{"id":8172,"date":"2024-12-11T19:00:09","date_gmt":"2024-12-11T22:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/de-agrovila-pacata-a-grande-porto-de-graos-miritituba-e-engolida-pela-chegada-da-soja-a-amazonia\/"},"modified":"2024-12-11T19:00:09","modified_gmt":"2024-12-11T22:00:09","slug":"de-agrovila-pacata-a-grande-porto-de-graos-miritituba-e-engolida-pela-chegada-da-soja-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/de-agrovila-pacata-a-grande-porto-de-graos-miritituba-e-engolida-pela-chegada-da-soja-a-amazonia\/","title":{"rendered":"De agrovila pacata a grande porto de gr\u00e3os, Miritituba \u00e9 engolida pela chegada da soja \u00e0 Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Localizado \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/08\/15\/estimulados-por-bolsonaro-fazendeiros-promovem-dia-do-fogo-na-amazonia\/\">margem da BR-163<\/a>, o distrito de Miritituba, no munic\u00edpio de Itaituba (PA), \u00e9 um ponto estrat\u00e9gico na rota da soja que sai do Mato Grosso com destino ao mercado externo.<\/p>\n<p>Milhares de caminh\u00f5es chegam ali todos os dias, para descarregar a mercadoria nas Esta\u00e7\u00f5es de Transbordo de Carga (ETCs), grandes \u00e1reas compostas por p\u00e1tios, silos e portos, instaladas na margem do rio Tapaj\u00f3s. Em Miritituba, essas esta\u00e7\u00f5es t\u00eam capacidade para movimentar at\u00e9 18 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os por ano.<\/p>\n<p>No vai e vem da soja, os moradores do distrito ficam com os preju\u00edzos, como acidentes causados pelos caminh\u00f5es, poeira, polui\u00e7\u00e3o sonora e impactos ambientais.\u00a0\u201cCome\u00e7a com um rasgo na floresta, na beira do rio, e depois voc\u00ea v\u00ea as estruturas sendo montadas\u201d, conta a professora Ivaneide Lima, moradora do distrito, sobre a chegada dos portos que servem \u00e0s empresas do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Miritituba foi organizada na d\u00e9cada de 1970, como uma agrovila onde os moradores se dedicavam \u00e0 agricultura familiar. Naquela regi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 planta\u00e7\u00e3o de soja, mas os impactos causados pela log\u00edstica dos gr\u00e3os est\u00e3o presentes no cotidiano e podem ser percebidos nas \u00e1guas, nas matas e nas ruas.<\/p>\n<p>&#8220;Numa travessia de Miritituba para Itaituba, tu visualizava uns 20 a 30 botos. Atravessa hoje, v\u00ea se tu v\u00ea algum?\u201d, desafia o corretor imobili\u00e1rio Josenaldo de Castro.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os cerca de 15 mil habitantes s\u00e3o obrigados a conviver com o intenso fluxo de carretas, que passam perto das casas, o barulho das embarca\u00e7\u00f5es e as mudan\u00e7as no ambiente, que v\u00e3o desde a perda de vegeta\u00e7\u00e3o at\u00e9 as nuvens de fuma\u00e7a levantadas pelos caminh\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Tudo isso vem acompanhado do aumento populacional desordenado, sem que o distrito tenha estrutura para absorver os impactos. \u201cDe repente, uma vila de moradores, porque aqui era vila de Miritituba, vira distrito industrial para acomodar todo esse movimento\u201d, diz Lima.\u00a0<\/p>\n<p>Quase 2 mil caminh\u00f5es por dia<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o dos Terminais Portu\u00e1rios e Esta\u00e7\u00f5es de Transbordo de Cargas da Bacia Amaz\u00f4nia (Amport), os principais portos da hidrovia do Tapaj\u00f3s s\u00e3o o de Santar\u00e9m, comandado pela empresa Cargill, e os terminais portu\u00e1rios de Miritituba, das empresas Unitapaj\u00f3s, resultado da uni\u00e3o entre a Bunge e a Amaggi, duas gigantes do agroneg\u00f3cio; a Companhia Norte de Navega\u00e7\u00e3o e Portos (Cianport); a Cargill e a Hidrovias do Brasil S.A.\u00a0<\/p>\n<p>Diariamente, cerca de 1,8 mil caminh\u00f5es saem de Sinop (MT) em dire\u00e7\u00e3o aos portos do rio Tapaj\u00f3s. O complexo portu\u00e1rio instalado na hidrovia do Tapaj\u00f3s faz parte do Arco Norte, um corredor log\u00edstico que integra portos e esta\u00e7\u00f5es de transbordo dos estados do Amap\u00e1, Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia e Maranh\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nInstala\u00e7\u00f5es \u00e0 beira do rio Tapaj\u00f3s, em Miritituba \/ Vitor Shimomura\/Brasil de Fato<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea percebe que Miritituba \u00e9 coberta por uma nuvem de poeira produzida por esses caminh\u00f5es. E isso afeta diretamente a sa\u00fade das pessoas. Tem muitas pessoas, crian\u00e7as, idosos, com problemas de sa\u00fade provenientes dessa poeira\u201d, relata o corretor de im\u00f3veis Josenaldo de Castro. \u00a0<\/p>\n<p>Em 2019, as ETCs das empresas Cianport, Unitapaj\u00f3s e Hidrovias do Brasil movimentaram, juntas, cerca de 8 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os, somando milho e soja. Em 2021, com o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es da ETC da Cargill, n\u00e3o houve uma altera\u00e7\u00e3o muito significativa na movimenta\u00e7\u00e3o, que alcan\u00e7ou 8,3 milh\u00f5es de toneladas. Contudo, em 2022, a movimenta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os das quatro ETCs fixas em opera\u00e7\u00e3o em Miritituba alcan\u00e7ou 12,9 milh\u00f5es de toneladas, ou seja, um aumento de 54,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2021.<\/p>\n<p>Os moradores do distrito concordam que a chegada das empresas aumentou a oferta de emprego formal por l\u00e1. Mas enumeram preju\u00edzos. \u00a0<\/p>\n<p>\u201cDe repente, muitos trabalhadores dentro da comunidade, a ponto que casas ficaram com alugu\u00e9is muito altos aqui dentro. O morador do distrito mesmo tinha dificuldade de pagar aluguel, porque de repente as casas estavam dispon\u00edveis para as empresas\u201d, afirma a professora. O aumento populacional \u00e9 um dos impactos apontados em uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica protocolada em 2026 pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Par\u00e1, que aponta que a instala\u00e7\u00e3o de grandes projetos traz \u201cconsequ\u00eancias de outras naturezas, como, por exemplo, aumento populacional, aumento dos limites urbanos dos munic\u00edpios (&#8230;)\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nPonto de chegada e sa\u00edda das balsas que fazem a travessia de Miritituba para Itaituba \/ Vitor Shimomura\/Brasil de Fato<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Lima, o crescimento desordenado \u00e9 respons\u00e1vel pelo vis\u00edvel aumento da viol\u00eancia. \u201cEra uma comunidade que tinha, se tinha viol\u00eancia, n\u00e3o dava para ver. Hoje n\u00e3o tem como esconder\u201d, diz.<\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/18\/mortes-violentas-no-brasil-diminuem-3-4-em-2023-segundo-anuario-brasileiro-de-seguranca-publica\">Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2024<\/a>, o munic\u00edpio de Itaituba aparece em quatro lugar entre as maiores taxas de estupro de vulner\u00e1vel do Brasil. Em 2023, o munic\u00edpio apareceu em 15\u00ba na lista das 50 cidades mais violentas do pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p>No ver\u00e3o, moradores sofrem com barulho e mau cheiro\u00a0<\/p>\n<p>Localizado em Miritituba, na regi\u00e3o de um lago formado pelas \u00e1guas do Tapaj\u00f3s, o bairro Jardim do \u00c9den parece um lugar de descanso. H\u00e1 casas sem muros ou port\u00f5es, redes nas varandas e mangueiras nos quintais. Em um e outro ponto, placas d\u00e3o o recado, escrito \u00e0 m\u00e3o: vende-se a\u00e7a\u00ed. \u00a0<\/p>\n<p>Mas basta o lago encher com a chegada do inverno, esta\u00e7\u00e3o chuvosa na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, e a tranquilidade dos moradores \u00e9 interrompida pelas balsas de petr\u00f3leo que atracam perto das casas. \u201cChega uma balsa, sai, chega outra. \u00c9 24 horas. O inverno todo, dia e noite\u201d, reclama uma moradora, que pede para n\u00e3o ser identificada. \u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nRua na regi\u00e3o do bairro Jardim do \u00c9den, no distrito de Miritituba \/ Carolina Bataier\/Brasil de Fato<\/p>\n<p>Al\u00e9m do barulho incessante, os moradores convivem com o cheiro de combust\u00edvel que, segundo relatos, \u201c\u00e9 muito forte, parece que voc\u00ea espalhou gasolina pela casa\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>Em Miritituba, a BR-163 se encontra com a BR-230, conhecida como Transamaz\u00f4nica, em um entroncamento que atrai restaurantes \u00e0 beira da estrada e postos de combust\u00edvel, onde s\u00e3o abastecidas a diesel as carretas que transportam as mercadorias que circulam por essa rota. Por isso, o distrito integra tamb\u00e9m uma rota de transporte de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>No lago do Jardim do \u00c9den, funciona uma base de carrego e descarrego de petr\u00f3leo para abastecimento dos postos da regi\u00e3o. \u201cSe voc\u00eas viessem no tempo do inverno, voc\u00eas iam ver o tamanho das manchas de \u00f3leo que ficam a\u00ed. Nem peixe tem mais\u201d, lamenta a moradora \u00e0 reportagem do <strong>Brasil de Fato<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Com o movimento das balsas, a \u00e1gua do lago ficou suja. Outro morador, que tamb\u00e9m pede que seu nome permane\u00e7a em sigilo, diz que os peixes est\u00e3o com sabor de \u00f3leo. \u201cTeve uma \u00e9poca que tinha peixe a\u00ed boiando, tudo morto\u201d, lembra a moradora. \u201cQuem tem dinheiro pode, n\u00e9? Essa \u00e9 a realidade do Brasil\u201d, finaliza.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Desmatamento avan\u00e7a mesmo com monitoramento<\/p>\n<p>Munic\u00edpio com a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/27\/cresce-tensao-apos-morte-de-garimpeiro-em-operacao-do-ibama-e-sede-do-orgao-sera-alvo-de-protesto-em-itaituba-pa\">maior \u00e1rea minerada do Brasil<\/a>, Itaituba vive de ciclos econ\u00f4micos baseados na explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. A degrada\u00e7\u00e3o ambiental levou o munic\u00edpio a entrar, em 2017, na <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/11\/09\/desmatamento-na-amazonia-cai-mas-17-municipios-monitorados-ainda-registram-alta#:~:text=S%C3%A3o%20eles%3A%20Feij%C3%B3%20(AC),Rondon%20do%20Par%C3%A1%20(PA).\">lista dos que mais desmatam a Amaz\u00f4nia<\/a>, mecanismo de monitoramento do Plano de A\u00e7\u00e3o para Preven\u00e7\u00e3o e Controle do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal (PPCDAm) do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima. \u00a0<\/p>\n<p>Mesmo sob monitoramento, o desmatamento no munic\u00edpio n\u00e3o para de aumentar. De acordo com dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite (Prodes), Itaituba teve, entre agosto de 2023 a julho de 2024, a taxa de desmatamento 25% maior que a registrada no per\u00edodo anterior. \u00a0 \u00a0<\/p>\n<p>De Miritituba a Santar\u00e9m, s\u00e3o cerca de 360 quil\u00f4metros, pela BR-163. Nesses dois munic\u00edpios, as megaestruturas empenhadas na log\u00edstica da soja deixam suas marcas. S\u00e3o not\u00e1veis os vazios de mata, abertos para receber os milhares de caminh\u00f5es. \u00a0<\/p>\n<p>De acordo com dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amaz\u00f4nica Brasileira por Sat\u00e9lite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre os anos de 2008 e 2022, a taxa anual de desmatamento nos munic\u00edpios do trecho paraense da <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/especiais\/campeoes-de-desmatamento-e-queimadas-na-amazonia-sao-dominados-pelo-gado-e-pela-soja\">BR-163<\/a> aumentou 79%, atingindo 1.378 km\u00b2. Os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais impressionantes quando se trata de munic\u00edpios conhecidos por serem grandes produtores de soja na regi\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/12\/10\/cercadas-pela-soja-e-pelo-veneno-comunidades-rurais-estao-desaparecendo-junto-com-a-amazonia-na-regiao-de-santarem-pa\">Planalto Santareno<\/a>, formado pelos munic\u00edpios de Santar\u00e9m, Belterra e Moju\u00ed dos Campos.\u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nEstacionamento de caminh\u00f5es, na margem da BR 163, perto de Santar\u00e9m \/ Vitor Shimomura\/Brasil de Fato<\/p>\n<p>Em Santar\u00e9m, a\u00a0taxa anual de desmatamento aumentou 172%, saltando de 600 hectares em 2013 para 1,6 mil hectares em 2021. Em Belterra, o desmatamento saiu de 70 hectares em 2013 para 1,6 mil hectares em 2021, o que representa aumento de 613%. O recorde, no entanto, fica com Moju\u00ed dos Campos, onde a taxa anual de desmatamento saiu de 400 hectares, em 2013, para 6,1 mil hectares, em 2021, representando aumento de 1443%.<\/p>\n<p>Soja sem limites, comunidade vem depois<\/p>\n<p>No contexto do avan\u00e7o da soja na regi\u00e3o, as megaestruturas parecem n\u00e3o ter limites. Um levantamento da organiza\u00e7\u00e3o Terra de Direitos identificou 41 instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias, entre p\u00fablicas e privadas, vinculadas \u00e0s atividades do agroneg\u00f3cio, previstas, em fase de constru\u00e7\u00e3o ou em opera\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios de Santar\u00e9m, Rur\u00f3polis e Itaituba. Essas estruturas ser\u00e3o destinadas ao transporte de gr\u00e3os, fertilizantes, combust\u00edveis e materiais de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente identificou que tem 27 portos em opera\u00e7\u00e3o no momento e que, desses 27, apenas cinco tem documenta\u00e7\u00e3o completa do processo de licenciamento ambiental&#8221;, ressalta Bruna Balbi, assessora jur\u00eddica popular da Terra de Direitos. Sem essa documenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como garantir que os empreendimentos estejam operando sem causar danos ambientais e \u00e0s comunidades tradicionais das \u00e1reas afetadas.\u00a0<\/p>\n<p>Os portos limitam o acesso a lugares que, antes, pertenciam a toda a comunidade e as barca\u00e7as se imp\u00f5em no caminho das canoas e rabetas usadas pelos moradores da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para completar as megaestruturas do agroneg\u00f3cio na regi\u00e3o oeste do Par\u00e1, chega a proposta da constru\u00e7\u00e3o da ferrovia EF 170, a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/01\/tribunal-popular-julgara-ferrograo-ferrovia-do-agro-que-impacta-amazonia-e-povos-da-floresta\">Ferrogr\u00e3o<\/a>, que ir\u00e1 conectar Sinop (MT) a Miritituba. &#8220;N\u00e3o est\u00e3o contentes com a rodovia, agora vem a ferrovia. S\u00e3o 933 quil\u00f4metros rasgando a floresta\u201d, alerta o padre e ativista social Ediberto Sena, morador de Santar\u00e9m. \u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nFerrogr\u00e3o \/ Brasil de Fato<\/p>\n<p>De acordo com o estudo do Inesc, a ferrovia foi inclu\u00edda no Programa de Investimento em Log\u00edstica (PIL) em 2015, ap\u00f3s press\u00e3o das empresas Bunge, Amaggi, Cargill e Louis Dreyfus. \u201cTais empresas formaram, ent\u00e3o, uma Sociedade de Prop\u00f3sito Espec\u00edfico (SPE) \u2013 a empresa de estrutura\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios Esta\u00e7\u00e3o da Luz Participa\u00e7\u00f5es (EDLP) \u2013 e apresentaram a Proposta de Manifesta\u00e7\u00e3o de Interesse (PMI) para a constru\u00e7\u00e3o do trecho ferrovi\u00e1rio\u201d, informa a pesquisa. \u00a0<\/p>\n<p>Atualmente em processo de an\u00e1lise das propostas de potenciais investidores e financiadores do projeto pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), a Ferrogr\u00e3o ir\u00e1 afetar ao menos seis terras ind\u00edgenas, onde vivem aproximadamente 2.600 pessoas, e 17 unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado por 40 entidades da sociedade civil organizada indica que a instala\u00e7\u00e3o da ferrovia pode desmatar 2 mil quil\u00f4metros quadrados de floresta nativa, \u00e1rea equivalente ao Estado de S\u00e3o Paulo. \u201cA soja tem um prazo, que lamentavelmente vai deixar para n\u00f3s a desgra\u00e7a\u201d, conclui Sena.\u00a0<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mst-divulga-carta-sobre-la-lucha-por-la-reforma-agraria-en-el-proximo-periodo-en-reunion-en-la-ciudad-de-belem\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/WhatsApp-Image-2025-01-21-at-21.44.00-1024x682-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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