{"id":79275,"date":"2026-03-21T16:33:54","date_gmt":"2026-03-21T19:33:54","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/radiografia-da-engenharia-nacional-no-pos-lava-jato\/"},"modified":"2026-03-21T16:33:54","modified_gmt":"2026-03-21T19:33:54","slug":"radiografia-da-engenharia-nacional-no-pos-lava-jato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/radiografia-da-engenharia-nacional-no-pos-lava-jato\/","title":{"rendered":"Radiografia da engenharia nacional no p\u00f3s-Lava Jato\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"659\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Hidroituango.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Hidroituango.jpg 1200w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/21163207\/Hidroituango-300x166.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/21163207\/Hidroituango-768x422.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/21163207\/Hidroituango-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>Foto: site Click Petr\u00f3leo e G\u00e1s<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Pedro Henrique Pedreira Campos<\/strong> em entrevista a <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>A engenharia pesada <em>d\u00e1 liga<\/em> \u00e0s cidades. H\u00e1 sempre uma camada anterior, silenciosa, de obras, redes e estruturas que tornam a vida urbana poss\u00edvel: sistemas de saneamento, drenagem, mobilidade, viadutos, barragens, redes de energia, pontes, t\u00faneis, estradas. Quando abrimos a torneira e a \u00e1gua chega, quando acendemos a luz, quando atravessamos a cidade, quando a rua n\u00e3o vira rio \u2014 ou quando vira \u2014, h\u00e1 um complexo de decis\u00f5es t\u00e9cnicas e pol\u00edticas operando nos bastidores. H\u00e1 canteiros de obra!<\/p>\n<p>Sem essa <em>liga<\/em>, a cidade se desfaz em partes que n\u00e3o se articulam \u2014 bairros isolados, servi\u00e7os que n\u00e3o chegam, fluxos interrompidos. Quando a engenharia funciona bem, quase n\u00e3o \u00e9 percebida; quando falha, a cidade inteira pode entrar em colapso. E ela decide algo simples e brutal: o que funciona e para quem. Quem se move, quem acessa, quem permanece \u00e0 margem \u2014 e que tipo de vida urbana \u00e9 poss\u00edvel construir.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--36.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--36.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Tradicionalmente, por\u00e9m, grandes obras s\u00e3o decididas de forma tecnocr\u00e1tica, com pouca transpar\u00eancia e controle social sobre prioridades e execu\u00e7\u00e3o. Durante d\u00e9cadas, essa engenharia foi operada por um grupo restrito de empresas. Quatro delas tornaram-se \u201ccampe\u00e3s nacionais\u201d do setor \u2014 praticamente toda obra de grande porte passava por suas m\u00e3os: Odebrecht (hoje Novonor), OAS, Camargo Corr\u00eaa e Andrade Gutierrez. Neg\u00f3cios de origem familiar, consolidados durante a ditadura, cultivaram estreita proximidade com governos de diferentes espectros pol\u00edticos, financiaram campanhas, diversificaram atividades e expandiram-se globalmente. Ao menos at\u00e9 a Lava Jato.<\/p>\n<p>\u201cA Opera\u00e7\u00e3o trouxe uma ruptura: representou a quebra da barreira do mercado dom\u00e9stico e do controle que as grandes empreiteiras tinham. O que ocorreu, depois, foi uma abertura \u00e0s estrangeiras\u201d, aponta o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, professor da UFRRJ. \u201cCom isso, h\u00e1 hoje uma desnacionaliza\u00e7\u00e3o significativa do setor de engenharia no Brasil.\u201d<\/p>\n<p>Deflagrada em 17 de mar\u00e7o de 2014 pela Pol\u00edcia Federal, a opera\u00e7\u00e3o partiu de investiga\u00e7\u00f5es sobre lavagem de dinheiro envolvendo doleiros como Alberto Youssef e avan\u00e7ou sobre contratos da Petrobras. A ideia de um grande esquema sist\u00eamico, por\u00e9m, \u00e9 controversa.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o existia \u2014 mas n\u00e3o era, para Pedro, o centro da quest\u00e3o. Durante os anos \u00e1ureos da Lava Jato, ele concedeu entrevistas a jornal\u00f5es, \u00e1vidos por ouvir sobre a \u201croubalheira petista\u201d. O professor, no entanto, provocava: tudo aquilo, por mais inaceit\u00e1vel, n\u00e3o era o cerne da quest\u00e3o. Afinal, ele havia mergulhado fundo para tentar compreender a rela\u00e7\u00e3o umbilical entre Estado brasileiro, grandes empreiteiras e desenvolvimento nacional \u2014 das ra\u00edzes hist\u00f3ricas ao <em>modus operandi <\/em>na Nova Rep\u00fablica. Desse esfor\u00e7o nasceram livros como<em> Estranhas Catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar (1964-1988)<\/em>, vencedor do Pr\u00eamio Jabuti de 2015 na categoria Economia; <em>O voo do \u00cdcaro<\/em>, em que analisa a internacionaliza\u00e7\u00e3o das construtoras brasileiras; <em>Os Donos do Capital<\/em>, que tra\u00e7a a trajet\u00f3ria das principais fam\u00edlias empresariais do capitalismo brasileiro; e <em>A Miragem do Brasil<\/em>, onde debate os governos do PT at\u00e9 o golpe de 2016 e a ascens\u00e3o da ultradireita. Sua tese \u00e9 incisiva: o que se viu n\u00e3o foi apenas uma puni\u00e7\u00e3o de empresas envolvidas em corrup\u00e7\u00e3o, mas o colapso de um modelo de engenharia nacional, a perda de capacidade estatal<em> indireta <\/em>de induzir cadeias produtivas e uma mudan\u00e7a estrutural no papel da infraestrutura na economia.<\/p>\n<p>Mais do que executar obras, as grandes empreiteiras operavam como bra\u00e7os de uma pol\u00edtica desenvolvimentista no ciclo de governos petistas: da gera\u00e7\u00e3o de empregos diretos e indiretos ao est\u00edmulo de ind\u00fastrias como a do a\u00e7o e cimento, al\u00e9m de induzir a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. E tornaram-se <em>players<\/em> internacionais. \u201cNo mercado global, a competi\u00e7\u00e3o, embora pare\u00e7a uma disputa entre grupos econ\u00f4micos, \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma concorr\u00eancia interestatal. Os Estados est\u00e3o por tr\u00e1s, bancando uma disputa pesada\u201d, diz Pedro. A Odebrecht, por exemplo, constru\u00eda para as For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos no Iraque enquanto erguia o Porto de Mariel em Cuba. Levava junto material, engenheiros e equipamentos brasileiros \u2014 e com eles, a capacidade de disputar mercados com norte-americanos e europeus.<\/p>\n<p>No p\u00f3s-Lava Jato, no entanto, a derrocada dessas construtoras foi seguida por mais privatiza\u00e7\u00f5es, PPPs e fundos de investimento em obras de infraestrutura com participa\u00e7\u00e3o internacional. E o saneamento b\u00e1sico, hoje, parece ter se tornado o novo fil\u00e3o, segundo o professor.<\/p>\n<p>Mas a sa\u00edda seria apenas substituir grupos <em>de fora<\/em> por poderosas empresas nacionais, como era antes? Resgatar um <em>poder de fogo<\/em> que se perdeu ap\u00f3s a Lava Jato? Ou \u00e9 preciso recolocar o Estado como coordenador estrat\u00e9gico \u2014 e a engenharia como pol\u00edtica p\u00fablica, orientada pelo direito \u00e0 cidade a partir da justi\u00e7a social, da sustentabilidade e da participa\u00e7\u00e3o popular? Afinal, n\u00e3o se trata apenas de <em>construir mais<\/em>, mas de decidir para quem, onde e sob quais prioridades <em>fazer cidades<\/em>.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<hr>\n<p><strong>Em 17 de mar\u00e7o de 2014, foi deflagrada a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, em Curitiba. L\u00e1 se v\u00e3o doze anos. Direito e reto: quais foram os impactos para a engenharia, as construtoras e a ind\u00fastria brasileiras?<\/strong><\/p>\n<p>A Lava Jato tem m\u00faltiplas dimens\u00f5es, obviamente. Tinha uma conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que buscava atingir o Partido dos Trabalhadores, setores progressistas e o governo Dilma Rousseff. Tanto que v\u00e1rios envolvidos viraram pol\u00edticos, como S\u00e9rgio Moro e Deltan Dallagnol. Mas, por outro lado, h\u00e1 tamb\u00e9m a dimens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre as empreiteiras e o Estado. Avaliar as consequ\u00eancias da Lava Jato sobre essa din\u00e2mica p\u00fablico-privada e o uso do fundo p\u00fablico pelas empresas de engenharia \u00e9 importante.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o trouxe uma ruptura: representou a quebra da barreira do mercado dom\u00e9stico e do controle que as grandes empreiteiras tinham. O que ocorreu, depois, foi uma abertura \u00e0s estrangeiras: o Linh\u00e3o de Belo Monte, por exemplo, \u00e9 feito pela State Grid <em>[chinesa]<\/em>, e outros projetos seguem o mesmo caminho, com concess\u00f5es e obras sendo assumidas aqui e acol\u00e1. Com isso, h\u00e1 uma desnacionaliza\u00e7\u00e3o significativa do setor de engenharia no Brasil. Empresas estrangeiras \u2014 espanholas, chinesas e de outras origens \u2014 atualmente compram ativos e ganham for\u00e7a no mercado interno. Esse \u00e9 um dos efeitos, al\u00e9m de ter havido a paralisa\u00e7\u00e3o de boa parte das obras. E, pensando em vi\u00e9s classista, n\u00e3o foram grandes empres\u00e1rios como o Marcelo Odebrecht, que inclusive <em>pegou<\/em> um pouco de pris\u00e3o, que se deram mal: foram os trabalhadores, que perderam os empregos, lidaram com a compress\u00e3o salarial, a precariza\u00e7\u00e3o e os <em>refluxos pol\u00edticos<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>Foi uma opera\u00e7\u00e3o bem pensada que usou a bandeira anticorrup\u00e7\u00e3o para criminalizar a pol\u00edtica e abrir caminho para projetos de extrema-direita, como vimos depois. A Lava Jato deu for\u00e7a ao projeto privatista, que j\u00e1 estava em curso no pa\u00eds, nos governos que se seguiram. Vieram as privatiza\u00e7\u00f5es da BR Distribuidora e refinarias. E o saneamento parece ser o novo fil\u00e3o. A mensagem \u00e9 de que o p\u00fablico \u00e9 sujo e o privado \u00e9 eficiente \u2014 o que n\u00e3o \u00e9 verdade, claro. N\u00e3o h\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o na CBF e na FIFA? Um caso exemplar, hoje, \u00e9 o do esc\u00e2ndalo do Banco Master: num editorial recente, <em>O Globo<\/em> pediu a\u00a0 privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras como rem\u00e9dio contra a corrup\u00e7\u00e3o. Isso lembra o caso da Sudene no governo FHC: diante de den\u00fancias, a solu\u00e7\u00e3o foi extinguir a ag\u00eancia, criada em 1957 e fundamental para a pol\u00edtica regional no Nordeste. Havia desvios, sim, mas o caminho deveria ser corrigi-los, n\u00e3o acabar com um instrumento de pol\u00edtica p\u00fablica.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Com as grandes empreiteiras numa espiral de crises, al\u00e9m da investida de grupos estrangeiros, outras construtoras brasileiras se fortaleceram?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma verdadeira dan\u00e7a das cadeiras. Abriu-se espa\u00e7o recentemente para a ascens\u00e3o da MRV <em>[de Minas Gerais] <\/em>e de algumas outras empresas de m\u00e9dio porte, como o Grupo Arena <em>[do Paran\u00e1]<\/em>, que cresceram nesse processo, aproveitando o v\u00e1cuo deixado pela fragiliza\u00e7\u00e3o das principais empreiteiras do pa\u00eds. Afinal, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o capital estrangeiro que preenche esse espa\u00e7o \u2014 entram tamb\u00e9m outros atores do capital dom\u00e9stico. Em momentos de reformula\u00e7\u00e3o do mercado, volta e meia isso acontece: algumas empresas ascendem e, pouco depois, entram em decl\u00ednio. E, com a fragiliza\u00e7\u00e3o das grandes empreiteiras, abriu-se margem para que grupos antes mais \u00e0s margens do mercado ocupassem uma posi\u00e7\u00e3o central.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar como as empreiteiras passam por ondas. Por\u00e9m, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corr\u00eaa s\u00e3o mais perenes no cen\u00e1rio nacional, pois s\u00e3o empresas muito antigas. A Camargo Corr\u00eaa, por exemplo, j\u00e1 era a maior empreiteira do Brasil desde os anos 1950. Uma gigante, poderosa, fundada por Sebasti\u00e3o Camargo, um homem ligado \u00e0 fam\u00edlia Penteado <em>[uma \u201clinhagem quatrocentona\u201d paulista]<\/em>. \u00c9 ligada a Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes, ao Bradesco, \u00e0 nata do grande capital paulistano, com uma ascend\u00eancia enorme sobre \u00f3rg\u00e3os como a Dersa <em>[Desenvolvimento Rodovi\u00e1rio S\/A, fundada em 1969]<\/em>, o DER <em>[Departamento de Estradas de Rodagem]<\/em>, a Sabesp e as principais ag\u00eancias estaduais, al\u00e9m de ser contratada por empresas privadas.<\/p>\n<p><strong>As grandes construtoras tinham significativa atua\u00e7\u00e3o internacional. O que o Brasil perdeu com a Lava Jato neste campo?<\/strong><\/p>\n<p>A Odebrecht chegou a contabilizar mais de 500 contratos no exterior \u2014 um neg\u00f3cio muito significativo. Estava presente em mais de 30 pa\u00edses. Em praticamente todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, talvez com exce\u00e7\u00e3o das Guianas. Tinha presen\u00e7a na Am\u00e9rica Central, em Cuba, na Rep\u00fablica Dominicana e em outros pa\u00edses. Ainda \u00e9 poderosa em Angola. Na Europa, construiu a ponte Vasco da Gama, sobre o rio Tejo, em Portugal, e v\u00e1rios outros empreendimentos que poder\u00edamos citar. Teve grande atua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos Estados Unidos. Levantei que a Odebrecht tinha 40 contratos com as For\u00e7as Armadas norte-americanas e\u00a0 trabalhava com a Halliburton <em>[uma das principais prestadoras de servi\u00e7os do mundo para a ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural]<\/em> em muitos projetos. Tanto que, na Segunda Guerra do Golfo, em 2005, um engenheiro da Odebrecht morreu no Iraque logo no come\u00e7o do conflito. Ali\u00e1s, a atua\u00e7\u00e3o em Cuba, com o Porto de Mariel, criou problemas para a Odebrecht nos Estados Unidos devido ao bloqueio, pois empresas que operam em Cuba n\u00e3o podem atuar na Fl\u00f3rida. Mas o Itamaraty <em>chegou junto<\/em> para tentar desatar esse n\u00f3. Enfim, a Odebrecht conseguiu entrar em mercados extremamente fechados.\u00a0<\/p>\n<p>Existe um car\u00e1ter multiplicador disso. Tenho um orientando <em>[da UFRRJ]<\/em>, Pedro Moura, que mostra que a Odebrecht, no mundo todo, usava apenas fechaduras e dobradi\u00e7as da \u00c1gara \u2014 uma metal\u00fargica de Nova Friburgo, no interior do Rio. Essa internacionaliza\u00e7\u00e3o fomentava a ind\u00fastria nacional, levando equipe t\u00e9cnica e equipamentos, ativando setores produtivos e repatriando recursos. Um c\u00edrculo virtuoso, portanto. N\u00e3o \u00e0 toa, o BNDES financiava isso. Havia uma justificativa \u2014 por mais que se possa questionar a predomin\u00e2ncia da Odebrecht ou os termos dos contratos \u2014 de que se estava exportando engenharia brasileira e haveria retorno.<\/p>\n<p><strong>E tamb\u00e9m havia uma geopol\u00edtica das empreiteiras, n\u00e3o? Afinal, exportava-se tecnologias de alta complexidade e manufaturas brasileiras, at\u00e9 estreitando la\u00e7os com o Mercosul e o Sul global\u2026<\/strong><\/p>\n<p>No mercado global, a competi\u00e7\u00e3o, embora pare\u00e7a uma disputa entre grupos econ\u00f4micos, \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma concorr\u00eancia interestatal. Os Estados est\u00e3o por tr\u00e1s, bancando uma disputa pesada. Um grande projeto, como uma megahidrel\u00e9trica num pa\u00eds produtor de petr\u00f3leo \u2014 a exemplo da usina de Guri <em>[<\/em><em>inaugurada em 1986, fornece cerca de 70% da energia venezuelana]<\/em>, nos anos 1970, que seria a maior do mundo \u2014 n\u00e3o \u00e9 uma disputa qualquer. N\u00e3o \u00e9 uma empresa simplesmente disputando uma obra, mas um projeto do Estado brasileiro com os pa\u00edses envolvidos. Envolve remessa de lucros, materiais, equipamentos e m\u00e3o de obra \u2014 algo que gera divisas expressivas, exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, um fil\u00e3o poderos\u00edssimo no mercado internacional. No caso de Guri, ali\u00e1s, as empreiteiras brasileiras chegaram a ganhar a concess\u00e3o para a obra. Depois perderam: os Estados Unidos jogaram pesado para tir\u00e1-las do cons\u00f3rcio. Foi uma grande disputa, e \u00e9 \u00f3bvio que o Brasil n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de<em> bater de frente<\/em> com o Departamento de Estado e as empreiteiras norte-americanas.<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m das grandes empreiteiras, como reconstruir um setor de constru\u00e7\u00e3o civil soberano que, desta vez, pudesse aliar desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade, justi\u00e7a ambiental e bem-estar social?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira coisa \u00e9 compreender que n\u00e3o \u00e9 o mercado que deveria reorganizar essa cadeia produtiva, mas o Estado, elaborando projetos, refletindo sobre como fazer e atuando <em>de fato<\/em>. Refor\u00e7o que o principal problema das grandes empreiteiras n\u00e3o \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o. Muito mais graves s\u00e3o outros aspectos: elas foram s\u00f3cias da ditadura, sempre foram truculentas com os trabalhadores, pautam pol\u00edticas p\u00fablicas conforme seus interesses \u2014 e n\u00e3o segundo os anseios da popula\u00e7\u00e3o. Tudo isso pesa muito mais do que o pagamento de comiss\u00f5es a intermedi\u00e1rios, parlamentares, secret\u00e1rios ou ministros.\u00a0<\/p>\n<p>O grave, no fundo, \u00e9 o papel dessas grandes construtoras na defini\u00e7\u00e3o do modelo de desenvolvimento. Construir uma megahidrel\u00e9trica de milhares de megawatts \u00e9 \u00f3timo\u2026 <em>Para elas.<\/em> Mobiliza muito capital\u00a0 e a margem de lucro sobre uma obra de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e9 maravilhosa. Mas e o impacto socioambiental? Para quem a energia precisa ser t\u00e3o barata? O consumidor eletrointensivo adora, mas a conta n\u00e3o deveria ser somente essa. O Em\u00edlio Odebrecht escreveu um livro num tom meio nacionalista, como se sua empresa tivesse sofrido uma <em>agress\u00e3o contra o Brasil<\/em>. N\u00e3o posso compactuar com essa fala. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 uma guerra intercapitalista. De um lado, um grande capital brasileiro; de outro, um ainda maior: os grupos internacionais, especialmente norte-americanos, que come\u00e7aram a achar inc\u00f4modo haver grupos brasileiros t\u00e3o poderosos. N\u00e3o h\u00e1 problema em deixar a Odebrecht atuar em Angola, em Cuba, na Venezuela. Mas na Petrobras e no Pr\u00e9-sal, sim, pois querem esse fil\u00e3o. Os Estados Unidos t\u00eam informa\u00e7\u00f5es \u2014 obviamente espionam todo mundo \u2014 e sabem da malversa\u00e7\u00e3o, do desvio de recursos, do pagamento de propina. E, inclusive, treinaram promotores, procuradores e ju\u00edzes que deflagraram a Lava Jato, construindo redes de <em>networking<\/em>. O pr\u00f3prio S\u00e9rgio Moro fez curso na Embaixada dos Estados Unidos <em>[o Projeto Pontes, como revelou o WikiLeaks]<\/em>.<\/p>\n<p>O resultado foi uma cadeia produtiva inteira desmontada. Obras foram paralisadas, um monte de gente demitida, fam\u00edlias desamparadas, trabalhadores se precarizando\u2026 Podemos at\u00e9 questionar algumas dessas obras \u2014 <em>precisa dessa hidrel\u00e9trica?<\/em> N\u00e3o sei, mas desempregar milhares de pessoas \u00e9 algo criminoso, extremamente danoso para o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Mas, frente a um c\u00edrculo vicioso para os interesses p\u00fablicos, o que fazer?<\/strong><\/p>\n<p>Uma coisa de que os empreiteiros morrem de medo s\u00e3o as iniciativas estatais. J\u00e1 na \u00e9poca da ditadura, quando o Estado aparecia para fazer alguma obra, eles gritavam, reclamavam, chiavam bastante. Acompanhei isso nas entidades patronais da \u00e9poca, como o Sinicon <em>[Sindicato Nacional da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Pesada]<\/em>. Mas quando h\u00e1 um grande ciclo de obras p\u00fablicas, como nos anos 70, durante o Milagre Econ\u00f4mico e o 2\u00ba PND <em>[Plano Nacional de Desenvolvimento], <\/em>ningu\u00e9m reclama. Praticamente n\u00e3o existe concorr\u00eancia e, \u00e0s vezes, nem licita\u00e7\u00e3o \u2014 simplesmente d\u00e3o a obra para a empreiteira.<\/p>\n<p>Por exemplo, na constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica, distribu\u00edram os lotes para todas as grandes empreiteiras. Por\u00e9m, a BR-163 Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m \u2014 uma obra gigantesca, que cruza a Transamaz\u00f4nica \u2014 foi constru\u00edda pelo Batalh\u00e3o de Engenharia do Ex\u00e9rcito, sem participa\u00e7\u00e3o de nenhuma empresa privada. Ou seja, o Estado brasileiro a fez. Afinal, o Ex\u00e9rcito tem a Arma da Engenharia <em>[que atua, tamb\u00e9m, na constru\u00e7\u00e3o de estradas, pontes, ferrovias, barragens etc.]<\/em>, que pode ir com os tratores, as m\u00e1quinas, contratar os oper\u00e1rios e tocar qualquer obra. Naquela \u00e9poca, os empreiteiros n\u00e3o reclamavam porque havia obra de sobra. Mas, em \u00e9poca de crise, se o Estado atua diretamente, eles v\u00e3o chiar e acusar o governo de <em>estatista<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>Veja o caso da ponte Rio-Niter\u00f3i: originalmente, a obra foi contratada pelo DNER <em>[Departamento Nacional de Estradas de Rodagem]<\/em> junto a um cons\u00f3rcio privado. Deu problema e, na segunda fase, a obra foi estatizada. Criaram a Ecex <em>[Empresa de Engenharia e Constru\u00e7\u00e3o de Obras Especiais],<\/em> que passou a gerir os servi\u00e7os e contratava empresas privadas apenas para tarefas espec\u00edficas. A tens\u00e3o com as empreiteiras foi grande. Conclu\u00edda a obra, a Ecex foi mantida. Passou a cobrar os ped\u00e1gios e a fazer outras interven\u00e7\u00f5es: um viaduto aqui, uma rodovia ali, coisas pequenas. Mas as empreiteiras j\u00e1 come\u00e7aram a se indignar: <em>por que uma estatal est\u00e1 fazendo obras?<\/em> O governo tentou acalmar os \u00e2nimos: <em>ela s\u00f3 vai completar algumas coisas<\/em>. E, ao final, cedeu. Isso mostra que quem tem que reconstruir a pol\u00edtica de infraestrutura e a pol\u00edtica habitacional brasileira \u00e9 o Estado. Inclusive, acho que o Estado pode \u2014 e deve \u2014 se aventurar a atuar no mercado.<\/p>\n<p><strong>Parece, hoje, ainda haver pouca disposi\u00e7\u00e3o de governos em enfrentar o capital, menos ainda de concorrer com eles\u2026 H\u00e1 uma grande batalha por lutar. Como come\u00e7\u00e1-la?<\/strong><\/p>\n<p>A Dilma, quando era chefe da Casa Civil do governo Lula \u2014 o pessoal a chamava de \u201cprimeira-ministra\u201d, porque conduzia o governo em boa medida \u2014, estava numa negocia\u00e7\u00e3o com empreiteiros. Ela dizia: \u201cCada quil\u00f4metro dessa rodovia precisa custar tal valor.\u201d Os empreiteiros respondiam: \u201cEsse valor \u00e9 muito baixo\u201d. Ela tentava: \u201cD\u00e1 para diminuir um pouquinho aqui.\u201d Eles: \u201cN\u00e3o. Tem que ser esse custo.\u201d Por fim, Dilma disse: \u201cVoc\u00eas se entendam, volto daqui a pouco, quero que cheguem a esse custo.\u201d Jogando super pesado. Dez minutos depois: \u201cConseguiram chegar ao custo?\u201d. Os empreiteiros n\u00e3o aceitaram uma redu\u00e7\u00e3o do valor e, ent\u00e3o, a ministra os dispensou. Nesse meio tempo, Dilma j\u00e1 tinha ligado para o ministro da Defesa e dito: \u201cQuero que o batalh\u00e3o do Ex\u00e9rcito fa\u00e7a essa obra. Esses caras est\u00e3o nos engabelando.\u201d Os empreiteiros exigiam uma margem de lucro muito elevada. Esse \u00e9 um problema recorrente das empresas privadas.<\/p>\n<p>Lembro de uma CPI nos anos 1980, a partir de uma den\u00fancia do <em>[jornalista<\/em>] J\u00e2nio de Freitas sobre a Ferrovia Norte-Sul. O resultado da concorr\u00eancia vazou no dia anterior e foi publicado de maneira cifrada na se\u00e7\u00e3o de classificados da <em>Folha de SP<\/em>, o que gerou uma CPI. Durante os depoimentos, um agente do setor revelou que a margem de lucro m\u00e9dia das empreiteiras era de 30%, um patamar que n\u00e3o \u00e9 praticado em nenhum ramo e em nenhuma parte do mundo. A m\u00e9dia costuma ser 10%. \u00c9 por isso que o Estado poderia entrar. Os bancos p\u00fablicos, pensados como agentes de pol\u00edtica p\u00fablica, tamb\u00e9m atuariam nessa empreitada. Se o Bradesco, Santander e outros praticam juros alt\u00edssimos, o Banco do Brasil e a Caixa podem cobrar menos. Logo, os bancos privados v\u00e3o ter que baixar suas taxas para competir com os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A venda da BR Distribuidora <em>[adquirida por fundos de investimentos, inclusive estrangeiros, em 2021, durante o governo Bolsonaro]<\/em>, por exemplo, foi criminosa, pois o Brasil perdeu um mecanismo essencial de controle sobre o mercado de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. O contexto atual de guerra no Oriente M\u00e9dio, com o fechamento do Estreito de Ormuz e o Golfo P\u00e9rsico paralisado, mostra como \u00e9 fundamental ter um instrumento de pol\u00edtica p\u00fablica para atuar nesse e em outros setores.\u00a0<\/p>\n<p>Uma op\u00e7\u00e3o ao Estado poderia ser pegar uma das empreiteiras que faliram e transform\u00e1-la em estatal. Os empres\u00e1rios v\u00e3o fazer escarc\u00e9u, claro, mas \u00e9 algo necess\u00e1rio. N\u00e3o se trata de estatizar o setor inteiro \u2014 isso \u00e9 um sonho \u2014 mas pelo menos ter <em>uma<\/em> empresa estatal forte para poder conduzir e <em>civilizar<\/em> um pouco a l\u00f3gica de lucros do setor e a forma como os trabalhadores s\u00e3o tratados. O Estado, se tivesse instrumentos de pol\u00edtica p\u00fablica e presen\u00e7a forte no setor de engenharia, poderia atuar para tocar e, inclusive, melhorar a qualidade das obras p\u00fablicas, como as do Minha Casa Minha Vida e as de infraestrutura.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Radiografia da engenharia nacional no p\u00f3s-Lava Jato\u00a0 appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/caminhada-do-silencio-marca-memoria-de-vitimas-da-ditadura-e-da-violencia-de-estado-do-presente\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Caminhada do Sil\u00eancio marca mem\u00f3ria de v\u00edtimas da ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/arte-cuidado-e-resistencia-casa-mel-realiza-programacao-especial-no-mes-das-mulheres\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Arte, cuidado e resist\u00eancia: Casa MEL realiza prog...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/politica\/2026\/09\/moraes-se-declara-impedido-em-acao-sobre-ida-de-sua-esposa-ao-senado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Moraes se declara impedido em a\u00e7\u00e3o sobre ida de su...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ifood-anuncia-aumento-entregadores-acham-valor-patetico-e-exigem-negociacao-ate-1o-de-maio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">iFood anuncia aumento, entregadores acham valor \u2018p...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os efeitos da \u201ccruzada anticorrup\u00e7\u00e3o\u201d, 12 anos depois. Como impactou a constru\u00e7\u00e3o civil. A atua\u00e7\u00e3o, hoje, de gigantes como a Odebrecht. O avan\u00e7o do capital estrangeiro sobre infraestruturas urbanas. E por que o pa\u00eds precisa de uma estatal para civilizar o setor<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/radiografia-da-engenharia-nacional-no-pos-lava-jato\/\">Radiografia da engenharia nacional no p\u00f3s-Lava Jato\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79276,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[3850,4926,7219,4777,255,28088,20572,30105],"tags":[],"class_list":["post-79275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-br-distribuidora","category-construcao-civil","category-engenharia-brasileira","category-infraestrutura-urbana","category-lava-jato","category-obras-publicas","category-odebrecht","category-outras-cidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79275"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79275\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79276"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}