{"id":79942,"date":"2026-03-26T13:48:04","date_gmt":"2026-03-26T16:48:04","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entre-barragens-e-novas-minas-quilombos-do-para-vivem-sob-pressao-da-bauxita\/"},"modified":"2026-03-26T13:48:04","modified_gmt":"2026-03-26T16:48:04","slug":"entre-barragens-e-novas-minas-quilombos-do-para-vivem-sob-pressao-da-bauxita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entre-barragens-e-novas-minas-quilombos-do-para-vivem-sob-pressao-da-bauxita\/","title":{"rendered":"Entre barragens e novas minas, quilombos do Par\u00e1 vivem sob press\u00e3o da bauxita"},"content":{"rendered":"<p><strong>DE ORIXIMIN\u00c1 E S\u00c3O PAULO \u2014<\/strong> Maior produtora nacional de bauxita, a Minera\u00e7\u00e3o Rio do Norte (MRN) \u00e9 a empresa com mais requerimentos de minerais cr\u00edticos que afetam territ\u00f3rios quilombolas na Amaz\u00f4nia. A bauxita \u00e9 a mat\u00e9ria-prima do alum\u00ednio, metal estrat\u00e9gico para as ind\u00fastrias b\u00e9lica e de tecnologia.<\/p>\n<p>A companhia det\u00e9m ao menos 37 processos miner\u00e1rios sobrepostos ou a 10 km de tr\u00eas terras quilombolas: Alto Trombetas I, Alto Trombetas II e Boa Vista, em Oriximin\u00e1, no oeste do Par\u00e1. Do total, 36 requerimentos j\u00e1 t\u00eam a lavra concedida.<\/p>\n<p>Os achados fazem parte do <strong>Observat\u00f3rio da Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica<\/strong>, plataforma de dados que integra diferentes bases p\u00fablicas para mostrar os impactos socioambientais dos projetos ligados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>A ferramenta foi desenvolvida por jornalistas da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> e pesquisadores do Inesc (Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos) e do PoEMAS (Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o Pol\u00edtica, Economia, Minera\u00e7\u00e3o, Ambiente e Sociedade, de diferentes universidades). A iniciativa tem colabora\u00e7\u00e3o da Rainforest Investigations Network (Pulitzer Center) e apoio da Funda\u00e7\u00e3o Ford.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia Legal, a plataforma identificou 7.233 requerimentos de minerais cr\u00edticos \u2014 como bauxita, l\u00edtio, cobre, n\u00edquel, estanho, mangan\u00eas e terras raras \u2014 registrados na base da ANM (Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o) desde 1953. Do total de processos, 128 avan\u00e7am sobre territ\u00f3rios quilombolas, dos quais 37 pertencem \u00e0 Minera\u00e7\u00e3o Rio do Norte.<\/p>\n<p>Os chamados minerais cr\u00edticos \u2014 ou minerais para eletrifica\u00e7\u00e3o \u2014 s\u00e3o essenciais para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a ind\u00fastria de defesa. Esses elementos s\u00e3o aplicados em baterias, turbinas e\u00f3licas, pain\u00e9is solares, ligas met\u00e1licas, carros el\u00e9tricos e equipamentos militares.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-requerimentos-25-barragens.jpg\" alt=\"Mapa: Rodrigo Bento\/ Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-requerimentos-25-barragens-819x1024.jpg 819w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-requerimentos-25-barragens-240x300.jpg 240w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-requerimentos-25-barragens-768x960.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-requerimentos-25-barragens-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-requerimentos-25-barragens.jpg 1400w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\"><figcaption>Mapa: Rodrigo Bento\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es da MRN s\u00e3o uma das mais antigas do setor mineral na Amaz\u00f4nia. A explora\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio na d\u00e9cada de 1970, quando in\u00fameras comunidades quilombolas e ribeirinhas j\u00e1 viviam no local, com direitos n\u00e3o reconhecidos na \u00e9poca.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAntigamente a gente enchia o pote e bebia \u00e1gua do rio Trombetas sem medo. Hoje ningu\u00e9m mais bebe essa \u00e1gua\u201d, diz uma moradora do Quilombo de Boa Vista, que pede para n\u00e3o ser identificada por medo de retalia\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m de questionarem a qualidade da \u00e1gua, os quilombolas ouvidos pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> relatam a redu\u00e7\u00e3o da oferta de peixes nos rios, os impactos da minera\u00e7\u00e3o sobre a floresta \u2014 parcialmente ocupada pela mineradora\u00a0 \u2014 e a falta de servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de bauxita \u00e9 feita dentro ou no entorno das terras quilombolas e afeta diretamente os territ\u00f3rios, com danos socioambientais conhecidos. O caso mais emblem\u00e1tico \u00e9 o do Lago Batata.\u00a0<\/p>\n<p>Entre 1979 e 1989, a MRN despejou 24 milh\u00f5es de toneladas de rejeitos de bauxita diretamente no lago. Esse volume \u00e9 quase duas vezes maior do que a lama despejada no rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019, que deixou mais de 270 mortos.\u00a0<\/p>\n<p>Em Oriximin\u00e1, o resultado foi a forma\u00e7\u00e3o de uma camada compacta de rejeito no fundo, que chegou a ultrapassar seis metros de espessura em alguns pontos do lago, segundo estudo da antrop\u00f3loga L\u00facia Andrade, da Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo. Esse \u00e9 considerado o maior desastre industrial da Amaz\u00f4nia. A empresa desde ent\u00e3o tenta recuperar o manancial, mas os efeitos persistem at\u00e9 hoje, quatro d\u00e9cadas depois.\u00a0<\/p>\n<p>Em 2020, um diretor da MRN comentou o assunto em entrevista \u00e0 Mongabay. Ele se defendeu dizendo que, antes de 1981, n\u00e3o havia legisla\u00e7\u00e3o sobre licenciamento ambiental de grandes obras no Brasil. \u201cHoje, uma conduta dessa natureza \u00e9 inadmiss\u00edvel sob qualquer aspecto. Mas no passado era permitido\u201d, declarou. Ele admitiu que o lago nunca voltar\u00e1 ao estado original. A MRN diz ter revitalizado 111 hectares de mata de igap\u00f3 em 35 anos (veja as medidas adotadas pela empresa no Lago Batata).<\/p>\n<p>\u201cOs moradores ali pescavam, nadavam e se alimentavam. Era a coisa mais linda, s\u00f3 vendo\u201d, conta \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> a moradora do Quilombo de Boa Vista. \u201dAgora ningu\u00e9m chega perto, tudo polu\u00eddo, virou um cemit\u00e9rio. Eu fico triste, pois na minha inf\u00e2ncia meu pai me levava para l\u00e1.\u201d<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2043.jpg\" alt=\"Aildo Viana dos Santos, vice-coordenador da Associa\u00e7\u00e3o do Quilombo de Boa Vista, e sua fam\u00edlia; ele trabalha como mec\u00e2nico na MRN h\u00e1 20 anos, onde tamb\u00e9m atua sua filha mais nova (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2043-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2043-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2043-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2043.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Aildo Viana dos Santos, vice-coordenador da Associa\u00e7\u00e3o do Quilombo de Boa Vista, e sua fam\u00edlia; ele trabalha como mec\u00e2nico na MRN h\u00e1 20 anos, onde tamb\u00e9m atua sua filha mais nova (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<h2>Maior complexo de barragens da Amaz\u00f4nia ocupa Floresta Nacional<\/h2>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o de bauxita \u00e9 uma atividade altamente dependente de \u00e1gua (usada no processo de lavagem do min\u00e9rio) e energia (aplicada para transformar a alumina refinada da bauxita em alum\u00ednio). Estima-se que 2% das emiss\u00f5es humanas globais de gases de efeito estufa estejam relacionadas ao processo de produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a cada tonelada de bauxita extra\u00edda, cerca de 30% se transformam em rejeito, segundo estudo do pesquisador Luiz Jardim Wanderley, professor de geografia da UFF (Universidade Federal Fluminense). Ele calcula que a MRN tenha retirado 450 milh\u00f5es de toneladas de bauxita at\u00e9 2019.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s deixar de descartar as milh\u00f5es de toneladas de rejeitos no Lago Batata, a MRN ergueu o maior complexo de barragens de minera\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. S\u00e3o ao todo 25 barragens ativas, segundo dados da ANM, situadas a menos de dois quil\u00f4metros do Territ\u00f3rio Quilombola Alto Trombetas II.\u00a0<\/p>\n<p>Essas estruturas est\u00e3o dentro da Flona (Floresta Nacional) Sarac\u00e1-Taquera, unidade de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel onde a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais \u00e9 permitida, desde que ocorra de forma sustent\u00e1vel. Com 429 mil hectares \u2014 \u00e1rea equivalente a 75% do Distrito Federal \u2014, a Flona tem um ter\u00e7o de seu territ\u00f3rio, ou 142 mil hectares, classificado como zona de minera\u00e7\u00e3o, segundo o plano de manejo. \u201cO objetivo geral de manejo \u00e9 propiciar a explora\u00e7\u00e3o de recursos minerais dentro de par\u00e2metros ambientais aceit\u00e1veis\u201d, afirma o documento, sem detalhar quais seriam esses par\u00e2metros.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragens-MRN-Carlos-Penteado-2048x1365.jpg\" alt=\"MRN opera 25 barragens situadas a menos de dois quil\u00f4metros das terras quilombolas, nas quais despejam milh\u00f5es de toneladas de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o de bauxita (Foto: Carlos Penteado\/Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragens-MRN-Carlos-Penteado-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragens-MRN-Carlos-Penteado-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragens-MRN-Carlos-Penteado-768x512.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragens-MRN-Carlos-Penteado-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragens-MRN-Carlos-Penteado-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>MRN opera 25 barragens situadas a menos de dois quil\u00f4metros das terras quilombolas, nas quais despejam milh\u00f5es de toneladas de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o de bauxita (Foto: Carlos Penteado\/Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>O complexo da MRN inclui ainda o Porto Trombetas, distrito de Oriximin\u00e1 instalado pela empresa \u00e0s margens do rio Trombetas para dar suporte \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao escoamento do alum\u00ednio. O local concentra porto fluvial, instala\u00e7\u00f5es industriais, ferrovia, aeroporto, hospital, escola e \u00e1reas residenciais destinadas majoritariamente a trabalhadores da mineradora e seus familiares.<\/p>\n<p>A infraestrutura contrasta com a realidade das comunidades quilombolas vizinhas, que convivem com os impactos da minera\u00e7\u00e3o, sem acesso equivalente a servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos. Separados do porto apenas pelo Igarap\u00e9 \u00c1gua Fria, os quilombolas de Boa Vista vivem uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com a empresa, pois \u00e9 em Porto Trombetas que muitos buscam atendimento de sa\u00fade, emprego, escola e at\u00e9 \u00e1gua pot\u00e1vel. O territ\u00f3rio completou 30 anos em novembro de 2025, o primeiro a ser titulado no Brasil.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2010.jpg\" alt=\"O ensino do 1\u00ba ao 5\u00ba ano acontece de forma prec\u00e1ria na escola do Quilombo de Boa Vista, com estrutura limitada; a partir do 6\u00ba ano, estudantes quilombolas precisam se deslocar at\u00e9 a unidade gerida pela MRN em Porto Trombetas (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2010-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2010-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2010-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_2010.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>O ensino do 1\u00ba ao 5\u00ba ano acontece de forma prec\u00e1ria na escola do Quilombo de Boa Vista, com estrutura limitada; a partir do 6\u00ba ano, estudantes quilombolas precisam se deslocar at\u00e9 a unidade gerida pela MRN em Porto Trombetas (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA terra foi titulada, mas as pol\u00edticas p\u00fablicas nunca chegaram\u201d, afirma Marivaldo dos Santos, lideran\u00e7a da Associa\u00e7\u00e3o da Comunidade Remanescente de Quilombo da Boa Vista. \u201cBasta andar pelo territ\u00f3rio para ver que n\u00e3o tem escola, posto de sa\u00fade, \u00e1gua encanada e saneamento b\u00e1sico\u201d, descreve. \u201cN\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m fomento para a agricultura familiar. Quando um territ\u00f3rio \u00e9 titulado, \u00e9 preciso criar pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam renda e condi\u00e7\u00f5es de vida, mas isso nunca chegou.\u201d<\/p>\n<p>Questionado pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, a MRN afirma, em nota, que suas opera\u00e7\u00f5es geram milhares de empregos ao longo da cadeia do alum\u00ednio no pa\u00eds, milhares de reais em impostos e \u201cprojetos socioambientais essenciais ao desenvolvimento das comunidades em sua \u00e1rea de influ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A nota diz ainda que as comunidades quilombolas vivem em um \u201dcontexto marcado pela invisibilidade hist\u00f3rica e omiss\u00f5es recorrentes do Estado\u201d e que a empresa exerce \u201cpapel central e estruturante na preserva\u00e7\u00e3o de uma extensa \u00e1rea de floresta tropical na Amaz\u00f4nia Legal, ao mesmo tempo em que atua de forma decisiva na distribui\u00e7\u00e3o e no compartilhamento da riqueza gerada por suas opera\u00e7\u00f5es\u201d (leia a manifesta\u00e7\u00e3o completa da empresa).<\/p>\n<h2>Barragem a 400 metros de quilombo e o racismo ambiental<\/h2>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragem-agua-fria-mrn-boa-vista-carlos-penteado-2048x1365.jpg\" alt=\"Barragem de sedimentos da MRN constru\u00edda em 1978 est\u00e1 sobre o Igarap\u00e9 \u00c1gua Fria e a menos de 500 metros das primeiras casas do Quilombo de Boa Vista (Foto: Carlos Penteado\/Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragem-agua-fria-mrn-boa-vista-carlos-penteado-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragem-agua-fria-mrn-boa-vista-carlos-penteado-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragem-agua-fria-mrn-boa-vista-carlos-penteado-768x512.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragem-agua-fria-mrn-boa-vista-carlos-penteado-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/baragem-agua-fria-mrn-boa-vista-carlos-penteado-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Barragem de sedimentos da MRN constru\u00edda em 1978 est\u00e1 sobre o Igarap\u00e9 \u00c1gua Fria e a menos de 500 metros das primeiras casas do Quilombo de Boa Vista (Foto: Carlos Penteado\/Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre Porto Trombetas e o Quilombo de Boa Vista est\u00e3o ainda outras duas barragens da MRN, usadas para conten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e sedimentos. O risco de a barragem romper \u00e9 baixo, segundo a ANM. Caso isso ocorra, no entanto, os sedimentos atingiriam diretamente o Boa Vista.\u00a0<\/p>\n<p>O Igarap\u00e9 \u00c1gua Fria, principal fonte h\u00eddrica da comunidade, e algumas partes do quilombo seriam alcan\u00e7ados em menos de 30 minutos \u2014 o que significa que as pessoas afetadas precisariam se salvar por conta pr\u00f3pria. Na sequ\u00eancia, os sedimentos escoariam pelo rio Trombetas. A cidade-empresa n\u00e3o seria atingida, segundo os mapas de inunda\u00e7\u00e3o fornecidos pela MRN.<\/p>\n<p>Apesar de uma das barragens estar a apenas 400 metros do quilombo, a ANM considera como \u201cm\u00e9dio\u201d o dano que pode ser causado pelo eventual rompimento da estrutura. Segundo as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pela mineradora e analisadas pela ag\u00eancia reguladora, \u201cn\u00e3o existem pessoas ocupando permanentemente a \u00e1rea afetada\u201d abaixo da barragem.\u00a0<\/p>\n<p>A an\u00e1lise tamb\u00e9m considera \u201cinexistente\u201d o impacto socioecon\u00f4mico, por n\u00e3o existirem \u201cquaisquer instala\u00e7\u00f5es na \u00e1rea afetada\u201d. J\u00e1 o poss\u00edvel impacto ambiental \u00e9 considerado como \u201csignificativo\u201d, por afetar \u201c\u00e1rea de interesse ambiental relevante ou \u00e1reas protegidas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Embora boa parte dos potenciais danos serem considerados m\u00ednimos pela ag\u00eancia governamental, quilombolas e ribeirinhos relatam inseguran\u00e7a permanente por conta das barragens, aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o clara sobre os riscos e falta de planos de emerg\u00eancia constru\u00eddos de forma participativa.<\/p>\n<p>A MRN foi questionada a respeito sobre os treinamentos com a comunidade, mas n\u00e3o respondeu. Aildo Viana dos Santos, vice-coordenador da Associa\u00e7\u00e3o do Quilombo de Boa Vista, disse que alguns treinamentos foram realizados ap\u00f3s o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 2015.<\/p>\n<p>Moradores do Boa Vista afirmam ainda que a qualidade da \u00e1gua dos cursos d\u2019\u00e1gua na regi\u00e3o se deteriorou ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o mineral, com altera\u00e7\u00f5es que foram apontadas em an\u00e1lise do Ibama, durante a renova\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o da Barragem \u00c1gua Fria, em 2015..\u00a0<\/p>\n<p>Em parecer de setembro de 2016, o \u00f3rg\u00e3o ambiental afirmou que dados do monitoramento ambiental da MRN em 2014 e 2015 indicavam poss\u00edvel entrada de materiais gerados por a\u00e7\u00e3o humana no igarap\u00e9 \u00c1gua Fria. O \u00f3rg\u00e3o destacou picos de ferro e alum\u00ednio acima dos n\u00edveis permitidos, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es em indicadores da \u00e1gua, associados ao carregamento de sedimentos para os cursos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cA gente at\u00e9 toma a \u00e1gua porque n\u00e3o tem escolha, mas ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 como era antes. O peixe fugiu, a \u00e1gua mudou, o rio mudou. A gente perdeu uma coisa que era b\u00e1sica, que era confiar na pr\u00f3pria \u00e1gua\u201d, diz a mesma moradora do Quilombo de Boa Vista.<\/p>\n<p>Consultado, o Ibama disse \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> que a empresa tem o compromisso de monitorar a qualidade da \u00e1gua na regi\u00e3o periodicamente e que, \u201cem geral, os resultados n\u00e3o t\u00eam demonstrado efeitos significativos da minera\u00e7\u00e3o sobre a qualidade das \u00e1guas\u201d.<\/p>\n<p>As comunidades dizem n\u00e3o ter acesso aos resultados dos testes feitos pela empresa, os quais devem ser fornecidos pela mineradora, segundo o Ibama. Questionada a respeito, a MRN n\u00e3o respondeu a esse ponto.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-porto-trombetas-boa-vista.jpg\" alt=\"Mapa: Rodrigo Bento\/ Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-porto-trombetas-boa-vista-819x1024.jpg 819w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-porto-trombetas-boa-vista-240x300.jpg 240w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-porto-trombetas-boa-vista-768x960.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-porto-trombetas-boa-vista-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mapa-mrn-porto-trombetas-boa-vista.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\"><figcaption>Mapa: Rodrigo Bento\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para o pesquisador Luiz Jardim Wanderley, a explora\u00e7\u00e3o de bauxita no vale do rio Trombetas \u00e9 um exemplo de racismo ambiental. \u201c\u00c9 sobre as popula\u00e7\u00f5es negras rurais, quilombolas e ribeirinhas que recaem os sofrimentos causados pela minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, as perdas de territ\u00f3rio, a usurpa\u00e7\u00e3o de recursos e as amea\u00e7as das barragens de rejeito\u201d, escreve ele no estudo.<\/p>\n<p>L\u00facia Andrade, da Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo, questiona tamb\u00e9m o fato de as concess\u00f5es da MRN serem muito antigas, n\u00e3o terem passado por consulta \u00e0s comunidades na \u00e9poca nem serem revistas para considerar informa\u00e7\u00f5es atuais, como os impactos \u00e0s comunidades e os riscos gerados pela crise clim\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cUma floresta intacta est\u00e1 sendo derrubada. Por mais que se tenha esfor\u00e7o de reflorestamento, n\u00e3o fica como era\u201d, diz a antrop\u00f3loga, a respeito das \u00e1reas de floresta cedidas \u00e0 empresa para instala\u00e7\u00e3o de cavas, estruturas de apoio e barragens de rejeitos.<\/p>\n<h2>Projeto de novas minas deixou de ouvir comunidade a 11 km da minera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Com o esgotamento das cavas abertas desde os anos 1970, a Minera\u00e7\u00e3o Rio do Norte prepara a expans\u00e3o de suas opera\u00e7\u00f5es em meio ao aumento da demanda global por alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Leve, resistente e flex\u00edvel, o metal \u00e9 amplamente usado em pain\u00e9is solares, turbinas e\u00f3licas, ve\u00edculos el\u00e9tricos e redes de transmiss\u00e3o. A Ag\u00eancia Internacional de Energia o classifica como \u201cinsumo importante para diversas tecnologias\u201d de baixo carbono, e projeta crescimento significativo da demanda nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que a MRN tenta viabilizar o chamado Projeto Novas Minas, que prev\u00ea estender a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 2042, j\u00e1 que as reservas atualmente em explora\u00e7\u00e3o devem se esgotar at\u00e9 2027.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1929.jpg\" alt=\"O complexo industrial de minera\u00e7\u00e3o de bauxita marca a porta de entrada do Quilombo de Boa Vista. (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1929-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1929-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1929-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1929.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>O complexo industrial de minera\u00e7\u00e3o de bauxita marca a porta de entrada do Quilombo de Boa Vista. (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora obrigat\u00f3ria, a consulta \u00e0s comunidades quilombolas afetadas s\u00f3 aconteceu nesta nova etapa do projeto. A licen\u00e7a pr\u00e9via das novas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o foi emitida pelo Ibama em setembro de 2024, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do Estudo de Impacto Ambiental pela empresa e a aprova\u00e7\u00e3o do Estudo do Componente Quilombola pelas comunidades de Boa Vista e Alto Trombetas II. O TQ Alto Trombetas I ficou de fora da consulta por estar situado a 11 km das novas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, como mostrou reportagem da Suma\u00fama.<\/p>\n<p>O projeto agora busca a Licen\u00e7a de Instala\u00e7\u00e3o junto ao \u00f3rg\u00e3o ambiental, etapa em que devem ser detalhadas as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de impactos. Entre elas est\u00e1 o PBAQ (Plano B\u00e1sico Ambiental Quilombola), que re\u00fane a\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias.<\/p>\n<p>No Quilombo de Boa Vista, o plano foi aceito como forma de garantir acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, segundo Orlando Caetano Filho, respons\u00e1vel jur\u00eddico da associa\u00e7\u00e3o local. Entre as medidas previstas est\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de uma casa de bem-estar \u2014 que n\u00e3o vai atender a todos os servi\u00e7os b\u00e1sicos \u2014 e a cria\u00e7\u00e3o de um fundo para tratamentos de sa\u00fade. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o continua o v\u00ednculo com a escola de Porto Trombetas\u201d, disse.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1800.jpg\" alt=\"Quilombolas de Oriximin\u00e1, impactados pela minera\u00e7\u00e3o de bauxita, lutam para manter viva sua cultura diante de um empreendimento que, h\u00e1 mais de 40 anos, afeta seus modos de vida (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1800-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1800-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1800-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1800.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Quilombolas de Oriximin\u00e1, impactados pela minera\u00e7\u00e3o de bauxita, lutam para manter viva sua cultura diante de um empreendimento que, h\u00e1 mais de 40 anos, afeta seus modos de vida (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em fevereiro, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal questionou a atua\u00e7\u00e3o do Incra no processo. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o plano ambiental relacionado ao Alto Trombetas II teria sido alterado e aprovado pelo Incra sem nova delibera\u00e7\u00e3o da comunidade. A Procuradoria pediu a revis\u00e3o de uma nota t\u00e9cnica que validou o documento.<\/p>\n<p>Procurado, o Incra afirmou que \u201cn\u00e3o procede a informa\u00e7\u00e3o\u201d de que n\u00e3o tenha ouvido as comunidades quilombolas. O \u00f3rg\u00e3o disse que a nota t\u00e9cnica citada se referia a uma an\u00e1lise preliminar e acrescentou que j\u00e1 prestou esclarecimentos ao MPF.<\/p>\n<p>Segundo o instituto, o Plano B\u00e1sico Ambiental Quilombola foi aprovado pela comunidade de Boa Vista em 28 de fevereiro e aprovado com ressalvas por Alto Trombetas II em 3 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a MRN diz que o Projeto Novas Minas cumpre todas as exig\u00eancias do licenciamento ambiental, incluindo a consulta \u00e0s comunidades quilombolas afetadas. Segundo a empresa, as comunidades \u201csubsidiaram a elabora\u00e7\u00e3o dos estudos que identificaram os impactos socioambientais sobre seus territ\u00f3rios, definiram as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cestabeleceram suas pr\u00f3prias prioridades\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segundo a MRN, as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o \u201cter\u00e3o car\u00e1ter vinculante quando incorporadas \u00e0s licen\u00e7as ambientais como condicionantes essenciais \u00e0 sua validade\u201d. Leia a manifesta\u00e7\u00e3o na \u00edntegra.<\/p>\n<p>Para as lideran\u00e7as locais, a amplia\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o altera uma rela\u00e7\u00e3o marcada pela depend\u00eancia e pela falta de autonomia das popula\u00e7\u00f5es impactadas. \u201cHoje a mineradora controla tudo aqui, a \u00e1gua que a gente bebe, a escola onde nossos filhos estudam e ainda \u00e9 a principal fonte de renda da comunidade. Se eles disserem \u2018acabou a \u00e1gua\u2019, acabou. A \u00e1gua vem direto da f\u00e1brica. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 l\u00e1 dentro. O trabalho \u00e9 vender a hora para eles. Se a mineradora for embora amanh\u00e3, a comunidade fica abandonada, porque o Estado nunca esteve presente\u201d, lamenta Aildo Viana dos Santos, o vice-coordenador da associa\u00e7\u00e3o quilombola.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cHoje o povo n\u00e3o sabe mais plantar, n\u00e3o sabe ca\u00e7ar, n\u00e3o sabe pescar. A minera\u00e7\u00e3o chegou com tudo e quebrou o nosso modo de vida. Se ela for embora, muita gente vai para a cidade viver na precariza\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 desenvolvimento\u201d, resume outra lideran\u00e7a do Quilombo de Boa Vista, que prefere n\u00e3o se identificar.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1873.jpg\" alt=\"\u201c30 anos de titula\u00e7\u00e3o, 30 anos de abandono do Brasil. Brasil para quem?\u201d \u00e9 assim que Marivaldo dos Santos, lideran\u00e7a do Quilombo de Boa Vista, compreende o atual cen\u00e1rio do seu territ\u00f3rio (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1873-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1873-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1873-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMG_1873.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>\u201c30 anos de titula\u00e7\u00e3o, 30 anos de abandono do Brasil. Brasil para quem?\u201d \u00e9 assim que Marivaldo dos Santos, lideran\u00e7a do Quilombo de Boa Vista, compreende o atual cen\u00e1rio do seu territ\u00f3rio (Foto: Tain\u00e1 Rionegro\/Rep\u00f3rter Brasil)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Esta reportagem foi produzida no \u00e2mbito do projeto \u201cJusti\u00e7a na Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica\u201d, uma iniciativa do Inesc (Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos), em parceria com o PoEMAS (Grupo Pol\u00edtica, Economia, Minera\u00e7\u00e3o, Ambiente e Sociedade).<\/em><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"834\" height=\"676\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/inesc-site.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/inesc-site.png 834w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/inesc-site-300x243.png 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/inesc-site-768x623.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 834px) 100vw, 834px\"><\/figure>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post Entre barragens e novas minas, quilombos do Par\u00e1 vivem sob press\u00e3o da bauxita appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/greve-geral-paralisa-a-argentina-contra-a-reforma-trabalhista-de-milei\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/HBif-ibXcAAyac1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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corrida pelos minerais essenciais para as ind\u00fastrias de tecnologia e b\u00e9lica avan\u00e7a sobre territ\u00f3rios protegidos<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/03\/quilombos-trombetas-pressao-bauxita-mineracao-rio-norte\/\">Entre barragens e novas minas, quilombos do Par\u00e1 vivem sob press\u00e3o da bauxita<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79943,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,5879,10615,26378,5799,553],"tags":[],"class_list":["post-79942","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-conteudo-original-em-portugues","category-minerais-criticos","category-observatorio-das-renovaveis","category-reportagens","category-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79942"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79942\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}