{"id":78221,"date":"2026-03-13T18:55:02","date_gmt":"2026-03-13T21:55:02","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/de-tudo-ao-meu-amor-as-big-techs-serao-atentas\/"},"modified":"2026-03-13T18:55:02","modified_gmt":"2026-03-13T21:55:02","slug":"de-tudo-ao-meu-amor-as-big-techs-serao-atentas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/de-tudo-ao-meu-amor-as-big-techs-serao-atentas\/","title":{"rendered":"De tudo, ao meu amor, as Big Techs ser\u00e3o atentas"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"527\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5017459586822245312_x.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5017459586822245312_x.jpg 800w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/13185452\/photo_5017459586822245312_x-300x198.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/13185452\/photo_5017459586822245312_x-768x506.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><\/figure>\n<h3><strong>Um acontecimento pequeno demais<\/strong><\/h3>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 um tipo de queda que prescinde de grandes eventos. Ela n\u00e3o precisa da valida\u00e7\u00e3o de um colapso observ\u00e1vel ou de uma trag\u00e9dia com densidade narrativa. O que a desencadeia \u00e9 o banal: um gesto \u00ednfimo, um desaparecimento previsto, uma dessas covardias discretas que o cotidiano absorve sem alarde. A despropor\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 o que dificulta a s\u00edntese, pois o rastro deixado por esse evento \u00e9 vasto demais para a pequenez da causa.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu comigo. O epis\u00f3dio que precipitou minha melancolia n\u00e3o tinha o peso de um esc\u00e2ndalo. Foi apenas a constata\u00e7\u00e3o de que algu\u00e9m capaz de articular, com fluidez, conceitos de soberania informacional e captura algor\u00edtmica, era incapaz de sustentar o m\u00ednimo de responsabilidade quando o v\u00ednculo deixou de ser uma conveni\u00eancia est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Tentei isolar o fato, mas a profundidade do impacto denunciava um ac\u00famulo. Byung-Chul Han fala de um peso que n\u00e3o vem de uma ordem externa, mas de uma autoexig\u00eancia que transforma a liberdade em uma forma de explora\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria. H\u00e1 quase 10 anos minha vida opera sob essa compress\u00e3o: o jornalismo em meio \u00e0 asfixia financeira, a viol\u00eancia dom\u00e9stica, as perdas e as tens\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--12.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--12.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nesse cen\u00e1rio o sofrimento \u00e9 apresentado como um problema interno a ser resolvido com terapia ou reprograma\u00e7\u00e3o cognitiva, ignorando que a forma como sentimos est\u00e1 ligada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sociais. O neoliberalismo, como racionalidade cultural, difunde a ideia de que cada indiv\u00edduo \u00e9 o gestor integral de sua pr\u00f3pria vida. Quando essa l\u00f3gica invade o afeto, a dor de cotovelo \u00e9 percebida como uma falha de administra\u00e7\u00e3o emocional. A pergunta deixa de ser sobre o que aconteceu entre duas pessoas e passa a ser sobre por que voc\u00ea n\u00e3o foi resiliente ou interessante o suficiente. Esse deslocamento retira o contexto coletivo da dor e isola o sujeito em sua tentativa de consertar a si mesmo para retornar rapidamente ao funcionamento produtivo.<\/p>\n<p>A \u201cviol\u00eancia da positividade\u201d se manifesta nessa obriga\u00e7\u00e3o de ser funcional e comunicativa, mesmo quando o terreno interno est\u00e1 em ru\u00ednas. Criamos a habilidade de seguir operando enquanto o n\u00e3o processado \u00e9 empilhado em camadas geol\u00f3gicas. O colapso, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma quebra brusca, mas o momento em que a estrutura cede por n\u00e3o conseguir mais sustentar o peso da funcionalidade. \u00c9 o cansa\u00e7o do sujeito isolado que, ao esgotar a si mesmo, perde a capacidade de habitar o mundo de outra forma que n\u00e3o seja pela produ\u00e7\u00e3o. A queda pelo acontecimento \u201cpequeno demais\u201d \u00e9, na verdade, o corpo recusando a \u00faltima gota de desempenho exigida pela etiqueta social.<\/p>\n<p>O que torna essa experi\u00eancia mais complexa hoje \u00e9 que o desmoronamento n\u00e3o ocorre em um v\u00e1cuo privado. Vivemos um tempo em que a subjetividade foi sequestrada por uma l\u00f3gica extrativista. Shoshana Zuboff descreve como o capitalismo de vigil\u00e2ncia transforma a experi\u00eancia humana em mat\u00e9ria-prima para a predi\u00e7\u00e3o de comportamentos, criando um mercado de futuros que se alimenta da nossa intimidade mais desprotegida.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a dor deixa de ser apenas um estado psicol\u00f3gico para se tornar um sinal de mercado. O algoritmo n\u00e3o precisa de uma confiss\u00e3o para saber que algo ruiu porque ele l\u00ea a geometria da aus\u00eancia. A interrup\u00e7\u00e3o s\u00fabita de cita\u00e7\u00f5es que antes serviam de ponte, o fim de conversas que mantinham uma cad\u00eancia fixa e o sil\u00eancio nos metadados de geolocaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o processados como uma mudan\u00e7a de estado rent\u00e1vel. Se a nuvem deixa de receber imagens em comum ou se os registros de presen\u00e7a param de convergir, o sistema detecta a ruptura muito antes de qualquer luto ser declarado.<\/p>\n<p>Essa aus\u00eancia abrupta, vinda de quem operava afeto enquanto durava a conveni\u00eancia, torna-se um dado valioso para a m\u00e1quina. A vulnerabilidade de quem atravessa esse deserto transforma o indiv\u00edduo em um alvo mais poroso a est\u00edmulos externos. A fragilidade \u00e9 convertida em superavit comportamental. O sistema reorganiza o que exibe e antecipa as car\u00eancias de quem acaba de perder um interlocutor que, embora munido de adjetivos precisos e uma est\u00e9tica da bondade, escolheu o sil\u00eancio como fuga. A dor, assim, \u00e9 despojada de sua dignidade de processo \u00edntimo para ser integrada a um fluxo de otimiza\u00e7\u00e3o de consumo, onde o algoritmo espera, pacientemente, para oferecer o pr\u00f3ximo paliativo digital. Esse paliativo raramente se apresenta como aquilo que \u00e9: uma explora\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade. Ele chega disfar\u00e7ado de cuidado. N\u00e3o se trata apenas da publicidade expl\u00edcita de aplicativos de relacionamento que prometem um novo come\u00e7o, mas de uma constela\u00e7\u00e3o muito mais ampla de an\u00fancios que orbitam a inseguran\u00e7a afetiva. Cl\u00ednicas de procedimentos est\u00e9ticos, terapias de reposicionamento emocional, produtos ligados \u00e0 performance sexual ou \u00e0 autoconfian\u00e7a corporal come\u00e7am a surgir no horizonte da tela com a precis\u00e3o de quem leu um prontu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nesse ponto, o algoritmo deixa de apenas observar o sofrimento e passa a organizar uma narrativa para ele. As inseguran\u00e7as que j\u00e1 existiam, frequentemente moduladas por expectativas patriarcais sobre corpo, desejo e valor feminino, s\u00e3o reconfiguradas como responsabilidade individual. O fim do v\u00ednculo deixa de ser um acontecimento relacional e passa a aparecer como um d\u00e9ficit pessoal a ser corrigido.<\/p>\n<p>A publicidade oferece ent\u00e3o aquilo que parece ser uma resposta racional \u00e0 d\u00favida que ela mesma ajudou a formular. A pergunta insinuada \u00e9 simples e devastadora: o que h\u00e1 de errado comigo? A resposta vem acompanhada de sugest\u00e3o, diagn\u00f3stico e, sobretudo, da efici\u00eancia c\u00ednica de um bot\u00e3o que resolve tudo em segundos. A consulta j\u00e1 est\u00e1 ali, pronta para ser marcada e assim foi.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/728x90_banner_sobcomuns-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/728x90_banner_sobcomuns-3.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2024\/06\/31200612\/728x90_banner_sobcomuns-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Rela\u00e7\u00f5es humanas sob l\u00f3gica de descarte<\/strong><\/h3>\n<p>Ao mesmo tempo em que as emo\u00e7\u00f5es se tornaram dados, as rela\u00e7\u00f5es sofreram uma transforma\u00e7\u00e3o cultural profunda atrav\u00e9s do capitalismo emocional. Existe uma diferen\u00e7a crucial entre este fen\u00f4meno e a economia da aten\u00e7\u00e3o. Enquanto a aten\u00e7\u00e3o foca na captura do nosso tempo para gerar lucro publicit\u00e1rio, o capitalismo emocional descreve a invas\u00e3o da gram\u00e1tica de mercado no campo afetivo. N\u00e3o se trata apenas de quanto tempo passamos na tela, mas de como passamos a avaliar o outro como um ativo. O afeto \u00e9 submetido a m\u00e9tricas de efici\u00eancia, custo-benef\u00edcio e retorno sobre investimento.<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o de plataformas de encontro consolidou a desregula\u00e7\u00e3o desse mercado. O encontro ocorre em cat\u00e1logos onde a promessa impl\u00edcita \u00e9 a de que sempre existe uma vers\u00e3o melhorada do outro dispon\u00edvel no pr\u00f3ximo clique. Essa abund\u00e2ncia aparente altera a percep\u00e7\u00e3o do compromisso. Quando a substitui\u00e7\u00e3o parece indolor e imediata, a disposi\u00e7\u00e3o para atravessar conflitos reais desaparece. O v\u00ednculo deve produzir satisfa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. Diante de qualquer fric\u00e7\u00e3o que exija a profundidade que o interlocutor n\u00e3o deseja oferecer, o desaparecimento torna-se uma resposta aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>A publicidade dessas plataformas opera em simbiose com esse v\u00e1cuo afetivo. Quando o algoritmo fareja a ruptura, lendo o sil\u00eancio nas notifica\u00e7\u00f5es e o fim da converg\u00eancia dos metadados, o ambiente digital reage. \u00c9 nesse momento que surgem notifica\u00e7\u00f5es invasivas com promessas de novos come\u00e7os, embaladas por uma est\u00e9tica de liberdade e autonomia. O sistema n\u00e3o quer que voc\u00ea processe a aus\u00eancia. Ele quer que voc\u00ea a substitua. O marketing do novo ciclo \u00e9 disparado exatamente quando a vulnerabilidade \u00e9 maior. O algoritmo identifica a queda no volume de tr\u00e1fego entre dois perfis e interpreta esse v\u00e1cuo como uma oportunidade de reativa\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>A dor \u00e9 convertida em um gatilho de engajamento. O sistema oferece sugest\u00f5es de perfis semelhantes ao que se ausentou ou produtos que mimetizam o preenchimento daquele espa\u00e7o vazio. A l\u00f3gica de descarte \u00e9 o motor que mant\u00e9m a m\u00e1quina em rota\u00e7\u00e3o. Ela garante que o sujeito nunca permane\u00e7a tempo demais no luto, pois o sil\u00eancio do luto \u00e9 improdutivo para a plataforma. O marketing da substitui\u00e7\u00e3o vende a ideia de que a cura para uma covardia discreta \u00e9 uma nova escolha no cat\u00e1logo, transformando o trauma em um novo ciclo de explora\u00e7\u00e3o de dados.<\/p>\n<h3><strong>A pausa que o corpo imp\u00f5e<\/strong><\/h3>\n<p>A dor de cotovelo n\u00e3o foi inventada no Vale do Sil\u00edcio. A queda emocional, a minha e a sua, n\u00e3o \u00e9 um defeito de fabrica\u00e7\u00e3o do sujeito, mas o sintoma de um esgotamento metab\u00f3lico imposto por uma organiza\u00e7\u00e3o social que trata a vida como recurso exaur\u00edvel. O que precipita o colapso costuma ser um evento banal, uma despropor\u00e7\u00e3o entre o gatilho e a rea\u00e7\u00e3o que revela o quanto a estrutura ps\u00edquica j\u00e1 estava operando sob uma compress\u00e3o insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Talvez tenhamos sido moldados para terceirizar a regula\u00e7\u00e3o emocional para parceiros de confian\u00e7a, economizando energia metab\u00f3lica para a sobreviv\u00eancia. Quando as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o mediadas pela l\u00f3gica do descarte e pela ambiguidade das rela\u00e7\u00f5es, o c\u00e9rebro perde esse amortecedor e entra em um estado de hipervigil\u00e2ncia para prever sinais de rejei\u00e7\u00e3o. Nesta l\u00f3gica, o desaparecimento s\u00fabito ou o descaso n\u00e3o s\u00e3o apenas m\u00e1goas; s\u00e3o falhas catastr\u00f3ficas do modelo preditivo cerebral que ativam as mesmas regi\u00f5es da dor f\u00edsica. O organismo declara fal\u00eancia diante de um sistema de refor\u00e7o intermitente que mant\u00e9m o sujeito em alerta m\u00e1ximo enquanto consome suas reservas de energia. N\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, querido, \u00e9 meu hipot\u00e1lamo.<\/p>\n<p>Esse dreno biol\u00f3gico \u00e9, ent\u00e3o, capturado por uma infraestrutura tecnol\u00f3gica que extrai valor da nossa vulnerabilidade atrav\u00e9s do capitalismo de vigil\u00e2ncia. Estados de tristeza e solid\u00e3o tornam o indiv\u00edduo mais receptivo a est\u00edmulos externos, permitindo que sistemas algor\u00edtmicos identifiquem mudan\u00e7as no vocabul\u00e1rio ou na rotina para converter a dor em informa\u00e7\u00e3o process\u00e1vel. No Brasil, esse cen\u00e1rio \u00e9 agravado por uma industrializa\u00e7\u00e3o da misoginia que instrumentaliza o ressentimento e a desinforma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero para gerar lucro e capital pol\u00edtico. A desregula\u00e7\u00e3o dos afetos n\u00e3o \u00e9 um acidente, mas um projeto que mimetiza a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho: v\u00ednculos fluidos, sem garantias e de f\u00e1cil dissolu\u00e7\u00e3o, onde o \u00f4nus da perda recai exclusivamente sobre o indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>A tentativa de tratar essas crises apenas como problemas de gest\u00e3o psicol\u00f3gica \u00e9 uma estrat\u00e9gia de privatiza\u00e7\u00e3o do estresse que mascara o conflito de classe subjacente. Ao deslocar a autoridade do fato para a autoridade da emo\u00e7\u00e3o visceral, o regime da EUpistemologia isola o sujeito em sua \u201cverdade\u201d particular, impedindo a constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia coletiva sobre as causas do sofrimento. O neoliberalismo exige que sejamos empreendedores da pr\u00f3pria subjetividade, transformando o colapso em uma falha de administra\u00e7\u00e3o emocional e n\u00e3o em uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o total do tempo e do afeto.<\/p>\n<p>Reconhecer a pausa imposta pelo corpo \u00e9, portanto, um ato de resist\u00eancia contra a captura da vida pela m\u00e9trica do desempenho. Em um mundo que exige a transpar\u00eancia total para fins de extra\u00e7\u00e3o de dados, preservar o sil\u00eancio \u00e9 uma forma de proteger o territ\u00f3rio irredut\u00edvel da exist\u00eancia humana. Nem toda dor precisa ser convertida em dado. Nem toda perda precisa ser transformada em conte\u00fado compartilh\u00e1vel, em relato de supera\u00e7\u00e3o ou em aprendizado p\u00fablico para alimentar o engajamento alheio. O luto tem um tempo que o algoritmo desconhece e uma profundidade que a gram\u00e1tica de mercado n\u00e3o consegue mensurar. Existem dores que exigem um exame profundo e um mergulho nos escombros da subjetividade. Outras, por\u00e9m, encontram o seu lugar de repouso na simplicidade de dois ou tr\u00eas \u00e1lbuns de Lim\u00e3o com Mel ou Fl\u00e1vio Jos\u00e9. A luta de classes hoje passa tamb\u00e9m pela disputa do or\u00e7amento energ\u00e9tico do c\u00e9rebro, recusando a l\u00f3gica que transforma nossa capacidade de amar e sofrer em mercadoria ou dado estat\u00edstico.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post De tudo, ao meu amor, as Big Techs ser\u00e3o atentas appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-o-frio-sp-aciona-operacao-para-pessoas-em-situacao-de-rua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Com o frio, SP aciona opera\u00e7\u00e3o para pessoas em sit...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/politicos-da-direita-temem-que-o-rotulo-de-inimigo-da-folga-com-a-escala-6x1-destrua-candidaturas-em-outubro-mostra-noblat\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pol\u00edticos da direita temem que o r\u00f3tulo de \u201cinimig...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rogerio-apresenta-projetos-que-fortalecem-direitos-trabalhistas-e-modernizam-relacoes-de-trabalho\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Rog\u00e9rio apresenta projetos que fortalecem direitos...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/artistas-chamam-para-protestos-contra-anistia-e-pec-da-blindagem\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Artistas chamam para protestos contra anistia e PE...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f4nica de um colapso pessoal e um afastamento abrupto. A dor virou dado para prever comportamentos. E, disfar\u00e7ado de cuidado, o algoritmo age para corrigir este \u201cdefeito\u201d de desempenho exigido pela etiqueta social. Desregula\u00e7\u00e3o dos afetos n\u00e3o \u00e9 um acidente<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/de-tudo-ao-meu-amor-as-big-techs-serao-atentas\/\">De tudo, ao meu amor, as Big Techs ser\u00e3o atentas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":78222,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[7488,38825,38826,597,8993,2687,6800,8996],"tags":[],"class_list":["post-78221","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-algoritmos","category-amores-liquidos","category-aplicativos-de-encontro","category-big-techs","category-byung-chul-han","category-crise-civilizatoria","category-shoshana-zuboff","category-sociedade-do-cansaco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78221"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78221\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}