{"id":80765,"date":"2026-03-31T16:08:38","date_gmt":"2026-03-31T19:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aracruz-celulose-teria-usado-prisoes-arbitrarias-para-obter-terras-indigenas-na-ditadura\/"},"modified":"2026-03-31T16:08:38","modified_gmt":"2026-03-31T19:08:38","slug":"aracruz-celulose-teria-usado-prisoes-arbitrarias-para-obter-terras-indigenas-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aracruz-celulose-teria-usado-prisoes-arbitrarias-para-obter-terras-indigenas-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Aracruz Celulose teria usado pris\u00f5es arbitr\u00e1rias para obter terras ind\u00edgenas na ditadura"},"content":{"rendered":"<p>Armados, com rev\u00f3lveres \u00e0 mostra e caminhando como se fossem xerifes. Em Aracruz, no Esp\u00edrito Santo, essas cenas foram protagonizadas por um grupo de seguran\u00e7a que teria liga\u00e7\u00e3o com a Aracruz Celulose \u2014 multinacional produtora de celulose e eucalipto. O empreendimento, apurou a <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong> com exclusividade, teria se associado a governos locais e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos na repress\u00e3o a povos tradicionais e na compra de terras ind\u00edgenas e quilombolas durante a ditadura militar no Brasil. Documentos e relatos analisados apontam a explora\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o de trabalhadores e pris\u00f5es arbitr\u00e1rias.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA Aracruz chegou pra c\u00e1 poderosa, ela mandava no Brasil, n\u00e9. Todas as autoridades obedeciam ela porque tudo que eles pediam ela tava ali para ajudar, pra ceder. E ela, se pedir\u2026 Se pedir pro governo um batalh\u00e3o pra vir pra c\u00e1, eles arrumavam na hora\u201d, lembrou Efrain*, ind\u00edgena Tupinikim que narrou ter vivido constantes embates e coa\u00e7\u00f5es para deixar a terra onde nasceu.<\/p>\n<p>A empresa teria usado intermedi\u00e1rios para tomar terras ou as comprar por pre\u00e7os irris\u00f3rios. Documentos e depoimentos tamb\u00e9m apontam estrat\u00e9gias para classificar os territ\u00f3rios como \u00e1reas devolutas \u2014 terras consideradas p\u00fablicas, que n\u00e3o integraram patrim\u00f4nio particular e foram devolvidas ao Estado.\u00a0<\/p>\n<p>Com isso, boa parte das propriedades eram negociadas no mercado e adquiridas pela Aracruz. Mais de 30 aldeias teriam desaparecido ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o da empresa, no Esp\u00edrito Santo, em 1967.<\/p>\n<p>As entrevistas e dados aos quais a <strong>P\u00fablica <\/strong>teve acesso fazem parte do projeto <em>\u201cA responsabilidade de empresas por viola\u00e7\u00f5es de direitos durante a Ditadura\u201d<\/em>, que reuniu 55 pesquisadores. O projeto foi conduzido pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), atrav\u00e9s do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf), em parceria com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo (MPSP).<\/p>\n<p>A reportagem entrou em contato com a Suzano S\/A, empresa a qual a Aracruz foi incorporada, para obter um posicionamento sobre todos os pontos levantados na reportagem. Em nota, a Suzano S.A refor\u00e7ou que somente em 2019 tornou-se sucessora por incorpora\u00e7\u00e3o da Aracruz Celulose. A empresa disse reconhecer \u201ca import\u00e2ncia e os direitos legalmente constitu\u00eddos das comunidades tradicionais, e inclusive disp\u00f5e de pol\u00edtica interna espec\u00edfica para o Relacionamento\u201d com os povos.\u00a0A Suzano S.A tamb\u00e9m afirmou ter compromisso com suas obriga\u00e7\u00f5es legais com comunidades ind\u00edgenas e que mant\u00e9m investimentos sociais com comunidades quilombolas. Al\u00e9m disso, destacou que coopera com o MPF nas investiga\u00e7\u00f5es sobre pr\u00e1ticas adotadas durante a ditadura. Leia a resposta na \u00edntegra aqui. <\/p>\n<figure><figcaption><em>Empresa teria se aliado \u00e0 intelig\u00eancia militar para ocupar propriedades e denunciar trabalhadores<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Aracruz teria se aliado a Funai de militares para prender ind\u00edgenas<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cE enquanto a gente vivia l\u00e1 na Fazenda Guarani, [\u2026] esse Aracruz Celulose entrou aqui e acabou com tudo. Entrou com trator, derrubou a casinha dos \u00edndios; era assim, aquela confus\u00e3o toda\u201d, narrou uma ind\u00edgena.\u00a0<\/p>\n<p>O acabou com tudo, que a ind\u00edgena relata, seria uma estrat\u00e9gia de esvaziamento das terras para facilitar a expans\u00e3o da empresa. Segundo a<strong> P\u00fablica<\/strong> apurou, durante o regime, a pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) teria ajudado nos atos de repress\u00e3o ao participar da pris\u00e3o de ind\u00edgenas levados compulsoriamente \u00e0 Fazenda Guarani \u2014 um centro de deten\u00e7\u00e3o usado em substitui\u00e7\u00e3o ao Reformat\u00f3rio Krenak, em Resplendor (MG). O relat\u00f3rio da Unifesp afirma que, em 1972, pelo menos 30 Guarani e 11 Tupinikim foram levados pela Funai de Aracruz at\u00e9 a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio sobre a morte de um ind\u00edgena d\u00e1 ind\u00edcios de que, na Fazenda Guarani existia um cemit\u00e9rio improvisado. O documento, datado em 29 de agosto de 1973, descreve que um guarani havia sido sepultado num \u201ccemit\u00e9rio improvisado\u201d na \u00e1rea da fazenda.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>Documento da Funai descreve que um guarani havia sido sepultado num \u201ccemit\u00e9rio improvisado\u201d na \u00e1rea da fazenda<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A Aracruz, aliada a governos locais, teria se aproveitado da dificuldade de moradores, o que incluiam quilombolas e ind\u00edgenas, em comprovar documentalmente que eram donos das propriedades onde viviam. Com isso, as terras eram consideradas devolutas, passavam a ser requisitadas pelo poder p\u00fablico e posteriormente eram repassadas \u00e0 empresa. A pr\u00e1tica teria ocorrido sobretudo entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980.<\/p>\n<p>As aquisi\u00e7\u00f5es indevidas foram realizadas, segundo a pesquisa da Unifesp, de duas principais formas: ind\u00edgenas eram expulsos de suas terras e quilombolas tinham terrenos comprados por \u201claranjas\u201d.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 dif\u00edcil dimensionar o n\u00famero de ind\u00edgenas afetados; no entanto, cerca de 12 mil fam\u00edlias quilombolas habitavam a regi\u00e3o do Esp\u00edrito Santo chamada de Sap\u00ea do Norte \u2014 nos munic\u00edpios de S\u00e3o Mateus e Concei\u00e7\u00e3o da Barra \u2014 antes da instala\u00e7\u00e3o da empresa e a ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Atualmente, a popula\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea soma menos de 2 mil pessoas.\u00a0<\/p>\n<p>Durante a Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Aracruz, instalada em 2002 pela Assembleia Legislativa do Esp\u00edrito Santo, um representante do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI) cita que um major reformado da Pol\u00edcia Militar e outros agentes teriam coagido e amea\u00e7ado os habitantes. \u201cAqueles que resistiam e n\u00e3o queriam vender as suas terras eram pressionados\u201d, disse o representante.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, a lei estadual n\u00ba 16 de 1967 determinava que, entre os crit\u00e9rios para a legitima\u00e7\u00e3o de posse, o propriet\u00e1rio deveria ter morada habitual no local pelo prazo m\u00ednimo de tr\u00eas anos. Contudo, aponta a Unifesp, a norma foi desrespeitada durante as transfer\u00eancias. Al\u00e9m disso, a legisla\u00e7\u00e3o estipulava que terras do Estado s\u00f3 poderiam ser compradas por quem fosse \u201cpossuidor de propriedade insuficiente para o sustento pr\u00f3prio e de sua fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEles falavam que nossas terras \u00e9 uma terra devoluta, n\u00e9, que n\u00e3o tinha documento. [\u2026] e quando a terra \u00e9 devoluta [\u2026] O governo estadual, o federal ou municipal faz o que quer n\u00e9. Pegou e deu [\u2026] Entregou para essas empresas, para a Aracruz Celulose, l\u00e1 elas se instalaram. Veio com um projeto de montar uma f\u00e1brica, trazer progresso pra dentro do munic\u00edpio de Aracruz. E come\u00e7ou a instalar a ind\u00fastria, come\u00e7ou a derrubar a mata\u201d, enfatizou Efraim*.\u00a0<\/p>\n<p>A CPI da Aracruz mostrou tamb\u00e9m uma lista de 34 funcion\u00e1rios que adquiriram terras sem preencher os requisitos legais e em seguida as transferiram para a empresa. \u201cTeve casos em que no mesmo dia foi passado para a empresa. Teve caso de um funcion\u00e1rio que nasceu em 1947 e no t\u00edtulo de propriedade diz que ele j\u00e1 era propriet\u00e1rio da terra em 1945. Ou seja, dois anos antes de nascer\u201d, frisou Joana Ferraz, professora da Universidade Federal Fluminense e integrante da pesquisa da Unifesp. A CPI foi arquivada no ano de 2003.<\/p>\n<h3><strong>Ind\u00edgenas teriam trabalhado em regime de \u201csemi-servid\u00e3o\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Ind\u00edgenas e quilombolas tamb\u00e9m fizeram parte dos trabalhadores da Aracruz que foram submetidos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas. A m\u00e3o de obra ind\u00edgena come\u00e7ou a ser utilizada em 1967 para capina e prepara\u00e7\u00e3o da terra para as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto. Quilombolas exerceram atividades semelhantes no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, no Sap\u00ea do Norte.\u00a0<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio da Funai de 1975 descreve que um m\u00e9dico do posto de sa\u00fade de Aracruz afirmou ter visto ind\u00edgenas numa situa\u00e7\u00e3o de \u201csemi-servid\u00e3o\u201d \u2014 termo equivalente \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o atual de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, conforme a pesquisadora Joana Ferraz.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPara ele [m\u00e9dico de Aracruz], o tratamento da \u00e9poca da escravid\u00e3o e o que os \u00edndios recebem hoje tem pouca diferen\u00e7a. V\u00e1rias vezes ele presta assist\u00eancia aos que adoecem no trabalho em consequ\u00eancia do tratamento desumano que v\u00eam recebendo\u201d, frisava o relat\u00f3rio.\u00a0<\/p>\n<p>Documentos obtidos pela Unifesp tamb\u00e9m evidenciam que quilombolas atuavam sem v\u00ednculos formais e sem remunera\u00e7\u00e3o financeira. Os pagamentos teriam se resumido a res\u00edduos de eucalipto usados para a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>Relat\u00f3rio da Funai apontou ind\u00edgenas em regime de \u201csemi-servid\u00e3o\u201d<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>\u201cVi morrer gente de todo tipo\u201d, diz ex operador da Aracruz<\/strong><\/h3>\n<p>Na CPI da Aracruz, instalada em 2002, surgiu a den\u00fancia de que mais de 80 trabalhadores sofreram danos durante as atividades em campo \u2014 mutila\u00e7\u00f5es e perda de partes do corpo, por exemplo. Num dos depoimentos, Roberto*, que trabalhou como operador de m\u00e1quinas para a Aracruz entre 1977 e 1994, disse ter presenciado \u201cbarbaridades\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira como os oper\u00e1rios eram tratados.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cVi morrer gente de todo tipo \u2014 debaixo de \u00e1rvore, de trator, com corrente. Morria gente que vivia no desmatamento. Ca\u00eda galho de \u00e1rvore em cima. Pessoas que trabalhavam com motosserra foram contaminadas porque usavam benzeno [componente usado em combust\u00edveis para aumentar a pot\u00eancia dos motores] e acabaram contraindo uma doen\u00e7a chamada leucopenia [quando a quantidade de c\u00e9lulas brancas no sangue est\u00e1 abaixo do normal]\u201d.<\/p>\n<p>O ex-funcion\u00e1rio explicou que o benzeno era utilizado em motores de motosserra e que pelo menos 35 pessoas tiveram problemas de sa\u00fade causados pelo produto. Afirmou ainda ter sido demitido ap\u00f3s fraturar uma das pernas e ter sofrido amea\u00e7as de um \u201ccapit\u00e3o\u201d para assinar o pedido de aviso pr\u00e9vio de demiss\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQuebrei a perna. Tenho a perna toda emendada de platina. Quando retornei, a empresa me mandou embora. Fui obrigado a assinar o aviso. O capit\u00e3o me amea\u00e7ou com um cassetete na m\u00e3o. Fomos amea\u00e7ados: eu\u2026 Fomos para a rua, perdemos o emprego\u201d, relatou Roberto*, destacando a agress\u00e3o que um ex-colega sofreu. \u201cAssinou [o aviso pr\u00e9vio] porque o capit\u00e3o bateu com o cassetete no lombo dele\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Aracruz teria denunciado funcion\u00e1rios grevistas ao DOPS da ditadura<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1975, a Aracruz criou o bairro \u201cCoqueiral de Aracruz\u201d para receber funcion\u00e1rios especializados na produ\u00e7\u00e3o de pasta de celulose branqueada. Os relatos obtidos pela Unifesp retratam o monitoramento constante dos trabalhadores: com vigil\u00e2ncia 24 horas, controle do transporte e an\u00e1lise pr\u00e9via dos conte\u00fados que seriam transmitidos na rede interna de TV \u2013 n\u00e3o havia sinal aberto.\u00a0<\/p>\n<p>O monitoramento tamb\u00e9m era ligado ao Estado. Alguns registros demonstram proximidade entre a empresa e o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) \u2014 \u00f3rg\u00e3o de intelig\u00eancia do regime militar \u2014 no compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es sobre grevistas. Num dos epis\u00f3dios, em 1979, h\u00e1 um relat\u00f3rio do DOPS informando ter recebido ordem para ir ao local onde oper\u00e1rios se manifestavam e l\u00e1 os agentes teriam recebido a ficha funcional dos trabalhadores ap\u00f3s o contato com o assessor jur\u00eddico, o chefe de seguran\u00e7a pessoal e de pessoal da Aracruz.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>Ficha de trabalhadores compartilhada entre a Aracruz e o DOPS demonstra proximidade entre a empresa e o \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Numa outra paralisa\u00e7\u00e3o, em 1986, trabalhadores foram expulsos de dentro de uma das f\u00e1bricas por militares armados. \u201cQuando n\u00f3s deflagramos a greve, o Ex\u00e9rcito j\u00e1 tava dentro da empresa, militares do Ex\u00e9rcito de metralhadora na m\u00e3o expulsaram todo mundo pro port\u00e3o, pro lado de fora do estacionamento, eles fecharam os port\u00f5es da f\u00e1brica. Quem ficou dentro da f\u00e1brica ficou vigiado 24 horas\u201d, detalhou uma das fontes.<\/p>\n<p>Os registros entregues pela Aracruz ao DOPS continham informa\u00e7\u00f5es pessoais, como filia\u00e7\u00e3o, endere\u00e7o, n\u00fameros das carteiras de identidade e de trabalho. Tamb\u00e9m havia observa\u00e7\u00f5es a respeito de contribui\u00e7\u00f5es sindicais e o per\u00edodo de f\u00e9rias.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Aracruz cresceu com apoio do BNDES<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2009, a Aracruz, que chegou a ser maior produtora de celulose do mundo, fundiu-se \u00e0 Votorantim Celulose e Papel (VCP). A uni\u00e3o resultou na cria\u00e7\u00e3o da Fibria, que nasceu com cerca de 15 mil funcion\u00e1rios. Dez anos depois, em 2019, outra fus\u00e3o: desta vez, a Fibria se une \u00e0 Suzano Papel Celulose, levando ao surgimento da Suzano S\/A \u2014 hoje com 11 unidades industriais espalhadas pelo Brasil e 35 mil funcion\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio dos trabalhos, a Aracruz teve amplo apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social), que at\u00e9 1982 se chamava BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico). O relat\u00f3rio da Unifesp traz evid\u00eancias de que o banco foi respons\u00e1vel por 55% do investimento total da empresa \u2014 entre 1967 e 1975.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a empresa tinha entre os acionistas Ant\u00f4nio Dias Leite Jr e Eliezer Batista.<\/p>\n<p>O primeiro fez parte do Grupo de Estudos e Doutrina do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), institui\u00e7\u00e3o que esteve entre os financiadores do golpe que destituiu Jo\u00e3o Goulart da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em mar\u00e7o de 1964. O IPES financiou parlamentares e opositores ao ent\u00e3o governo em campanhas contra o mito comunista no Brasil. Leite Jr foi Ministro de Minas e Energia no governo militar entre 1969 a 1974.<\/p>\n<p>J\u00e1 Eliezer Batista, pai do empres\u00e1rio Eike Batista, foi presidente da Vale do Rio Doce de 1961 a 1964 e entre 1979 e 1986. Em entrevista ao Museu da Pessoa, em 2003, ele contou que, junto a Leite Jr, eles atuaram na lei 5.106 de 1966, que regulou os incentivos fiscais concedidos a empreendimentos florestais e, consequentemente, facilitou a amplia\u00e7\u00e3o do projeto Aracruz.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEle [Leite Jr] fez uma grande parte do estudo da Lei Florestal, a gente completou aquilo e vendemos a ideia baseado no incentivo fiscal do imposto de renda, n\u00e9? Ele vendeu isso para o Ot\u00e1vio Medeiros de Bulh\u00f5es, que era ministro da Fazenda na \u00e9poca. Eu vendi para o Nei Braga, que era o ministro da Agricultura e amigo meu\u201d, comentou Eliezer, falecido em 2018.\u00a0<\/p>\n<p>Durante os financiamentos, a Aracruz, segundo os pesquisadores, teve condi\u00e7\u00f5es excepcionais de investimentos para a \u00e9poca, a exemplo do abatimento do imposto de renda de qualquer excesso eventual.\u00a0<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/anatel-reage-para-asfixiar-provedores-de-internet-do-crime-organizado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Captura-de-Tela-2025-07-10-as-143302-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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