{"id":80559,"date":"2026-03-30T17:24:44","date_gmt":"2026-03-30T20:24:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/massacre-de-eldorado-do-carajas-completa-30-anos-como-simbolo-de-resistencia-na-luta-pela-terra\/"},"modified":"2026-03-30T17:24:44","modified_gmt":"2026-03-30T20:24:44","slug":"massacre-de-eldorado-do-carajas-completa-30-anos-como-simbolo-de-resistencia-na-luta-pela-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/massacre-de-eldorado-do-carajas-completa-30-anos-como-simbolo-de-resistencia-na-luta-pela-terra\/","title":{"rendered":"Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s completa 30 anos como s\u00edmbolo de resist\u00eancia na luta pela terra"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image_processing20210416-10498-1bt8dpy.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image_processing20210416-10498-1bt8dpy.jpeg 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image_processing20210416-10498-1bt8dpy-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image_processing20210416-10498-1bt8dpy-768x513.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Acampamento Pedag\u00f3gico da Juventude, realizado em 2016, no local do massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s. Foto: Cr\u00e9dito: Marcelo Cruz<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>Era uma quarta-feira de sol forte no sul do Par\u00e1, a data, 17 de abril de 1996, e cerca de 1.500 trabalhadores rurais marchavam pacificamente pela rodovia PA-150, em dire\u00e7\u00e3o a Bel\u00e9m. Eram homens, mulheres, crian\u00e7as, idosos, todos Sem Terra, com um \u00fanico pedido ao Estado brasileiro: o acesso \u00e0 terra para trabalhar e viver com dignidade. Mas o que a tropa da Pol\u00edcia Militar do estado, comandada pelo coronel M\u00e1rio Pantoja, reservava para eles naquela curva da estrada, \u00e0s margens do munic\u00edpio de Eldorado do Caraj\u00e1s, seria registrado pelas c\u00e2meras de uma reportagem local como o maior massacre de trabalhadores rurais do Brasil republicano.<\/p>\n<p>Os proj\u00e9teis encontrados nos corpos daqueles trabalhadores contavam uma hist\u00f3ria que nenhum discurso oficial conseguiria apagar, mesmo depois de 30 anos. Com v\u00e1rios corpos atingidos na nuca e nas costas, as evid\u00eancias documentadas pelos peritos do Instituto M\u00e9dico Legal (IML) mostraram a inten\u00e7\u00e3o evidente de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, realizadas quando as v\u00edtimas j\u00e1 estavam feridas ou rendidas, tentando fugir por entre a mata e a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e0s margens da rodovia. Pelo menos sete dos 19 mortos no local apresentavam marcas compat\u00edveis com tiros \u00e0 queima-roupa.<\/p>\n<p>Seria mais uma atrocidade \u201cdentro da normalidade\u201d, caso as c\u00e2meras de televis\u00e3o n\u00e3o estivessem presentes no local e registrassem parte da a\u00e7\u00e3o policial. As imagens transmitidas por emissoras brasileiras e internacionais nas horas seguintes mostraram o Brasil que o mundo n\u00e3o via: n\u00e3o era o \u201cpa\u00eds do progresso tropical\u201d, mas o coronelismo armado, da bala na nuca do pobre que ousa reivindicar a terra. E o mundo reagiu.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o imediata do ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) revelou as prioridades do governo: nas primeiras horas, FHC e seus auxiliares ensaiaram uma narrativa que atribu\u00eda a responsabilidade pelo confronto aos pr\u00f3prios trabalhadores. O ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Nelson Jobim, enquadrou o epis\u00f3dio como quest\u00e3o de ordem p\u00fablica, n\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos.<\/p>\n<p>A press\u00e3o nacional e internacional, por\u00e9m, fez com que o governo anunciasse medidas, entre elas a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio Extraordin\u00e1rio de Pol\u00edtica Fundi\u00e1ria, chefiado por Raul Jungmann (pasta que viria a se tornar o atual Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e Agricultura Familiar \u2013 MDA). O discurso oficial tratou o massacre como um epis\u00f3dio lament\u00e1vel que havia \u201csensibilizado\u201d o governo.<\/p>\n<p>Mas os trabalhadores e trabalhadoras do Movimento Sem Terra e os familiares das v\u00edtimas sabiam do padr\u00e3o da impunidade que impera no pa\u00eds e, trinta anos depois, a data permanece aberta como uma ferida n\u00e3o cicatrizada. Entre os trabalhadores Sem Terra, que ainda vivem em acampamentos no sul do Par\u00e1, muitos deles s\u00e3o filhos e netos dos que marchavam pela PA-150 naquele 17 de abril, e carregam uma pergunta que o Estado brasileiro nunca respondeu de fato: <strong>a quem pertence a terra?<\/strong><\/p>\n<h3>O Estado criou o latif\u00fandio. Depois, atirou nos Sem Terra<\/h3>\n<p>Para entender o 17 de abril de 1996, \u00e9 preciso recuar at\u00e9 os anos 1970 e compreender como o pr\u00f3prio Estado brasileiro construiu a estrutura fundi\u00e1ria explosiva que tornaria o massacre poss\u00edvel e, no entendimento de muitos analistas, inevit\u00e1vel. A regi\u00e3o do sul do Par\u00e1, que o regime militar transformou em fronteira de expans\u00e3o econ\u00f4mica, foi entregue n\u00e3o aos trabalhadores rurais, mas a grandes grupos econ\u00f4micos, nacionais e estrangeiros, que chegaram com incentivos fiscais e sa\u00edram com imensas glebas de terra p\u00fablica.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"440\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/440.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/440.jpg 740w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/440-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\"><figcaption><em>Trecho em obras da transamaz\u00f4nica, rodovia planejada para integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre o Nordeste e Norte do Brasil, cortando a floresta amaz\u00f4nica. Imagem: Heraldo CPDoc JB<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Conforme aponta Jorge Neri, da dire\u00e7\u00e3o estadual do MST no Par\u00e1, a responsabilidade hist\u00f3rica pelo caos fundi\u00e1rio da regi\u00e3o remonta diretamente \u00e0s pol\u00edticas oficiais da ditadura. \u201cO Estado do Par\u00e1 tem sido um estado marcado historicamente por uma viol\u00eancia sem igual na disputa pela posse da terra\u201d. Para ele,  n\u00e3o se trata de viol\u00eancia espont\u00e2nea ou de conflito entre iguais \u2014 trata-se de uma escolha estrutural do Estado. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em> A terra no Par\u00e1 foi dividida em conluio com latifundi\u00e1rios, com pol\u00edticas oficiais que estimularam gente de fora a vir grilar terra aqui nos anos 70, com a abertura da Transamaz\u00f4nica, com a Sudam. Isso trouxe grandes projetos agropecu\u00e1rios, minera\u00e7\u00e3o, hidrel\u00e9trica, tudo empurrado pelo pr\u00f3prio governo, sem pensar no povo que j\u00e1 tava aqui.\u201d<\/em><\/p>\n<p><cite>Jorge Neri, da dire\u00e7\u00e3o estadual do MST<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, empresas que n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o alguma com o trabalho na terra \u2014 como a Volkswagen e o Bradesco \u2014 receberam do Estado o est\u00edmulo e as condi\u00e7\u00f5es para se tornarem grandes propriet\u00e1rias rurais na Amaz\u00f4nia. Segundo Neri, esse processo se consolidou com a participa\u00e7\u00e3o ativa dos cart\u00f3rios locais e das oligarquias regionais, que associadas a esses grupos econ\u00f4micos operaram um vasto esquema de grilagem organizada.<\/p>\n<p>O resultado foi uma concentra\u00e7\u00e3o brutal de terras que expulsou posseiros e atraiu, ao mesmo tempo, levas de trabalhadores Sem Terra de outras partes do pa\u00eds, criando o \u201ccaldo social\u201d que explodiria d\u00e9cadas depois. Ayala Ferreira, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST, refor\u00e7a essa an\u00e1lise com dados concretos e um diagn\u00f3stico que aponta para a continuidade desse modelo.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>O massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s no dia 17 de abril de 1996, infelizmente n\u00e3o foi um caso isolado: ele \u00e9 parte de uma realidade dura em que impera a <strong>viol\u00eancia como mecanismo de manuten\u00e7\u00e3o de uma estrutura agr\u00e1ria baseada na extrema concentra\u00e7\u00e3o de terras e de explora\u00e7\u00e3o dos bens da natureza<\/strong>, como as florestas, os minerais e as \u00e1guas. Com isso quero dizer que o que impede de termos uma pol\u00edtica de Reforma Agr\u00e1ria no Par\u00e1 e em nosso pa\u00eds, diz respeito ao modelo baseado na exist\u00eancia do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio.\u201d<\/em><\/p>\n<p><cite><em>Ayala Ferreira, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST<\/em><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Na vis\u00e3o de Ayala, o Estado brasileiro, desde que se entende como tal, privilegiou esse modelo e por isso foi, ao longo dos anos, adotando ferramentas e narrativas para impedir a organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. A viol\u00eancia \u00e9 uma dessas ferramentas, mas n\u00e3o a \u00fanica se considerarmos a criminaliza\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as e a aus\u00eancia cr\u00f4nica de or\u00e7amento e de pol\u00edticas que reconhe\u00e7am a necessidade de democratizar a terra.<\/p>\n<h3>Os feudos do s\u00e9culo XXI<\/h3>\n<p>Uma das narrativas mais repetidas pelo agroneg\u00f3cio e por seus porta-vozes no Parlamento \u00e9 a de que o campo brasileiro se modernizou, que as velhas oligarquias rurais teriam dado lugar a uma agricultura de base cient\u00edfica, integrada ao mercado global, tecnol\u00f3gica e eficiente. Mas quando essa narrativa chega ao sul do Par\u00e1, ela encontra uma realidade que a contradiz.<\/p>\n<p>Jorge Neri apontar que no Par\u00e1 o chamado \u201cagro moderno\u201d n\u00e3o rompeu com as velhas estruturas de poder. Para ele, aqui, at\u00e9 o agro \u201cque se diz moderno\u201d \u00e9 ainda incipiente, no sentido de ainda n\u00e3o estar ligado plenamente aos grandes grupos econ\u00f4micos do agro. Ainda s\u00e3o as fam\u00edlias tradicionais, s\u00e3o velhas oligarquias, associadas a grupos supostamente modernos ligados \u00e0 pecu\u00e1ria, em especial na regi\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Essa regi\u00e3o foi entregue a fam\u00edlias poderosas, e depois virou latif\u00fandio<\/em>\u201c, afirma Neri. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Essa continuidade das oligarquias se manifesta de forma concreta em casos como o do Complexo Fazenda da fam\u00edlia Miranda, onde est\u00e1 localizado o acampamento Terra Liberdade. Conforme descreve Neri, s\u00e3o mais de 150.000 hectares de terra de uma fam\u00edlia marcada pela pr\u00e1tica ilegal, pela explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano, com den\u00fancias de trabalho escravo de pr\u00e1tica de crimes ambientais, mas que nos \u00faltimos 50, 60 anos foram tomando conta dessas terras. O resultado, segundo ele, \u00e9 que<strong> \u201cisso vai se consolidando como um grande feudo em pleno s\u00e9culo XXI\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Neri ressalta que a forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dessas grandes propriedades se deu por meio de um processo que come\u00e7ou no per\u00edodo colonial e se perpetuou at\u00e9 hoje como regi\u00e3o extrativista, da explora\u00e7\u00e3o de castanha, por exemplo. E foi dada a fam\u00edlias poderosas da regi\u00e3o, com t\u00edtulos para a explora\u00e7\u00e3o de castanha, e que depois foi se transformando em t\u00edtulo de propriedade e em um grande latif\u00fandio. \u201cO que era concess\u00e3o extrativista virou propriedade privada e depois pecu\u00e1ria, e o Estado brasileiro validou cada passo dessa convers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ayala, por sua vez, chama a aten\u00e7\u00e3o para o papel que a pol\u00edtica de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria \u2014 que deveria resolver o problema da grilagem \u2014 acabou tendo o efeito oposto em muitos casos. Conforme aponta a dirigente nacional do MST, a pol\u00edtica de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria deveria ter apontado a disponibilidade de terras que poderiam ser destinadas para a Reforma Agr\u00e1ria e para a demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais, mas n\u00e3o foi o que aconteceu. \u201cUma pol\u00edtica descolada de fiscaliza\u00e7\u00e3o <em>in loco<\/em> para investigar quem verdadeiramente estava na posse das \u00e1reas acabou levando o Estado a \u201clegalizar\u201d propriedades rurais que foram griladas ou que n\u00e3o cumprem fun\u00e7\u00e3o alguma que n\u00e3o seja viver da especula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h3>Impunidades: o barril de p\u00f3lvora que s\u00f3 cresceu<\/h3>\n<p>Ao lado do latif\u00fandio pecuarista e da especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, h\u00e1 um terceiro ator que estrutura a crise agr\u00e1ria e social do sul do Par\u00e1: <strong>a minera\u00e7\u00e3o<\/strong>. Em especial, a Vale, que nasceu como estatal e foi privatizada em 1997, um ano ap\u00f3s o massacre, concentra um imenso patrim\u00f4nio de terras espalhadas no estado, com particular densidade no sudeste do Par\u00e1, em especial na regi\u00e3o de Caraj\u00e1s.<\/p>\n<p>Para o Movimento e seus aliados, esse territ\u00f3rio poderia e deveria ser destinado \u00e0 Reforma Agr\u00e1ria. Neri argumenta que \u201cacreditamos que uma empresa mineradora n\u00e3o precise de tanta terra, haja vista que o objeto dela \u00e9 focado em algumas jazidas minerais, e que essas terras poderiam estar dispon\u00edveis \u00e0 Reforma Agr\u00e1ria\u201d, afirma. Na verdade, a expans\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m alimenta o ciclo de pobreza e migra\u00e7\u00e3o que pressiona os territ\u00f3rios em disputa.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio que Neri descreve para as cidades da regi\u00e3o \u00e9 o de um desenvolvimento perverso, que gera riqueza para poucos e exclus\u00e3o para muitos. Munic\u00edpios como Eldorado do Caraj\u00e1s, Curion\u00f3polis, Marab\u00e1, Parauapebas e Xinguara concentram centenas de milhares de pobres que, n\u00e3o tendo outro meio para acessar o direito digno \u00e0 vida, tendem a focar na disputa pela terra, seja ela para o trabalho da agricultura, da Reforma Agr\u00e1ria, seja para a posse da terra, para moradia. Sem pol\u00edtica de habita\u00e7\u00e3o, a disputa pela terra vira sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>A concentra\u00e7\u00e3o de terra trouxe muita gente sem-terra pra c\u00e1. O governo incentivou mas n\u00e3o criou pol\u00edtica pra resolver a vida desse povo, e a\u00ed virou esse palco de viol\u00eancia. O Estado passou a usar a pol\u00edcia e Judici\u00e1rio pra impor derrota aos trabalhadores rurais, como se lutar por terra fosse crime\u201d, <\/em>denuncia Neri.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A dimens\u00e3o da impunidade em rela\u00e7\u00e3o aos crimes do campo \u00e9 igualmente estrutural e, segundo Ayala, os n\u00fameros revelam a extens\u00e3o do problema. De <strong>1985 a 2024, cerca de 1.833 pessoas foram assassinadas por conflitos no campo no Brasil, e 44% desses assassinatos ocorreram na Amaz\u00f4nia<\/strong>, segundo os relat\u00f3rios da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT). Na perspectiva de Ferreira, isso revela a segunda ferramenta de sustenta\u00e7\u00e3o do modelo latifundi\u00e1rio: a cultura da impunidade como resposta aos casos de viol\u00eancia. <\/p>\n<p>\u201cA <strong>cultura da impunidade<\/strong> com que os casos de viol\u00eancia s\u00e3o tratados \u00e9 muito grave. Apenas 61 destes conflitos levantados pela CPT chegaram a julgamento. Destes processos, houve den\u00fancia de mandantes em 30 casos (metade deles acabou absolvida), enquanto 42 pistoleiros foram condenados como executores. A maior parte dos homic\u00eddios nunca teve inqu\u00e9rito conclu\u00eddo\u201d, relembra a dirigente do MST.<\/p>\n<p><strong>Matar lideran\u00e7a rural no Brasil, historicamente, n\u00e3o tem consequ\u00eancias para os mandantes<\/strong>. Essa realidade, trinta anos ap\u00f3s o massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s, permanece praticamente intacta \u2014 e \u00e9 parte do diagn\u00f3stico que o Movimento carrega para a mem\u00f3ria e den\u00fancia em rela\u00e7\u00e3o ao 17 de abril.<\/p>\n<h3>O dia que virou s\u00edmbolo global<\/h3>\n<p>A presen\u00e7a das c\u00e2meras de televis\u00e3o na Curva do S transformou o massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s uma trag\u00e9dia de alcance mundial, e isso mudou o curso da hist\u00f3ria do Movimento e da luta camponesa internacional. Ag\u00eancias como Reuters, Associated Press e AFP distribu\u00edram imagens e relatos do epis\u00f3dio para dezenas de pa\u00edses nas primeiras 24 horas. A Anistia Internacional e a Human Rights Watch publicaram relat\u00f3rios exigindo investiga\u00e7\u00e3o independente e responsabiliza\u00e7\u00e3o dos envolvidos. Governos europeus, especialmente da Fran\u00e7a, Alemanha e Portugal, manifestaram preocupa\u00e7\u00e3o formal ao Itamaraty.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"466\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Eldorado-do-Carajas_1996_Pesquisa-de-imagens-Arquivo-e-Memoria-MST_-Foto-JR-Ripper-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Eldorado-do-Carajas_1996_Pesquisa-de-imagens-Arquivo-e-Memoria-MST_-Foto-JR-Ripper-1.jpg 700w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Eldorado-do-Carajas_1996_Pesquisa-de-imagens-Arquivo-e-Memoria-MST_-Foto-J.R.-Ripper-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\"><figcaption><em>Enterro das v\u00edtimas do Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s, 1996. Foto: J.R.Ripper<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O Brasil, que havia conseguido manter os assassinatos de lideran\u00e7as rurais a categoria de \u201cocorr\u00eancias locais\u201d, como a morte encomendada de Chico Mendes anos antes, foi colocado no centro do debate internacional sobre a impunidade e viol\u00eancia no campo. A dimens\u00e3o do 17 de abril, com 21 mortos em uma \u00fanica opera\u00e7\u00e3o policial, filmados e documentados, fez com que o pa\u00eds passasse a ser acompanhado por organismos internacionais de direitos humanos com uma aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha antes.<\/p>\n<p>Em 1998, um cons\u00f3rcio de organiza\u00e7\u00f5es brasileiras de direitos humanos, com apoio de entidades internacionais, apresentou peti\u00e7\u00e3o \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), responsabilizando o Estado brasileiro pelas mortes e pelas falhas sistem\u00e1ticas na condu\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o criminal. Aqui, entrava a luta contra a cultura da impunidade, com uma peti\u00e7\u00e3o que documentava n\u00e3o apenas os assassinatos e ferimentos do massacre, mas a morosidade do processo judicial, onde os principais r\u00e9us, o coronel M\u00e1rio Pantoja e o major Jos\u00e9 Oliveira, permaneciam em liberdade anos depois, beneficiados por recursos e manobras protelat\u00f3rias. Em 2000, o Brasil firmou acordo de solu\u00e7\u00e3o amistosa com a Comiss\u00e3o, comprometendo-se a indenizar as fam\u00edlias das v\u00edtimas e a agilizar os processos criminais.<\/p>\n<p>O impacto mais duradouro do 17 de abril, por\u00e9m, foi a transforma\u00e7\u00e3o da data em s\u00edmbolo global de resist\u00eancia. Em resposta direta ao massacre, a Via Campesina, organiza\u00e7\u00e3o internacional que re\u00fane movimentos camponeses de mais de 70 pa\u00edses em todos os continentes, declarou o <strong>17 de abril como o Dia Internacional de Luta Camponesa<\/strong>. A cada ano, no 17 de abril, camponeses no Brasil, na \u00cdndia, na Indon\u00e9sia, na \u00c1frica do Sul e em dezenas de outros pa\u00edses organizam marchas, ocupa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas e manifesta\u00e7\u00f5es em refer\u00eancia ao que aconteceu na PA-150.<\/p>\n<p>O efeito imediato do massacre no interior do Brasil foi contradit\u00f3rio e revelador. Afinal, se o objetivo da viol\u00eancia policial era intimidar e desarticular o Movimento, o resultado foi o oposto. Nos meses seguintes ao 17 de abril, o n\u00famero de acampamentos do MST no pa\u00eds cresceu de forma expressiva. Segundo dados hist\u00f3ricos da CPT, o ano de 1996 registrou o maior n\u00famero de fam\u00edlias envolvidas em conflitos no campo at\u00e9 ent\u00e3o no Brasil, com mais de 167 mil fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de disputa por terra. A bala desta vez n\u00e3o silenciou, mas organizou e fortaleceu o povo.<\/p>\n<p><strong>Mas se o 17 de abril de 1996 produziu uma como\u00e7\u00e3o nacional e internacional que levou o governo federal a anunciar compromissos com a Reforma Agr\u00e1ria, o que as tr\u00eas d\u00e9cadas seguintes revelaram foi a fragilidade e a insinceridade desses compromissos?<\/strong><\/p>\n<p>Dados do INCRA mostram que o n\u00famero de fam\u00edlias assentadas no Par\u00e1 cresceu ligeiramente entre 1997 e 2002, mas o ritmo desacelerou ao longo dos governos seguintes, com exce\u00e7\u00e3o de uma retomada parcial no primeiro mandato do presidente Lula. A partir de meados dos anos 2000, a Reforma Agr\u00e1ria no Par\u00e1 entrou em um colapso progressivo que se aprofundou na segunda metade da d\u00e9cada de 2010.<\/p>\n<p>Para Neri, enquanto a Reforma Agr\u00e1ria estagnou, o agroneg\u00f3cio expandiu suas fronteiras no sul do Par\u00e1 de forma acelerada e, em muitos casos, juridicamente respaldada. A \u00e1rea plantada de soja no sudeste paraense, que era residual em 1996, ultrapassou 2 milh\u00f5es de hectares nos anos 2020, acompanhada pela expans\u00e3o acelerada da pecu\u00e1ria intensiva. Pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon) e do Instituto Socioambiental (ISA) indicam que grandes propriet\u00e1rios utilizaram o processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria para consolidar fazendas em regi\u00f5es historicamente disputadas. Munic\u00edpios que eram cenas de conflito agr\u00e1rio aberto tornaram-se polos do agroneg\u00f3cio regional.<\/p>\n<h3>Luta pela terra e Pol\u00edticas P\u00fablicas<\/h3>\n<p>Diante desse diagn\u00f3stico, o MST n\u00e3o chega ao marco dos 30 anos do Massacre apenas com a mem\u00f3ria das v\u00edtimas, mas com uma pauta concreta, urgente e estrutural, endere\u00e7ada ao governo federal, ao governo do estado do Par\u00e1 e \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es que lucram com a terra da Amaz\u00f4nia. \u00c9 uma pauta que nasce do ac\u00famulo de d\u00e9cadas de luta, de acampamentos que envelheceram esperando resposta do Estado, de lideran\u00e7as assassinadas com impunidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 urg\u00eancia das medidas imediatas, segundo Nery. \u201cO governo precisa tomar medidas emergenciais, por exemplo, agora, assentar todas as fam\u00edlias que est\u00e3o acampadas do MST, em especial nas \u00e1reas mais conflituosas.\u201d <\/p>\n<p>Ele aponta ainda para a necessidade de o Estado colocar recursos para aquisi\u00e7\u00e3o de terra e de fazer com que a Companhia Vale disponibilize recursos do seu amplo imp\u00e9rio de riqueza, constitu\u00eddo a partir da extra\u00e7\u00e3o de recursos do subsolo, al\u00e9m de disponibilizar pol\u00edticas de assentamento e de aquisi\u00e7\u00e3o de terras para assentar essas fam\u00edlias.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>O Movimento demanda concretamente do governo federal \u00e9 coragem de retomar uma pol\u00edtica de desenvolvimento em nosso pa\u00eds, pautado na supera\u00e7\u00e3o das desigualdades e no combate aos privil\u00e9gios de uma elite usurpadora dos bens coletivos. No campo, esse modelo de desenvolvimento seria um que garantisse a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 terra, o reconhecimento dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos livre da especula\u00e7\u00e3o financeira e de agrot\u00f3xicos, na concess\u00e3o de cr\u00e9ditos e investimentos nos territ\u00f3rios da agricultura familiar garantindo acesso \u00e0 moradia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a, tecnologias \u00e0queles\/as que vivem no campo.\u201d<\/em><\/p>\n<p><cite>Ayala Ferreira<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Todo ano no 17 de abril, o MST relembra a mem\u00f3ria dos M\u00e1rtires de Eldorado do Caraj\u00e1s, como quem ocupa a terra: com organiza\u00e7\u00e3o, com disciplina e com a consci\u00eancia de que a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 apenas o passado, mas sim instrumento do presente. <\/p>\n<p>Os nomes dos 21 trabalhadores Sem Terra assassinados na Curva do S n\u00e3o s\u00e3o apenas inscri\u00e7\u00f5es em placas de m\u00e1rmore ou em relat\u00f3rios de organismos internacionais. S\u00e3o nomes que os Sem Terra carregam nos corpos, nas marchas, nos acampamentos e assentamentos, que resistem nas bordas das fazendas improdutivas, na voz de quem ainda reivindica o mesmo que aqueles trabalhadores reivindicavam em abril de 1996.<\/p>\n<p>A luta pela terra passa a ser um elemento importante para pensar qualquer tipo de desenvolvimento regional, conforme aponta Neri, que inclua o cuidado com a quest\u00e3o ambiental, o cuidado em repensar a pr\u00e1tica de pol\u00edticas econ\u00f4micas na regi\u00e3o, que n\u00e3o s\u00f3 olhe para fora, para exporta\u00e7\u00e3o da biodiversidade como commodities. <strong>A Reforma Agr\u00e1ria Popular n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 distribui\u00e7\u00e3o de terra: \u00e9 um projeto civilizat\u00f3rio para a Amaz\u00f4nia.<\/strong><\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"333\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/01JLB127.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/01JLB127.jpg 500w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/01JLB127-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\"><figcaption><em>Memorial ao Massacre dos 21 Sem Terra, em 17 de abril de 1996, na curva do S, em Eldorado do Caraj\u00e1s \u2013 PA, 2004. Imagem: J.L. Bulc\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O que se avizinha, na avalia\u00e7\u00e3o de Neri, \u00e9 um novo ciclo de viol\u00eancia. Mas o Movimento Sem Terra chega a esse momento com d\u00e9cadas de ac\u00famulo, com dezenas de acampamentos organizados, com dirigentes que articulam a luta nacional e internacionalmente, e com <strong>a mem\u00f3ria dos M\u00e1rtires de Abril como combust\u00edvel.<\/strong><\/p>\n<p>A viol\u00eancia \u00e9 um patrim\u00f4nio das elites, como sublinha Neri, em resposta aos setores populares que se organizam desde o per\u00edodo do Imp\u00e9rio, passando pela Rep\u00fablica, em que foram registradas v\u00e1rias formas de lutas populares para reivindicar melhores condi\u00e7\u00f5es para os amaz\u00f4nidas. <\/p>\n<p><strong>Trinta anos depois da Curva do S, a pergunta que os\/as trabalhadores\/as Sem Terra fazem ao Estado brasileiro \u00e9 a mesma: a quem pertence a terra?<\/strong> E a resposta que o Movimento constr\u00f3i na mobiliza\u00e7\u00e3o de massa permanente  \u2014 de acampamento em acampamento, marcha por marcha, 17 de abril por 17 de abril \u2014 <strong>\u00e9 que a terra pertence a quem nela trabalha<\/strong>. Essa convic\u00e7\u00e3o foi mais forte do que os 21 corpos de trabalhadores sem vida, que o Estado deixou na estrada, em 1996. E continuar\u00e1 sendo.<\/p>\n<p><em>Confira abaixo infogr\u00e1fico sobre os marcos do 30 anos do massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s:<\/em><\/p>\n<link href=\"https:\/\/fonts.googleapis.com\/css2?family=Playfair+Display:wght@700;900&amp;family=Lora:wght@400;600&amp;display=swap\" rel=\"stylesheet\">\n<div>\n<div>\n<div>\n<h2>Eventos Centrais da Quest\u00e3o Agr\u00e1ria no Par\u00e1 (1970\u20132026)<\/h2>\n<div><span><\/span><span><\/span><span><\/span><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n      <svg width=\"14\" height=\"14\" viewbox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\" stroke=\"#888\" stroke-width=\"2\" stroke-linecap=\"round\" stroke-linejoin=\"round\"><circle cx=\"12\" cy=\"12\" r=\"10\"><\/circle><line x1=\"12\" y1=\"8\" x2=\"12\" y2=\"12\"><\/line><line x1=\"12\" y1=\"16\" x2=\"12.01\" y2=\"16\"><\/line><\/svg><br \/>\n      Clique nos cards para revelar a descri\u00e7\u00e3o completa\n    <\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Fonte:<\/strong> CPT \u2014 Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u00a0|\u00a0 MST \u00a0|\u00a0 CIDH\/OEA<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/motta-quer-votar-pec-do-fim-da-escala-6x1-ate-maio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Foto: Cr\u00e9dito: Marcelo Cruz Por Fernanda Alc\u00e2ntaraDa P\u00e1gina do MST Era uma quarta-feira de sol forte no sul do Par\u00e1, a data, 17 de abril de 1996, e cerca de 1.500 trabalhadores rurais marchavam pacificamente pela rodovia PA-150, em dire\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[41912,41913,2396,311,5064,191,722,209],"tags":[],"class_list":["post-80559","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-30-anos-de-impunidade","category-governo-do-para","category-impunidade","category-luta-pela-terra","category-massacre-de-eldorado","category-noticias","category-para","category-reportagens-especiais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80559\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}