{"id":80841,"date":"2026-03-31T21:12:39","date_gmt":"2026-04-01T00:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/as-mulheres-sao-coletivas-e-movem-o-pais-diz-marcia-lopes\/"},"modified":"2026-03-31T21:12:39","modified_gmt":"2026-04-01T00:12:39","slug":"as-mulheres-sao-coletivas-e-movem-o-pais-diz-marcia-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/as-mulheres-sao-coletivas-e-movem-o-pais-diz-marcia-lopes\/","title":{"rendered":"\u201cAs mulheres s\u00e3o coletivas e movem o pa\u00eds\u201d, diz Marcia Lopes"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption><strong>Marcia Lopes, ministra das Mulheres, defende pol\u00edticas p\u00fablicas integradas e o enfrentamento estrutural da viol\u00eancia de g\u00eanero, com aten\u00e7\u00e3o ao impacto das redes sociais na reprodu\u00e7\u00e3o da misoginia<br \/><\/strong>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil <\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o quebrar esse ciclo, n\u00e3o muda.\u201d A frase da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ministra das Mulheres<\/a>, Marcia Lopes, n\u00e3o \u00e9 apenas um diagn\u00f3stico, mas um alerta sobre a profundidade de uma viol\u00eancia que atravessa a hist\u00f3ria brasileira e segue se reproduzindo no presente.<\/p>\n<p>\u00c0 frente da pasta respons\u00e1vel por articular pol\u00edticas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero, ela fala a partir de uma trajet\u00f3ria marcada pela constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e pela experi\u00eancia direta na implementa\u00e7\u00e3o de programas sociais em escala. <\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Focus Brasil, Lopes sustenta que o pa\u00eds vive hoje um momento de reconstru\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s anos de desmonte institucional, mas que ainda enfrenta o desafio central de fazer o Estado chegar antes da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Com uma m\u00e9dia de quatro feminic\u00eddios por dia, o Brasil exp\u00f5e n\u00e3o apenas a brutalidade dos n\u00fameros, mas os limites hist\u00f3ricos de uma resposta fragmentada. Para a ministra, n\u00e3o se trata apenas de endurecer leis ou ampliar puni\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lei, \u00e9 o sistema que precisa funcionar\u201d, afirma, ao defender a integra\u00e7\u00e3o entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios como condi\u00e7\u00e3o para que pol\u00edticas p\u00fablicas sejam Ministra das Mulheres destaca o papel coletivo das mulheres na reconstru\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds, defende pol\u00edticas p\u00fablicas integradas e alerta para o avan\u00e7o da viol\u00eancia e da misoginia nas redesefetivas. Ao mesmo tempo, aponta que h\u00e1 caminhos concretos j\u00e1 em curso, especialmente quando h\u00e1 decis\u00e3o pol\u00edtica e investimento cont\u00ednuo em redes de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Pol\u00edticas para mulheres ainda representam desafios<\/h4>\n<p>Ao longo da entrevista, Lopes articula duas frentes que considera indissoci\u00e1veis. De um lado, a reconstru\u00e7\u00e3o institucional, com a recria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Mulheres, a retomada de programas e a articula\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas Poderes por meio do pacto nacional contra o feminic\u00eddio. <\/p>\n<p>\u201cO Estado chega antes quando ele estrutura uma rede de servi\u00e7os adequada\u201d, diz, ao citar experi\u00eancias municipais que conseguiram reduzir drasticamente a viol\u00eancia a partir da organiza\u00e7\u00e3o integrada de pol\u00edticas.<\/p>\n<p>De outro, um campo mais difuso, mas igualmente decisivo: a disputa cultural. Para a ministra, o enfrentamento ao feminic\u00eddio exige romper com padr\u00f5es profundamente enraizados na sociedade brasileira, o que passa pela educa\u00e7\u00e3o, pela m\u00eddia e pelas formas de sociabilidade contempor\u00e2neas. Nesse ponto, ela aponta um novo vetor de agravamento da viol\u00eancia. <\/p>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o enfrentar isso, esse discurso de \u00f3dio vai s\u00f3 se reproduzir\u201d, afirma, ao tratar da misoginia nas redes e da transforma\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia digital em um ambiente organizado e lucrativo.<\/p>\n<p>Entre a estrutura do Estado e a forma\u00e7\u00e3o da cultura, a ministra v\u00ea um ponto de converg\u00eancia: a capacidade de dar escala \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas. <\/p>\n<p>\u201cQuando a gente deu escala, as coisas mudaram\u201d, lembra, retomando sua experi\u00eancia na implementa\u00e7\u00e3o de programas sociais. Para ela, \u00e9 nesse <a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/politica-de-cuidados-e-o-enfrentamento-das-desigualdades\/\">cruzamento entre integra\u00e7\u00e3o institucional e mudan\u00e7a cultural <\/a>que se decide o futuro do enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Ministra, a gente est\u00e1 agora em 2026, com uma m\u00e9dia de quatro feminic\u00eddios por dia. Agora, assistindo ao notici\u00e1rio antes de receb\u00ea-la, contaram outro caso escabroso aqui no interior de S\u00e3o Paulo. \u00c9 todo dia que a gente amanhece, tem outro. Como \u00e9 que a gente faz para que o Estado deixe de s\u00f3 resolver isso depois que a viol\u00eancia j\u00e1 aconteceu? Como que a gente vai antecipar, o Estado chegar antes?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Na verdade, acho que esse \u00e9 um dos maiores desafios atuais do Estado brasileiro e da sociedade. Acho que uma primeira quest\u00e3o \u00e9 a gente entender que essa situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, que sempre existiu e que foi naturalizada, enfim, \u00e9 preciso que a gente tenha a devida no\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o estrutural que ela tem e como n\u00f3s temos que, ent\u00e3o, criar estrat\u00e9gias para enfrentar isso.\u00a0<\/p>\n<p>Enfrentar uma quest\u00e3o estrutural no Brasil nunca \u00e9 f\u00e1cil. N\u00f3s temos o racismo, a homofobia, a transfobia, preconceitos de toda natureza, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da mulher. A gente fica repetindo que isso \u00e9 resultado de um processo do patriarcado, mas, na verdade, \u00e9 uma quest\u00e3o planet\u00e1ria. N\u00f3s tivemos agora na CSW, o maior evento mundial de mulheres da ONU, e n\u00e3o encontramos nenhum pa\u00eds que dissesse que n\u00e3o tem viol\u00eancia contra a mulher. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma quest\u00e3o crucial, estrutural, marcada pelo machismo e pela misoginia. E, dependendo da conjuntura, isso vai se aprofundando.\u00a0<\/p>\n<p>No Brasil, a gente viveu um per\u00edodo muito dif\u00edcil. Quando um governo n\u00e3o cuida das vidas, estimula o uso de armas, desvaloriza, ofende as mulheres, isso tem consequ\u00eancia direta. Entre 2016 e 2022 houve ruptura de pol\u00edticas p\u00fablicas, redes desmontadas, aus\u00eancia de di\u00e1logo. Reconstruir isso d\u00e1 muito trabalho, custa mais caro e demora mais tempo.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando o presidente assume e cria o Minist\u00e9rio das Mulheres, ele demarca um compromisso com uma pol\u00edtica intersetorial. E, quando voc\u00ea pergunta como chegar antes da viol\u00eancia, me parece que s\u00e3o duas grandes dimens\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Uma dimens\u00e3o \u00e9 o Brasil assumir mesmo essa perspectiva de conectar essa realidade com essa forma\u00e7\u00e3o machista, mis\u00f3gina, com essa cultura. Se a gente n\u00e3o quebrar esse ciclo, esse modo de agir, n\u00e3o muda. \u00c9 ter a devida no\u00e7\u00e3o do que seja igualdade de g\u00eanero, igualdade de ra\u00e7a, etnia. Isso depende de forma\u00e7\u00e3o, depende de estar na educa\u00e7\u00e3o o tempo todo, nos curr\u00edculos escolares, desde crian\u00e7a at\u00e9 adulto, e depende tamb\u00e9m da m\u00eddia, da imprensa, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o falarem sobre isso e valorizarem esse debate.\u00a0<\/p>\n<p>A outra dimens\u00e3o \u00e9 estrutural. O Estado chega antes quando ele estrutura o munic\u00edpio, o governo estadual e o governo federal. N\u00f3s temos experi\u00eancias incr\u00edveis. Munic\u00edpios que est\u00e3o h\u00e1 mais de um ano sem feminic\u00eddio, como Niter\u00f3i e Cabo de Santo Agostinho. Isso acontece quando h\u00e1 uma decis\u00e3o pol\u00edtica da lideran\u00e7a e quando se tem investimento nessa rede de prote\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Para denunciar, a mulher precisa ter seguran\u00e7a, precisa ter confian\u00e7a. Ela precisa saber que, ao denunciar, vem um procedimento posterior que a proteja, que contemple medidas r\u00e1pidas, acompanhamento, e que ela tenha acesso \u00e0 rede de pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 sa\u00fade, assist\u00eancia, escola, trabalho. Ou seja, a rede funcionando em escala.\u00a0<\/p>\n<p>Esse foi o meu aprendizado no Fome Zero. Quando a gente deu escala ao Bolsa Fam\u00edlia, ao Pronaf, as coisas mudaram.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Qual seria a primeira mudan\u00e7a concreta que uma mulher em risco vai perceber nesses pr\u00f3ximos meses aqui no pa\u00eds?\u00a0A\u00a0senhora tem dito que n\u00e3o basta ter lei, \u00e9 preciso que todo o sistema cumpra o protocolo de g\u00eanero. Onde hoje o sistema, na sua opini\u00e3o, mais falha nessa abordagem? \u00c9 na pol\u00edcia, no acolhimento da v\u00edtima, no Judici\u00e1rio, na assist\u00eancia?\u00a0<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Primeiro dizer que no Brasil nada \u00e9 simples. Uma coisa \u00e9 a gente pensar na aplica\u00e7\u00e3o de uma lei ou de um projeto numa capital onde j\u00e1 tem instalada uma rede de servi\u00e7os. Outra coisa \u00e9 pensar como \u00e9 que n\u00f3s vamos aplicar isso num munic\u00edpio ribeirinho que fica 12, 15, 20 horas de barco de qualquer servi\u00e7o. \u00c0s vezes at\u00e9 mais.\u00a0<\/p>\n<p>S\u00e3o 5.570 munic\u00edpios com caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias. O que a gente observa \u00e9 que, quando h\u00e1 um governo comprometido, no n\u00edvel federal ele\u00a0cofinancia, coordena, impulsiona iniciativas. Um governo democr\u00e1tico, como o do presidente Lula, se abre, escuta, conhece o territ\u00f3rio.\u00a0<\/p>\n<p>O pacto \u00e9 uma iniciativa do n\u00edvel federal. Juntamos Legislativo, Executivo e Judici\u00e1rio, criamos um comit\u00ea interinstitucional para dizer o que cada um faz e o que precisa fazer melhor, e depois articulamos com estados e munic\u00edpios.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 vemos movimento. Munic\u00edpios criando f\u00f3runs, articulando os tr\u00eas poderes. Isso j\u00e1 mudou. A articula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo convocada, h\u00e1 mais condi\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, e as leis come\u00e7am a avan\u00e7ar, como a criminaliza\u00e7\u00e3o da misoginia.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 a\u00e7\u00f5es concretas. Opera\u00e7\u00f5es que prenderam cinco mil homens, muitos foragidos h\u00e1 anos. Mudan\u00e7as no uso da tornozeleira eletr\u00f4nica, com mais agilidade. Isso j\u00e1 \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que o Estado est\u00e1 se movendo.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, onde falha? Falha na articula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pol\u00edcia, Judici\u00e1rio ou assist\u00eancia. \u00c9 tudo junto. Quando essa rede n\u00e3o funciona integrada, falha.\u00a0<\/p>\n<p>E tem tamb\u00e9m a quest\u00e3o da vis\u00e3o institucional. Ainda h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que mulheres s\u00e3o desencorajadas a denunciar. Temos poucas mulheres como policiais, promotoras, ju\u00edzas, e isso impacta no acolhimento.\u00a0<\/p>\n<p>Mas eu n\u00e3o tenho d\u00favida de que esse pacto j\u00e1 est\u00e1 trazendo mudan\u00e7a. Est\u00e1 criando um ambiente em que as autoridades v\u00e3o ter que agir.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A senhora mencionou a articula\u00e7\u00e3o com os demais minist\u00e9rios\u00a0e tamb\u00e9m\u00a0a rela\u00e7\u00e3o com o movimento de mulheres.\u00a0O movimento parece querer atuar junto do governo nessa batalha.<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Foi muito importante, porque todas as minhas agendas foram articuladas com os movimentos. H\u00e1 engajamento, interesse, necessidade de dire\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00f3s temos o Conselho Nacional de Direitos das Mulheres com forte participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil. Temos f\u00f3runs de mulheres de diferentes segmentos \u2014 quilombolas, ind\u00edgenas, trabalhadoras, pessoas com defici\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>Mas o que eu sinto ainda \u00e9 muita fragmenta\u00e7\u00e3o. Grupos fazendo coisas importantes, mas isolados. A gente precisa juntar, precisa dar escala. Porque o Brasil \u00e9 muito grande. Quando a gente d\u00e1 escala, as coisas acontecem.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A senhora tamb\u00e9m est\u00e1 com a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Vai ter parceria com o MEC? Como entra a Lei Maria da Penha nas escolas?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um ponto central. Toda vez que a gente fala de pol\u00edtica p\u00fablica, a gente diz: tem que estar na educa\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 ali que se forma a cultura. Desde o ber\u00e7\u00e1rio at\u00e9 a vida adulta.\u00a0<\/p>\n<p>Estamos trabalhando com o MEC para regulamentar a Lei Maria da Penha nas escolas. Isso muda tudo.\u00a0<\/p>\n<p>No governo passado, a palavra \u201cg\u00eanero\u201d foi retirada. Hoje estamos retomando esse debate. \u00c9 uma lei sancionada e vamos fazer com que chegue \u00e0s escolas.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estamos avan\u00e7ando nas universidades, com pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, e implantando as\u00a0cuidotecas, para garantir condi\u00e7\u00f5es para que as mulheres estudem e trabalhem.\u00a0<\/p>\n<p>A senhora tamb\u00e9m est\u00e1 com a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Vai ter parceria com o MEC? Como entra a Lei Maria da Penha nas escolas?\u00a0<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um ponto central. Toda vez que a gente fala de pol\u00edtica p\u00fablica, a gente diz: tem que estar na educa\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 ali que se forma a cultura. Desde o ber\u00e7\u00e1rio at\u00e9 a vida adulta.\u00a0<\/p>\n<p>Estamos trabalhando com o MEC para regulamentar a Lei Maria da Penha nas escolas. Isso muda tudo.\u00a0<\/p>\n<p>No governo passado, a palavra \u201cg\u00eanero\u201d foi retirada. Hoje estamos retomando esse debate. \u00c9 uma lei sancionada e vamos fazer com que chegue \u00e0s escolas.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estamos avan\u00e7ando nas universidades, com pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, e implantando as\u00a0cuidotecas, para garantir condi\u00e7\u00f5es para que as mulheres estudem e trabalhem.\u00a0<\/p>\n<p><strong>E tamb\u00e9m\u00a0as pol\u00edticas estruturantes, como as Casas da Mulher Brasileira.<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Sim. Estamos ampliando. Vamos chegar a 43 casas. Tamb\u00e9m ampliando centros de refer\u00eancia, com acolhimento, assist\u00eancia social, psicol\u00f3gica, forma\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Temos iniciativas como lavanderias coletivas, que reorganizam o tempo das mulheres e criam espa\u00e7os de conviv\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>E temos o desafio da igualdade salarial. Mulheres ainda ganham 21% a menos. Isso \u00e9 cumprimento da lei.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Eu\u00a0queria pedir\u00a0que\u00a0a senhora falasse\u00a0rapidamente sobre a quest\u00e3o da misoginia nas redes, que vai virar mais uma batalha\u00a0no nosso campo, n\u00e3o? A regulamenta\u00e7\u00e3o, o acompanhamento.<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nessa confer\u00eancia internacional n\u00f3s tiramos uma declara\u00e7\u00e3o muito importante, muito avan\u00e7ada. Porque, entre os pa\u00edses, n\u00e3o \u00e9 simples avan\u00e7ar nisso. Falar em igualdade de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples de aparecer nos documentos. Mas conseguimos construir uma lei modelo sobre viol\u00eancia digital.\u00a0<\/p>\n<p>E essa lei modelo n\u00f3s j\u00e1 trouxemos para o Brasil assumir. J\u00e1 temos na C\u00e2mara projetos apresentados sobre viol\u00eancia digital.\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 tinha avan\u00e7ado em outras \u00e1reas, como a lei da adultiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, a restri\u00e7\u00e3o de celulares nas escolas. Agora o governo vai editar um decreto importante sobre isso.\u00a0<\/p>\n<p>Porque \u00e9 inadmiss\u00edvel o que tem acontecido. Se a gente n\u00e3o enfrentar isso, esse discurso de \u00f3dio, a misoginia vai s\u00f3 se reproduzir.\u00a0<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 uma ind\u00fastria da viol\u00eancia digital.\u00a0Deepfakes,\u00a0deep\u00a0nudes, redes organizadas. Isso atinge principalmente jovens e virou um neg\u00f3cio econ\u00f4mico.\u00a0<\/p>\n<p>E os donos das plataformas n\u00e3o t\u00eam responsabilidade. Muitas vezes, ao contr\u00e1rio, incentivam esse tipo de conte\u00fado.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o esse processo de naturaliza\u00e7\u00e3o, da \u201cbrincadeira\u201d, da piada, das m\u00fasicas, de tudo isso, vai construindo uma cultura de viol\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>Isso exige de n\u00f3s uma mudan\u00e7a profunda. As redes precisam de uma transforma\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica. O Estado tem que regulamentar.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta trabalhar isso na escola e deixar as redes reproduzirem viol\u00eancia em larga escala. Crian\u00e7as muito novas j\u00e1 est\u00e3o expostas a isso.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o precisamos transformar esse ambiente para que as redes sejam instrumento de prote\u00e7\u00e3o, de aprendizado, de socializa\u00e7\u00e3o das coisas boas que o Brasil produz.\u00a0<\/p>\n<p>E, ao mesmo tempo, quando eu viajo e encontro as mulheres, eu vejo a capacidade que elas t\u00eam de reconstruir, de mobilizar.\u00a0<\/p>\n<p>As mulheres n\u00e3o s\u00e3o ego\u00edstas. Elas s\u00e3o coletivas. Pensam nas outras, nas fam\u00edlias, nos territ\u00f3rios.\u00a0<\/p>\n<p>E isso me encanta muito. Eu vejo a capacidade que elas t\u00eam de levar um pa\u00eds \u00e0 frente.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Estamos h\u00e1 pouco mais de dez anos depois de eleger a primeira mulher presidenta da Rep\u00fablica, e hoje n\u00e3o consegue garantir uma representa\u00e7\u00e3o feminina consistente no Congresso. Como trabalhar essa forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres, preparar essas lideran\u00e7as e enfrentar esse cen\u00e1rio? Que pa\u00eds \u00e9 esse que elegeu uma\u00a0ex-guerrilheira\u00a0presidenta e hoje vive esse estado de viol\u00eancia e baixa representa\u00e7\u00e3o?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>N\u00f3s avan\u00e7amos muito com a Lei Maria da Penha, quando ela caracteriza os tipos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual, psicol\u00f3gica. Depois vem tamb\u00e9m a viol\u00eancia patrimonial, que \u00e9 justamente essa tentativa de criar depend\u00eancia nas mulheres.\u00a0<\/p>\n<p>E a\u00ed n\u00f3s temos in\u00fameras viol\u00eancias, inclusive a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero. Foi a primeira atividade que eu participei, quando tratamos desse tema. Porque n\u00f3s temos hoje 513 parlamentares, sendo 91 mulheres, e \u00e9 impressionante o n\u00edvel de viol\u00eancia que elas sofrem todos os dias.\u00a0<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, s\u00e3o elas respons\u00e1veis por mais de 44% da produ\u00e7\u00e3o legislativa da C\u00e2mara.\u00a0<\/p>\n<p>Com a presidenta Dilma aconteceu algo muito semelhante. Uma trajet\u00f3ria exemplar, uma mulher que foi ministra, chefe da Casa Civil, e que sofreu uma viol\u00eancia absurda, que foi o impeachment. E depois se reconhece que n\u00e3o houve crime.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu penso que o Brasil ainda deve uma repara\u00e7\u00e3o \u00e0 presidenta Dilma. Essa viol\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 cotidiana. Vereadoras contam o que passam, mulheres em todos os espa\u00e7os passam por isso.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o isso impacta diretamente a renova\u00e7\u00e3o do Congresso, como o presidente Lula tem colocado, e exige que a gente enfrente esse debate com mais for\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/petroleo-desperta-o-lado-trump-de-lula\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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