{"id":80078,"date":"2026-03-26T17:02:32","date_gmt":"2026-03-26T20:02:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-um-decolonialismo-marxista\/"},"modified":"2026-03-26T17:02:32","modified_gmt":"2026-03-26T20:02:32","slug":"por-um-decolonialismo-marxista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-um-decolonialismo-marxista\/","title":{"rendered":"Por um decolonialismo marxista\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/arton55007.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/arton55007.jpg 1000w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/26170136\/arton55007-300x180.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/26170136\/arton55007-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><figcaption>Arte: site laizquierdadiario<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Temos presenciado nas \u00faltimas semanas um vivo debate na imprensa chamada alternativa em que as teorias conhecidas como decoloniais, p\u00f3s-coloniais e assemelhadas se apresentam como suposta oposi\u00e7\u00e3o radical ao marxismo. O objetivo deste texto \u00e9 apresentar, da forma mais simples e esquem\u00e1tica poss\u00edvel, como conv\u00e9m, uma vis\u00e3o do problema, n\u00e3o na perspectiva da filosofia, nem da cr\u00edtica \u00e0 modernidade em geral, mas da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica como a tenho trabalhado no campo da comunica\u00e7\u00e3o, da informa\u00e7\u00e3o e da cultura. \u00c9 a partir da\u00ed que passei, mais recentemente, a estudar parte do pensamento decolonial.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo reduzir ou mascarar as diverg\u00eancias, mas me parece necess\u00e1rio, para o debate cumprir um papel construtivo na luta emancipat\u00f3ria, procurar poss\u00edveis linhas de consenso, evitando a tend\u00eancia, muito presente hoje, \u00e0 desqualifica\u00e7\u00e3o dos advers\u00e1rios. Seguindo o teor do debate, come\u00e7o com um breve depoimento pessoal, a t\u00edtulo de contextualiza\u00e7\u00e3o para, em seguida, fazer algumas considera\u00e7\u00f5es com base na periodiza\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o feita por Safatle no texto da revista <em>Piau\u00ed <\/em>que inaugurou uma das duas linhas do debate. Em terceiro lugar, dedico-me \u00e0 segunda linha, inaugurada com um texto de Douglas Barros publicado no Blog da Boitempo, que coloca a quest\u00e3o na perspectiva do pensamento negro. Por fim, trato de indicar algumas quest\u00f5es no sentido indicado no t\u00edtulo deste artigo.<\/p>\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--44.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/14--44.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Meu primeiro contato com a literatura decolonial foi atrav\u00e9s de uma importante colet\u00e2nea lan\u00e7ada pela CLACSO, organizada por Edgardo Lander (2005). \u00c0 \u00e9poca, eu ainda me via \u00e0s voltas com o pensamento p\u00f3s-moderno, protegido no meu <em>bunker<\/em> marxista, ou marxiano, eu dizia por vezes, seguindo um preciosismo necess\u00e1rio \u00e0 \u00e9poca da resist\u00eancia contra o pensamento \u00fanico dos anos noventa do s\u00e9culo passado. Inclusive, muitos marxistas se encantaram com a ideia p\u00f3s-modernista, entre eles alguns autores respeitados que a adotaram com todo cuidado, como David Harvey ou Fredrik Jameson. O caso mais contundente foi certamente o de Antonio Negri que, a partir de uma leitura discut\u00edvel do famoso fragmento sobre as m\u00e1quinas de Marx, estabeleceu, ao lado de Michel Hardt e de seus colegas e seguidores autonomistas, um revisionismo hoje ainda bastante influente, embora declinante. Se j\u00e1 h\u00e1 poucos que defendem explicitamente aquela ideologia, que n\u00e3o resistiu \u00e0s evid\u00eancias, suas ideias centrais, sua heran\u00e7a p\u00f3s-estruturalista, a deriva semi\u00f3tica, tudo foi naturalizado e se encontra disseminado em diferentes tend\u00eancias intelectuais, inclusive no debate decolonial.<\/p>\n<p>Em todo caso, a leitura da referida colet\u00e2nea me colocou frente a um novo campo de reflex\u00e3o e de di\u00e1logo. Na verdade, muito do que l\u00e1 encontrei refor\u00e7ava posi\u00e7\u00f5es que eu defendera quando propus uma teoria marxista (ou marxiana) da comunica\u00e7\u00e3o que, \u00e0quela altura j\u00e1 conhecida no campo. Fiquei especialmente impactado pelo cap\u00edtulo de Anibal Quijano e o seu esclarecimento a respeito da constitui\u00e7\u00e3o da modernidade como momento de reordena\u00e7\u00e3o do trabalho ao n\u00edvel global, o que, ali\u00e1s, a economia pol\u00edtica brasileira j\u00e1 sabia havia muito. Vide, por exemplo, o influente trabalho de Fernando Novais (1979), fundamento hist\u00f3rico marxista adotado pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, onde recebi minha forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Conceito marxiano central nessa perspectiva \u00e9 o de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital, que me inspirou na defini\u00e7\u00e3o do que chamei de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de conhecimento (Bola\u00f1o, 2000), recorrendo embora a outros cap\u00edtulos do livro primeiro d\u2019<em>O Capital<\/em>.<\/p>\n<p>Se tivesse lido antes a referida colet\u00e2nea, poderia mesmo ter adotado a alcunha de decolonial, pois \u00e9 disso, no fundo, que se tratava. Mas havia algo que n\u00e3o se encaixava, inclusive na an\u00e1lise de Quijano que eu adotaria em boa medida (Bola\u00f1o, 2015): sua rejei\u00e7\u00e3o ao materialismo hist\u00f3rico. Por outro lado, a colet\u00e2nea se apresentava nitidamente como uma jun\u00e7\u00e3o de perspectivas distintas e muitas vezes contradit\u00f3rias, como exemplifica a posi\u00e7\u00e3o de cada autor em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de p\u00f3s-modernidade, variando da aceita\u00e7\u00e3o acr\u00edtica \u00e0 cr\u00edtica contundente. E n\u00e3o obstante, havia um projeto comum que unia a todos e com o qual eu estava de acordo: a cr\u00edtica ao eurocentrismo das ci\u00eancias sociais, em defesa do pensamento latino-americano. Na minha recep\u00e7\u00e3o, inclu\u00ed a\u00ed, para ficar no mais relevante, Celso Furtado, fundador da economia pol\u00edtica brasileira, jamais citado no campo decolonial, cujo conceito de cultura eu vinha trabalhando (Bola\u00f1o, 2013).<\/p>\n<p>No que se refere especificamente ao projeto decolonial, ao inv\u00e9s do confronto, preferi adotar um autor-chave, decolonial n\u00e3o simplesmente marxista, mas fino estudioso de toda a obra de maturidade de Marx, cujo projeto de vida inclu\u00eda uma leitura minuciosa e rigorosa da mesma, a partir da Am\u00e9rica Latina, para o s\u00e9culo XXI: Enrique Dussel, considerado fundador do pensamento decolonial e um dos seus mais prof\u00edcuos desenvolvedores. Mas o seu enfoque marxista, considerando a maior parte da literatura decolonial, tem sido, no m\u00ednimo, amputado, pois o que encontramos \u00e9 muito p\u00f3s-modernismo e muito pouco marxismo, ou antes, muito contra o marxismo. Ali\u00e1s, o suposto esquerdismo decolonial tem sido posto em xeque no seu pr\u00f3prio terreno, como mostra a rea\u00e7\u00e3o de Grossfogel contra muitos daqueles que se dizem hoje decoloniais, que ele chegou a definir como decoloniais colonialistas.<\/p>\n<p>Trata-se, na verdade, de um debate interno que exp\u00f5e uma divis\u00e3o profunda, irreconcili\u00e1vel, entre dois grupos de autores decoloniais, ambos politicamente muito ativos, separados justamente por suas posi\u00e7\u00f5es frente aos processos revolucion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina, como se pode verificar em v\u00e1rias <em>lives<\/em> do autor encontr\u00e1veis no YouTube, inclusive uma interessante entrevista a Katia Colmenares, outra representante da escola dusseliana. Em nenhuma das interven\u00e7\u00f5es at\u00e9 aqui no debate brasileiro iniciado com o texto de Safatle (2026a) essa divis\u00e3o foi apontada. De um lado e de outro, o decolonialismo \u00e9 apresentado como teoria unit\u00e1ria alternativa ao marxismo. No entanto, a quest\u00e3o \u00e9 essencial e toca, por exemplo, no \u00e2mago da interpreta\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana e do governo da Venezuela (esclare\u00e7o que minha informa\u00e7\u00e3o sobre o tema \u00e9 anterior \u00e0 interven\u00e7\u00e3o norte-americana de 3 de janeiro e o sequestro do presidente Nicol\u00e1s Maduro), mas n\u00e3o s\u00f3. A posi\u00e7\u00e3o da intelectualidade boliviana frente ao golpe de Estado que destituiu o presidente Evo Morales ilustra tamb\u00e9m essa clivagem entre duas perspectivas decoloniais irreconcili\u00e1veis. Para n\u00e3o falar no gritante sil\u00eancio de grande parte dos intelectuais decoloniais e p\u00f3s-coloniais em rela\u00e7\u00e3o a Gaza, como aponta tamb\u00e9m Safatle (2026b).<\/p>\n<p><strong>Periodiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A periodiza\u00e7\u00e3o de Safatle \u00e9 interessante porque apresenta uma linha de desenvolvimento das teorias sobre o problema colonial que reafirmam as tend\u00eancias mais gerais da evolu\u00e7\u00e3o do pensamento de esquerda que tem um ponto de corte fundamental no momento da chamada retomada da hegemonia norte-americana (Concei\u00e7\u00e3o Tavares, 1992) nos idos do governo Reagan. \u00c9 preciso lembrar que, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, \u00e0 base dos tratados de Bretton Woods, o capitalismo entrou numa fase expansiva sem precedentes que facilitaria, nos pa\u00edses centrais, uma integra\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria que j\u00e1 se apresentava como problema nos anos sessenta, quando o eixo das lutas emancipat\u00f3rias se desloca em grande medida para os chamados novos movimentos sociais. Capitaneados pelos filhos daquela classe trabalhadora que suportou os horrores da guerra, estes apresentam uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es justa, mas diferente em geral daquela do velho movimento oper\u00e1rio que liderou as revolu\u00e7\u00f5es sociais desde o s\u00e9culo XIX em n\u00edvel mundial. Parte dessas reivindica\u00e7\u00f5es, em sociedades afluentes, p\u00f4de ser atendida, servindo \u00e0 disputa ideol\u00f3gica com o bloco sovi\u00e9tico, tamb\u00e9m afluente naquele momento.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/HUCITEC-basaglia4-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/HUCITEC-basaglia4-1.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/08\/31182110\/HUCITEC-basaglia4-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, o el\u00e3 revolucion\u00e1rio se desloca radicalmente para a periferia, onde os sistemas de Welfare State n\u00e3o chegaram a implantar-se ou, quando o fizeram, n\u00e3o passou de um arremedo do que ocorria no centro, e onde os povos se viam \u00e0s voltas com a nova onda de descoloniza\u00e7\u00e3o, na \u00c1sia e na \u00c1frica desta vez. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o pensamento cr\u00edtico europeu foi, a partir de ent\u00e3o, regredindo e o marxismo deslocado de sua posi\u00e7\u00e3o antes inquestion\u00e1vel junto aos movimentos sociais e \u00e0 classe trabalhadora, at\u00e9 a sua emblem\u00e1tica nega\u00e7\u00e3o formal pelo partido social-democrata alem\u00e3o, fundado por Marx e Engels. Claro que a decad\u00eancia do socialismo real europeu jogou um papel crucial na derrota que viria em seguida, mas aqui cabe ressaltar a vit\u00f3ria, na Europa, das posi\u00e7\u00f5es reformistas e dos diferentes tipos de revisionismo que se sucederam desde ent\u00e3o. A ideologia p\u00f3s-modernista contra a qual n\u00f3s nos debatemos ao longo dos anos noventa teve um papel fundamental no combate ao marxismo.<\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o a periferia do sistema que se apropria daquela heran\u00e7a revolucion\u00e1ria. Por isso, a cr\u00edtica aos enfoques anticoloniais, quando se volta contra o marxismo, definido singelamente como pensamento europeu, acabar\u00e1 por levar de rold\u00e3o todos os lutadores, do centro e da periferia, que devotaram a vida \u00e0 causa dos povos. Um problema muito grave \u00e9 que grande parte da esquerda, inclusive daquela que se autointitula extrema ou radical, acaba deixando-se levar, no final das contas, pelo discurso e, com isso, pelas estrat\u00e9gias de legitima\u00e7\u00e3o de um imperialismo autoproclamado democr\u00e1tico. Assim, a luta de classes se tornar\u00e1 luta pela democracia, entendida, aos moldes do pensamento \u00fanico, como democracia formal burguesa, e inclusive os projetos de autogest\u00e3o, como o da antiga Iugosl\u00e1via, bombardeada pela OTAN, ou o da democracia <em>participativa y protag\u00f3nica<\/em> da Venezuela bolivariana hoje, cercada e agredida pelo imperialismo, ser\u00e3o definidos pelo consenso neoliberal ao qual adere toda a social-democracia europeia, como ditatoriais e sujeitos a boicotes e ataques visando mudan\u00e7as de regime. Nessas condi\u00e7\u00f5es, todo sil\u00eancio \u00e9 c\u00famplice.<\/p>\n<p>Mas o princ\u00edpio fundador da cr\u00edtica p\u00f3s-colonial \u00e0s esquerdas europeias era justo e esclarecedor: a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica alcan\u00e7ada no p\u00f3s-guerra n\u00e3o elimina a domina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica entranhada nas novas estruturas estatais e nas rela\u00e7\u00f5es sociais reconstru\u00eddas em acordo com as pr\u00f3prias pot\u00eancias coloniais que negociaram em condi\u00e7\u00f5es de vantagem a sua suposta retirada. Nesse sentido, dir\u00e3o, se o colonialismo se foi, a colonialidade permanece e se entranha no cotidiano e na consci\u00eancia dos cidad\u00e3os. Essa perspectiva ser\u00e1 adotada tamb\u00e9m pelo pensamento decolonial latino-americano (terceira fase da periodiza\u00e7\u00e3o de Safatle), que insistir\u00e1, da sua parte, sobre a quest\u00e3o epistemol\u00f3gica envolvida.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma pol\u00eamica que n\u00e3o poder\u00e1 ser retomada nos limites deste texto, referente \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o feita por Safatle aos autores decoloniais da cr\u00edtica, v\u00e1lida em geral para os p\u00f3s-coloniais, segundo a qual n\u00e3o se trata de pensadores propriamente perif\u00e9ricos na medida em que desenvolvem suas carreiras acad\u00eamicas em universidades europeias e especialmente norte-americanas. Sobre esse tema, o pr\u00f3prio Safatle (2026b) apresenta uma resposta adequada na sua tr\u00e9plica a Barbosa. De qualquer forma, o deslocamento que o autor diagnostica do pensamento cr\u00edtico para a Universidade, institui\u00e7\u00e3o central na reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais em n\u00edvel nacional e internacional, longe dos movimentos revolucion\u00e1rios, \u00e9 sem d\u00favida um ponto fundamental a ser considerado no debate, pois a\u00ed est\u00e1 o \u00e2mago da luta epistemol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Pensamento negro<\/strong><\/p>\n<p>Mais importante neste ponto \u00e9 incluir uma quarta perspectiva, al\u00e9m daquelas propostas por Safatle, pois a grande contribui\u00e7\u00e3o, a meu ver, ao debate em curso vem de outro canto, autodefinido como contracolonial, e come\u00e7a com uma cr\u00edtica respeitosa, mas contundente, de Douglas Barros (2026 a) \u00e0 obra de Nego Bispo, um \u00edcone desse campo. Outro texto que deve ser lido com aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a bela defesa de Barros, disfar\u00e7ada de cr\u00edtica, feita por Heloisa Gusm\u00e3o e Mateus Paulo Filho (2026). Na verdade, o que se nota \u00e9 tratar-se de outro debate e n\u00e3o deixa de ser desconcertante a pouca integra\u00e7\u00e3o que existe entre ambos. Tampouco eu posso tentar uma aproxima\u00e7\u00e3o nos limites deste texto, mas, seguindo a met\u00e1fora em tom de ironia de Heloisa e Mateus, espero que a porta do quilombo aberta por Douglas n\u00e3o se feche.<\/p>\n<p>Na verdade, o que ele defende significa, em \u00faltima inst\u00e2ncia, redirecionar o pensamento negro de volta, n\u00e3o a uma ancestralidade imagin\u00e1ria, ligada a princ\u00edpios identit\u00e1rios que ele acusa de rom\u00e2nticos, mas ao veio do pensamento e da pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria de sujeitos como Fanon ou Am\u00edlcar Cabral, que ele cita diretamente, mas que inclui uma s\u00e9rie enorme de lideran\u00e7as africanas que, munidas das ferramentas fornecidas por Marx, comandaram os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional na segunda metade do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Se, como afirmam Heloisa e Mateus, falando essencialmente ao seu p\u00fablico interno, o perigo da reflex\u00e3o de Douglas Barros reside em que \u201ca cr\u00edtica dele nos tira de nossas fantasias\u201d, pois a \u201cestrutura afetiva e intelectual do romantismo \u2013 a nostalgia de uma era de ouro, a busca por ra\u00edzes puras, a constru\u00e7\u00e3o de comunidades homog\u00eaneas imagin\u00e1rias \u2013 seria reconhecida como uma forma de ilus\u00e3o ideol\u00f3gica, um sintoma da incapacidade de enfrentar dialeticamente as contradi\u00e7\u00f5es do presente\u201d, de modo que \u201cser\u00edamos for\u00e7ados, pela vergonha, a sair da posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel da den\u00fancia moral e da celebra\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria para assumir a complexidade desencantada da an\u00e1lise materialista\u201d e assim \u201cser\u00edamos impelidos, por fim, a lutar por uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d, do lado oposto, o perigo reside em que, sendo o povo negro e mesti\u00e7o a parcela majorit\u00e1ria da classe trabalhadora brasileira, faria ent\u00e3o todo sentido a palavra de ordem \u201ctodo poder ao povo negro\u201d. N\u00e3o o poder do general Michel Langley, ent\u00e3o chefe do Comando Militar dos Estados Unidos na \u00c1frica que, com emp\u00e1fia imperialista, ofendeu o comandante Ibrahim Traor\u00e9, chamando ditador ao l\u00edder da chamada segunda independ\u00eancia africana, hoje em curso em Burkina Fasso e por toda a regi\u00e3o do Sahel, herdeiro do legado de Thomas Sankara, um jovem militar realmente muito perigoso para o <em>establishment<\/em>. N\u00e3o \u00e9 a ancestralidade africana o que op\u00f5e esses dois homens negros, mas a classe e os interesses que cada um objetivamente representa.<\/p>\n<p>Quando Douglas Barros, tanto no texto at\u00e9 aqui referido quanto no pref\u00e1cio que assina ao livro de Ol\u00faf\u00e9mi T\u00e1iw\u00f2, <em>Contra a descoloniza\u00e7\u00e3o<\/em> (Barros, 2026b), publicado recentemente no Brasil e que j\u00e1 se encontra em minha lista de leituras para o ano, afirma que \u201cquando o colonialismo \u00e9 absolutizado e tornado a-hist\u00f3rico (\u2026) os africanos passam a ser apresentados como meras v\u00edtimas impotentes, que fracassaram por terem abra\u00e7ado os ideais dos colonizadores\u201d e que \u201ca modernidade n\u00e3o foi apenas o lugar da escraviza\u00e7\u00e3o de africanos e ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m o lugar da produ\u00e7\u00e3o de sentidos e riquezas advindos do trabalho fundamental de africanos e ind\u00edgenas (\u2026) executado n\u00e3o s\u00f3 manualmente, mas intelectualmente\u201d, lembro a li\u00e7\u00e3o de Marx, segundo a qual, o capital n\u00e3o cria nada de novo, tudo vem do trabalho, essa exterioridade essencial, como diz Dussel, que deve ser subsumida a cada rota\u00e7\u00e3o para que o movimento recorrente de acumula\u00e7\u00e3o possa seguir, alimentando-se do mais-valor que o trabalho produz sempre a partir do nada do capital.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a perspectiva materialista consequente e n\u00e3o significa negar a exist\u00eancia e a import\u00e2ncia daqueles elementos de ordem cultural e epistemol\u00f3gica enfatizados pela cr\u00edtica decolonial. Antes pelo contr\u00e1rio, o conceito de acumula\u00e7\u00e3o primitiva do conhecimento (Bola\u00f1o, 2000), que explica, em primeiro lugar, a expropria\u00e7\u00e3o do conhecimento desenvolvido pela classe trabalhadora artesanal medieval pelo capital ao longo do per\u00edodo manufatureiro, o que permitir\u00e1 a sua incorpora\u00e7\u00e3o ao sistema das m\u00e1quinas e a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, \u00e9 expandido em seguida, no mesmo livro, para considerar o fato de que n\u00e3o apenas aquela subsun\u00e7\u00e3o j\u00e1 era incorpora\u00e7\u00e3o de saberes expropriados da classe trabalhadora, mas que tamb\u00e9m a Ind\u00fastria Cultural, em per\u00edodo posterior realiza um processo semelhante de subsun\u00e7\u00e3o cultural que \u00e9 o fundamento do seu poder institucional enquanto inst\u00e2ncia de media\u00e7\u00e3o social visando a domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Celso Furtado (1978), em outro registro, explica que a base da constru\u00e7\u00e3o da hegemonia burguesa no Brasil do s\u00e9culo XX foi o movimento de absor\u00e7\u00e3o, por parte da intelectualidade branca desenvolvimentista, da cultura popular que crescera com relativa autonomia nas favelas e nos interiores ao longo do s\u00e9culo XIX, desprezada pelo bovarismo ent\u00e3o reinante. A hist\u00f3ria da legitima\u00e7\u00e3o da capoeira no governo Vargas \u00e9 outro caso de colabora\u00e7\u00e3o entre elites negras e brancas visando estabelecer as bases de uma cultura nacional popular a servi\u00e7o, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da hegemonia burguesa. O que ocorre a partir desse per\u00edodo fundador \u00e9 a subsun\u00e7\u00e3o da cultura popular pelo capital cultural, que garante as condi\u00e7\u00f5es de legitimidade do modo de apropria\u00e7\u00e3o capitalista, para usar mais uma vez a categoriza\u00e7\u00e3o marxiana enfatizada por Dussel (1985). A forma\u00e7\u00e3o da base cultural para essa opera\u00e7\u00e3o, que em Furtado (1984) definiu a civiliza\u00e7\u00e3o brasileira pr\u00e9via \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, foi justamente o per\u00edodo da funda\u00e7\u00e3o da modernidade, com a constitui\u00e7\u00e3o do mercado mundial ap\u00f3s a chegada dos europeus \u00e0 Am\u00e9rica, seguindo a data\u00e7\u00e3o de Quijano e Dussel.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o e perspectivas<\/strong><\/p>\n<p>Nessa linha de racioc\u00ednio, dois esclarecimentos importantes podem ser feitos em rela\u00e7\u00e3o ao debate decolonial. Primeiro, dado seu car\u00e1ter complexo e contradit\u00f3rio, a domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser entendida meramente como processo de apagamento, mas de subsun\u00e7\u00e3o, que envolve dois momentos: um de expropria\u00e7\u00e3o e outro de imposi\u00e7\u00e3o de conhecimento (Bola\u00f1o e Herrera-Jaramillo, 2019). Assim, o conhecimento ancestral ind\u00edgena nosso-americano em mat\u00e9ria de alimenta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 incorporado \u00e0s mesas europeias e devolvido posteriormente, transformado, \u00e0s popula\u00e7\u00f5es da periferia como produto legitimamente italiano, franc\u00eas etc. Em termos gerais, o movimento de expropria\u00e7\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o de conhecimento, que envolve o trabalho intelectual de indigenistas, antrop\u00f3logos, padres jesu\u00edtas e n\u00e3o apenas militares, \u00e9 um processo de domina\u00e7\u00e3o cultural que revela a dupla contradi\u00e7\u00e3o \u2013 capital\/trabalho, economia\/cultura (Bola\u00f1o, 2000) \u2013 que preside a expans\u00e3o do capital ao longo de toda a modernidade.<\/p>\n<p>E aqui cabe o segundo esclarecimento. Note-se que n\u00e3o se trata, na minha leitura do problema, de considerar, para ser marxista, o fator, ou o fundamento econ\u00f4mico da coisa, mas de entender o capital como totalidade, uma totalidade, ali\u00e1s, constru\u00edda pela subsun\u00e7\u00e3o da externalidade e, portanto, inerentemente contradit\u00f3ria, j\u00e1 que incorpora o seu oposto sem apagar a identidade de origem deste. Esse \u00e9 o germe da revolu\u00e7\u00e3o. Uribam Xavier (2026), outro interveniente no debate, por exemplo, equivoca-se ao tentar questionar a cr\u00edtica de Safatle aos estudos decoloniais, afirmando que estes apresentam a modernidade de forma monol\u00edtica. Sua resposta define, usando o jarg\u00e3o decolonial, a modernidade como \u201cprojeto civilizador, composto por uma racionalidade particular com pretens\u00f5es universais, constitu\u00edda pela colonialidade do poder, do saber e do ser, bem como de um sistema econ\u00f4mico, o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, e de um sistema pol\u00edtico e de um ordenamento jur\u00eddico fundamentado no jusnaturalismo\u201d. Centremos a quest\u00e3o, dados nossos limites de tempo e espa\u00e7o, apenas no referido \u201csistema econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p>Ora, definir o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista nesses termos \u00e9 anacr\u00f4nico. A modernidade se inaugura na virada do s\u00e9culo XV para o XVI, enquanto o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista surge com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do final do s\u00e9culo XVIII. O que havia antes pode ser definido, seguindo a literatura braudeliana, como parte do \u201ccapitalismo hist\u00f3rico\u201d, quando, sob o comandado do grande capital mercantil pr\u00e9-capitalista, se realiza o processo de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital, em alian\u00e7a com as monarquias absolutas e a igreja, mas o modo de produ\u00e7\u00e3o na Europa \u00e9 ainda feudal, de transi\u00e7\u00e3o. O colonialismo, nesse momento \u00e9, portanto, absolutista e o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, no sentido restrito do termo, existir\u00e1 sob a forma de manufatura nas cidades medievais, sob o jugo ainda do feudalismo. Esse colonialismo, em todo caso, \u00e9 o que constitui o mercado mundial e implanta o sistema atl\u00e2ntico de explora\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, reduzindo a Am\u00e9rica a col\u00f4nia e a \u00c1frica a reservat\u00f3rio de ca\u00e7a humana para uso na agroempresa escravista americana.<\/p>\n<p>Esse sistema ser\u00e1 superado justamente com o surgimento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, a come\u00e7ar pelo fim do escravismo, n\u00e3o sem lutas, de modo que o colonialismo, no s\u00e9culo XX em especial, o neocolonialismo, melhor dito, focado no controle militar da \u00c1frica e da \u00c1sia pelas pot\u00eancias europeias, \u00e9 outro, mero instrumento do imperialismo, fase superior do capitalismo, dir\u00e1 L\u00eanin (2016). Mas esse pr\u00f3prio colonialismo desaparecer\u00e1 ap\u00f3s a Segunda Grande Guerra, atacado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, pelos Estados Unidos, a nova pot\u00eancia hegem\u00f4nica imperialista, mas fundamentalmente pela luta revolucion\u00e1ria dos povos da \u00c1frica e da \u00c1sia. Na Am\u00e9rica Latina ocorre, por certo, movimento semelhante, mas a independ\u00eancia l\u00e1 j\u00e1 tinha ent\u00e3o um s\u00e9culo, o colonialismo desaparecera, mas permanecera a colonialidade, como bem define a literatura decolonial, e a domina\u00e7\u00e3o capitalista-imperialista, comandada internamente por burguesias nacionais subalternas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, nessas condi\u00e7\u00f5es, come\u00e7a a se formar uma consci\u00eancia mundial na periferia, que se apresenta com for\u00e7a, por exemplo, no congresso de Bandung. Mas as formas de inser\u00e7\u00e3o no sistema mundial capitalista e os m\u00e9todos de domina\u00e7\u00e3o no plano local s\u00e3o diferentes no caso da Am\u00e9rica Latina e dos pa\u00edses da \u00c1sia e da \u00c1frica, e da\u00ed decorrem as diferen\u00e7as tamb\u00e9m nas condi\u00e7\u00f5es de luta dos povos e na rela\u00e7\u00e3o com os poderes locais e com o imperialismo. A unifica\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 ent\u00e3o por duas vias: a do mercado, com tudo o que ele implica, de um lado, e a da revolu\u00e7\u00e3o que o marxismo prop\u00f5e como alternativa ao sistema de explora\u00e7\u00e3o do capital e \u00e0 necropol\u00edtica imperial, o que passa hoje pela reconstru\u00e7\u00e3o da utopia socialista. O trabalho antol\u00f3gico de \u00c1lvaro Garcia Linera (2010) oferece o sentido: o caminho em dire\u00e7\u00e3o ao <em>ayllu<\/em> universal a partir das comunidades; a forma comunidade contra a forma valor. Uma universalidade concreta, a uni\u00e3o de todos os quilombos. Mas essa \u00e9 quest\u00e3o para uma pr\u00f3xima ocasi\u00e3o.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>BARBOSA, Jonnefer (2026). <em>Uma abstra\u00e7\u00e3o pol\u00eamica<\/em>. Revista <strong>Piau\u00ed<\/strong>, 29\/1\/2026.<\/p>\n<p>BARROS, Douglas (2026 a). <em>Contra Nego Bispo<\/em>. <strong>Blog da Boitempo<\/strong>, 21\/1\/2026.<\/p>\n<p>________ (2026 b). <em>Presente de grego \u00e9 cavalo de Tr\u00f3ia<\/em>. <strong>Jacobina<\/strong>, 30\/1\/2026.<\/p>\n<p>BOLA\u00d1O, C\u00e9sar (2000). <strong>Ind\u00fastria Cultural, Informa\u00e7\u00e3o e Capitalismo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Hucitec.<\/p>\n<p>__________ (2015). <strong>Campo Aberto<\/strong>: para a cr\u00edtica da epistemologia da comunica\u00e7\u00e3o. Aracaju: EDISE.<\/p>\n<p>___________ (2013). <strong>O conceito de cultura em Celso Furtado<\/strong>. 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Como superar o eurocentrismo e tamb\u00e9m o romantismo identit\u00e1rio? A domina\u00e7\u00e3o tem faces contradit\u00f3rias e complexas \u2013 \u00e9 preciso consensos construtivos<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/por-um-decolonialismo-marxista\/\">Por um decolonialismo marxista\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":80079,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[41025,5599,41026,14404,41027],"tags":[],"class_list":["post-80078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-critica-decolonial","category-descolonizacoes","category-enrique-dussel","category-identitarismo","category-marxismo-e-descolonizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80079"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}