{"id":77888,"date":"2026-03-11T20:07:57","date_gmt":"2026-03-11T23:07:57","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/guerra-os-eua-tragados-pela-era-palantir\/"},"modified":"2026-03-11T20:07:57","modified_gmt":"2026-03-11T23:07:57","slug":"guerra-os-eua-tragados-pela-era-palantir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/guerra-os-eua-tragados-pela-era-palantir\/","title":{"rendered":"Guerra: os EUA tragados pela Era Palantir"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1278\" height=\"716\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/260311-Guerra.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/260311-Guerra.jpg 1278w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/11200750\/260311-Guerra-300x168.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/11200750\/260311-Guerra-768x430.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1278px) 100vw, 1278px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por<strong> Janet Abou-Elias <\/strong>e<strong> William D. Hartung, <\/strong>no <em>Tom Dispatch<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAdoro a ideia de usar um drone para borrifar urina levemente misturada com fentanil nos analistas que tentaram nos prejudicar\u201d, disse Alex Karp, executivo-chefe da Palantir, a empresa emergente de tecnologia militar. Longe de ser um desabafo casual, sua declara\u00e7\u00e3o reflete uma mentalidade mais ampla que vem se consolidando no setor militarizado do Vale do Sil\u00edcio. Ela trata a coer\u00e7\u00e3o como inova\u00e7\u00e3o, a crueldade como franqueza e a aplica\u00e7\u00e3o irrestrita do poder tecnol\u00f3gico como inevit\u00e1vel e desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Karp gosta tanto de debates acalorados quanto de administrar uma empresa que fabrica armamentos de alta tecnologia. Sua empresa ajudou Israel a intensificar os bombardeios e massacres contra palestinos em Gaza, e sua tecnologia auxiliou a pol\u00edcia antiimigrante dos EUA, a ICE, a acelerar as deporta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de ajudar a localizar e identificar manifestantes em Minneapolis. Karp n\u00e3o apenas n\u00e3o demonstra nenhum remorso pelos danos causados pelos produtos de sua empresa, como tamb\u00e9m se deleita abertamente com eles.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--17.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--17.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em fevereiro deste ano, ele disse a um entrevistador da CNBC: \u201cse voc\u00ea critica o ICE, deveria estar protestando por mais Palantir. Nosso produto, em sua ess\u00eancia, exige que as pessoas se conformem \u00e0 Quarta Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos (que protege os cidad\u00e3os de \u201cbuscas e apreens\u00f5es ilegais\u201d). No entanto, a provoca\u00e7\u00e3o de Karp n\u00e3o o levou a pedir ao ICE que parasse de usar seu software na guerra contra a dissid\u00eancia pac\u00edfica, nem o dissuadiu de aceitar um contrato de US$ 1 bilh\u00e3o, sem prazo definido, com a ag\u00eancia matriz dessa pol\u00edcia, o Departamento de Seguran\u00e7a Interna (DHS).<\/p>\n<p>Em conson\u00e2ncia com seu apoio incondicional \u00e0 repress\u00e3o interna e externa, no auge da guerra em Gaza, Karp realizou uma reuni\u00e3o do conselho da Palantir em Tel Aviv, Proclamou que \u201cnosso trabalho na regi\u00e3o nunca foi t\u00e3o vital. E continuar\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Em entrevista a Maureen Dowd, do <em>New York Times<\/em>, ele resumiu sua filosofia da seguinte forma: \u201cNa verdade, sou progressista. Quero menos guerras. S\u00f3 se acaba com uma guerra tendo a melhor tecnologia e apavorando ao m\u00e1ximo \u2014 estou tentando ser gentil aqui \u2014 nossos advers\u00e1rios. Se eles n\u00e3o estiverem com medo, se n\u00e3o acordarem com medo, n\u00e3o forem dormir com medo, se n\u00e3o temerem que a ira dos Estados Unidos caia sobre eles, eles nos atacar\u00e3o. Eles nos atacar\u00e3o em todos os lugares.\u201d<\/p>\n<p>A realidade est\u00e1 longe de ser t\u00e3o simples. A tecnologia da Palantir foi usada para matar dezenas de milhares de pessoas em Gaza e em outros lugares, incluindo muitas que n\u00e3o tinham nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o Hamas, n\u00e3o tinham controle sobre suas a\u00e7\u00f5es e, em muitos casos, nem sequer haviam nascido quando o grupo venceu as elei\u00e7\u00f5es locais em 2006 e come\u00e7ou a administrar Gaza.<\/p>\n<p>N\u00e3o deve haver d\u00favidas de que o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 foi inconceb\u00edvel. Ainda assim, a rea\u00e7\u00e3o de Israel, que resultou na morte de mais de 70 mil palestinos em Gaza \u2014 um n\u00famero relativamente conservador, como at\u00e9 mesmo o governo israelense agora reconhece \u2014 , constitui uma resposta inteiramente desproporcional, que a maioria dos especialistas independentes define como genoc\u00eddio. A ideia de que tal massacre em massa possa ser justificado como uma forma de intimidar os inimigos e reduzir a viol\u00eancia \u00e9 intelectualmente insustent\u00e1vel e moralmente obscena.<\/p>\n<p>Sejam bem-vindos ao mundo de Alex Karp, um dos l\u00edderes da nova onda de tecnomilitaristas do Vale do Sil\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Militariza\u00e7\u00e3o da IA ou tecno-otimismo descontrolado<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o estamos falando do complexo militar-industrial (CMI) do s\u00e9cculo XX. Os atuais gestores do CMI \u2014 executivos que comandam gigantes industriais como Lockheed Martin, RTX (antiga Raytheon), Boeing, General Dynamics e Northrop Grumman \u2014 s\u00e3o muito mais cautelosos em suas declara\u00e7\u00f5es do que Karp. Seus l\u00edderes podem ocasionalmente fazer alguma declara\u00e7\u00e3o sobre como o aumento das tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio ou na \u00c1sia poderia gerar demanda por seus produtos entre os aliados dos EUA nessas regi\u00f5es. Mas jamais se envolveriam no tipo de ret\u00f3rica abertamente orwelliana na qual Karp parece se especializar.<\/p>\n<p>Ainda assim, o complexo militar-industrial do futuro prenuncia n\u00e3o apenas uma mudan\u00e7a na tecnologia ou nas pr\u00e1ticas comerciais, mas \u2014 como sugere Karp \u2014 uma mudan\u00e7a cultural. Na nova etapa, o militarismo \u00e9 abertamente celebrado, sem a necessidade de qualquer discurso disfar\u00e7ado sobre a promo\u00e7\u00e3o da estabilidade global ou a defesa de uma \u201cordem internacional baseada em regras\u201d. Pense no novo complexo militar-industrial como uma vers\u00e3o individualista e tecnol\u00f3gica da \u201cguerra de todos contra todos\u201d do fil\u00f3sofo Thomas Hobbes. Aqueles que o comandam querem que acreditemos que a \u00fanica maneira de \u201cvencer\u201d uma guerra futura \u00e9 entregando as chaves do mundo pol\u00edtico a uma camarilha de seres autoproclamados superiores, liderada por figuras como Alex Karp, o fundador da Palantir, Peter Thiel, o chefe da Anduril, Palmer Luckey, e o inimit\u00e1vel Elon Musk.<\/p>\n<p>Alex Karp \u00e9 coautor do livro <em>The Technological Republic: Hard Power, Soft Belief, and the Future of the West, <\/em>no qual articula sua vis\u00e3o do que supostamente seria necess\u00e1rio para tornar os Estados Unidos novamente dominantes. O livro \u00e9 um longo lamento sobre como a maioria dos norte-americanos supostamente perdeu seu senso de prop\u00f3sito e patriotismo, desperdi\u00e7ando seu tempo em atividades triviais como reality shows e videogames. Ele e o coautor Nicholas W. Zamiska defendem uma nova miss\u00e3o nacional unificadora para endireitar uma na\u00e7\u00e3o de pregui\u00e7osos e restaurar os Estados Unidos em seu devido lugar como pot\u00eancia pol\u00edtica e militar inigual\u00e1vel do mundo.<\/p>\n<p>A resposta de Karp sobre o que \u00e9 necess\u00e1rio: um novo Projeto Manhattan (que produziu a bomba at\u00f4mica,na II Guerra Mundial). Desta vez, o foco n\u00e3o seria o desenvolvimento de armas nucleares, mas a acelera\u00e7\u00e3o das aplica\u00e7\u00f5es militares da intelig\u00eancia artificial (IA) e a obten\u00e7\u00e3o de uma vantagem tecnol\u00f3gica permanente para os Estados Unidos sobre a China. \u00c9 dif\u00edcil imaginar uma vis\u00e3o mais empobrecida ou equivocada do futuro norte-americano, ou mais desprovida de senso b\u00e1sico de humanidade.<\/p>\n<p><strong>A Tecnoguerra proteger\u00e1 algu\u00e9m? E ser\u00e1 mais barata?<\/strong><\/p>\n<p>Deixando a ideologia de lado, h\u00e1 a quest\u00e3o mais espec\u00edfica de saber se as empresas de tecnologia emergentes podem realmente produzir sistemas de guerra melhores por menos dinheiro. Palmer Luckey, da Anduril \u2014 um protegido do fundador da Palantir, Peter Thiel \u2014 foi not\u00edcia recentemente ao declarar em entrevista \u00e0 CNBC que os EUA poderiam gastar talvez metade do atual or\u00e7amento de US$ 1 trilh\u00e3o do Pent\u00e1gono e ainda assim ter um sistema de defesa mais eficaz se simplesmente parassem de comprar as \u201ccoisas erradas\u201d.<\/p>\n<p>A ideia de que um fornecedor de armamentos se ofere\u00e7a para fazer mais por menos parece quase revolucion\u00e1ria, em uma era onde a gan\u00e2ncia e a corrup\u00e7\u00e3o no complexo militar-industrial continuam desenfreadas. A filosofia por tr\u00e1s da declara\u00e7\u00e3o de Luckey \u00e0 CNBC est\u00e1, na verdade, sintetizada em um not\u00e1vel documento da Anduril intitulado \u201c<u>Re<\/u><u>novando<\/u><u> o Arsenal da Democracia<\/u>\u201c, uma cr\u00edtica mordaz \u00e0s pr\u00e1ticas comerciais atuais do Pent\u00e1gono e de gigantescas empresas contratadas pelo setor militar, como a Lockheed Martin.<\/p>\n<p>O manifesto de Luckey deve ser considerado um ataque aos cinco maiores conglomerados de armamentos \u2014 liderados pela Lockheed Martin e pela RTX (antiga Raytheon) \u2014 que agora recebem um ter\u00e7o de cada d\u00f3lar dos contratos assinados pelo Pent\u00e1gono. Essas gigantescas empresas j\u00e1 tiveram seu tempo, sugere o ensaio, realizando trabalhos necess\u00e1rios e \u00fateis nos anos da Guerra Fria, no s\u00e9culo XX. \u201cPor que as empresas de defesa existentes simplesmente n\u00e3o conseguem fazer melhor?\u201d, questiona o texto. E tenta responder: \u201cEssas empresas trabalham devagar, enquanto os melhores engenheiros apreciam trabalhar com rapidez\u2026 Essas empresas constru\u00edram as ferramentas que nos mantiveram seguros no passado, mas elas n\u00e3o s\u00e3o o futuro da nossa defesa.\u201d<\/p>\n<p>O documento praticamente sugere que empresas como a Lockheed Martin deveriam receber um pr\u00eamio por realiza\u00e7\u00f5es ao longo da vida e, em seguida, serem descartadas para que figuras como Thiel, Karp, Luckey e Musk possam assumir o comando da ind\u00fastria armamentista.<\/p>\n<p>Mas gastar menos em armamentos \u2014 por mais \u00fatil que isso seja, considerando outras prioridades nacionais urgentes \u2014 n\u00e3o pode ser o \u00fanico objetivo da pol\u00edtica de defesa. A quest\u00e3o mais importante \u00e9 se os sistemas supostamente mais baratos, mais \u00e1geis e mais precisos, baseados em intelig\u00eancia artificial, podem, de fato, ser implantados de forma a promover a paz e a estabilidade, em vez de mais guerras. Na realidade, existe o perigo de que, se os Estados Unidos acreditarem que puderem usar tais sistemas para intervir militarmente de forma rotineira, sofrendo menos baixas, a tenta\u00e7\u00e3o de entrar em guerra acabe, na verdade, aumentando.<\/p>\n<p>Mesmo considerando tudo isso, a ideia de romper com o dom\u00ednio das grandes empreiteiras no desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o do arsenal americano \u00e9 atraente. Mas as alega\u00e7\u00f5es do novo setor tecnol\u00f3gico, de que pode fazer o trabalho melhor e por menos, precisariam ser comprovadas. Um drone \u00e9 certamente mais barato que um ca\u00e7a F-35. Mas, e quanto aos enxames de drones usados em ondas e reabastecidos rapidamente em meio a uma guerra, ou aos navios n\u00e3o tripulados e ve\u00edculos blindados que operam com softwares complexos e n\u00e3o testados, que podem falhar em momentos cruciais? E se, como o velho setor tecnol\u00f3gico e seu crescente grupo de lobistas preferem, os militaristas da nova era forem autorizados a operar com pouca ou nenhuma fiscaliza\u00e7\u00e3o, com o enfraquecimento de salvaguardas \u2014 como testes independentes e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 especula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os \u2013 que j\u00e1 s\u00e3o insuficientes para cumprir plenamente a miss\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>O lobby da tecnologia militar: disruptores turbinados<\/strong><\/p>\n<p>Antes da atual onda de desenvolvimento de armas no setor tecnol\u00f3gico, houve um tempo em que algumas empresas do Vale do Sil\u00edcio agiam como se seus produtos fossem t\u00e3o superiores e acess\u00edveis que n\u00e3o precisassem se envolver com o lobby tradicional. Por mais irrealista que isso pudesse ser, o Vale do Sil\u00edcio agora se entregou completamente \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o legalizada \u2014 desde contribui\u00e7\u00f5es de campanha cuidadosamente direcionadas at\u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de ex-funcion\u00e1rios do governo para fazer o que eles mandam. O primeiro exemplo \u00e9, claro, o vice-presidente JD Vance, que foi empregado, mentorado e financiado por Peter Thiel, fundador da Palantir, durante sua ascens\u00e3o ao Senado e, posteriormente, \u00e0 vice-presid\u00eancia. Quando foi escolhido para compor a chapa de Donald Trump em 2024, uma enxurrada de dinheiro novo entrou na campanha, vinda do setor de tecnologia militar \u2014 incluindo dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares de Elon Musk. Uma vez na chapa, uma das principais fun\u00e7\u00f5es de Vance passou a ser a de extrair ainda mais doa\u00e7\u00f5es dos militaristas do Vale do Sil\u00edcio.<\/p>\n<p>Em seguida, veio o Departamento de Efici\u00eancia Governamental (DOGE) de Musk, a organiza\u00e7\u00e3o que deu \u00e0 \u201cefici\u00eancia\u201d a p\u00e9ssima reputa\u00e7\u00e3o ao cortar programas e pessoal federais de forma aparentemente aleat\u00f3ria e desmantelar ferramentas como a USAID, enquanto deixava o Pent\u00e1gono praticamente intacto. Embora a USAID tivesse seus problemas, ela tamb\u00e9m financiava iniciativas essenciais de desenvolvimento e sa\u00fade p\u00fablica em todo o mundo. Uma verdadeira iniciativa de efici\u00eancia teria analisado o que funcionava e o que n\u00e3o funcionava naquela ag\u00eancia. Em vez disso, os seguidores de Musk, que n\u00e3o entendiam nada de assist\u00eancia econ\u00f4mica, simplesmente a desmantelaram.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 um n\u00famero significativo de executivos do Vale do Sil\u00edcio em posi\u00e7\u00f5es-chave no governo Trump, liderados por Vance, mas incluindo dezenas de outros em cargos importantes nas for\u00e7as armadas, na c\u00fapula do Pent\u00e1gono e em diversas ag\u00eancias de pol\u00edtica interna e externa.<\/p>\n<p>Peter Thiel e Alex Karp claramente acreditam que o que \u00e9 bom para a Palantir \u00e9 bom para os Estados Unidos, mas a vis\u00e3o de pa\u00eds que eles est\u00e3o promovendo \u00e9 perigosa e desumanizadora.<\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 realidade (e controlando os tecn\u00f3filos)<\/strong><\/p>\n<p>O problema com os novos tecnomilitaristas n\u00e3o \u00e9 que estejam enganados sobre o poder da tecnologia, mas sim que estejam perigosamente equivocados sobre quem deve utiliz\u00e1-la, para quais fins e sob quais restri\u00e7\u00f5es. Poder sem restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 imprud\u00eancia disfar\u00e7ada de inevitabilidade. Uma parcela crescente das ferramentas que moldam a pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a interna dos Estados Unidos est\u00e1 sendo concebida, implementada e promovida por um pequeno grupo de atores privados cujos incentivos s\u00e3o agressivamente financeiros, cujas vis\u00f5es de mundo s\u00e3o profundamente militarizadas e cuja responsabilidade perante o p\u00fablico \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, m\u00ednima.<\/p>\n<p>O mundo precisa de tudo, menos de um novo sacerd\u00f3cio de engenheiros bilion\u00e1rios para dizer que a guerra \u00e9 inevit\u00e1vel, que o medo \u00e9 o \u00fanico caminho para a paz e que a democracia deve se curvar \u00e0 sabedoria superior daqueles que programam algoritmos e constroem armamentos. Na realidade, j\u00e1 ouvimos essa hist\u00f3ria antes \u2014 dos estrategistas nucleares da Guerra Fria , dos entusiastas da contagem de corpos da era do Vietn\u00e3 e dos arquitetos da doutrina de \u201cchoque e pavor\u201c, que ajudou a destruir o Iraque. A cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 prometido que <em>essa <\/em>tecnologia (seja ela qual for) finalmente tornar\u00e1 a guerra, ao estilo norte-americano, limpa, precisa e decisiva. A cada vez, os corpos se acumulam da mesma forma.<\/p>\n<p>O que torna o momento atual especialmente perigoso \u00e9 a velocidade e a opacidade com que esses sistemas est\u00e3o sendo desenvolvidos e implementados. Ferramentas de direcionamento baseadas em IA, plataformas de vigil\u00e2ncia preditiva, armamentos aut\u00f4nomos e sistemas de fus\u00e3o de dados est\u00e3o sendo integrados \u00e0s estruturas militares e policiais internas com debate p\u00fablico m\u00ednimo, supervis\u00e3o fr\u00e1gil e praticamente nenhum consentimento significativo das pessoas que suportar\u00e3o as consequ\u00eancis \u2014 e morrer\u00e3o por causa delas. A ret\u00f3rica da disrup\u00e7\u00e3o impulsionada pela IA tornou-se uma desculpa conveniente para atropelar completamente os processos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A premissa fundamental dos tecnomilitaristas \u00e9 que a guerra permanente \u00e9 o estado natural do nosso mundo e que a nossa \u00fanica escolha \u00e9 a efici\u00eancia com que se decide trav\u00e1-la. Na realidade, a seguran\u00e7a nunca \u00e9 alcan\u00e7ada aterrorizando o resto do planeta at\u00e9 a submiss\u00e3o. Ela \u00e9 alcan\u00e7ada por meio da diplomacia, da conten\u00e7\u00e3o, do respeito ao direito internacional e \u00e0 justi\u00e7a econ\u00f4mica, e do trabalho lento e pouco glamouroso de construir institui\u00e7\u00f5es que tornem a viol\u00eancia em massa menos prov\u00e1vel, em vez de mais automatizada.<\/p>\n<p>Alex Karp e seus pares podem se ver como realistas, que dizem corajosamente o que outros n\u00e3o ousam. Na verdade, a vis\u00e3o de mundo deles \u00e9 fr\u00e1gil e niilista, confundindo domina\u00e7\u00e3o com for\u00e7a e inova\u00e7\u00e3o com sabedoria. A humanidade merece mais do que uma corrida armamentista sem fim, conduzida por homens (e s\u00e3o <em>quase <\/em>todos homens!) que acreditam ser os \u00fanicos aptos a decidir quais vidas s\u00e3o descart\u00e1veis. A nova m\u00e1quina de guerra, constru\u00edda para algo como o <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo de Aldous Huxley, <\/em>deveria nos assustar a todos.<\/p>\n<p>Se a tecnologia moldar o futuro da guerra, ent\u00e3o a sociedade deve moldar as regras que a regem. Do contr\u00e1rio, o que resta \u00e9 entregar nossa responsabilidade moral a um punhado de profetas da distopia e esperar que eles acertem. A hist\u00f3ria sugere que esse \u00e9 um risco que n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de correr.<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Mas as armas salvar\u00e3o um imp\u00e9rio em colapso?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/guerra-eua-tragados-pela-era-palantir\/\">Guerra: os EUA tragados pela Era Palantir<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":77889,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[38529,38530,38531,38532,5511,10263,776,13613,25968,38533,5700,1402,38534,38535,6219,38536,6530,1115,38537,12633,38538,14372,38539,38540],"tags":[],"class_list":["post-77888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alex-karp","category-anduril","category-armas-autonomas","category-assassinatos-em-massa","category-capa","category-declinio-dos-eua","category-elon-musk","category-eua-x-ira","category-genocidios","category-genocidios-e-ia","category-geopolitica-guerra","category-guerras","category-guerras-tecnologicas","category-hiperimperialismo","category-ia","category-ia-e-guerras","category-ice","category-imperialismo","category-militarizacao-da-ia","category-palantir","category-palmer-luckey","category-peter-thiel","category-supremacismo","category-vigilancia-em-massa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77888\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}