{"id":79841,"date":"2026-03-26T00:00:20","date_gmt":"2026-03-26T03:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-gramatica-para-impedir-e-diversidade-alimentar\/"},"modified":"2026-03-26T00:00:20","modified_gmt":"2026-03-26T03:00:20","slug":"a-gramatica-para-impedir-e-diversidade-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-gramatica-para-impedir-e-diversidade-alimentar\/","title":{"rendered":"A gram\u00e1tica para impedir e diversidade alimentar"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"736\" height=\"556\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5049073771641244560_x.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/photo_5049073771641244560_x.jpg 736w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/24162926\/photo_5049073771641244560_x-300x227.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em plena madrugada de uma ter\u00e7a-feira recente, enquanto a maior parte da popula\u00e7\u00e3o dormia, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 10556\/18. O projeto, de autoria da ex-deputada e atual senadora Tereza Cristina (PP-MS), conhecida como \u201cmusa do veneno\u201d desde os tempos em que integrava o governo Bolsonaro, pretende proibir que produtos de origem vegetal utilizem denomina\u00e7\u00f5es associadas a carnes ou latic\u00ednios. Segundo a proposta, express\u00f5es como \u201cleite de soja\u201d, \u201cleite de aveia\u201d, \u201chamb\u00farguer vegetal\u201d ou \u201clingui\u00e7a vegana\u201d poderiam induzir consumidores ao erro. O texto aprovado afirma que tais produtos dever\u00e3o apresentar informa\u00e7\u00e3o clara e ostensiva sobre sua natureza vegetal e n\u00e3o poder\u00e3o utilizar termos que remetam a carnes ou produtos l\u00e1cteos.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, pode parecer uma quest\u00e3o menor. H\u00e1 quem trate o tema como mera disputa sem\u00e2ntica. H\u00e1 quem veja nele apenas uma tentativa de proteger o consumidor contra informa\u00e7\u00e3o enganosa. H\u00e1 tamb\u00e9m quem reaja com ironia, dizendo que veganos deveriam simplesmente parar de \u201cimitar carne\u201d. Afinal, n\u00e3o faltam coment\u00e1rios desse tipo nas redes sociais: \u201cse \u00e9 vegano, por que quer imitar carne, leite e ovos?\u201d ou \u201cse n\u00e3o \u00e9 leite, ent\u00e3o n\u00e3o chame de leite\u201d.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas o nome de um produto. O que est\u00e1 em disputa \u00e9 algo muito mais profundo: a gram\u00e1tica, ou conjunto de regras, que organiza o que entendemos por comida, por tradi\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria e por rela\u00e7\u00e3o com os animais. A disputa n\u00e3o \u00e9 sem\u00e2ntica. A disputa \u00e9 gramatical. Ela incide sobre as regras que articulam e fixam o significado dos conceitos mais b\u00e1sicos de nossos jogos de linguagem cotidianos.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--29.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Prancheta--29.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A primeira coisa a observar \u00e9 que ningu\u00e9m compra leite vegetal por engano. Essa hip\u00f3tese, repetida \u00e0 exaust\u00e3o pelos defensores do projeto, n\u00e3o resiste a um minuto de observa\u00e7\u00e3o do cotidiano. Produtos vegetais s\u00e3o quase sempre mais caros que os produtos de origem animal. O leite vegetal custa muitas vezes duas ou tr\u00eas vezes mais que o leite comum. A ideia de que uma pessoa da classe trabalhadora brasileira, que ganha at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, vai ao mercado, pega por engano uma caixa de bebida vegetal e descobre apenas em casa que aquilo n\u00e3o \u00e9 leite de vaca \u00e9 simplesmente absurda.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo enganoso nas prateleiras dos supermercados brasileiros n\u00e3o \u00e9 o leite vegetal. \u00c9 a vaca feliz estampada na caixa de leite. \u00c9 a imagem pastoral de uma pecu\u00e1ria supostamente harm\u00f4nica que esconde um sistema industrial de explora\u00e7\u00e3o animal. Enganoso \u00e9 chamar de alimento cotidiano o produto da secre\u00e7\u00e3o mam\u00e1ria das f\u00eameas mam\u00edferas exploradas em larga escala. Enganoso \u00e9 vender frango ultraprocessado como se fosse comida caseira. Enganoso \u00e9 chamar de natural uma ind\u00fastria respons\u00e1vel por devasta\u00e7\u00e3o ambiental, sofrimento animal em escala massiva e impactos clim\u00e1ticos gigantescos.<\/p>\n<p>Mas o ponto central n\u00e3o \u00e9 esse. O problema fundamental n\u00e3o \u00e9 a veracidade da informa\u00e7\u00e3o. Ou quantidade de dados e gr\u00e1ficos. O problema \u00e9 a gram\u00e1tica.<\/p>\n<p>A palavra \u201cleite\u201d nunca foi usada apenas para designar o produto da vaca. H\u00e1 d\u00e9cadas usamos express\u00f5es como leite de coco, leite de am\u00eandoas, leite de castanha, leite de arroz. Nenhuma dessas express\u00f5es confundiu gera\u00e7\u00f5es inteiras de consumidores. Ningu\u00e9m acha que leite de coco vem de um coco mam\u00edfero. Ningu\u00e9m pensa que leite de am\u00eandoas \u00e9 produzido por amendoeiras lactantes.<\/p>\n<p>A linguagem culin\u00e1ria sempre funcionou por analogias. A pr\u00f3pria culin\u00e1ria brasileira est\u00e1 cheia delas. Carne de panela n\u00e3o \u00e9 feita de panela. Casquinha de siri n\u00e3o \u00e9 o exoesqueleto do animal. Fraldinha n\u00e3o \u00e9 fralda. P\u00e9 de moleque n\u00e3o \u00e9 p\u00e9 de ningu\u00e9m. Olho de sogra n\u00e3o envolve parentes. Brigadeiro n\u00e3o \u00e9 mais um cargo militar. Cachorro-quente n\u00e3o \u00e9 feito de carne de cachorro. P\u00e3o de queijo n\u00e3o \u00e9 p\u00e3o e muitas vezes nem tem queijo. Coxinha n\u00e3o \u00e9 frango inteiro.<\/p>\n<p>A linguagem culin\u00e1ria \u00e9 profundamente metaf\u00f3rica, hist\u00f3rica e afetiva. Ela n\u00e3o \u00e9 um sistema t\u00e9cnico de classifica\u00e7\u00e3o zool\u00f3gica. Ela \u00e9 mem\u00f3ria, tradi\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a tentativa de proibir termos como \u201cleite vegetal\u201d n\u00e3o pode ser entendida apenas como uma quest\u00e3o legal. Trata-se de uma interven\u00e7\u00e3o na gram\u00e1tica da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>O objetivo n\u00e3o \u00e9 proteger o consumidor. O objetivo \u00e9 limitar a expans\u00e3o de alternativas vegetais e tornar o veganismo menos familiar.<\/p>\n<p>Isso ocorre num contexto em que a ind\u00fastria de alternativas vegetais cresce no Brasil e no mundo. Marcas como Vida Veg, Goshen, Naveia, Not Milk, Fazenda do Futuro, Incr\u00edvel e tantas outras v\u00eam ampliando a oferta de produtos vegetais que reproduzem sabores e texturas de alimentos tradicionalmente associados a animais.<\/p>\n<p>Essas empresas n\u00e3o surgiram porque veganos querem \u201cimitar carne\u201d. Elas surgiram porque a maior parte das pessoas que se torna vegana nasceu comendo carne, leite e ovos. A culin\u00e1ria \u00e9 mem\u00f3ria afetiva. \u00c9 hist\u00f3ria. \u00c9 cultura.<\/p>\n<p>Quem cresce comendo feijoada, churrasco, brigadeiro, acaraj\u00e9 e pizza n\u00e3o abandona essas refer\u00eancias ao mudar de posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos animais. O que muda n\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com a comida, mas a rela\u00e7\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>A pergunta que muitos veganos se fazem n\u00e3o \u00e9 \u201ccomo reinventar toda a culin\u00e1ria humana\u201d, mas algo muito mais simples. Como continuar comendo o que amamos sem explorar animais.<\/p>\n<p>A resposta para isso passa inevitavelmente por aproxima\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias. Feijoada vegana. Brigadeiro vegano. Churrasco vegetal. Pizza vegana. Acaraj\u00e9 vegano. Bolo vegano.<\/p>\n<p>Essas aproxima\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o fraude lingu\u00edstica. S\u00e3o estrat\u00e9gias culturais de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se aceitarmos a l\u00f3gica do projeto de lei, o resultado ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de apartheid culin\u00e1rio. Veganos n\u00e3o poder\u00e3o falar em feijoada, churrasco, hamb\u00farguer ou leite. Tudo precisar\u00e1 ser reinventado linguisticamente. O que j\u00e1 \u00e9 minorit\u00e1rio se tornar\u00e1 ainda mais distante do cotidiano.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber quem ganha com isso. O agroneg\u00f3cio brasileiro, a ind\u00fastria da carne e dos latic\u00ednios e os setores pol\u00edticos ligados a essas cadeias produtivas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica alimentar nunca foi neutra. O Brasil \u00e9 um dos maiores produtores de carne do planeta. A pecu\u00e1ria ocupa vastas extens\u00f5es de terra, impulsiona desmatamento e est\u00e1 profundamente ligada \u00e0 estrutura hist\u00f3rica do agroneg\u00f3cio nacional.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o de termos como \u201cleite vegetal\u201d n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o sem\u00e2ntica. \u00c9 uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o de mercado.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um aspecto simb\u00f3lico mais profundo. A tentativa de controlar os nomes dos alimentos \u00e9 uma tentativa de influir e controlar a gram\u00e1tica da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A gram\u00e1tica dominante da sociedade brasileira \u00e9 profundamente carnista. A soci\u00f3loga Melanie Joy usa o termo carnismo para descrever o sistema de cren\u00e7as que define certos animais como comida e outros como companheiros.<\/p>\n<p>Dentro dessa gram\u00e1tica algumas cren\u00e7as funcionam como certezas silenciosas, t\u00e1citas, fulcrais, como por exemplo: Refei\u00e7\u00e3o envolve carne. Leite \u00e9 essencial para a sa\u00fade. Bolo leva ovos. Churrasco \u00e9 sin\u00f4nimo de confraterniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas proposi\u00e7\u00f5es raramente s\u00e3o discutidas explicitamente. Elas funcionam como eixos normativos que organizam as regras do significado no\u00a0cotidiano.<\/p>\n<p>O veganismo desafia essa gram\u00e1tica. Ele introduz outros eixos. Leite \u00e9 alimento de bezerro. Ovo \u00e9 embri\u00e3o de galinha. Carne \u00e9 cad\u00e1ver. Animais s\u00e3o sujeitos sencientes.<\/p>\n<p>Essas afirma\u00e7\u00f5es reorganizam normativamente o modo como certas palavras funcionam.<\/p>\n<p>Quando um vegano diz que carne \u00e9 cad\u00e1ver ele n\u00e3o est\u00e1 fazendo apenas uma provoca\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica. Ele est\u00e1 tentando deslocar a gram\u00e1tica dominante que naturaliza o consumo de animais.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a disputa sobre nomes importa.<\/p>\n<p>N\u00e3o porque os nomes sejam essenciais em si mesmos, mas porque eles fazem parte de um campo de disputa sobre o que se torna pens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Proibir o termo leite vegetal n\u00e3o vai fazer as pessoas deixarem de beber bebidas vegetais. Mas torna essas alternativas conceitualmente estranhas.<\/p>\n<p>A mensagem impl\u00edcita \u00e9 clara. Veganismo n\u00e3o \u00e9 normal. Veganismo \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Veganismo \u00e9 desvio.<\/p>\n<p>Isso refor\u00e7a um estigma que j\u00e1 existe.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos circula nas redes sociais um tipo espec\u00edfico de zombaria contra veganos. A caricatura do vegano chato, moralista ou elitista. A piada do \u201cisso \u00e9 coisa de vegano\u201d. O meme do sujeito que pergunta por que veganos querem imitar carne.<\/p>\n<p>Mas essa caricatura ignora algo fundamental.<\/p>\n<p>Culin\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 apenas nutri\u00e7\u00e3o. \u00c9 afeto. \u00c9 mem\u00f3ria. \u00c9 hist\u00f3ria. \u00c9 resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A pergunta correta n\u00e3o \u00e9 por que veganos querem comer hamb\u00farguer ou feijoada. A pergunta correta \u00e9 por que algu\u00e9m deveria abrir m\u00e3o dessas refer\u00eancias culturais ao decidir n\u00e3o explorar animais.<\/p>\n<p>Pizza, hamb\u00farguer e coxinha s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias brilhantes. Espetinho, p\u00e3o de alho e caldinho de feij\u00e3o fazem parte da vida social brasileira. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o \u00e9tica para que essas ideias alimentares dependam da morte de animais.<\/p>\n<p>O veganismo n\u00e3o prop\u00f5e abolir a culin\u00e1ria. Prop\u00f5e abolir a explora\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>E aqui entra outro ponto frequentemente ignorado. O veganismo que aparece nas redes sociais muitas vezes \u00e9 associado a um estilo de vida de classe m\u00e9dia alta. Produtos caros, restaurantes sofisticados, est\u00e9tica gourmet.<\/p>\n<p>Mas existe tamb\u00e9m um veganismo popular, perif\u00e9rico e interseccional.<\/p>\n<p>Um veganismo que dialoga com quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, de justi\u00e7a ambiental e de acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A carne consumida pela classe trabalhadora brasileira raramente \u00e9 picanha. \u00c9 salsicha, nuggets, hamb\u00farguer ultraprocessado. Produtos que a pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade classifica como carcinog\u00eanicos.<\/p>\n<p>O leite consumido pela popula\u00e7\u00e3o mais pobre raramente \u00e9 o leite idealizado nas propagandas. Muitas vezes \u00e9 um produto de baixa qualidade nutricional ou ultraprocessado.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas que mais sofrem com os efeitos clim\u00e1ticos da pecu\u00e1ria e do desmatamento.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o de alternativas vegetais acess\u00edveis poderia contribuir para melhorar a alimenta\u00e7\u00e3o e reduzir impactos ambientais.<\/p>\n<p>Mas a pol\u00edtica brasileira frequentemente caminha na dire\u00e7\u00e3o oposta.<\/p>\n<p>A tentativa de restringir nomes como leite vegetal \u00e9 um exemplo disso.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o protege consumidores. Protege mercados. Ou melhor, protege a gram\u00e1tica do capital.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o esclarece a popula\u00e7\u00e3o. Refor\u00e7a uma gram\u00e1tica que invisibiliza alternativas.<\/p>\n<p>Talvez por isso a frase mais honesta sobre essa disputa seja a que circula entre ativistas veganos como uma esp\u00e9cie de ironia amarga.<\/p>\n<p>Tomara que algu\u00e9m compre por engano um produto vegano.<\/p>\n<p>Tomara que algu\u00e9m descubra que \u00e9 poss\u00edvel comer bem sem explorar animais.<\/p>\n<p>Tomara que algu\u00e9m perceba que feijoada n\u00e3o precisa de cad\u00e1ver.<\/p>\n<p>Tomara que algu\u00e9m descubra que leite n\u00e3o precisa vir de uma vaca explorada.<\/p>\n<p>Porque no fundo \u00e9 isso que essa disputa revela.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos discutindo palavras.<\/p>\n<p>Estamos discutindo as regras do futuro da nossa rela\u00e7\u00e3o com os animais, com o planeta e com a comida.<\/p>\n<p>E nesse debate o que menos importa \u00e9 o nome. O que importa \u00e9 a gram\u00e1tica.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A &lt;i&gt;gram\u00e1tica&lt;\/i&gt; para impedir e diversidade alimentar appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/vladimir-sacchetta-presente-hoje-e-sempre\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vladimir Sacchetta, presente, hoje e sempre<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/stj-afasta-possibilidade-de-injuria-racial-contra-brancos-e-rejeita-racismo-reverso\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">STJ afasta possibilidade de inj\u00faria racial contra ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/crise-climatica-pode-cortar-cerca-de-34-da-economia-global-ate-2100\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Foto-Carl-de-Souza-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Crise clim\u00e1tica pode cortar cerca de 34% da econom...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/coletivo-marmitas-da-terra-maos-solidarias-e-comunidade-29-de-janeiro-lancam-livro-sobre-moradia-digna\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01-PR.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Coletivo Marmitas da Terra\/M\u00e3os Solid\u00e1rias e Comun...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ruralistas acreditam que associar produtos de origem vegetal a carnes e latic\u00ednios \u2013 como \u201cleite de soja\u201d \u2013 induzem o consumidor ao erro. Ent\u00e3o deveriam proibir tamb\u00e9m termos como \u201ccarne de panela\u201d e \u201colho de sogra\u201d. An\u00e1lise de um projeto de lei bizarro<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/a-gramatica-para-impedir-e-diversidade-alimentar\/\">A &lt;i&gt;gram\u00e1tica&lt;\/i&gt; para impedir e diversidade alimentar<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79842,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[248,40572,40573,6007,40574,40575,40576,40577,40578,40579,40580,40581,40582],"tags":[],"class_list":["post-79841","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bancada-ruralista","category-carne-de-panela","category-casquinha-de-siri","category-crise-brasileira","category-hamburger-vegetariano","category-leite-de-soja","category-linguica-vegana","category-pe-de-moleque","category-pecuaristas","category-projeto-de-lei-10556-18","category-tereza-cristina","category-veganismo","category-vegetarianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79841"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79841\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79842"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}