{"id":81365,"date":"2026-04-04T00:00:40","date_gmt":"2026-04-04T03:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/de-onde-vira-o-dinheiro-para-mudar-o-brasil\/"},"modified":"2026-04-04T00:00:40","modified_gmt":"2026-04-04T03:00:40","slug":"de-onde-vira-o-dinheiro-para-mudar-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/de-onde-vira-o-dinheiro-para-mudar-o-brasil\/","title":{"rendered":"De onde vir\u00e1 o dinheiro para mudar o Brasil"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"573\" height=\"262\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/200_back.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/200_back.jpg 573w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/02201804\/200_back-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 573px) 100vw, 573px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p><strong>MAIS:<\/strong><br \/>+ Relato do primeiro semin\u00e1rio do projeto <strong>Desafios para Outro Brasil \u2014 <\/strong>uma iniciativa conjunta de <em>Outras Palavras <\/em>e da <em>FESP-SP. <\/em>O evento pode ser assistido, na \u00edntegra, aqui.<br \/>+ A proposta geral e a programa\u00e7\u00e3o dos primeiros dez semin\u00e1rios podem ser acessados aqui.<br \/>+ Pr\u00f3ximo semin\u00e1rio: <strong>Estrat\u00e9gias para a Reindustrializa\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 Ter\u00e7a, 7\/4, \u00e0s 19h, na FESP-SP.<\/p>\n<div>\n<figure><figcaption><em>Arte:  O P\u00e1tio da Pris\u00e3o [1890], de Vincent van Gogh<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O neoliberalismo \u00e9, tamb\u00e9m, uma pris\u00e3o mental coletiva. Como no conhecido quadro de Van Gogh, as sociedades que acreditam nos mitos do sistema caminham em c\u00edrculos no interior de p\u00e1tios murados, sem encontrar sa\u00eddas para seus dramas, que se acumulam. Ao contr\u00e1rio do que se v\u00ea na pintura, os muros atuais s\u00e3o ideol\u00f3gicos \u2014\u00a0portanto, invis\u00edveis. Mas este fato n\u00e3o os torna menos eficazes: evidencia, ao contr\u00e1rio, a profundidade da servid\u00e3o. As alternativas est\u00e3o a um passo da muralha imagin\u00e1ria, e ao alcance da decis\u00e3o dos encarcerados, mas permanecem ocultas a seus olhos. Em 24 de mar\u00e7o, ao abrirem a s\u00e9rie de semin\u00e1rios <em>Desafios para Outro Brasil, <\/em>o economista Ladislau Dowbor, seu colega David Deccache e a deputada S\u00e2mia Bonfim (PSOL-SP) tornaram evidente um dos mitos que muram a pris\u00e3o brasileira \u2014 o da suposta impot\u00eancia financeira. Tamb\u00e9m desocultaram a alternativa, ao mostrar que <em>n\u00e3o falta dinheiro <\/em>\u00e0 sociedade e ao Estado para iniciar projetos que reduzam a desigualdade e enfrentem a regress\u00e3o do pa\u00eds. Falta horizonte, como \u00e9 t\u00edpico nas pris\u00f5es. Ao cair a muralha ideol\u00f3gica, os recursos surgir\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/15-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/15-5.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Esta conclus\u00e3o, que fere um dogma central do sistema (\u201co Estado s\u00f3 pode gastar o que arrecada\u201d), foi poss\u00edvel porque os debatedores expuseram a natureza do dinheiro, nos tempos do rentismo e da moeda imaterial. Ele n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria, suscet\u00edvel de sofrer escassez. N\u00e3o est\u00e1 atrelado a um metal precioso. \u00c9 a resultante de rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Pode ser \u2014 e \u00e9 \u2014\u00a0<em>criado incessantemente pelos Estados <\/em>que conservam soberania monet\u00e1ria, como o brasileiro. Hoje, esta emiss\u00e3o enriquece uma minoria. Em outro cen\u00e1rio, poder\u00e1 servir \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Quem come\u00e7ou a desvendar o enigma, em 24\/3, foi Ladislau Dowbor. Autor de diversos livros sobre as transmuta\u00e7\u00f5es do capitalismo, ele chamou aten\u00e7\u00e3o em especial para o rentismo contempor\u00e2neo; como este altera as velhas formas de captura da riqueza; e como produz a miragem de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 dinheiro\u201d para as a\u00e7\u00f5es do Estado que podem alterar a realidade social.<\/p>\n<p>\u201cMilh\u00f5es de pessoas, que compreendiam a mais-valia e a explora\u00e7\u00e3o estudadas por Marx, hesitam. Uma outra forma de explora\u00e7\u00e3o, que se sobrep\u00f4s \u00e0 anterior, parece-lhes misteriosa e estranha, mas precisa ser decifrada\u201d, alertou. Em seguida, descreveu dois dos mecanismos essenciais do fen\u00f4meno que chamou de \u201cdreno financeiro\u201d \u2014 tornou-se poss\u00edvel devido \u00e0s op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas hoje hegem\u00f4nicas. <em>Primeiro:<\/em> a cada ano, o Estado brasileiro transfere R$ 1 trilh\u00e3o aos grandes aplicadores em t\u00edtulos p\u00fablicos, ou 3,5 vezes o or\u00e7amento do SUS. Este rio de dinheiro \u00e9 apropriado sem esfor\u00e7o e sem risco algum. Significa o sequestro de riqueza e de trabalho social equivalente a 10% do PIB. <em>Segundo: <\/em>um valor equivalente \u00e9 sugado de forma direta da popula\u00e7\u00e3o, por meio de taxas de juros escorchantes cobradas de pessoas f\u00edsicas e empresas. \u201cS\u00e3o 58% ao ano no Brasil, contra 4 a 6% nos pa\u00edses europeus\u201d, lembrou o economista.<\/p>\n<p>Esta captura permite aos brasileiros muito ricos viver t\u00e3o luxuosamente quanto seus iguais em qualquer parte do mundo. Ao mesmo tempo, frisou Dowbor, mant\u00e9m o pa\u00eds regredido ao esterilizar tr\u00eas canais de investimento real: o <em>estatal <\/em>(j\u00e1 que os recursos est\u00e3o desviados pelos juros p\u00fablicos); o que \u00e9 determinado pelo <em>consumo <\/em>(pois uma parte cada vez maior da riqueza das fam\u00edlias \u00e9 absorvida pela rolagem das d\u00edvidas a taxas escorchantes) e o <em>empresarial <\/em>(j\u00e1 que o cr\u00e9dito banc\u00e1rio \u00e9 extorsivo e h\u00e1 sempre a op\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel de ganhar aplicando o dinheiro no Tesouro Direto).<\/p>\n<p>Mas talvez o pior efeito, prosseguiu o economista, seja a deforma\u00e7\u00e3o da agenda pol\u00edtica do pa\u00eds. \u201cA \u2018austeridade\u2019 \u00e9 uma farsa. Ela permite travar o dinheiro do SUS, da Educa\u00e7\u00e3o ou da infraestrutura e desvi\u00e1-lo para pagamento de juros da d\u00edvida. Temos um Estado \u2018austero\u2019 que transfere 1 trilh\u00e3o para os grandes bilion\u00e1rios. Para isso, \u00e9 preciso manter um \u2018arcabou\u00e7o\u2019\u201d, ironizou Ladislau. O c\u00edrculo se fecha no controle da Comunica\u00e7\u00e3o. \u201cDinheiro, espa\u00e7o p\u00fablico e acesso ao conhecimento \u2014 tudo isso foi apropriado por grandes grupos financeiros.\u201d A lembran\u00e7a do quadro de Van Gogh pareceu mais viva.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, alternativa clara, frisou Dowbor. O Estado soberano, que cria moeda para engordar os mais ricos, pode girar a m\u00e1quina ao contr\u00e1rio e faz\u00ea-lo em favor das maiorias e do bem-estar. Respondendo a uma quest\u00e3o suscitada pelo p\u00fablico, o economista afirmou: \u201cQuando h\u00e1 subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, das m\u00e1quinas, das empresas, voc\u00ea pode emitir moeda, financiar consumo e gerar demanda. E este movimento n\u00e3o gera infla\u00e7\u00e3o, porque o aparelho produtivo est\u00e1 subutilizado. Ao contr\u00e1rio: esta nova demanda estimula a atividade econ\u00f4mica. O aumento tanto do consumo quanto da produ\u00e7\u00e3o gera mais impostos. O dinheiro volta. Dezenas de pa\u00edses j\u00e1 aplicaram. Faz parte at\u00e9 das ferramentas do keynesianismo b\u00e1sico.\u201d<\/p>\n<p>A cren\u00e7a de que \u201ch\u00e1 escassez de dinheiro\u201d conduz \u00e0 paralisia. J\u00e1 o desvendamento dos mecanismos por meio dos quais o dinheiro \u00e9 criado convida \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-1.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/02\/31191312\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p>Esta no\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada a seguir, na fala de David Deccache. Ele a abriu com um caso not\u00e1vel: a s\u00fabita \u201capari\u00e7\u00e3o\u201d de quase 1 trilh\u00e3o de reais em 2020, ano da pandemia. Deu-se assim: entre 2016, ano do golpe contra Dilma, e 2019, o discurso das elites e da m\u00eddia brasileira foi marcado pela ideia de que era necess\u00e1rio um \u201cajuste fiscal\u201d muito dr\u00e1stico, para fazer frente \u00e0 suposta \u201cgastan\u00e7a\u201d do governo petista anterior. S\u00f3 na Previd\u00eancia, falava-se, era \u201cnecess\u00e1rio\u201d um corte de R$ 1 trilh\u00e3o, em dez anos \u2014 com elimina\u00e7\u00e3o \u201cnatural\u201d de direitos.<\/p>\n<p>Subitamente, a pandemia desfez o cen\u00e1rio. Com a circula\u00e7\u00e3o nas cidades reduzida a quase zero, era preciso salvar as companhias privadas, evitar a quebra dos bancos e permitir que a popula\u00e7\u00e3o sobrevivesse, inclusive para atender \u00e0s necessidades metab\u00f3licas do capital. A narrativa mudou em poucas semanas. O Estado assumiu a folha de pagamento das empresas. Um fundo multibilion\u00e1rio garantiu a liquidez dos bancos. Criou-se o \u201caux\u00edlio emergencial\u201d de R$ 600. O Estado <em>criou <\/em>dinheiro. O d\u00e9ficit fiscal alavancou R$ 745 bilh\u00f5es, o maior da Hist\u00f3ria. Ao contr\u00e1rio do que preveem a teoria ortodoxa e o discurso catastrofista nestas condi\u00e7\u00f5es, a credibilidade do Estado n\u00e3o desabou. Os credores n\u00e3o foram capazes de exigir juros estratosf\u00e9ricos para \u201ccontinuar sustentando\u201d o Tesouro. Ao contr\u00e1rio: as taxas ca\u00edram a 2% ao ano, as menores em ao menos meio s\u00e9culo. A fantasia segundo a qual \u201co Estado s\u00f3 pode gastar o que arrecada, ou \u00e9 punido\u201d fracassou mais uma vez.<\/p>\n<p>E por que, ent\u00e3o, os governantes n\u00e3o ampliam sempre os gastos sociais? Deccache lembrou que est\u00e3o em jogo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, projetos opostos de sociedade. Um Estado que ofere\u00e7a Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Previd\u00eancia excelentes inviabilizar\u00e1 a mercantiliza\u00e7\u00e3o destas esferas. Oferecer\u00e1 seguran\u00e7a e igualdade para as maiorias. Mas, para voltar a um conceito de Dowbor, frustrar\u00e1 os neg\u00f3cios mais exuberantes da era do capitalismo imaterial\u2026<\/p>\n<p>A estes neg\u00f3cios \u2014 ou a este \u201cprojeto de sociedade\u201d \u2014, prosseguiu Deccache, n\u00e3o interessa um Estado forte. \u00c9 preciso fugir de provid\u00eancias evidentemente sensatas, como criar bancos p\u00fablicos, construir estoques reguladores de alimentos, evitar que a distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis seja convertida em oligop\u00f3lio extrativo. A luta de classes fala mais alto, o capital rentista exige \u201cum modelo em que as pessoas s\u00f3 acessam determinados servi\u00e7os se pagarem por eles, o que resulta num individualismo e darwinismo social brutais\u201d.<\/p>\n<p>Numa esp\u00e9cie de ep\u00edlogo, Deccache lembrou a mudan\u00e7a de \u00e9poca. At\u00e9 os anos 1990, apenas cinco pa\u00edses tinham estabelecido \u201cregras fiscais\u201d como o Arcabou\u00e7o brasileiro (uma das mais dr\u00e1sticas). Desde ent\u00e3o, elas se espalharam. Exce\u00e7\u00e3o significativa: a China, onde <em>n\u00e3o h\u00e1 <\/em>regra alguma deste tipo. O Estado calcula os investimentos necess\u00e1rios para cumprir as metas nacionais, estima as receitas e faz o balan\u00e7o \u2014 em geral, endividando-se. O d\u00e9ficit p\u00fablico \u00e9 costumeiramente alto e estar\u00e1 pr\u00f3ximo de 10% do PIB este ano. O pa\u00eds resgatou 800 milh\u00f5es de pessoas da pobreza e tornou-se a maior economia e o maior centro de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do mundo. A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00f3xima de zero. Ningu\u00e9m enriquece capturando a riqueza social por meio de juros.<\/p>\n<p><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p>Coube \u00e0 deputada S\u00e2mia Bonfim (PSOL-SP) estabelecer a rela\u00e7\u00e3o mais direta entre as pol\u00edticas que sugerem impot\u00eancia social e o avan\u00e7o da ultradireita \u2014 inclusive no Brasil. S\u00e2mia recorreu a um debate te\u00f3rico recente: as reflex\u00f5es da economista italiana Clara Mattei sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a \u201causteridade\u201d e o avan\u00e7o do fascismo na Europa, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. Num primeiro momento, destacou, alegar \u201cfalta de dinheiro\u201d para pol\u00edticas p\u00fablicas foi a arma dos partidos conservadores para frear o ascenso dos trabalhadores, dos sindicatos e das demais lutas sociais. Por\u00e9m, quando a ideia de inexist\u00eancia de sa\u00eddas conjugou-se com o desemprego e pobreza do p\u00f3s-crise de 1929, emergiram o desencanto com a pol\u00edtica, o desespero e o ressentimento. Os resultados foram Mussolini e o fascismo.<\/p>\n<p>S\u00e2mia alerta para um poss\u00edvel paralelo com a atualidade no Ocidente, e em particular no Brasil. A fragiliza\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia Social, ap\u00f3s a contrarreforma de Michel Temer, obriga parte da popula\u00e7\u00e3o idosa a recorrer ao BPC (Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada). Os tecnocratas da Fazenda passam a ver neste benef\u00edcio m\u00ednimo o vil\u00e3o que desequilibra as contas p\u00fablicas e ordenam um \u201cpente fino\u201d que exclui milh\u00f5es. Num outro terreno, a busca de \u201cd\u00e9ficit zero\u201d corta recursos da Universidade P\u00fablica, atingindo e desmobilizando segmentos \u2014 estudantes e professores \u2014 que t\u00eam presen\u00e7a hist\u00f3rica nas lutas pela transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>De que modo agir, quando eles se mobilizam e protestam contra o governo, pergunta a deputada? Ela mesma responde: \u00e9 preciso apoiar suas mobiliza\u00e7\u00f5es e confiar que s\u00f3 a press\u00e3o das maiorias permitir\u00e1 resgatar o Brasil de quatro d\u00e9cadas de regress\u00e3o. A Frente Ampla \u00e9 importante para vencer a ultradireita. Por\u00e9m, por sua pr\u00f3pria heterogeneidade, ela n\u00e3o consegue recompor um horizonte hist\u00f3rico. \u00c9 preciso que surja em seu interior (e que seja vis\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o) um bloco claramente identificado com a luta pela igualdade e pela reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em novas bases.<\/p>\n<p>S\u00e2mia concluiu: \u201cEm\u00a0ano eleitoral, queremos eleger Lula, derrotar a ultradireita e formar uma bancada popular mais ampla no Congresso \u2014 mas n\u00e3o s\u00f3. Falta, h\u00e1 muito, um debate mais aprofundado sobre um projeto de pa\u00eds, inclusive para contrapor novas esperan\u00e7as \u00e0 onda de medo e apatia que \u00e0s vezes projeta sua sombra sobre n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Hoje majorit\u00e1rias, as ideias segundo as quais \u201co Estado n\u00e3o pode gastar mais do que arrecada\u201d e \u201co ajuste fiscal \u00e9 indispens\u00e1vel\u201d s\u00e3o o principal obst\u00e1culo a este projeto. \u00c9 uma alegria saber que foram t\u00e3o cabalmente desconstru\u00eddas no primeiro semin\u00e1rio da s\u00e9rie \u201cDesafios para Outro Brasil\u201d. Nunca \u00e9 tarde para reavivar as boas batalhas pela consci\u00eancia popular e pela transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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H\u00e1 recursos financeiros para enfrentar a desigualdade e reconstruir o pa\u00eds em novas bases. O que falta \u00e9 <i>pol\u00edtica<\/i>, para evitar que a riqueza seja sequestrada por rentistas<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/onde-vira-o-dinheiro-para-mudar-o-brasil-2\/\">De onde vir\u00e1 o dinheiro para mudar o Brasil<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81366,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[4590,2268,5511,6007,9144,20915,8832,2804,6810,4972,5749,43561,43562,7173],"tags":[],"class_list":["post-81365","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-austeridade","category-bpc","category-capa","category-crise-brasileira","category-david-deccache","category-deficit-publico","category-direitos-sociais","category-investimentos-publicos","category-ladislau-dowbor","category-rentismo","category-samia-bonfim","category-soberania-monetaria","category-teoria-monetaria-moderna","category-ultradireita"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81365\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}