{"id":78717,"date":"2026-03-17T19:25:46","date_gmt":"2026-03-17T22:25:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/seria-a-guerra-no-ira-o-comeco-do-fim-do-imperio\/"},"modified":"2026-03-17T19:25:46","modified_gmt":"2026-03-17T22:25:46","slug":"seria-a-guerra-no-ira-o-comeco-do-fim-do-imperio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/seria-a-guerra-no-ira-o-comeco-do-fim-do-imperio\/","title":{"rendered":"Seria a guerra no Ir\u00e3 o come\u00e7o do fim do Imp\u00e9rio?"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: ABEDIN TAHERKENAREH\/EPA<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Alfred W. McCoy<\/strong>, no <em>CounterPunch<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>No primeiro cap\u00edtulo de seu romance de 1874, <em>A Era Dourada<\/em>, Mark Twain ofereceu uma observa\u00e7\u00e3o reveladora sobre a conex\u00e3o entre passado e presente: \u201cA hist\u00f3ria nunca se repete, mas o presente muitas vezes parece ser constru\u00eddo a partir dos fragmentos quebrados de lendas antigas.\u201d<\/p>\n<p>Entre as \u201clendas antigas\u201d mais \u00fateis para entender o prov\u00e1vel desfecho da atual interven\u00e7\u00e3o dos EUA no Ir\u00e3 est\u00e1 a Crise de Suez de 1956, que descrevo em meu novo livro, <em>Guerra Fria em Cinco Continentes<\/em>. Depois que o l\u00edder eg\u00edpcio Gamal Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez em julho de 1956, uma armada conjunta franco-brit\u00e2nica de seis porta-avi\u00f5es destruiu a for\u00e7a a\u00e9rea eg\u00edpcia, enquanto tropas israelenses esmagavam tanques eg\u00edpcios nas areias da Pen\u00ednsula do Sinai. Em menos de uma semana de guerra, Nasser havia perdido suas for\u00e7as estrat\u00e9gicas e o Egito parecia indefeso diante do poderio avassalador daquele colosso imperial.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--19.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--19.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Mas, quando as for\u00e7as anglo-francesas invadiram a costa norte do Canal de Suez, Nasser j\u00e1 havia executado uma jogada geopol\u00edtica magistral, afundando dezenas de navios enferrujados e cheios de pedras na entrada norte do canal. Com isso, ele cortou automaticamente a principal fonte de abastecimento de petr\u00f3leo da Europa, que ficava no Golfo P\u00e9rsico. Quando as for\u00e7as brit\u00e2nicas se retiraram derrotadas de Suez, a Gr\u00e3-Bretanha j\u00e1 havia sido sancionada pela ONU, sua moeda estava \u00e0 beira do colapso, sua aura de poder imperial havia se dissipado e seu imp\u00e9rio global caminhava para a extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os historiadores agora se referem ao fen\u00f4meno de um imp\u00e9rio em decl\u00ednio lan\u00e7ando uma interven\u00e7\u00e3o militar desesperada para recuperar sua gl\u00f3ria imperial em decl\u00ednio como \u201cmicromilitarismo\u201d. E, na esteira da influ\u00eancia cada vez menor do imp\u00e9rio Washington sobre a vasta massa continental da Eur\u00e1sia, o recente ataque militar dos EUA ao Ir\u00e3 come\u00e7a a se parecer com uma vers\u00e3o norte-americana desse micromilitarismo.<\/p>\n<p>Mesmo que a hist\u00f3ria nunca se repita de fato, neste momento parece bastante pertinente questionar se a atual interven\u00e7\u00e3o dos EUA no Ir\u00e3 n\u00e3o seria, de fato, a vers\u00e3o norte-americana da Crise de Suez. E, caso a tentativa de Washington de promover uma mudan\u00e7a de regime em Teer\u00e3 \u201ctenha sucesso\u201d, n\u00e3o se iluda pensando que o resultado ser\u00e1 um novo governo est\u00e1vel e capaz de servir bem ao seu povo.<\/p>\n<p><strong>70 anos de mudan\u00e7a de regime<\/strong><\/p>\n<p>Vamos retornar ao registro hist\u00f3rico para desvendar as prov\u00e1veis consequ\u00eancias de uma mudan\u00e7a de regime no Ir\u00e3. Ao longo dos \u00faltimos 70 anos, Washington fez repetidas tentativas de mudan\u00e7a de regime em cinco continentes \u2014 inicialmente por meio de a\u00e7\u00f5es secretas da CIA durante os 44 anos da Guerra Fria e, nas d\u00e9cadas posteriores ao fim desse conflito global, por meio de opera\u00e7\u00f5es militares convencionais. Embora os m\u00e9todos tenham mudado, os resultados \u2014 mergulhando as sociedades afetadas em d\u00e9cadas de intensos conflitos sociais e instabilidade pol\u00edtica incessante \u2014 foram lamentavelmente semelhantes. Esse padr\u00e3o pode ser observado em algumas das interven\u00e7\u00f5es secretas mais famosas da CIA durante a Guerra Fria.<\/p>\n<p>Em 1953, o novo parlamento iraniano decidiu nacionalizar a concess\u00e3o petrol\u00edfera imperial brit\u00e2nica na regi\u00e3o para financiar servi\u00e7os sociais para a sua democracia emergente. Em resposta, um golpe conjunto da CIA e do MI6 dep\u00f4s o primeiro-ministro reformista e instalou no poder o filho do antigo X\u00e1, h\u00e1 muito deposto. Infelizmente para o povo iraniano, ele provou ser um l\u00edder extremamente inepto, que transformou a riqueza petrol\u00edfera do pa\u00eds em pobreza em massa \u2014 precipitando, assim, a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica do Ir\u00e3 em 1979.<\/p>\n<p>Em 1954, a Guatemala implementava um programa hist\u00f3rico de reforma agr\u00e1ria que concedia \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, majoritariamente maia, os requisitos necess\u00e1rios para a plena cidadania. Infelizmente, uma invas\u00e3o patrocinada pela CIA instaurou uma brutal ditadura militar, mergulhando o pa\u00eds em 30 anos de guerra civil que deixou 200 mil mortos em uma popula\u00e7\u00e3o de apenas cinco milh\u00f5es.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/circuito3anos-banner_outraspalavras-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/circuito3anos-banner_outraspalavras-1.jpg 729w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/06\/01180420\/circuito3anos-banner_outraspalavras-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px\" width=\"729\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>De forma semelhante, em 1960, o Congo emergiu de um s\u00e9culo de brutal dom\u00ednio colonial belga ao eleger um l\u00edder carism\u00e1tico, Patrice Lumumba. Mas a CIA logo o dep\u00f4s do poder, substituindo-o por Josef Mobutu, um ditador militar cuja cleptocracia, ao longo de 30 anos, desencadeou uma viol\u00eancia que levou \u00e0 morte de mais de cinco milh\u00f5es de pessoas na Segunda Guerra do Congo (1998-2003) e continua a causar estragos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os resultados das tentativas de Washington de promover mudan\u00e7as de regime por meio de opera\u00e7\u00f5es militares convencionais foram igualmente desastrosos. Ap\u00f3s os ataques terroristas de setembro de 2001, as for\u00e7as norte-americanas derrubaram o regime talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o. Nos 20 anos seguintes, Washington gastou US$ 2,3 trilh\u00f5es \u2014 e n\u00e3o, esse \u201ctrilh\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 um erro de digita\u00e7\u00e3o! \u2014 em um esfor\u00e7o fracassado de reconstru\u00e7\u00e3o nacional, que foi varrido quando o Talib\u00e3 ressurgente capturou a capital, Cabul, em agosto de 2021, mergulhando o pa\u00eds em uma mistura de patriarcado opressivo e priva\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p>Em 2003, Washington invadiu o Iraque em busca de armas nucleares inexistentes e mergulhou no atoleiro de uma guerra de 15 anos que levou ao massacre de um milh\u00e3o de pessoas e deixou para tr\u00e1s um governo autocr\u00e1tico que se tornou pouco mais que um estado cliente do Ir\u00e3. E, em 2011, os EUA lideraram uma campanha a\u00e9rea da OTAN que derrubou o regime radical do Coronel Muammar Gaddafi na L\u00edbia, precipitando sete anos de guerra civil e, por fim, deixando o pa\u00eds dividido entre dois estados falidos e antag\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Quando as tentativas de Washington de promover mudan\u00e7as de regime fracassam, como aconteceu em Cuba em 1961 e na Venezuela no ano passado, esse fracasso muitas vezes deixa os regimes autocr\u00e1ticos ainda mais entrincheirados, com seu controle sobre a pol\u00edcia secreta do pa\u00eds fortalecido e um dom\u00ednio cada vez mais sufocante sobre a economia nacional.<\/p>\n<p>Por que, voc\u00ea pode se perguntar, essas interven\u00e7\u00f5es dos EUA invariavelmente parecem produzir resultados t\u00e3o desastrosos? Para sociedades que lutam para alcan\u00e7ar uma fr\u00e1gil estabilidade social em meio a mudan\u00e7as pol\u00edticas vol\u00e1teis, a interven\u00e7\u00e3o externa, seja secreta ou aberta, parece ser invariavelmente o equivalente a bater em um rel\u00f3gio de bolso antigo com um martelo e depois tentar encaixar todas as suas engrenagens e molas de volta no lugar.<\/p>\n<p><strong>As consequ\u00eancias geopol\u00edticas da guerra com o Ir\u00e3<\/strong><\/p>\n<p>Ao explorar as implica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas da mais recente interven\u00e7\u00e3o de Washington no Ir\u00e3, \u00e9 poss\u00edvel imaginar como a guerra escolhida pelo presidente Donald Trump pode muito bem se tornar a vers\u00e3o de Washington da crise de Suez.<\/p>\n<p>Assim como o Egito arrancou uma vit\u00f3ria diplom\u00e1tica das garras da derrota militar em 1956 ao fechar o Canal de Suez, o Ir\u00e3 agora bloqueou o outro ponto de estrangulamento cr\u00edtico do Oriente M\u00e9dio, disparando seus drones Shahed contra cinco navios cargueiros no Estreito de Ormuz (por onde passam regularmente 20% do petr\u00f3leo bruto e g\u00e1s natural do mundo) e contra refinarias de petr\u00f3leo na costa sul do Golfo P\u00e9rsico. Os ataques com drones iranianos bloquearam mais de 90% das partidas de petroleiros do Golfo P\u00e9rsico e paralisaram as gigantescas refinarias do Catar, respons\u00e1veis por 20% da oferta mundial de g\u00e1s natural liquefeito (GNL), fazendo com que os pre\u00e7os do g\u00e1s natural disparassem 50% em grande parte do mundo e 91% na \u00c1sia \u2014 com o pre\u00e7o da gasolina nos EUA caminhando para US$ 4 por gal\u00e3o e o custo do petr\u00f3leo provavelmente atingindo a impressionante marca de US$ 150 por barril em um futuro pr\u00f3ximo. Al\u00e9m disso, por meio da convers\u00e3o de g\u00e1s natural em fertilizante, o Golfo P\u00e9rsico \u00e9 a fonte de quase metade dos nutrientes agr\u00edcolas do mundo, com os pre\u00e7os do fertilizante ureia subindo 37% em mercados como o Egito, o que amea\u00e7a tanto o plantio da primavera no hemisf\u00e9rio norte quanto a seguran\u00e7a alimentar no hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n<p>A extraordin\u00e1ria concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, do transporte mar\u00edtimo internacional e do investimento de capital no Golfo P\u00e9rsico faz do Estreito de Ormuz n\u00e3o apenas um ponto de estrangulamento para o fluxo de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, mas tamb\u00e9m para a movimenta\u00e7\u00e3o de capital de toda a economia global. Para come\u00e7ar pelo b\u00e1sico, o Golfo P\u00e9rsico det\u00e9m cerca de 50% das reservas comprovadas de petr\u00f3leo do mundo, estimadas em 859 bilh\u00f5es de barris ou, aos pre\u00e7os atuais, cerca de US$ 86 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da escala da concentra\u00e7\u00e3o de capital na infraestrutura da regi\u00e3o, as companhias petrol\u00edferas nacionais do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo investiram US$ 125 bilh\u00f5es em suas instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o somente em 2025, com planos de manter esse ritmo no futuro pr\u00f3ximo. Para manter em opera\u00e7\u00e3o a frota global de 7.500 petroleiros que atende principalmente o Golfo P\u00e9rsico, o custo de um \u00fanico grande petroleiro \u201cSuezmax\u201d \u00e9 de quase US$ 100 milh\u00f5es \u2014 dos quais existem cerca de 900 normalmente em alto-mar, avaliados em um total de US$ 90 bilh\u00f5es (com frequentes substitui\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias devido \u00e0 corros\u00e3o do a\u00e7o em condi\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas adversas). Al\u00e9m disso, Dubai possui o aeroporto internacional mais movimentado do mundo, no centro de uma rede global com 450 mil voos anuais \u2014 atualmente fechado devido a ataques de drones iranianos.<\/p>\n<p>Apesar de toda a propaganda da Casa Branca sobre a terr\u00edvel e r\u00e1pida amea\u00e7a dos recentes ataques a\u00e9reos norte-americanos, os 3 mil\u00a0bombardeios EUA-Israel contra o Ir\u00e3 (que tem dois ter\u00e7os do tamanho da Europa Ocidental) na primeira semana da guerra empalidecem diante dos 1,4 milh\u00e3o de bombardeios sobre a Europa durante a Segunda Guerra Mundial. O contraste gritante entre esses n\u00fameros faz com que os atuais ataques a\u00e9reos dos EUA contra o Ir\u00e3 pare\u00e7am, de uma perspectiva estrat\u00e9gica, como atirar em um elefante com uma espingarda de chumbinho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os EUA possuem estoques limitados de cerca de 4 mil m\u00edsseis interceptores, que custam at\u00e9 US$ 12 milh\u00f5es cada e n\u00e3o podem ser produzidos em massa rapidamente. Em contrapartida, o Ir\u00e3 tem um suprimento quase ilimitado de cerca de 80 mil\u00a0<em>drones Shahed<\/em>, dos quais 10 mil podem ser produzidos mensalmente por apenas US$ 20 mil cada. Na pr\u00e1tica, o tempo n\u00e3o est\u00e1 a favor de Washington se esta guerra se prolongar por mais de algumas semanas.<\/p>\n<p>De fato, em uma entrevista recente, pressionado sobre a possibilidade de que a vasta frota iraniana de drones Shahed, lentos e de baixa altitude, pudesse em breve esgotar o estoque norte-americano de sofisticados m\u00edsseis interceptores, o chefe do Pent\u00e1gono, general Dan Caine, foi surpreendentemente evasivo, dizendo apenas: \u201cN\u00e3o quero falar sobre quantidades\u201d.<\/p>\n<p><strong>De quem s\u00e3o as botas no terreno?<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto as press\u00f5es econ\u00f4micas e militares por uma guerra mais curta aumentam, Washington tenta evitar o envio de tropas para terra firme, mobilizando as minorias \u00e9tnicas do Ir\u00e3, que representam cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Como o Pent\u00e1gono sabe silenciosamente, mas dolorosamente, as for\u00e7as terrestres norte-americanas enfrentariam uma resist\u00eancia formid\u00e1vel da mil\u00edcia Basij, com um milh\u00e3o de membros, dos 150 mil Guardas Revolucion\u00e1rios (bem treinados para guerra de guerrilha assim\u00e9trica) e dos 350 mil soldados do ex\u00e9rcito regular iraniano.<\/p>\n<p>Com outros grupos \u00e9tnicos (como os azeris no norte) relutantes ou (como as tribos bal\u00fachis no sudeste, longe da capital) incapazes de atacar Teer\u00e3, Washington est\u00e1 desesperado para usar sua carta curda, assim como tem feito nos \u00faltimos 50 anos. Com uma popula\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de pessoas ao longo das fronteiras montanhosas da S\u00edria, Turquia, Iraque e Ir\u00e3, os curdos s\u00e3o o maior grupo \u00e9tnico do Oriente M\u00e9dio sem um Estado pr\u00f3prio. Como tal, eles t\u00eam sido for\u00e7ados a participar do Grande Jogo imperial, o que os torna um indicador surpreendentemente sens\u00edvel a mudan\u00e7as mais amplas na influ\u00eancia imperial.<\/p>\n<p>Embora o presidente Trump tenha feito liga\u00e7\u00f5es pessoais para os principais l\u00edderes da regi\u00e3o do Curdist\u00e3o iraquiano durante a primeira semana da guerra, oferecendo-lhes \u201campla cobertura a\u00e9rea dos EUA\u201d para um ataque ao Ir\u00e3, e os EUA at\u00e9 possuam uma base a\u00e9rea militar em Erbil, capital do Curdist\u00e3o, os curdos est\u00e3o se mostrando, at\u00e9 agora, excepcionalmente cautelosos.<\/p>\n<p>De fato, Washington tem um longo hist\u00f3rico de usar e abusar de combatentes curdos, que remonta aos tempos do Secret\u00e1rio de Estado Henry Kissinger, que transformou a trai\u00e7\u00e3o deles em uma arte diplom\u00e1tica. Ap\u00f3s ordenar \u00e0 CIA que parasse de ajudar a resist\u00eancia curda iraquiana contra Saddam Hussein em 1975, Kissinger disse a um assessor: \u201cPrometa a eles qualquer coisa, d\u00ea a eles o que eles receberem e que se danem se n\u00e3o souberem levar uma brincadeira na esportiva.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto as for\u00e7as iraquianas lutavam para invadir o Curdist\u00e3o, matando centenas de curdos indefesos, seu lend\u00e1rio l\u00edder Mustafa Barzani, av\u00f4 do atual chefe do Curdist\u00e3o iraquiano, implorou a Kissinger, dizendo: \u201cVossa Excel\u00eancia, os Estados Unidos t\u00eam uma responsabilidade moral e pol\u00edtica para com o nosso povo\u201d. Kissinger sequer se dignou a responder a esse apelo desesperado e, em vez disso, disse ao Congresso: \u201cA\u00e7\u00f5es secretas n\u00e3o devem ser confundidas com trabalho mission\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Em janeiro passado, numa decis\u00e3o incrivelmente inoportuna, a Casa Branca de Trump traiu os curdos pela en\u00e9sima vez, rompendo a alian\u00e7a de uma d\u00e9cada de Washington com os curdos s\u00edrios ao for\u00e7\u00e1-los a ceder 80% do territ\u00f3rio ocupado. No sudeste da Turquia, o partido curdo radical PKK fez um acordo com o primeiro-ministro Recep Erdo\u011fan e est\u00e1, de fato, se desarmando, enquanto a regi\u00e3o do Curdist\u00e3o iraquiano se mant\u00e9m fora da guerra, respeitando um acordo diplom\u00e1tico firmado com Teer\u00e3 em 2023 para uma fronteira pac\u00edfica entre Ir\u00e3 e Iraque. O presidente Trump chegou a pedir a pelo menos um l\u00edder curdo iraniano, que representa cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3, que incentivasse uma revolta armada. Mas a maioria dos curdos iranianos parece mais interessada na autonomia regional do que na mudan\u00e7a de regime.<\/p>\n<p>Enquanto os apelos de Trump para que os curdos ataquem e o povo iraniano se levante s\u00e3o recebidos com um sil\u00eancio eloquente, Washington provavelmente encerrar\u00e1 esta guerra com o regime isl\u00e2mico do Ir\u00e3 ainda mais consolidado, mostrando ao mundo que os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o apenas uma pot\u00eancia disruptiva, mas uma pot\u00eancia em decl\u00ednio da qual outras na\u00e7\u00f5es podem prescindir. Ao longo dos \u00faltimos 100 anos, o povo iraniano se mobilizou seis vezes em tentativas de estabelecer uma democracia real. Neste momento, por\u00e9m, parece que qualquer s\u00e9tima tentativa ocorrer\u00e1 muito depois de a atual frota naval americana ter deixado o Mar Ar\u00e1bico.<\/p>\n<p><strong>Do granular ao geopol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Se formos al\u00e9m dessa vis\u00e3o granular da pol\u00edtica \u00e9tnica do Ir\u00e3 e adotarmos uma perspectiva geoestrat\u00e9gica mais ampla sobre a guerra com o Ir\u00e3, a influ\u00eancia decrescente de Washington nas colinas do Curdist\u00e3o parece refletir seu decl\u00ednio geopol\u00edtico em toda a vasta massa continental da Eur\u00e1sia, que permanece hoje o epicentro do poder geopol\u00edtico, como tem sido nos \u00faltimos 500 anos.<\/p>\n<p>Por quase 80 anos, os Estados Unidos mantiveram sua hegemonia global controlando as extremidades axiais da Eur\u00e1sia por meio de sua alian\u00e7a com a OTAN na Europa Ocidental e quatro pactos bilaterais de defesa ao longo do litoral do Pac\u00edfico, do Jap\u00e3o \u00e0 Austr\u00e1lia. Mas agora, \u00e0 medida que Washington concentra mais sua pol\u00edtica externa no Hemisf\u00e9rio Ocidental, a influ\u00eancia norte-americana est\u00e1 diminuindo rapidamente ao longo do vasto arco da Eur\u00e1sia que se estende da Pol\u00f4nia, passando pelo Oriente M\u00e9dio, at\u00e9 a Coreia, regi\u00e3o que estudiosos de geopol\u00edtica como Sir Halford Mackinder e Nicholas Spykman certa vez denominaram \u201cRimland\u201d ou \u201czona de conflito\u201d. Como Spykman resumiu sucintamente em certa ocasi\u00e3o: \u201cQuem controla o Rimland controla a Eur\u00e1sia; quem controla a Eur\u00e1sia controla os destinos do mundo.\u201d<\/p>\n<p>Desde a ascens\u00e3o da pol\u00edtica externa \u201cAm\u00e9rica Primeiro\u201d de Donald Trump em 2016, as grandes e m\u00e9dias pot\u00eancias ao longo de toda a orla eurasi\u00e1tica t\u00eam se desvinculado ativamente da influ\u00eancia dos EUA \u2014 incluindo a Europa (por meio do rearme), a R\u00fassia (ao desafiar o Ocidente na Ucr\u00e2nia), a Turquia (ao permanecer neutra na guerra atual), o Paquist\u00e3o (ao se aliar \u00e0 China), a \u00cdndia (ao romper com a alian\u00e7a Quad de Washington) e o Jap\u00e3o (ao se rearmar para criar uma pol\u00edtica de defesa aut\u00f4noma). Esse desengajamento cont\u00ednuo se manifesta na falta de apoio \u00e0 interven\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3, mesmo por parte de aliados europeus e asi\u00e1ticos outrora pr\u00f3ximos \u2014 um contraste marcante com as amplas coaliz\u00f5es que se uniram \u00e0s for\u00e7as norte-americanas na Guerra do Golfo de 1991 e na ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o em 2002. Com o micromilitarismo de Trump no Ir\u00e3 expondo, inadvertidamente, mas claramente, os limites do poder norte-americano, a influ\u00eancia decrescente de Washington na Eur\u00e1sia certamente se provar\u00e1 catalisadora para o surgimento de uma nova ordem mundial, que provavelmente ir\u00e1 muito al\u00e9m da antiga ordem de hegemonia global dos EUA.<\/p>\n<p>Assim como Sir Anthony Eden \u00e9 lembrado com pesar hoje no Reino Unido como o primeiro-ministro inepto que destruiu o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico em Suez, historiadores do futuro poder\u00e3o ver Donald Trump como o presidente que degradou a influ\u00eancia internacional dos EUA com, entre outras coisas, sua desastrosa aventura militar no Oriente M\u00e9dio. \u00c0 medida que imp\u00e9rios ascendem e caem, essa geopol\u00edtica permanece claramente um fator constante na defini\u00e7\u00e3o de seu destino \u2014 uma li\u00e7\u00e3o que tento transmitir em <em>Guerra Fria em Cinco Continentes<\/em>.<\/p>\n<p>Em tempos dif\u00edceis como estes, quando os acontecimentos parecem confusos e desconcertantes, os \u201cfragmentos quebrados de lendas antigas\u201d de Mark Twain podem nos lembrar de analogias hist\u00f3ricas, como o colapso do poder e da influ\u00eancia da Gr\u00e3-Bretanha ou da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que podem nos ajudar a entender como o passado muitas vezes sussurra ao presente \u2014 como de fato parece estar acontecendo nestes dias no Estreito de Ormuz.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Seria a guerra no Ir\u00e3 o come\u00e7o do fim do Imp\u00e9rio? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/contramedidas-mostram-que-a-china-vai-lutar\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-21-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Contramedidas mostram que a China vai lutar<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/kremlin-confirma-encontro-entre-putin-e-trump-nos-proximos-dias\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Kremlin confirma encontro entre Putin e Trump \u2018nos...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-visita-ao-japao-lula-busca-avancar-nas-relacoes-comerciais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lula-japao2023_ricardostuckert-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Em visita ao Jap\u00e3o, Lula busca avan\u00e7ar nas rela\u00e7\u00f5e...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/movimento-estudantil-enfrenta-desafios-para-dialogar-com-estudantes-do-ensino-a-distancia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-20-as-16.30.05-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Movimento estudantil enfrenta desafios para dialog...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a Crise de Suez, em 1956, marcou o fim do imp\u00e9rio brit\u00e2nico, talvez a aventura de Washington no Oriente M\u00e9dio seja sintoma de seu decl\u00ednio. Tudo saiu ao contr\u00e1rio do planejado. Talvez, no futuro, Trump seja lembrado como o man\u00edaco que afundou os pr\u00f3prios EUA\u2026  <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/seria-a-guerra-no-ira-o-comeco-do-fim-do-imperio\/\">Seria a guerra no Ir\u00e3 o come\u00e7o do fim do Imp\u00e9rio?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":78718,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[39107,5700,39108,8719,39109,39110,39111],"tags":[],"class_list":["post-78717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-crise-de-suez","category-geopolitica-guerra","category-geopolitica-e-ira","category-guerra-no-ira","category-guerras-no-oriente-medio","category-imperio-britanico","category-povo-curdo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78717\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}