{"id":80406,"date":"2026-03-29T10:24:11","date_gmt":"2026-03-29T13:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-mes-de-guerra-no-ira-trump-recua-teera-resiste-e-mundo-paga-a-conta\/"},"modified":"2026-03-29T10:24:11","modified_gmt":"2026-03-29T13:24:11","slug":"um-mes-de-guerra-no-ira-trump-recua-teera-resiste-e-mundo-paga-a-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-mes-de-guerra-no-ira-trump-recua-teera-resiste-e-mundo-paga-a-conta\/","title":{"rendered":"Um m\u00eas de guerra no Ir\u00e3: Trump recua, Teer\u00e3 resiste e mundo paga a conta"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177350250169b58025c88f8_1773502501_3x2_lgjpg.webp\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177350250169b58025c88f8_1773502501_3x2_lgjpg.webp 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177350250169b58025c88f8_1773502501_3x2_lg.jpg-300x200.webp 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177350250169b58025c88f8_1773502501_3x2_lg.jpg-768x512.webp 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177350250169b58025c88f8_1773502501_3x2_lg.jpg-272x182.webp 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>Decorrido um m\u00eas desde o lan\u00e7amento da \u201cOpera\u00e7\u00e3o F\u00faria \u00c9pica\u201d pelos Estados Unidos e da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Le\u00e3o Rugidor\u201d por Israel, em 28 de fevereiro de 2026, o conflito no Oriente M\u00e9dio entrou em uma fase de impasse estrat\u00e9gico que exp\u00f5e as limita\u00e7\u00f5es do poder militar convencional diante de uma resist\u00eancia assim\u00e9trica. O que come\u00e7ou como uma aposta em mudan\u00e7a de regime r\u00e1pida em Teer\u00e3 transformou-se em um desgaste geopol\u00edtico, econ\u00f4mico e diplom\u00e1tico para Washington, enquanto o Ir\u00e3 demonstra capacidade de retalia\u00e7\u00e3o que impacta cadeias globais de energia e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s trinta dias de ofensiva contra o Ir\u00e3, o que se desenha n\u00e3o \u00e9 uma vit\u00f3ria r\u00e1pida, mas um quadro de desgaste crescente para os Estados Unidos e\u00a0Israel. A campanha que prometia enfraquecer Teer\u00e3 em curto prazo se converteu em um impasse estrat\u00e9gico, revelando limites operacionais, pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A condu\u00e7\u00e3o de\u00a0Donald Trump\u00a0exp\u00f4s fragilidades que v\u00e3o al\u00e9m do campo militar: o conflito passou a corroer a credibilidade internacional de Washington, ao mesmo tempo em que n\u00e3o entrega resultados concretos no terreno.<\/p>\n<p><strong>Recuos sucessivos e perda de iniciativa<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo do primeiro m\u00eas, a estrat\u00e9gia de\u00a0Donald Trump\u00a0foi marcada por inflex\u00f5es constantes, que evidenciam perda de controle sobre o curso da guerra.<\/p>\n<p>Em 1\u00ba de mar\u00e7o, o presidente afirmou que a opera\u00e7\u00e3o levaria \u201cum m\u00eas ou menos\u201d para atingir seus objetivos. Em 23 de mar\u00e7o, por\u00e9m, anunciou a suspens\u00e3o de ataques a infraestruturas energ\u00e9ticas iranianas por cinco dias e mencionou \u201cconversa\u00e7\u00f5es produtivas\u201d. No dia seguinte, os EUA enviaram a Teer\u00e3 um plano de paz de 15 pontos, segundo reportagens da Reuters e do New York Times.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de tom reflete press\u00f5es internas e externas: o pre\u00e7o do petr\u00f3leo disparou para n\u00edveis recordes desde 2022, afetando a economia estadunidense; aliados regionais pediram cessar-fogo; e o Congresso questionou a legalidade da opera\u00e7\u00e3o sem declara\u00e7\u00e3o formal de guerra.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o dos objetivos \u2014 de uma ofensiva que insinuava mudan\u00e7a de regime para a\u00e7\u00f5es pontuais \u2014 simboliza uma retra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Trump amea\u00e7ou destruir infraestrutura energ\u00e9tica iraniana, mas\u00a0recuou e adiou o ultimato\u00a0para abertura do Estreito de Ormuz.\u00a0Houve tamb\u00e9m\u00a0suspens\u00e3o de ataques a usinas el\u00e9tricas, ap\u00f3s amea\u00e7a inicial. A suspens\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es mais amplas, diante do risco de escalada regional, refor\u00e7a a incapacidade de impor uma solu\u00e7\u00e3o decisiva.<\/p>\n<p>A ret\u00f3rica oscilante, alternando amea\u00e7as m\u00e1ximas com acenos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, aprofunda a percep\u00e7\u00e3o de indecis\u00e3o. Trump passou a defender um\u00a0acordo com o Ir\u00e3, mesmo ap\u00f3s iniciar a ofensiva.\u00a0Declarou publicamente que negocia\u00e7\u00f5es eram \u201cprodutivas\u201d, mas o Ir\u00e3 negou que existam. No plano externo, o fracasso em consolidar uma coaliz\u00e3o robusta exp\u00f5e um isolamento incomum para padr\u00f5es hist\u00f3ricos dos EUA.<\/p>\n<p>Antes: amea\u00e7a de \u201cdestrui\u00e7\u00e3o total\u201d do Ir\u00e3;\u00a0depois: Trump afirma que quer negociar e encerrar a guerra. O resultado \u00e9 um quadro em que avan\u00e7ar implica riscos incontrol\u00e1veis, enquanto recuar consolida a imagem de derrota pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Ir\u00e3 imp\u00f5e resist\u00eancia e redefine o ritmo do conflito<\/strong><\/p>\n<p>A resposta iraniana foi o elemento mais disruptivo do conflito. Ao contr\u00e1rio das expectativas iniciais, Teer\u00e3 n\u00e3o apenas resistiu como conseguiu impor seu pr\u00f3prio ritmo \u00e0 guerra. O Ir\u00e3 lan\u00e7ou\u00a0m\u00edsseis contra Israel\u00a0ap\u00f3s falas de Trump. Ataques tamb\u00e9m atingiram bases e pa\u00edses do Golfo (Bahrein, Catar, Ar\u00e1bia Saudita).\u00a0<\/p>\n<p>Contra as expectativas iniciais de uma queda r\u00e1pida do regime, o Ir\u00e3 apresentou uma resili\u00eancia que surpreendeu analistas e comandantes militares. A Rep\u00fablica Isl\u00e2mica conseguiu degradar sistemas de radares dos EUA no Golfo P\u00e9rsico, afetando a capacidade de intercepta\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis em pa\u00edses aliados como Kuwait, Catar, Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos.<\/p>\n<p>\u201cOs EUA n\u00e3o t\u00eam como derrubar o governo iraniano sem invas\u00e3o terrestre, o que traria baixas gigantescas. A topografia do Ir\u00e3 inviabiliza qualquer a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Os EUA simplesmente entraram num atoleiro e Trump n\u00e3o sabe como sair\u201d, avalia o especialista em defesa Ali Ramos, consultado pela <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da defesa territorial, Teer\u00e3 expandiu o teatro de opera\u00e7\u00f5es: atacou bases estadunidenses em seis pa\u00edses do Golfo, bloqueou o Estreito de Ormuz \u2014 por onde passa cerca de 20% do petr\u00f3leo mundial \u2014 e intensificou ataques por procura\u00e7\u00e3o via Hezbollah, Houthis e For\u00e7as de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular do Iraque<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es indiretas, uso de aliados regionais e capacidade de coordena\u00e7\u00e3o militar elevou o custo da ofensiva. Internamente, o pa\u00eds evitou desorganiza\u00e7\u00e3o significativa, mantendo coes\u00e3o pol\u00edtica sob press\u00e3o. Ataques iranianos e de aliados atingiram: rotas mar\u00edtimas estrat\u00e9gicas, bases dos EUA na S\u00edria e infraestrutura energ\u00e9tica regional.<\/p>\n<p>Ao prolongar o conflito, o Ir\u00e3 transformou o tempo em arma estrat\u00e9gica \u2014 desgastando advers\u00e1rios que dependiam de uma vit\u00f3ria r\u00e1pida para sustentar sua narrativa de for\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Ganhos pol\u00edticos de Teer\u00e3 e desgaste dos advers\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo sob bombardeios e san\u00e7\u00f5es, o Ir\u00e3 acumulou avan\u00e7os relevantes no campo pol\u00edtico. A narrativa de soberania ganhou for\u00e7a, mobilizando apoio interno e ampliando legitimidade regional.<\/p>\n<p>No plano internacional, Teer\u00e3 se reposicionou, aprofundando rela\u00e7\u00f5es com pa\u00edses e blocos que contestam a hegemonia dos EUA. Ao mesmo tempo, demonstrou capacidade de impor custos cont\u00ednuos aos advers\u00e1rios, inviabilizando uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos e\u00a0Israel, o efeito \u00e9 inverso: aumento do desgaste sem ganhos estrat\u00e9gicos equivalentes.<\/p>\n<p><strong>Guerra se amplia e pressiona o sistema global<\/strong><\/p>\n<p>O conflito rapidamente extrapolou o eixo bilateral, gerando impactos sist\u00eamicos. A instabilidade nos mercados de energia, a eleva\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio e o risco de novas frentes de combate indicam um cen\u00e1rio de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>A guerra se expande e gera impacto global a partir de uma crise energ\u00e9tica internacional. Interrup\u00e7\u00f5es no petr\u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o\u00a0piores que crises anteriores recentes. O Estreito de Ormuz parcialmente fechado, afeta o com\u00e9rcio global.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, cresce a resist\u00eancia internacional a interven\u00e7\u00f5es militares unilaterais. Pa\u00edses evitam alinhamento autom\u00e1tico, refletindo uma mudan\u00e7a no equil\u00edbrio global de poder. <\/p>\n<p>A guerra deixa de ser apenas um confronto regional e passa a operar como fator de desordem internacional. Deixou de ser uma guerra localizada e virou\u00a0crise sist\u00eamica internacional, envolvendo m\u00faltiplos territ\u00f3rios: L\u00edbano, Ir\u00e3, Israel, Golfo P\u00e9rsico e S\u00edria. A entrada dos Houthis do I\u00eamen e o apoio da Ucr\u00e2nia aos pa\u00edses do golfo representam novos riscos de escalada.<\/p>\n<p><strong>Isolamento e fragilidade da lideran\u00e7a dos EUA<\/strong><\/p>\n<p>A dificuldade de\u00a0Donald Trump\u00a0em reunir apoio internacional consistente \u00e9 um dos sinais mais claros de enfraquecimento.<\/p>\n<p>Aliados tradicionais adotam cautela, pot\u00eancias emergentes recusam ades\u00e3o e organismos multilaterais demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com a escalada. A ONU, a Uni\u00e3o Europeia, a China e pot\u00eancias do Sul Global condenaram os ataques iniciais como viola\u00e7\u00e3o da soberania iraniana e do direito internacional. At\u00e9 mesmo aliados hist\u00f3ricos como Reino Unido e Fran\u00e7a expressaram reservas sobre a escalada. O padr\u00e3o de grandes coaliz\u00f5es, comum em interven\u00e7\u00f5es passadas, d\u00e1 lugar a uma atua\u00e7\u00e3o unilateral fragilizada.<\/p>\n<p>\u201cO Ir\u00e3 vai ser o primeiro pa\u00eds da hist\u00f3ria que atacou tantas bases dos EUA ao mesmo tempo e sobreviveu. \u00c9 por isso o desespero do Trump. Os pa\u00edses da regi\u00e3o n\u00e3o v\u00e3o mais confiar nos EUA no m\u00e9dio e longo prazo enquanto garantidor da sua seguran\u00e7a\u201d, argumenta Ali Ramos<\/p>\n<p>Esse isolamento amplifica a percep\u00e7\u00e3o de que Washington j\u00e1 n\u00e3o consegue organizar consensos globais em torno de suas a\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p><strong>Um novo mapa de poder no Oriente M\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s um m\u00eas de guerra, o conflito reconfigurou a arquitetura de seguran\u00e7a regional. Pa\u00edses do Golfo aceleraram pactos de defesa alternativos (Emirados com \u00cdndia, Ar\u00e1bia Saudita com Paquist\u00e3o), reduzindo a depend\u00eancia da prote\u00e7\u00e3o estadunidense.<\/p>\n<p>Para o Ir\u00e3, a sobreviv\u00eancia do regime sob ataque refor\u00e7a sua narrativa de resist\u00eancia anti-imperialista. Para os EUA, o impasse exp\u00f5e os limites do poder militar unilateral em um mundo multipolar. Para o mundo, a conta chegou alta: energia cara, rotas comerciais interrompidas e um precedente perigoso de guerra preventiva sem mandato internacional.<\/p>\n<p>Como sintetizou um analista do <em>International Crisis Group<\/em>: \u201cN\u00e3o se trata mais de quem vence militarmente, mas de quem consegue transformar resist\u00eancia em vantagem pol\u00edtica\u201d. Nesse tabuleiro, Teer\u00e3 parece ter aprendido a jogar melhor do que Washington esperava.<\/p>\n<p><strong>Um beco sem sa\u00edda estrat\u00e9gico<\/strong><\/p>\n<p>Ao fim do primeiro m\u00eas, o conflito aponta para um impasse estrutural.<\/p>\n<p>Para os EUA e\u00a0Israel, as alternativas s\u00e3o limitadas: escalar o confronto e correr riscos imprevis\u00edveis ou recuar, consolidando a percep\u00e7\u00e3o de derrota. <\/p>\n<p>Para o Ir\u00e3, a estrat\u00e9gia de resist\u00eancia prolongada continua produzindo resultados, ainda que com custos elevados. A lideran\u00e7a iraniana afirmou estar pronta para enfrentar tropas terrestres e \u201cincendi\u00e1-las\u201d.<\/p>\n<p>O saldo \u00e9 um equil\u00edbrio inst\u00e1vel, em que a incapacidade de vit\u00f3ria r\u00e1pida se traduz em desgaste pol\u00edtico crescente \u2014 especialmente para Washington e Tel Aviv \u2014 e em um cen\u00e1rio internacional cada vez mais fragmentado e imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/03\/29\/um-mes-de-guerra-no-ira-trump-recua-teera-resiste-e-mundo-paga-a-conta\/\">Um m\u00eas de guerra no Ir\u00e3: Trump recua, Teer\u00e3 resiste e mundo paga a conta<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/dia-do-trabalhador-lula-mira-combate-ao-endividamento-e-fim-da-escala-6x1\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/55241248301_86a1f8e935_k-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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