{"id":81665,"date":"2026-04-06T15:27:11","date_gmt":"2026-04-06T18:27:11","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pistas-historicas-para-outra-digitalizacao-parte-ii-o-cybersyn-chileno\/"},"modified":"2026-04-06T15:27:11","modified_gmt":"2026-04-06T18:27:11","slug":"pistas-historicas-para-outra-digitalizacao-parte-ii-o-cybersyn-chileno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pistas-historicas-para-outra-digitalizacao-parte-ii-o-cybersyn-chileno\/","title":{"rendered":"Pistas hist\u00f3ricas para outra digitaliza\u00e7\u00e3o (parte II): o Cybersyn chileno"},"content":{"rendered":"<p><span>Imagine uma sala hexagonal com dispositivos eletr\u00f4nicos distribu\u00eddos pelas paredes, sete cadeiras brancas de estofado laranja, com design moderno, e bot\u00f5es embutidos para o controle de proje\u00e7\u00e3o de dados, refletindo hoje uma imagem que poderia ser chamada de <\/span><i><span>retr\u00f4-futurista<\/span><\/i><span>, digna de filmes e s\u00e9ries fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2014 e que despertaria sentimentos ut\u00f3picos, ou ucr\u00f4nicos [1], no observador. Essa era a paisagem da sala de controle principal onde operavam os t\u00e9cnicos centrais no projeto do Cybersyn chileno, a maior experi\u00eancia da cibern\u00e9tica socialista na d\u00e9cada de 1970, encampada em solo sul-americano durante o governo de Salvador Allende. Apesar dos ares ut\u00f3picos, essa foi uma experi\u00eancia hist\u00f3rica real, constru\u00edda dentro e limitada pelas condi\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o e do tempo em que existiu. Seguindo o tema de uma <\/span><span>coluna anterior<\/span><span>, seguiremos agora para uma vis\u00e3o sobre a experi\u00eancia chilena como parte fundamental do esfor\u00e7o de pensar as possibilidades de uma digitaliza\u00e7\u00e3o emancipada.<\/span><\/p>\n<p><span>O projeto em quest\u00e3o \u00e9 amplamente discutido na obra <\/span><i><span>Cybernetic Revolutionaries: Technology and Politics in Allende\u2019s Chile<\/span><\/i><span>, de Eden Medina (2011), infelizmente ainda sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas. O termo, uma contra\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span>Cybernetics Synergy<\/span><\/i><span> \u2014 ou sinergia cibern\u00e9tica \u2014, apresenta de forma sucinta o esp\u00edrito do projeto, iniciado em julho de 1971, meses ap\u00f3s o primeiro presidente socialista eleito em uma democracia liberal na Am\u00e9rica Latina tomar posse. \u00c9 justamente ent\u00e3o que o jovem engenheiro Fernando Flores, gerente t\u00e9cnico-geral da Corporaci\u00f3n de Fomento de la Producci\u00f3n (CORFO), decidiu contactar Stafford Beer \u2014 desenvolvedor do modelo de gest\u00e3o para grandes corpora\u00e7\u00f5es, o VSM (<\/span><i><span>Viable System Model<\/span><\/i><span>) \u2014 e convid\u00e1-lo, primeiro, para o que se tornaria posteriormente o experimento de aplica\u00e7\u00e3o do seu modelo em um projeto voltado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de uma economia chilena escassa e em vias de nacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-251400\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn.webp\" alt=\"Imagem gerada por computador da sala de opera\u00e7\u00f5es do Projeto CyberSyn. &lt;br&gt; (Foto: Rama \/ Wikimedia Commons)\" width=\"1280\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn.webp 1280w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn-300x158.webp 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn-1024x540.webp 1024w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn-768x405.webp 768w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn-150x79.webp 150w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn-750x396.webp 750w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cybersyn-1140x601.webp 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Imagem gerada por computador da sala de opera\u00e7\u00f5es do Projeto CyberSyn. <br \/>(Foto: Rama \/ Wikimedia Commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span>Aceito o desafio, sua arquitetura dividiu-se em quatro compartimentos: Cybernet, Cyberstride, Checo e o Opsroom. Respectivamente, tratavam-se da rede de comunica\u00e7\u00e3o via telex, interligando centenas de empresas estatais ao centro em Santiago; um software estat\u00edstico para filtragem de dados econ\u00f4micos em fluxo cont\u00ednuo, identificando varia\u00e7\u00f5es significativas para alertar os gestores; o terceiro, um acr\u00f4nimo de \u201csimulador econ\u00f4mico chileno\u201d (<\/span><i><span>Chilean Economic Simulator<\/span><\/i><span>), simulava a economia nacional e possibilitava a testagem de cen\u00e1rios [2]. Por fim, a sala de opera\u00e7\u00e3o \u2014 imaginada por Beer como a <\/span><i><span>liberty machine<\/span><\/i><span> \u2014 era o espa\u00e7o de ag\u00eancia humana no eixo do sistema: o c\u00f4modo descrito no come\u00e7o do texto, situado no Minist\u00e9rio da Economia e projetado pelo designer Gui Bonsiepe.<\/span><\/p>\n<p><span>Toda a estrutura conceitual do projeto era derivada do VSM de Beer, refer\u00eancia de ponta na cibern\u00e9tica organizacional, que, por sua vez, era herdeiro dos princ\u00edpios de variedade necess\u00e1ria formulados por W. Ross Ashby \u2014 ou seja, legat\u00e1rio da tradi\u00e7\u00e3o sub-simb\u00f3lica cibern\u00e9tica, pensada analogamente a sistemas org\u00e2nicos, desde as redes neurais, como nos conta Raul Espejo, ex-diretor operacional do projeto [3]. Com essa perspectiva, o potencial, ou ao menos a aposta te\u00f3rica do Cybersyn, era esta: n\u00e3o um planejamento centralizado e hierarquizado como no projeto sovi\u00e9tico, mas um horizonte de regula\u00e7\u00e3o adaptativa com a autonomia relativa de sistemas internos \u2014 com empresas e trabalhadores. O VSM foi usado fundamentalmente como uma ferramenta heur\u00edstica [4], ou seja, um m\u00e9todo \u201cintuitivo\u201d para solucionar problemas complexos, agilizando a resolu\u00e7\u00e3o. Ou seja: auxiliar em quais dados ignorar e o que merece ser relatado em termos de varia\u00e7\u00e3o significativa.<\/span><\/p>\n<p><span>A hip\u00f3tese de estrutura recursiva foi utilizada como plataforma para desenvolver \u00edndices de performance (baseando-se em atualidade, capacidade e potencialidade) de vari\u00e1veis essenciais para todas as unidades operacionais, do local ao global, com a inten\u00e7\u00e3o de medir em tempo real as mudan\u00e7as no comportamento de vari\u00e1veis fundamentais para trabalhadores e gestores [5]. Tratava-se de produzir \u00edndices sobre recursos humanos e de produ\u00e7\u00e3o. Ao final de seu desenvolvimento, 60% da economia industrial nacionalizada estava, de algum modo, envolvida no projeto.<\/span><\/p>\n<p><span>Dentre os quatro \u201ccompartimentos\u201d do Cybersyn, Espejo relata que foi a Cybernet o que mudou a compreens\u00e3o geral sobre informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (e que \u00e9 frequentemente citada como \u201cprot\u00f3tipo\u201d da internet, usando telex e um computador). Antes uma ferramenta para transmiss\u00e3o de dados \u00e0 sala de telex (sobre empreendimentos, comit\u00eas e planejamentos), e dessa sala ao centro computacional, n\u00e3o tardou para os gerenciadores na CORFO perceberem seu potencial: a Cybernet tornou-se, ent\u00e3o, uma rede de fluxo informacional generalizado, aumentando seu uso para al\u00e9m da economia industrial, vindo de minist\u00e9rios e diferentes institui\u00e7\u00f5es governamentais. Mas foi na greve dos caminhoneiros, financiada pela CIA, que a Cybernet desempenhou papel fundamental, trabalhando dia e noite como ferramenta de coordena\u00e7\u00e3o horizontal para derrotar o movimento, com requerimentos e suprimentos sendo administrados pelas pr\u00f3prias empresas, sem necessidade de interven\u00e7\u00e3o hierarquizada. O potencial da Cybernet como fator organizacional \u2014 como uma internet incipiente operando como infraestrutura informacional desde a experi\u00eancia de gest\u00e3o de crise em uma greve que servia ao boicote imperialista \u2014 infelizmente n\u00e3o seria desenvolvido, apesar de ter ficado aparente e ter sido sugerido por Beer. Mas as pessoas que integravam o governo j\u00e1 estavam conscientes de uma interven\u00e7\u00e3o militar iminente [6].<\/span><\/p>\n<p><span>O epis\u00f3dio tornou-se mitol\u00f3gico e mobilizou an\u00e1lises d\u00edspares. O fato \u00e9 que, no fat\u00eddico 11 de setembro de 1973, o golpe militar liderado por Pinochet, que perduraria por quase 17 anos, foi violentamente imposto, com o assassinato de Allende e tamb\u00e9m a destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica das instala\u00e7\u00f5es do Cybersyn. Fernando Flores, preso e torturado durante a ditadura, est\u00e1 vivo ainda hoje e ocupou o cargo de senador entre 2001 e 2009. Escreveu diversos livros te\u00f3ricos e filos\u00f3ficos sobre o tema, dentre eles <\/span><i><span>Understanding Computers and Cognition: A New Foundation for Design<\/span><\/i><span> (1986), em coautoria com Terry Winograd, onde se l\u00ea, logo entre as primeiras p\u00e1ginas, a dedicat\u00f3ria: \u201cPara o povo do Chile.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Esse epis\u00f3dio na hist\u00f3ria da cibern\u00e9tica chilena aqui brevemente narrado \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental das experi\u00eancias socialistas, mesmo que n\u00e3o tenha durado tanto tempo. Suas potencialidades tamb\u00e9m estavam implicadas em contradi\u00e7\u00f5es com as quais podemos aprender li\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre tecnologia, pol\u00edtica, cr\u00edtica e, quem sabe, pistas para uma subvers\u00e3o emancipat\u00f3ria. Primeiro, a arquitetura do pr\u00f3prio sistema, inspirada em modelos gerenciais empresariais privados, carregava consigo certa ilus\u00e3o tecnocr\u00e1tica, incapaz de perceber a ing\u00eanua cren\u00e7a na transpar\u00eancia de fluxos e vari\u00e1veis control\u00e1veis: era assim, ainda mobilizada pela ideologia cibern\u00e9tica do controle. Superar isso \u00e9 fundamental: precisa-se distinguir a efetividade da tecnologia legat\u00e1ria do pensamento cibern\u00e9tico e a ideologia cibern\u00e9tica, que tende a reduzir o real e incalcul\u00e1vel da pol\u00edtica aos seus termos.<\/span><\/p>\n<p><span>Tamb\u00e9m \u00e9 razo\u00e1vel reconhecer que o pr\u00f3prio projeto, metodologicamente, enfatizou mais a tecnologia do que o envolvimento daqueles na base, que engajavam na transforma\u00e7\u00e3o real da economia chilena \u2014 uma preocupa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 estava no horizonte de Beer, em sua ideia do <\/span><i><span>Cyberfolk<\/span><\/i><span>, para integrar sistemicamente o povo no processo de constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas [7]. Mesmo com essa preocupa\u00e7\u00e3o, o \u00edmpeto de reduzir o indiz\u00edvel do pol\u00edtico ao comput\u00e1vel (e administr\u00e1vel) da cibern\u00e9tica revelava-se constantemente.<\/span><\/p>\n<p><span>Apesar das possibilidades organizacionais da cibern\u00e9tica de segunda ordem \u2014 com paradigmas de planejamento social e din\u00e2micas recursivas de inscri\u00e7\u00e3o dos observadores, somados \u00e0s tecnologias dispon\u00edveis hoje, possuindo um grande potencial \u2014, falta ainda uma dimens\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos limites te\u00f3ricos implicados nessas epistemologias e inscritos na pr\u00f3pria infraestrutura digital, e o que esses limites significam quando se tenta transpor esse quadro conceitual para pensar problemas pol\u00edticos.<\/span><\/p>\n<p><span>Eden Medina [8] observa bem como o sistema do Cybersyn foi concebido para otimizar fluxos, n\u00e3o para representar contradi\u00e7\u00f5es. Se por \u201ccontradi\u00e7\u00f5es\u201d compreende-se tamb\u00e9m os impasses fundamentais que uma pol\u00edtica socialista visa abarcar, essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma falha metodol\u00f3gica, mas um limite \u2014 l\u00f3gico, inclusive \u2014 fundamental: \u00e9 preciso explorar as utilidades da informa\u00e7\u00e3o digital (e da teoria cibern\u00e9tica que a mobiliza) sem, com isso, filtrar por ela nosso vocabul\u00e1rio pol\u00edtico e nossos pressupostos organizacionais fundamentais, nem ignorar a complexidade social da pol\u00edtica em nome de um inebriamento t\u00e9cnico. Um dos modos de ilustrar isso aparece em entrevista concedida a Rafael Grohmann [9], na qual Medina exalta o Cybersyn como antecessor, em certa medida, do debate sobre design participativo, experi\u00eancia vinda da Am\u00e9rica Latina, o que n\u00e3o deve ser ignorado. Contudo, \u00e9 importante relembrar outros pontos relativos \u00e0s pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es fundamentais que um projeto socialista precisa enfrentar:<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cParte do que minha pesquisa mostrou \u00e9 que a forma como a sala [a Opsroom, descrita no come\u00e7o do texto] foi projetada \u00e9 voltada para formas de express\u00e3o masculinas. A ideia \u00e9 que voc\u00ea aperte esses bot\u00f5es grandes se quiser deixar claro um ponto de vista, e eles tentam aproximar o usu\u00e1rio da m\u00e1quina, eliminando as mulheres da sala. Est\u00e3o eliminando a secret\u00e1ria. Portanto, as mulheres n\u00e3o eram imaginadas como usu\u00e1rias, com formas de express\u00e3o neutras em termos de g\u00eanero. N\u00e3o somos vistas como algo que seria o modo de express\u00e3o dominante no espa\u00e7o. Ent\u00e3o, mesmo quando tentamos tornar algo mais acess\u00edvel, h\u00e1 sempre aquela sombra de quem n\u00e3o estamos imaginando direito e de quem ainda estamos excluindo nos tipos de designs que criamos. E acho que isso \u00e9 algo muito importante de lembrar.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Lembrar disso significa tamb\u00e9m recolocar os projetos pol\u00edticos dentro do problema da imagina\u00e7\u00e3o. A amplitude da realidade social que tais projetos tentam abarcar traz consigo impasses e contradi\u00e7\u00f5es que precisam ser consideradas para al\u00e9m de limites simplesmente t\u00e9cnicos. Crer no contr\u00e1rio \u00e9 cair em tecnicismos e tecnossolucionismos tacanhos. O problema \u00e9 em que medida as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o articuladas na imagina\u00e7\u00e3o, expressando-se no projeto, ou em que medida ser\u00e3o articuladas na pr\u00f3pria irrepresentabilidade que a arquitetura e a l\u00f3gica do projeto n\u00e3o abarcam.<\/span><\/p>\n<p><b><i>(*) Cian Barbosa<\/i><\/b><i><span> \u00e9 morador do Rio de Janeiro, soci\u00f3logo (UFF), doutorando em filosofia (UNIFESP) e psicologia (UFRJ). Pesquisa teoria do sujeito, cr\u00edtica da cultura, viol\u00eancia, tecnologia, ideologia e digitaliza\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m \u00e9 integrante da revista Zero \u00e0 Esquerda, tradutor e ensa\u00edsta, al\u00e9m de professor e coordenador no Centro de Forma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><\/p>\n<hr>\n<h6><b>Refer\u00eancias:\u00a0<\/b><\/h6>\n<h6><span>[1] <\/span> <span>A ucronia \u00e9 muitas vezes definida por sua etimologia\u00a0 [u: nenhum\u00a0 <\/span><i><span>e<\/span><\/i><span>\u00a0 cronia:\u00a0 tempo]\u00a0 ou\u00a0 pelo\u00a0 seu\u00a0 primeiro uso,\u00a0 na obra de Charles Renouvier,\u00a0 em\u00a0 1876, onde aparece como uma\u00a0 hist\u00f3ria\u00a0 alternativa\u00a0 dentro\u00a0 da\u00a0 hist\u00f3ria. Outro sentido poss\u00edvel \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o da ucronia como uma realidade imaginada, desde o passado, no presente ou no futuro, que desenvolve-se de modo diferente \u00e0 nossa, mas parte de uma factualidade hist\u00f3rica comum.\u00a0<\/span><\/h6>\n<h6><span>[2] Ver em: ESPEJO, Raul. Cybernetics of governance: the Cybersyn project 1971\u20131973. In: Social systems and design. Tokyo: Springer Japan, 2014. p. 71-90.<\/span><\/h6>\n<h6><span>[3] Raul Espejo foi Diretor Operacional do projeto durante os dois anos de sua exist\u00eancia.\u00a0<\/span><\/h6>\n<h6><span>[4] <\/span><i><span>Ibid.<\/span><\/i><span> p. 82.<\/span><\/h6>\n<h6><span>[5] <\/span><i><span>Ibid.<\/span><\/i><span> p. 83.<\/span><\/h6>\n<h6><span>[6] <\/span><i><span>Ibid.<\/span><\/i><span> p. 85.<\/span><\/h6>\n<h6><span>[7] Um projeto de respostas em tempo real, por exemplo, durante debates de figuras pol\u00edticas em espa\u00e7os p\u00fablicos\u00a0 (<\/span><i><span>ibid.<\/span><\/i><span> p. 87).<\/span><\/h6>\n<h6><span>[8] MEDINA, Eden. Cybernetic revolutionaries: Technology and politics in Allende\u2019s Chile. Mit Press, 2011.<\/span><\/h6>\n<h6><span>[9] MEDINA, Eden. (2024). Aprendendo com CyberSyn, 50 anos depois: Entrevista com Eden Medina. [Entrevista cedida a Rafael Grohmann]. Digilabour. Em: https:\/\/digilabour.com.br\/pt\/aprendendo-com-cybersyn-50-anos-depois-entrevista-com-eden-medina\/<\/span><\/h6>\n<p>O post Pistas hist\u00f3ricas para outra digitaliza\u00e7\u00e3o (parte II): o Cybersyn chileno apareceu primeiro em Opera Mundi.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/09\/tradicionais-bares-do-viaduto-otavio-rocha-amargam-prejuizos-com-reforma-interminavel\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ObrasViadutoOtavioRocha25092025-25-scaled.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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