{"id":78225,"date":"2026-03-13T19:21:25","date_gmt":"2026-03-13T22:21:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/arte-como-forma-de-revolucao\/"},"modified":"2026-03-13T19:21:25","modified_gmt":"2026-03-13T22:21:25","slug":"arte-como-forma-de-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/arte-como-forma-de-revolucao\/","title":{"rendered":"Arte como forma de revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1392\" height=\"826\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5017503919474675134_w.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5017503919474675134_w.jpg 1392w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/13191914\/photo_5017503919474675134_w-300x178.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/13191914\/photo_5017503919474675134_w-768x456.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1392px) 100vw, 1392px\"><figcaption>A foto mostra uma cena da hist\u00f3rica montagem de \u201cO Rei da Vela\u201d pelo Teatro Oficina, em 1967. No palco, atores com figurinos e maquiagens exagerados atuam em um cen\u00e1rio estilizado que remete ao Brasil. Dirigida por Jos\u00e9 Celso, a pe\u00e7a de Oswald de Andrade foi transformada em um manifesto tropicalista e um ato de deboche contra a ditadura militar.<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0\u201c<em>minha boca ser\u00e1 a boca das desgra\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam boca\u201d<\/em><br \/>Aim\u00e9 C\u00e9saire<\/p>\n<p>Por muito tempo se ensinou que Revolu\u00e7\u00f5es nascem do assalto aos pal\u00e1cios, da ruptura institucional e troca abrupta das elites no poder. Mas h\u00e1 outra forma de revolu\u00e7\u00e3o, mais profunda e mais duradoura, aquela que se faz no terreno simb\u00f3lico. Ela n\u00e3o come\u00e7a com a tomada do poder e sim pela tomada da palavra e da arte. N\u00e3o ocupa quart\u00e9is, ocupa imagin\u00e1rios. Arte, nesse sentido, deixa de ser ornamento para se transformar em motor oculto da hist\u00f3ria; e ir\u00e1 impulsionar a revolu\u00e7\u00e3o quando as desgra\u00e7as do mundo deixarem de parecer inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Antes da insurrei\u00e7\u00e3o das ruas e da queda dos regimes, h\u00e1 a insubordina\u00e7\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o e a queda das certezas. Quando algo se desloca no campo do sens\u00edvel o que parecia eterno revela-se hist\u00f3rico, \u00e9 nesse ponto que a arte atua, desfazendo a apar\u00eancia da inevitabilidade at\u00e9 conquistar dimens\u00e3o revolucion\u00e1ria ao operar no territ\u00f3rio onde se decide o que \u00e9 pens\u00e1vel, diz\u00edvel e desej\u00e1vel. \u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1-20.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1-20.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o existimos fora das rela\u00e7\u00f5es que nos constituem, somos trama de v\u00ednculos, trabalho, mem\u00f3ria e conflito. Ocorre que na tens\u00e3o entre Sistemas Hist\u00f3ricos (Estado, Mercado, Institui\u00e7\u00f5es Religiosas, Educa\u00e7\u00e3o\u2026) e Vida tal qual vivida, essas rela\u00e7\u00f5es se cristalizam, instalando a reifica\u00e7\u00e3o. Reificando processos sociais e mentais, rela\u00e7\u00f5es humanas e conceitos abstratos s\u00e3o transformados em coisa; como decorr\u00eancia, os seres humanos e suas ideais viram objetos, institui\u00e7\u00f5es abstratas, como \u201cO Mercado\u201d, passam a adquirir personalidade pr\u00f3pria, como uma entidade f\u00edsica real, com gostos e vontades. Reifica\u00e7\u00e3o, ou fetichiza\u00e7\u00e3o, ou coisifica\u00e7\u00e3o, tr\u00eas palavras para dizer o mesmo, que precisam ser explicitadas, pois nos fazem enxergar o mundo como realidade dada, n\u00e3o como realidade produzida a partir de rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 assim que o \u201cSistema\u201d domina a vida. \u00a0<\/p>\n<p>A vida social coisifica-se, e com ela a nossa percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando entra a fun\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da arte. Arte s\u00f3 \u00e9 revolucion\u00e1ria quando rompe essa n\u00e9voa e restitui \u00e0 experi\u00eancia comum sua espessura hist\u00f3rica, revelando que aquilo que parece s\u00f3lido, <em>\u201cdesmancha no ar\u201d,\u00a0<\/em>conforme o Manifesto escrito por Engels e Marx. Para tanto \u00e9 necess\u00e1rio desmanchar a coisifica\u00e7\u00e3o dos processos sociais, retomando a categoria de totalidade.<\/p>\n<p>A tarefa revolucion\u00e1ria da Arte \u00e9 desfazer o fetiche. No poema Nosso Tempo, Carlos Drummond de Andrade apresenta essa tarefa em verso:\u00a0<\/p>\n<p>\u201c<em>S\u00e3o t\u00e3o fortes as coisas<\/em><br \/><em>mas eu n\u00e3o sou as coisas<\/em><br \/><em>e me revolto!\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Arte \u00e9 rebeldia em forma de reflex\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Pela arte \u00e9 poss\u00edvel retomar a totalidade como categoria viva e com isso compreender o particular, e cada experi\u00eancia individual, como express\u00e3o de uma trama contradit\u00f3ria de media\u00e7\u00f5es e conflitos. Quando o poema, a cena ou a narrativa, reinserem o drama individual na hist\u00f3ria coletiva, devolvem movimento ao presente e resgatam o fio da hist\u00f3ria. \u00c9 quando a arte deixa de ilustrar a transforma\u00e7\u00e3o e passa a preparar o plano do sens\u00edvel, restituindo historicidade e revelando as media\u00e7\u00f5es invis\u00edveis do mundo social.<\/p>\n<p>Reifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica, \u00e9 perceptiva. Por isso transforma rela\u00e7\u00f5es sociais em coisas e naturaliza a ordem opressiva vigente. Uma arte cr\u00edtica deve operar o movimento inverso, rompendo o fetiche que aliena e revelando historicidade com a restitui\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o processual do real. Arte como forma de revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mero evento pol\u00edtico, mas supera\u00e7\u00e3o da coisifica\u00e7\u00e3o que captura a subjetividade.<\/p>\n<p>A arte pode ser conformista, reacion\u00e1ria ou revolucion\u00e1ria, isso depende de como vai se absorver o particular como express\u00e3o de uma totalidade contradit\u00f3ria. \u00c9 o sentido que desfaz o fetiche e a reifica\u00e7\u00e3o da vida, pelo sentido devolveremos movimento de transforma\u00e7\u00e3o profunda ao presente. Pela categoria de totalidade revela-se que cada experi\u00eancia individual carrega a marca de um sistema de opress\u00f5es e domina\u00e7\u00f5es e pela arte \u00e9 poss\u00edvel apreender e desvelar essas marcas, reabrindo o que parecia fechado. Por ela deixamos de perceber o mundo como algo dado, imut\u00e1vel, que \u201csempre foi assim\u201d. A arte s\u00f3 \u00e9 revolucion\u00e1ria quando rompe com a reifica\u00e7\u00e3o\/coisifica\u00e7\u00e3o do mundo, at\u00e9 que a gente, as pessoas e sociedades se transformem em multitude em a\u00e7\u00e3o, deixando de se adaptar e se conformar.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>No mundo social nada \u00e9 natural, por isso, n\u00e3o se conformem, n\u00e3o se adaptem. Revoltem-se e vamos \u00e0 luta!<\/p>\n<p>Nenhuma transforma\u00e7\u00e3o estrutural se consolida sem muta\u00e7\u00e3o cultural pr\u00e9via, sem revolucionar o modo de pensar, ser e agir. O Renascimento deslocou o eixo do universo simb\u00f3lico ao reinscrever o humano no centro da representa\u00e7\u00e3o; a nova perspectiva art\u00edstico-pict\u00f3rica que floresceu na pen\u00ednsula italiana a partir do s\u00e9culo XV n\u00e3o foi mero recurso t\u00e9cnico, foi reorganiza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre sujeito e mundo. O mesmo com o Iluminismo, quando expandiu um novo gesto social ao formular outra gram\u00e1tica da legitimidade. As pessoas deixaram de se sujeitar \u00e0 aristocracia herdeira do Feudalismo e ergueram o sentido da soberania popular. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, foram primeiro imaginados em livros, panfletos, enciclop\u00e9dias, pe\u00e7as teatrais, para s\u00f3 depois ganharem a forma institucional da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Os costumes, a sociedade, a pol\u00edtica e a economia, seguem primeiro a imagina\u00e7\u00e3o e, ato cont\u00ednuo, tornam-se reais.<\/p>\n<p>Sob a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 ocorreu processo semelhante e a explos\u00e3o \u00e9tico-est\u00e9tica antecipou a ruptura pol\u00edtica. Vanguardas art\u00edsticas, cinema, poesia e arquitetura buscaram criar formas compat\u00edveis com uma sociedade que pretendia romper com a ordem czarista e capitalista. N\u00e3o se tratava apenas de ilustrar a mudan\u00e7a, mas de inventar uma nova linguagem para um sujeito coletivo em emerg\u00eancia. Ainda que posteriormente capturada pelo realismo oficial (realismo socialista, sob o per\u00edodo de St\u00e1lin), aquela experi\u00eancia revelou que a transforma\u00e7\u00e3o social exige inven\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p>As lutas anticoloniais do s\u00e9culo XX igualmente confirmam essa din\u00e2mica. A domina\u00e7\u00e3o colonial opera n\u00e3o s\u00f3 pela viol\u00eancia material, mas pela captura do imagin\u00e1rio atrav\u00e9s da colonialidade do poder. Libertar territ\u00f3rios, portanto, implica em libertar consci\u00eancias. O movimento Negritude, os teatros de resist\u00eancia, as m\u00fasicas insurgentes, reconstru\u00edram identidades dilaceradas de povos colonizados. H\u00e1 um aspecto lindo nas independ\u00eancias de pa\u00edses africanos que pouco se comenta, parte significativa das independ\u00eancias na \u00c1frica aconteceu sob a lideran\u00e7a de poetas. L\u00e9opold Senghor, poeta, pensador e um dos fundadores do movimento Negritude, foi o primeiro presidente do Senegal; Am\u00edlcar Cabral, da liberta\u00e7\u00e3o de Guin\u00e9 Bissau e Cabo-Verde, idem; Agostinho Neto, m\u00e9dico e poeta, foi primeiro presidente de Angola. Como esses, outros poetas foram fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia nacional de seus povos em luta pela liberta\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 Craveirinha e Mia Couto em Mo\u00e7ambique, Manuela Margarido em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, A palavra tornou-se ato de desaliena\u00e7\u00e3o e a est\u00e9tica foi arma de reconquista da natureza do Ser colonizado; ontol\u00f3gica, portanto, revelando os sentidos da exist\u00eancia e da realidade. Pela arte venceram ex\u00e9rcitos e descolonizaram o imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Do Caribe mesti\u00e7o, especificamente da Martinica, o mundo ganhou a poesia de Aim\u00e9 C\u00e9saire e as reflex\u00f5es de Frantz Fanon, dois pensadores fundamentais para mostrar que a domina\u00e7\u00e3o colonial operava no plano ps\u00edquico e cultural; para eles, libertar territ\u00f3rios implicava libertar consci\u00eancias. Idem na Am\u00e9rica Latina, onde m\u00fasica, literatura e teatro tornaram-se espa\u00e7os de reconstru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria frente \u00e0 viol\u00eancia imperialista; de Em\u00edlio Recabarr\u00e9n, no Chile, e Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui, no Peru e Astrojildo Pereira no Brasil, sem esquecer de mencionar Augusto Boal para o mundo. Talvez a mais rom\u00e2ntica das revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX tenha sido a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, em Portugal. Em 25 de abril de 1974, uma can\u00e7\u00e3o transmitida pelo r\u00e1dio,\u00a0<em>\u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d<\/em>, serviu como senha para o levante militar que derrubaria a ditadura salazarista. O s\u00edmbolo que ficou n\u00e3o foi a arma, mas o cravo vermelho inserido no cano do fuzil. Essa imagem sintetiza o poder do sens\u00edvel: uma flor interrompendo a l\u00f3gica da viol\u00eancia. N\u00e3o foi apenas a queda de um regime, foi a instaura\u00e7\u00e3o de outra atmosfera coletiva. A m\u00fasica antecedeu o ato revolucion\u00e1rio e o gesto po\u00e9tico antecipou a transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Esses exemplos n\u00e3o s\u00e3o coincid\u00eancias hist\u00f3ricas, revelam um padr\u00e3o. Antes que as estruturas mudem \u00e9 preciso mudar a percep\u00e7\u00e3o das pessoas, reorganizando afetos, redefinindo narrativas, restituindo dignidade simb\u00f3lica. Arte n\u00e3o substitui organiza\u00e7\u00e3o, luta e estrat\u00e9gia pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, mas prepara o terreno subjetivo que torna poss\u00edvel a a\u00e7\u00e3o. Nesse momento a arte deixa de ser ornamento para tornar-se um dos motores invis\u00edveis da hist\u00f3ria; o mais poderoso, imagino, ou melhor, sonho. A pol\u00edtica segue a imagina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o contr\u00e1rio. Muito do fracasso pol\u00edtico do chamado progressismo de esquerda na Am\u00e9rica Latina nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI, e mesmo antes disso, na Europa, \u00e9 resultado dessa incompreens\u00e3o. A explos\u00e3o est\u00e9tica antecipa a ruptura pol\u00edtica, quando ela n\u00e3o acontece, o que se pretendia mudan\u00e7a vira desilus\u00e3o. N\u00e3o se trata de ilustrar a mudan\u00e7a, mas de cri\u00e1-la sensivelmente. S\u00f3 assim se coloca o povo em movimento para uma nova era, a Era da Consci\u00eancia.<\/p>\n<p>No\u00a0<em>Manifesto Surrealista<\/em>, Andr\u00e9 Breton proclamou:\u00a0<em>\u201cA imagina\u00e7\u00e3o talvez esteja a ponto de retomar seus direitos\u201d.<\/em>\u00a0N\u00e3o era met\u00e1fora e sim declara\u00e7\u00e3o de ruptura, reestabelecendo a centralidade da imagina\u00e7\u00e3o. Libertar o imagin\u00e1rio significa romper as fronteiras do poss\u00edvel impostas pela ordem dominante, por essas fronteiras n\u00e3o nos atrevemos ir al\u00e9m, nos conformando e nos formatando. No Brasil, com o Movimento Modernista, houve igual tentativa de fratura simb\u00f3lica. Com seus versos, M\u00e1rio de Andrade desafiou a adiposidade cerebral no poema \u201cOde ao Burgu\u00eas\u201d:<\/p>\n<p>\u201c<em>Eu insulto o burgu\u00eas! O burgu\u00eas-n\u00edquel,<\/em><br \/><em>o burgu\u00eas burgu\u00eas!<\/em><br \/><em>A digest\u00e3o bem feita de S\u00e3o Paulo!<\/em><br \/><em>O homem curva! O homem n\u00e1degas!<\/em><br \/>[\u2026]<br \/><em>\u00d3dio e insulto! \u00d3dio e raiva! \u00d3dio e mais \u00f3dio!<\/em><br \/><em>Morte ao burgu\u00eas de giolhos, <\/em>[de joelhos]<br \/><em>cheirando religi\u00e3o e que n\u00e3o cr\u00ea em Deus!<\/em><br \/><em>\u00d3dio vermelho! \u00d3dio fecundo! \u00d3dio c\u00edclico!<\/em><br \/><em>\u00d3dio fundamento, sem perd\u00e3o!<\/em><\/p>\n<p><em>Fora! Fu! Fora o Bom Burgu\u00eas!\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>O insulto po\u00e9tico de h\u00e1 um s\u00e9culo foi gesto est\u00e9tico e pol\u00edtico de rompimento com a subordina\u00e7\u00e3o parasita-colonial-burguesa.\u00a0 A arte estava preparando o pa\u00eds para pensar-se diferente, afirmando uma outra voz nacional. \u00a0Mas o presente imp\u00f5e um desafio mais complexo. Se de um lado a ideologia dominante e suas Institui\u00e7\u00f5es, incluindo ind\u00fastria cultural, produz sujeitos ajustados \u00e0 ordem, a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais sob o hipercapitalismo, ou tecnofeudalismo, tornou-se difusa, algor\u00edtmica, capilar, povoando e direcionando desejos. A ideologia j\u00e1 n\u00e3o opera apenas por cren\u00e7a ing\u00eanua, mas por cinismo esclarecido. Sabemos das contradi\u00e7\u00f5es e, ainda assim, agimos como se as injusti\u00e7as e desigualdades fossem inevit\u00e1veis. No livro \u201cRealismo Capitalista\u201d, Mark Fisher diagnosticou com acuidade o fato de que nos tempos atuais instala-se a sensa\u00e7\u00e3o de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d, pois o horizonte do imagin\u00e1vel foi colonizado. De fato.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio a arte corre dois riscos: neutraliza\u00e7\u00e3o mercantil ou impot\u00eancia melanc\u00f3lica. Pode tornar-se produto mensur\u00e1vel por m\u00e9tricas de engajamento, ou den\u00fancia que n\u00e3o alcan\u00e7a mudan\u00e7as estruturais, sequer compreendendo o funcionamento de suas engrenagens. Fica na superficialidade da cr\u00edtica, como uma v\u00e1lvula de escape que funciona como catarse, sem alterar o Sistema. A Ind\u00fastria Cultural e a presentemente chamada \u201ceconomia criativa\u201d, oferece a simula\u00e7\u00e3o da ruptura enquanto mant\u00e9m intacta a l\u00f3gica que a produz.<\/p>\n<p>A ideologia contempor\u00e2nea funciona cinismo esclarecido: <em>\u201csabemos muito bem o que de mal estamos fazendo, mas ainda assim o fazemos\u201d<\/em>. Como na linguagem de artes perif\u00e9ricas a exaltarem a ostenta\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o do machismo, individualismo, misoginia e outras opress\u00f5es. A arte revolucion\u00e1ria, ent\u00e3o, n\u00e3o deve apenas denunciar ilus\u00f5es evidentes, ela precisa atingir esse n\u00facleo c\u00ednico, onde o sujeito j\u00e1 n\u00e3o acredita no Sistema, mas continua participando e reproduzindo seus mecanismos de domina\u00e7\u00e3o, e os incorpora.<\/p>\n<p>Arte n\u00e3o \u00e9 exterior \u00e0 ideologia, ela a atravessa. O sentido revolucion\u00e1rio s\u00f3 acontece quando a arte reconfigura perguntas, restituindo totalidade ao fragmentado, possibilitando a produ\u00e7\u00e3o de contra-interpela\u00e7\u00f5es. Sua pot\u00eancia est\u00e1 em criar fissuras na narrativa dominante, abrindo espa\u00e7o para que o sujeito se reconhe\u00e7a como agente hist\u00f3rico e n\u00e3o apenas como pe\u00e7a funcional do Sistema. Contudo, n\u00e3o basta tematizar a injusti\u00e7a, h\u00e1 que apontar caminhos indo al\u00e9m da superf\u00edcie. Permanecer no n\u00edvel da apar\u00eancia n\u00e3o alcan\u00e7a a estrutura nem permite compreender o particular \u00e0 luz das media\u00e7\u00f5es que o constituem. Uma est\u00e9tica revolucion\u00e1ria exige consci\u00eancia de totalidade, sendo preciso repetir. O poema, a cena teatral, a m\u00fasica, a dan\u00e7a, as hist\u00f3rias narradas, quando isolam o indiv\u00edduo de suas determina\u00e7\u00f5es sociais, refor\u00e7am a fragmenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da p\u00f3s-modernidade capitalista, quando reinserem o drama pessoal na trama hist\u00f3rica, restituem a dimens\u00e3o coletiva do Ser.<\/p>\n<p>O verdadeiro ato pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 escolha entre op\u00e7\u00f5es dadas, \u00e9 redefini\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio campo das escolhas. Arte \u00e9 para ir al\u00e9m do estabelecido. Ao criar formas que n\u00e3o se encaixam na l\u00f3gica dominante, a arte supera aquilo que n\u00e3o \u00e9 plenamente absorvido e produz experi\u00eancias coletivas. Em um tempo que isola, apesar do aparente turbilh\u00e3o das redes socais, \u00e9 gesto radical. Um sarau perif\u00e9rico, uma ocupa\u00e7\u00e3o cultural, uma can\u00e7\u00e3o que circula fora das engrenagens comerciais, n\u00e3o s\u00e3o margens pitorescas, nem a cultura popular \u00e9 folcl\u00f3rica, s\u00e3o ensaios de outra sociabilidade. Ali se experimenta o comum como pr\u00e1tica, n\u00e3o como abstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, o tempo presente apresenta o desafio espec\u00edfico das rela\u00e7\u00f5es sociais difusas, capilares e comandadas pelo algoritmo e alucina\u00e7\u00f5es da chamada Intelig\u00eancia Artificial, que n\u00e3o \u00e9 inteligente nem artificial, como bem apontou o eminente cientista brasileiro, Miguel Nicolelis. Com isso a cr\u00edtica \u00e9 rapidamente absorvida, domesticando a rebeldia, que \u00e9 convertida em estilo e espet\u00e1culo. Nesse ambiente a contesta\u00e7\u00e3o vira mercadoria a se comprar e vender nas prateleiras das redes sociais.<\/p>\n<p>O capitalismo contempor\u00e2neo n\u00e3o apenas organiza a economia, ele coloniza o horizonte do imagin\u00e1vel ao instalar a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 alternativa, como j\u00e1 dito, e o cinismo conformista \u00e9 a maior das armas do Capital, pois a precariedade \u00e9 apresentada como flexibilidade e a devasta\u00e7\u00e3o ambiental, como custo inevit\u00e1vel do progresso, assim como a hiperexplora\u00e7\u00e3o do trabalho. A solid\u00e3o digital amplia a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo \u00e9 inescap\u00e1vel, reduzindo pertencimento e participa\u00e7\u00e3o \u00e0 conectividade em rede. A naturaliza\u00e7\u00e3o mercantil transforma toda cria\u00e7\u00e3o em produto segmentado, mensur\u00e1vel por m\u00e9tricas de engajamento; e a impot\u00eancia melanc\u00f3lica imp\u00f5e limites \u00e0 den\u00fancia criada artisticamente, sem reorganizar o campo da transforma\u00e7\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>A arte revolucion\u00e1ria precisa escapar a ambos riscos. Sua tarefa n\u00e3o \u00e9 oferecer respostas simplistas, mas reconfigurar perguntas, tornar vis\u00edvel o que foi falsamente naturalizado e dar sentido de unidade ao fragmentado. O ser humano n\u00e3o \u00e9 entidade abstrata, mas s\u00edntese de rela\u00e7\u00f5es sociais, e a consci\u00eancia n\u00e3o paira acima da mat\u00e9ria, ela emerge da pr\u00e1tica, da vida realmente vivenciada. Essa pr\u00e1tica \u00e9 mediada por formas simb\u00f3licas, como linguagem, arte e cultura, que estruturam a experi\u00eancia. Produzir experi\u00eancias coletivas em um tempo que isola, pressup\u00f5e desmontar a reifica\u00e7\u00e3o que separa indiv\u00edduo e totalidade. \u00c9 quando a cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica comunit\u00e1ria adquire um significado \u00fanico, que pode restabelecer media\u00e7\u00f5es profundamente transformadoras, qui\u00e7\u00e1 revolucion\u00e1rias, em gestos que n\u00e3o s\u00e3o marginais, mas ensaios de outra sociabilidade.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica urgente e emergente que proponho, n\u00e3o se anuncia como explos\u00e3o s\u00fabita, mas como recomposi\u00e7\u00e3o paciente do comum. Ela come\u00e7a quando comunidades retomam a capacidade de narrar a si mesmas e a cultura deixa de ser consumo, voltando a ser produ\u00e7\u00e3o compartilhada. Nesse momento o imagin\u00e1rio coletivo recusa o fatalismo. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 heran\u00e7a passiva, mas tarefa, responsabilidade. Pelo fio da hist\u00f3ria carregamos desilus\u00f5es e esperan\u00e7as, derrotas e persist\u00eancias, compreendendo-o teremos condi\u00e7\u00f5es para retomar continuidade cr\u00edtica em processos intergeracionais, e assim sair do labirinto.<\/p>\n<p>\u00c9 o sentido de revolu\u00e7\u00e3o, urgente e emergente, que apresento.<br \/>Revolu\u00e7\u00e3o para j\u00e1!<br \/>Agora. N\u00e3o menos que isso.<\/p>\n<p>O mundo pode ser bom, belo e justo para todo mundo, s\u00f3 depende de n\u00f3s. E a arte \u00e9 o caminho. Arte reabre o futuro quando este parece fechado. Arte para recordar que o mundo que nos oprime n\u00e3o \u00e9 destino. Tudo o que foi constru\u00eddo pode ser reinventado.\u00a0 Como j\u00e1 dito, arte como forma de revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o substitui a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica organizada, mas a antecede e a acompanha, impedindo que revolu\u00e7\u00f5es se desviem pelo caminho (acontece muito, mas \u00e9 tema para outro ensaio). A arte inaugura possibilidades e disputa sentido. Se o capitalismo pretendeu colonizar o imagin\u00e1rio para formar pessoas obedientes, a revolu\u00e7\u00e3o tem in\u00edcio quando a imagina\u00e7\u00e3o se recusa a obedecer, pois toda revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7a assim: imaginar o imposs\u00edvel at\u00e9 que ele se torne real.<\/p>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o <\/strong>(um poema)<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 grito<br \/>(ou talvez seja),<br \/>mas dela parte um grito,<br \/>meio rouco,<br \/>meio gasto,<br \/>um grito que come\u00e7a baixinho,<br \/>como quem escava o sil\u00eancio com as unhas.<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 isso:<br \/>uma vontade de pegar o mundo nos bra\u00e7os,<br \/>de arrancar os arames das fronteiras,<br \/>de devolver o rio ao leito,<br \/>a chuva ao campo,<br \/>o fruto \u00e0 boca.<\/p>\n<p>E se Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o for isso,<br \/>que seja outra coisa,<br \/>mas que seja agora,<br \/>porque a terra cansa,<br \/>a fome pesa,<br \/>as bombas matam,<br \/>o sangue escorre.<\/p>\n<p>E o tempo n\u00e3o espera.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Ao fustigar a imagina\u00e7\u00e3o, a arte reconfigura perguntas e nos convida a vislumbrar outros mundos\u2026 E, hoje, pode ser arma potente contra o solid\u00e3o digital e mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/poeticas\/arte-como-forma-de-revolucao\/\">Arte como forma de revolu\u00e7\u00e3o<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":78226,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1150,38827,38828,309,38829,38830,4069,5223,5499,810,38831],"tags":[],"class_list":["post-78225","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","category-arte-revolucionaria","category-carlos-drummond-de-andrade","category-cultura","category-imaginario-politico","category-manifesto-surrealista","category-mario-de-andrade","category-poesia","category-poeticas","category-revolucao","category-sistemas-historicos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78225"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78225\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}