{"id":80453,"date":"2026-03-29T14:58:24","date_gmt":"2026-03-29T17:58:24","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/caminhada-do-silencio-volta-as-ruas-em-memoria-das-vitimas-do-regime-militar\/"},"modified":"2026-03-29T14:58:24","modified_gmt":"2026-03-29T17:58:24","slug":"caminhada-do-silencio-volta-as-ruas-em-memoria-das-vitimas-do-regime-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/caminhada-do-silencio-volta-as-ruas-em-memoria-das-vitimas-do-regime-militar\/","title":{"rendered":"Caminhada do Sil\u00eancio volta \u00e0s ruas em mem\u00f3ria das v\u00edtimas do regime militar"},"content":{"rendered":"<p>A Caminhada do Sil\u00eancio volta \u00e0s ruas de S\u00e3o Paulo (SP) neste domingo (29\/03) para a sua 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, com concentra\u00e7\u00e3o \u00e0s 16h diante do antigo DOI-Codi, na rua Tut\u00f3ia, e cortejo mudo at\u00e9 o Monumento aos Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, no Ibirapuera.<\/p>\n<p>Criado em 2019, quando o governo de Jair Bolsonaro (PL) conclamava a \u201ccomemorar\u201d o golpe militar de 1964, o ato se inspira diretamente na Marcha del Silencio, que ocorre em Montevid\u00e9u h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e re\u00fane uma multid\u00e3o de uruguaios em mem\u00f3ria das v\u00edtimas da ditadura.<\/p>\n<p>\u201cEra o primeiro ano do Bolsonaro e ele pediu que sa\u00edssem de branco para celebrar a ditadura\u201d, recorda a procuradora Eug\u00eania Gonzaga, presidente da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos (CEMDP) e uma das fundadoras do Movimento Vozes do Sil\u00eancio, coaliz\u00e3o que hoje re\u00fane mais de 100 entidades.<\/p>\n<p>O convite oficial \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o, diz ela, fez explodir a mobiliza\u00e7\u00e3o. Na estreia, mais de 10 mil pessoas iluminaram a Pra\u00e7a da Paz com velas e entoaram can\u00e7\u00f5es guiadas por m\u00fasicos solid\u00e1rios \u00e0 causa, como Renato Braz, Eduardo Gudin e Vicente Barreto. \u201cN\u00f3s ach\u00e1vamos que seriam umas 500 pessoas. No domingo virou um rio de luzes dentro do Ibirapuera, foi realmente m\u00e1gico\u201d, relata Eug\u00eania.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a vers\u00e3o paulistana cresceu, entrou no calend\u00e1rio oficial da cidade (Lei 17.886) e virou ponte entre viola\u00e7\u00f5es do passado e as de hoje. A professora de psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Vera Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado pelo governo militar em 1971, lembra que logo na segunda edi\u00e7\u00e3o o cortejo passou a acolher tamb\u00e9m as m\u00e3es de jovens perif\u00e9ricos mortos pela viol\u00eancia policial. \u201cA ditadura n\u00e3o terminou para quem mora na periferia\u201d.<\/p>\n<p>O historiador C\u00e9sar Novelli, do N\u00facleo Mem\u00f3ria, observa que o trajeto da marcha tamb\u00e9m conta uma hist\u00f3ria. Em 2024, quando os 60 anos do golpe pediam um gesto mais incisivo, a organiza\u00e7\u00e3o desceu a rua Ab\u00edlio Soares, passando diante do C\u00edrculo Militar e do Comando do Sudeste.<\/p>\n<p>No ano seguinte, a Pol\u00edcia Militar vetou a mesma descida alegando \u201cseguran\u00e7a\u201d por causa de um ato bolsonarista na Paulista que pedia anistia para os golpistas de 8 de Janeiro. A Caminhada precisou contornar o quarteir\u00e3o. Para Novelli, foi a prova de que a mem\u00f3ria \u201ccontinua andando, ainda que tentem interditar o caminho\u201d.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-250789\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog.webp\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-1024x683.webp 1024w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-300x200.webp 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-768x512.webp 768w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-150x100.webp 150w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-750x500.webp 750w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog-1140x760.webp 1140w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/tuane-fernandes-instituto-vladimir-herzog.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Caminhada do Sil\u00eancio volta \u00e0s ruas em mem\u00f3ria das v\u00edtimas da ditadura<br \/>Tuane Fernandes\/ Instituto Vladimir Herzog<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quase quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim formal da ditadura, as contas permanecem abertas: 434 mortos e desaparecidos reconhecidos pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, 144 sem paradeiro conhecido, 8.300 ind\u00edgenas assassinados entre 1964 e 1985 e uma m\u00e9dia atual de cinco mortes por interven\u00e7\u00e3o policial por dia no pa\u00eds. \u201cEsses momentos de mem\u00f3ria s\u00e3o indispens\u00e1veis para que a viol\u00eancia de Estado n\u00e3o siga se repetindo\u201d, afirma Eug\u00eania Gonzaga.<\/p>\n<p>Em 2026, a caminhada adota o lema \u201cAprender com o passado para construir o futuro\u201d, com show de encerramento de Jo\u00e3o Suplicy.<\/p>\n<p>O ato mant\u00e9m o eixo mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a, princ\u00edpio que acompanha o movimento desde a primeira edi\u00e7\u00e3o. \u201cNosso objetivo \u00e9, pacificamente, com velas nas m\u00e3os e rosas, homenagear nossos mortos e dizer: ditadura nunca mais\u201d, sintetiza Vera Paiva. \u201cSeguimos marchando porque n\u00e3o resolvemos todos os problemas criados pela ditadura. Para muita gente, ela n\u00e3o terminou\u201d, refor\u00e7a C\u00e9sar Novelli.<\/p>\n<h3>Justi\u00e7a avan\u00e7a, ainda que tardiamente<\/h3>\n<p>A 6\u00aa Caminhada do Sil\u00eancio acontece num momento em que a pauta \u201cmem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a\u201d voltou a mexer no tabuleiro institucional. O primeiro fato foi a condena\u00e7\u00e3o de militares no Brasil por uma trama golpista, no caso do 8 de Janeiro. \u201cPela primeira vez os militares entenderam que n\u00e3o est\u00e3o acima da lei, e isso \u00e9 fundamental num Estado Democr\u00e1tico de Direito\u201d, frisa a procuradora Eug\u00eania Gonzaga, lembrando que, por mais de quatro d\u00e9cadas, o Brasil viveu sob a l\u00f3gica da impunidade.<\/p>\n<p>\u201cEssa impunidade dos crimes da ditadura sempre deu confian\u00e7a para que as autoridades militares do presente continuassem praticando crimes e fazendo novas v\u00edtimas de viol\u00eancia de Estado sob todas as formas\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Outro movimento jur\u00eddico importante parte do Supremo Tribunal Federal. Relator de dois recursos com repercuss\u00e3o geral, o ministro Fl\u00e1vio Dino votou para que crimes continuados \u2012 como oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver e sequestro \u2012 fiquem fora do escudo da Lei da Anistia.<\/p>\n<p>O processo aguarda pauta em plen\u00e1rio depois da devolu\u00e7\u00e3o de vista de Alexandre de Moraes. Para Eug\u00eania Gonzaga, trata-se de \u201cum avan\u00e7o ineg\u00e1vel num pa\u00eds que passou d\u00e9cadas blindando torturadores\u201d, mas que precisa ser completo. \u201cSe o STF limitar a exce\u00e7\u00e3o s\u00f3 aos crimes continuados, estar\u00e1 dizendo que homic\u00eddios, estupros e falsidades seguem cobertos pela lei. Isso \u00e9 grav\u00edssimo.\u201d<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Vera Paiva v\u00ea ganho pedag\u00f3gico em cada fissura nesse \u201cmuro de impunidade\u201d. \u201cTer esses marcos de responsabiliza\u00e7\u00e3o cria uma mentalidade de que isto \u00e9 crime; que n\u00e3o se pode sair fazendo e ficar impune\u201d, assinala.<\/p>\n<p>Ela recorda que Argentina e Chile prenderam torturadores ainda nos anos 2000, enquanto o Brasil \u201cchega atrasado e com r\u00e9us j\u00e1 muito idosos ou mortos\u201d. Ainda assim, sublinha, cada decis\u00e3o manda recado \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para o historiador C\u00e9sar Novelli, a marcha cumpre a fun\u00e7\u00e3o de manter as institui\u00e7\u00f5es sob press\u00e3o: \u201c\u00c9 muito importante que n\u00f3s apoiemos e pressionemos os ministros do STF a realizarem o julgamento. Eu diria que \u00e9 pedag\u00f3gico estabelecer estrat\u00e9gias p\u00fablicas para que esses julgamentos aconte\u00e7am.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Brasil voltou a ser tornar uma refer\u00eancia mundial na defesa da democracia ou do Estado Democr\u00e1tico de Direito com a pris\u00e3o de Bolsonaro e outros golpistas, mas precisamos ir al\u00e9m. Construir um pa\u00eds menos desigual passa pela condena\u00e7\u00e3o de quem praticou crimes de lesa-humanidade\u201d, resume.<\/p>\n<h3>A retomada da Comiss\u00e3o e a disputa pela mem\u00f3ria<\/h3>\n<p>A recria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, em julho de 2024, devolveu f\u00f4lego a uma agenda que havia sido desmontada no governo Bolsonaro e que segue no centro das reivindica\u00e7\u00f5es da Caminhada do Sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Para Eug\u00eania Gonzaga, a retomada veio tarde, mais de um ano ap\u00f3s o in\u00edcio do novo governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), mas recolocou em movimento frentes concretas da luta por mem\u00f3ria e repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das frentes mais emblem\u00e1ticas desse trabalho, segundo Eug\u00eania e Vera, \u00e9 a retifica\u00e7\u00e3o das certid\u00f5es de \u00f3bito de v\u00edtimas da ditadura. O procedimento come\u00e7ou anos atr\u00e1s, de forma quase artesanal, e ganhou escala com a articula\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o com o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ).<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s come\u00e7amos esse trabalho em 2018 e come\u00e7amos assim quase que artesanalmente, fazendo certid\u00e3o por certid\u00e3o. E com a recria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o a gente conseguiu um compromisso do CNJ [Conselho Nacional de Justi\u00e7a]\u201d, conta Eug\u00eania Gonzaga.<\/p>\n<p>O efeito, relata a presidenta da comiss\u00e3o, vai muito al\u00e9m do papel: \u201cPessoas que n\u00e3o sa\u00edam mais de casa, praticamente, senhoras de andador, foram receber esse papel, porque pelo menos elas t\u00eam esse reconhecimento formal do Estado de que a pessoa n\u00e3o foi, como eles falavam, um bandido; que a pessoa foi uma v\u00edtima de viol\u00eancia do Estado\u201d.<\/p>\n<p>Vera Paiva acompanha esse processo tamb\u00e9m do ponto de vista de quem conhece, por dentro, a viol\u00eancia produzida pelo desaparecimento for\u00e7ado. Integrante da comiss\u00e3o desde 2014, ela destaca que as novas certid\u00f5es ajudam a corrigir uma mentira de Estado que atravessou d\u00e9cadas. Mas chama aten\u00e7\u00e3o sobretudo para outro movimento: o de fam\u00edlias pobres, negras e perif\u00e9ricas que s\u00f3 agora come\u00e7am a se aproximar dessa agenda.<\/p>\n<p>\u201cMuitas fam\u00edlias, especialmente de origem n\u00e3o branca, mais pobres, finalmente est\u00e3o tendo coragem de aparecer e se juntar ao movimento, porque elas se sentiam amea\u00e7adas cotidianamente\u201d, relata. \u201cOs policiais, que s\u00e3o adeptos dessa ideologia de achar que t\u00eam o poder de decidir quem merece viver e quem merece morrer, amea\u00e7am diretamente. Ent\u00e3o esse movimento tem ampliado a confian\u00e7a dessas pessoas\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A retomada das buscas por ossadas \u00e9 outro ponto que ajuda a explicar por que a caminhada continua nas ruas. Vera cita o trabalho em cemit\u00e9rios e antigas valas clandestinas, como a de Perus, em S\u00e3o Paulo, onde a identifica\u00e7\u00e3o de novos corpos reabriu uma ferida hist\u00f3rica, mas tamb\u00e9m uma possibilidade de encerramento para algumas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos identificar dois corpos nas ossadas de Perus. Foi uma das cenas mais fortes e emocionantes da minha vida\u201d, diz, em refer\u00eancia aos restos mortais de Denis Casemiro e Grenaldo de Jesus Silva, que foram encontrados em uma vala clandestina usada por agentes da ditadura no Cemit\u00e9rio Dom Bosco, em Perus, na capital paulista.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea recebeu os ossos, literalmente os ossos. Mas o que aquilo significou\u2026eu fiquei imaginando o que eu sentiria se os ossos do meu pai tivessem aparecido e a gente pudesse enterr\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>Vera tamb\u00e9m comemora a contribui\u00e7\u00e3o de filmes brasileiros atravessados pela mem\u00f3ria da ditadura para sensibilizar o p\u00fablico sobre a import\u00e2ncia dessa luta. Para ela, o sucesso de filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto ajudou a alargar o alcance dessa conversa e a dar densidade humana a um debate que muitas vezes ficou restrito aos familiares, pesquisadores e militantes.<\/p>\n<p>\u201cEsses filmes ajudam, de alguma maneira, a gente tanto fazer a mem\u00f3ria como pensar num mundo melhor juntos\u201d, afirma. Na avalia\u00e7\u00e3o dela, a for\u00e7a dessas obras est\u00e1 em tirar a ditadura do abstrato e recoloc\u00e1-la na experi\u00eancia concreta das pessoas, inclusive das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eug\u00eania faz avalia\u00e7\u00e3o semelhante ao falar do impacto de Ainda Estou Aqui no ambiente pol\u00edtico recente. \u201cCom a repercuss\u00e3o do filme, eu acho que o tema voltou \u00e0 tona e o filme teve esse poder de convencer as pessoas da import\u00e2ncia das medidas de mem\u00f3ria, das medidas de justi\u00e7a\u201d, diz. Para ela, o cinema n\u00e3o substitui o trabalho institucional, mas ajuda a abrir o terreno para que ele volte a acontecer, e para que mais gente entenda por que ainda h\u00e1 tanto a reparar.<\/p>\n<h3>O passado que amea\u00e7a voltar<\/h3>\n<p>A defesa de que os horrores da ditadura n\u00e3o se repitam tamb\u00e9m passa pela leitura do presente. Na avalia\u00e7\u00e3o de Vera Paiva e C\u00e9sar Novelli, a Caminhada do Sil\u00eancio chega \u00e0 sua 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o em meio a sinais de recrudescimento autorit\u00e1rio no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga, o mundo voltou a conviver com amea\u00e7as que pareciam enterradas. \u201cN\u00f3s estamos vivendo nesse momento hist\u00f3rico, um pouco mais descaradamente, a mesma situa\u00e7\u00e3o de est\u00edmulo \u00e0s ditaduras e de persegui\u00e7\u00e3o das democracias pelo imp\u00e9rio americano. Eu nunca imaginei que algum dia a gente ia voltar para esse tipo de situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Vera diz que a ofensiva da extrema direita, patrocinada por Donald Trump, se alimenta da produ\u00e7\u00e3o permanente de medo, caos e paralisa\u00e7\u00e3o, e v\u00ea na cultura uma das ferramentas para romper esse cerco. \u201cO caos pode nos horrorizar, e a gente tem que tomar o cuidado para que ele n\u00e3o nos paralise\u201d, diz.<\/p>\n<p>No plano brasileiro, C\u00e9sar Novelli chama aten\u00e7\u00e3o para a perman\u00eancia de estruturas forjadas pela ditadura e jamais desmontadas. Ele lembra que o pa\u00eds ainda n\u00e3o sabe o paradeiro de \u201cmais de uma centena de companheiros e companheiras que foram desaparecidos pelo regime\u201d e tampouco desmilitarizou a pol\u00edcia, que \u201csegue sendo o bra\u00e7o opressor do Estado, principalmente contra as popula\u00e7\u00f5es mais carentes e marginalizadas\u201d.<\/p>\n<p>Para o historiador, essa l\u00f3gica segue operando, sob outras formas, nos territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis do pa\u00eds. O alvo permanece concentrado em negros e negras, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAP+ e povos ind\u00edgenas, tratados \u201ccomo se fossem o inimigo interno\u201d, heran\u00e7a direta da doutrina de seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m por isso que Vera insiste tanto na necessidade de renova\u00e7\u00e3o geracional da caminhada. Aos 72 anos, ela diz querer seguir na luta, mas espera ver mais gente jovem assumindo a defesa da democracia e da mem\u00f3ria. \u201cO meu sonho \u00e9 passar o bast\u00e3o para a sua gera\u00e7\u00e3o e para os mais novos. Ficarei at\u00e9 morrer nesse movimento, mas eu quero que ele seja renovado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cMeu sonho \u00e9 que a gente junte muita gente jovem nesse movimento, pensando e antecipando o que pode acontecer com o pa\u00eds de voc\u00eas se voc\u00eas n\u00e3o se mexerem\u201d, completa.<\/p>\n<p>O post Caminhada do Sil\u00eancio volta \u00e0s ruas em mem\u00f3ria das v\u00edtimas do regime militar apareceu primeiro em Opera Mundi.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aumento-das-passagens-gestao-ricardo-nunes-tem-de-explicar-o-inexplicavel-a-justica-diz-vereador\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Criado em 2019, quando o governo de Jair Bolsonaro (PL) conclamava a [\u2026]<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/brasil\/caminhada-do-silencio-volta-as-ruas-em-memoria-das-vitimas-do-regime-militar\/\">Caminhada do Sil\u00eancio volta \u00e0s ruas em mem\u00f3ria das v\u00edtimas do regime militar<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":80454,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[45,41453,544,40111,41750],"tags":[],"class_list":["post-80453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-caminhada-do-silencio","category-ditadura-militar","category-repressao-militar","category-vitimas-da-ditadura-militar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80453\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}