{"id":80885,"date":"2026-03-31T17:56:17","date_gmt":"2026-03-31T20:56:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escravidao-a-reparacao-que-a-onu-deixou-de-fora\/"},"modified":"2026-03-31T17:56:17","modified_gmt":"2026-03-31T20:56:17","slug":"escravidao-a-reparacao-que-a-onu-deixou-de-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escravidao-a-reparacao-que-a-onu-deixou-de-fora\/","title":{"rendered":"Escravid\u00e3o: A repara\u00e7\u00e3o que a ONU deixou de fora"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1440\" height=\"971\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/slaves-without-chains-04.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/slaves-without-chains-04.jpg 1440w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/31174851\/slaves-without-chains-04-300x202.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/31174851\/slaves-without-chains-04-768x518.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/03\/31174851\/slaves-without-chains-04-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1440px) 100vw, 1440px\"><figcaption>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Vanity Fair<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos s\u00e3o presen\u00e7a permanente ao longo da hist\u00f3ria humana, assim como as lutas para enfrent\u00e1-las. Este longo e dif\u00edcil processo \u00e9 parte da contradit\u00f3ria luta por direitos humanos. A afirma\u00e7\u00e3o dos direitos humanos faz sentido, n\u00e3o para quem deles n\u00e3o precisa por ser dono de poder e dinheiro, mas exatamente para aqueles e aquelas que t\u00eam sido v\u00edtimas. Eles fazem sentido como processo de afirma\u00e7\u00e3o da dignidade humana, o que inclui denunciar quando ela est\u00e1 sendo violada. As na\u00e7\u00f5es do mundo deram uma demonstra\u00e7\u00e3o de que ainda h\u00e1 a possibilidade de recuperar um tanto da humanidade que j\u00e1 se perdeu, particularmente aquela que foi atacada e violada pelos processos de escraviza\u00e7\u00e3o de negros e negras africanos\/as.<\/p>\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas, com 123 votos favor\u00e1veis, tr\u00eas contr\u00e1rios (Argentina, Israel e Estados Unidos) e 52 absten\u00e7\u00f5es (incluindo praticamente todos os Estados da Uni\u00e3o Europeia, muitos deles respons\u00e1veis pelo tr\u00e1fico e a escraviza\u00e7\u00e3o em suas col\u00f4nias) aprovou, em 25 de mar\u00e7o de 2026[1], em sua 80\u00aa Assembleia Geral, a <em>Resolu\u00e7\u00e3o sobre a qualifica\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravizados\/as africanos\/as e a escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as como o mais grave crime contra a humanidade<\/em> (A\/80\/L.48)[2]. A aprova\u00e7\u00e3o ocorre no 25\u00ba anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o e Programa de A\u00e7\u00e3o de Durban.<\/p>\n<p>Afirmar que a escraviza\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico de negras\/os escravizados\/as \u00e9 o \u201cmais grave crime contra a humanidade\u201d inclui reconhecer que houve injusti\u00e7a pela magnitude, dura\u00e7\u00e3o, brutalidade, sistematicidade e consequ\u00eancias duradouras do que constituiu uma das formas de mais nefastas do racismo presente nas rela\u00e7\u00f5es que desumanizam negras e negros.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta-4-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta-4-5.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o reconhece que a escraviza\u00e7\u00e3o foi \u201co primeiro regime mundial que codificou seres humanos e seus descendentes como propriedade heredit\u00e1ria, alien\u00e1vel e perp\u00e9tua, que converteu a reprodu\u00e7\u00e3o humana num mecanismo de acumula\u00e7\u00e3o de capital e que institucionalizou a hierarquia racial como princ\u00edpio orientador da ordem pol\u00edtica e econ\u00f4mica internacional\u201d. Isso, em outras palavras, reconhece a economia pol\u00edtica desta grav\u00edssima viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos que se converteu em elemento chave do que foi chamado de \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d que abriu caminho ao \u201ccapitalismo racial\u201d como sistema econ\u00f4mico e a forma\u00e7\u00e3o de grandes pot\u00eancias e imp\u00e9rios modernos.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o reconhece a presen\u00e7a contempor\u00e2nea do tr\u00e1fico de africanos\/as escravizados\/as e da escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as pois sua \u201cl\u00f3gica moral, jur\u00eddica, social e econ\u00f4mica segue alimentando o racismo estrutural, as desigualdades raciais, o subdesenvolvimento, a marginaliza\u00e7\u00e3o e as disparidades socioecon\u00f4micas que afetam de maneira desproporcional aos\/\u00e0s africanos\/as e aos\/\u00e0s afrodescendentes de todo o mundo\u201d. Tamb\u00e9m reconhece quem foram os respons\u00e1veis pela exist\u00eancia de um \u201cregime sistem\u00e1tico, generalizado e institucionalizado de viol\u00eancia, explora\u00e7\u00e3o, desumaniza\u00e7\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o racial\u201d: visto que afirma que dela \u201cparticiparam Estados, entidades privadas, institui\u00e7\u00f5es e outros benefici\u00e1rios em continentes e oceanos\u201d.<\/p>\n<p>A interseccionalidade entre g\u00eanero e ra\u00e7a \u00e9 anotada pela Resolu\u00e7\u00e3o ao dizer que reconhece que esta pr\u00e1tica submetia de \u201cforma sistem\u00e1tica a mulheres e meninas africanas \u00e0 viol\u00eancia sexual, \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, \u00e0 servid\u00e3o dom\u00e9stica e formas de explora\u00e7\u00e3o espec\u00edficas por raz\u00f5es de g\u00eanero, tornando-as especialmente vulner\u00e1veis a m\u00faltiplas e agravadas formas de domina\u00e7\u00e3o racial, sexual e econ\u00f4mica\u201d. Esta situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m inclu\u00eda a aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios jur\u00eddicos como o <em>partus sequitur ventrem, <\/em>que vulnerabilizava sistematicamente os direitos reprodutivos e maternos de mulheres e meninas africanas e as submetia \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada para gerar m\u00e3o de obra escrava.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o reconhece as resist\u00eancias constru\u00eddas pelos\/as africanos\/as e pelos\/as afrodescendentes em todo o mundo, que \u201cn\u00e3o deixaram de resistir desde o come\u00e7o aos crimes da escraviza\u00e7\u00e3o e do tr\u00e1fico de escravizados\/as africanos\/as, nem de se opor a eles e a combat\u00ea-los juridicamente pela tradi\u00e7\u00e3o abolicionista africana, que remonta a mais de seis s\u00e9culos, aos primeiros atos de resist\u00eancia e aos testemunhos, a diplomacia estatal, as lutas armadas e ao recurso estrat\u00e9gico aos tribunais e \u00e0s peti\u00e7\u00f5es, entre outras medidas, para reivindicar os direitos humanos, a dignidade, a autonomia sobre o corpo e a soberania territorial\u201d. Neste sentido, tamb\u00e9m reconhece a tradi\u00e7\u00e3o africana que afirma a dignidade humana, como se encontra na <em>Kouroukan Fouga<\/em> (Carta Manten ou Carta Mandinga), de 1235, que estabeleceu, em seu artigo 5\u00ba, que toda pessoa tem direito \u00e0 vida e a preserva\u00e7\u00e3o de sua integridade f\u00edsica e que consagrou a primazia da vida sobre a propriedade.<\/p>\n<p>S\u00e3o citados os diversos documentos que deram legalidade \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o e ao tr\u00e1fico de negros\/as escravizados\/as, codificando a escraviza\u00e7\u00e3o racializada dos\/as africanos\/as em todo o mundo: as bulas papais <em>Dum Diversas<\/em>, de 18 de junho de 1452, e <em>Romanus Pontifex<\/em>, de 8 de janeiro de 1455, que autorizavam a redu\u00e7\u00e3o de africanos\/as \u00e0 \u201cescravid\u00e3o perp\u00e9tua\u201d; o crit\u00e9rio comercial portugu\u00eas denominado \u201cpe\u00e7a de \u00cdndias\u201d, de 1 de julho de 1513, que considerava a africanos\/as escravizados\/as como unidades de acumula\u00e7\u00e3o; o Assentamento de Negros espanhol, de 18 de agosto de 1518, que transformava africanos\/as em \u201cmercadoria sujeita a tributa\u00e7\u00e3o\u201d no marco do monop\u00f3lio comercial; a Carta da Companhia Holandesa das \u00cdndias Ocidentais, de 3 de junho de 1621, que aplicava o direito romano-holand\u00eas para classificar africanos\/as na categoria de <em>res mobilis <\/em>(bens m\u00f3veis); o C\u00f3digo de Escravos de Barbados, de 14 de maio de 1661, que classificava africanos\/as como \u201cbens m\u00f3veis\u201d, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o inglesa; o C\u00f3digo Negro (<em>Code Noir<\/em>) franc\u00eas, de mar\u00e7o de 1685, que definia juridicamente africanos\/as escravizados\/as como bens m\u00f3veis desprovidos\/as de todo direito; e o j\u00e1 referido princ\u00edpio <em>partus sequitur ventrem <\/em>(\u201co que nasce segue ao ventre\u201d), adotado na Virg\u00ednia, em dezembro de 1662, que estabeleceu um estatuto de propriedade sem precedentes que tornava a um filho\/a tamb\u00e9m escravo\/a por heran\u00e7a biol\u00f3gico do \u00fatero materno de m\u00e3es africanas escravizadas.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o lembra que o Estatuto de Roma da Corte Penal Internacional tipifica a escraviza\u00e7\u00e3o como crime de lesa humanidade; que o tr\u00e1fico de africanos\/as escravizados\/as e a escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e um crime de lesa humanidade. Tamb\u00e9m lembra que estes crimes \u201cn\u00e3o est\u00e3o sujeitos \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o\u201d e que \u201ccontinuam gerando obriga\u00e7\u00f5es at\u00e9 que sejam dirimidos mediante a verdade, a justi\u00e7a e a repara\u00e7\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m reafirma o que est\u00e1 previsto no direito internacional que afirma \u201ca responsabilidade dos Estados por atos internacionais il\u00edcitos e a obriga\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam de dar fim se estes atos continuarem, assim como de oferecer seguran\u00e7a e garantias adequadas de n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o, se as circunst\u00e2ncias exigirem, e de reparar integralmente o preju\u00edzo causado, o que pode ser feito na forma de restitui\u00e7\u00e3o, de indeniza\u00e7\u00e3o e de satisfa\u00e7\u00e3o individualmente ou em conjunto.\u00a0<\/p>\n<p>Tomando em conta estas considera\u00e7\u00f5es que d\u00e3o raz\u00e3o e justificativa para a Resolu\u00e7\u00e3o, afirma 16 recomenda\u00e7\u00f5es de compromisso, que passamos a resumir.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/728x90_banner_sobcomuns.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/728x90_banner_sobcomuns.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2024\/06\/31200612\/728x90_banner_sobcomuns-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nas primeiras cinco, as Na\u00e7\u00f5es Unidas afirmam um posicionamento chave sobre o tema: \u201ccondenam inequivocamente o tr\u00e1fico de africanos\/as escravizados\/as e a escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as, a escravid\u00e3o e o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos, que considera injusti\u00e7a mais desumana e duradoura contra a humanidade\u201d (1). Tamb\u00e9m declara estas diante do \u201cmais grave crime de lesa humanidade\u201d (2). Ressalta que isso se deve \u201ca sua magnitude, dura\u00e7\u00e3o, car\u00e1ter sist\u00eamico, brutalidade e \u00e0s consequ\u00eancias que seguem estruturando a vida de todas as pessoas atrav\u00e9s de regimes racializados de trabalho, propriedade e capital\u201d (3). Reconhece que estes crimes \u201cconstituem viola\u00e7\u00f5es do <em>ius cogens<\/em>\u201d(4). A Resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reafirma o reconhecimento \u201cdas profundas e duradouras repercuss\u00f5es do regime da escraviza\u00e7\u00e3o e do colonialismo e a persist\u00eancia da discrimina\u00e7\u00e3o racial e do neocolonialismo sobre os africanos e afrodescendentes e como tudo isso segue causando grandes sofrimentos [\u2026]\u201d (5).<\/p>\n<p>Nas cinco recomenda\u00e7\u00f5es seguintes afirma a import\u00e2ncia de remediar os agravos que afetam africanos\/as e afrodescendentes e p\u00f5e em relevo que \u201cas reivindica\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o s\u00e3o medidas concretas para reparar as injusti\u00e7as hist\u00f3ricas contra africanos\/as e afrodescendentes\u201d (6). Observa com preocupa\u00e7\u00e3o que, mesmo que j\u00e1 tenham sido feitas algumas repara\u00e7\u00f5es, ainda n\u00e3o foi estabelecido um marco de repara\u00e7\u00e3o integral para o tr\u00e1fico de africanos\/as escravizados\/as e para a escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as, apesar de sua magnitude, dura\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias duradouras (7). Exorta ao di\u00e1logo inclusivo e de boa f\u00e9 sobre justi\u00e7a restaurativa \u201cque inclua desculpas plenas e formais e a implementa\u00e7\u00e3o de medidas restitui\u00e7\u00e3o, compensa\u00e7\u00e3o, reabilita\u00e7\u00e3o, satisfa\u00e7\u00e3o, garantias de n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00f5es de leis, cria\u00e7\u00e3o de programas e servi\u00e7os para combater o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o sist\u00eamica\u201d (8). Pede que seja feita a restitui\u00e7\u00e3o imediata, desimpedida e sem custo algum dos bens culturais, objetos de arte, monumentos, pe\u00e7as de museu, artefatos, manuscritos e documentos, assim como arquivos que tenham valor espiritual, hist\u00f3rico e cultural ou de outro tipo para os pa\u00edses de origem e pede que seja refor\u00e7ada a coopera\u00e7\u00e3o internacional no tema da repara\u00e7\u00e3o, reconhecendo que isso contribui para a promo\u00e7\u00e3o do desfrute dos direitos culturais pelas gera\u00e7\u00f5es atuais e futuras (9). Finalmente, tamb\u00e9m encoraja aos Estados para que apoiem iniciativas de \u201cjusti\u00e7a restaurativa e de desenvolvimento sustent\u00e1vel dos povos afetados, particularmente considerando a possibilidade de contribuir com programas restaurativos implementados pelas organiza\u00e7\u00f5es regionais\u201d (10).<\/p>\n<p>As demais recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e3o voltadas a iniciativas institucionais multilaterais como: que o Secret\u00e1rio Geral coordene iniciativas de diversos organismos da ONU em temas de mem\u00f3ria, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa e cria\u00e7\u00e3o de capacidades no campo do tr\u00e1fico de africanos\/as escravizados\/as e da escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as e suas sequelas (11); que os Estados membro fa\u00e7am contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias para que estes temas sejam levados adiante pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas e por organiza\u00e7\u00f5es regionais (12); convida que o sistemas regionais africano e americano de direitos humanos, assim como outras organiza\u00e7\u00f5es regionais e sub-regionais colaborem com os Estados membro e as Na\u00e7\u00f5es Unidas na elabora\u00e7\u00e3o de um marco para o di\u00e1logo, a coopera\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a restaurativa e reconcilia\u00e7\u00e3o (13); anima aos Estados membro que promovam programas educativos, iniciativas de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria hist\u00f3rica, pesquisas acad\u00eamicas sobre o tr\u00e1fico de africanos\/as escravizados\/as e a escraviza\u00e7\u00e3o racializada de africanos\/as e suas consequ\u00eancias atrav\u00e9s de planos de estudo, museus, preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio e campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica (14); solicita que o Secret\u00e1rio Geral da ONU apresente no 81\u00ba per\u00edodo de sess\u00f5es da Assembleia Geral, um informe sobre as medidas adotadas pelos Estados para aplicar esta Resolu\u00e7\u00e3o, bem como os avan\u00e7os conquistados na mem\u00f3ria, educa\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a restaurativa (15); e finalmente, decide incluir no programa provis\u00f3rio do 82\u00ba per\u00edodo de sess\u00f5es da Assembleia Geral um tema intitulado \u201cComemora\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos\/as\u201d para analisar o informe do Secret\u00e1rio Geral.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o a agudeza das afirma\u00e7\u00f5es consignadas na Resolu\u00e7\u00e3o. Indicam a assun\u00e7\u00e3o de um compromisso consistente com africanas\/os e afrodescendentes em di\u00e1spora nos mais diversos lugares do mundo. N\u00e3o, por\u00e9m, sem denunciar que esta posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime e que pa\u00edses escravizadores e que promoveram o regime de escraviza\u00e7\u00e3o se acovardaram na absten\u00e7\u00e3o ou foram explicitamente contr\u00e1rios \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o. Ainda que por maioria, assumir que a escraviza\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico constituem o mais grave crime contra a humanidade e junto com ela as consequ\u00eancias decorrentes em termos de justi\u00e7a e de repara\u00e7\u00e3o desta viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos abre um novo cap\u00edtulo na luta pela garantia da efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Ainda que a Resolu\u00e7\u00e3o indique os respons\u00e1veis por este crime, o faz de modo gen\u00e9rico, cabendo a\u00e7\u00f5es complementares para sua identifica\u00e7\u00e3o, afinal, se h\u00e1 crime, se h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o, h\u00e1 criminosos e h\u00e1 violadores. A responsabiliza\u00e7\u00e3o fica incompleta se estes passos n\u00e3o forem dados de modo que este crime imprescrit\u00edvel possa alcan\u00e7ar um grau satisfat\u00f3rio de justi\u00e7a e que aqueles\/as que sofreram esta injusti\u00e7a, que seguem sendo praticada, como diz a Resolu\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m colham os frutos concretos da justi\u00e7a, e seus patrocinadores, a exemplar responsabiliza\u00e7\u00e3o. A supera\u00e7\u00e3o completa desta heran\u00e7a somente se realizar\u00e1 com a efetiva\u00e7\u00e3o da igualdade, o fim de todas as pr\u00e1ticas racistas, a repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, o fim de todos os colonialismos e neocolonialismos, enfim, o reconhecimento da plena humanidade de humanos tratados por s\u00e9culos como n\u00e3o-humanos, como coisas, objetos de neg\u00f3cio.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 realiza\u00e7\u00e3o plena de todos os direitos humanos para todas e todos enquanto o racismo e as pr\u00e1ticas racializadas seguirem presentes no cotidiano de negros e negras. Mobilizar condi\u00e7\u00f5es para esta efetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 dar seguimento \u00e0 resist\u00eancia e \u00e0s lutas que estas v\u00edtimas e aqueles e aquelas que com elas foram solid\u00e1rios\/as levaram adiante ao longo dos s\u00e9culos. \u00c9 tarefa concreta de todos quantos lutamos por direitos humanos apoiar e desenvolver a\u00e7\u00f5es de fortalecimento destas lutas. E isso passa por reconhecer o racismo que ainda a branquitude guarda como privil\u00e9gios e, desfazendo-se destas heran\u00e7as, caminhar na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es verdadeiramente humanizadas e humanizadoras nas quais a justi\u00e7a seja a melhor forma de afirmar a dignidade humana, aquela que est\u00e1 nas corporeidades das singularidades, materializada em rela\u00e7\u00f5es de igualdade e desejada como possibilidade realizada nos cotidianos todos.<\/p>\n<p>Mandela nos ensinou que, assim como se pode aprender a odiar se pode aprender a amar. Amar \u00e9 a express\u00e3o mais singela \u2013 e ao mesmo tempo a mais alta \u2013 e que nos faz experimentar que n\u00e3o h\u00e1 justificativa para qualquer hierarquia aceit\u00e1vel entre humanos\/as e que a fraternidade exige que nos tornemos companheiros\/as, comamos juntos\/as o mesmo p\u00e3o, que nos fa\u00e7amos indignados com todas as injusti\u00e7as e solid\u00e1rios\/as com todas as vidas. Somente teremos de fato direito de firmar valer todas as vidas, se as vidas pretas, a vida das mulheres, a vida de ind\u00edgenas, a vida de crian\u00e7as, a vida, enfim.. as vidas, todas as vidas, efetivamente estiverem vivas e vivendo vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[1] Ver a not\u00edcia com o painel da vota\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em https:\/\/news.un.org\/es\/story\/2026\/03\/1541279.<\/p>\n<p>[2] A proposta em espanhol est\u00e1 dispon\u00edvel em https:\/\/docs.un.org\/es\/A\/80\/L.48 e em ingl\u00eas em: https:\/\/docs.un.org\/en\/A\/80\/L.48. Tradu\u00e7\u00e3o livre nossa para todas as cita\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Apesar de importante, \u00e9 incompleta: falta apontar empresas e propriet\u00e1rios historicamente respons\u00e1veis. EUA se op\u00f5em; Europa se abst\u00e9m<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/escravidao-a-reparacao-que-a-onu-deixou-de-fora\/\">Escravid\u00e3o: A repara\u00e7\u00e3o que a ONU deixou de fora<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":80886,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[42411,42412,5599,2176,9032,42413,42414,6636,267,42415,42416],"tags":[],"class_list":["post-80885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitalismo-racializado","category-companhia-holandesa-das-indias-ocidentais","category-descolonizacoes","category-escravidao","category-escravizacao","category-estatuto-de-roma-da-corte-penal-internacional","category-kouroukan-fouga","category-nacoes-unidas","category-onu","category-trafico-de-negros-escravizados","category-trafico-de-pessoas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80885\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}