{"id":8007,"date":"2024-12-10T16:33:50","date_gmt":"2024-12-10T19:33:50","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/persistem-duvidas-sobre-impacto-do-acordo-mercosul-uniao-europeia-sobre-a-industria\/"},"modified":"2024-12-10T16:33:50","modified_gmt":"2024-12-10T19:33:50","slug":"persistem-duvidas-sobre-impacto-do-acordo-mercosul-uniao-europeia-sobre-a-industria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/persistem-duvidas-sobre-impacto-do-acordo-mercosul-uniao-europeia-sobre-a-industria\/","title":{"rendered":"Persistem d\u00favidas sobre impacto do acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia sobre a ind\u00fastria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"613\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-10-as-16.30.41.png\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-10-as-16.30.41-1024x613.png 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-10-as-16.30.41-300x180.png 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-10-as-16.30.41-768x460.png 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-10-as-16.30.41.png 1051w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>O acordo de livre-com\u00e9rcio entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, anunciado em Montevid\u00e9u durante a 65\u00aa C\u00fapula de Chefes de Estado do Mercosul, gerou entusiasmo e apreens\u00e3o entre especialistas e setores econ\u00f4micos. O pacto, negociado por mais de duas d\u00e9cadas, promete integrar economicamente dois blocos que juntos representam 17% do PIB global. No entanto, as opini\u00f5es sobre os seus efeitos divergem, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos impactos na ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<p>Enquanto setores agr\u00edcolas e exportadores celebram a possibilidade de ampliar mercados, preocupa\u00e7\u00f5es com a desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds s\u00e3o levantadas por economistas atentos aos desdobramentos de longo prazo.<\/p>\n<p>O valor agregado manufatureiro (VAM) da UE \u00e9 oito vezes maior que o do Mercosul, refletindo uma disparidade estrutural. Al\u00e9m disso, a elimina\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria para produtos industriais europeus pode prejudicar segmentos menos competitivos da ind\u00fastria brasileira, ampliando o \u201cgap competitivo\u201d entre os blocos. Mesmo com salvaguardas para proteger setores espec\u00edficos, h\u00e1 receios de que a liberaliza\u00e7\u00e3o acelerada prejudique a capacidade de investimento e inova\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<p><strong>Os alertas: riscos de desindustrializa\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Economistas como Wellington Duarte (UFRN) e Marcelo Fernandes (UFRRJ) manifestam em entrevista ao <strong>Portal Vermelho<\/strong> preocupa\u00e7\u00f5es quanto aos impactos negativos no setor industrial. Fernandes compara os termos do acordo, que ele analisou em 2020, a um retorno \u00e0 \u201cera das caravelas\u201d, com o Brasil potencialmente se especializando em exporta\u00e7\u00f5es de bens prim\u00e1rios enquanto importa manufaturas. <\/p>\n<p>Em 2018, por exemplo, 94,8% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras da UE eram de produtos manufaturados, enquanto 43,4% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Europa eram de produtos b\u00e1sicos. Uma assimetria que preocupa setores industriais, como os de m\u00e1quinas, produtos farmac\u00eauticos e qu\u00edmicos, que podem enfrentar quedas na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a Uni\u00e3o Europeia deve cortar 100% das tarifas sobre produtos industriais do Mercosul em at\u00e9 dez anos, as tarifas europeias j\u00e1 s\u00e3o reduzidas, minimizando os benef\u00edcios para os exportadores sul-americanos. Setores como automotivo, qu\u00edmico e farmac\u00eautico est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis, enfrentando a concorr\u00eancia direta de economias europeias altamente competitivas.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m aponta para o impacto desigual entre os pa\u00edses do bloco: \u201cO acordo prejudicaria menos o Paraguai, que j\u00e1 exporta mat\u00e9rias-primas, e o Uruguai, focado em servi\u00e7os financeiros. Brasil e Argentina sofreriam os maiores preju\u00edzos devido \u00e0 eros\u00e3o de sua base industrial.\u201d<\/p>\n<p>Duarte alerta que os ganhos n\u00e3o ser\u00e3o uniformes. \u201cSe algu\u00e9m ganha, algu\u00e9m perde ou, no cen\u00e1rio mais otimista, algu\u00e9m ganhar\u00e1 menos. O impacto ser\u00e1 maior em setores como farmac\u00eautico, m\u00e1quinas e equipamentos el\u00e9tricos.\u201d<\/p>\n<p>Ele enfatiza a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento para fortalecer a ind\u00fastria brasileira. \u201cO acordo \u00e9 positivo, mas n\u00e3o resolve o problema da desindustrializa\u00e7\u00e3o. Precisamos diversificar nossas exporta\u00e7\u00f5es industriais para al\u00e9m desse tratado.\u201d<\/p>\n<p>Duarte destaca que o sucesso do Brasil depende da condu\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do governo nos marcos do acordo, para mitigar potenciais perdas industriais e maximizar oportunidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 economistas, no entanto, que consideram que a importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas industriais mais modernas pode aumentar a produtividade em outros setores, ainda que algumas ind\u00fastrias enfrentem perdas no curto prazo.<\/p>\n<p><strong>A vis\u00e3o otimista: amplia\u00e7\u00e3o de mercados e competitividade<\/strong><\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) celebraram o acordo, destacando oportunidades de diversifica\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es e integra\u00e7\u00e3o \u00e0s cadeias globais de valor. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida amplia o acesso preferencial brasileiro ao mercado global de 8% para 37%, impulsionando a competitividade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O vice-presidente Geraldo Alckmin descreveu o acordo como \u201chist\u00f3rico e estrat\u00e9gico\u201d, ressaltando estudos que preveem crescimento de 6,7% nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Uni\u00e3o Europeia e de 26,6% na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Ainda assim, ele reconhece que o pacto requer concess\u00f5es e adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar do entusiasmo de setores como o agroneg\u00f3cio e da proje\u00e7\u00e3o de aumento de 0,46% ao ano no PIB, o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) alerta para poss\u00edveis preju\u00edzos a segmentos industriais, como metalurgia e t\u00eaxteis. Por outro lado, setores como a ind\u00fastria cal\u00e7adista e de carnes podem experimentar ganhos significativos.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as no acordo e o potencial de mitigar impactos<\/strong><\/p>\n<p>Muito da an\u00e1lise \u00e9 baseada em termos que sofreram mudan\u00e7as nas negocia\u00e7\u00f5es durante o governo Lula. O novo texto, na vis\u00e3o do governo brasileiro, \u00e9 mais flex\u00edvel e favor\u00e1vel para empresas brasileiras.<br \/>Os compromissos espec\u00edficos do Brasil levam em conta o interesse em preservar espa\u00e7o para pol\u00edtica p\u00fablica nas \u00e1reas de desenvolvimento industrial, sa\u00fade p\u00fablica, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, pequenas e m\u00e9dias empresas e pequenos produtores rurais\u201d.<\/p>\n<p>Entre os novos temas est\u00e3o os carros el\u00e9tricos, setor que preocupa os pa\u00edses do Mercosul por eventuais aumentos expressivos do fluxo de exporta\u00e7\u00f5es da UE para o bloco. No cap\u00edtulo sobre salvaguardas bilaterais, foi estabelecido que empresas dom\u00e9sticas, de ambos os blocos, estar\u00e3o protegidas de \u201csurtos de importa\u00e7\u00e3o decorrentes da liberaliza\u00e7\u00e3o comercial. O cap\u00edtulo passa a contar com um mecanismo espec\u00edfico para o setor automotivo, com vistas a preservar e promover investimentos\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi refor\u00e7ado o cap\u00edtulo sobre solu\u00e7\u00e3o de controv\u00e9rsias, que, segundo o texto divulgado, \u201cdefine mecanismos de resolu\u00e7\u00e3o de disputas, com consultas iniciais e possibilidade de arbitragem, assegurando o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es. O cap\u00edtulo passa a contar com se\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio do acordo, independentemente de viola\u00e7\u00e3o aos temos acordados\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto os setores produtivos aguardam os desdobramentos legislativos e jur\u00eddicos para a implementa\u00e7\u00e3o do acordo, a quest\u00e3o central permanece: como equilibrar os ganhos em exporta\u00e7\u00f5es com a preserva\u00e7\u00e3o e o fortalecimento da ind\u00fastria nacional? A resposta determinar\u00e1 os verdadeiros impactos do pacto na economia brasileira, que tem sofrido com a desindustrializa\u00e7\u00e3o desde a abertura desenfreada do mercado global nos anos 1990.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2024\/12\/10\/persistem-duvidas-sobre-impacto-do-acordo-mercosul-uniao-europeia-sobre-a-industria\/\">Persistem d\u00favidas sobre impacto do acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia sobre a ind\u00fastria<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/contarato-pede-urgencia-para-senado-votar-direito-para-empregado-publico-celetista\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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