata de um movimento conjuntural. S\u00e3o compromissos financeiros de longo prazo que transformam a expans\u00e3o da energia renov\u00e1vel em base estruturante de ativos financeiros isentos de Imposto de Renda para investidores.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, nesse cen\u00e1rio, deixa de ser apenas diretriz ambiental e se consolida como eixo dominante do mercado de infraestrutura incentivada.<\/p>\n<p>A engrenagem financeira se completa com a consolida\u00e7\u00e3o dos Fundos de Investimento em Infraestrutura (FI-Infra). Atualmente existem 37 FI-Infra registrados na B3, dedicados majoritariamente \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de deb\u00eantures incentivadas.<\/p>\n<p>Em 2025, a rentabilidade m\u00e9dia desses fundos foi de 13,11% ao ano, com rendimentos isentos de Imposto de Renda para pessoas f\u00edsicas, desempenho que supera boa parte das carteiras de a\u00e7\u00f5es cuidadosamente estruturadas por \u201cexperts\u201d do mercado financeiro.<\/p>\n<p>O investidor n\u00e3o precisa adquirir diretamente uma deb\u00eanture de um parque e\u00f3lico ou usina solar. Pode comprar cotas de um fundo que re\u00fane dezenas de emissores, com gest\u00e3o profissional e diversifica\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>Cria-se, assim, um circuito completo. A pol\u00edtica p\u00fablica define o setor priorit\u00e1rio e estabelece os incentivos institucionais; as empresas emitem deb\u00eantures para financiar os projetos; os fundos de infraestrutura adquirem esses t\u00edtulos e os transformam em produtos financeiros; os investidores compram as cotas desses fundos; e, ao final do processo, os rendimentos s\u00e3o distribu\u00eddos com benef\u00edcios fiscais. A engrenagem revela algo mais profundo do que um simples mecanismo de financiamento da infraestrutura: ela remete a uma caracter\u00edstica hist\u00f3rica da economia brasileira, marcada pela captura recorrente do fundo p\u00fablico por agentes econ\u00f4micos privados.<\/p>\n<p>Os incentivos fiscais, concebidos para estimular investimentos em setores considerados estrat\u00e9gicos, acabam funcionando como canais de transfer\u00eancia indireta de recursos p\u00fablicos para circuitos de valoriza\u00e7\u00e3o financeira. Nesse sentido, instrumentos apresentados como solu\u00e7\u00f5es modernas para financiar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica reproduzem din\u00e2micas bastante antigas da forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica brasileira. Trata-se de engrenagens arcaicas com roupagens modernas, em um capitalismo no qual o rentismo se consolidou no pr\u00f3prio cerne das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Sob a promessa de alinhar sustentabilidade e mercado, a chamada economia verde passa a operar tamb\u00e9m como novo campo de expans\u00e3o dessas formas de captura. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o aparece apenas como resposta \u00e0 crise clim\u00e1tica, mas como oportunidade para reorganizar fluxos de renda, ativos financeiros e incentivos p\u00fablicos em favor de novos circuitos de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma dimens\u00e3o frequentemente invisibilizada nessa engrenagem: o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Lorena Iz\u00e1 Pereira, em estudo publicado no dossi\u00ea \u201cA apropria\u00e7\u00e3o de terras se renova com as energias verdes e outros extrativismos\u201d, produzido pela iniciativa Land Matrix-LAC em 2023, a expans\u00e3o da energia e\u00f3lica no Brasil tem sido acompanhada por processos de territorializa\u00e7\u00e3o de grandes empresas voltados ao controle do territ\u00f3rio e de seus recursos. Em seu artigo intitulado \u201cA territorializa\u00e7\u00e3o de empresas de energia e\u00f3lica no Brasil: estrangeiriza\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias de controle do territ\u00f3rio\u201d, a autora demonstra que esses empreendimentos n\u00e3o produzem apenas impactos ambientais, mas tamb\u00e9m formas profundas de injusti\u00e7a s\u00f3cio-territorial, ao favorecer a expans\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o de capital sob a ret\u00f3rica da sustentabilidade.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos exige o acesso e o controle de extensas \u00e1reas de terra para a instala\u00e7\u00e3o de aerogeradores e infraestrutura associada. Embora o vento seja um bem comum, sua explora\u00e7\u00e3o ocorre por meio da apropria\u00e7\u00e3o privada do territ\u00f3rio. Nesse processo, empresas passam a controlar n\u00e3o apenas a terra, mas tamb\u00e9m o potencial e\u00f3lico e as din\u00e2micas sociais locais, reorganizando usos do territ\u00f3rio e formas de vida previamente existentes.<\/p>\n<p>Os impactos desse processo s\u00e3o m\u00faltiplos: supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, altera\u00e7\u00f5es na paisagem, cercamento de \u00e1reas tradicionalmente utilizadas pelas comunidades, mudan\u00e7as nas din\u00e2micas sociais locais e impactos sobre atividades produtivas e modos de vida. Em muitos casos, a expans\u00e3o desses projetos tamb\u00e9m estimula a valoriza\u00e7\u00e3o e a especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, reconfigurando mercados de terra e aprofundando tens\u00f5es agr\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a chamada transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, embora apresentada como solu\u00e7\u00e3o para a crise clim\u00e1tica, pode tamb\u00e9m refor\u00e7ar processos de apropria\u00e7\u00e3o territorial, estrangeiriza\u00e7\u00e3o da terra e desterritorializa\u00e7\u00e3o de comunidades, reproduzindo din\u00e2micas hist\u00f3ricas de explora\u00e7\u00e3o sob o discurso contempor\u00e2neo da sustentabilidade.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 necess\u00e1ria. A crise clim\u00e1tica \u00e9 incontorn\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas quando a sustentabilidade passa a ser medida prioritariamente pela capacidade de gerar novos ativos financeiros e fluxos de rentabilidade para investidores, a pergunta inevit\u00e1vel retorna.<\/p>\n<p>Sustent\u00e1vel para quem?<\/p>\n<p>Para as popula\u00e7\u00f5es diretamente afetadas pela instala\u00e7\u00e3o dos empreendimentos? Ou para os investidores que recebem rendimentos anuais de dois d\u00edgitos livres de Imposto de Renda ancorados nesses mesmos projetos?<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>O que permanece em disputa \u00e9 a forma social, econ\u00f4mica e territorial que essa transi\u00e7\u00e3o ir\u00e1 assumir.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d nas m\u00e3os dos rentistas appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/governo-federal-zera-impostos-do-diesel-para-conter-alta-de-precos-causada-pela-guerra-no-oriente-medio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Governo federal zera impostos do diesel para conte...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/projeto-que-regula-trabalho-por-aplicativo-pede-antecedentes-criminais-e-nao-atende-demandas-dos-entregadores\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Projeto que regula trabalho por aplicativo pede an...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/conflito-entre-ira-e-israel-muda-pauta-do-g7-e-pressiona-mercados-lula-deve-fazer-apelo-por-tregua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Conflito entre Ir\u00e3 e Israel muda pauta do G7 e pre...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/14-de-abril-e-ano-novo-para-milhoes-na-india-diplomata-revela-calendario-de-festas-entenda-video\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">14 de abril \u00e9 ano novo para milh\u00f5es na \u00cdndia: Dipl...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como grandes empresas e fundos de investimento dominaram os parques e\u00f3licos e solares no Brasil. 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