{"id":79055,"date":"2026-03-19T17:48:17","date_gmt":"2026-03-19T20:48:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/historia-da-jornada-do-trabalho-no-brasil\/"},"modified":"2026-03-19T17:48:17","modified_gmt":"2026-03-19T20:48:17","slug":"historia-da-jornada-do-trabalho-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/historia-da-jornada-do-trabalho-no-brasil\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da jornada do trabalho no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"815\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ABC-79.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ABC-79.jpg 1200w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/19174725\/ABC-79-300x204.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/19174725\/ABC-79-768x522.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>1979 \u2013 Manifesta\u00e7\u00e3o dos metal\u00fargicos em greve na Rua Marechal Deodoro contra interven\u00e7\u00e3o no sindicato pela TRT e pela pol\u00edcia.  S\u00e3o Bernardo do Campo, SP. Foto de Jesus Carlos para o jornal Em Tempo.<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto, originalmente intitulado\u00a0\u201c<strong><strong><strong>Alongamento e redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil<\/strong><\/strong><\/strong>\u201d foi escrito por <strong>Sadi Dal Rosso<\/strong> e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A quantidade de horas laborais que socialmente se atribuem \u00e0s pessoas a realizar no dia a dia \u00e9 uma quest\u00e3o extremamente importante para quem trabalha, n\u00e3o s\u00f3 porque podem afetar a sa\u00fade pessoal, assim como tem implica\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito social e econ\u00f4mico. N\u00e3o \u00e9 por menores raz\u00f5es que grandes nomes da literatura acad\u00eamica mundial trabalharam sobre e estudaram este tema profundamente, inclusive transformando o tempo de trabalho como a base da produ\u00e7\u00e3o de valor na sociedade mundial. Diante disso, oferecer uma vis\u00e3o das perip\u00e9cias que a jornada de trabalho perpassou na hist\u00f3ria brasileira \u00e9 uma tarefa ainda n\u00e3o preenchida pelos estudiosos, raros, que se dedicam a este assunto. Este artigo pretende preencher este vazio de maneira inicial, baseando-se nos fatos hist\u00f3ricos j\u00e1 cobertos pela literatura da \u00e1rea, bem como por aqueles que n\u00e3o est\u00e3o satisfatoriamente estudados. Tal objetivo de dimens\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 algo que s\u00f3 pode ser esbo\u00e7ado neste artigo de maneira menor dada a natureza das pretens\u00f5es do dossi\u00ea em que ser\u00e1 publicado. \u00c9 certo que a dimens\u00e3o hist\u00f3rica do objeto permanecer\u00e1 em aberto para o aprofundamento dos casos que fazem parte do conjunto de elementos que descreveremos a seguir, na maneira inicial, conforme nos propomos.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que este artigo aspira um horizonte maior, mas se limita \u00e0 s\u00edntese que podemos fazer aos dias de hoje. Para realizar esta tarefa \u2013 que abrange um per\u00edodo que compreende a implanta\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil em seus prim\u00f3rdios, at\u00e9 os dias de hoje, com o espa\u00e7o ocupado pela intelig\u00eancia artificial \u2013 temos que empregar tr\u00eas tarefas: base em fatos, resultados de estudos anteriores, e pouca dimens\u00e3o para debates profundos, ainda que muitas vezes tidos como imprescind\u00edveis. Tentaremos oferecer a(o) leitor(a) como resultado uma vis\u00e3o conjunta e articulada de um per\u00edodo hist\u00f3rico muito longo, em que as lutas por jornadas menores de trabalho se fizeram presentes n\u00e3o apenas nos sindicatos como tamb\u00e9m no conjunto dos movimentos sociais que movimentam a sociedade.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--24.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--24.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Indicados a(o) leitor(a) nossos objetivos e nossas limita\u00e7\u00f5es, partimos imediatamente para seu tratamento, iniciando por quando come\u00e7am a fazer presen\u00e7a na hist\u00f3ria brasileira do trabalho as quest\u00f5es que envolvem a dura\u00e7\u00e3o de suas jornadas.<\/p>\n<h3><strong>A industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil e o alongamento da jornada<\/strong><\/h3>\n<p>O esclarecimento e a fundamenta\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o a que nos propusemos, a saber, a eleva\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no processo de industrializa\u00e7\u00e3o do Brasil nos \u00faltimos 50 anos do S\u00e9culo XIX, s\u00e3o tarefas dif\u00edceis de resolver porque as pesquisas consolidadas sobre o tema est\u00e3o em etapa inicial (Fausto, 1976; Giroletti, 1991; Hardman e Leonardi, 1991). Diferentemente \u00e9 o que se pode dizer dos contextos europeus e norte-americanos (Anxo, 1992; Caceres, 1973; Boulard et AL., 1981; Doll\u00e9ans, 1968; Dommen, 1980; Fohlen, 1959; Caccace et AL., 1978; Engels, 1973; Marx, 1976) que nos oferecem uma perspectiva claramente definida de que as jornadas laborais foram alongadas no processo de industrializa\u00e7\u00e3o daqueles pa\u00edses. N\u00e3o pretendemos discutir o contexto europeu e norte-americano. Para este artigo, nos restringimos ao caso brasileiro, apenas, excluindo tamb\u00e9m os processos de alongamento das jornadas em pa\u00edses sul-americanos.<\/p>\n<p>A despeito da precariedade das informa\u00e7\u00f5es pode-se derivar um quadro geral do cen\u00e1rio brasileiro das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, particularmente da dura\u00e7\u00e3o das jornadas laborais durante o processo de implanta\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que fazemos com as informa\u00e7\u00f5es propiciadas a seguir.<\/p>\n<p>Hardman e Leonardi (1991, p. 135) citam de Boris Fausto (1976) um texto extremamente importante para o entendimento do alongamento da jornada laboral durante a introdu\u00e7\u00e3o do sistema industrial.<\/p>\n<blockquote>\n<p>No Brasil, o aumento e a manuten\u00e7\u00e3o de jornadas de trabalho longas foram uma constante mesmo ap\u00f3s as vit\u00f3rias parciais conseguidas pela classe oper\u00e1ria, em particular com a greve geral pela jornada de oito horas, em 1907. No setor t\u00eaxtil, onde predominava a grande ind\u00fastria encontravam-se normalmente os casos limites de jornadas mais extensas: por exemplo, na f\u00e1brica de tecidos Santa Ros\u00e1lia, na periferia de Sorocaba, a jornada chegava a quinze horas di\u00e1rias, das 5 da manh\u00e3 \u00e0s 8 da noite, indo de \u201cestrelas a estrelas\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Giroletti, em livro publicado em 1991 e baseado em sua tese de doutorado, descreve a seguinte evid\u00eancia sobre o alongamento da jornada laboral da f\u00e1brica de tecidos Irm\u00e3os Mascarenhas Ltda do munic\u00edpio do Cedro, Minas Gerais, que a jornada de trabalho ao final do s\u00e9culo XIX na ind\u00fastria correspondia tamb\u00e9m a doze horas di\u00e1rias, exclu\u00eddas desse n\u00famero as horas extraordin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Dal Rosso (1996, p. 231) escreve que:<\/p>\n<blockquote>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho vigentes na ind\u00fastria, estabelecida em S\u00e3o Paulo (Rio de Janeiro ou Minas Gerais, no Sul ou no Nordeste) por volta da virada do S\u00e9culo XX, d\u00e1 conta tamb\u00e9m da pr\u00e1tica das longas e exaustivas jornadas de trabalho.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Maria Izilda Matos (1994, p. 83), escreve:<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p>De acordo com o inqu\u00e9rito do DET (Departamento de Estudos do Trabalho), em 1912, as f\u00e1bricas de juta (que eram ind\u00fastrias que produziam a sacaria para o caf\u00e9) (Silva, 1976; Matos, 1994) tinham uma jornada de 10 ou 11 horas, oficialmente esta jornada iniciava-se por volta das cinco e meia da manh\u00e3 e terminava ao redor das seis da tarde. A determina\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho era, contudo, resolu\u00e7\u00e3o exclusiva do patronato, que poderia, por uma simples comunica\u00e7\u00e3o alterar para mais ou para menos a jornada, de acordo com as necessidades da produ\u00e7\u00e3o [\u2026].<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outra informa\u00e7\u00e3o importante sobre a dura\u00e7\u00e3o longa das jornadas laborais nos \u00e9 dada por Boris Fausto (1976, p. 226) sobre os carvoeiros. Escreve este importante historiador que os carvoeiros da cidade do Rio de Janeiro, participantes ativos da Greve de 1907 que veremos \u00e0 frente, trabalhavam at\u00e9 14 horas ao dia.<\/p>\n<h3><strong>As primeiras greves e legisla\u00e7\u00f5es sobre jornada de trabalho, come\u00e7aram no final do S\u00e9culo XIX e in\u00edcio do S\u00e9culo XX<\/strong><\/h3>\n<p>A pr\u00e1tica de jornadas extremamente longas impostas pela nova industrializa\u00e7\u00e3o brasileira gerou a rea\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios e das oper\u00e1rias. Uma das primeiras a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho extremamente prolongado ocorreu na Greve de 1907 em S\u00e3o Paulo, capital, e no interior paulista (Santos, Ribeir\u00e3o Preto, Campinas), assim como no Rio de Janeiro, que resultou no estabelecimento de jornadas de 10 a 11 horas ao dia. A partir desse momento, a bandeira das oito horas di\u00e1rias, quarenta e oito semanais, passa a integrar consistentemente a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos grevistas (Dal Rosso, 1996).<\/p>\n<p>Em 1912, toma lugar outra greve oper\u00e1ria em S\u00e3o Paulo, com menor participa\u00e7\u00e3o. Teve for\u00e7a entre os trabalhadores t\u00eaxteis que mesmo assim n\u00e3o conseguiram arrancar vit\u00f3ria no estabelecimento de uma jornada mais reduzida. Quem alcan\u00e7ou tais objetivos foram oper\u00e1rios de outra categoria, os sapateiros, que alcan\u00e7aram uma diminui\u00e7\u00e3o da jornada laboral para oito horas e trinta minutos. Tal jornada estabelece marca.<\/p>\n<p>Somente na terceira grande greve que tomou lugar entre oper\u00e1rios industriais, em S\u00e3o Paulo, em 1917, a pauta contava com a reivindica\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de \u201cjornada de oito horas, com acr\u00e9scimo de 50% nas horas extras\u201d conforme relata Boris Fausto (1976, p. 149). Esta greve foi muito ativa e alcan\u00e7ou forte apoio popular ao defender tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alugu\u00e9is e dos g\u00eaneros aliment\u00edcios. A partir desse momento e espalhando-se a greve para outros lugares (no Sul, por exemplo) a jornada de oito horas ganha espa\u00e7o em todos os grandes movimentos. \u00c9 importante deixar claro que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917) que define as jornadas de trabalho de 48 horas semanais para seus oper\u00e1rios e oper\u00e1rias tamb\u00e9m influencia os movimentos grevistas no Brasil. O governo reage duramente expulsando e banindo sem defesa lideran\u00e7as grevistas com origem estrangeira.<\/p>\n<p>Em algumas f\u00e1bricas oper\u00e1rios e oper\u00e1rias do Nordeste e do Sul alcan\u00e7am as metas de estabelecer limites para as jornadas laborais. O Estado da Bahia, por exemplo, em 10 junho de 1919, acata a reivindica\u00e7\u00e3o de oito horas em estabelecimentos industriais e outras categorias como transportes, ap\u00f3s acordos terem sido assinados entre grevistas e patr\u00f5es (Castelucci, 2005).<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o se encontra ambiente favor\u00e1vel para a cria\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de horas laborais sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios aprovada pelo Congresso Nacional, que representa a \u00faltima for\u00e7a de resist\u00eancia ante o avan\u00e7o do operariado. Vale mencionar um fato de 1911. Os deputados federais, Figueiredo Rocha e Rog\u00e9rio Miranda, apresentaram projeto sucinto que continha no primeiro par\u00e1grafo a seguinte determina\u00e7\u00e3o: \u201cO trabalho do operariado em geral fica reduzido ao m\u00e1ximo de 8 horas di\u00e1rias\u201d e no segundo: \u201cProibidos ser\u00f5es em f\u00e1bricas e oficinas\u201d. O projeto n\u00e3o foi aprovado, mas deu in\u00edcio a uma outra frente de lutas pela redu\u00e7\u00e3o da jornada sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, nos plen\u00e1rios do Congresso Nacional.<\/p>\n<h3><strong>A CLT fixa a jornada longa<\/strong><\/h3>\n<p>A Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), promulgada em 1943, se constitui o primeiro instrumento legislativo que absorveu a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para o n\u00edvel de oito horas di\u00e1rias, quarenta e oito horas semanais. As partes mais significativas do artigo 58 da CLT, datada de 1o de Maio de 1943 assim disp\u00f5e a dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil daquele momento em diante: \u201cA dura\u00e7\u00e3o normal do trabalho\u2026 n\u00e3o exceder\u00e1 de 8 (oito) horas di\u00e1rias\u201d. Como h\u00e1 um dia de descanso somente, a jornada semanal \u00e9 de quarenta e oito horas.<\/p>\n<p>A primeira observa\u00e7\u00e3o para esta formula\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 de que hav\u00edamos atingido as reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias da melhor maneira poss\u00edvel. Assim n\u00e3o \u00e9, quando se observa a possibilidade de inclus\u00e3o de duas horas extras, conforme registrado no Art. 59: \u201cA dura\u00e7\u00e3o normal do trabalho poder\u00e1 ser acrescida de horas suplementares, em n\u00famero n\u00e3o excedente de 2 (duas)\u2026\u201d. A remunera\u00e7\u00e3o das horas suplementares (mais conhecidas como horas extras) \u00e9 diferente das horas normais, pois trazem um acr\u00e9scimo de, pelo menos, \u201c50% (cinquenta por cento) superior \u00e0 da hora normal\u201d (Art. 58, par\u00e1grafo 1o), que, em determinadas circunst\u00e2ncias, poder\u00e1 ser compensado, se: \u201co excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminui\u00e7\u00e3o em outro dia\u201d (Art. 58, par\u00e1grafo 2o).<\/p>\n<p>Portanto, chegamos ao entendimento real da dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho que \u00e9 estabelecida com a nova Consolida\u00e7\u00e3o da Leis do Trabalho: 10 (8 + 2 suplementares) horas di\u00e1rias. A jornada semanal \u00e9 mantida em 60 horas (10 horas di\u00e1rias x 6 dias). A jornada mensal alcan\u00e7a 270 horas (60 horas semanais x 4.5 semanas). E a jornada anual atinge o incr\u00edvel n\u00famero de 3.000 horas (270 horas mensais x 11 meses = 2.970 horas de trabalho anual). Estes n\u00fameros indicam que o trabalho assalariado fornece um enorme contingente de trabalho absoluto por meio da m\u00e3o de obra e suas muitas horas no trabalho e que opera nos diversos setores de atividade que comp\u00f5em a economia brasileira. A estes valores deve-se acrescentar ainda os ganhos de produtividade aportados pelo trabalho relativo.<\/p>\n<p>O Congresso Constituinte que produziu a vers\u00e3o de 1946 da Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o implantou mudan\u00e7a alguma relativa \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho que j\u00e1 vinha de anos anteriores pelas m\u00e3os da CLT. N\u00e3o que faltassem proposi\u00e7\u00f5es, pois os intr\u00e9pidos sete deputados do Partido Comunista apresentaram proposi\u00e7\u00e3o para reduzir a jornada, que foi derrotada pela maioria conservadora do Congresso Constituinte. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1967 segue pelo mesmo caminho de n\u00e3o alterar nada sobre a dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Sendo assim, podemos encerrar o extenso per\u00edodo de jornadas prolongadas sem fim.<\/p>\n<p>Continuando a aprofundar o montante de trabalho absoluto fornecido pelos assalariados e pelas assalariadas para o desenvolvimento capitalista do Brasil, retemos que a jornada anual de 3.000 horas se estende h\u00e1 cinco d\u00e9cadas sem parar (de 1943 a 1988 = 45 anos). Em primeiro lugar, porque n\u00e3o foram aprovadas tentativas de diminuir as horas laborais feitas neste intervalo de tempo pelo Congresso Nacional. Em segundo lugar, porque a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras organizados apoiada por sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, movimentos sociais que surgiram e levantaram estas bandeiras da diminui\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiram \u00eaxito mais amplo. Somente a greve dos metal\u00fargicos do ABC de S\u00e3o Paulo, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de outros mais estados e setores de atividade al\u00e9m dos metal\u00fargicos, paralisaram as atividades laborais em 1985 (Sindicato, 1985) e colocaram em xeque o poder das empresas e dos neg\u00f3cios capitalistas, com a reivindica\u00e7\u00e3o de elevar os sal\u00e1rios e de reduzir a dura\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho at\u00e9 40 horas semanais. F\u00e1bricas e neg\u00f3cios sentiram o poder das greves da for\u00e7a de trabalho e admitiram reduzir as jornadas de trabalho aos valores reivindicados, a saber, 40 horas semanais. Com essa vit\u00f3ria, os movimentos grevistas apontaram para o Congresso Nacional Constituinte (1986-1988) a decis\u00e3o para o futuro: reduzir a jornada de trabalho.<\/p>\n<h3><strong>E a greve dos metal\u00fargicos produziu uma reviravolta hist\u00f3rica<\/strong><\/h3>\n<p>No hist\u00f3rico fato da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho pelo Congresso Nacional Constituinte, al\u00e9m dos congressistas, deve ser estabelecido o papel importante dos movimentos grevistas reivindicando jornadas de trabalho menores. N\u00e3o era somente a reivindica\u00e7\u00e3o. O movimento dos grevistas demonstrou que era poss\u00edvel reduzir as jornadas sem que ca\u00edsse a produtividade nas empresas e nos neg\u00f3cios. E isto por uma simples raz\u00e3o. A redu\u00e7\u00e3o das jornadas laborais implica que os trabalhadores e as trabalhadoras estar\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es pessoais para enfrentar o dia a dia do trabalho e, portanto, elevam o grau de produtividade do trabalho nas empresas e, em segundo lugar, n\u00e3o necessariamente requerem a contrata\u00e7\u00e3o de mais assalariados.<\/p>\n<p>Tive a oportunidade de realizar um trabalho de pesquisa de campo (Dal Rosso, 1996), centrado na regi\u00e3o do ABC Paulista e envolvendo somente as empresas que durante as greves de 1985 tomaram a decis\u00e3o de diminuir as jornadas laborais, em sua grande maioria para jornadas de 40 horas semanais, que tamb\u00e9m era o objetivo do movimento grevista. E mais, a pesquisa realizou entrevistas somente com dirigentes das empresas e n\u00e3o dos movimentos sindicais. De tal maneira que a resposta que se alcan\u00e7ou tinha a ver como o mundo empresarial recebeu e avaliou a reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores por uma jornada de menor dura\u00e7\u00e3o. Realizamos entrevistas em sete (07) empresas, uma d\u00e9cada ap\u00f3s a greve hist\u00f3rica dos metal\u00fargicos.<\/p>\n<p>Aqui ficam registradas as principais conclus\u00f5es (Dal Rosso, 1996), sobre o que foi que aconteceu com a jornada reduzida, passados dez anos de sua implementa\u00e7\u00e3o: \u201cuma empresa retornou a jornada mais longa\u201d, mas a \u201csitua\u00e7\u00e3o prevalente \u00e9 das empresas que at\u00e9 hoje respeitam a jornada menor conquistada pela greve\u201d. Foi encontrado tamb\u00e9m uma empresa que, antes da greve, j\u00e1 havia estabelecido a pr\u00e1tica de uma jornada de 40 horas semanais. Encontramos outra empresa em que o dirigente empresarial \u201cressalta a rela\u00e7\u00e3o positiva que existe entre uma jornada menor e o aumento da produtividade do trabalho\u201d, seja em fun\u00e7\u00e3o do maior empenho dos trabalhadores, seja em fun\u00e7\u00e3o da reorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho, seja em fun\u00e7\u00e3o de investimentos que elevam a produtividade do trabalho.<\/p>\n<p>Acima de tudo, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho est\u00e1 relacionada com a atua\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das trabalhadoras, por meio do engajamento dos dirigentes sindicais e associativos nas propostas de mudan\u00e7a social do trabalho. N\u00e3o basta aos dirigentes sindicais aguardar a a\u00e7\u00e3o das empresas para reduzir as jornadas de trabalho. Cabe a eles e aos movimentos sociais tomar as iniciativas e a lideran\u00e7a. Em condi\u00e7\u00f5es em que inexiste a\u00e7\u00e3o sindical e dos movimentos sociais com propostas ativas, dificilmente se chegar\u00e1 a uma pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o das jornadas sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios. Embora a atua\u00e7\u00e3o do Parlamento seja, em muitos casos, imprescind\u00edvel, a redu\u00e7\u00e3o das jornadas laborais n\u00e3o foram e n\u00e3o s\u00e3o conquistadas sem a a\u00e7\u00e3o sindical, associativa e dos movimentos sociais.<\/p>\n<h3><strong>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988: manobras para manter as jornadas em 44 horas<\/strong><\/h3>\n<p>Na \u00faltima grande conquista de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 44 horas semanais no setor privado e 40 no setor p\u00fablico, o Congresso Nacional exerceu um papel importante de brecar a reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das trabalhadoras. Com efeito, inicialmente, ao n\u00edvel das Comiss\u00f5es havia-se chegado ao entendimento de que o novo padr\u00e3o das jornadas seria alcan\u00e7ado pela redu\u00e7\u00e3o a jornadas de 40 horas semanais. Todavia, quando levada \u00e0 vota\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional Constituinte, foi encaminhada a proposta de 44 horas, portanto, uma redu\u00e7\u00e3o de 4 e n\u00e3o de 8 horas semanais. Este acordo foi gerado dentro de importante Comiss\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Na Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o operou-se a grande ruptura. A jornada semanal de 40 horas de trabalho, consistentemente sustentada em todos os f\u00f3runs anteriores do debate constitucional, sofreu um brusco processo de quebra. Do interior da Comiss\u00e3o emergem as 44 horas semanais como dispositivo constitucional (Dal Rosso, 1996, p. 279).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Houve press\u00e3o empresarial, sem d\u00favida, para se alcan\u00e7ar tal resultado. Mas tamb\u00e9m houve press\u00e3o de determinados segmentos da organiza\u00e7\u00e3o sindical que se mostravam derrotados se fosse aprovada uma proposta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 40 horas, defendida por outro grupo da organiza\u00e7\u00e3o sindical. As divis\u00f5es dentro do movimento sindical tiveram papel importante na redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho a 44 horas semanais, somente.<\/p>\n<p>O Congresso Nacional Constituinte concluiu suas atividades definindo a jornada de 44 horas de trabalho semanal para o setor privado, enquanto o setor p\u00fablico j\u00e1 vinha exercendo jornadas semanais de 40 horas. As 44 horas semanais constitu\u00edram um segundo grande avan\u00e7o para a sociedade brasileira. O primeiro foi estabelecido pela admiss\u00e3o de 48 horas semanais de trabalho na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho em 1943.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o dif\u00edcil constitui reduzir a jornada laboral no Brasil depreende-se dos intervalos de 45 anos para que se chegasse \u00e0s jornadas de 44 horas semanais. E depois de 1988, j\u00e1 se passaram 35 anos (um ter\u00e7o de s\u00e9culo) sem que se fa\u00e7a um avan\u00e7o significativo na redu\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<h3><strong>A campanha para reduzir a dura\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>Entretanto, houve importantes movimentos de contesta\u00e7\u00e3o entre estes dois per\u00edodos de 1988 a 2023. Entre estes movimentos, est\u00e3o as marchas de S\u00e3o Paulo para Bras\u00edlia, ostentando a bandeira de \u201cReduzir a Jornada de Trabalho \u00e9 Gerar Empregos\u201d. Seis das principais Centrais Sindicais participaram das marchas e demais atividades. Assessores do DIEESE idealizaram a campanha, que envolveu, adicionalmente, cursos de forma\u00e7\u00e3o, duas teses de doutorado, cartilhas, hist\u00f3ria em quadrinhos, panfletos etc. A campanha iniciou em 2003 e dissolveu-se em 2010-2011.<\/p>\n<p>A bandeira do movimento est\u00e1 centrada na proposta de que reduzir a jornada \u00e9 gerar empregos, como pude observar no trabalho de pesquisa por meio de entrevistas junto a empresas que reduziram as jornadas de trabalho durante a greve dos metal\u00fargicos do ABC Paulista e de outros Estados (Dal Rosso, 1996). Com efeito, ao se diminuir as longas jornadas, as empresas s\u00e3o obrigadas a contratar mais m\u00e3o de obra para dar conta das atividades que ficaram a descoberto. Referindo-se \u00e0 Fran\u00e7a, Coutrot (apud Dal Rosso et AL., 2022, p. 40) escreve que \u201cA mudan\u00e7a para uma semana de 35 horas criou centenas de milhares de empregos, sendo que estes\/as trabalhadores\/ as apreciaram muito os dias de folga conquistados\u201d.<\/p>\n<p>A campanha de reduzir as jornadas para gerar empregos, idealizada e realizada entre 2003 e 2020-2021, encerrou suas atividades sem alcan\u00e7ar estes objetivos principais, dado a que o pr\u00f3prio governo de esquerda, imprescind\u00edvel agente no desenvolver de um resultado positivo, enfrentou crise econ\u00f4mica, o que dificulta a cria\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>Os recentes governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro foram delet\u00e9rios para os\/as trabalhadores\/as. O primeiro governo efetiva, entre v\u00e1rias outras medidas negativas, o Regime de 12 x 36, que afeta a sa\u00fade do trabalhador. O segundo caso piora ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de trabalho ao permitir o trabalho aos domingos, s\u00e1bados, feriados e trabalho noturno. Tais favorecimentos aos empregadores e pioras para os trabalhadores se alastram entre a popula\u00e7\u00e3o e est\u00e3o na base do surgimento de importantes movimentos atuais de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Repentinamente a proposta para eliminar os 6 dias de trabalho de toda semana (6\u00d71) ganha espa\u00e7o na sociedade, porque n\u00e3o sobra aos trabalhadores tempo, se n\u00e3o, para trabalhar. \u00c9 organizado, ent\u00e3o, no Rio de Janeiro o movimento VAT \u2013 Vida para Al\u00e9m do Trabalho \u2013 pelo hoje vereador, Ricardo Cardoso Azevedo.<\/p>\n<p>O movimento ganha for\u00e7a quando a PEC 9\/23, assinada pela Deputada Federal, Erica Hilton (do PSOL), alcan\u00e7a o n\u00famero suficiente de assinaturas para ser analisada pela respectiva Comiss\u00e3o e para ser votada no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>O VAT e a PEC manifestam-se contrariamente a semana de seis dias de trabalho com um dia de descanso, sendo favor\u00e1veis \u00e0 proposta de 4 x 3, quatro dias de trabalho e tr\u00eas de descanso.<\/p>\n<p>No Congresso Nacional transitam outros Projetos de Emendas Constitucionais, sendo talvez a mais antiga a do Senador Paulo Paim que defende as quarenta horas de imediato, chegando a 35 horas passo a passo, isto \u00e9, uma hora por ano at\u00e9 alcan\u00e7ar as 35 horas semanais.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, h\u00e1 propostas diversas, sendo crucial chegar-se a um acordo sobre a dura\u00e7\u00e3o da jornada reivindicada: se 30, 35, ou 40 horas semanais e ela se converter na bandeira de todos os movimentos. Exemplo desta diversidade encontra-se entre as centrais sindicais nacionais. Elas defendem acordos empresa por empresa, discutidos entre sindicatos e dire\u00e7\u00e3o das empresas. Tal proposta deixa a proposta de a\u00e7\u00e3o nacional e agarra-se a acordos individuais, o que representa um b\u00e1rbaro retrocesso na luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio. Entretanto, em 1o de Maio de 2025, as centrais sindicais \u2013 CUT, FS, UGT, CTB, NCST, CGTB e CSB \u2013 chegaram a um acordo comum em que defendem a proposi\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho at\u00e9 36 horas semanais, sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. Centrais sindicais, movimentos sociais VAT e outros (prop\u00f5em o fim da escala de trabalho semanal de 6 x 1 e defesa da proposta de 4 x 3; movimentos que giram em torno da Deputada Federal Erica Hilton que lan\u00e7ou a PEC 9\/25 defendendo o fim da Escala de Trabalho de 6 x 1 e a redu\u00e7\u00e3o das jornadas at\u00e9 36 horas semanais). Grupos sociais e sindicais, esses, que est\u00e3o em pujante a\u00e7\u00e3o p\u00fablica tais como o ANDES-SINDICATO NACIONAL, a FASUBRA, e outras entidades sindicais do pa\u00eds inteiro que apoiam a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio assim como outros movimentos sociais que captam apoio popular por meio de coleta de assinaturas e que combatem por estas bandeiras maiores de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e amplia\u00e7\u00e3o dos dias de descanso, sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais: por mais mobiliza\u00e7\u00e3o social e pesquisa<\/strong><\/h3>\n<p>Neste artigo, descrevemos o caminho da evolu\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho durante mais de um s\u00e9culo, a iniciar pelos primeiros movimentos reivindicat\u00f3rios ao final do S\u00e9culo XIX trazendo a discuss\u00e3o at\u00e9, literalmente, os dias de hoje. E vimos que a dura\u00e7\u00e3o das jornadas sempre foram objeto de \u00e1rduas disputas entre o trabalho e o capital, inclusive at\u00e9 os dias de hoje, quando a sociedade pede menos horas de trabalho ao dia, e mais tempo livre nas escala\u00e7\u00f5es semanais ou mensais.<\/p>\n<p>Poucos pesquisadores sociais investem tempo significativo na busca de explica\u00e7\u00f5es para saber como eram de fato as jornadas laborais em determinados momentos da hist\u00f3ria do trabalho no Brasil. Al\u00e9m do que expusemos, n\u00e3o tivemos condi\u00e7\u00f5es de entrar um passo sequer no t\u00e9trico mundo do sistema escravocrata brasileiro.<\/p>\n<p>O estudo sistem\u00e1tico da dura\u00e7\u00e3o das jornadas laborais no Brasil nos leva a concluir que importantes movimentos sociais e sindicais foram gerados em torno \u00e0 luta pela defesa de jornadas mais curtas no trabalho. E que muito mais precisa ser feito ainda, seja em pesquisa, seja em mobiliza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ANXO, D. <strong>Temps de travail, l\u2019exp\u00e9rience su\u00e9doise<\/strong>. Futuribles, n. 165-166, p. 68-72, 1992.<\/p>\n<p>BOULARD, R.; Et AL. <strong>La R\u00e9duction de la dur\u00e9e du travail<\/strong>. Qu\u00e9bec: Presses de l\u2019Universit\u00e9 Laval, 1981.<\/p>\n<p>CACACE, N.; Et AL. <strong>Lavorare meno per lavorare tutti<\/strong>. Roma: Lavoro, 1978.<\/p>\n<p>CACERES, B. <strong>Loisire et travail du Moyen Age a nos jours<\/strong>. Paris: \u00c9ditions du Seuil, 1973<\/p>\n<p>CASTELLUCCI, A. Flutua\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, crise pol\u00edtica e greve geral na Bah-ia da Primeira Rep\u00fablica. <strong>Revista Brasileira de Hist\u00f3ria<\/strong>, n. 25, n. 50, pp. 131-166. 2005.<\/p>\n<p>DAL ROSSO, S. <strong>A jornada de trabalho na sociedade<\/strong>. O castigo de Pro-meteu. S\u00e3o Paulo: LTr, 1996.<\/p>\n<p>DAL ROSSO, S.; Et AL. <strong>O Futuro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/strong>. Porto Alegre: CirKula, 2022<\/p>\n<p>DOLL\u00c9ANS, E. <strong>Storia del movimento operaio<\/strong>. [3 Volumes]. Firenze: San-soni, 1968.<\/p>\n<p>DOMMEN, B. Industrialization and Liberty: Working hours in Switzerland since 1800. <strong>Labor and Society<\/strong>, v. 5, n. 4, pp. 327-339, 1980.<\/p>\n<p>ENGELS, F. <strong>The condition of working class in England: from personal observation and authentic sources<\/strong>. Moscow: Progress Publishers, 1973.<\/p>\n<p>FAUSTO, B. <strong>Trabalho urbano e conflito social<\/strong> (1890-1920). S\u00e3o Paulo: Difel, 1976.<\/p>\n<p>GIROLETTI, D. <strong>F\u00e1brica, convento, disciplina<\/strong>. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1991.<\/p>\n<p>HARDMAN, F.; LEONARDI, V. <strong>Hist\u00f3ria da Ind\u00fastria e do trabalho no Brasil<\/strong>. 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Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Hist\u00f3ria da jornada do trabalho no Brasil appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-defende-soberania-brasileira-em-pronunciamento-do-7-de-setembro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-07-at-002027-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula defende soberania brasileira em pronunciament...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escala-6x1-o-novo-capitulo-da-luta\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--22-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Escala 6\u00d71: o novo cap\u00edtulo da luta<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/politica\/2025\/10\/por-unanimidade-camara-aprova-isencao-de-ir-para-quem-ganha-ate-r-5-mil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Por unanimidade, C\u00e2mara aprova isen\u00e7\u00e3o de IR para ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/delcy-rodriguez-envia-carta-a-trump-pedindo-dialogo-e-cooperacao-nosso-povo-merece-paz-nao-guerra\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Delcy Rodr\u00edguez envia carta a Trump pedindo di\u00e1log...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A industrializa\u00e7\u00e3o abre as longas jornadas. A primeira redu\u00e7\u00e3o, a partir das greves gigantes de 1917. As conquistas sabotadas na primeira CLT e, depois, na Constituinte. As campanhas sindicais e a reviravolta hist\u00f3rica da luta dos metal\u00fargicos. E o cabo-de-guerra atual<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/6x1-historia-da-jornada-do-trabalho-no-brasil\/\">Hist\u00f3ria da jornada do trabalho no Brasil<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79056,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[39300,27204,39301,39302,2008,39303,2482,5834,1964,25323],"tags":[],"class_list":["post-79055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-campanhas-sindicais","category-cesit-jornada","category-consolidacao-das-leis-de-trabalho","category-constituicao-de-1988","category-fim-da-escala-6x1","category-industrializacao-no-brasil","category-reducao-da-jornada","category-trabalho-e-precariado","category-vat","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79055\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}