{"id":81581,"date":"2026-04-06T15:07:50","date_gmt":"2026-04-06T18:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-pt-e-o-antifascismo\/"},"modified":"2026-04-06T15:07:50","modified_gmt":"2026-04-06T18:07:50","slug":"o-pt-e-o-antifascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-pt-e-o-antifascismo\/","title":{"rendered":"O PT e o antifascismo"},"content":{"rendered":"<p>O combate \u00e0 ascens\u00e3o do fascismo a partir da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI \u00e9 o maior desafio das for\u00e7as democr\u00e1ticas, progressistas e de esquerda no mundo. No Partido dos Trabalhadores (PT), n\u00f3s n\u00e3o temos d\u00favidas que \u00e9 a nossa grande miss\u00e3o como o maior partido de esquerda da Am\u00e9rica Latina. Trata-se da principal luta do nosso tempo, especialmente no ano em que o presidente Lula disputar\u00e1 a reelei\u00e7\u00e3o. As elei\u00e7\u00f5es de 2026 devem ser um recado do Brasil ao mundo de car\u00e1ter humanit\u00e1rio e de consolida\u00e7\u00e3o das for\u00e7as democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O pa\u00eds viveu de perto a ascens\u00e3o fascista de 2019 a 2022. Nesse per\u00edodo, vivemos o desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas, a diminui\u00e7\u00e3o do papel do Estado, que foi entregue aos interesses de poucos. Inclusive colocando em xeque a sa\u00fade p\u00fablica em uma \u00e9poca de pandemia. O sistema financeiro, por sua vez, ao longo do \u00faltimo governo, conquistou permissividades que levaram ao maior esc\u00e2ndalo financeiro da hist\u00f3ria do pa\u00eds, o caso do Banco Master.<\/p>\n<p>Ao eleger o presidente Lula em 2022, conseguimos frear a destrui\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. Sofremos uma tentativa de quebra da ordem democr\u00e1tica em 8 de janeiro de 2023, mas impusemos a derrota da tentativa de golpe de Estado e do plano de assassinato do presidente e vice-presidente da Rep\u00fablica com base na confian\u00e7a da separa\u00e7\u00e3o entre os Poderes e no fortalecimento das for\u00e7as democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, foi iniciado um processo de reconstru\u00e7\u00e3o que recolocou o pa\u00eds no rumo certo. Foi preciso refazer os programas sociais, como o Bolsa Fam\u00edlia, para que os brasileiros voltassem a ter direitos b\u00e1sicos e sa\u00edssem do retrocesso.<\/p>\n<p>Em 2014, 12 anos ap\u00f3s o presidente Lula ter sido eleito pela primeira vez com a miss\u00e3o de tirar o Brasil do Mapa da Fome, nosso pa\u00eds saiu pela primeira vez dessa estat\u00edstica desastrosa.<\/p>\n<p>Em 2021, durante o desgoverno de Bolsonaro, enfrentamos o tr\u00e1gico retorno da fome ao Brasil. Em apenas dois anos do terceiro governo Lula, o pa\u00eds voltou a sair do Mapa da Fome, devolvendo a dignidade para o povo brasileiro.<\/p>\n<p>Criamos mais pol\u00edticas, como o P\u00e9-de-Meia, para recolocar a educa\u00e7\u00e3o como primordial para o desenvolvimento do pa\u00eds e evitar a evas\u00e3o escolar, que perpetua ciclos de falta de oportunidades.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, as amea\u00e7as do fascismo perduram no Brasil e no mundo. Movimentos de extrema-direita est\u00e3o organizados nacionalmente e internacionalmente, e contam com massivo financiamento e a coniv\u00eancia da falta de transpar\u00eancia dos algoritmos das <em>big techs<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como enfrentar os grandes temas da sociedade atual se n\u00e3o combatermos as for\u00e7as racistas, xen\u00f3fobas, homof\u00f3bicas, antidemocr\u00e1ticas e autorit\u00e1rias que emergem nessa nova etapa de reorganiza\u00e7\u00e3o dos fascistas que atraem todas as classes sociais com discursos criminosos e negacionistas.<\/p>\n<\/p>\n<h4><strong><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FPA-INTERNACIONAL-N1-MAR-2026-REDES.pdf\">Baixe o especial INTERNACIONAL n\u00ba 1 \u2013 Mar\u00e7o de 2026<\/a><\/strong><\/h4>\n<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar semelhan\u00e7as da ascens\u00e3o do novo fascismo com a primeira fase do movimento que desencadeou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Entretanto, \u00e9 preciso tamb\u00e9m entender as diferen\u00e7as para que possamos tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de como combat\u00ea-lo diante das novas formas de organiza\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es, as redes de comunica\u00e7\u00e3o em massa digitais e a crise dos organismos multilaterais.<\/p>\n<p>Assim como na primeira fase do fascismo, o mundo vive uma crise econ\u00f4mica de longa dura\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo anterior, um ciclo de amplia\u00e7\u00e3o de mercados, superprodu\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o desregulada da especula\u00e7\u00e3o, em especial, nos Estados Unidos \u2013 que passava a assumir protagonismo econ\u00f4mico mundial \u2013 provocou a crise de 1929. Esse contexto implicou em um agravamento nas condi\u00e7\u00f5es de vida no mundo todo. Em especial na Europa, polo econ\u00f4mico e industrial do \u201cVelho Mundo\u201d, a crise levou ao crescimento vertiginoso do desemprego, ao empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 fal\u00eancia de empresas. A Alemanha foi um dos exemplos mais graves de crise econ\u00f4mica diante das j\u00e1 impostas derrotas ap\u00f3s a Primeira Guerra (1914 \u2013 1918) e ainda a fal\u00eancia da Rep\u00fablica de Weimar na d\u00e9cada de 20.<\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, o mal-estar, o desemprego e o sentimento de humilha\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-Primeira Guerra criaram um ambiente f\u00e9rtil para o fortalecimento do Partido Nazista com base na ideia xenof\u00f3bica e criminosa de que o pa\u00eds estaria em crise devido aos financistas judeus, aos negros, aos imigrantes, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT.<\/p>\n<p>Os nazistas exploraram um sentimento antissemita j\u00e1 existente em uma popula\u00e7\u00e3o que buscava solu\u00e7\u00f5es simples para problemas complexos, como assegurar amplamente direitos b\u00e1sicos e dignidade. Emergiu, deste contexto, um estado ultranacionalista, autorit\u00e1rio, antidemocr\u00e1tico e fascista. Conhecemos o resto da hist\u00f3ria com a persegui\u00e7\u00e3o aos judeus e a minorias, como os ciganos. O Holocausto gerou uma das p\u00e1ginas mais terr\u00edveis da hist\u00f3ria mundial.<\/p>\n<p>Analogamente, se deu na It\u00e1lia fascista de Mussolini; em Portugal, sob Salazar; e, na Espanha, sob Franco.<\/p>\n<p>Agora, tamb\u00e9m vivemos uma crise longa do capitalismo. Talvez, a mais longa da hist\u00f3ria do sistema.<\/p>\n<p>A crise de 2008 tamb\u00e9m foi desencadeada por um ciclo de exacerba\u00e7\u00e3o da liberaliza\u00e7\u00e3o financeira, e a insustentabilidade de um regime financeiro baseado no superendividamento \u2013 em especial, das fam\u00edlias. Aqui tamb\u00e9m se caracteriza uma estrutural de superprodu\u00e7\u00e3o e de baixo consumo.<\/p>\n<p>\u00a0A reorienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica dominante a partir da d\u00e9cada de 1980, com o choque do petr\u00f3leo e o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, foi pautada pela perda de protagonismo da pol\u00edtica fiscal e predomin\u00e2ncia da pol\u00edtica monet\u00e1ria. <a>Essa <\/a>mudan\u00e7a marca o fim do per\u00edodo de \u201ccapitalismo domesticado\u201d, da constru\u00e7\u00e3o dos Estados de Bem-Estar Social em pa\u00edses europeus, que eram viabilizados economicamente por instrumentos de valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho e amplia\u00e7\u00e3o de mercados, e politicamente imposto pela concorr\u00eancia com as experi\u00eancias de socialismo real.<\/p>\n<p>O retorno do liberalismo econ\u00f4mico, sob o neoliberalismo, passou a ser pautado pela redu\u00e7\u00e3o do papel do Estado em proteger empregos para ampliar seu papel em proteger empresas. A orienta\u00e7\u00e3o passa a ser pelo desmonte dos sistemas de prote\u00e7\u00e3o social, desregula\u00e7\u00e3o de mercados \u2013 em especial, o mercado de trabalho \u2013 redu\u00e7\u00e3o de tarifas e impostos \u2013 fomentando o crescimento de para\u00edsos fiscais, e redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros para estimular o crescimento via endividamento. Defende-se um Estado m\u00ednimo para garantia de direitos; mas que se apresenta como m\u00e1ximo para a manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Quando este sistema entra em crise, em 2008, a partir da bolha imobili\u00e1ria do <em>subprime<\/em> nos Estados Unidos, institui\u00e7\u00f5es financeiras entram em colapso, o desemprego explode, e a pobreza cresce. Diante de um contexto econ\u00f4mico de alta integra\u00e7\u00e3o e de flexibiliza\u00e7\u00e3o financeira no mundo todo, a crise rapidamente toma propor\u00e7\u00f5es globais.<\/p>\n<p>Para estancar o colapso do sistema financeiro, como resposta, tivemos novamente o Estado socorrendo essas institui\u00e7\u00f5es, as na\u00e7\u00f5es se endividando para salvar o sistema financeiro. Como resposta ao aumento do endividamento, a austeridade \u00e9 apresentada como necessidade pol\u00edtica, motivando o crescimento do desemprego, o crescimento das desigualdades e o achatamento da classe m\u00e9dia. Ou seja, prioriza-se o papel do Estado em salvar as institui\u00e7\u00f5es financeiras em detrimento da preserva\u00e7\u00e3o de empregos e direitos, reduzindo a democratiza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es econ\u00f4micas do Estado.<\/p>\n<p>A resposta estatal \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do sistema financeiro \u00e9 uma etapa da estrutura\u00e7\u00e3o de um novo estado nacional. A promessa de que a desregulamenta\u00e7\u00e3o da economia, a abertura de mercados e a redu\u00e7\u00e3o do Estado traria benef\u00edcio para todos entra em crise. Os Estados passam novamente a ser interventores da economia para salvar bancos.<\/p>\n<p>Em que pese a import\u00e2ncia ineg\u00e1vel da atua\u00e7\u00e3o estatal para evitar grandes crises, a pr\u00f3pria desregula\u00e7\u00e3o e desprote\u00e7\u00e3o aumentam a propor\u00e7\u00e3o dessas crises. Ao mesmo tempo em que, com a necessidade de manter o papel hegem\u00f4nico do d\u00f3lar \u2013 e os Estados Unidos como seu soberano emissor \u2013, n\u00e3o foram feitas grandes reformas no sistema financeiro mundial.<\/p>\n<p>Apesar de muitos pa\u00edses terem nacionalizado bancos e socorrido o sistema financeiro, n\u00e3o houve mudan\u00e7a na orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica: diante do endividamento p\u00fablico, do desemprego e da mis\u00e9ria, foram adotadas novas reformas neoliberais, que tiraram direitos dos trabalhadores e direitos previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nesse contexto de flexibiliza\u00e7\u00e3o, somado \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, aumentou-se a precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, apostando-se que contratos com menos direitos, que reduzissem custos, induziriam o emprego. A liberaliza\u00e7\u00e3o financeira e trabalhista aumentou a concentra\u00e7\u00e3o de renda e a instabilidade, em especial de economias perif\u00e9ricas. Do ponto de vista macroecon\u00f4mico, pouco foi capaz de gerar crescimento atrav\u00e9s de um sistema de empobrecimento dos trabalhadores e enriquecimento de bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio Sobre Desigualdade Mundial, da ONU, aponta que os 10% mais ricos do planeta det\u00eam tr\u00eas quartos da riqueza mundial. Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o global t\u00eam apenas 2%.<\/p>\n<p>O documento mostra ainda que, desde a d\u00e9cada de 1990, a riqueza dos super-ricos cresce 8% ao ano, quase o dobro da metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o, ou seja, de cerca de 4 bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Durante a pandemia da Covid-19, ficou evidente que o desmonte do Estado levou \u00e0 desprote\u00e7\u00e3o social, e motivou governos, pol\u00edticos e acad\u00eamicos a voltarem a debater o papel do Estado na gera\u00e7\u00e3o de empregos e prote\u00e7\u00e3o social. Em especial, as pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade e assist\u00eancia social.<\/p>\n<p>A incapacidade do neoliberalismo de garantir um patamar m\u00ednimo de dignidade de vida para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, o crescimento da pobreza e o acirramento da concentra\u00e7\u00e3o da renda fizeram retornar um discurso xenof\u00f3bico. A busca por culpados pela deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida fez emergir novamente uma concep\u00e7\u00e3o de Estado ultranacionalista.<\/p>\n<p>Os imigrantes passam a ser o alvo principal das persegui\u00e7\u00f5es de l\u00edderes autorit\u00e1rios em ascens\u00e3o. At\u00e9 mesmo as institui\u00e7\u00f5es constru\u00eddas para garantir a paz \u2013 com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es de um sistema mundial de poder concentrado em poucos pa\u00edses \u2013 s\u00e3o corro\u00eddas. Os cinco pa\u00edses dentro do restrito e excludente Conselho de Seguran\u00e7a da ONU hoje est\u00e3o envolvidos em guerras.<\/p>\n<p>Os fascistas do s\u00e9culo XXI se aproveitam do mal-estar da popula\u00e7\u00e3o que, ap\u00f3s 2008, tem dificuldade de manter o padr\u00e3o de consumo, como a casa pr\u00f3pria, e que viu o poder de compra diminuir, para acabar com a possibilidade do fim das barreiras migrat\u00f3rias e da integra\u00e7\u00e3o dos povos, uma das promessas da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar das constantes estat\u00edsticas que mostravam que imigrantes s\u00e3o m\u00e3o de obra para diversos empregos que, por exemplo, europeus n\u00e3o queriam ocupar, os novos fascistas culpam os imigrantes pelo desemprego, pela falta de assist\u00eancia social, pelo aumento dos pre\u00e7os e ainda pelo aumento da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Os neofascistas apostam no nacionalismo econ\u00f4mico, com a prote\u00e7\u00e3o dos empregos para os nativos e o controle militarizado de fronteiras, e atacam as elites, como t\u00e9cnicos do poder e da pol\u00edtica, se colocando como uma for\u00e7a antissistema.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica agrava a crise de representa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as tradicionais pol\u00edticas. Por anos, a popula\u00e7\u00e3o vai \u00e0s urnas para eleger representantes de diferentes correntes pol\u00edticas e as promessas de uma melhora na qualidade de vida ficam estagnadas ou pioram. A sensa\u00e7\u00e3o de melhora da vida \u00e9 demasiadamente lenta frente aos grandes desafios impostos pela pobreza e, sobretudo, pela brutal desigualdade.<\/p>\n<p>Como produto dessa crise, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de que a democracia representativa n\u00e3o funciona. Assim, os eleitos trabalham para si e para uma elite e tomam as decis\u00f5es para benef\u00edcios pr\u00f3prios e n\u00e3o servem ao povo nem resolvem os problemas da popula\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, tentam oprimir.<\/p>\n<p>O antissistema, nessa vis\u00e3o, atinge os mecanismos de controle multilaterais, considerados parte de uma elite global.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes autorit\u00e1rios se alimentam desse sentimento antissistema e usam autodetermina\u00e7\u00e3o e xenofobia como a resposta simples para os problemas estruturais da popula\u00e7\u00e3o. Sem atacar as verdadeiras raz\u00f5es da crise, criam inimigos internos.<\/p>\n<p>A xenofobia leva ao radicalismo e ao aumento da inseguran\u00e7a. Como resposta, os governos de inspira\u00e7\u00e3o fascista criam ex\u00e9rcitos de combate a esses \u201cinimigos externos que j\u00e1 est\u00e3o dentro do pa\u00eds\u201d. Um exemplo claro \u00e9 a pol\u00edtica de terror e paramilitar implementada por Donald Trump com o ICE (sigla em ingl\u00eas para Servi\u00e7o de Imigra\u00e7\u00e3o e Fiscaliza\u00e7\u00e3o Aduaneira dos Estados Unidos). A imposi\u00e7\u00e3o da for\u00e7a pela for\u00e7a.<\/p>\n<p>Para potencializar esse discurso, est\u00e3o no caminho as <em>big techs.<\/em> Essas empresas surgiram no contexto da hiperconectividade e com a promessa de dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fado gratuito a partir do indiv\u00edduo como plataforma. As revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas s\u00e3o partes fundamentais do desenvolvimento produtivo e social. Trazem novos servi\u00e7os, facilitam a comunica\u00e7\u00e3o e o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, e, se bem instrumentalizadas, podem ampliar oportunidades de empregos de melhor qualidade. Combinadas com sistemas de prote\u00e7\u00e3o social, podem at\u00e9 mesmo possibilitar a redu\u00e7\u00e3o de jornadas de trabalho e melhor qualidade de vida.<\/p>\n<p>Contudo, o ambiente econ\u00f4mico e institucional desregulado permitiu que essas empresas crescessem em um padr\u00e3o de monopoliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s de benef\u00edcios governamentais, falta de regulamenta\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia sobre os algoritmos, as redes sociais e, mais recentemente, a Intelig\u00eancia Artificial, se tornaram as empresas mais ricas do mundo e detentoras de mecanismos de tecnologia capazes de transformar realidades, manipular e alterar significativamente o mundo do trabalho.<\/p>\n<p>As plataformas digitais nas m\u00e3os de poucos empres\u00e1rios passaram a se aliar a governos fascistas, como o de Trump, nos Estados Unidos, e cresceram e expandiram os canais da extrema-direita no ambiente <em>on-line<\/em>, e, consequentemente, do fascismo.<\/p>\n<p>Estamos vivenciando isso no Brasil. Donos de <em>big techs<\/em>, como Elon Musk, desafiaram a soberania brasileira buscando desrespeitar decis\u00f5es judiciais. Empresas sequer queriam ter representa\u00e7\u00f5es dentro do territ\u00f3rio nacional, onde pudessem ser intimadas, fiscalizadas ou questionadas.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do governo Lula, a base governista tentou aprovar um projeto que traga responsabiliza\u00e7\u00e3o para as pr\u00e1ticas criminosas. Conseguimos aprovar a regulamenta\u00e7\u00e3o dessas empresas no caso de crimes contra crian\u00e7as e adolescentes. E precisamos avan\u00e7ar mais na transpar\u00eancia e controle dos algoritmos e na dissemina\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em> e desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se nos \u00faltimos quatro anos demos exemplos de combate \u00e0 ascens\u00e3o autorit\u00e1ria nos julgamentos dos atos antidemocr\u00e1ticos, na resili\u00eancia das nossas institui\u00e7\u00f5es diante da amea\u00e7a de <em>big techs<\/em> estrangeiras e na coragem do presidente Lula de defender o pa\u00eds e a independ\u00eancia e fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es, 2026 \u00e9 um ano em que o Brasil poder\u00e1 servir de contrapeso ao mundo diante do avan\u00e7o da extrema-direita de inspira\u00e7\u00e3o fascista. O PT defende que o combate ao fascismo come\u00e7a pela defesa firme da democracia e das institui\u00e7\u00f5es, o que n\u00e3o nos impede de exigir reformas no atual modelo de Estado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do PT est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 hist\u00f3ria da democracia no Brasil. Foi da luta pela democracia nos anos 1980 que surgiu o PT, e foi s\u00f3 atrav\u00e9s da retomada da democracia que foi poss\u00edvel que o Brasil elegesse pela primeira vez um oper\u00e1rio presidente da Rep\u00fablica e uma mulher presa e torturada pela ditadura presidenta da Rep\u00fablica. Foi s\u00f3 porque o PT existia que os trabalhadores passaram a ter sua pr\u00f3pria voz representada no Congresso Nacional. O PT mudou a cara da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Os governos petistas mudaram os agentes sociais do Brasil atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da ampla cidadania, garantindo o direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica direta, o direito \u00e0 renda e ao trabalho, o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u2013 das creches \u00e0s universidades \u2013 para os filhos da classe trabalhadora. A educa\u00e7\u00e3o, o trabalho, e o tempo s\u00e3o direitos fundamentais para a emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Por isso, a luta pelo fim da escala 6\u00d71 \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 uma luta por direitos trabalhistas, por justi\u00e7a social e pelo combate a privil\u00e9gios. \u00c9 tamb\u00e9m uma luta pela radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p>Para aprofundar a democracia no Brasil e barrar o avan\u00e7o da extrema-direita, a reelei\u00e7\u00e3o do presidente Lula \u00e9 fundamental. Para isso, precisamos cada vez mais da uni\u00e3o das for\u00e7as democr\u00e1ticas e progressistas.<\/p>\n<p>Precisamos consolidar no campo democr\u00e1tico uma ampla alian\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 para disputar as elei\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m para construir um projeto de futuro para o Brasil.\u00a0 A unidade no campo democr\u00e1tico, diante do avan\u00e7o da extrema-direita, \u00e9 fundamental para defender a soberania nacional, a democracia, fortalecer as institui\u00e7\u00f5es e enfrentar as desigualdades hist\u00f3ricas do Brasil.<\/p>\n<p>E, sobretudo, o PT entende que o fascismo se derrota com pol\u00edtica p\u00fablica e com melhoria real na vida do povo. Quando h\u00e1 emprego, renda, comida no prato, direitos garantidos e esperan\u00e7a no futuro, o discurso do medo, da intoler\u00e2ncia e do autoritarismo perde espa\u00e7o na sociedade. \u00c9 com justi\u00e7a social e democracia que se constr\u00f3i um pa\u00eds mais forte e mais justo.<\/p>\n<p><strong>Edinho Silva \u2013 Presidente Nacional do PT<\/strong><\/p><\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ministra-defende-que-investigar-atos-golpistas-nao-viola-direitos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ministra defende que investigar atos golpistas n\u00e3o...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/vereadores-de-oposicao-em-curitiba-tentam-barrar-projetos-da-extrema-direita-que-atacam-diversidade\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vereadores de oposi\u00e7\u00e3o em Curitiba tentam barrar p...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-diz-que-nao-tem-pressa-para-aplicar-reciprocidade-contra-os-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula diz que \u2018n\u00e3o tem pressa\u2019 para aplicar recipro...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/projeto-pretende-ampliar-protecao-a-meninas-em-escolas-durante-o-agosto-lilas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-7-22-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Projeto pretende ampliar prote\u00e7\u00e3o a meninas em esc...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O combate \u00e0 ascens\u00e3o do fascismo a partir da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI \u00e9 o maior desafio das for\u00e7as democr\u00e1ticas, progressistas e de esquerda no mundo. 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