{"id":78896,"date":"2026-03-19T05:30:00","date_gmt":"2026-03-19T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agro-usa-estudo-sem-base-cientifica-para-tentar-aprovar-marco-temporal-no-stf\/"},"modified":"2026-03-19T05:30:00","modified_gmt":"2026-03-19T08:30:00","slug":"agro-usa-estudo-sem-base-cientifica-para-tentar-aprovar-marco-temporal-no-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agro-usa-estudo-sem-base-cientifica-para-tentar-aprovar-marco-temporal-no-stf\/","title":{"rendered":"Agro usa estudo sem base cient\u00edfica para tentar aprovar marco temporal no STF"},"content":{"rendered":"<p><strong>UM ESTUDO<\/strong> usado por entidades do agroneg\u00f3cio para refor\u00e7ar os argumentos favor\u00e1veis \u00e0 tese do marco temporal no julgamento sobre o tema pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2025, e que estima em cerca de R$ 170 milh\u00f5es o impacto anual da demarca\u00e7\u00e3o de novas terras ind\u00edgenas no Mato Grosso, apresenta falhas importantes que comprometem sua credibilidade, apontam especialistas ouvidos pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>O marco temporal determina que ind\u00edgenas s\u00f3 teriam direito \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o das \u00e1reas que estivessem sob sua posse ou em disputa judicial na data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em 5 de outubro de 1988. O argumento \u00e9 usado por ruralistas para impedir a destina\u00e7\u00e3o de novos territ\u00f3rios a povos origin\u00e1rios e para contestar territ\u00f3rios j\u00e1 delimitados.\u00a0<\/p>\n<p>Encontrado pela reportagem entre as pe\u00e7as anexadas ao processo que tramitava na mais alta corte do pa\u00eds, o levantamento foi elaborado pelo Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu\u00e1ria) e apresentado ao STF em 24 de novembro, nos momentos finais do julgamento.\u00a0<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>A repercuss\u00e3o foi imediata. A ALMT (Assembleia Legislativa de Mato Grosso) citou o estudo em outro documento protocolado no processo: \u201cSegundo o Imea, os decretos federais que homologaram novas Terras Ind\u00edgenas em Mato Grosso retiram do uso agropecu\u00e1rio mais de 291 mil hectares, produzindo efeitos econ\u00f4micos imediatos e significativos\u201d, diz o texto. Os n\u00fameros apresentados pelo Imea, al\u00e9m disso, ganharam divulga\u00e7\u00e3o em meios de comunica\u00e7\u00e3o como O Estado de S. Paulo e Canal Rural.<\/p>\n<p>Menos de um m\u00eas depois, em 18 de dezembro, a Corte declarou pela segunda vez a inconstitucionalidade da tese do marco temporal. Mesmo com a derrota no STF, a pauta continua sendo uma das prioridades do agroneg\u00f3cio. Na \u00faltima quarta-feira (11), a CNA (Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil) incluiu a aprova\u00e7\u00e3o da PEC 48 \u2014 proposta que tenta inserir a tese diretamente na Constitui\u00e7\u00e3o \u2014 entre as prioridades da Agenda Legislativa do Agro para 2026.<\/p>\n<h2>Para especialistas, credibilidade do estudo fica comprometida com falta de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas<\/h2>\n<p>O documento do Imea sustenta que as homologa\u00e7\u00f5es das Terras Ind\u00edgenas Manoki, Uirapuru e Esta\u00e7\u00e3o Parecis, e a cria\u00e7\u00e3o da reserva ind\u00edgena Kanela do Araguaia, medidas anunciadas pelo governo federal em novembro do ano passado, provocariam perdas anuais de R$ 170,58 milh\u00f5es e a elimina\u00e7\u00e3o de 498 empregos no setor agropecu\u00e1rio. As \u00e1reas mapeadas abrangem sete munic\u00edpios mato-grossenses e, segundo o instituto, est\u00e3o sobrepostas a 112 propriedades rurais.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Germana Barata, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a falta de clareza sobre autoria e metodologia compromete a credibilidade do estudo.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cUm relat\u00f3rio que pretende subsidiar um debate p\u00fablico precisa ter transpar\u00eancia sobre esses pontos. Aqui [no estudo do Imea] n\u00e3o sabemos quem produziu os dados, de onde vieram exatamente as bases utilizadas ou como elas podem ser verificadas por outros pesquisadores\u201d, afirma. \u201c\u00c9 um n\u00edvel de transpar\u00eancia que seria importante ter, ainda mais quando um documento como esse est\u00e1 anexado ao STF para ajudar a sustentar um argumento no debate sobre o marco temporal.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, quando os dados ou procedimentos n\u00e3o s\u00e3o plenamente acess\u00edveis, o trabalho perde valor acad\u00eamico. \u201cSe esses dados n\u00e3o podem ser contestados ou comparados, voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 criando uma barreira para verificar se est\u00e3o corretos\u201d.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Carlos-Moura-STF.webp\" alt=\"Em dezembro de 2025, o STF declarou pela segunda vez a inconstitucionalidade da tese do marco temporal (Foto: Carlos Moura\/STF)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Carlos-Moura-STF-1024x613.webp 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Carlos-Moura-STF-300x179.webp 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Carlos-Moura-STF-768x459.webp 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Carlos-Moura-STF.webp 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Em dezembro de 2025, o STF declarou pela segunda vez a inconstitucionalidade da tese do marco temporal (Foto: Carlos Moura\/STF)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse entendimento \u00e9 compartilhado por institui\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 pesquisa. \u201cA ci\u00eancia \u00e9 constru\u00edda a partir do debate de ideias e confronto de teses sobre determinado assunto. Portanto, a metodologia utilizada deve ser bem descrita e livre de vieses\u201d, afirma a Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior) \u00e0 reportagem. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, vinculado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica depende de transpar\u00eancia metodol\u00f3gica e da possibilidade de verifica\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Ricardo Terena, coordenador jur\u00eddico da Apib (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil), o alcance desse tipo de levantamento vai al\u00e9m do processo judicial. \u201cO efeito n\u00e3o se encerra no STF. Esses estudos ajudam a moldar o ambiente pol\u00edtico contra a demarca\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Claudio Angelo, coordenador de pol\u00edtica internacional do Observat\u00f3rio do Clima, a circula\u00e7\u00e3o de levantamentos desse tipo faz parte de uma estrat\u00e9gia recorrente para influenciar o debate p\u00fablico. \u201cApresentam PDFs com apar\u00eancia t\u00e9cnica, dados que n\u00e3o podem ser auditados e sem revis\u00e3o por pares. Isso \u00e9 consultoria de agro disfar\u00e7ada de institui\u00e7\u00e3o s\u00e9ria\u201d, afirma. \u201cN\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, \u00e9 lobby\u201d, define.<\/p>\n<h2>Imea e Famato dizem que estudo tem \u2018lastro t\u00e9cnico\u2019<\/h2>\n<p>Entidade privada sem fins lucrativos, o Imea \u00e9\u00a0 \u00e9 mantido por cinco associa\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio mato-grossenses: Famato (Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso), Aprosoja-MT (Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), Ampa (Associa\u00e7\u00e3o Mato-grossense dos Produtores de Algod\u00e3o), Acrimat (Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Mato Grosso) e Aprosmat (Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Sementes de Mato Grosso).<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, o instituto afirma que suas an\u00e1lises possuem \u201ctotal lastro t\u00e9cnico\u201d e s\u00e3o baseadas em dados p\u00fablicos e rastre\u00e1veis, como informa\u00e7\u00f5es do IBGE e do Indea. A entidade diz tamb\u00e9m que mant\u00e9m autonomia cient\u00edfica. \u201cA autonomia cient\u00edfica do Imea \u00e9 preservada por um corpo t\u00e9cnico multidisciplinar de especialistas cuja produ\u00e7\u00e3o institucional independe de interesses externos.\u201d<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-famato-divulgacao.jpg\" alt=\"Entidade privada sem fins lucrativos, o Imea \u00e9 \u00e9 mantido por cinco associa\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio mato-grossenses, entre elas, a Famato (Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso). Foto: Famato\/Divulga\u00e7\u00e3o\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-famato-divulgacao.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-famato-divulgacao-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-famato-divulgacao-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Entidade privada sem fins lucrativos, o Imea \u00e9  \u00e9 mantido por cinco associa\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio mato-grossenses, entre elas, a Famato (Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso). Foto: Famato\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 a Famato, que exerce a Presid\u00eancia do Imea, declara que a utiliza\u00e7\u00e3o de estudos do instituto em debates judiciais busca oferecer \u201celementos t\u00e9cnicos objetivos\u201d sobre impactos socioecon\u00f4micos relacionados ao setor rural. \u201cSubsidiar o Estado com dados rastre\u00e1veis n\u00e3o compromete a independ\u00eancia judicial, mas oferece o lastro necess\u00e1rio para que o ju\u00edzo jur\u00eddico seja exercido com base em fatos\u201d, afirma a federa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m em nota \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> questionou o Imea e a Famato sobre a autoria do estudo apresentado ao STF, a possibilidade de acesso p\u00fablico aos dados, modelos e premissas utilizados e se o levantamento passou por revis\u00e3o externa ou valida\u00e7\u00e3o independente. Nenhuma das organiza\u00e7\u00f5es respondeu diretamente a esses questionamentos (leia os posicionamentos na \u00edntegra).<\/p>\n<h2>Problemas metodol\u00f3gicos<\/h2>\n<p>O uso de estudos do Imea para pressionar decis\u00f5es pol\u00edticas e judiciais n\u00e3o \u00e9 novo. Desde 2009, durante as discuss\u00f5es do C\u00f3digo Florestal, n\u00fameros produzidos pelo instituto aparecem em debates no Congresso e no STF, como em 2021, durante outro julgamento do marco temporal na Corte.\u00a0<\/p>\n<p>No levantamento protocolado no STF no ano passado, parte dos dados utilizados n\u00e3o pode ser checada externamente. Embora cite fontes p\u00fablicas \u2014 como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), o Indea (Instituto de Defesa Agropecu\u00e1ria de Mato Grosso) e o Sigef (Sistema de Gest\u00e3o Fundi\u00e1ria) \u2014, o documento recorre tamb\u00e9m a bases pr\u00f3prias do instituto, que n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para consulta p\u00fablica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9todo cient\u00edfico pressup\u00f5e transpar\u00eancia e possibilidade de reprodu\u00e7\u00e3o. Outros pesquisadores precisam conseguir chegar aos mesmos resultados usando os mesmos dados e procedimentos\u201d, explica o economista Dante Mendes Aldrighi, professor titular da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e editor da revista \u201cEstudos Econ\u00f4micos\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Aldrighi n\u00e3o teve acesso ao relat\u00f3rio completo apresentado pelo Imea ao STF, mas fez coment\u00e1rios a partir da descri\u00e7\u00e3o da reportagem sobre o conte\u00fado. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da autoria, ele aponta que esse procedimento \u201cindispens\u00e1vel\u201d permite responsabiliza\u00e7\u00e3o em caso de erro ou interpreta\u00e7\u00e3o inadequada dos dados.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Antonio-Cruz-Agencia-Brasil.webp\" alt=\"Ind\u00edgenas protestam em Bras\u00edlia (DF) contra a tese do marco temporal (Foto: Ant\u00f4nio Cruz\/Ag\u00eancia Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Antonio-Cruz-Agencia-Brasil-1024x613.webp 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Antonio-Cruz-Agencia-Brasil-300x179.webp 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Antonio-Cruz-Agencia-Brasil-768x459.webp 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marco-temporal-stf-Antonio-Cruz-Agencia-Brasil.webp 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Ind\u00edgenas protestam em Bras\u00edlia (DF) contra a tese do marco temporal (Foto: Ant\u00f4nio Cruz\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os crit\u00e9rios elencados pelos pesquisadores ouvidos pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>orientam tamb\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o de propostas de pesquisas cient\u00edficas no pa\u00eds. \u00c0 reportagem, Monica Felts, diretora cient\u00edfica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico), diz que projetos cient\u00edficos submetidos ao \u00f3rg\u00e3o precisam identificar claramente seus respons\u00e1veis e apresentar metodologia detalhada.<\/p>\n<p>Segundo Felts, cada proposta deve indicar o pesquisador respons\u00e1vel e seu curr\u00edculo na Plataforma Lattes, permitindo avaliar sua experi\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Os projetos tamb\u00e9m passam por avalia\u00e7\u00e3o de especialistas independentes e comit\u00eas cient\u00edficos respons\u00e1veis por analisar seu m\u00e9rito e rigor metodol\u00f3gico.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a Capes, a consist\u00eancia dos dados e a possibilidade de reprodu\u00e7\u00e3o dos resultados s\u00e3o centrais para a validade cient\u00edfica. \u201cO conjunto de dados mostrado deve ser consistente para que outros pesquisadores testem as hip\u00f3teses ou elaborem outras. A pesquisa se torna robusta quando outros grupos s\u00e3o capazes de reproduzir os resultados obtidos.\u201d<\/p>\n<h2>O que os c\u00e1lculos deixam de fora<\/h2>\n<p>Os n\u00fameros apresentados pelo estudo do Imea tamb\u00e9m s\u00e3o contestados por organiza\u00e7\u00f5es socioambientais, que apontam problemas nas premissas adotadas e nas dimens\u00f5es consideradas na an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Segundo o Observa-MT (Observat\u00f3rio Socioambiental de Mato Grosso), \u201co estudo considera apenas perdas econ\u00f4micas associadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e ignora servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e o valor da floresta em p\u00e9\u201d, afirma a organiza\u00e7\u00e3o. Esses fatores incluem a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a prote\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos e o papel das terras ind\u00edgenas na mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto ambiental positivo, estudos recentes indicam que terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia ajudam a regular o regime de chuvas que abastece cerca de 80% das \u00e1reas agropecu\u00e1rias do pa\u00eds.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/TI-Apyterewa-Bruno-Peres-Agencia-Brasil.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as na Terra Ind\u00edgena Apyterewa (PA). Estudos indicam que terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia ajudam a regular o regime de chuvas (Foto: Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/TI-Apyterewa-Bruno-Peres-Agencia-Brasil-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/TI-Apyterewa-Bruno-Peres-Agencia-Brasil-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/TI-Apyterewa-Bruno-Peres-Agencia-Brasil-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/TI-Apyterewa-Bruno-Peres-Agencia-Brasil.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Crian\u00e7as na Terra Ind\u00edgena Apyterewa (PA). Estudos indicam que terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia ajudam a regular o regime de chuvas (Foto: Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para Dante Mendes Aldrighi, da USP, ignorar esses benef\u00edcios ambientais pode distorcer a an\u00e1lise econ\u00f4mica. \u201cEles est\u00e3o imputando valor social apenas ao n\u00famero de empregos, mas a preserva\u00e7\u00e3o da mata e do ambiente original tamb\u00e9m s\u00e3o valores sociais muito importantes\u201d, afirma. \u201cSe ignoram esse outro benef\u00edcio de se preservar o meio ambiente, a metodologia fica bastante enviesada\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo considerando as premissas adotadas no estudo, especialistas afirmam que os impactos econ\u00f4micos apresentados s\u00e3o desproporcionais quando comparados \u00e0 dimens\u00e3o da economia de Mato Grosso. \u201cO valor da produ\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas \u00e9 \u00ednfimo em rela\u00e7\u00e3o ao total do estado\u201d, pontua Moreno Saraiva Martins, coordenador do programa Povos Ind\u00edgenas no Brasil do ISA (Instituto Socioambiental).<\/p>\n<p>C\u00e1lculos baseados em dados do pr\u00f3prio Imea e do Indea corroboram essa avalia\u00e7\u00e3o. Segundo eles, a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria nas terras que seriam afetadas pelas homologa\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas representa menos de 0,25% da produ\u00e7\u00e3o estadual total.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p>\n<p>The post Agro usa estudo sem base cient\u00edfica para tentar aprovar marco temporal no STF appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/carnaval-do-mst-em-sp-celebra-samba-enredo-sobre-reforma-agraria-e-se-transforma-em-festa-pela-prisao-de-bolsonaro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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